domingo, 26 de outubro de 2014

sábado, 25 de outubro de 2014

Eles Sabiam de Tudo (e alguém, algum dia, acreditou que eles não soubessem?)

“…Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:
— O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.
— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.”

Fosse o Brasil um país realmente sério, o pleito de domingo (26/10) seria disputado entre Aécio Neves e Michel Temer. Mas é claro que as autoridades não agirão a tempo. Ainda assim, se fosse o brasileiro médio um sujeito decente, eu estaria tranquilo, o impeachment de Dilma se daria nas urnas, o PT seria escorraçado via voto popular. Depois, a Justiça teria todo tempo para agir.
Acontece que o brasileiro não o é. O brasileiro tem alma de mendigo, de pedinte, de esmoleiro, de vagabundo, mesmo. E depois de 12 anos vivendo no bem-bom, comendo e bebendo de graça, coçando o saco o dia inteiro e fazendo mais filhos para aumentar o gado eleitoral do PT, ingressando em universidades via cotas etc etc, acham mesmo que o brasileiro vai colocar seus padrinhos para fora do Planalto? Eu bem que queria ter essa certeza.
O PT conseguiu transformar as novas gerações em uma massa de moloides, sem iniciativa, sem o menor instinto de competição, jovens que ficam esperando tudo lhes cair do céu, melhor, dos tais "programas sociais".
Voltamos, se é que um dia deixamos de, a ser índios extrativistas, aos quais a natureza tudo provinha. Ele ia no rio e pegava o peixe, andava na mata e pegava os frutos, muito mal plantava lá a sua rocinha de mandioca. O índio não desenvolveu nenhuma disciplina, nenhum método de produção ou trabalho. Ele não precisava. Sorte dele. Mas pelo menos nenhum índio vivia às custas do outro. E hoje há um contingente enorme de brasileiros vivendo às expensas de quem trabalha, uma legião enorme e crescente de parasitas sociais.
O jovem de hoje está com esse mesmo pensamento extrativista, e dou como exemplo apenas o que sei. Ele não estuda e a nota lhe é dada por lei, sua aprovação é automática, queiram ou não os professores e diretores de escolas e ainda que briguem contra e inutilmente alguns. Ele não se dedica aos estudos e a vaga na universidade acaba lhe sendo dada através de uma série de programas que vão adicionando pontos e porcentagens ao seu resultado no vestibular. Só por ele ter estudado em escola pública. Só por que ele é um "coitadinho".
Dou aula em uma escola pública de classe média em que a grande maioria dos alunos tem boas condições de vida. Todos estão sempre muito bem vestidinhos com as marcas da moda, com seus tênis caros, com seus celulares de último tipo etc. Ou seja, com raras exceções, é um alunado que não tem desculpa para não estudar, mora bem, não passa fome.
Pois ontem, ouvi de uma aluna - e uma das mais dedicadas da sala - que, apesar de ainda não votar, ela prefere que Dilma seja reeleita. Perguntei-lhe o porquê. Disse-me que, caso não consiga entrar numa universidade pública e nem tenha dinheiro para pagar uma particular, sabe que o PT dá bolsas de estudo através do ProUni.
E você já pensou em trabalhar para pagar a sua faculdade, ou, pelo menos, um ano de cursinho para tentar de novo uma vaga pública? - perguntei. A risadinha de pouco caso que ela deu foi resposta suficiente. 
Claro que o PSDB, caso eleito, não pretende acabar com ProUni, Bolsa Família etc etc, e ainda que um dia venha a pretender, o buraco é mais embaixo, teria que passar pela Câmara, pelo Senado e tudo mais, mas o brasileiro sabe disso? Claro que não. Se informar, ler a respeito dá muito trabalho.
Vou votar em Aécio, sim. Mas ainda acho que Dilma se reelegerá. O povão é preguiçoso, é encostado, adora ser apadrinhado pelos poderosos, adora lhes beijar as mãos sujas e corruptas e lhes pedir a benção. Lula e Dilma sabem disso. Eles sempre souberam. Eles sabiam de tudo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Todo Castigo Para Corno é Pouco (4)

Alípio Martins, cantor, compositor e produtor musical paraense, foi um dos expoentes do brega no Brasil e, consequentemente, da música de corno. Pois o brega é o verdadeiro macho sensível sem ser viado, o brega escancara sua dor como só um verdadeiro cabra macho teria coragem de fazer. O brega não esconde o chifre, canta-o em prosa e verso.
Morto aos 52 anos por  um câncer no estômago, Alípio Martins legou à MPB um dos maiores acervos de músicas do bom e velho chifre. Abaixo um de seus clássicos:
Lá Vai Ele
(Alípio Martins)
Lá vai ele
Com a cabeça enfeitada
Sem saber que a sua amada
Lhe traiu com outro alguém

(Lá vai ele
Com a cabeça enfeitada
Sem saber que a sua amada
Lhe traiu com outro alguém)

Já não sei mais o que faça
Já estou preocupado
Algo está acontecendo

Onde o meu amigo passa
Ficam todos cochichando
Sinto que estão querendo
 Lhe dizer alguma coisa
Sobre a sua pessoa
Ou então do seu amor

Mas ele não está gostando
E fica todo sem graça
Quando escuta alguém cantando...

Lá vai ele
Com a cabeça enfeitada
Sem saber que a sua amada
Lhe traiu com outro alguém

(Lá vai ele
Com a cabeça enfeitada
Sem saber que a sua amada
Lhe traiu com outro alguém)
Lá vai ele...

Fora PT, por Marco Antonio Villa

Publicado na Folha desta quinta-feira
"Estamos vivendo o processo eleitoral mais importante da história da República. Nesta eleição está em jogo um mandato de 12 anos. Caso o PT vença, estarão dadas as condições para a materialização do projeto criminoso de poder –expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão.
Em contrapartida, poderemos pela primeira vez ter uma ruptura democrática –pelo voto– com a vitória da oposição. Isso não é pouco, especialmente em um país com a tradição autoritária que tem.
O PT não gosta da democracia. Nunca gostou. E os 12 anos no poder reforçaram seu autoritarismo. Hoje, o partido não sobrevive longe das benesses do Estado. Tem de sustentar milhares de militantes profissionais.
O socialismo marxista foi substituído pelo oportunismo, pela despolitização, pelo rebaixamento da política às práticas tradicionais do coronelismo. A socialização dos meios de produção se transformou no maior saque do Estado brasileiro em proveito do partido e de seus asseclas de maior ou menor graus.
Lula representa o que há de mais atrasado na política brasileira. Tem uma personalidade que oscila entre Mussum e Stálin. Ataca as elites –sem defini-las– e apoia José Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros. Fala em poder popular e transfere bilhões de reais dos bancos públicos para empresários aventureiros. Fez de tudo para que esta eleição fosse a mais suja da história.
E conseguiu. Por meio do seu departamento de propaganda –especializado em destruir reputações–, triturou Marina Silva com a mais vil campanha de calúnias e mentiras de uma eleição presidencial.
Dilma nada representa. É mera criatura sem vida própria. O que está em jogo é derrotar seu criador, Lula. Ele transformou o Estado em sua imagem e semelhança. Desmoralizou o Itamaraty ao apoiar terroristas e ditadores. Os bancos e as estatais foram transformadas em seções do partido. Nenhuma política pública foi adotada sem que fosse tirado proveito partidário. A estrutura estatal foi ampliada para tê-la sob controle, estando no poder ou não.
A derrota petista é a derrota de Lula. Será muito positiva para o PT, pois o partido poderá renovar sua direção e suas práticas longe daquele que sempre sufocou as discussões políticas, personalizou as divergências e expulsou lideranças emergentes. Mas, principalmente, quem vai ganhar será o Brasil porque o lulismo é um inimigo das liberdades e sonha com a ditadura.
Daí a importância de votar em Aécio Neves. Hoje sua candidatura é muito maior do que aquela que deu início ao processo eleitoral.
Aécio representa aqueles que querem dar um basta às mazelas do PT. Representa o desejo de que a máquina governamental esteja a serviço do interesse público. Representa a disposição do país para voltar a crescer –de forma sustentável– e, então, enfrentar os graves problemas sociais. Representa a ética e a moralidade públicas que foram pisoteadas pelo petismo durante longos 12 anos.
Cabe aos democratas construir as condições para a vitória de Aécio. Não é tarefa fácil. Afinal, os marginais do poder –outra expressão utilizada no julgamento do mensalão– tudo farão para se manter no governo. Mas o país clama: fora PT!"
Fora PT

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Heróis da Resistência (IV)

Ernesto Geisel
Mandato: 15/03/1974 a 15/03/1979
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- propôs a abertura política desde que fosse "lenta, gradual e segura"
- aumentou o mandato de presidente de 5 para 6 anos
- criação do senador biônico
- alta da inflação e dívida externa
- restauração do habeas corpus e fim do AI-5

- criação do Pró-álcool, até hoje o maior programa do mundo de combustível alternativo ao petróleo.
- início da construção da hidrelétrica de Itaipu, na época, a maior hidrelétrica do mundo; hoje é a segunda, perde para a de Três Gargantas, na China

Uma curiosidade. Geisel, ao iniciar o processo de abertura política, fez uma profecia de nostradâmica precisão : “Se é vontade do povo brasileiro, eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade da Ditadura Militar. Pois muitos desses que lideram o fim da ditadura não estão visando o bem do povo mas sim seus próprios interesses”.

Heróis da Resistência (III)

Emílio Garrastazu Médici
Mandato: 30/10/1969 a 15/3/1974
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- repressão política; 
"Anos de Chumbo" 
- exílios, tortura, prisões, desaparecimento de pessoas - todos "inocentes", 
- combate aos movimentos sociais e censura.
- "Milagre Econômico" - forte crescimento do PIB
- propaganda patriótica

Heróis da Resistência (II)

Arthur da Costa e Silva
Mandato: 15/3/1967 a 31/8/1969
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- Ato Institucional nº 5 (AI-5)
- política econômica voltada para o combate da inflação e expansão do comércio exterior.
- investimentos nos setores de transporte e comunicações
- reforma administrativa

Heróis da Resistência (I)

Nunca houve grupos revolucionários de resistência ao Governo Militar (1964-1985) com o nobre intento de instalar a liberdade e a democracia em cabralinas terras.
Houve, sim, muitos grupos revolucionários dotados de uma ferocíssima gana de perpetrar uma ditadura comunista, verter o Brasil numa grande Cuba. Em correspondências trocadas entre a súcia esquerdista, a palavra "democracia", ou mesmo o seu conceito, nunca aparecia, era sempre a tal "ditadura do proletariado".
Sim, houve resistência no período entre 1964 e 1985, mas não foi exercida pela malta vermelha que hoje atende genericamente pelo nome de PT, sim pelas valorosas Forças Armadas Brasileiras, pelos militares. Os militares são os verdadeiros heróis da resistência.
Ao contrário do que querem nos fazer acreditar os livros de história, sociologia etc e seus respectivos professores, a luta armada de esquerda não surgiu em resposta à tomada do poder pelos militares. Sim o oposto : os militares tomaram o poder para combater as atividades criminosas que tais grupos já praticavam desde inícios da década de 1960 - o mais famoso deles, o VAR-Palmares, bando exímio em sequestros, assaltos a banco, roubo de armas, assassinato etc e de cujas entranhas surgiu Dilma Rousseff, a nossa estimada "presidenta".
E não importam os motivos que esses baderneiros aleguem para tal atos, tentando torná-los justificáveis, tampouco as falácias que tentam apregoar, o que sei é que sequestro, assalto a banco, roubo e assassinato, são crimes em qualquer país do mundo, seja qual for o regime de governo vigente.
Ah, mas houve mortos, torturados, desaparecidos... dirão alguns. Sim, houve mortos, torturados e desaparecidos. De ambos os lados, inclusive. Era uma guerra, afinal. Porém, uma guerra que não foi iniciada pelos militares, apenas combatida por eles, como é da função e do treinamento de todo bom militar. O militar é preparado para dar porrada mesmo e aniquilar com os inimigos da nação. Será que alguém, hoje em dia, depois de toda a podridão praticada pelo PT, ainda duvida de que eles sejam inimigos da nação?
Os militares podem ter - e têm - muitos defeitos, mas são infalíveis em um aspecto, em identificar o inimigo. A mesma coisa que os militares disseram em 1964, que esses grupos de esquerda eram criminosos, o STJ de um Estado agora democrático, na ilustre figura de Joaquim Barbosa, cinquenta anos depois, chegou à mesma conclusão : quadrilheiros.
Repito : os militares são os verdadeiros heróis da resistência do Brasil.
Assim, através dessa série de 5 postagens, o Marreta presta sua homenagem e externa seu agradecimento aos heróis verdes-oliva.
O primeiro deles, Castelo Branco.
Castelo Branco
Mandato: 15/04/1964 a 15/03/1967
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- cassações políticas
- fim da eleição direta para presidente, 
criação do bipartidarismo
- limitação de direitos constitucionais
- suspensão da imunidade parlamentar

Heróis da Resistência (V)

João Baptista Figueiredo
Mandato: 15/03/1979 a 15/03/1985
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- início da transição para o sistema democrático
- restabelecimento do pluripartidarismo
- crise econômica, greves, protestos sociais
- restabelecimento das eleições diretas para governadores dos estados

Em tempo : não sei até que ponto procede, mas já ouvi algumas vezes uma história sobre Figueiredo. Dizem que quando foi assinar lá o decreto, o acordo, sei lá, para promover a transição a um Estado democrático, Figueiredo, antes de dar a canetada, teria se desculpado pela merda que estava prestes a fazer. E fê-la. Antes de ser um Presidente da República, ele era um bom soldado. E cumpria ordens.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Namorada de Chico Buarque Receberá Verba do PT Para Gravar CDzinho e Fazer Showzinho

Chico Buarque, na minha modesta opinião, é o maior letrista que já houve na MPB, e outro não haverá a equipará-lo. O cara é foda! Foi mais fodão nos anos 70 e 80, é verdade, mas continua foda.
Tenho uma caralhada de discos do Chico, tudo em vinil. Certas músicas, não obstante ouvidas centenas de vezes, arrepiam-me até hoje. Arrepiam-me mesmo, não é modo de dizer, não é uma figura de linguagem.
Fora isso, o seu enorme talento poético e musical, esqueçam Chico Buarque. Fora isso, ele é um grande dum hipócrita, do mesmo naipe dos políticos cujas candidaturas sempre apoiou.
Nos anos 60 e 70, assim como grande parte da "intelectualidade" brasileira, era um baba-ovo (talvez ainda seja) de Cuba, Fidel e sua ditadura sanguinária. Como um sujeito pode dizer que lutou e foi perseguido pela ditadura em seu país e, ao mesmo tempo, apoiar uma ditadura em pátria alheia? Não pode, simplesmente não pode. Ditadura no cu dos outros é refresco, Chico, é isso? Ditadura de direita é ruim e ditadura de esquerda é boa, Chico, é isso? Quando se exilou, por que não foi buscar abrigo sob as auspiciosas barbas do Tio Fidel, por que não se exilou em Cuba? Chico foi para Roma, uma das cidades mais belas e culturais do mundo. Caetano e Gil foram para Londres. Esses caras se exilaram em cartões-postais. Chico Buarque ama Cuba, porém, passa a maior parte do ano em seu apartamento em Paris.
Quando, então, ele abre a boca para falar das desigualdades sociais do país, dá vontade de chorar. De raiva. Chico Buarque nasceu elite. Intelectual e financeira. Sorte dele. Queria eu também ter assim nascido. Não entende porra nenhuma de povão, nunca lidou com o povão, não conhece o cheiro do povão. Sorte dele.
Chico Buarque apoiou as candidaturas de Lula e Dilma. Teve sua irmã, Ana de Hollanda, nomeada Ministra da Cultura, ministério que, em 2012, concedeu a Chico um subsídio, uma grana oficial para "ajudá-lo" a bancar a tradução do livro “Leite Derramado” para o idioma coreano, uma forcinha para o cantor vender sua obra em parte do mercado asiático. Tadinho do Chico... Tão necessitado...
Chico é sogro de Carlinhos Brown, que também passeia muito à vontade, com muita desenvoltura pelas celestes esferas do poder. Em vésperas da Copa de 2014, foi dada a Brown a nobre incumbência de "projetar" o que seria o instrumento musical oficial do Copa do Mundo, a Caxirola. Brown nada mais fez que pegar um chocoalho usado em rodas de capoeira e confeccioná-lo em plástico e com bolinhas de vidro em seu interior, ao invés de palha e pedras. Pela genialidade, Brown enfiou um milhão de reais no bolso.
Bebel Gilberto, filha de João Gilberto e Miúcha, portanto, sobrinha de Chico, também foi uma das contempladas pela canalha Lei Rouanet : R$ 1,9 milhões.
E agora, Chico volta a fazer propaganda para o PT. Diz que votou pela primeira vez em Dilma influenciado por Lula, mas que nesse pleito votará em Dilma pelo governo que ela realizou. Fiquei pensando : o que Chico irá ganhar com isso?
Hoje, deparei-me com a resposta, ou, ao menos, com parte dela : a namoradinha de Chico, a dita cantora Thaís Gullin, que podia ser sua bisneta - sorte dele, de novo -, receberá verba pública de 800 mil reais para gravar um novo CD e organizar sua turnê por oito capitais brasileiras. Será coincidência a moça ser a namoradinha do velho Francisco?
Ai, que vida boa, olerê
(né, Chico?)
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

E Pensar Que Eu Já Tive Tesão Pela Dilma

A semelhança é desgraçadamente inequívoca : Suzy Rêgo está a cópia cuspida e escarrada de Dilma Rousseff; cara de uma, cu da outra.
O tempo é algoz para com algumas mulheres. Brigitte Bardot, uma das belezas mais helênicas e irretocáveis de todos os tempos, tornou-se um autêntico maracujá de gaveta em sua maturidade. De gaveta, não. Maracujá da tumba do Tutankamon!
Para Suzy Rêgo, o tempo reservou destino ainda mais cruel : transformou-a em Dilma Rousseff!
Bem me lembro de Suzy Rêgo surgindo em fins da década de 80 na novela Top Model, toda gostosinha, cabeleira selvagem, com aquela voz rouca de travesseiro... Foi um dos grandes tesões da estação. Muitas "homenagens" prestei ao rego da Suzy Rêgo. E ela parece a Dilma.
Pããããta que o pariu!!! Pensar que já tive tesão pela Dilma!
E aí foi aquela história : o tempo passa, o tempo voa, e a Suzy Rêgo não continuou a ser boa. Embuchou. Barangou. Pior : endilmou!
Embora triste e melancólico, o endilmamento de Suzy Rêgo serve ao menos para explicar um dos maiores mistérios do Universo : o embichamento de José Mayer.
Até hoje, nenhuma pista tinha me surgido do que teria levado um ator como José Mayer - consagrado, sólida carreira, talento inquestionável, e o maior pegador, o maior comedor, o maior passador de rodo, o maior encaçapador de buceta da história da teledramaturgia brasileira - a interpretar um viadão enrustido, uma biba velha, na corrente novela da Globo da faixa das 21 horas.
Creio ter descoberto a possível causa : o endilmamento de Suzy Rêgo afrouxou as pregas do Zé Mayer.
Explico : dias desses, sei lá por qual via, fiquei sabendo que o personagem de Zé Mayer é um sujeito de meia-idade, profissional bem-sucedido, bom pai e casado há mais de vinte anos. Casado com quem, porém? Aí é que a porca torce o rabo. Com a Suzy Rêgo. Imaginem a mortificação do sujeito : o cara se casa com a delícia da Suzy Rêgo, o tempo vai correndo, a vida vai passando e, num belo dia, o cara acorda ao lado da Dilma Rousseff. Casou com a Suzy Rêgo e acordou com a Dilma.
Pããããta que o pariu!!!! Dá pra tirar qualquer um do prumo, dá pra despirocar as ideias do cara.
Portanto, entendo e sou solidário ao seu drama e ao seu trauma, Zé Mayer. Mas daí a começar a dar a bunda? Mas daí, como diria meu grande amigo Odair, trocar uns peitos suculentos por uma bunda cabeluda? Não é para tanto, meu amigo, não é para tanto.
Não quer mais a Dilma? Basta não reelegê-la, Zé Mayer. Desfilie-se do partido, saia em busca de novas coligações. Mas dar a bunda? Não é para tanto, não é para tanto.
Suzy Rêgo, antes do endilmamento.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Direita, Volver!

Nunca aqui no blog, ou em qualquer outro lugar, real ou virtual, situei-me politicamente, defini e finquei meus pendores ou posicionamentos ideológicos, se de direita ou de esquerda. Até agora.
Em parte, porque sinceramente nunca consegui ver claras diferenças de pensamento e atitudes entre os ditos de direita e os ditos de esquerda; pelo contrário, é muito comum vermos políticos declaradamente de direita a fazer pronunciamentos, muitas vezes, de esquerda, e vice-versa. É a famosa farinha do mesmo saco.
E em parte, e principalmente, porque nunca tive elementos concretos de vivência (e eu não estou interessado em nenhuma teoria...) sob os dois tipos de regime, para poder compará-los. Até agora.
Nasci em 1967, dentro de um regime de extrema direita, o regime militar (1964-1985), que foi sucedido pela Nova República, um regime que se definia de centro, os em cima do muro, mas com claros pendores à direita, um regime de centro-direita. Como eu disse, ainda sem elementos de comparação. Até 2002, quando a chamada esquerda brasileira, final e desgraçadamente, assumiu o poder federal e começou a nos mostrar as suas verdadeiras fuças.
Doze anos de um governo de esquerda, doze anos de uma quantidade gigantesca de dados para tecer paralelos e, tranquilamente, vos digo : sou de direita! A esquerda brasileira conseguiu definir-me politicamente : sou de direita! Em sendo o PT a esquerda que nos cabe, em sendo o PT a esquerda que se nos apresenta, não tenho titubeios : sou de direita! Destro até à medula!
O uso político dos termos "direita" e "esquerda" surgiu na Revolução Francesa. Durante os debates sobre a Constituição, os deputados ligados à aristocracia e aos defensores da monarquia constitucional, bem como os membros da alta burguesia, sentavam-se à direita do plenário, e os simpatizantes da revolução acomodavam suas mal lavadas bundas francesas nas cadeiras à esquerda.
Consenso geral, ou melhor, senso comum, a esquerda inclui progressistas, sociais-liberais, ambientalistas, social-democratas, socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, secularistas, comunistas e anarquistas, enquanto a direita congrega fascistas, conservadores, reacionários, neoconservadores, capitalistas, neoliberais, monarquistas, teocratas e nacionalistas.
Uma definição claramente tendenciosa, uma classificação claramente elaborada pelos de esquerda, que se consideram o suprassumo da criação, a quintessência da humanidade.
Pois eu vejo a coisa de modo um pouco diferente. Os de direita que conheço são aqueles que trabalham responsavelmente (e desde de tenras idades), que cumprem com suas obrigações profissionais, pessoais e familiares, que pagam seus impostos, que conquistam - e muito justamente - seu pequeno patrimônio, suas propriedades, são aqueles que, mesmo às vistas de um quase irrisório progresso, pautam-se pela ordem. 
Os de esquerda que conheço são aqueles que querem ter tudo o que os de direita conquistam, mas sem trabalhar, sem terem responsabilidades, método ou disciplina em suas vidas; os esquerdistas querem tudo o que os direitistas têm, mas não na base do esforço, sim na base da "justiça social". Os de esquerda se esgoelam por uma mais justa divisão de rendas. Rendas de quem, cara-pálida? Dos outros, claro. O esquerdista está de olho é na renda do outro. Jamais cogita em ter sua própria renda e com ela incrementar o bolo a ser bem e salomonicamente dividido. Divisão de renda no cu dos outros é refresco.
Claro que, em minha longínqua adolescência, tentei ser doutrinado pelos da esquerda. Sempre tinha aquele professor de história, filosofia, sociologia e outros que tais, barbudos, cabeludos, encardidos, querendo fazer nossa cabeça contra a direita, querendo nos arrebanhar para a manada vermelha. E, confesso, algumas vezes, sofri leves influências, cheguei a votar no PT, no Suplicy e no jurista, não sei se ainda vivo, Hélio Bicudo.
Mas meu lema sempre foi : o que sei é o que vi e vivi.
E o que sei e me lembro do período militar é do meu pai, vindo já quase um adulto da zona rural para a cidade. Começou lavando peças de trator, fez o "madureza", que era o supletivo da época, fez cursos de mecânica, passou de lavador de peças a mecânico, estudou mais, passou a representante comercial, concomitantemente, trabalhava o dia todo, construiu uma bela casa, fez faculdade de administração e de economia, e foi promovido a gerente de seu departamento. Hoje, ele não faria nem para pagar o mais reles aluguel de uma casa decente. E se hoje ele não vive confortavelmente, ainda que de forma frugal e modesta, de sua dilapidada aposentadoria, se hoje, com mais de 70 anos, ele ainda se impõe o trabalho, é porque, direitista que é, tem arraiagado em si um enorme senso de provedor, considera-se ainda na obrigação moral de sustentar o filho mais novo, praticamente uma criança, na tenra idade dos quase 40 anos, esquerdista, claro.
O que sei e me lembro do período militar é de um tio materno, que com sua fábrica de sapatos de fundo de quintal, o que hoje se chama de microempresa, também progrediu em sua vida, construiu sua casa, criou e bem estudou três filhos e ainda dava emprego para dois ou três parentes. Hoje, sua pequena empresa iria à falência, não faria nem para os tais encargos sociais.
O que sei e me lembro do período militar é que quem trabalhava, tinha, conquistava, o dinheiro era dele. Hoje, quem trabalha, sustenta um enorme e cada vez maior contingente de vagabundos, de enconstados, de parasitas reprodutores, chamados pela canalha esquerdista de "excluídos", de "vítimas do sistema" etc etc.
O que sei e me lembro do período militar é de ter estudado em uma escola pública mil vezes melhor que a escola pública em que hoje leciono. O que sei e me lembro é de professores meus com salários equivalentes, à época, ao de um juiz de direito. Hoje, um ingressante no magistério mal ganha R$ 1000,00 com sua carga horária inicial.
Por essas e por outras : Direita, volver!!!
Por essas e por outras, depois de exatos vinte anos a anular todos os meus votos - o último candidato que teve meu voto foi o Fernando Henrique Cardoso, em 1994 -, vou votar agora, no segundo turno, em Aécio Neves. Melhor, vou votar contra o PT, contra a esquerda que aí está. Fosse Marina Silva a confrontar Dilma nas urnas, votaria nela; fosse o Pastor Everaldo, idem.
Insatisfatoriamente, o que se oferece é Aécio Neves. Paciência, Iracema, paciência. 
Como diz o populacho, o Aécio é o que a gente tem pra hoje. O fundamental e urgente é arrancar o PT do Planalto. Depois a gente vê o que faz. Se o Aécio for uma merda, a gente o demite na próxima eleição, se o seu sucessor for outra merda, o trocamos também. É para isso que serve a democracia. É isso que ela nos permite.
Fora, PT!
Direita, volver!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Assim Eu Acabo Virando Sommelier

Tenho cá para mim que quando o cara começa a se dizer muito sofisticado, a ser dar ares de especialista e pompas de expert, a recitar terminologias e técnicos glossários, é porque ele já dá a bunda há muito tempo. Não tem como, sofisticação relaxa as pregas do sujeito.
E de todos esses cabotinos com tesão na argola, o meu preferido, o sommelier, o especialista em vinhos.
É o cara que abre o vinho, cheira a rolha, posiciona garrafa e taça em correta inclinação, derrama quantidade medida e padronizada, gira o vinho pelas paredes da taça, observa com peritos olhos a formação e o escoamento das "lágrimas", enfia a canapia quase até o fundo da taça, aspira o bouquet com espectrofotométrico olfato, sorve um pequeno trago, bochecha, aprova o vinho e volta a encher a taça.
Claro que aprova o vinho. Quem já viu alguém abrir um vinhão e jogá-lo fora? Claro que ele aprova. Toda essa viadagem travestida de ciência é só uma maneira do cara justificar, digo até glamourizar, o vício pela birita
E o sommelier não é capaz de simplesmente aferir as qualidades do vinho e guardar o laudo técnico para si. Porra nenhuma. Ele tem que falar. Tem que relatar aos ao seu redor os resultados de sua pedante análise. E o cara começa : esse vinho recende a tâmaras, damascos, ameixas vermelhas...
O filho da puta sente o cheiro de todas as frutas do mundo no vinho. Menos o da uva. Viadagem, pura viadagem.
Mas acontece que o peixe - e o homem - morre pela boca. Acontece que um dia é o da caça e outro o do caçador. Acontece que araruta também tem seu dia de minguau. Acontece que eu posso acabar pagando a minha ferina língua.
Hoje, de repente, sem mais nem porquê, assaltou-me uma vontade incomensurável de me tornar um sommelier, um degustador.
Esse, eu abriria com todo cuidado, com toda pompa e circunstância, cheiraria-o, sentiria-lhe o bouquet, a viscosidade de suas "lágrimas", bochecharia com um pequeno trago, aprovaria-o e meteria-lhe a "rolha"
Não provei desse vinho, mas adivinho-lhe com notas pungentes e ao mesmo tempo suaves de um moderado agridoce, um azedinho nectarizado, também timidamente salobras, abacalhoadas.
Só não me impinjam taças de formatos e volumes adequados a cada tipo de vinho etc. Que esse vinho, eu bebo a la Bukowski : no gargalo. Na beiçada.

Divertidos, Moleques e Bêbados

Ao longo desta semana, o Canal Brasil está a exibir uma programação especial com obras de Hugo Carvana, grande cineasta, malandro profissional, dos que trabalham duro.
Assisti ontem a um episódio do excelente e indispensável Sangue Latino, capitaneado pela batuta austera, silenciosa e acolhedora de Eric Nepomuceno, com Hugo Carvana.
Num dado momento, é perguntado a Carvana sobre a amizade. Ele diz que fazer amigos é criar irmãos. E que ele não precisa de muitos, uns poucos e bons lhe servem : "desde que sejam divertidos, moleques e bêbados... como eu", explica Carvana.
Pãããta que o pariu!!! É isso mesmo!!! 
É o retrato falado! É o raio-X, a tomografia! É o perfil sine qua non do amigo! Tão simples e foi preciso o Carvana para me dizer. Já falei tanto de amizade por aqui, já teorizei tanto e a receita não podia ser mais básica : divertidos, moleques e bêbados.
Se Carvana ainda fosse vivo, se eu tivesse sabido disso antes, teria mandado um currículo meu para ele. Isso, claro, se os dados em meu currículo ainda fizessem jus ao cargo. Se eu ainda fosse divertido, moleque e bêbado. Não sou mais. Meu currículo está desatualizado. Mentiroso. Em todos os sentidos.
Sim, fui divertido um dia. Ranzinza pra caralho, é bem verdade, mas espirituoso, de uma rabugice sarcástica, filha da puta, capaz de extrair gargalhadas de paladares mais exigentes e sofisticados; hoje, ficou só o amargor.
Sim, fui moleque dos bons. Tipo Saci Pererê. Sempre a atazanar e a sacanear os amigos, brincadeiras de macho, próprias da camaradagem, páginas de um livro bom; hoje, não rio e não saboto nem a mim mesmo, o adulto balança e o menino já não vem me dar a mão.
Bêbado, tornei-me tarde, não era vocação natural, mas aprendi rápido, esmerei-me na prática do ofício; hoje, é a única qualidade carvaniana que ainda exercito. E nem é bem um exercício, é mais uma fisioterapia, uma manutenção. Porre, acho que o último foi em 2005, no casamento do Margá, e foi dos homéricos. Passei mal algumas vezes depois disso, o que é muito diferente : passar mal por ter exagerado na canjebrina é uma coisa; porre é outra, diametralmente oposta.
Carvana acertara na mosca : divertidos, moleques e bêbados!
Muitas vezes nos queixamos de que vamos perdendo amigos ao longo da vida. Eu mesmo, chorão profissional, nos meus momentos de recordação solitária e etílica, muito me lamentei por isso. Nada mais equivocado, porém. Uma mentira do caralho.
Não os perdemos, os amigos. Perdemos é a competência para continuar exercendo a nobre função de amigo. Deixamos de ser divertidos, moleques e bêbados. Amigos, os legítimos, não se perdem uns dos outros. Mas podem perder a habilidade de se manterem como amigos.
Era madrugada ao término do Sangue Latino com Hugo Carvana. Madrugada é sempre boa hora para revelações, para epifanias. Quis, e já se findava o sexto latão de cerveja, dividir a descoberta, diria até a cura, com meus poucos e remanescentes amigos, uns três ou quatro.
Quis ligar para eles, desculpar-me pela negligência, por ter me tornado um relapso funcionário público da repartição da fraternidade. E também, claro, acordá-los, atrapalhar-lhes o sono : já seria o moleque voltando, seria muito divertido - bom, para mim seria.
Lembrei-me do telefone de um deles, ***-1630. Pãããta que o pariu. Não era dele, não mais, era (não sei se ainda é) o número da casa da mãe dele. Vasculhei pelo telefone de outro, veio-me : ***-2135. Mesma coisa. Recordei ainda de mais outros dois telefones, igualmente das mátrias residências. E olha que já se vão umas boas duas décadas, ou mais, que abandonamos nossos respectivos ninhos
Constatei : não sei de cor (nem tenho anotado em alguma agenda, não tenho agenda) os números de telefones atuais de nenhum de meus amigos. Na verdade, não sei-lhes nem o endereço.
Procurei racionalizar, mitigar meu remorso. A culpa não é totalmente desse meu cérebro cansado e sem tesão por novos dados, informações e armazenamentos. Explico:  antes, as linhas telefônicas eram propriedades contratuais das pessoas - minha mãe, uma de minhas tias, mantêm o mesmo número há décadas -, hoje tudo é virtual, cambiável, escamoteável, volátil feito éter.
Hoje não há tempo para nos afeiçoarmos a um número de telefone, que ele já mudou, que ele já ganhou algarismos adicionais. E é tanto número, e é tanto nove, que nem é mais número, são dígitos. Dígitos... até os números perderam sua pessoalidade. Dígitos é o caralho. Hoje em dia, quem sabe o número dos telefones dos amigos de cor?
Antes, o número de telefone do amigo era a sua identidade, o seu RG, era um código morse particular para SOS, era o bat-sinal, era uma bolsa de sangue de mesmo tipo que o nosso. Quando ligávamos para o amigo, e ele atendia, sabíamos que ele estava na casa dele, sabíamos em que cadeira ele estava sentado para conversar conosco, víamos a mesa da sala, escutávamos o barulho da TV, a movimentação da mãe pela casa, erámos capazes mesmo de adivinhar a rádio que ele estava a ouvir, ou o vinil que estava a ser acariciado pelo diamante do toca-disco, o gibizão que ele estava a ler.
Hoje ele pode estar no trânsito, no banheiro, no trabalho, na fila do banco, no motel com a amante (alguns de nós têm mais sorte que os outros), no cinema, na puta que o pariu. Ele nos atende, mas, tenho certeza, mal nos ouve
Antes, acontecia de ligarmos várias vezes para o amigo e não encontrá-lo, dependia dele estar em casa, seu local de maior probabilidade, seu orbital : era o princípio da incerteza que regia nossas ligações. Hoje, com celulares, e-mails, skypes, facebooks, cresceu a acessibilidade ao amigo. Ele sempre nos atende, está sempre acessível, mas nunca disponível.
Nunca divertido, moleque e bêbado.
Como não sei os telefones atuais deles, escrevi esse texto capenga, pois sei que, volta e meia, eles passam por aqui para dar uma lida em minhas sandices.
É madrugada, de novo. Que as mesmas inquietações que me mantêm acordado a uma hora dessa, que fazem com que eu insista em escrever e escrever e escrever, não os aflijam. Bom sono, meus amigos. Aproveitem-no bem, enquanto podem. Enquanto eu não descubro os seus telefones atuais.
"Fazer amigos é criar irmãos. Divertidos, moleques e bêbados... como eu."

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Meu Caso Mal Resolvido Com o Abismo

Muito do desejo que temos
Vem do desejo que têm por nós.
Há tempos olhei fundo para o abismo,
Ele olhou para o fundo de mim
E disse
- talvez invejoso de minha abissalidade - :
Quero-te.
Desde então
Levo o abismo na conversa
Faço o maior cu doce :
Não tenho força de vontade
Para afastar-me de suas beiras,
De seus cheiros.
Tampouco coragem de me lançar às suas entranhas
À sua primordialidade
À sua gosma definitiva.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

AUTOINSUFICIENTE

E de todos os sonhos,
A autoalforria.
Um boldo mágico
Que rebata a ressaca
Do que me arrebata.
Menos autoapedrejamento.

E de todas as autocrueldades,
A monogamia.
Agrilhoar o corpo a um único outro
Enquanto a mente
Navega as vagas
De cada peito
Cu e buceta do planeta.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quociente, Quociente, Quociente Eleitoral, 'Cê Vota no Palhaço e Elege os Marginal...

O ex-jogador Romário, agora senador eleito pelo estado do RJ com 4,6 milhões de votos, bem disse em certa feita : "o Pelé calado é um poeta!"
Concordo com o baixinho.
Não obstante o gênio futebolístico que Pelé tenha sido - e ele o foi -, o seu alter ego, Edson Arantes do Nascimento, o "Edson", como ele próprio gosta de se autorreferir, é um asno de teta. Quando o Edson abre a boca, precavemo-nos : lá vem "pérola".
Exceção a uma única declaração, proferida na década de 70. Ao ser questionado sobre a decisão dos governos militares de suspender eleições diretas para cargos do Executivo, Pelé, ou o Edson, nem ele sabe direito às vezes, mandou na lata : "brasileiro não sabe votar".
A fala de Pelé causou indignação e revolta. Até hoje causa certa consternação, como é próprio das grandes verdades. Brasileiro não sabe mesmo votar, haja vista aos últimos pleitos presidenciais.
Mas e se soubéssemos? E se exercêssemos efetivamente um voto consciente? E se, antes de votar em alguém, pesquisássemos sobre a vida pregressa do sujeito, seus feitos e realizações em prol do coletivo, assim como, e também, suas cagadas, seus podres, botássemos tudo numa balança cívica muito bem calibrada e só depois, muito depois, depositássemos nele a nossa confiança? E se seguíssemos, feito ratos de feicibúqui, a vida pós-urna de nossos candidatos, acompanhássemos seus passos, verificássemos o cumprimento ou não dos compromissos estabelecidos em campanha e usássemos o saldo, positivo ou negativo, na eventualidade de uma nova candidatura? E se etc etc e etc?
De nada adiantaria, também. Não mudaria porra nenhuma. A verdade é que fazemos papel de palhaços nas urnas - nas urnas, também. 
Primeiro que não escolhemos em quem iremos votar, os partidos é que escolhem; portanto, teoricamente, escolhemos entre os candidatos que os partidos escolheram para tal. E nessa escolha, óbvio, está em jogo uma porrada de maracutaias. 
Segundo, os "eleitos" não são os mais votados pelo povo, muito longe disso, aliás. Os "eleitos" apossam-se de suas cadeiras legislativas via coligações, conchavos e, sobretudo, através do Quociente Eleitoral.
Nesta eleição, pasmem, do total de 513 deputados estaduais e federais, apenas 35 - isso mesmo, 35, apenas 6,8% da corja toda - elegeram-se com a própria votação. Os demais 478 "eleitos" no domingo contaram com os votos somados do partido ou coligação para atingir a votação necessária.
O quociente é definido pela divisão do número de votos válidos pelo número de vagas que cabe a cada estado. Em São Paulo, a exemplo, o quociente eleitoral foi de 299,9 mil votos - resultado da divisão dos 20,99 milhões de votos válidos pelas 70 cadeiras da bancada.
Celso Russomano teve 1,5 milhões de votos, Tiririca, pouco mais de 1 milhão, as suas "sobras", rateadas entre os de seus partidos, ajeitaram a vida de mais seis vagabundos, quatro do partido de Russomano e dois do do Tiririca.
Mas não esquentemos a cachola com aritméticas, que o tal quociente eleitoral foi criado para que ninguém mesmo entenda. Deixemos que ele, Tiririca, na inspiradíssima animação do cartunista Piriri, melhor nos esclareça sobre o Q.E., ao ritmo de seu megahit Florentina.
Quociente, quociente, quociente eleitoral... 'cê vota no palhaço e elege os marginal.

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(26)

Sempre tem aquela ex, e pouco importa como ela adquiriu tal status, de quem a gente tem saudade de vez em quando, que gostaríamos de encontrar só pra saber como ela está, só pra ver que ela envelheceu mais que nós, que engordou mais etc.
Ou, então, pior, aquela velha amiga por quem sempre rolou um tesãozinho, aquela coisa velada, aquelas indiretas, aqueles beijos "descuidados" de canto de boca, aquela água fria no pau em nome da preservação da amizade, que, feito se tivéssemos ido para a cama, acabou mesmo por acabar.
Nessas horas, o coração parece deserto. E quando o coração parece um deserto, toca lá o Roberto. O meu amigo Roberto Carlos. Você que eu não encontro mais/Os beijos que já não lhe dou.
É o fino da fossa!!!
Você
(Roberto Carlos)
Você, que tanto tempo faz,
Você, que eu não conheço mais
Você, que um dia eu amei demais


Você, que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca de saudade


Você, que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você, que até hoje eu não esqueci


Você, que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade, aqui em mim você ficou


Você que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você e hoje nada sou


Você, que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você e hoje nada sou

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

É a Podridão, Meu Velho (5)

Meus pés, o teto do Empire State
Minhas vistas, as nevadas e condoreiras cordilheiras
Meus pulmões, a fresca e impoluta estratosfera
Minha alma, gato de Asgard
Vaso Ming parnasiano.

Hoje,
Rastejo por entre a procissão dos rastejantes
Mais um estropiado em meio a uma romaria de aleijões.

E você ainda me pergunta
O que é que eu tenho
Do que é que eu tanto padeço?

sábado, 4 de outubro de 2014

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (3)

Malandro é malandro e mané é mané. E os dois levam chifre. Que chifre é pandêmico e universal. Não existe vacina nem para-raios para o velho chifre. Até o malandro esperto, o bam-bam-bam do morro, o rei das bocadas, está sujeito a uns penduricalhos na testa.
E chifre tomado, não há o que fazer. É aplicar um corretivo na nega, colocá-la para fora do barraco e passar o pacote para o Ricardão. Que, como bem diz Xico Sá, nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão-com-manteiga do dia-a-dia. 
Foi o que aconteceu com o Chico, quando ele voltava da gafieira e flagrou um esperto em seu barracão. A música é sugestão mais que bem-vinda do Leitinho.
Quem usa antena é televisão! Tá certíssimo, o Bezerra da Silva.
Quem Usa Antena é Televisão
(Bezerra da Silva)
"-Aê Meu irmão!
O Chico falou
Que não é vinte um
Que ninguém vai alugar
A cabeça dele
Prá botar antena
Que ele não é Embratel"

Lá na minha bocada
A crioula do Chico
Pedia socorro
Chorava, gemia
O coro comia
A nega apanhava
Que nem um ladrão
Isso aconteceu
Em uma madrugada
De segunda-feira
O Chico voltava
Lá da gafieira
E flagrou um esperto
No seu barracão...

Diz ai!
Ele disse
Que quem usa antena
É televisão
E só estava
Cobrando da nega
Essa vacilação...(2x)

O Chico bateu assim
Pro esperto
Só não vou te matar
Prá não correr esse risco
Meu barraco não é
O rio de São Francisco
Prá morar esse peixe vilão
Eh! E tem mais o seguinte
Vamos botar logo
As cartas mesa
Eu fico no barraco
E você leva a nega
Essa piranha brava
Eu não quero mais não
Diz ai!

Ele disse
Que quem usa antena
É televisão
E só estava
Cobrando da nega
Essa vacilação...(2x)

Vai Descansar, Vagabundo

 
Hugo Carvana 
(1937-2014)
Dica : Bar Esperança, o último que fecha.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

E Meus Olhos Ainda Seguem a Gostosa

Olho para os colegas de trabalho
A um triz de suas aposentadorias
- poucos meses, mais tardar um ano -
E secretamente alegro-me por eles.
Mais secretamente ainda
- que não sou de grandes efusividades -
Penso que minha hora também chegará
E avoluma-se em mim
Um incomum sentimento de esperança
Ou, ao menos,
De uma maior paciência para esperar.

Da sacada
- a limpá-la, a livrá-la da poeira e do cansaço de ser beira de abismo -
Olho para os velhinhos
Dispostos no alpendre do asilo :
Tomando suas sopas
Cagando em suas fraldas
Quarando ao sol.
Pacientes
Na fila do corredor da morte de deus.
E o sentimento de alegria por eles
E de reestabelecida esperança por mim
Não só se avoluma:
Transborda-me
Ultrapassa-me.

Mas aí, vem a gostosa
A descer pela rua
Vinte e alguns aninhos
Cabelos de cobre velho
Peitos fora-da-lei, da Lei da Gravidade
A desfilar seus feromônios
E sua lordose.

Mas aí, vem a gostosa....
- e com todos os demônios -
Meus olhos ainda a acompanham.