Por que nós, machos das antigas, gostamos tanto de cerveja? Pelo prazer e pelo leve torpor que ela nos proporciona e que nos põem temporariamente na nuvens, em um mundo paralelo? Por ela ser um elemento agregador, de comunhão e confraternização com os amigos? Por ela tornar mais toleráveis os aniversários infantis e as visitas à casa da sogra?
Sim. Por tudo isso, também. Mas não principalmente. Gostamos tanto de cerveja porque ela exala a mesma doce essência do nosso amado sexo feminino. Gostamos tanto de cerveja porque ela recende à mulher. Até parece nome de novela do SBT : Cerveja com Aroma de Mulher.
Poderão perguntar alguns : estás bêbado, Azarão, já a uma hora dessa? Não. Ainda não. Infelizmente, não.
A cerveja, de fato, emana notas de mulher, irradia fitoestrogênios, hormônios vegetais de moléculas aromáticas muito semelhantes ao estrogênio humano, que é o hormônio da mulher por excelência. Substância miraculosa que a torna fértil, prepara-a para a gestação e lhe concede os chamados caracteres sexuais secundários (secundários para quem, cara-pálida?), como a aquisição das formas curvilíneas, o alargamento do púbis e o crescimento das mamas.
Por isso, gostamos tanto de cerveja. A cevada e o lúpulo são vegetais abundantes em fitoestrogênios. A cerveja é a mulher engarrafada! Valha-me São Vinicius de Moraes!!!! Não é por acaso que as chamamos de louras geladas.
A ação e os benefícios desses hormônios de origem vegetal no corpo feminino já são bem conhecidos e bem estudados há tempos. O seu consumo diário pela mulher diminui o desconforto da TPM e proporciona também uma menopausa menos traumática, sendo utilizados, inclusive, como terapia de reposição hormonal.
Agora, além dos tradicionais usos terapêuticos, pesquisadores da Universidade de Sydney, Austrália, adeptos fervorosos de um bom canguru perneta, descobriram que, por toda a questão dos fitoestrogênios citada acima, o consumo regular cerveja produz um aumento das tetas da mulherada. Na pesquisa, houve a constatação do aumento das tetas em até dois números de sutiã, num efeito parecido ao gerado quando as mulheres tomam pílulas anticoncepcionais à base de estrogênio.
O upgrade das tetas via cerveja é muito mais barato, seguro e, sobretudo, divertido que uma cirurgia de implante de próteses de silicone.
Deixo aqui, porém - sempre há um porém, sempre há uma má notícia -, um grave alerta aos machos das antigas : para conservarmos tão nobre distinção, não é de qualquer cerveja que podemos nos servir e nos fartar. A manter a nossa comenda de machos das antigas, devemos continuar a consumir apenas cervejas também de macho das antigas, de pedreiro, de estivador, de lenhador, de cortador de cana. Antarctica (a Boa; a Original já é meio que viadagem), a Brahma do Zeca Pagodinha, Bavaria, Kaiser, Itaipava, Crystal, Lokal etc.
Jamais, meus caros! Jamais e em tempo algum, o macho das antigas deve aderir à modinha das cervejas puros maltes e artesanais. Sobretudo as chamadas IPAs.
Estudos já constataram que o consumo regular desse tipo de cerveja, que apresenta teores de cevada e de lúpulo bem acima das cervejas "normais", e, por conseguinte, maiores concentrações de fitoestrogênios, pode provocar também o aumento das tetas masculinas, o fenômeno de muito mau gosto conhecido por ginecomastia.
Sempre registrei aqui no Marreta a minha desconfiança para com essas cervejinhas gourmet, sempre suspeitei de que elas fossem mais uma das inúmeras peças do atual complô para o embichamento planetário. Essa coisa do cara ficar ficar degustando, fazendo biquinho para sorver o aroma, o bouquet e o terroir, para sentir o encorpamento e o retrogosto no pálato e nas papilas gustativas, sempre me pareceu frescura demais.
E o crescimento dos peitos masculinos nem é o mais grave efeito colateral das IPAs. O pau pode também murchar. Não servir nem mais para cortar e dar para o gato comer. Isso porque o lúpulo, se usado em grandes concentrações, é um conhecido broxante, um notório inibidor da paudurescência.
Não é à toa - não há acasos na História - que muitas das melhores cervejas do mundo nasceram dentro de mosteiros e abadias. Na Idade Média, altas dosagens de lúpulo na cerveja era uma maneira de diminuir o tesão da padraiada. É incrível como tudo se encaixa.
Contudo, como dizia Lavoisier, na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O mesmo se dá com a libido humana. Ela não acaba. Apenas se transfere de lugar.
O cara vai tomando IPA e o tesão pode até lhe abandonar a cabeça do pau, mas, dentro em breve, migrará, alojar-se-á em mares nunca dantes navegados, em regiões mais sombrias, lá onde o sol não bate.
E o cara que gostava de entornar no gargalo, logo, logo, estará gostando é de sentar na boquinha da garrafa. E vai descendo na boquinha da garrafa, e é na boca da garrafa...
Pããããããta que o pariu!!!!
Mas voltando à parte boa do efeito fitoestrogênico da cerveja, vejam abaixo os casos de algumas mulheres que adotaram a terapia cervejeira para o aumento das peitarias.
Peitos e cerveja... de que mais um macho das antigas precisa?












