quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Funcionários

Ser funcionário público
É a liberdade absoluta.
Tão ancha e plena
Que a ela ficamos presos,
Acomodados.
Acomodados ao calabouço da liberdade,
A mais eficiente das carceragens.
Não há masmorra mais inescapável
Que aquela em que somos cativos
E carcereiros.

Ser funcionário público
É ser livre para não ser de nenhuma função
Ou utilidade
Ou até ser
Mas poder escolher não exercê-la.

É ser tão livre
Que dessa liberdade
Contamos os dias para nos livrar,
Para nos aposentar.

Ser funcionário
É poder não funcionar, 
Já que a ineficiência
É o que é esperado de nós.

É poder 
Não ter que puxar o saco de eunucos,
É poder não erguer altares
Para pequenos e podres poderes.

É poder devolver ao mundo,
Impunemente,
O mau humor
Que ele nos causa.

domingo, 18 de agosto de 2013

Sommelier de Buceta

Adquiro rapidamente um profundo nojo por certas palavras ou expressões que viram modismo, sempre usadas de forma errada, ou por ignorância em relação à língua mátria, ou por má-fé mesmo, ou, aposto, por ambas, com uns 80% de predominância do primeiro motivo.
Com essas palavras ou expressões, querem fazer parecer que certos produtos sejam superiores aos seus demais similares, até mesmo que tenham qualidades e atributos inerentes e exclusivos.
Alimento orgânico é um dos mais abjetos exemplos disto. Tomate orgânico, arroz, morango, trigo, batata, melão, a lista é quase tão interminável quanto são os tipos de alimentos. Anunciam que tal coisa é orgância como se falassem da ambrosia dos deuses.
Ora porra, todo alimento é orgânico!!! Todo alimento provém, direta ou indiretamente, de um ser vivo, todos têm ou origem animal, ou vegetal, ou ainda são produtos de bactérias e fungos. Portanto, são formados pelo onipresente átomo de carbono e suas diversas faces, carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e ácidos nucleicos. Tudo orgânico, sem exceção.
Ou alguém já comeu um tomate inorgânico? Feito de pedra, de areia, com sílica em lugar do carbono?
Quando dizem "orgânico", querem dizer que aquele alimento foi cultivado sem aditivos químicos, agrotóxicos ou fertilizantes. Querem dizer que ele foi cultivado à base de adubo natural. Ou seja, ao invés de dizerem alimento orgânico (uma vez que todos o são), deveriam dizer : alimento adubado com bosta! Que a bosta é, por excelência, um dos compostos mais orgânicos que há.
De uns tempos para cá, outro modismo vem enchendo o meu saco e os bolsos dos que dele se utilizam para cobrar de seus produtos muito mais do que eles valem e enganarem os trouxas. É o tal do produto artesanal.
É queijo artesanal, móveis artesanais, perfumes artesanais, roupas artesanais, molhos artesanais, chocolates artesanais etc. Você passa e vê uma puta duma fábrica com a placa : doces e geleias artesanais. Quanto mais explícita a patifaria, menos o povo vê.
E, agora, o tal do artesanal invadiu um dos últimos territórios do verdadeiro macho, um dos últimos rincões livres da frescura e da viadagem, o mundo das cervejas.
Até no mercado aqui perto de casa, a coisa já ganhou volume. E é mercado mesmo, popular, não é delicatessen, rotisserie, nenhuma dessas boiolagens. Tem lá uma gôndola, bem no meio do corredor, com um cartaz, cervejas artesanais.
Eu passo longe, tanto pela propaganda enganosa quanto pelos abusivos preços. Tenho um escorpião de estimação que carrego sempre ao bolso, o escorpião Margá, o pobrezinho infartaria ao ver o preço de uma dessas.
Aí, um dia desses, em meu local de trabalho, no intervalo, peguei a conversa de dois novos professores, desses que aparecem e desaparecem todos os anos das escolas, desses da nova leva de aprendizes. Eles debatiam sobre a qualidade das cervejas Colorado e Baden Baden, um defendia uma e outro defendia a outra.
Para mim, Bavaria Premium, Brahma Extra e Kaiser Bock são o máximo de requinte a que um sujeito pode se permitir sem pôr em risco as pregas. 
Portanto, nada de útil eu aproveitaria da conversa sofisticada dos dois rapazes (ou moçoilas, mais me pareceram), a não ser reforçar ainda mais o meu desprezo pela estirpe dos seres humanos "sensíveis e refinados", que assim se autointitulam e se consideram o próximo degrau evolutivo da humanidade, quando, na verdade, a humanidade ruirá justamente por isso, pela delicadeza adquirida.
Fiquei ouvindo, nunca é demais reforçar nossos preconceitos.
O rapaz da Baden Baden dizia que a sua preferida obtivera mais estrelas numa prova cega de sommeliers belgas.
Eu já ia me esquecendo, agora tem isso de sommelier, os provadores, os degustadores, aqueles caras que põem a bebida na boca, fazem biquinho, bochecham, gargarejam e cospem. Tem sommelier de vinho, de whisky, de pinga, de café, de cerveja e até, vi um dia desses, de água mineral.
Não obstante o maior número de estrelas da Baden Baden, a Colorado, argumentou o outro rapaz, apresenta maior teor de cevada e lúpulo, e é obtida em um processo de baixa fermentação mais complexo, no qual são controlados até o número de bolhas.
Corto o meu saco se a rapazola tiver a mínima noção do que seja um processo de fermentação, o sensível lê o rótulo ou alguma resenha sobre o produto e sai a citar o que decorou.
O outro não se deu por vencido, disse que não são apenas os sommeliers belgas de cerveja que aplaudem a Baden Baden, os maiores cozinheiros do mundo, os gourmets dos principais restaurantes, consideram a Baden Baden como a cerveja com maior potencial de harmonização com pratos dos mais diversos. Gourmet é a puta que o pariu, e harmonia perfeita é o meu pau enterrado num jilozinho.
Achei que o simpatizante da Colorado estava para capitular, mas, estrategista que se revelou, tirou sua mais poderosa arma da manga e disse, como quem desfere um touché, um xeque-mate : a Colorado é confeccionada com cevada, malte e lúpulo orgânicos. E o preço mais alto nem deve ser discutido, concorda? Afinal, cerveja artesanal é para degustar, não é para beber.
O da Baden Baden foi a nocaute.
Na mesma hora, imaginei : um sommelier a degustar um cerveja artesanal feita de cevada orgânica. Pãããta que o pariu!!! Nada pode ser mais viado que isso! Perto disso, até dar o cu fica parecendo coisa de macho!
Cerveja não é para beber? Realmente, não. É para entornar, para emborcar, para encharcar, empapuçar!!! Para se botar pela urina, pela transpiração e pelas ventas!!!
Fiquei imaginando esses rapazolas afetados dando de cara com um bom bucetão. E nem digo de um bucetão legítimo, das antigas, cabeludão e babento, que a verdadeira buceta lhes faria torcer o nariz a ponto da bicanca quase lhes fugir do rosto, faria-lhes os estômagos saírem pela boca. 
Aceito, para não me dizerem intransigente com os rapazolas, esses simulacros de bucetas que andam por aí, raspadinhas e perfumadas por sabonetes íntimos. Imagino o da Baden Baden se aproximando da buceta e aspirando-lhe os odores, sentindo o bouquet; em seguida, o da Colorado passaria muito delicada e rapidamente a língua pelos entrelábios, buscando decifrar notas mais ou menos acres, buscando lhe adivinhar a safra.
E quando a dona da buceta lhes perguntasse : e aí, não vão comer, não?, eles responderiam em uníssono : buceta é para degustar, não para comer!
Sommelier de buceta, é só o que está faltando. Se é que está, se é que já não tem. Talvez para escolher elenco de filme pornô.
O que acho é que esse pessoal adepto do correto e do limpinho gosta mesmo é de um bom fumo de rolo preto, artesanal e muito do orgânico.

sábado, 17 de agosto de 2013

Não é Carnaval, Mas é Madrugada (13)

Cravo Branco, de Paulo Vanzolini, certamente não é uma música de carnaval. Acontece que os seus versos, Ai, o pobre, caído no chão/De bruços no sangue/Com o cravo branco na mão, lembraram-me muito d'outros versos, A vista incerta/Os ombros langues/Pierrot aperta/As mãos exangues/De encontro ao peito/Alguma cousa/O punge ali/Que ele não ousa/Lançar de si,/O pobre doido!/Uma sombria/Rosa escarlata/Em agonia/Faz que lhe bata O coração..., esses do poema a Rosa, de Manuel Bandeira, incluído no livro Carnaval. Está aí o carnaval.
São imagens fortíssimas, tanto o Pierrot que traz a rosa escarlate enraizada ao branco peito de cetim quanto o pobre de Vanzolini, de bruços no sangue com o cravo branco na mão.
Imagens fortes construídas pelo contraste e pelo inesperado, contraste entre o sereno branco e o revolto vermelho, o inesperado da morte, seja a morte literal, do corpo todo, ou a metafórica, do coração que é arrancado em rosa e arremessado à sarjeta, abandonado por seu dono, que se põe a andar - e a viver daí por diante - com um buraco no peito, mais à sarjeta que a rosa que tivera que abandonar.
Mais que pelo constraste e pelo inesperado, pelo confronto e pelo abrupto. 
O confronto entre o branco, ilibado e porvindouro, e o vermelho, carregado de culpa, remorso, devassidão e pestilência. 
O abrupto da morte que não se podia adivinhar, o solavanco do vivo-agora-morto-um-segundo-depois, a morte que não concede tempo para planejamentos, para avisar e preparar os familiares, escrever testamentos, despedir-se dos amigos, cometer última loucura; enfim, a morte mais temida de todas, e, paradoxalmente, a mais piedosa, também. A morte que não nos dá tempo de pensar nela, de sofrer de antecipado com a sua ideia, a morte que não dá tempo de ficarmos com autocomiserações, como disse o próprio Vanzolini em outra de suas letras : Quando eu for, eu vou sem pena, Pena vai ter quem ficar.
De qualquer maneira, é cada vez mais raro e espaçado no tempo uma música me arrepiar, aquele arrepio de pããããta que o pariu, que coisa bonita do cacete; cada vez mais raro e esporádico uma música fazer com que eu a retroceda no toca-CD e a reouça várias e várias vezes, até decorar-lhe a letra.
Acho que ficar velho é um pouco isso, é cada vez menos se surpreender, se emocionar e se arrepiar, é não ter vontade de rever qualquer filme, de reler qualquer livro, reescutar qualquer música... sabe-se que não se têm mais grandes tempos. E Cravo Branco me surpreendeu, me arrepiou.
Não é música de carnaval, mas, de qualquer forma, é madrugada. De qualquer forma, o fundo de minha caneca já se deixa ver, mal oculto pela fina lâmina residual de cerveja, quente e sem espuma, a última da noite, ou a primeira do dia.
Cravo Branco
(Paulo Vanzolini)
Saiu de casa de terno tropical,
Camisa creme,

Lenço e gravata igual,
Jantou e saiu satisfeito,
Pra antes da meia-noite,
Morrer com um tiro no peito.

(bis)
Ela lhe deu o cravo,
O outro se ofendeu,
Ele olhou no revólver,
Dava tempo e não correu,
Dobrou o joelho, desabou no chão,
Os olhos redondos,
E o cravo branco na mão.


Ai, o pobre, caído no chão,
De bruços no sangue,
Com o cravo branco na mão.


Ai, o pobre, caído no chão,
De bruços no sangue,
Com o cravo branco na mão. 

A música está no CD Paulo Vanzolini Por Ele Mesmo e também no CD 1 da coletânea Acerto de Contas. Para apenas ouvi-la, sem precisar baixar, você pode clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Al Pacino e Deus

Nada como um católico notório e convicto, como Al Pacino, para nos dizer como deus funciona. 
 
 “Eu pedi a Deus uma bicicleta, mas eu sei que Deus não trabalha dessa forma. Então eu roubei uma bicicleta e pedi perdão.” 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pequenas Desilusões

Em um avião
A 10.000 m de altitude
Me disseram
Uma dose de bebida
Tem o efeito de três
Pela pressão, 
Pela menor quantidade de oxigênio
Me disseram
Para algo dizerem
Por não terem o que dizer.

Até que um dia
Tomei duas boas taças de vinho
Em um avião
A 10.000 m de altitude.
Afundei-me na poltrona
Fiquei esperando
O azul iridescer
As nuvens abaixo
Dançarem um rock'n'roll
Um anjo embriagado 
Se sentar à minha direita
Do lado de fora
Sobre a asa do avião.

Emborquei duas boas taças de vinho
Em um avião
A 10.000 m de altitude
E fiquei esperando
A porrada de mais de um litro
Respirei fundo
Fechei os olhos
Dei meu queixo a nocaute bordô.

Entornei duas boas taças de vinho
(uma terceira, a aeromoça não me deu)
Em um avião
A 10.000 m de altitude
E foi exatamente o que me pareceram :
Somente duas taças de vinho.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carta ao Desmemoriado Amigo Fernandão

Grande e corno amigo,
abri ontem minha misantrópica caixa de e-mails e dei lá com uma mensagem tua. Há tempos não enviavas tuas minimalistas missivas eletrônicas; as reais, com folha pautada, envelope, selo, remetente etc, nunca as recebi de ti. Folgou-me saber de tua lembrança, e confesso que, a princípio, animei-me com o título de teu e-mail :  A peludinha da REVISTA PLAYBOY - Nanda Costa - Agosto/2013‏.
Abri e estavam lá tuas poucas e mal digitadas linhas :  Essa é um mimo pra vc se deliciar...........vc gosta de peluda ms q eu sei. Estilo claudia......kkkkkkkkkkk.
Começaste acertando, lacônico amigo, bem sabes de minha predileção pelo mato alto. Neste aspecto, poucos são mais ecológicos que eu. Sou pela preservação plena e irrestrita das matas de várzea, ciliar e grã-labial.
Devo dizer que não fazia a mínima ideia de quem pudesse ser Nanda Costa, mas fosse ela, como garantiste em tua fala, dona de uma portentosa caranguejeira, isso é o que menos importava. Baixei as fotos para apurada apreciação.
Decepcionei-me! Nem tanto com a glabra Nanda Costa, a quem não conhecia e de quem, portanto, não esperava grandes cousas, mas com tua falha percepção em confundir parca vegetação de caatinga com densa, úmida e quente floresta equatorial.
Confesso-te : preocupei-me!
Foste uma lenda em tua época, possuías avantajada - e justificada - fama, detinhas poderes inimagináveis para reles mortais, feito eu e o Margá; não havia kriptonita para ti.
Entristeceu-me ver-te assim, desmemoriado, olvidado do que seja um verdadeiro bucetão.
Será a idade, que avança tirana? Ou o hábito do álcool a congestionar-te as sinapses? Idade, tenho mais que ti; cerveja, poção mágica à qual me iniciaste, acredito que hoje te supere em quantidade e frequencia. Não obstantes os dois fatores considerados, ainda identifico mui bem uma verdadeira cabeluda.
Talvez a falta de sono, notória algoz da boa memória, fruto de suas noites passadas em claro nas mesas de pôquer. Sim, há de ser isso.
Cambiaste um vício por outro. Trocaste o lanoso felpudo das caranguejeiras pelo ralo e sintético feltro das mesas de baralho. Donde não consegues mais estimar com aguda precisão - longe disso, aliás - com quantos pelos se faz uma Cláudia Ohana.
Cláudia Ohana, com quem, inclusive, comparaste a imberbe moçoila Nanda Costa. Blasfêmia, caro amigo! Heresia das brabas! Claúdia Ohana é a deusa suprema da pilosidade e da bucetância. Faltaste com respeito aos deuses, velho amigo. Temo pelo castigo que advirá à tua incauta pessoa, quiçá a concretização da praga do Cristiano, o Mineiro.
Com igual desrespeito, portaram-se Nanda Costa e a produção da revista Playboy. Tendo as fotos sido feitas em Cuba, terra de Fidel, um dos barbudões-mores do planeta, Nanda Costa deveria ter recebido orientações da revista Playboy para deixar a barba crescer livre, desgrenhada e selvagem. Uma atitude de respeito para com El Comandante, e mesmo uma digna homenagem.
Porém, nada vi de barbas de Fidel nas fotos que enviaste, corno amigo. Vi bigodinhos de Hitler!
Para finalizar, reforço minha preocupação contigo e o convite feito em minha rápida resposta ao teu e-mail. Se estiveres por cá nesse próximo fim de semana, telefones para teu velho e devoto amigo, para entornarmos umas geladas, relembrarmos antigas histórias e falarmos mal da vida alheia.
Também pretendo iniciar teu tratamento de recuperação. Passar-te-ei, à socapa, à distração de nossas mulheres, a clássica edição da Playboy com a Cléo Brandão. Lembra-te dela? Pois ainda a guardo em boa e segura gaveta. Cléo Brandão é outro ícone do desmatamento zero, outra cabeluda de respeito, e que se tanto não parece às primeiras olhadas, é pelo alourado translúcido dos pelos.
Ela até perde para a Cláudia Ohana, mas dá trabalho, não perde por nocaute, não, é peleja das mais acirradas, uma disputa urna a urna, com direito a recontagem dos pentelhos e segundo turno. Quero crer que ela começará a desanuviar tua memória em relação ao que seja uma verdadeira peludona.
No mais, despeço-me em reverência e aguardo por alvissareiras notícias tuas.
Azarão, o mestre do azar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu Só Me Fodo, Graças a Deus!

O estadunidense Erik Norrie é um verdadeiro vaso ruim, um legítimo duro de matar.
Aos 10 anos de idade, o pequeno Erik foi submetido ao seu primeiro teste de sobrevivência : um raio caiu numa árvore ao seu lado e o lançou dezenas de metros pelo ar. Saiu ileso.
Três anos depois, quase perdeu a perna, vitimado por uma mordida de cobra, mas duas semanas de tratamento intensivo o deixaram pronto pra outra. 
Foi vítima, ainda, de dois ataques de macacos : um deles no Brasil, quando passava férias na Amazônia e um animal lhe deu um soco na cabeça. O outra em Honduras, quando sua mulher, em uma brincadeira, o trancou em uma jaula com uma fêmea, que prontamente pulou em seu peito e começou um ataque com suas próprias chaves. Os dois ataques foram, igualmente, sem maiores gravidades.
Sabe-se lá o porquê, mas a Natureza parece não simpatizar muito com esse rapaz.
Agora, aos 40 anos, foi atacado por um tubarão, quando praticava pesca com arpão nas Bahamas.
"Eu senti o seu tremendo poder atingir a minha perna", disse Norrie ao Daily News. "Quando eu olhei para trás, eu vi o tubarão rasgando o lado da minha perna. Ele balançava a cabeça e mastigava".
Erik Norrie conseguiu se livrar do tubarão, refugiou-se num banco de areia e improvisou um torniquete com um pedaço do arpão. Paralelo a isso, sua filha contatou médicos via rádio, que conduziram Norrie ao hospital mais próximo. Depois do quadro estabilizado, foi transferido de avião para um hospital em Miami, onde recebeu um enxerto de pele na panturrilha e já passa muito bem.
Erik Norrie não faz de seu incrível dom de sobrevivência um segredo, revela-o para quem quiser saber : "Acredito, do fundo do coração, que o Senhor foi quem me apoiou durante tudo o que aconteceu", afirmou ao "Daily News".
Deus o apoiou? Pãããããta que o pariu!!! Eu é que não quero um deus desse me apoiando. Prefiro estar por minha conta, solto e a girar a esmo nesse Universo imenso. Prefiro me arriscar com colisões de meteoros, asteroides e cometas, com emissões solares de um mol de megatons carregadas de raios-X e raios gama, com vorazes buracos negros, com choque de galáxias, com qualquer coisa, menos com esse deus protetor de Erik Norrie.
Religiosos, não fosse o sério perigo que seu fundamentalismo representa, seriam pessoas engraçadas. O cara toma no cu diversas vezes e ainda agradece a deus. Religiosos dizem que deus não lhes manda nada além do que podem aguentar. Deus olha pro sujeito e diz : aquele ali aguenta 20 cm de rola grossa. E lá vai pica!
Tô fora! Posso viver muito bem sem saber que espécies de castigos eu posso suportar. E posso viver muito bem, melhor ainda, aliás, sem deus.
Religiosos sempre dizem que são salvos de situações difíceis por deus, e que nada acontece sem que deus queira ou permita. Então, quem foi que os colocou em situações de risco antes de "salvá-los"? Deus, pois não?
Se nada acontece se não por vontade de deus, quem foi que mandou o raio na cabeça do pequeno Erik, quem pôs a cobra peçonhenta em seu caminho, e os macacos?
Deus não tá é conseguindo matar esse cara, deus tá é ficando velho, perdendo a prática.
Feito aquela história do menininho que, agachado ao lado de um formigueiro, tentava atingir as formigas com pequenas pedras. Ele jogava uma pedra, errava e dizia : "errei, porra!". Jogava outra pedra, errava de novo e repetia : "errei, porra!". Um padre que passava por perto resolveu intervir, disse-lhe que as formigas também eram criaturas de deus, que deus ficaria muito bravo caso o menininho as matasse, e que também era pecado dizer palavrões, se continuasse, deus o castigaria, o fulminaria com um raio na cabeça. O menininho nem deu atenção ao padre, jogou logo foram mais três ou quatro pedras contra o formigueiro. O céu se abriu, um clarão se fez e um raio desceu impiedoso. Bem na cabeça do padre. Irrompeu o firmamento, então, uma portentosa voz, onipresente, que parecia vir de todas as direções, e deus disse : "Errei, porra!"
É o caso desse rapaz, deus tá é errando a pontaria. 
O cara é o próprio Highlander, um Bruce Willis. Acho que para matar esse cara, só mesmo língua de sogra!

Facinho, Facinho de Acreditar...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Humanas : As Ciências Que Não São Ciências (E Alguém Ainda Achava Que Fossem?)

Sempre que posso, desço a marreta nas tais "ciências" humanas, sociologia, pedagogia, psicologia, filosofia, pedagogia e outros embustes.
Deem uma vasculhada pelo blog e verão que eu digo que as tais "humanas" não são ciências. Estão mais para doutrinas, para seitas, para religiões, baseiam-se muito mais em crenças e ícones do que em dados e evidências concretas.
E faz tempo que eu digo isso. Mas eu sou apenas o Azarão, um mero portador da Marreta. Estava faltando alguém de renome dizer o mesmo. Estava faltando alguém conceituado no meio científico tomar coragem e expor a fraude e a má-fé desses charlatães metidos a acadêmicos, revelar a inconsistência e o vazio de seus discursos falsos eloquentes, cheios de bravatas, empoados e construídos de frases feitas, de clichês que bem poderiam ser o recheio de biscoitos chineses da sorte, de citações que dariam para enfeitar os parachoques dos caminhões do planeta inteiro.
Faltava alguém de alto gabarito para dizer que as ciências humanas não são feitas de hipóteses e teorias, mas sim de dogmas. É falácia servindo de "prova" a outra falácia, são falsas (e desonestíssimas) premissas a embasarem outras falsas premissas, e assim por diante.
Francisco Daudt, médico e psicanalista, em seu novo livro, A Natureza Humana Existe (e como manda na gente), deixa os psicólogos, filósofos, pedagogos e sociológos de cabelos em pé, arrepia-lhes até os cabelos do cu. Daudt apresenta o que os evolucionistas comportamentais defendem : somos herdeiros, primeiro, da genética e, segundo, da experiência. Não nascemos uma tábula rasa - ô expressãozinha nojenta e mal-intencionada! Nojenta, mal-intencionada e um tiro pela culatra dos próprios humanistas, mais uma evidência a revelar a inaptidão deles para o verdadeiro pensamento. Explico:
Ao nos declararem, a todos, tábulas rasas, os humanistas negam a ideia (e a verdade) de que possamos nascer com conhecimentos e capacidades prévios ao nosso contato com o mundo, negam que possamos ser portadores de informações e habilidades inatas, intrauterinas, faculdades com as quais, aliás, todos os outros animais nascem.
Ao nos dizerem tábulas rasas, o humanistas fazem muito pior do que simplesmente nos decretarem idiotas congênitos, eles negam que nasçamos com uma natureza que nos é intrínseca e muito da particular, que é o que nos diferencia, o que nos define como indivíduos únicos.
Ou seja : o humanista, ao declarar as pessoas como produtos exclusivos do meio, reduz todos a uma única massa, o humanista nega o diferencial por excelência, nega o indivíduo, nega o humano.
O humanista nega a natureza humana!!! Há! Há! Há!
Contradição?
Fossem verdadeiros homens da ciência, sim. Seria uma puta duma contradição. Mas sendo "os das humanas", não, não é contradição. É só burrice, mesmo. Típica deles. E sua maior marca registrada. Só superada, talvez, pela enorme prepotência e pelo desmedido orgulho que possuem de suas próprias ignorâncias.
As verdadeiras ciências, as exatas e as biológicas, a cada dia que passa, estão mostrando o logro que são as "humanas". Hei de viver para vê-las totalmente desacreditadas, lançadas à lama, à sarjeta da Academia. Hei de viver para ver todos os "humanistas" perderem seus empregos, pela inutilidade que são os seus "serviços", hei de vê-los ter que estudar de verdade para ganharem o seu pão cotidiano.
Reproduzirei a seguir a reportagem da Folha de São Paulo sobre o livro de Daudt; em letras vermelhas, destaquei alguns trechos.

Em novo livro, Daudt combate as crenças das ciências humanas
(por Fabio Andrighetto)
As ciências exatas e biológicas são diferentes das humanas. A representação da realidade de sociólogos, filósofos, pedagogos e psicanalistas não podem ser colocadas em microscópios ou simuladas por equações. De científico mesmo, as humanidades só carregam o nome. O positivismo procurou aplicar o rigor das ciências em todas as áreas do conhecimento. A tentativa virou galhofa. 
Apesar de a argumentação ter força na visão de mundo defendida pelas ciências humanas, muitas de suas premissas são representações de uma realidade preferível. Ou seja, crenças. É mais agradável acreditar que somos livres do que biologicamente determinados, pois as consequências de pensamentos deste gênero se mostraram errôneas e historicamente desastrosas. As consequências foram desastrosas, o uso que se fez desse pensamento foi errôneo, não o pensamento em si.
O pensamento hegemônico das ciências humanas alega que nascemos "vazios" --tábula rasa-- e somos preenchidos com a cultura. Assim, comportamentos violentos, por exemplo, poderiam ser explicados como resultado do meio em que o sujeito foi criado. 
Em seu novo livro, "A Natureza Humana Existe", Francisco Daudt, psicanalista, médico e colunista da Folha, apresenta o que os psicólogos evolucionistas defendem: somos herdeiros da genética e da experiência. 
"Pense num computador", escreve Daudt. "Quando você o compra, ele já vem como um monte de programas instalados. Somos nós, quando nascemos. Depois você acrescenta outros que te interessam (seria a 'cultura')". 
Para ele, os acadêmicos negam uma parte fundamental para compreender o comportamento humano quando se recusam a acreditar que existe um fator natural, como em todos os outros animais, que também move e molda o indivíduo. 
"As influências biológicas no comportamento humano ficaram malvistas por décadas", conta. "Quando Edward O. Wilson publicou, em 1975, seu livro 'Sociologia: Uma Nova Síntese', os acadêmicos marxistas (quase uma redundância, na época) das humanidades se levantaram numa grita enfurecida, como se estivessem vendo a ressurreição do demônio". 
Defender que carregamos elementos que precedem a experiência não é novidade. René Descartes (1596-1650), pensador que inaugura a filosofia moderna, apresentou, em suas "Meditações Metafísicas", as ideias inatas. Para não pecar pelo anacronismo, é claro, o filósofo francês desconhecia os conceitos de genética que temos hoje. Porém, a psicologia evolucionista trás, em seu DNA, uma parcela cartesiana. "Embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso todo ele se origina justamente da experiência", escreve Immanuel Kant (1724-1804) em "A Critica da Razão Pura", de 1781. "Pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento e experiência seja um composto daquilo que recebemos por impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento (apenas provocada por impressões sensíveis) fornece de si mesma". 
Não dá para apostar que somos 50% genética e 50% criação. Ambas foram parcamente exploradas. Podemos dizer que, até agora, a totalidade de fatores que constituem a identidade é um mistério. Decifrar esse enigma pode estar além da nossa capacidade cognitiva. O cão correndo atrás do próprio rabo. "

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Biritis, A Cerveja do Mussum

Para Mussum, cerveja não era só cervejis, era um fitoterápico, ele chamava a loirinha de suco de cevadis. A garrafa não era só garrafis, continha um santo remédio, chamava-a de ampola, quer dizer, ampolis.
Para Mussum, era melhor melhor ser um bêbado conhecidis que um alcoólatra anonimis.
Portanto, nada mais justa - e até com grande atraso - a homenagem que um de seus filhos, Sandro Gomes, de 34 anos, vai prestar ao pai.
Daqui a duas semanas, ao completar dos 19 anos da morte do Trapalhão, será lançada uma nova marca de cerveja no mercado, a Biritis, criada por seu filho.
Segundo Sandro Gomes, a cerveja será uma maneira de limpar uma imagem "forçada" que a maioria tem do pai : "Na vida real ele não era o Mussum dos Trapalhões. Não bebia o dia inteiro. E não morreu de cirrose, ao contrário do que dizem". Mussum tinha um problema congênito no coração.
A Biritis não será uma cerveja "de massas", será um néctar diferenciado, de cor alaranjada, do tipo Vienna Lager, com baixa fermentação e 4,8% de teor alcoólico. A Biritis será produzida com as cristalinas águas de Serra Negra.
É uma cerveja mais elaborada, mas sem frescuris, garante Sandro Gomes, outro apreciador declarado de uma boa gelada, "ofício" que garante ter aprendido com o pai.
E a Biritis é apenas o começo. Em parceria com mais dois sócios , e com a produção assinada pela cervejaria Ampolis, Sandro pretende lançar outros rótulos. Cacildis e Mangueiris são duas grandes possibilidades.
Inicialmente, a Biritis será vendida em apenas 20 pontos de venda no Rio e em São Paulo. O preço não foi revelado, mas deve ser cara pra cacetis.
Não tenho a menor simpatia por as tais cervejas mais elaboradas, as ditas artesanais, é coisa de quem quer glamourizar o vício, torná-lo uma sofisticação, em suma, pura viadagem.
Mas no caso da Biritis, caso ela chegue aos mercados daqui, desembolsarei uns trocadis a mais para adquirir uma ampolis. Tomarei o néctar, é claris, mas será mais para guardar a garrafa e a tampinha, ambas estampadas com a cara do grande Mussum.
Saúdis!!!
Tampinhas da cerveja Biritis

Atualização : acabei de ver agora (07/08 - 18:10h), no caderno Pequenas e Médias Empresas do Estadão, que a Biritis terá a ampolis de 600 ml com preço sugerido entre R$ 20,00 e R$ 22,00. Cacildis!!! Pããããããta que o pariuzis!!!

Nós, Dependentes Químicos

Vício ou necessidade?
Os dois são regidos por substâncias químicas.

Dizem:
Necessitamos de água, proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas etc.

Todos eles compostos químicos
Sem cujas reposições, vamos à falência
Pelos quais, inclusive, pagamos
Pagamos cada vez mais caro.
Duvido que haja abstinências piores que a da fome e a da sede,
E mais tristes de se ver,
E mais mortais.
Agricultores, pecuaristas, granjeiros, donos de supermercado, de açougues, de padarias, de restaurantes, os departamentos de água e esgoto
São os traficantes de nossas necessidades.
Isso sem dizer do gás oxigênio
Pelo qual - ainda - não pagamos
Mas hão de arrumar jeito
Futuramente, ser mercador de oxigênio será o tráfico mais rentável jamais criado.

Dizem :
Podemos nos viciar em tabaco, álcool, ópio, maconha, heroína, cocaína etc.

Podemos...

Os vícios são guloseimas químicas opcionais;
As necessidades, categóricas.

A necessidade é o vício obrigatório;
O vício, a necessidade facultativa.

A necessidade é a alucinação geral, imperativa, reducional;
O vício, o delírio particular, manuseável, distintivo.

Sempre respeitei muito mais as singularidades.

domingo, 4 de agosto de 2013

O Reencontro Entre Ele-Que-Não-Era-Ele e Ela-Que-Não-Era-Ela

Ia vinte e poucos amarelados anos que ele não a via. Desenhou no rosto à sua frente o que julgou que o tempo houvesse cinzelado no rosto do qual se lembrava, acrescentou-lhe dosadas quantidades de luz e sombras : marcas de alegrias e pesares, de festas e funerais, de êxitos e malogros, de casamentos felizes e duas ou três separações litigiosas, de filhos não programados ou da vontade não realizada de tê-los, algumas rugas em torno dos olhos e da boca, alguns cabelos brancos cobertos por tintura, umas discretas papadas sob os olhos e o pescoço.
Não concluiu que fosse realmente ela. Resolveu arriscar : 
- Andréa?
Andréa fora uma grande amiga dele nos tempos da faculdade, o tipo de amiga por quem ninguém deveria se apaixonar. E ele se apaixonou. Manteve o dolorido segredo por muito tempo, ou pelo que lhe pareceu um enorme tempo na época, mas quando começou a ver nela sinais de reciprocidade - sinais que só ele via -, declarou-se. Não ganhou uma namorada, uma amante, ganhou uma amiga que cada vez mais se distanciou.
- Sim, sou a Andréa - ela respondeu.
Não era. Mas Andréa-que-não-era-Andréa reconheceu no rosto à sua frente, depois de acrescentar-lhe as mesmas dosadas porções de luz e sombras que o seu havia recebido, o rosto de Victor.
Victor fora um amor seu da adolescência, que a preterira, na ocasião, por uma moça de nome Andréa.
- Sim, sou a Andréa - reforçou Andréa-que-não-era-Andréa a Victor-que-não-era-Victor.
Seguiram-se, então, uns trinta ou quarenta minutos de curiosidades trocadas, à guisa de atualização. Um perguntando pela vida do outro.
As respostas dadas por ela, os caminhos tomados, não coincidiam com as respostas que ele pensara em ouvir de Andréa, com os caminhos que ela pudesse ter seguido.
As respostas dadas por ele, os caminhos pelos quais precisou se desviar, não coincidiam com as novidades que ela pensara em ouvir de Victor, com os rumos em que ele pudesse ter se encontrado.
Andréa e Victor não se reconheciam, é verdade. 
Andréa-que-não-era-Andréa e Victor-que-não-era-Victor, porém, reconheceram-se na mesma hora, imediata e intensamente.
Victor-que-não-era-Victor convidou-a para ir ao mesmo cinema em que estivera algumas vezes com Andréa.
- Lembra desse cinema? - Victor-que-não-era-Victor perguntou-lhe.
Andréa-que-não-era-Andréa não se lembrava, mas como era Andréa, respondeu :
- Lembro, claro que me lembro.
Em seguida, Andréa-que-não-era-Andréa levou Victor-que-não-era-Victor à mesma sorveteria onde, por vezes, sentara-se com Victor.
- Lembra dos sabores que sempre pedia? - perguntou Andréa-que-não-era-Andréa.
Victor-que-não-era-Victor  não se lembrava, mas Victor que ela o olhava, lembrou-se.
- Uma bola de ameixa e uma de pistache.
À Andréa-que-não-era-Andréa, não pareceu ser um pedido que Victor teria feito, mas ela era Andréa, então o pedido de Victor-que-não-era-Victor lhe pareceu totalmente plausível; lembrou-se, Andréa-que-não-era-Andréa, de que era justamente isso o que Victor sempre pedia, ameixa e pistache.
Caminharam, após, por horas, madrugada afora, pelas ruas do centro da cidade. E aí, não foram necessárias nem mais perguntas nem mais fadigas à memória para que se lembrassem de algo.
Andréa-que-não-era-Andréa já houvera mesmo caminhado por diversas vezes com Victor pelas ruas de madrugada, como amigos, a esperar por um beijo à despedida, que Victor nunca tivera vontade de lhe dar;
Victor-que-não-era-Victor também já caminhara repetidas vezes com Andréa pelas ruas de madrugada, como amigos, a esperar, à despedida, pela coragem de dar em Andréa um beijo, que ela nunca pediu.
(Talvez, em suas andanças, Andréa-que-não-era-Andréa e Victor  já tenham até se cruzado, em calçadas e sentidos opostos da mesma rua, com Victor-que-não-era-Victor e Andréa.)
Ao fim da caminhada, Andréa-que-não-era-Andréa e Victor-que-não-era-Victor não se despediram. Tiveram mais vontade do que Victor jamais tivera de beijar Andréa-que-não-era-Andréa e muito mais coragem do que Victor-que-não-era-Victor jamais se investira para beijar Andréa : beijaram-se.
Depois de 20 e tantos anos, na casa e na cama de Victor-que-não-era-Victor, conduzidos por Andréa-que-não-era-Andréa, Andréa e Victor finalmente treparam. E adormeceram juntos.
O resto tornou-se insignificante. O resto era só a realidade.
A realidade pura e besta.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Berlusconi é o Al Capone das Bucetas

Tanto fizeram que conseguiram condenar o ex-premiê Silvio Berlusconi ao xilindró, a uma  pena de um ano de prisão.
A condenação, porém, não se deu pelos motivos que alegrariam os falsos moralistas italianos, que levariam as feministas frígidas, encruadas, recalcadas e suvacudas, inimigas juramentadas de Berlusconi, ao gozo 44 bico largo supremo.
Berlusconi não foi condenado por ter passado a vara em Ruby, biscate supostamente menor de idade à época de seu affair com o premiê, mas que já era puta conhecida nas altas rodas europeias, que já tinha mais horas de cama que urubu de voo.
Não foram as festas bunga-bunga, verdadeiras orgias romanas promovidas por Berlusconi, e por cujos suntuosos recintos circulavam as putas mais caras e apetitosas do planeta, que colocaram Il Cavaliere atrás das barras da lei.
Bem que tentaram condená-lo por ser um macho das antigas, um dos últimos bastiões da virilidade nesse nosso estranho mundo atual. Bem que tentaram condená-lo aqueles que nunca foram convidados para as suas bacanais, aqueles que morriam de inveja por não desfrutarem dos mesmos pratos que o premiê, e aquelas que nunca lhe apeteceram o apetite de antigo imperador romano.
Mas a inveja é uma merda, alguém já disse uma vez; o povo quer a cabeça de quem ele não pode ser.  Se não vai de um jeito, vai de outro. Berlusconi foi condenado por fraude fiscal.
E aí, lembrou-me muito o caso do Al Capone.
Al Capone é até hoje o gângster mais emblemático da história dos EUA. Foi o rei do crime nas décadas de 1920 e 1930, liderou as principais atividades criminosas durante o período da Grande Depressão americana e da Lei Seca.
Capone dedicou-se ao contrabando e à venda ilegal de bebidas, dominava clubes noturnos, destilarias e cervejarias. E mais, controlava informantes, pontos de apostas, casas de jogo, bordéis, bancas de apostas em corridas de cavalos, subornava, extorquia, assassinava.
Nunca conseguiram pegá-lo por tais crimes. Foi preso por sonegação de impostos. Capturado pelo agente federal Elliot Ness, que nunca teve nada do heróico caçador de gângsters retratado no cinema. Ness era um burocrata do FBI, não um xerife do velho oeste vestido com sobretudo, não foi com uma metralhadora que ele capturou Al Capone, foi com canetas, carimbos, notas fiscais, planilhas. Al foi pego à covardia, podemos dizer, por um escriturário nada valoroso.
Berlusconi foi acusado de incentivo à prostituição e corrupção de menores : nada conseguiram provar contra ele. Condenaram-lhe por fraude fiscal, sonegação de impostos. Pããããata que o pariu!!!!
Berlusconi é o Al Capone das bucetas!!!
Acontece que Berlusconi já conta com 77 anos, idade que impede sua prisão em uma cadeia convencional, em regime totalmente fechado. Assim, terá que escolher entre realizar serviços comunitários ou permanecer em prisão domiciliar.
Um parênteses : o cara não tem mais idade para ser preso, mas ainda tem vigor suficiente para traçar a putada; realmente... algumas pessoas vivem num mundo muito melhor que o nosso.
O ex-premiê tem até o mês de outubro para decidir de que forma cumprirá sua sentença, mas já se pronunciou : "Não aceitarei prestar serviços comunitários como um criminoso que deve ser reeducado".
Tudo indica, portanto, que Berlusconi ficará preso por um ano em seu domicílio. Ele pode pedir ao tribunal para ser detido em qualquer uma de suas casas, e "prisões" não lhe faltam para escolher. Algumas delas :

Villa Certosa : localizada no nordeste da Sardenha, com uma área de 120 hectares, mais que o dobro do Estado do Vaticano. Possui um lago e um vulcão artificiais, sete piscinas, uma estufa de orquídeas e milhares de palmeiras, cactos e plantas raras;
Villa San Martino : 3.500 m², localizada perto de Milão, tornou-se famosa na Itália pelas festas "bunga-bunga", organizadas pela "Il Cavaliere" com meninas muito jovens e bonitas;
Villa Torno : às margens do Lago de Como, tem 3.000 m² de jardim, uma quadra de tênis e vizinhos famosos, incluindo o ator George Clooney;
O Palácio Graziolli : residência de Berlusconi em Roma. Localizado no centro de Roma, pertence a uma antiga família da nobreza italiana. Ele aluga a maior parte do local e ali foi instalado um estúdio de televisão para gravar suas mensagens. Em seu quarto tem uma cama com dossel, presente do presidente russo, Vladimir Putin, de acordo com as declarações das meninas que frequentavam o local.

Quero me colocar desde já, bisneto de carcamano que sou, à disposição do governo italiano. Caso ainda não tenha sido designado nenhum, ofereço-me para ser o carcereiro de Berlusconi, disponho-me a vigiar severamente e a atender religiosamente o ex-primeiro ministro no que lhe for de necessidade, levar-lhe refeições, jornais, livros e revistas, CDs e DVDs e, lógico, nos dias de visita, as meninas bunga-bunga.
Sabem como é, sempre sobra uma "gorjetinha" pro carcereiro.
Berlusconi é também um polêmico frasista. Abaixo, uma de suas declarações, quando do início do envolvimento de seu nome no escândalo sexual Rubygate.
Dá-lhes vara, Berlusconi !!!
(De acordo com uma pesquisa, quando perguntado se elas teriam feito sexo comigo, 30% das mulheres disseram "SIM", enquanto as outras 70% responderam "mas de novo?")

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vasilhames Vazios

Não encontro mais 
Minha poesia no fundo da garrafa
Nem mais ela se deixa transparecer
Desnuda 
Peituda
Pelo biombo âmbar
Do "casco" de cerveja.

A poesia estava não no interior
Mas no que rodeava a garrafa :
Na pouca idade
Na ingenuidade
Na burrice, até
Na vida que ainda se decidia.
Na briga que já nos era perdida
Mas que achávamos que podíamos ganhar
(A ilusão de que éramos melhores
Do que os que nos antecederam)
No riso bêbado do amigo
Por quem morreríamos à época
E hoje nem sabemos onde está
Nem imaginamos a quais sobriedades 
Ele já teve que se sujeitar.

Olho pelo gargalo de minha garrafa
E não encontro minha poesia.
É a "Jeannie É Um Gênio"
Que resolveu se emancipar
Abandonar minha cozinha, 
Queimar o sutiã
Deixar crescer pelo no suvaco.
É o Saci que fugiu para algum quilombo
Que resolveu redemoinhar em outros capoeirões de ideias
Cabriolar em outras folhas em branco
Em outras esferográficas.

Sem batalhas perdidas
Sem gênio nem Saci
Não há poesia.
Somos só eu e minha garrafa :
Dois vasilhames vazios.

Uma Elegia À Cláudia Ohana (18)

 "...E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar.."