sábado, 11 de julho de 2020

Mares de Rum (II)

O Rum
Traz o Mar das Caraíbas
Para dentro
Do meu peito :
Mar Morto,
Atlântida dinamitada.

Traz você
(de onde quer que esteja)
Para mais perto da minha madrugada.
Ou me leva
(seja qual for o seu paradeiro que eu desconheço)
Para mais perto de você,
Das órbitas das suas duas Luas cheias.

Quase abre um buraco de minhoca
Para uma realidade paralela
(uma das inúmeras com que sonhamos)
Onde teríamos tido uma chance.
Quase...

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Cerveja-Feira (23)

O cerveja-feira de hoje presta merecida e atrasada homenagem aos inventores da cerveja, o povo sumério. Não bastasse terem inventado a roda e a escrita, os sumérios nos brindaram, literalmente, com a cerveja. Os registros mais antigos de fabricação de cerveja, datados de 6000 anos, remetem a esta brilhante civilização, que floresceu ao sul da Mesopotâmia, região onde hoje se situam o Iraque e o Kwait.
A cerveja, segundo consta, foi uma descoberta acidental, uma obra do Acaso, que muitos dizem ser a maneira pela qual os deuses se comunicam conosco. Seu inventor anônimo foi um padeiro, um operário do trigo, da cevada e de outros grãos que cresciam naturalmente na região. Antes de serem usados no preparo do pão e de outras massas, os cereais eram deixados de molho por um tempo, para amolecerem e incharem, o que facilitava o seu uso e manejo e os tornava mais palatáveis.
Pois em um belo dia, o tal padeiro distraiu-se da lida e deixou os cereais de molho por um tempo muito além do normal. Ao abrir o recipiente, ele notou que a água tinha adquirido uma coloração e um cheiro diferentes dos costumeiros; um aspecto turvo, sujo, e um odor que beirava o azedo. O que fez o padeiro? Maldisse o seu descuido e jogou tudo fora? Nada disso. Atraído pelo estranho e inesperado líquido, resolveu prová-lo. Em poucos minutos, uma sensação de prazer, de deleite, de transcendência, quiçá de epifania, apossou-se do distraído padeiro. Ele fez provar também do líquido alguns amigos seus, que descreveram a mesma experiência de elevação espiritual que ele.
Pronto. Havia nascido a cerveja. A partir de então, a notícia se espalhou e o líquido, antes acidental, passou a ser produzido a propósito e com técnicas cada vez mais aprimoradas de elaboração. O erro do padeiro passou a vender mais que o pão. A cerveja passou a ser o "pão nosso de cada dia" dos Sumérios.
E que o Acaso e a não intencionalidade da invenção não minorem a importância e a inteligência do padeiro; antes pelo contrário, as enalteçam. Afinal, é muito mais fácil reconhecer o resultado positivo que se busca, o resultado teorizado e esperado, do que inferir alguma utilidade a um produto estranho decorrente de uma falha no experimento. Estar preparado para reconhecer alguma utilidade no Acaso requer uma genialidade muito superior à de simplesmente conduzir e acomodar procedimentos e resultados em currais cartesianos. Quantas invenções já não devem ter sido descartadas nos ralos das pias e nos lixos dos laboratórios e das forjas científicas pela imperícia, pela tacanhez e pela falta de argúcia de seus criadores em lhes perceber a importância? Quanto do Acaso já não foi desperdiçado por mentes não preparadas e abertas a ele?
O caso da cerveja mostra não só a genialidade do padeiro, que ao invés de jogá-la fora, elevou-a a néctar dos deuses, como também serve de importante registro histórico da infinitamente superior macheza dos povos antigos. Somos todos uns afeminados, uns poodles de madame, se comparados a eles. Na Suméria, um padeiro distraído inventou a cerveja. Hoje, aqui por essas bandas, o que um padeiro distraído faz? Deixa queimar a rosca!
A cerveja passou a ter uma relevância tão grande para a vida dos sumérios que leis reguladoras de sua produção, distribuição etc foram inseridas no código de leis sumério. Que não era uma constituiçãozinha qualquer, que não era uma cartinha magna mequetrefe de merda, não,  feito o Direito Romano ou, pior ainda, a Constituição Cidadã Brasileira, escrita pelo pulha do Ulisses Guimarães e seus cupinchas movidos à base de mensalões; o conjunto de leis que pairava feito espada pontiaguda e afiada sobre as cabeças do povo sumério era nada mais nada menos que o Código de Hamurabi, o mais antigo e severo código de leis que se tem registro. A cerveja passou a ter lugar de honra no mais macho das antigas e no já draconiano, antes mesmo de Drácon,  código de leis do mundo, aquele em que a diretriz básica era a Lei de Talião, a do olho por olho, dente por dente.
O Código de Hamurabi estabelecia rígidas leis de formulação, fabricação e comercialização da cerveja. Punia severamente o fabricante que a produzisse fora dos parâmetros legais, com ingredientes diferentes dos preconizados ou de baixa qualidade, e também o taberneiro que a adulterasse para enganar o cliente e aumentar seus lucros. 
Os infratores, os que cometiam heresia em relação ao sacrossanto líquido, não eram multados, que multa é coisa de Constituição de viado. Eles eram condenados à morte, e a maneira pela qual morriam era concernente ao tipo de delito cometido contra a cerveja. Por exemplo, quem diluísse a cerveja, adicionando-lhe mais água que o permitido para aumentar seus ganhos, era condenado a morte por afogamento. Percebem a beleza da coisa? Percebem a eficiência e o justo senso de justiça da Lei de Talião? Pôs água na cerveja? Então, vai morrer afogado, de tanto beber água. Genial. Irretocável. Poético, até. Fosse o Código de Hamurabi aplicado nos dias de hoje aos produtores brasileiros de cerveja, iria faltar piscina pra tanto afogamento. Iria faltar mar.
E a lei que mais me agradou : o Código de Hamurabi estabelecia uma ração diária de cerveja para o povo sumério. Ao fim do dia de labuta, eram dados dois litros de cerveja ao trabalhador comum, três litros aos funcionários públicos e cinco litros para os administradores, governantes e sacerdotes.
Pãããããããta que o pariu!!! CLT é o caralho!!! Estatuto do Servidor Público é a puta que o pariu!!! Isso sim são direitos trabalhistas!!!
Imagino-me, funcionário público da "educação" que sou, chegando ao fim de um infrutífero dia de trabalho, guardando meu material no armário e, à saída da escola, recebendo 3 litrões de cerveja das mãos da diretora!!!
Vale-refeição é o escambau! Enfiem o vale-transporte no cu! Quero meus direitos, bonificações, quinquênios e terços de férias pagos em cerveja! Todos eles. Centavo por centavo. Mililitro por mililitro.
Abaixo, o alto-relevo sumério chamado Monumento Blau (4000 a.C.), que mostra a cerveja sendo oferecida à Deusa Nin-Harra.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Crônica de Uma Contaminação Anunciada

Aconteceu o que a esquerdalha brasileira mais desejava : o intrépido Bolsonaro foi infectado pelo coronavírus, pela praga chinesa, certo? Um prato cheio para os vermelhinhos do feicibúqui e das redes sociais escarnecerem do Mito, dizerem que ele está colhendo o que plantou, que está sendo vítima de sua própria inconsequência e das medidas médicas equivocadas que vêm tomando (segundo a esquerda), que bem que merece estar com a Covid-19 pelo descaso e pelo deboche (de novo segundo a esquerda) com que sempre se referiu ao vírus chinês, um merecido castigo pelo desrespeito para com os milhares de mortos da covid-19, certo? Hoje vai ter festa no apê e no PT! Quem sabe até no triplex da Da. Marisa, certo?
Não. Pelo jeito, não. Pelo jeito, a esquerda considera Jair Bolsonaro mais inexpugnável e invulnerável do que ele próprio bravateia. Pelo jeito, a esquerda acredita muito mais no mito do Messias do que o próprio Cavalão, apelido de Bolsonaro dos tempos de Academia Militar.
Explico : hoje, o Presidente Jair Messias Bolsonaro gravou um vídeo tomando sua terceira dose de cloroquina e relatando a melhora que o fármaco vem operando em seu organismo desde domingo, quando manifestou os primeiros sintomas.
Com todo estilo que sempre lhe foi peculiar - ninguém pode lhe negar a autenticidade - e sem demonstrar nenhum tipo de arrependimento, ou de fazer alguma mea culpa, Bolsonaro disse no vídeo : "Estou tomando aqui a terceira dose da hidroxicloroquina (mostra o comprimido)...he, he, he, he... e tô me sentindo muito bem. Tava mais ou menos domingo, mal segunda-feira e hoje, terça, eu tô muito melhor do que sábado. Então, com toda certeza, né, tá dando certo (e toma o comprimido em frente à câmera).Sabemos que hoje em dia existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem a sua eficácia cientificamente comprovada, mas mais uma pessoa que tá dando certo, então eu confio na hidroxicloroquina. E você? Valeu. Tamo junto".
Acontece que Bolsonaro, na coletiva de imprensa em que anunciou o seu diagnóstico positivo, tirou a máscara de proteção em frente às equipes de TV, expondo os jornalistas ao risco de contágio, atitude que aumentou a desconfiança por parte da esquerda de que Bolsonaro esteja mesmo infectado. Já estão a dizer que o diagnóstico positivo é uma farsa montada por Bolsonaro para fazer propaganda do medicamento cloroquina e para justificar a aprovação do protocolo que permite os pacientes do SUS optarem pelo controverso tratamento. A meteórica melhora relatada por Bolsonaro acabou por gerar mais incredulidade ainda sobre a veracidade de sua anunciada contaminação.
Primeiro, a esquerda diz que a facada dada por Adélio Bispo de Oliveira foi uma fakeada, que foi tudo armação para Bolsonaro ganhar a eleição. Agora, a esquerda diz que Bolsonaro não pegou o coronavírus coisa nenhuma. Como eu disse, a esquerda acredita muito mais na indestrutibilidade do Presidente e quer mais bem ao atleta Bolsonaro que os seus próprios eleitores.
Resolva, esquerdalha : afinal, vocês querem que ele morra ou não?

Ah, me esqueci : além disso, no caso da facada ter sido uma fakeada, como vocês vermelhos afirmam, vocês estão a negar veementemente a burrice que tanto atribuem ao Mito. Antes pelo contrário, estão a dizê-lo um cara inteligentíssimo, um gênio, um estrategista político de primeira linha, pois só alguém dotado de tais predicados seria capaz de engendrar e, sobretudo, de executar com requintes hollywoodianos de produção, roteiro e elenco (Hospital Albert Einstein) uma trama de tal complexidade e magnitude.
Admitam, vermelinhos, vocês adoram o cara, né? Domesticados e emasculados ideologicamente que foram, vocês morrem de tesão num macho das antigas de direita. Ô, se morrem!!! 

Não Aceitamos Devoluções, Diz a China

Várias empresas frigoríficas brasileiras, num total de seis de suas unidades processadoras de carne, tiveram seus contratos de exportação suspensos. Os atingidos, até agora, foram os frigoríficos MarFrig (Várzea Grande - MT) , o JBS (unidades de Passo Fundo e de Três Passos, ambas no RS), o BRF (Lajeado - RS) e o Minuano (Lajeado - RS). O motivo alegado pelos compradores é a preocupação de que, devido aos crescentes casos de covid-19 no Brasil, a carne possa estar contaminada pelo coronavírus.
Um motivo justo, o apresentado pelos importadores de carne brasileira? Sim. Se não fosse um pequeno, um mero, um ínfimo detalhe : o comprador em questão, tão preocupado com as normas de higiene e com o rigor sanitário das instalações brasileiras, é ninguém mais ninguém menos que a... China.
A mesma China imunda que come carne de cachorro (Festival de Yulin), espetinho de rato e a famosa sopa de morcego está com nojinho das carnes aviárias e suínas brasileiras.
A mesma China, onde foi gestado (se intencionalmente ou não, isso tem pouca importância agora) e de onde se espalhou o coronavírus para o resto do planeta (aí, sim, por negligência comprovada do governo chinês) , está com medo de que a carne brasileira esteja contaminada pelo... coronavírus.
A mesma China, que já anunciou uma nova possível e provável pandemia causada por uma variante do vírus H1N1 surgida em suas criações de porcos, não quer comer a pururuca à brasileira.
Chega quase a ser uma piada. Quase.
A China é mesmo uma enorme loja de R$ 1,99 (ou cada uma das lojinhas de 1,99 são pequenas embaixadas chinesas espalhadas pelo Brasil) : vende produtos vagabundos, de baixa qualidade, tóxicos no mais das vezes e... não aceitam devoluções!!!
A China não aceita a devolução da praga que rogou e jogou pra cima do mundo.
Fossem uma Bélgica, uma Holanda, ou outro país da União Europeia, com rígidas legislações sanitárias e draconianas fiscalizações das mesmas, que estivessem a desconfiar da carne brasileira, seria mais do que admíssivel. Mas a porra da China????
Por um lado, eu acho é bom. Vão sobrar carne de porco e de frango no mercado. Os produtores brasileiros, sempre a puxar o saco, sempre a chaleirar a chinesada, que passem a abastecer o mercado interno com carne de qualidade tipo exportação, e não com o restolho que eles não conseguem vender para o mercado exterior. Se bem que muitos preferirão jogar fora a produção do que vendê-la mais barato.
Quanto à China, ela que vá tomar naquele cu amarelo dela.
Quanto à China, finalizo à la Maria Antonieta : não querem nossos porcos? Que comam cães, ratos, morcegos, lacraias etc.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Apito de Cachorro

Não consigo
Mais escrever poemas
Do que me faz falta
- pessoas, lugares, memórias, sensações, desejos, segredos.
Não consigo
Mais escrever
Sobre eles
Por que
De fato
Eles deixaram de me fazer falta
(sou apenas eu que gostaria que eles continuassem a fazer),
Ou por que
Percebi
Que minha poesia
Não é mais capaz de evocá-los
De trazê-los de volta?
Por que
Percebi
Que minha poesia
É um apito de cachorro
Quebrado
Que eles
Não são mais capazes de escutar,
Ao sopro do qual
Não vêm mais 
Se deitar entre minhas pernas
Para aquecer
Os pés cada vez mais frios
De um velho?

domingo, 5 de julho de 2020

Bukowski, Para Jane

Para Jane
225 dias debaixo da grama
e você sabe mais do que eu
há tempos levaram seu sangue,
você é um ramo seco numa cesta.
é assim que funciona?
nesse quarto
as horas do amor
ainda fazem sombras.
quando você partiu
você levou quase
tudo.
à noite me ajoelho
diante de tigres
que não vão me deixar em paz.
o que você foi
não vai acontecer de novo.
os tigres me encontraram
e eu não me importo mais.
Elogio a uma nobre mulher dos infernos
alguns cachorros quando dormem à noite devem sonhar com ossos
eu me lembro dos seus ossos
na sua carne
ficavam ótimos
naquele vestido verde escuro
naquele seu salto-alto turvo,
e voce sempre me amaldiçoava quando bebia
seu cabelo para baixo escorria
enquanto você parecia que explodia
mas o que te segurava:
podres memórias
dum
podre
passado,
e quando
você morreu
deixou meu presente
roto
e desde que partiu
da minha mente
há 28 anos
não saiu.
você era a única
que entendia
a futilidade
dos preparativos
da vida;
todos os outros estavam apenas
descontentes
com suas triviais existências
reclamando
sem sentido
sobre o
que não faz
sentido;
Jane, você foi
assassinada por
saber demais
aqui vai um brinde
ao seu esqueleto
que
dos sonhos
deste cachorro
fazem parte
por inteiro.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Oba! Tá Todo Mundo Louco! Oba!

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte : quem não morrer pelo coronavírus vai ficar lelé da cuca, doido de pedra. Ou morre de covid-19, ou passa a rasgar dinheiro, a comer bosta, a dar estilingada em avião e a beliscar poste.
A OMS alerta para o possível surgimento de uma pandemia paralela à do coronavírus; uma copandemia, digamos assim, de doenças mentais causadas pelo isolamento social.
Não é o meu caso - aliás, está longe de sê-lo -, mas o serumaninho médio e mundano, que deve compor uns 90% ou mais da população global, não consegue viver bem se longe do fedor da manada. Ele precisa que o cu do outro esteja sempre às suas fuças - para que possa reconhecer o seu cheiro também no outro -, e que o focinho ainda de outro esteja a farejar o seu toba - que o outro, igualmente, se reconheça nele e lhe dê a sua aprovação. Um círculo vicioso de cheira-cus, é a que se resumem as relações humanas.
Pensando bem - ou só pensando -, a pandemia de confusão mental prevista pela OMS pode ser vista como uma espécie de doença ou infecção oportunista. Que são moléstias causadas, geralmente, por agentes ou patógenos - externos e internos - com os quais convivemos diária, normal e pacificamente. Mas que, frente a uma nossa debilidade, a uma baixa de nosso sistema imune causado por alguma doença, arvoram-se em valentões e partem para cima de nós, botam pra fuder, aproveitam de nossa fraqueza para tirar as suas casquinhas. No jargão futebolístico, um agente oportunista é aquele que mal se percebe ou se faz ver em campo, mas que está sempre na boca do gol esperando por alguma sobra, é o cara que fica na "banheira".
Pode ser o vírus da herpes labial, que se aproveita de uma febre para eclodir em vesículas nas nossas bocas, muitas vezes depois de anos e anos inativo; pode ser o fungo Candida Albicans, comum no trato urogenital humano e que não causa qualquer dano ou desconforto em condições normais, mas basta que um desequilíbrio de pH, que pode ser motivado por stress, ocorra para que ele prolifere e cause a candidíase, mais comum em mulheres; podem ser as bactérias comuns e necessárias de nosso trato intestinal, onde são não só inofensivas como benéficas a nós, mas que, se atravessarem a parede intestinal através de alguma lesão causada por uma amebíase ou verminose e atingirem outros órgãos via circulação sanguínea, podem causar graves infecções; podem ser ácaros e outros agentes alérgenos do ambiente; etc etc etc.
Por isso digo que, caso venha a ocorrer, o surto de demência que tanto preocupa a OMS será o primeiro caso registrado de pandemia oportunista. Algo que já está por aí há muito tempo entre nós, só aguardando na "banheira" a chance de marcar o seu gol. 
Explico : assim como aos fungos, vírus e bactérias oportunistas, estamos expostos diariamente aos agentes da loucura. Agentes externos (aqueles entremeados no nosso dia a dia, em nossas relações afetivas, sociais e laboriais) e agentes internos (aquela loucura íntima e inconfessável contra a qual lutamos todos os dias (ou não), com a qual conversamos quando ficamos sozinhos a beber uma cerveja, ou quando botamos a cabeça no travesseiro).
Como acontece com os fungos, vírus e bactérias oportunistas, mantemos, o mais das gentes, no mais das vezes, a loucura sob controle. Estabelecemos relações diplomáticas e políticas de boa vizinhança com a loucura que nos cerca e que nos habita. Até que uma fresta se descortine para ela, até que uma fraqueza lhe aponte uma rachadura em nossa frágil sanidade e lhe dê o sinal verde para a invasão e a conquista de nosso território mental.
O coronavírus e o consequentemente isolamento social abriram esta brecha para um surto planetário de insanidade mental. Insanidade que, paradoxalmente, não será contraída pela exposição aos patógenos da loucura, mas sim e antes pelo contrário, pela falta de contato com eles.
Tenho cá para mim que a inoculação diária de loucura que recebíamos de nossas relações sociais e laboriais atuava como uma espécie de vacina contra nossa loucura íntima e pessoal. Que a loucura coletiva feita em norma nos imunizasse constantemente contra a loucura individual. Tenho pensamentos e/ou atitudes que, por vezes, me parecem insanos?, o sujeito se perguntava. Sim, ele próprio respondia. Mas... a maioria também os têm e age da mesma forma. Então, não é loucura, ele racionalizava. E dormia tranquilo.
É o que eu disse do cheiro nauseabundo da manada, do necessário cheiro do cu do outro : enquanto o sujeito sentia a própria fedentina, mas tinha a confirmação diária de que o outro também exalava o mesmo bodum, tudo estava certo na cabeça dele. E quando ele passou a ter que suportar o seu fedor sem nenhuma outra referência atenuante? Sem nenhum outro parâmetro que confirme a sua catinga como normal? Aí, meus amigos, aí é que a porca torce o rabo para o serumaninho comum; aí é que a casa cai para o sujeito mediano e medíocre.
Sem a dose de reforço cotidiana da vacina da loucura coletiva, o sujeito não consegue mais reagir e combater os agentes internos de sua loucura, não tem mais como estabelecer se o que ele pensa (o que nunca foi mesmo o seu forte) está dentro ou fora da casinha. Aí, a loucura interna do sujeito, feito o vírus da herpes e o fungo da candidíase, toma conta da casa. Aí, o sujeito despiroca de vez. Não é para qualquer um conviver só com o próprio cheiro e não ficar louco.
A abstinência da loucura coletiva, imposta pelo coronavírus, poderá trazer a copandemia oportunista da insanidade individual.
E quais são as recomendações, os remédios prescritos pela OMS para evitar a loucura global?  Aí é que vem a verdadeira loucura! A OMS destacou cinco itens de uma extensa lista que ela julga ser os mais eficientes na profilaxia da piração geral.
Frases motivacionais e de autoajuda!!! É o que nos receita a OMS contra o desatino! Pããããããta que o pariu!!!! Valha-me Nossa Senhora das Frases de Parachoques de Caminhão!!! Contra a pandemia da demência, Augusto Cury, Lair Ribeiro, Paulo Coelho e Içami Tiba! Aí é que eu fico louco!!!
Para a pandemia do coronavírus, a cloroquina (que, meno male, ainda é um produto da ciência); para a copandemia do despirocamento, os gurus da autoajuda.
Estamos mesmo todos fodidos.

em tempo : o título da postagem foi tirado da letra da canção "Tá Todo Mundo Louco", escrita e interpretada por Sílvio Brito, ex-louco beleza, que hoje e há tempos virou evangélico. Isso sim é que é ser louco. Valha-me São Raulzito!!! Quando acabar, o maluco sou eu!!! E já está acabando, meus amigos... já está acabando...

Cerveja-Feira (22)

O troféu cerveja-feira desta semana não vai para um nome em particular, sim para um grupo anônimo de amigos residentes na Cidade Imperial de Petrópolis.
Tolhidos pelo isolamento social do direito básico e inalienável do macho das antigas de tomar umas geladas com os amigos num buteco, um grupo de amigos achou uma maneira à la Al Capone de driblar esta Lei Seca coletiva. 
Descobriram que no buteco que frequentavam, ao fundo do estabelecimento, há uma porta contígua à petshop vizinha, também propriedade do dono do buteco. Passaram a fazer o caminho inverso : com o buteco fechado pelas regras do isolamento social, os amigos entravam pelas portas da petshop e acessavam o interior do bar pela porta dos fundos da loja.
E depois dizem que o brasileiro é acomodado e conformista. Nada disso. O brasileiro é, sim, um povo que inova e empreende. A confusão se dá porque o empreendedorismo do brasileiro não é feito com o objetivo de torná-lo milionário, de fazê-lo figurar na capa da Forbes. É empreendedorismo mais modesto - porém, como visto, não menos genial -, é tão-somente para lhe suprir o básico. Uma vez satisfeitas as suas mínimas condições de sobrevivência, ele não segue em frente, não tem grandes ambições. 
Denúncias da vizinhança moralista, rançosa e recalcada, no entanto, acabaram com a festa dos amigos que tomavam da água que cachorrinho de madame não bebe.
A fiscalização da Prefeitura de Petrópolis, como diria Bezerra da Silva, deu o bote perfeito e levou todos eles para averiguação. Deu o flagra no dono do bar/petshop e nos 16 bebuns que por lá estavam a esquecer um pouco da vida. O dono foi multado em R$ 800,00 e os clientes foram obrigados a voltar para as suas casas; há relatos não oficiais de que alguns deles, que estavam com a sogra a visitá-los, tentaram subornar a fiscalização, imploraram de joelhos para deixá-los ficar no buteco.
Abaixo, uma tirinha com a sequência do flagrante. A entrada do petshop, o fiscal achando a porta dos fundos e os bebuns no balcão.
Mas a ideia dos amigos e do dono do petbar pode não ter sido assim tão original. Eles podem ter se inspirado em um episódio do seriado Os Simpons, em que Moe, impedido de abrir o seu estabelecimento por conta de uma lei seca que se abateu sobre Springfield , lançou mão deste mesmo subterfúgio e transformou a Taverna do Moe em a Petshop do Moe.
Se ideia original ou plágio com a melhor das boas intenções, pouco importa; o cerveja-feira de hoje vai para este grupo de amigos petropolenses e para o visionário dono do petbar.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A Gastronomia Chinesa é de Matar

Uma nova cepa, uma nova variante do vírus da gripe suína, o H1N1, foi identificada e isolada em rebanhos de porcos bem como em uma porcentagem siginificativa de pessoas que lidam com eles. 
Onde? Ora, porra! Na China! E onde mais poderia ser?
A China tem a maior rebanho de porcos do planeta; e de chineses, também. O new look chinês 2020 do H1N1, chamado de G4 EA H1N1 pelos cientistas, já se mostrou capaz de passar de porco para porco e também de porco para chinês. Só não houve - ainda - transmissão confirmada de china para china, peripécia do vírus que poderia deflagar uma nova pandemia. Mas o mais difícil, dizem os especialistas, que é justamente romper e ultrapassar a barreira interespécies, o vírus já conseguiu. Que o contágio passe a se dar de humano para humano, é só questão de tempo.
Primeiro, foi a sopa de morcego de Wuhan
E agora, virá o quê? O Porco à Pequim? O Porco à Moda Cantonesa?
A gastronomia chinesa, como diria Adoniran Barbosa, mata mais do que bala de carabina, que veneno estricnina, que peixeira de baiano.
E essa postagem é só um aperitivo, uma entrada, digamos assim; o prato principal virá (ou não) amanhã, ou depois de amanhã, ou quando minha preguiça permitir, com a postagem Gripe Suína II, o Novo Presente de Grego da China.

sábado, 27 de junho de 2020

E Até os Erros do Meu Português Ruim

Como já comentei em algumas postagens, há cerca de quatro anos, acredito que devido à denúncias de esquerdistas filhas das putas, de feministas mal comidas, o Google taxou o Marreta de blog com "conteúdo adulto", o que fez com que ele fosse retirado dos mecanismos automáticos de busca, reduzindo em muito a sua visibilidade. Sim, desconfio de alguma feminista rançosa, pois a censura do Google veio poucos dias depois de uma postagem que fiz em apoio ao maior passador de rodo de todos os tempos da tv brasileira, o grande Zé Mayer, pego na arapuca de buceta de uma figurinista ou maquiadora, sei lá, da Globo. Lancei até um slogan em solidariedade ao galã : "remexeu com um, tem que remexer com todos". A postagem Frateroridade a Zé Mayer recebeu comentários dizendo que eu sou nojento, que eu devo ser um velho broxa e até rogando praga numa filha que eu nem tenho. 
Com a censura, veio o medo : e se o próximo passo for a exclusão sumária do Marreta da blogosfera? Resolvi tomar a sabedoria do dito popular, não colocar todos os ovos na mesma cesta. E criei clones do Marreta. Há um Marreta na plataforma Wordpress, atualizado simultaneamente ao Marreta original, outro na plataforma blogger, praticamente vazio, só a ser usado em caso de emergência, e até um Marreta em Portugal, na plataforma SAPO.
Devo dizer que minha primeira incursão em terras de Camões não foi das mais bem sucedidas. Meu erro, subestimei o conservadorismo português : exportei para o sapo todo o conteúdo do Marreta, na íntegra, o que incluía, é claro, as peitudas e bucetudas dos Travessuras de Menina Má. O Marreta português, em sua primeira versão, durou uns bons 15 ou 20 dias. Até que os fiscais do SAPO detectassem as gostosas. O Marreta lusitano foi excluído sem direito à julgamento justo nem defesa. Quando o assunto é buceta, os portugueses são mais intransigentes que o Google, como já relatado na postagem Censurado (também) em Portugal.
Após um período de carência, refiz o Marreta português, tomando cuidado, agora, em selecionar as postagens que por lá reproduzo; peitos e buceta nem pensar.
E não é que essa segunda incursão em terras portuguesas está a se mostrar exitosa? Ontem, fui dar uma conferida no Marreta português para ver a quantas andavam os acessos, os comentários etc. Para minha surpresa o Marreta aparecia em destaque na página de abertura do site, com a postagem Chegou a Medicina do Futuro.
E classificada na categoria Humor!!!  Pãããããta que o pariu!!!
Ou, melhor, ó pá!!!
Ora pois, parece que, depois de um primeiro estranhamento, Portugal está a se render ao estilo Marreta. Apesar dos erros do meu português ruim.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Cerveja-Feira (21)

O cerveja-feira da semana vai (e já com certo atraso) para a banda de rock que mais já fez pela divulgação da cerveja na história. Na históra da cerveja e na do rock. A mascote da banda é uma garrafa de cerveja de 600 ml e de casco escuro, a famosa e clássica ampola. Uma garrafa sempre ávida e babando por rock'n'roll e putaria. Que a outra paixão da banda, regida pela batuta sempre ébria do maestro Paulão, é a mulher!
É A Banda das Velhas Virgens (nome "emprestado" do filme homônimo do gênio Amácio Mazzaropi). Uma das raríssimas bandas de rock 100% heterossexual! No Brasil, ela e o Camisa de Vênus. E só.
A Banda  das Velhas Virgens - ou, simplesmente e para simplificar, as Velhas Virgens - é rockão das antigas feito por machos das antigas. Se a Bossa Nova é foda, como quer o mano Caetano, o rock das Velhas Virgens, como proclamou Edy Star, é fodaço.
A temática da banda é invariável, a mesma desde o primeiro CD, lançado em 1995, o Foi Bom Pra Você?, as Velhas Virgens não decepcionam seu público, dão o que ele quer ouvir. As letras versam insaciavelmente sobre cerveja e mulher, esta perfeita dupla unida pelos laços indissolúveis do sagrado matrimônio do rock'n'roll.
São das Velhas Virgens, a poucos exemplos, as raras pérolas de nosso rock cada vez mais abaitolado : Foi só pra te comer, Abre essas pernas, Blues do Velcro, Siririca Baby, Esse seu Buraquinho, A Mulher do Diabo, Homem do Bigode Cheiroso, Vocês não sabem como é bom aqui dentro, E o que é que a gente quer? (B.U.C.E.T.A), Uns Drinks, Pão com Cerveja, Cerveja na Veia, Todos os Dias a Cerveja Salva a Minha Vida, Madrugada e Meia, Enfia ni mim e, a que eu colocarei ao fim da postagem, De Bar em Bar Pela Noite, com a participação especial de Marcelo Nova, vocalista da supracitada banda Camisa de Vênus. Mal  a música começa e Marceleza já pergunta a Paulão : "tá chovendo xoxota, aí, meu filho?". Que emenda com o refrão : "de bar em bar pela noite, atrás de cerveja e mulher". "Mas que não seja velha nem virgem", exige Marcelo Nova ao fim da canção.
Nos palcos, as Velhas Virgens são ainda melhores que no estúdio. A banda sempre se faz acompanhar por uma gostosa em suas apresentações e turnês. Uma delícia que faz as vezes de vocalista, de backing vocal, de dançarina, de vedete e striper. Desde 2008, a titular do cargo tem sido a ruiva mefistófeles Juliana Kosso, que leva à loucura e ao delírio o público das Velhas Virgens, formado basicamente por punheteiros cabações.
É das Velhas Virgens, o cerveja-feira da semana.

De Bar em Bar Pela Noite
(Velhas Virgens)
Nada que eu possa dizer
Vai te fazer entender
Que esse papo de trampo nunca foi pra mim
O que eu quero na vida é somente viver

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Nada que eu possa fazer
Vai te fazer me seguir
Tenho o destino marcado e o corpo fechado
Só quero estar vivo, só quero viver

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Tudo aquilo que eu disser
Pode mudar amanhã
Não sou dono da verdade não quero seu ódio
Não quero piedade nem o seu perdão

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

De bar em bar pela noite
Cada um escolhe o que quer
De bar em bar pela noite
Curtindo tudo que vier
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Nada de vestibular
Nada de preocupação
Tudo que a vida me ensina é a grana, a amizade
Curtir, a verdade e amar meu irmão

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher.

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu maltado e fermentado MARRETÃO.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Bob Esponja Prega Arrombada

Nada tenho contra personagens de quadrinhos ou de animações que queimam a rosca. Nem a favor. Entendo que o sujeito que dá a ré no quibe queira se reconhecer e se sentir "representado" nas diversas modalidades de mídias e de entretenimento. Acima de tudo, entendo mais ainda que o público gay seja um nicho de mercado dos mais rentáveis, que os autores que decidem se esse ou aquele personagem senta na brachola estejam muito mais engajados em forrar os próprios bolsos do que na "luta" LGBT. Hoje em dia, colocar um "selo de qualidade gay" em um produto é sucesso garantido de vendas. Acredito que devido à perseguição e à opressão que sempre sofreram, mais do que serem reconhecidos e aceitos pela sociedade, os gays querem ser aplaudidos, festejados por ela. E que melhor maneira deles se sentirem paparicados do que ter linhas de produtos concebidas "especialmente" para eles? Que melhor isca? E que peixes mais facilmente fisgáveis? Nada contra também quem explora e manipula este nicho. Afinal, todos temos que ganhar nosso dinheirinho. Se for às custas do cu do outro, então, tanto melhor. Só espero que, amanhã ou depois, alguém não decrete que buceta seja artigo de uso gay, porque aí, meus caros, nós, heteros, estamos fodidos, não vai sobrar buceta na praça nem pra darmos uma cheiradinha.
Nada contra personagens de quadrinhos ou de animações que mordem a fronha e beijam pra trás. Nem a favor. Desde que duas ressalvas sejam observadas.
Primeira : que novos personagens sejam criados já com essa orientação, já com essa identidade sexual e já para este fim, "discutir" a problemática LGBT. Que não se tomem personagens antigos, cujas sexualidades, inclusive, nunca foram foco ou pauta dos enredos de suas histórias e os declarem gays de uma hora pra outra. Que um super-herói clássico não acorde, vista seu uniforme e decida meio que do nada : hoje não vou esmurrar facínoras, não vou combater invasões alienígenas nem salvar ninguém de incêndios, terremotos ou inundações; hoje eu vou é sair do armário...ui, ui, ui! Vou chupar a rola do Coringa! Vou dar a bunda pro Duende Verde!
Segunda e mais fundamental : que tais personagens novos e já criados para esta finalidade, a de expor explicitamente a sua sexualidade em lugar de promover meros entretenimento e distração, sejam direcionados, única e exclusivamente, aos públicos juvenil e adulto. Públicos cujas sexualidades, sejam elas quais forem, já afloraram; públicos que já tenham sido tocados pelo chamado do sexo. Públicos cujo desenvolvimento normal, natural e cronológico de suas anatomias e fisiologias já os tenha colocado diante destas questões e os convocado a lidar com elas e a resolvê-las.
Nunca direcionados ao público infantil. Nunca para crianças de três, quatro, sete, dez anos... Nunca para uma faixa etária que não tenha sido ainda irrigada por uma tormenta de hormônios sexuais e que, consequentemente, ainda não é atormentada pela libido nem pela pulsão em satisfazê-la. Confrontar a criança com personagens infantis sexualizados é "adultizá-la" de forma temporã. Apresentar-lhes, às crianças, estímulos, dúvidas, questionamentos e inseguranças de cunho sexual antes que os seus organismos primeiro lhes apresentem é violentar os seus desenvolvimentos físicos, cognitivos, emocionais, afetivos e sociais. Erotização precoce e intencional é um estupro dos normais e saudáveis desenvolvimento e aprendizado da criança.
Aí, então, vem e me informa o Mr. F, leitor do Marreta e sommelier de cervejas, que o personagem infantil Bob Esponja Calça Quadrada foi declarado oficialmente gay. Fui dar uma olhada e de fato. Na semana passada, o canal Nickelodeon, responsável pela transmissão da série Bob Esponja, admitiu o que, pelo que li, os espectadores da série já desconfiavam há muito tempo, que o Bob Esponja escorrega no quiabo. 
O canal "argumenta" que a intenção é educar a criança, é fazê-la ver que não há nada de mais em ser gay. E, de fato, não há. Nem em ser hetero, ou bi, ou pansexual. Não há nada de mais. Nem é DEMAIS! Nem deve ser normatizado ou glamourizado. Educar a criança? Confrontar a criança com questões que ela ainda não se fez - e que ainda não tem mesmo que se fazer - é tentar levá-la a raciocínios e ponderações que ela não está preparada para construir. E como a criança não tem como processar conscientemente aquela informação - no caso a sexualidade de um personagem -, o que se está a fazer não é educá-la, mas sim doutriná-la, doutriná-la subliminarmente. Doutriná-la subliminarmente aos interesses sabe-se lá de que grupos midiáticos e ideológicos. Doutriná-las e arrebanhá-las.
E adivinhem quem é o "crush" do Bob Esponja? O Patrick Estrela, é claro! Uma estrela-do-mar! Um animal que tem cinco pirocas! Mesmo assim, dizem as más-línguas, o Bob Esponja não fica saciado; afinal, buraco para ser preenchido é o que não falta nele! Dizem, de novo as más-línguas, que quando o Patrick Estrela vira as costas, o Bob Esponja tem se virado de costas também para o Mike Holotúria, um pepino-do-mar. Pãããããããta que o pariu!!!
E olha que o Bob Esponja tinha tudo pra ser espada. Nasceu no melhor lugar do mundo, na Fenda do Biquíni!!!

Ou existem inimigos infiltrados ou a direita brasileira tem as lideranças mais estúpidas da Terra, por Felipe Fiamenghi

Meu pai costuma dizer que “algumas caridades acabam virando pecado mortal”.
Na política brasileira acontecem algumas coisas que, honestamente, não consigo saber se são motivadas por inocência, burrice ou realmente más intenções.
Desde o impeachment de Dilma, o clima de convulsão social não acalmou. Pelo contrário, a polarização só aumentou.
Estamos sentados em um barril de pólvora e, Deus sabe o porquê, achamos uma ótima ideia brincarmos com fósforos.
Para qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, a situação é extremamente clara.
Elegemos um presidente contra a vontade do sistema, desagradamos os poderosos e a mídia. Era óbvio que a guerra não terminaria assim.
O establishment é tão seguro de si, que José Dirceu declarou, publicamente: “Nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”.
A esquerda sabe mexer as suas peças … fizeram a política brasileira sozinhos nas últimas décadas.
Se alguém ainda duvida do seu poder de articulação, basta ver quantos parlamentares ela [a esquerda] elegeu com os votos dos conservadores, surfando na onda do “Bolsonarismo” … Joice, Frota, Kim, Janaína, Janones … (sim, esses são esquerdistas infiltrados).
A lista é longa. Basta ver, também, quantos sociais-democratas a direita colocou em um pedestal.
Mas o nosso “amadorismo” não para por aí. Nós amamos criar ícones e heróis.
Em um país onde todos estão revoltados, é muito fácil ganhar espaço. Basta xingar, vociferar contra os opositores, mostrar-se como perseguido e/ou “guerreiro da justiça”.
Foi assim que Hasselmann, que considerava Bolsonaro uma piada, tornou-se uma de suas principais “cabos eleitorais”; foi assim que Frota, um ator pornô, se elegeu com o voto dos conservadores; foi assim que o MBL, o PSDB sem naftalina, se tornou um movimento da direita; foi assim que Nando Moura, um alucinado sem qualquer conteúdo, atingiu mais de 3 milhões de seguidores; foi assim que Sara Winter, que ganhou reconhecimento por ser a líder brasileira de um dos mais notórios grupos feministas do planeta, se tornou a musa da “new right”.
Sinto muito, mas é impossível acreditar que algumas coisas são feitas com as melhores das intenções; exceto, claro, se acreditarmos que a estupidez de determinados indivíduos é absolutamente ilimitada. O que não acredito.
Bolsonaro é atacado diuturnamente pela imprensa. Tentam, de todas as formas, imputar-lhe o rótulo de antidemocrático.
Para quem tem o mínimo de esclarecimento, isso é uma bobagem. A maioria da população, porém, não tem esse discernimento.
O Presidente já disse que “quem pede AI-5 são ignorantes”; que “Intervenção Militar é coisa de quem não sabe interpretar a Constituição”.
Ainda assim, uma minoria radical e anti-democrática se infiltra nas manifestações com estes pedidos, alimentando as narrativas falaciosas da mídia.
Como se não fosse o suficiente, agora, temos um acampamento “a favor do Brasil”, fazendo vigílias noturnas com máscaras e tochas, criando um cenário de fazer inveja a qualquer filme de terror com temática medieval.
Com uma imprensa que consegue transformar um copo de leite em um símbolo supremacista e uma imposição de mãos, em oração, em uma saudação nazista, manifestações declaradamente anti-democráticas e explicitamente midiáticas não podem ser simples obras do “acaso”.
Ou existem inimigos infiltrados, planejando meticulosamente essas cenas, para usá-las contra o governo, ou a direita brasileira tem as lideranças de movimentos mais estupidas da face da Terra.
De um jeito ou de outro, se não começarmos a prestar atenção nas nossas manifestações, nas narrativas que estamos sendo usados para criar, eles realmente tomarão o poder, como “profetizou” Dirceu.
LAVEM AS MÃOS E ABRAM OS OLHOS!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Mask is The New Black (4)

E ela cometeu até a ousadia e a impudicidade de desnudar o rosto! 
O rosto à mostra é o novo nu frontal!

terça-feira, 23 de junho de 2020

O Novo Homem do Presidente

Uma manchete do jornal "Folha de São Paulo", a respeito da nomeação do ator Mário Frias para a outrora cobiçada e hoje maldita Secretaria Especial da Cultura, causou mais furor, controvérsia e indignação por parte de alguns setores do que a própria escolha do galã ex-Malhação em si.
Uma vez que intenção da reportagem era criticar a escolha do intrépido Bolsonaro para a pasta, e contando a Folha com competente e tarimbada equipe de jornalistas, havia - dizem os críticos da matéria - inúmeras outras maneiras de fazê-lo, diversas outras abordagens que expusessem os pontos fracos do novo nome da Secretaria Especial da Cultura. A Folha, porém, optou por embasar a sua discordância fazendo uma associação entre a imagem pregressa de Mário Frias e o seu futuro desempenho no cargo que lhe foi confiado agora, em 19 deste mês.
Chamando Mário Frias de O Novo Homem do Presidente, a manchete, que foi capa do caderno Folha Ilustrada, ficou assim :
A reportagem foi criticada por muitos, em vários de seus aspectos.
1 - Por ser sexista. Busca objetificar a figura masculina de rostinho bonito e bumbum roliço do ator para prendê-lo e limitá-lo dentro de um rótulo, de uma embalagem. Se fosse a mesma manchete, o mesmo enfoque, uma foto em pose semelhante de uma atriz gostosa que, em lugar de Frias, pudesse por ventura ter sido nomeada ao cargo (claro que não estou a dizer da Regina Duarte), as feministas suvacudas e do grelo duro já teriam invadido a redação da Folha, capado o autor da reportagem, tacado fogo em tudo e aproveitado a fogueira para queimar uns sutiãs.
2 - Por ser preconceituosa. A partir da objetificação e do rótulo impressos ao ator, a Folha não só infere que a beleza é seu único atributo como também estabelece que ela é um impeditivo para um competente desempenho do ator em outras funções. Cai no velho clichê de que um rostinho bonito e um bumbum torneado não possam ser dotados de outros predicados nem que possam ter êxito em outros âmbitos de atuação. Preconceito não apenas em relação à atuação futura de Frias na Secretaria Especial de Cultura, mas também em relação ao seu trabalho anterior e ao seu público. Ao dizê-lo tão-somente, e em tom depreciativo, ex-ator de Malhação, a Folha expõe seu preconceito contra a série - tomando por um subproduto televisivo e relegando à insignificância um programa que perdura por décadas - e contra o público jovem que a assiste - tomando-o como subculturado.
3 - Por ser homofóbica. Ao estampar a foto do ator como manchete e chamariz para a matéria, foto em que ele está de bruços, com uma almofada sob o rosto, pronto pra morder a fronha, bumbum ligeiramente empinado, pronto para a acoplagem, e um sorriso maroto e guloso nos lábios, a matéria sugere explicitamente uma possível homossexualidade do ator, como se tal orientação sexual, se fosse o caso, de novo e igualmente à sua beleza, pudesse ser um impeditivo para o cargo que passou a ocupar. Mais : a pose de boiola e mais o título O Novo Homem do Presidente buscam insinuar uma relação homoerótica entre Mário Frias e Bolsonaro. E cai, novamente, num dos mais antigos chavões do mundo : o do teste do sofá. Quando uma mulher bonita chega a elevada posição em uma empresa, ou quando uma atriz gostosa consegue o protagonismo de uma importante produção, vem a inevitável pergunta : para quem ela está dando? Com quem fez o teste do sofá? Mário Frias tem um rostinho bonito, bumbum empinadinho, fez ensaios fotográficos bichosos e nada em seu currículo evidencia que ele possua as qualidades necessárias para ser Secretário da Cultura. Como foi que ele chegou lá ? - parece perguntar a reportagem da Folha. Deu para quem? E isso tudo bem na semana, ou no mês, sei lá, do orgulho LGBT. Que coragem, a do autor da manchete. Que ousadia. Fazer piada de bicha bem na semana do orgulho arco-íris. Curioso... também não vi, até agora, nenhuma liderança LGBT reclamar da insinuação da homossexualidade do novo Secretário com vistas a questionar sua competência para a função.
4 - Por ser chula e apelativa. Por se valer de elementos de cunhos erótico e sexual para atrair o leitor e levá-lo ao conteúdo principal da matéria. Manchete própria de tabloides sensacionalistas da imprensa marrom. Lembrou-me muito das antigas manchetes do extinto pasquim "Notícias Populares" : "Broxa torra o pênis na tomada", "Assassinado alisando os seios da mulher alheia", "Nasceu o Diabo em São Paulo", "Sai a tabela do sexo em real", "Bozo era movido a cocaína na TV", "Loira-Fantasma faz sua primeira vítima em Osasco", "Fazendeiro é pai do bebê-diabo", "Disco-voador colidiu com ônibus na BR-116", "Mulher deu à luz a uma tartaruga", "Treta por rabo de saia termina em tiros", e por aí a coisa ia.
Sem dúvidas. A manchete da Folha de São Paulo é sexista, preconceituosa, homofóbica e apelativa.
E engraçada pra caralho!!! Adorei!!!! De verdade!!!
Trouxe de volta (ainda que por pouco tempo, pois tenho certeza de que a cabeça do autor já rolou) o humor jornalístico das décadas de 1970 e 1980. Há tanto banido de nossos periódicos pelo canalha do politicamente correto. Trouxe de volta a gaiatice, a travessura e o viés do duplo sentido tão típicos, peculiares e caros à formação da personalidade do brasileiro. Trouxe de volta a sacanagem sem maldade e a malícia brejeira, que são parte inextirpável de nosso patrimônio cultural imaterial. Insuflou com novos ares, ainda que momentânea e fugazmente, o atual jornalismo sisudo e engessado. Feito o Coringa do Batman, a manchete da Folha pergunta : Por que tão sério?
Repito : gostei pra caralho!!!
Para finalizar, deixo aqui meus parabéns ao autor da genial manchete. E também um agradecimento especial : por ele não ter tido a mesma ideia quando da nomeação de Damares Alves para ministra do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. 
Pãããããããta que o pariu!!!!