domingo, 27 de fevereiro de 2022

Eu, Na Tua Matrix

Nunca realizei
Completamente
Nenhum dos meus sonhos.
 
Pensando bem,
Em retrospectiva,
E a bem de uma verdade íntima e intransferível,
Nunca os tive de fato;
Nunca me esforcei em bem sonhar
(erigir e manter castelos nas brumas do Onírico é ainda muito mais trabalhoso do que concretizá-los e concretá-los no mundo real).
 
Uma coisa me consola :
Sei que fui o teu sonho mais bonito.
 
E
Pretensamente
Agora tenho um sonho :
Continuar a sê-lo.
 
Pois agora sei
Que aqueles raros dias,
Com aqueles bissextos instantes,
De 10, 15, 20 minutos,
Em que fico de médio humor,
Em que não penso em me embebedar,
Em que a depressão,
Trabalhadora infatigável em mim,
Dá uma pausa para cagar
E para tomar um cafezinho,
Sou só eu na tua Matrix.

Só acontecem quando tu,
Distraída e generosa,
Andas por aí
A sonhar comigo.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Pequeno Conto Noturno (89)

03:11 h. Pelas contas de Rubens, só há o suficiente para mais duas doses de rum na garrafa; o pirata e o papagaio lhe sorriem, zombeteiros. De uns tempos para cá, nessas horas mortas, que são as únicas em que ele se sente um pouco vivo, Rubens deu para se lembrar de G.
Nunca a conheceu por outro nome, que não G., pensa Rubens. Nunca se encontraram de fato. Não habitavam a mesma cidade, nem mesmo a mesma unidade da federação; uma distância oceânica entre eles. Não obstante, travaram intensa relação.
Rubens entorna a antepenúltima dose de rum e se lembra de que se "conheceram" via um comentário deixado por G. em um de seus textos espalhados por aí, em uma de suas garrafas de náufrago que, vez ou outra, ele lança no ciberoceano. Garrafas que volta e meia alguém desarrolha e lê o conteúdo. Mas não há como partir em resgate de Rubens, ele nunca informa as coordenadas de sua ilha. Escreve não para ser resgatado. Apenas para reafirmar sua condição de náufrago.
G., portanto, encontrou Rubens por Acaso. Isso, para aqueles que preferem acreditar na comodidade do Acaso, ao invés de se lançarem ao entendimento da matemática da existência, das peças que as probabilidades nos pregam muitas vezes.
Ao primeiro comentário da G., sucedeu-se um de Rubens. E muitos outros depois desses, de ambos. Trocaram e-mails. Passaram a se enviar textos mais extensos, relatos, declarações, desabafos. Mais íntimos, em muito pouco tempo.
Não raro, em suas tardes ociosas, recorda-se agora Rubens a ir pegar nova dose de rum, acontecia dele ir verificar alguma mensagem de G. em sua caixa de e-mail e de G. também estar lá, verificando a dela. Trocavam, então, mensagens em tempo real. Seus e-mails transformados em chats particulares e exclusivos.
G. contou a Rubens que, quando mais nova (G. ainda era muito nova então, 26 anos; Rubens a bater nos 50), era da pá virada, praticamente uma Geni, do Chico. Já uma jovem adulta conheceu aquele que tornara em seu marido. Sujeito não tão belo, mas recatado e do lar. Viu nele uma chance de redenção, um jeito de sossegar o facho e mudar de vida, deixar os tempos de devassidão para trás, tornar-se uma "mulher direita".
E, segundo ela, conseguira atingir o seu intento, aquietar o seu furor uterino. Por alguns anos, conseguira apaziguar os seus instintos. 
Até conhecer os textos de Rubens.
O contato com os textos dele trouxeram de volta os seus lascivos demônios interiores. Os textos de Rubens, contou ela, fizeram rachar e ruir o verniz de bom moça de G., romperam com as amarras da camisa de força autoimposta à sua sexualidade, ao seu pendor para a orgia.
Um, então, virou confessor pornô do outro. G. contou a Rubens experiências nunca dantes relatadas a ninguém, peripécias sexuais em que ela evitava até mesmo de pensar se perto de outras pessoas, no receio de haver um telepata entre elas.
Rubens, idem, escavou fundo o seu baú e o seu calabouço de podridão, também contou a G. todas as suas perversões e atrocidades cometidas em uma cama. 
Ou que gostaria de ter cometido.
Porque, com o passar do tempo, algumas das aventuras da G. pareciam ser inventadas, ou recicladas, uma maneira, talvez, de não deixar morrer o assunto entre eles, de continuar a excitar Rubens e a si própria. Rubens também passou a inventar e a reciclar algumas das suas.
Esgotados, possivelmente, o repertório individual de cada um, passaram a fantasiar situações entre os dois. Entre os dois e mais um. Entre os dois e mais outra. E mais outros. E mais outras. Promoviam, nas tardes em que calhava de se "encontrarem", verdadeiras bacanais vespertinas. G. masturbava-se sempre, gozava umas tantas vezes. Rubens, menos.
Olhando para a penúltima dose já pela metade no copo e tentando fazer ela render com pequenos goles, Rubens se lembra de quando G. começou a lhe enviar fotos. Inicialmente, de rosto. Uma mulher belíssima, a G. Certamente, a mais bela que  já se apaixonara por Rubens, a mulher mais linda da cidade, do Bukowski. Rubens só não gostava quando ela teimava em usar lentes de contato verdes. Depois, G. passou, numa sequência óbvia, a enviar fotos nuas para Rubens.
Peitos bem fornidos, com a turgidez própria da idade, aréolas grandes e castanhas. Peitos que, ela segredou-lhe, adorava que chupassem de forma violenta, que chegassem mesmo a tirar sangue deles, gozava com a dor.
Falsa magra, a G. Carnuda nos lugares certos. Carnes tonificadas em horas de exercícios físicos. Rubens surpreendera-se, no entanto, com a primeira foto da buceta da G. Imaginara-a, até aquele momento, um senhor dum bucetão. Nenhuma imaginação poderia ter sido mais falha: uma vulva diminuta, a de G., pequenos e grandes lábios também de reduzidas proporções, lábios que, em algumas fotos, ela afastava com os dedos para revelar a entrada da sua buceta a Rubens, uma entrada estreitíssima. Quem não a conhecesse jamais poderia supor o quanto de rola ela era capaz de aguentar; até mais de uma ao mesmo tempo, inclusive.
G. enviou dezenas de fotos ao longo da relação deles. Que durou o quê?, tenta precisar Rubens a secar o resto do rum no copo, meses?, dois ou três anos? Fotos enviadas mediante a garantia de que seriam todas deletadas ao encerrar da conversa entre eles naquele dia, imediatamente. Trato que Rubens, cavalheiristicamente, sempre honrou.
Rubens deve ter mandado umas duas ou três fotos de rosto para G. nesse tempo todo. E uma única da rola. Tirada a muito custo com uma velha máquina digital com zero pixels de resolução, tomada emprestada a Calil.
Então, de uma hora para outra, ou o que pareceu a Rubens ter sido de uma hora para outra - muito provavelmente ela há tempos planejava e tomava coragem para o seu sumiço -, G. abandonou Rubens. Sem nenhuma explicação num primeiro momento. E durante muito tempo. Simplesmente, comunicou-lhe que não mais se falariam. Rubens insistiu durante um tempo, enviou-lhe e-mails, vários e-mails, estranhando a decisão. Nenhum foi respondido.
Meses depois, talvez já se julgando mais protegida, mais imunizada contra o contágio por Rubens, G. mandou um e-mail e se explicou.
Precisara pular fora, contou. Aquela relação deles estava consumindo grande parte do seu tempo, de seu pensamento, de suas ações. Sentia que não estava cuidando, dando a necessária atenção às pessoas de sua vida real, que estava prevaricando de seus entes próximos e queridos. E que aquelas conversas clandestinas com Rubens não só tinham feito reaflorar como também estavam deixando sem controle o lado negro de sua Força, lado contra o qual tanto lutara para domesticar. Era a hora de jogá-lo de novo a uma masmorra.
Rubens entendeu, é claro. Espantou-se, no entanto. Não julgava que estivesse a causar mal a G. Pelo contrário, que as conversas entre eles, que as fantasias e desejos compartilhados, pudessem fazer um grande bem a ela, como faziam a ele. Julgava que fosse uma maneira dela extravasar todas as suas taras, fetiches e perversões sem, necessariamente, levá-las a cabo na prática, sem ter que pular a cerca, sem precisar colocar em risco, inclusive, sua própria integridade física. G. gostava de coisas bem pesadas. Rubens julgava que as lúdicas putarias trocadas entre eles pudessem mesmo ter um efeito terapêutico. Enganara-se, de novo. Antes, a envenenavam.
Rubens nunca teve nenhuma dificuldade para separar o mundo real do virtual, mesmo quando a realidade deste último muitas vezes se imponha. Rubens sempre soube separar perfeitamente as diversas realidades. Ele é um no seu ambiente de trabalho; outro, quando está com os amigos; outro, com as  mulheres que teve; outro, no mundo virtual. Nenhum influencia ou interfere com o outro. Rubens se diz, com um misto de ironia e orgulho, um esquizofrênico funcional. Mas se o mesmo não se dava com a G., só lhe restava aceitar.
Servindo-se da última dose de rum na garrafa, Rubens pensa que não deveria ter honrado tanto assim o acordo com G. de sempre apagar as fotos dela. Queria, agora, ter guardado uma foto de rosto ao menos. E não teria sido uma deslealdade da parte dele, caso tivesse reservado uma foto para si. Na verdade, nada teria sido mais justo.
G., é verdade, também não ficou com nenhum foto dele. Mas ficou com algo muito mais íntimo e pessoal : a caligrafia de Rubens. Os garranchos dele em suas carnes.
Num certo dia, G. pediu a ele que copiasse à mão o poema o Pássaro Azul, do Bukowski, o fotografasse e o enviasse para ela. G., então, imprimiu o manuscrito de Rubens, levou-o ao seu tatuador (ela tinha várias tatuagens), cuja rola por vezes chupara, e pediu que ele decalcasse à agulha a caligrafia de Rubens, a primeira estrofe do poema copiado por ele, na região de suas costelas, que a letra de Rubens ficasse eternamente a guarnecer um de seus flancos. O esquerdo ou o direito? Rubens não se lembra.
G. guardou em suas carnes o que há de mais particular e intrínseco para Rubens, a caligrafia dele, o rosto com o qual ele se apresenta para o mundo, o retrato 3x4 que, se ele pudesse, estamparia em seu R.G.
"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem..."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Isto Aqui, Ô, Ô, é Um Pouquinho de Brasil, Iá, Iá

Desgraçado do país
Em que as elites
Tenham sido subjugadas
À ralé.

Desgraçado do país
Em que as elites
Tenham que se reportar
E se retratar,
Tenham que prestar contas
E pisar em ovos
Frente à ralé.

Desgraçado do país
Em que as elites
Tenham sido usurpadas
Das rédeas e do chicote
E em que a ralé
Não puxe mais a carroça
E não tenha mais o peso os arreios, das bridas
E das cangalhas sobre si.

Desgraçado do país
Em que a ralé
Tenha sido
Compulsoriamente
Promovida a elite.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Os Doze Passos

Um dia de cada vez,
Pensa o alcoólatra,
Em busca de não sucumbir ao vício.

Uma aula de cada vez,
Pensa o professor,
Em busca de não sucumbir até que lhe chegue a aposentadoria.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Cerveja-Feira (48)

A esfíngica e evanescente Jota, cometa vadio que feito o Halley só dá as caras mais ou menos a cada 70 anos, em uma de suas estadas mais demoradas por aqui, não se cansava de tecer desbragados elogios a uma cerveja, a Tijuca, a sua bebida mais dileta, fabricada pela Cerpa Cervejaria Paraense.
Da mesma cervejaria, eu já provara e aprovara a Cerpa Export e a Cerpa Premium, ambas boas e honestas cervejas do tipo American Lager. A Tijuca, nunca tinha nem visto nem ouvido falar.
Curioso, na época, cheguei a procurar por ela em mercados e atacadões pouco ou menos frequentados por mim. E nada. Possivelmente, era um produto comercializado apenas em âmbito regional. Esqueci da Tijuca. Nunca mais pensei nela.
Então, hoje, ao entrar em uma loja da rede atacadista Assaí, para me abastecer de uns víveres básicos, frutas, legumes, uns queijinhos, café, óleo etc, aproveitei para dar uma olhada na seção das cervejas, ver se havia alguma oferta de fim de semana.
E lá estava ela. A Tijuca. Em bela e esguia long neck. Barata? Nem tanto. Não para os meus padrões. R$ 3,99, a long neck de 350 ml. Só a título de comparação, por R$ 2,49, estava a muito boa Brahma Extra Lager.
Nesse caso, porém, o preço era um fator secundário, um pormenor de somenos. Eu não estava, a me fiar nos relatos da Jota, diante de uma simples cerveja. Sim, diante de um mito. De uma lenda amazônica. Praticamente, um boto engarrafado.
Comprei. Uma e apenas uma. Para provar. Que não vou ficar agora me dando a perdularismos.
Boa, a Tijuca. Não é a oitava maravilha do lúpulo, mas é boa. Muito mais saborosa, inclusive, que muitas outras por aí que tentam se passar por puros maltes, como a Itaipava 100% Malte, a Brahma Duplo Malte, a Spaten e outras arapucas.
Valeu para matar a vontade e a curiosidade.
 
Para Ti, Jota
Uma Tijuca

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Banido Pela Esquerda

O Brasil 247 é um site comuna hors concours em safadeza e pilantragem. O que não deixa de ser, sob a óptica dos vermelhos, uma posição das mais meritórias, afinal, entre os "companheiros", a competição é acirradíssima nessa área.
Inclusive, em sua delação premiada à Lava Jato, o lobista Milton Pascowitch declarou que o Brasil 247 recebeu dinheiro do PT para falar bem da máfia da estrelinha. Dinheiro esse, repassado ao Brasil 247 pelo próprio Pascowitch a pedido de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Um montante de R$ 180 mil cujos recursos teriam sido desviados da Petrobrás e de outras empresas. 
Conheci o site por acaso. Caí de paraquedas no Brasil 247 em 2018, na época do impeachment da presidanta Dilma Rousseff, e muito me diverti por lá fazendo comentários irônicos e jocosos a respeito dos delírios golpistas da comunistada. Provocações que, muitas vezes, geraram réplicas raivosas e engraçadíssimas. De vez em quando, se por acaso eu tivesse escrito um texto anti-PT no Marreta, colocava lá também o link no comentário. Só para tirar um sarro da vermelhada.
Com a Dilma enxotada do Planalto, cansei de ficar chutando cachorro morto e nunca mais visitei o Brasil 247.
Até anteontem. Quando fiquei sabendo que a gracinha Fernanda Takai, vocalista e compositora da banda Pato Fu, ao contrário de Chico Buarque, não cederá às pressões das feminazis suvacudas e continuará, sim, a cantar Com Açúcar, Com Afeto. Música que consta do repertório de seu primeiro disco solo, Onde Brilhem os Olhos Seus, gravado com canções outrora interpretadas por Nara Leão.
Fui atrás de mais detalhes sobre a notícia e o Google me jogou no Brasil 247, que, por incrível que pareça, abordou a decisão de Fernanda Takai de forma bem neutra, não cobrando dela nenhum tipo de engajamento pseudofeminista e sem nenhuma insinuação de um possível cancelamento da moça.
Mesmo assim, não resisti. Tasquei um comentário e, no fim, pus o link para a minha postagem Chico Amarelou Frente aos Vermelhos. Quando cliquei em "enviar", a surpresa : surgiu uma mensagem do B247 me informando de que eu fora banido do site! Pããããããããta que o pariu!!!! O meu banimento foi informado, é claro, numa faixa vermelha, logo abaixo do comentário.
Sou persona non grata num site patrocinado escusamente pelo PT! Nem mil horas de terapia, caso eu fizesse, poderiam, de novo, recuperar a minha autoestima!
Abaixo, o Azarão devidamente amordaçado e cancelado pela esquerda, a mesma que defende, em discuro, a diversidade de ideias, a pluralidade do pensamento, a tolerância às diferenças.
Senti-me não banido, mas condecorado! Diga-me quem te censura e te direi quem és. Foi um puta dum elogio, o meu banimento. Uma homenagem. 
Como da vez, isso lá ainda na década de 1990, quando fui tornado em um proscrito pelos "inteligentinhos" maconheiros do diretório acadêmico da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, por conta da publicação do bombástico, anárquico e mimeografado jornal O Pasquímico, que hoje vejo ter sido o embrião do Marreta.
Outro infausto episódio de minha trajetória contra a hipocrisia do politicamente correto que compensa ser conhecido :
 
em tempo : as informações sobre a propina paga pelo PT ao Brasil 247 tiveram como fonte o site Carta Capital.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Instituto de Pesquisa DataCamelô Dá Vitória Disparada a Bolsonaro

Datafolha é o caralho! Ibope é a puta que o pariu! Que são todos institutos de pesquisas vendidos e macomunados a setores políticos e econômicos da nação. Tudo pesquisa encomendada, tudo dado viciado.
As mais recentes "pesquisas" mostram o Sapo Barbudo com larga vantagem sobre o Cavalão. Mas onde e com que público essas pesquisas são feitas? Os pesquisados são, de fato, escolhidos aleatoriamente? Compõem uma amostragem confiável e representativa da população? Duvido. 
Duvido que algum desses "respeitáveis" institutos de pesquisa saia às ruas, vá aos pontos de ônibus, aos botequins pés sujos, aos canteiros de obras, aos pontos de parada de caminhoneiros, às lojas de R$ 1,99, aos restaurantes de prato feito, às filas dos postos de saúde, enfim, duvido que alguma dessas empresas ouça o povão, o baixo clero da população.
Pois foi o que fez, ainda que inadvertidamente, o camelô pernambucano Zedequias Serafim, de 58 anos, que tem a sua barraquinha numa grande avenida do centro de Fortaleza, Ceará. Sem querer, Zedequias realizou uma pesquisa informal sobre as preferências do brasileiro para o próximo pleito presidencial. Pesquisa feita com o povão, com o brasileiro de raiz.
No fim do ano passado, com mira às vendas de Natal, Zedequias começou a comercializar toalhas de banho com os rostos de Jair Bolsonaro e Luis Inácio Nove-Dedos da Silva.
Para a surpresa do vendedor ambulante, a venda de toalhas do atual Chefe do Executivo "estourou", superou em muito a tiragem das toalhas do maior larápio da história do Brasil.
"A aceitação, a gente está vendo que está muito mais para Bolsonaro. Eu não imaginava que aqui, em Fortaleza, ele tinha essa aceitação, porque aqui é PT, você sabe, do governador, todo mundo…", declarou Zedequias.
Até o dia 30 de dezembro de 2021 (data da reportagem da qual tirei essas informações), em pouco mais de duas semanas da oferta dos dois produtos, Zedequias disse ter vendido 660 toalhas de Bolsonaro contra 130 de Lula. Cinco vezes mais toalhas do Mito!
Perguntado sobre que toalha ele compraria, Zedequias saiu pela tangente : "Uns criticam, outros comentam, mas eu não quero trabalhar só com um. Se botar alguma de Moro aqui, eu vendo também. Eu quero é vender."  E tá certo, o Zedequias.
Porém, todo cuidado é pouco (e inútil) com pesquisas eleitorais, mesmo com uma que apresenta a lisura e a imparcialidade da do Zedequias.
Nesse caso, apesar da aparente e inconteste vantagem de um dos presidenciáveis, nada assegura que a preferência ou por Bolsonaro ou por Lula no momento de comprar uma toalha de banho irá se reproduzir nas urnas, na hora H da escolha do candidato. Nada garante que o cara que comprou uma toalha do Bolsonaro não venha a votar no Lula, e vice-versa. A muito depender do porquê o cara adquiriu ou essa ou aquela toalha.
Explico. Eu nunca votei no Lula! E nem votarei jamais! Voto em qualquer outro que vá com ele para o segundo turno. Mas, se eu passasse em frente à barraca do Zedequias, eu compraria uma toalha do Lula. Para enxugar o cu com a cara do Sapo Barbudo! Para passar a rola nas fuças do Seboso de Caetés!
Segundo Zedequias, a margem de erro da pesquisa é de oito toalhas, para mais ou para menos.
Pããããããããta que o pariu!!!!! 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

De Quem é Esse Jegue, De Quem é Esse Jegue...

Bolsonaro é o Orlando Silva do Planalto! É o Presidente das multidões! Por onde passa, arrasta torrentes de seguidores.
Não poderia ter sido diferente ontem, na cidade de Jardim das Piranhas (RN), onde o Cavalão participou de um evento sobre a transposição das águas do rio São Francisco e acabou por promover uma "jeguiata" ao passear montado num jegue pelas ruas do município acompanhado de sua comitiva.
Foi só Bolsonaro e seu séquito começarem o passeio a jegue pela cidade que outros foram se juntando a eles. Quanto mais Bolsonaro andava, mais jegues se juntavam a ele.
Na jeguiata, Bolsonaro deu provas cabais e irrefutáveis de que ele não é nada daquilo de que seus detratores o acusam, radical, extremista, fascista etc. 
Antes pelo contrário, Bolsonaro mostrou que sabe jogar o bom jogo da política, que é um verdadeiro adepto do fair play. Mostrou que, independente das posições e convicções políticas e ideológicas, é capaz de bem conviver com seus antagonistas, que é capaz de participar de manifestações pacíficas como a jeguiata lado a lado com seus oponentes. Como vemos na foto abaixo, na qual Bolsonaro passeia juntinho com um petista, montado nele. Isso sim que é um exemplo de civismo e de civilidade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Aula Magna

Primeira aula do dia. Aula dupla. Noventa minutos de duração. O mesmo tempo de uma partida de futebol.
Pior : sem um intervalo de vinte minutos entre os dois tempos.
Pior : no futebol, nenhum jogador corre o tempo todo, ou tem que jogar em todas as posições. Tem sempre alguém parado, descansando. O goleiro só se mexe no caso de uma ofensiva mais contundente do adversário; idem para os zagueiros. O meio de campo, como o nome diz, só faz o meio de campo, só pega a bola e a repassa adiante. O ataque, parece-me, talvez seja a posição que denota uma maior atividade e correria; mesmo assim, os dois ataques não funcionam simultaneamente, ora um se mexe, ora outro. Não é o caso do professor. O professor tem que correr os noventa minutos. E jogar, como ficou instituído de uns tempos para cá, em todas as posições : professor, educador, conselheiro, mediador de conflitos e até carcereiro - sim, muitas escolas recebem "vítimas" recém-egressas dos sistemas "correcionais" juvenis, Febem, Fundação Casa etc, haja vista que nenhum juiz ou promotor da Infância e Juventude que ordenam as matrículas dos anjinhos possuem filhos, netos ou quaisquer entes queridos nos bancos das escolas públicas.
Óbvio que eu não concordo, que eu repudio toda essa pluralidade de funções do professor, toda essa polivalência que foi sendo sutilmente imputada ao professor de umas duas décadas para cá, polivalência para a qual, claramente, ele não está preparado e, mais claramente ainda, pela qual ele não recebe paga, tudo um presente e obra da peidagogia moderna. Pior : e tem muito professor que abraça a bronca, que enche a boca pra dizer que é um "educador". Sim, professor é burro, em sua grande maioria.
Sete da manhã. Soa o sinal. A sirene. Muitos dizem que as sirenes das escolas são parecidas com as de prisões e penitenciárias. Antes fossem. Prisões e penitenciárias operam com muito mais disciplina que uma escola. E seus agentes tem ainda alguma autoridade.
Sete da manhã. Soa o sinal. Na sala, nem metade dos alunos; a maioria ainda a conversar e a circular em algazarra pelo pátio, a esperar que o inspetor os ponha para dentro, feito bois a aguardar pelo vaqueiro que os tanja para o curral.
Antigamente, eu dava uma tolerância de cinco minutos, ao fim dos quais, fechava a porta e fim de papo. Os retardatários que entrassem na segunda aula. Hoje, não. Espero cinco, dez, quinze minutos. Procrastino em cima da procrastinação alheia. Se isso não é se aliar ao inimigo, eu não sei mais o que possa ser. Se isso não é me tornar o meu próprio inimigo, não sei mais o que possa ser.
Turma nova. Primeira aula com ela.
Começo a minha fala, inútil; ninguém quer saber dela; apresento-me e à minha disciplina, idem. Coloco no quadro, e peço que copiem, o conteúdo programático do primeiro bimestre. Colocar o conteúdo programático no quadro, ao invés de, simplesmente, começar a trabalhá-lo de pronto, é uma das estratégias clássicas para enrolar uma aula. De fazer cera, como se diz no futebol. Assim como o que vem na sequência, o chamado Contrato Pedagógico, no qual estabeleço a que tipos de avaliação o aluno será submetido (ele não estudará para nenhuma delas) bem como as regras mínimas de conduta para a convivência em sala de aula, regras que eles teimarão em não seguir e que eu não terei forças para manter por mais que duas, três semanas, um mês.
A essa altura, mal se passaram trinta ou quarenta minutos. Valho-me, então, de uma outra tática de enrolação, mais nova e recente que a transcrição conteúdo programático, mas já tão clássica e eficiente quanto ele : a avaliação diagnóstica. Cujo "objetivo" é fazer uma sondagem do que o aluno se lembra da série anterior através de um questionário, mapear os seus pontos fracos a serem revisados e reforçados.
Ora, porra! O aluno não se lembra nem do que comeu no café da manhã, entretido e bestificado que estava pela tela de seu telefone celular enquanto engolia seu café com pão com margarina. Vai lembrar da matéria da série anterior? Só outra sugestão da peidagogia para matar o tempo de aula, para ir empurrando com a barriga, a tal avaliação diagnóstica.
Passo as questões e os deixo à vontade para respondê-las. 
Alguns poucos, uns quatro ou cinco, de espíritos mais indômitos, até tentam iniciar a atividade, mas logo desistem frente ao barulho e ao bate-boca da maioria e logo se juntam a ela. Sacam de seus celulares e vão compartilhar memes, vídeos engraçados, tirar fotos fazendo boquinhas de cu e poses de manos, enviar mensagens com palavras truncadas e carinhas idiotas.
Olho para eles. Eles nem sabem mais que eu estou ali. Olho para eles. E estão todos satisfeitos. Na maior alegria. Felizes da vida. Como eu jamais me lembro de ter estado um dia.
Pior : diferente do futebol, não há vencedores, muito menos campeões.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(53)

A paixão é uma merda! É droga pesadíssima. Ilícita, hedionda e inafiançável, deveria ser decretada. E a fossa, meu chapa, e a dor de cotovelo e a alma liquefeita em álcool e vômito e o beijo na boca da privada, nada mais são que os sintomas da abstinência da paixão. A fossa, meu chapa, é o choramingar e o implorar, é o uivar e o ganir do organismo ressentido e convulso pela falta da buceta que resolveu ir rodopiar em outras varas.
Deveriam existir clínicas de reabilitação para os apaixonados que não conseguem largar o vício. Clínicas de internação compulsória, pois o dependente da paixão não quer reconhecer que tem um problema. Antes pelo contrário, crê piamente que o seu vício, a paixão, é o caminho para a sua felicidade. Ah, esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei... Deveriam ser criados grupos de apoio para esses sofredores, para esses penitentes de Eros. Um A.A., apaixonados anônimos.
A fossa não tem prazo certo para acabar, ela durará o tempo do organismo se livrar de todos os resquícios e traços da paixão, de limpar e descontaminar todas as suas células, artérias, narinas, ouvidos, língua, dedos, lençóis, armários, gavetas e porta-retratos da onipresença da pérfida que lhe pôs penduricalhos à testa.
Disso, bem sabe e entende o cantor, compositor e também corno Ivan Lins. Grande e respeitável nome da MPB corneado pela então esposa Lucinha Lins, com Claúdio Tovar, um bailarino. Pãããããããta que o pariu!!!! E tão desnorteado Ivan estava pela abstinência do ser amado que permitiu que a algoz de seu coração e de seus testículos continuasse a envergar o seu sobrenome, nome que arrastara pela lama.
Ferido pelo galho e sensibilizado por ele em sua verve poética, Ivan Lins compôs a belíssima Você Foi Saindo de Mim. Mais que um simples relato musicado, um testemunho de vida de um corno em recuperação.
Você Foi Saindo de Mim
(Ivan Lins)
Você foi saindo de mim
Com palavras tão leves
De uma forma tão branda
De quem partiu alegre.

Você foi saindo de mim
Com sorriso impune
Como se toda faca não tivesse
Dois gumes.

Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente
Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo
Nas vezes em que choro.
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu desintoxicado MARRETÃO.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

SBT - O Sistema Bolsonaro de Televisão

Lá! Lá! Lará! Hei!
Lá! Lá! Lará! Hei!
Lá! Lá! Lará! Lá! Lá! Lará! Lará!
Bolsonaro vem aí! Lá! Lá! Lará! Lá! Lá!
Bolsonaro vem aí...

O Bolsonaro é coisa nossa, o Bolsonaro é coisa nossa.
Mas que vai, vai, mas que vai, vem, mas que vai, vai, mas que vai, vem...
 
É o SBT! O sistema Bolsonaro de Televisão!!!
Na semana passada, na segunda-feira, 24/01/22, o intrépido Messias lançou o app (que viadagem) Bolsonaro TV. O aplicativo tem por missão unificar as redes sociais de toda a família Bolsonaro, mas por ora reúne apenas publicações do Mito.
O Bolsonaro TV reproduz as mensagens, pronunciamentos, vídeos e fotos do Cavalão publicados em suas páginas do Twitter, do Facebook, do Instagram, do YouTube e do anárquico Telegram. Bem como a agenda oficial do Presidente.
Agora, você poderá acompanhar os passos do Mito em tempo real, não perderá nem mais um lance de seu assoberbado e polêmico governo. Todas as peripécias do Mito na palma da sua mão. É o BBB, o Big Bolsonaro Brother.
O desenvolvedor e dono do aplicativo é Rogério Cupti de Medeiros Junior, advogado e assistente do gabinete do amor do vereador Carlos Bolsonaro, o Carluxo, o filho nº 2 do Presidente. 
A ideia é boa. Se eu tivesse telefone celular, eu baixaria o aplicativo, com certeza! Nem que fosse só para abri-lo, durante o intervalo na escola, ao lado de um professor esquerdista, só para fazê-lo engasgar com o café.
A ideia é boa, porém, ainda muito limitada. O Bolsonaro TV deveria diversificar as suas atrações. Se encontro com o Carluxo, proporia-lhe que o Bolsonaro TV fosse além dos assuntos políticos, sugeriria-lhe que o aplicativo se transformasse numa plataforma com outros canais, de outros temas, que mostrassem as preferências e os interesses do Mito em outras áreas. É a Bolsoflix.
Poderia haver, por exemplo, o HBOlsonaro, com os filmes preferidos do Presidente, que julgo serem filmes de ação, de muito tiro e porradaria, filmes de machos das antigas, filmes de caubói, tipo O Segredo de Brokeback Mountain.
Também o MTV, a Mito TV, com as músicas que o Jair ouve em seus momentos de lazer, nos churrascos com os amigos onde ele impera como um indestronável Tiozão-Mor, no toca-CDs do seu carro e na intimidade de seu lar, quando em companhia da primeira-dama.
E se a minha sugestão for acatada e fizer sucesso e bombar na web, os lucros, claro, serão rachados entre mim e o Carluxo.
Pãããããããta que o pariu!!!! 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Aniversário do Marreta do Azarão

Treze anos de Marreta. Treze anos de muita pancadaria e putaria. E, nos últimos tempos, de muito cansaço... de um cansaço brutal, inextinguível... uma vontade de nada.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

O Polissêmico Cu

Sempre gostei demais de um cu! É um apego, uma atração, que não encontra bases no racional e nem, tenho certeza, remonta apenas dessa vida. É uma coisa ancestral, atávica. Mediúnica, chega mesmo a me parecer. Assumo-me um aficionado por cu. Eu e o Rogério Skylab!
E, pelo visto, também o sorumbático GRF, cuja postagem Um Idioma Sem Culpa inspirou esta minha, que, assumo desde agora, nada tem de original, é uma cópia descarada e desavergonhada da dele.
O cu é órgão dos mais versáteis e multitarefas. Prestando-se, inclusive, ao ato de defecar.
E se o cu já é pau pra toda obra fisiológica e organicamente falando, semanticamente, então, ele é um coringa esquizofrênico.
O cu é mais polissêmico dos vocábulos.
O cu é monossilábico, mas tem muito a dizer. Se, por um lado, o cu é diminuto em sua grafia, por outro, é incomensurável, paulossilvínico em suas acepções e significados.
Infindáveis e inesgotáveis são os sentidos que o cu pode assumir nas igualmente sem-fim expressões idiomáticas da nossa Língua, inculta e chula, por isso bela.
Que é do que tratou a postagem do GRF, das diversas expressões idiomáticas que têm o cu como protagonista. Expressões que reproduzirei aqui da mesma forma que lá, numa tabela, quase que um infográfico. Depois da tabela, adicionarei umas tantas outras.
Outras expressões que homenageiam o cu:
- arrepiou até os cabelos do cu;
- quem come pimenta, sabe o cu que tem;
- pimenta no cu dos outros é refresco
- no cu do Judas;
- contar com o ovo no cu da galinha;
- enfia no cu essa merda;
- quero que o seu cu pegue fogo;
- é o cu da cobra;
- no olho do cu;
- cu de bêbado não tem dono;
- CDF, cu de ferro;
- vai dar o cu pra galinha bicar;
- é de foder o cu do palhaço;
- trancar o cu;
- vai coçar o cu com serrote;
- mais folgado que cu de avestruz;
- mais apertado que cu de pulga (contribuição do Jotabê)
- saliva de cu é creme rinse (essa, de minha autoria); 
- é melhor um cu no pau do que duas xavascas voando (idem)
E Viva o Cu!!!

domingo, 30 de janeiro de 2022

Chico Amarelou Frente aos Vermelhos

Chico Buarque amarelou frente à comunistada. Acovardou-se diante da nefasta doutrina que sempre defendeu e professou - se algum dia a praticou de fato, é uma outra história. Chico jogou vergonhosamente a toalha já no primeiro round contra o politicamente correto, contra o Ivan Drago do cancelamento.
Chico "decidiu" não mais cantar uma de suas mais belas canções, a Com Açúcar, Com Afeto, por suas conotações supostamente machistas.
Caso alguém não seja desse planeta, caso alguém não conheça a canção, ela trata de um dia na vida de uma dona de casa cujo marido malandrão e folgado sai cedo de casa a dizer que irá em busca de trabalho, mas que fica vadiando pelas ruas, pelas praias e rodas de samba com os amigos em botecos. E quando o safado chega em casa tarde da noite, faminto e exaurido pela esbórnia, ele encontra não uma mulher carrancuda a brandir um rolo de macarrão, sim uma amélia a lhe esperar de braços abertos e com um prato de comida pronto. 
Ao fim da música, composta por Chico em eu-lírico feminino (a sua maior especialidade), a mulher diz : e ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado, como vou me aborrecer? Qual o quê... logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato e abro meus braços pra você.
Bonita pra caralho! Triste, também; como a maioria das coisas belas. Quem disse que o triste e até o cruel não podem ser belos? Se não pudessem, poucos de nós suportariam a realidade.
E Chico não está dizendo que concorda com a submissão da dona de casa de Com Açúcar, Com Afeto, nem que a condição dela seja algo aceitável, desejável e normativa. Chico apenas narra a letra da música, sem nenhum tipo de julgamento de valor. Aliás, nem é Chico quem canta, é a mulher.
Chico, dizem, é um dos melhores tradutores e intérpretes da alma feminina, o cara cujos versos têm o poder de fazer abrir quaisquer pernas, são um abre-te-sésamo de xavasca. Ora, porra, exceto nas novelas da Globo e nas vidas das feministas suvacudas, que não possuem um pinto pra chamar de seu, as vidas das mulheres reais, de carne e osso, são permeadas, contaminadas e, muitas vezes, fustigadas pelo machismo. E mais ainda eram nas décadas de 1960, 1970, época em que Chico compôs a música.
Assim, como Chico poderia ter bem retratado o cotidiano de uma mulher comum, de uma dona de casa das décadas de 1960, 70 se tivesse subtraído dele o onipresente machismo? Seria até desonestidade do artista.
Chico não inventou a circunstância descrita em Com Açúcar, Com Afeto. E parar de cantá-la, óbvio, não a eliminará da sociedade e das relações amorosas. A música não inspira ninguém a ser canalha, ou submissa. Parar de cantá-la, não fará certos ordinários deixarem de ser machistas; nem fará libertar todas as amélias do jugo de um relacionamento desigual.
Chico é macho das antigas, gosta (e muito) do artigo mulher. Ao compor e cantar músicas que expõem o machismo, Chico presta um favor e uma contribuição muito maiores às mulheres e ao, com perdão da má palavra, feminismo do que deixando de escrevê-las e interpretá-las, do que deixando de denunciá-lo, do que se calando. Afasta de mim esse cálice, Chico.
Sim, pois a música Com Açúcar, Com Afeto, ao meu ver, é claramente uma crítica, uma denúncia contra o machismo, não uma apologia a ele. Da mesma forma, a clássica Mulheres de Atenas, recheada da mais pura e fina ironia. Mas para enxergar isso, deve-se ser capaz de ler nas entrelinhas, de ler o subtexto, ou seja, deve-se ser minimamente letrado. Coisa que essa atual geração de esquerdistas, nascida e amamentada na cartilha do PT e nas tais pautas progressistas, claramente não o é. Estão longe, muito longe disso, aliás.
E no meio desse imbróglio, Chico tentou safar-se com uma declaração, essa sim, com laivos machistas. Disse que a iniciativa de escrever Com Açúcar, Com Afeto, não partiu dele, não foi sua ideia, que a música foi feita sob encomenda, a pedido de Nara Leão.
Chico jogou a culpa (que culpa?) para cima de Nara Leão, uma mulher. Igual ao Lula, que jogou a culpa (nesse caso, sim, culpa) do Triplex do Guarujá nas costas da esposa, Dona Marisa Letícia Enfiem-as-panelas-no-cu, um modelo de finesse e de primeira-dama.
Chico Buarque, reza a lenda construída em torno dele, lutou contra a Censura do Governo Militar, estoicamente, nunca cedeu ou se rendeu a ela. Agora, pelo visto, capitulou frente à censura dos seus, à ameaça do cancelamento, à mordaça da esquerda, da qual sempre foi dos mais célebres garotos-propaganda, quedou-se de joelhos aos vetos dela.
O pior é que temer e ceder à censura alheia e aleatória costuma instalar no sujeito a pior e a mais irreversível das censuras, a autocensura. A autocensura não prejudica, inibe, tolhe e solapa apenas as presentes e futuras criações do artista, mas pode fazer com que ele renegue e apague parte de sua obra passada, de seu legado. E Chico tem um imenso e mais que respeitável legado.
Mas talvez não seja nada disso. Talvez a decisão de Chico retirar Com Açúcar, Com Afeto do repertório de suas apresentações, não tenha nada a ver com cobranças feministas ou questões ideológicas. Acho mesmo que Chico está cagando e andando para ideologias. Talvez a decisão do velho bardo tenha se dado apenas no sentido de evitar polêmicas e "debates" inúteis e  infrutíferos em torno de sua pessoa, de evitar cair em bocas de Matildes. Talvez Chico esteja tão-somente a comprar seu sossego. De mais a mais, Chico, segundo ele próprio, nunca gostou muito de fazer shows, acho que, se pudesse, não deixaria de cantar apenas Com Açúcar, Com Afeto, mas sim todas as suas músicas.
Talvez Chico só esteja querendo tranquilidade para desfrutar de seus derradeiros anos a flanar pelas ruas parisienses, a escrever seus livros em seu apartamento na capital francesa, refúgio, diga-se de passagem, mais do que merecido, dada a grandeza de sua obra. Talvez Com Açúcar, Com Afeto tenha sido o boi de piranha sacrificado por Chico para se manter longe do mugido, da algazarra e da língua do populacho.
Se for esse o caso, respeito ainda mais o sujeito.

Com Açúcar, Com Afeto
(Chico Buarque)

Com açúcar, com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa
Qual o quê!

Com seu terno mais bonito
Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa

Você diz que é um operário
Sai em busca do salário
Pra poder me sustentar
Qual o quê!

No caminho da oficina
Há um bar em cada esquina
Pra você comemorar
Sei lá o quê!

Sei que alguém vai sentar junto
Você vai puxar assunto
Discutindo futebol

E ficar olhando as saias
De quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol

Vem a noite e mais um copo
Sei que alegre "ma non troppo"
Você vai querer cantar

Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão
Qual o quê!

Diz pra eu não ficar sentida
Diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração

E ao lhe ver assim cansado
Maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer?
Qual o quê!

Logo vou esquentar seu prato
Dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.
Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu poderoso e machotóxico MARRETÃO.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Valha-me Santo Olavo de Carvalho!!!

Meu amigo virtual Jotabê, católico moderado, praticante pero no mucho, está emputecido como nunca antes o percebi!!!
Estão querendo canonizar o Olavo de Carvalho!!! 
Em um comentário aqui no Marreta, ele extravazou toda a sua indignação : "E o mais louco descobri agora: um lunático está defendendo sua canonização pela Igreja Católica! Um dos argumentos é que quase três mil pessoas converteram-se ao catolicismo por sua causa. Com um argumento desses o Edir Macedo deveria ser proclamado deus".
Ué, mas o Edir Macedo ainda não é deus?
Como desconhecia a informação, fui dar uma fuçada no Google e de fato. Discípulos do professor Olavo querem que ele vire santo. A iniciativa é do médico psiquiatra (e ainda tem gente que toma os remédios que essa raça prescreve) Ítalo Marsili.
De acordo com o psiquiatra, Olavo de Carvalho merece a canonização por ter promovido o retorno de uma multidão de almas à Igreja Católica : "o espírito santo, sem dúvida, utilizou a vida do professor Olavo para tocar as nossas. Uma multidão de almas voltou para a fé e para a igreja através dele", disse Marsili.
Curiosa e coincidentemente, sem nem saber desse pedido de canonização, ouvi um depoimento parecido da deputada federal pelo PSL Bia Kicis. Ela conta que estava há tempos afastada da fé católica e que o seu retorno se deu através da leitura das obras de Olavo de Carvalho.
Marsilis afirma estar de posse dos relatos e dos testemunhos de fé de mais de 3 mil pessoas, que teriam se convertido (ou retornado) ao catolicismo pelas mãos bentas de Olavo de Carvalho. Para embasar ainda mais o seu pedido de canonização, ele quer continuar a coletar depoimentos e pede que mais pessoas que tiverem sido tocadas por Olavo enviem seus testemunhos para as suas redes sociais.
Três mil (re)convertidos... Nada mal. Em tempos de expansão das igrejas evangélicas, nada mal, mesmo. Duvido que a grande maioria dos padres, bispos etc possam se orgulhar de tal marca; antes pelo contrário, muitos muito mais afugentam do que arrebanham ovelhinhas.
Nada entendo da Fé, de seus caminhos e de seus trâmites, mas não vejo entrave ou óbice algum na canonização de Olavo de Carvalho. Ele tem boas qualificações para santo em seu currículo. Muitos santos foram filósofos. São Tomás de Aquino foi filósofo. Santo Agostinho foi filósofo. Olavo de Carvalho, idem.
Deixe, pois, de intransigências e de velhos (pre)conceitos Jotabê, afinal, muitos santos foram homens de pecados, até mesmo ex-hereges. São novos tempos. A Igreja precisa de novos santos. De novos tipos de Cruzados. Além do quê, convenhamos, o Vaticano não está em posição de ficar exigindo muito, não.
Quem sabe a canonização de Olavo de Carvalho não seja mesmo a vontade de Deus, famoso por seus mistérios e por seus desígnios insondáveis e inescrutáveis?
Quem sabe a canonização de Olavo de Carvalho não seja Deus escrevendo certo pelas linhas tortas do professor?
De mais a mais, às vistas de um Deus que calcinou e atomizou Sodoma e Gomorra, as Hiroshima e Nagasaki do Velho Testamento, Olavo de Carvalho nada tem de radical, é até comedido demais, um verdadeiro modelo de ponderação. 
Um santo, enfim.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Homens Ficam Mais Bonitos com Máscaras Antivírus Chinês, revela Pesquisa

Uma importantíssima pesquisa realizada pela Escola de Psicologia da Universidade de Cardiff, no País de Gales, tão vital quanto um tratado ou de pedagogia ou de sociologia ou de psicologia mesmo, promete elucidar novos aspectos da pandemia e, quiçá, até mesmo mudar os rumos da Peste Chinesa.
Esses pesquisadores desocupados descobriram que homens a usar máscaras antivírus chinês são mais atraentes aos olhos femininos, mais desejáveis. 
A pesquisa pediu às mulheres que avaliassem, numa escala de 0 a 10, o  quanto se sentiam atraídas por homens sem máscaras, com máscaras de pano, com máscaras cirúrgicas ou com um livro a ocultar a área da face que seria coberta pela máscara. A maioria da mulherada deu maiores notas para os homens mascarados, principalmente os com máscaras cirúrgicas.
E a enorme abrangência, magnitude e espaço amostral da pesquisa tornam inquestionáveis e irrefutáveis os seus resultados : foram entrevistadas 43 mulheres. Pããããããta que o pariu!!!! Quarenta e três... Método científico Dilma Rousseff, só pode ser. Esta merda não pode ser considerada nem mesmo uma enquete. Sem contar a facilidade em se induzir o resultado da pesquisa. Quem garante que não colocaram um cara feito o George Clooney com máscara cirúrgica e um outro feito eu ou o Jotabê sem máscara? Ou o contrário, a depender do que a pesquisa pretendia "provar"?
De qualquer forma, acredito no resultado, e não vejo nenhum mistério por detrás dele.
Os entendidos em antropologia e demais áreas do comportamento das sociedades humanas preconizam que a percepção humana a respeito do que é belo ou não é multifatorial, não é restrita apenas aos atributos físicos do ser desejado, nem definitiva; ela é fortemente atrelada ao momento histórico em que se vive, à conjuntura de cada época, e, portanto, mutável, podendo transitar de um extremo ao outro em relativamente pouco tempo. Eu, particularmente, não consigo imaginar um contexto histórico onde a Angelina Jolie e o Brad Pitt possam ser considerados feios e repugnantes, mas enfim... são os entendidos a dizer.
Todos já ouvimos várias vezes - eu, pelo menos, já ouvi - que as gordinhas eram o padrão de beleza na Idade Média, que elas eram as tesudas da época, as Giseles Bünchen de então; eram retratadas à exaustão pelos pintores mais badalados de seu tempo, Rubens, Botticelli, Ticiano, que eram mais ou menos o que são os fotógrafos de mulher pelada hoje em dia.
A explicação nos fornecida é que eram tempos de vacas magras, de muita fome e escassez de alimentos. Uma gordinha, portanto, remetia a uma fartura e opulência que a grande maioria da população não possuía, era um tesão que vinha mais até do estômago que dos testículos. Ser gordo era status. Também eram tempos das mais variadas pestes (eram?) e uma boa reserva de gordura, um pezinho de meia energético, assegurava uma resistência e uma longevidade maiores caso a pessoa tivesse de enfrentar uma enfermidade. Em tempos em que a fome e a peste eram as principais causas de morte, as gordinhas tinham maior durabilidade, eram as espécimes mais viáveis para aquela época. Eram, portanto, as mais belas.
Hoje, com a questão da escassez de alimentos resolvida, o foco do desejo mudou, ter refeições regulares à mesa não é mais um símbolo de status, não é mais um raro privilégio. Há alimento mais que suficiente para atender a toda a população planetária, há mesmo superprodução em alguns casos. Os inúmeros bolsões de fome são muito mais uma questão política que de produtividade agrícola.
Hoje, o excesso está a se tornar um problema até maior que a carência. Hoje, as doenças que mais matam são muitas vezes vinculadas à obesidade e não mais à fome - infarto do miocárdio, AVCs, diabetes, entre outras. Automaticamente, o gordo saiu de moda, o magro passou a ser mais atraente, mais desejável. O magro passa a ideia de uma pessoa mais frugal, comedida, mais regrada, mais preocupado em zelar pela saúde, de hábitos e práticas mais saudáveis. E, portanto, menos sujeito a doenças e males súbitos. Hoje, em tempos em que a obesidade mata mais que o famelismo, o magro tem maior prazo de validade, o magro se tornou o espécime mais viável. E, logo, o mais belo.
Mais uma vez, a chave central da questão do que é belo é a viabilidade daquele indivíduo. É a viabilidade que torna um espécime mais bonito e mais atraente que um outro, são as maiores chances de sobreviver e de prosperar naquele meio e naquela época que tornam o indivíduo mais desejável pelos da sua espécie.
O cara pode até achar que só está interessado em dar uma metidinha rápida na gostosa, mas o seu DNA, o tempo todo e sem descanso, está à procura de uma mãe para os filhos que ele nem sabe que quer ter, o seu DNA está à cata de uma fêmea viável para a procriação e continuidade da desgraça humana em cima da Terra. O mesmo vale para a mulher. A empoderada também pode até pensar que está apenas querendo um P.A. (pau amigo) para se divertir e relaxar um pouco. Mas a perseguida não está apenas em busca de um perseguidor que a capture e bem a coma. O seu DNA é um radar a detectar certas características e atributos no macho que indiquem a viabilidade dele, o seu potencial de protetor e provedor, de macho alfa.
Diz aquele velho ditado popular que "quem vê cara, não vê DNA". Ditado dos mais falhos, como quase todos os ditados populares.
Cada época exige um conjunto de atributos que tornará mais viável o espécime que o possui, um conjunto que apenas uma parcela daquela população deterá em sua integralidade, e que passa, assim, a ser o objeto de desejo dos demais. Cada época, enfim, elege um padrão de beleza.
Por isso, digo que acredito no resultado da pesquisa. Por isso, digo que ele seria o mesmo ainda que ela tivesse sido realizada não com 43, mas com 43 mil ou milhões de mulheres. E que digo que ele nada tem de surpreendente.
Vivemos em tempos de Peste Chinesa, de mais uma Peste Chinesa, aliás - a Peste Negra, embora tenha "estourado" na Europa, também é de origem chinesa. Em tempos de vírus chinês, um homem a usar uma máscara transmite a ideia de um sujeito precavido, consciente, que se defende contra a praga amarela, que zela pela sua saúde e pela dos que o rodeiam. Logo, e de novo, é um sujeito potencialmente mais viável, um espécime que viverá mais e melhor que aqueles que se recusam em cobrir as faces, um cara mais confiável para se dar uns beijinhos. 
O mesmo vale para o modelito de máscara que deixa os homens mais sexies (ou sexys?) aos olhos femininos, a cirúrgica. Esse modelo de máscara é dito o mais seguro de todos, o que mais protege o príncipe encantado. Se o cara estiver usando, então, uma N95 valvulada, ele nem precisa ter pinto grande, a mulherada apaixona na hora!!!
Não sei se eu fico mais bonito e atraente com uma máscara antivírus chinês. Para matar a minha curiosidade, a exemplo dos pesquisadores da Universidade de Cardiff, eu também teria de realizar uma pesquisa entre as minhas admiradoras, com resultados estatísticos tão "confiáveis" quanto os dos galeses. E também igualmente inútil e desnecessária. 
Pois eu também sei de antemão o resultado dela : sim, é claro que eu fico muito mais bonito de máscara cirúrgica. Muito mais. Por um simples motivo : ela esconde metade da minha cara! Eu fico metade menos feio. E a parte coberta deixa margens e dá asas à imaginação. Uma mulher pode olhar para mim e imaginar que há um belo nariz, um másculo queixo, uns carnudos lábios e um sorriso sedutor por debaixo da máscara. É bem sabido que a imaginação é o melhor dos afrodisíacos, o mais eficiente dos encharca xanas.
A pesquisa contemplou apenas a percepção das mulheres sobre o quão lhes parecem mais ou menos belos os homens que usam ou não máscaras. Não foi perguntado a nós, passadores de rodo, filhos do Zé Mayer, machos tóxicos das antigas, se as mulheres nos parecem mais ou menos atraentes e pegáveis quando usam ou não máscaras antivírus chinês. Mas acredito que uma pesquisa com o público macho, conosco, os discípulos do Jece Valadão, lograria os mesmos resultados, acredito que os homens também considerem as mulheres com máscaras mais excitantes.
Eu, por exemplo, acho a moça abaixo, a usar corretamente a sua máscara antivírus chinês, uma beleza, uma formosura. Uma delícia!!!