sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Free Willy

Uma correção é necessária antes de qualquer coisa : a Orca não é uma baleia, é um golfinho, e muito menos uma baleia assassina, só há um animal na natureza a quem se pode chamar de assassino, o homem. Os outros animais, ditos irracionais pelo primeiro (dito racional por ele próprio), só matam para o sustento e defesa.
Pois bem, uma Orca matou sua querida treinadora no Sea World, Orlando, Flórida, tadinha da treinadora, vítima que confiava e tanto carinho dispensava ao bichinho. Tadinha é o cacete.
A Orca em questão foi capturada em 1983, portanto já amargava 27 anos de cativeiro, qualquer um nessa situação mataria seu carcereiro na primeira oportunidade, ainda que fosse quem lhe trouxesse a comida.
Além disso, alguém acha mesmo que um animal portentoso e magnânimo de 5,5 toneladas se sente mesmo feliz e recompensado em dar umas cambalhotas para a diversão de um bando de humanos?
Alguém pensa mesmo que ser Orca de show aquático é o que todo cetáceo tem por objetivo de vida? Mamãe-orca pergunta ao filhinho-orca, o que você quer ser quando crescer?, e ele responde, ser palhaço no Sea World e, se deus me ajudar, aparecer num filme do Jacques Costeau. Alguém acha mesmo que é isso? O caralho que é!
Prefiro nem imaginar os flagelos e maus-tratos impostos a esse animal em seu condicionamento, o tanto de porrada que ele tomou até aprender a dar sua primeira cabriola.
Pra piorar, olha só o nome que deram ao coitado, Tilikum.
Puta que o pariu! O cara é uma Orca macho, muito macho, que macho suporta um nome de viado desses? Tilikum é tão bicha que parece nome de poodle.
Na minha opinião, esse Orca aguentou tempo demais, foi muito paciente. Eu acho ótimo quando acontece algo do gênero.
Parece que agora foi aberto um inquérito investigativo, Tilikum será acusado de quê? Ingratidão? E se condenado, será sacrificado?
Não duvido.
Enquanto isso, Tilikum, mostre que você não é igual àquele seu primo afrescalhado, o Flipper. Não se acanhe, mate quantos outros puder.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma Pequena Visão Do Vácuo

Acordar e fazer sempre o mesmo: nada;
Pôr-se a prumo e caminhar pelo mesmo: nada;
Fingir-se vivo e trabalhar pelo mesmo: nada;
Colocar-se a dormir na esperança do mesmo: nada;
Ter um sono tão inútil quanto a vigilia,
Uma vida à luz tão inerte quanto em ventre.
Nada. Nada.
E cruzar, pelas ruas,
Pessoas de tão maiores infelicidades...
E tão mais alegres que eu.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Esse Merece o Nobel Que Ganhou

"Deus da Bíblia é má pessoa", diz José SaramagoPublicidade
da France Presse, em Lisboa

O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, voltou a criticar a Bíblia nesta quarta-feira, reavivando a polêmica levantada por seus comentários por ocasião do lançamento de seu novo livro, "Caim".
O romancista português, conhecido por suas posições de esquerda e seu gosto pela provocação, disse no domingo que a Bíblia é um "manual de maus costumes". Seu mais recente livro conta, com bastante ironia, a história de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel.
Suas declarações irritaram membros da Igreja Católica, que o acusou de ter ofendido os católicos e de fazer uma "operação publicitária".
"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável", declarou Saramago, de 86 anos, nesta quarta-feira.
"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica", ressaltou.
"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências, também sabemos que sim, ódios antigos", disse Saramago, durante uma entrevista coletiva perto de Lisboa.
"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho".
E voltou suas baterias contra a Igreja.
"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese", estimou.
Mas, continuou, "o direito de refletir sobre isso de todos nós", e denunciou "a intolerância das religiões organizadas".
"Às vezes dizem que sou valente. Talvez seja valente porque hoje não há Inquisição. Se houvesse, talvez não teria escrito este livro. Me apóio na liberdade de expressão para poder escrever", ponderou o escritor, que diz estar preparando um novo livro para o ano que vem sobre um tema completamente diferente.
"Espero que não seja tão polêmico. No ando atrás das polêmicas. Tenho convicções e as expresso", concluiu o autor de "Ensaio sobre a Cegueira".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Novas Inteligências? Merda Nenhuma !

Hoje em dia, a grossa massa de jovens com idade próxima aos 17 anos sai semianalfabeta das escolas públicas, ao fim do chamado Ensino Médio, o antigo e mais eficaz Colegial.
Entretanto, mesmo iletrados, esses jovens demonstram notável habilidade com computadores, telefones celulares e tecnológicos outros. Alguns teóricos, sem muito o que fazer e nenhuma noção da realidade, chegam a dizer de um novo tipo de inteligência, uma inteligência tecnológica ou coisa que a valha.
Balela, mais uma vez. Conversa pra boi dormir, para dar emprego a peidagogos.
Não há nenhuma nova ou superior inteligência surgindo nesses jovens, antes pelo contrário. Seus raciocínios e capacidades cognitivas são os mesmos que os dos homens pré-históricos, por isso são tão hábeis com suas maquininhas infernais, para cujo manuseio é o bastante uma inteligência básica e primal, quase que somente de instintos, uma inteligência muito mais de atos reflexos que de ponderações.
Explico: a destreza que eles exibem com esses eletrônicos vem do simples fato de que tais artefatos não lhes exigem nenhuma capacidade de leitura da linguagem escrita, a interface entre eles se dá meramente por desenhos, os ícones. Esses jovens não têm novas modalidades de inteligência ou cognição, eles têm as de mesmo tipo do Neanderthal e seus desenhos rupestres, que eram representações do cotidiano esboçadas nas paredes de suas cavernas.
Explico mais: praticamente tudo pode ser feito pelo computador, via internet, sem a necessidade do sujeito pôr o pé à rua, comprar comida, roupas, medicamentos, pagar contas sem precisar ir ao banco, até namorar e trepar. O computador reconduzirá o ser humano à época das cavernas, uma caverna tecnológica, mas uma caverna.
Continuo: a linguagem escrita já vem sendo truncada, mutilada, estuprada pelo usuário-padrão da internet, logo voltaremos a abrir a boca e só emitiremos sons guturais e simiescos, ah, ah! uh, uh! ah, ah! uh, uh!
Tornaremos às cavernas, sim. E as paredes dessa nova caverna (entenda-se aqui como limites, cercas) são as telas dos computadores conectados a outros computadores e a outros...
Ora, o que se espera encontrar nas paredes de cavernas habitadas por humanos? Uma escrita bem regrada e elaborada? Claro que não! Apenas desenhos toscos e mal-acabados, como as pinturas rupestres, como os ícones do Windows. E a habilidade em ler tais desenhos não é uma nova inteligência, é um retrocesso da atual.
Acho que eu, que desenho pessimamente, preciso me matricular urgente numa escola de desenho, para bem me fazer entender futuramente.
Preciso?
Porra nenhuma que preciso!!!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Navalha Na Jugular

A minha não mais procura por você
Será, pra você, apenas pequeno,
Porém passageiro incômodo.
(Nada que uma aspirina não possa resolver);

O meu não mais implorar pela sua volta
Será, pra você, apenas tiro que passa zunindo pelo seu ouvido
(Irá até assustar, mas também não lhe causará mal algum);

As notícias de que já não sinto tanto sua falta
Serão, pra você, um pequeno corte na ponta do dedo
(Incomoda um pouco, mas cicatriza de um dia para o outro);

A minha recusa em falar com você
Será, pra você, azia numa manhã de segunda-feira
(Você tentará ignorar);

A minha não resposta ao seu recado
Será, pra você, alfinetes em seu travesseiro
(chá de erva-cidreira, maracujá, meditação, Valium, Rivotril...);

Mas a minha felicidade longe de você
Será a navalha na sua jugular.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cachacinha Benta

Mais uma vez, a religião a serviço dos vícios.
As imagens dos santos são vestidas de roxo no início da quaresma, não faço a menor ideia do simbolismo por trás disso e tampouco me interessa.
Acontece que no distrito histórico de Morro Vermelho, em Caeté, a 60 km de Belo Horizonte, a imagem de Nosso Senhor dos Passos é purificada num ritual antes de ser coberta de roxo.
É um ritual que data de 200 anos e é realizado a portas fechadas por uma seleta confraria de oito homens, o restante da população, mulheres e crianças, aguardam o fim do ritual do lado de fora da igreja.
O cristo de Caeté é lavado da cabeça aos pés com pinga, isso mesmo, a tradicional cachaça brasileira. A cachaça vai escorrendo e banhando a imagem, e é recolhida numa gamela colocada aos pés da estátua, são utilizados de três a quatro litros no processo, que dura cerca de uma hora.
Findo o ritual, cada um dos homens bebe uma generosa talagada da cachaça benta e o restante é disponibilizado para a população, que a recolhe em pequenos frascos para uso terapêutico, para passar nas juntas, curar reumatismo, lombalgia, passar em feridas, curar dor de cabeça e até broxidão. Dizem que funciona, só que é preciso ter "muita fé".
E ao coitado do Cristo não é oferecido nenhum golinho.
Folclore? Cultura regional? Tradição?
Pura ignorância, mesmo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Saudades de Christopher Reeve

Vi o mais recente filme sobre o Superman, "O Retorno".
O Azul não era bem um azul,

Era um azul-musgo, se musgos azuis houvesse,

O Vermelho, mais marrom, sangue começado a coagular,
E o amarelo, brônzeo, o das fotos envelhecidas.


São apenas tons diferentes, me disseram, nada de mais.


Ai é que está!!!

O Superman não tem tons, nuances.

O Superman não tem dúvidas ou titubeações,
O Superman é primário, raso, contumaz.

E primárias devem ser as cores por ele envergadas

E os sentimentos que demonstra.

Não gostei do filme!!!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Mesma Máscara Negra

Não gosto de Carnaval, nunca gostei e nem nutro a ilusão de que os antigos fossem bons, puros, ingênuos ou mais decentes, nada disso, não tenho saudades do que não vivi. Mas sei das músicas dos carnavais antigos - ah, sim, as músicas -, essas eram belíssimas.
Dentre uma miríade delas, e que ainda me comove por vezes, está a clássica "Máscara Negra", de Zé Keti (lembrei-me agora, e também, de "Vila Esperança", do Adoniran, mas essa fica pra outro dia).
Há aspectos tocantes e de singular brandura na letra da canção.
A surpresa nada surpresa do Pierrot frente ao reencontro com Colombina, seu espanto comedido, mais feito de gentileza que de sobressalto, ante aquela coincidência presumida. Entendam por coincidência presumida que o casal nada fez em planejar tal encontro, mas sabiam da inevitabilidade de estarem ali, naquele momento, naquelas exatas circunstâncias.
Belo também é o saber tácito e mútuo, e sem dramalhões posteriores às cinzas, acerca da brevidade - e mesmo da especificidade - de sua relação. Eles sabem que ela muito bem existe ali e só ali pode muito bem existir. Não ousam, não têm intenção, urgência ou mesmo vontade em ampliá-la para os outros dias do ano, são inteligentíssimos emocionalmente em aceitá-la como um doce hiato, um respiradouro, uma bolha iridescente de tempo. Por isso é uma relação sem desgaste, por isso já atravessa alguns séculos, e a música de Zé Keti pelo menos dois, por isso voltarão sempre a se encontrar, mesmo que em outros carnavais, mesmo que sejam outros por sob a fantasia.
E há, óbvio, o aspecto da Máscara Negra, as Luas de Veneza, o furtivo, Casanova a escalar janelas, o salão escuro, o anonimato, o ninguém por detrás da máscara, a não-necessidade de despir e vivissecçar o outro, bem como a não-necessidade de que os outros saibam deles. Dessa elegante discrição, tenho saudades, sim.
Os foliões contemporâneos querem notoriedade, holofotes, querem ser celebridades, os salões escuros recendendo a lança-perfume e as máscaras de mesmos matizes foram esmagados pelos sambódromos com luzes de mercúrio, pelas capas de revistas, orkuts, facebooks e twitters da vida.
Mas podem ainda ser vistos, Pierrot e Colombina. Sei disso porque os vejo de vez em quando, há de se olhar, no entanto, com zeloso reparo e dolência. Já consegui divisá-los fugazmente nas madrugadas umbrosas, nas esquinas de breu, nas escadarias enfumaçadas e fedendo a cigarro de bares enfumaçados fedendo a cigarro e até, em algumas ocasiões, os flagrei em sua dança de serpentinas dentro de mim.
Pierrot e Colombina ainda sobrevivem por ai. Aos frangalhos, mas sobrevivem. Na música do Zé Keti e em meus fevereiros existenciais.

Abaixo, a letra:
Máscara Negra

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os Carnavais do Bandeira

Dois poemas do livro "Carnaval", de Manuel Bandeira, de 1919.

Poema de Uma Quarta-Feira de Cinzas

Entre a turba grosseira e fútil
Um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feita de sonho e desgraça...

O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,

Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e desgraça...

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Epílogo

Eu quis um dia, como Schumann, compor
Um carnaval todo subjetivo:
Um carnaval em que o só motivo
Fosse o meu próprio ser interior...

Quando o acabei - a diferença que havia!
O de Schumann é um poema cheio de amor,
E de frescura, e de mocidade...
O meu tinha a morta mortacor
Da senilidade e da amargura...
– O meu carnaval sem nenhuma alegria!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

No Reino Das Bundas Moles

Em todos os elementos da natureza, seja bicho, planta, fungo, bactéria e mesmo matéria inanimada, existe uma nítida e lógica correlação entre forma e função.
Nenhum orgão seu tem o desenho que tem à toa, a forma atual deles é produto de milhões e milhões de anos de seleção, de um burilar constante, incansável e preciso que o conduziu à forma que lhe conferisse a maior eficiência possível em sua função.
Essa correlação forma-função não é verificada apenas no macroscópico, ela se estende também ao nível celular, uma hemácia sua (glóbulo vermelho) tem em sua forma de um disco bicôncavo a eficiência ótima para ela fazer o que faz, transporte dos gases respiratórios, e não existe - nem existirá - um engenheiro projetista que seja capaz de melhorá-la, o mesmo sendo verdade para os demais tipos celulares. Essa correspondência se alonga ainda ao nível molecular, as proteínas, por exemplo, apresentam conformação tridimensional que lhes confere sua utilidade, seja ela um anticorpo, uma enzima ou um hormônio, se tomarmos uma proteína e desfizermos essa sua configuração, ela perde a função, desnatura-se.
O ser humano com sua imensa arrogância, não maior apenas que sua burrice, julga-se um elemento à parte da natureza, e pior: acima dela, não submetido às suas leis.
Ledo engano. Pode até parecer, mas a natureza dá o seu jeitinho.
A vinculação forma-função é inexorável, e se manifesta no homem e suas profissões, algumas são evidentes como é o caso dos atletas, modelos, atrizes e biscates em geral, mas outras são mais sutis, horrendamente sutis.
Sou professor e, hoje em dia, escola é um local onde pouco se trabalha, quanto mais se ascende na hierarquia, mais indolente é o sujeito. Os que ainda trabalham são os funcionários da limpeza, da secretaria e alguns professores, daí pra frente há o bloco carnavalesco dos "encostados", a saber: coordenadores, vice-diretores, diretores, supervisores e etc, essa turma é denominada em seu conjunto como Equipe Gestora.
Deveria ser Equipe Digestora, vista a quantidade de comida que engolem, mesmo em horário de serviço, e é dessa turma um dos casos mais horrendos de forma-função.
Óbvio que comendo feito uma nuvem de gafanhotos e ficando sentados em seus gabinetes sem nada fazer, a obesidade passa a ser regra, mas não é só isso, a grande adaptação dessa subespécie humana é a bunda.
Todas elas tem uma enorme bunda, gigante, de proporções paquidérmicas, gritantemente desproporcional ao restante do corpo, ainda que esse também seja imenso.
É a característica física ideal para a função, bunda grande, permite que elas fiquem sentadas por horas e horas a fio, sem cansar ou doer o bundão. Eu, por exemplo, com meu pouco estofamento, não estou apto a ocupar uma função de gestor, quinze minutos numa cadeira e minha bunda já dói.
Há casos mais extremos, até mórbidos do ponto de vista clínico, em que o Estado deveria acrescer ao salário desses gestores um auxílio-limpador-de-bunda, a exemplo dos lutadores de sumô que possuem serviçais com a função única de lhes limpar o cu que seus próprios braços não alcançam ou, no mínimo, financiar aos digníssimos a compra de um daqueles aparelhos de limpeza que esguicham água em alta pressão, o famoso WAP.
É o reino dos bundões moles.
Pãããããta que o pariu!!!!!!!!!!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Martínis e Resinas Fósseis

Os lábios envolvem macia, com vagar e umidamente a borda delgada da taça cônica prolongada em haste fina de seu martíni, seu sexto martíni, e Nívea Névoa sente o cheiro de perfume do gim e o salgado da azeitona imersa.
 O sexto martíni é perigoso, leva-a a pensar sobre a desolação de sua vida, a ambicionar um amor. Lembra-se, num átimo, já ter tal amor desde muito, amor dos grandes, dos intermináveis, dos que não cedem espaço ou brecha a outro ou outros. 
Nívea Névoa tem, sim, um amor; ele só não está disponível por ora, por enquanto, por quando.Todavia, desvinculado desse amor indissociável, o sexo lhe é possível e prazeroso, plenamente possível. E ela terá sexo, hoje, em pouco. 
Tão-logo o casal que a observa do outro lado do bar, e já ensaia movimentos em sua direção, a abordar e lhe oferecer solicitamente um novo martíni, o sétimo, que irá abrasar e lubrificar suas entranhas, o seu corpo. 
E porá em um bloco fóssil de âmbar - a isolar e salvaguardá- la -, a sua alma.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Prefiro o Bandeira, mas...

Gosto, porém, não me arranca faíscas a poesia de Carlos Drummond de Andrade, prefiro imensamente o Manuel Bandeira, no entanto talvez pela vontade que me deu de beber com um amigo, aí vai o convite de Drummond, quem sabe feito ao Bandeira.

CONVITE TRISTE
Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.
Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira,
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.
Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber, apenas.
Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.
Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros seqüestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cubos Imperfeitos

Essa faca em tua mão
- cujo fio faz tua salada, teu bife,
Põe manteiga no teu pão
E que agora quadricula o queijo
Que contraporá o amargo da tua cerveja -,
Já pensaste em pô-la ao peito?
Senti-la atravessando teus poucos centímetros de carne,
Tocando-te o osso abaixo e,
Com um pouco mais de força,
Rompê-lo, também,
Beijando-te o coração?

Ato simples, rápido, irreversível.
Muito mais fácil e indolor que continuares
A te arrastar por ai, pelas ruas,
Pelas pessoas, pelos teus empregos.
A morte é fácil e simples demais,
A vida é que é foda!
Desconfiamos do fácil,
A morte - dadas as suas vantagens -
Nos parece um conto do vigário:
Nosso medo da morte
É o medo de passarmos por otários.
É isso!
Só pode ser isso!
É o nosso medo do ridículo
Que mantém a lâmina afastada do nosso peito.

Bebe, então, a tua cerveja
E dê graças ao teu provolone em cubos imperfeitos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Honra Ao Mérito

Sou professor do Estado, titular de cargo, e seja o que for que essa merda possa representar, significa que passei por um concurso de provas e títulos e fui aprovado.
Nessa semana, apesar disso, submeti-me a uma outra prova instaurada pelo Estado, a Prova por Mérito, cujo intento foi declarar-me digno ou não - vejam só - de um aumento salarial.
Não quero discutir aqui - não agora - os aspectos inconstitucionais ou até morais dessa avaliação, quero dizer tão-somente do nível do conteúdo cobrado : baixíssimo, prova para retardados.
Foi fornecida no edital da prova, como em todo concurso, as bibliografias a serem exigidas, uma da parte pedagógica e outra, específica para cada área.
Há 12 anos, fui aprovado no concurso que me conferiu o cargo que hoje ocupo e, de lá para cá, tenho o orgulho de dizer que nunca mais pousei minhas vistas num único texto pedagógico sequer. Nesses 12 anos, dezenas de novos pedagogos de merda com ideias imbecis surgiram e caíram no gosto dos chamados "educadores", eu não conheço nenhum e nem os estudei para a prova de mérito, aliás, não estudei nada.
Necessário parênteses: eu não me considero um "educador" porra nenhuma, sou um professor de Biologia e ponto; professor é o que anda escasso atualmente.
Pois bem, todas as teorias inúteis desses "peidagogos" me foram bombardeadas na prova, e querem saber o resultado?
Acertei 54 do total de 60 questões da prova, exatos 90%, 9 numa prova que valesse de 0 a 10.
É como dizia Raul Seixas: "eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz".
Tirei 9,0 em uma prova para a qual nada estudei. Isso é palhaçada, é patifaria. Foi, como já disse, uma prova para imbecis, uma espécie de ENEM para professores; devo registrar que considero o ENEM um dos maiores embustes educacionais de todos os tempos.
Claro que eu não conhecia patavina dos autores da bibliografia, mas nas questões havia textos dos tais e só em seguida a pergunta. Ora, porra, eu sei ler bem pra caralho, fui alfabetizado no estilo antigo, cartilha Caminho Suave, com decoreba, sabatina, reprovação e tudo o mais que esses peidagogos condenam, condenam o tradicional, mas não põem nada no lugar.
A tônica peidagógica atual diz que o indivíduo não precisa angariar e armazenar conhecimento, desde que saiba onde buscá-lo, interpretá-lo e ajustá-lo ao contexto, são os abomináveis "saberes e fazeres", nas palavras dos peidagogos.
Merda! Merda em cima de merda!
É óbvio que precisamos, sim, de uma grande bagagem de conhecimentos, um grande banco de dados, sou professor, ora essa. Imaginem-se num consultório médico e o doutor lhes dizendo que não sabe o seu problema, mas sabe onde pesquisar, imaginem o médico lhes dando as costas e indo fuçar nos livros da estante à cata de achar a cura de vosso mal.
Ridículo! Surreal! Pois é exatamente isso o defendido pelos peidagogos.
Concordo que as questões, algumas delas, deviam mesmo testar meu poder de interpretação e inferição, porém deveriam igualmente exigir-me conhecimento. E não exigiram, sequer gota dele. Acertei questões de assuntos dos quais não fazia a menor ideia, pois estavam lá os textos, estavam lá os fazeres e saberes, estava lá o ENEM.
O Estado deveria ter me ferrado pela minha falta de conhecimento e preguiça em obtê-lo, no entanto, vai me premiar.
Está errado! Isso está muito errado! Eu deveria ter ido pessimamente mal nessa prova: tirei 9,0 (não sei por que não me canso de dizer isso e nem por que me vem sempre um sorriso bobo à cara).
Mas uma coisa me consola: é saber que fui muito melhor nessa prova que a grande maioria dos "educadores" (massa acéfala que abraça essas peidagogias), é saber e confirmar-me superior àqueles que acreditam nas peidagogias, é tê-los vencido em seu próprio jogo, e sem saber as regras. Pau no cu de vocês, peidagogos de bosta.
Claro que estou desconsiderando outro fator desse meu estrondoso êxito: eu sou foda! Sou bom, mesmo!

Fanatismo Coerente

Um jovem de 16 anos morreu em Oregon City, Estados Unidos, em 2008, por falta de ajuda médica, negligenciada essa pelos próprios pais do rapaz, adeptos da igreja Seguidores de Cristo, que prega a cura estritamente pela fé e rejeita auxílio médico.
Antes de continuar, quero dizer que isso é um total e absoluto absurdo. E ponto.
Todavia o que não é absurdo no ser humano? Todavia que outra religião não afirma o mesmo, que deus e a oração são capazes de curar?
Ao menos, esses fanáticos seguidores de Cristo levam a cabo o que pregam. Diferente dos fanáticos das outras religiões que procuram um médico, farmacêutico, benzedeira, ao menor sinal de um mero resfriado e ainda se saem com a bela e hipócrita desculpa de que deus "opera" através dessas pessoas, o fato é que realmente não creem naquilo que pregam e com o que enchem a paciência dos ouvidos alheios.
O casal em questão acabou de ser condenado por homicídio. Não acho justo, nesse caso. A legislação que agora os condena é a mesma que lhes deu o direito de exercer o seu credo e sua fé, por mais absurdos que eles fossem e são.
Esse jovem foi vítima primária dessas permissivas legislações atuais que dão liberdade de tudo a todos. O casal fanático em deus não teve culpa, ao menos não teve dolo, fanático é fanático, é burro, é irracional. E irracionais de qualquer espécie não devem ter respaldo assegurado aos seus atos por nenhuma Constituição.
De qualquer forma, é mais um que morre por causa dessa insanidade humana chamada religião.
Também... o que é mais um frente a milhões de outros?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mais Um Bobo Para A Corte Do Capeta


Jornal "A CIDADE"
Terça, 02 de Fevereiro de 2010 - 10h45 ( Atualizado em 02/02/2010 - 13h39 )

Morre em São Paulo o comediante ET
Aos 46 anos, ele apresentava problemas pulmonares e insuficiência renal.



Morreu nesta terça-feira, em São Paulo, o comediante Carlos Chirinian, 46 anos. Ele ganhou fama nacional como o personagem ET, da dupla com Rodolfo, nos programas "Ratinho Livre", na Record, e "Domingo Legal", no SBT.


O comediante estava internado havia cinco dias na UTI do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, com um quadro de problemas pulmonares e insuficiência renal. Durante a madrugada, ele sofreu uma parada cardíacada devido a um choque séptico, broncopneumonia e crise renal.

Carlos Chirinian deve ser enterrado nesta tarde, em Osasco.

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obs. do Azarão: ORDINÁRIO !!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pequeno Conto Noturno (10)

- Ainda dou uma boa chupada? - Sabrina pergunta a Rubens, tirando a cabeça do meio das pernas dele, subindo e recostando em seu peito.
- Dá - diz Rubens.
- Sei lá, tô achando meus lábios meio ressequidos, ficando meio murchos, tô pensando em injetar gordura neles, acho que é lipoescultura que chama, para eles voltarem a ficar viçosos, apetitosos.
- São bem apetecíveis para mim.
- É que homem não repara nessas coisas, eles tão meio murchinhos, sim. Quer ver só?
- Diz.
- Eu tenho celulite?
- Não.
- Estrias?
- Não.
- Meus peitos já estão com uma curvatura mais "cansada"?
- Até onde vejo, não.
- A pele embaixo dos meus braços tá flácida, balançando quando agito a mão?
- Não.
- Tá vendo, só... ou vocês são uns mentirosos, ou não reparam, ou não se importam. Eu tenho tudo isso, sim, e agora também os lábios.
- Olha, você não precisa fazer porra de lipo-coisa-nenhuma, está tudo coerente em você.
- Coerente? Que merda é essa? Vai continuar dizendo que eu tô com tudo em cima? Olha isso...
E Sabrina aponta as estrias, os focos de celulite, aperta os culotes, bate na pele embaixo dos braços.
Rubens gargalha.
- Tá rindo, né, filho da puta? Quero ver o dia em que teu pau cair.
- Aí, eu procuro um médico.
- Tá vendo...
- Mas aí eu estaria me ocupando da função, da falta dela no caso, e não da forma. E você está funcionando direitinho no que me concerne.
- Vai continuar dizendo que não tenho que consertar nada disso.
- Não, não tem. Vai pegar uma cerveja pra gente que na volta te explico.
Ela vai e volta, enrolada num lençol, dá um bom gole, limpa a espuma do lábio superior e passa a garrafa para Rubens.
- Pronto, me explica agora essa merda de "coerente".
- Você não tem que consertar nada porque não tem nada a ser. Você não tem celulite, estria, culote... nada disso. O que você tem são, pura e simplesmente, 42 anos.
- 41!
- Que seja, e é isso o que eu digo ser coerente.
- Não sei se entendi onde você quer chegar - e Sabrina dá outro gole, entorna quase toda a garrafa.
- Veja meu caso - continua Rubens -, eu não tenho cabelos brancos, rugas, pescoço estriado, nem uma protuberância no ventre que resiste a todos os meus esforços para que não se torne uma barriga, não tenho nada disso, o que tenho são 48 anos.
- Sei...
- O que tô dizendo é que olho pra você e não vejo nada flácido ou murcho, e sim uma mulher de 42 anos...
- 41!!!!
- ... de 41 anos plenamente funcional e desejável.
- Sério?
- Sim.
- Huuummm... você faz isso parecer tão simples.
- Eu sou um cara simples, de fácil trato.
- Você, simples? Tá bom. Fica parecendo uma coisa boa, natural...até romântica.
- E é bom, é natural. E eu sou um incurável romântico.
- Você, romântico? Tá bom.
- Pega outra cerveja? - pede Rubens, matando a garrafa.
- Pego.
E Sabrina vai, sem lençóis enrolados dessa vez.
Se ainda não em plena concórdia com seu corpo, ao menos segura de que os olhos que a acompanham pelas costas estão satisfeitos e desejam o que veem, e isso lhe dá um passo mais altivo.
- Toma - diz ela - é a última.
- Tudo bem, já passam das duas horas, logo tenho que me levantar.
- Rubens... - ela voltando a se recostar.
- Diz.
- Você foi sincero mesmo quando respondeu minha pergunta?
- Claro.Você ainda tem uma bela duma, digamos, "embocadura".
- Safado...
- Mas se ainda estiver duvidando, se quiser uma corroboração, uma análise mais apurada, meticulosa...
- Tá querendo outra chupada, é?

Bukowski

Poema nos meus 43 anos 
Terminar sozinho
no tumulo de um quarto
sem cigarro
nem bebida –
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

... de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carros,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiras,
motoristas de taxis...

e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Infi(a)mamente Pequeno Poema de Nossas (In)Sanidades

Nossas loucuras são de mesma cepa,
Da mesma safra nossos fantasmas são.
Diferem apenas os hospícios onde nos asilamos,
Só divergimos em nossos rituais de exorcismo :
Tão-somente nossas rotas de fuga não são coincidentes.

Caio Fernando Abreu

Não choro mais.
Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais,
Se não estou certo se alguma vez chorei.
Acho que sim, um dia.
Quando havia dor.
Agora só resta uma coisa seca.
Dentro, fora.

Amigos Imaginários

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estudar Para Quê?

O MEC não reconhecerá mais cursos de especializações dados por "entidades não educacionais", como hospitais e fundações.
Não reconhecerá mais, a exemplos, uma especialização dada por um Hospital Albert Einstein, por uma Escola Paulista de Magistratura, por um Tribunal Regional Federal.
Entidades que, sendo "escolas" ou não em sua razão social, são de uma idoneidade e gabaritos inquestionáveis, têm profissionais reconhecidos internacionalmente em seus quadros funcionais.
Não reconhecer um curso ministrado por um hospital Sírio Libanês? Por quê?
Em contrapartida, por exemplo, existe em minha cidade uma tal Faculdades Filadélfia, um muquifo instalado ao lado de uma desativada linha de trem e que produz diplomas e mais diplomas de pedagogia, tudo à distância, tudo virtual. E uma merda dessas, o MEC reconhece.
E não é só essa, existem dezenas de outras, FABANs, UNIFRANs  etc etc que nem a presença do aluno exigem, passam uma aula gravada para a tropa de jumentos e emitem seus diplomas. E esses, o MEC aplaude e bate o seu carimbinho, ou será carimbaço, como num extinto quadro humorístico?
Uma Fipe ministrar uma especialização, não pode; uma Filadélfia, pode.
Estudar para quê?
A reportagem abaixo foi tirada da Folha de São Paulo:

28/01/2010 - 07h52
FÁBIO TAKAHASHI




da Folha de S.Paulo

O Conselho Nacional de Educação determinou na quarta-feira (27) que especializações dadas por entidades não educacionais, como hospitais e fundações, não poderão mais emitir diplomas com reconhecimento do Ministério da Educação.

A medida atinge cursos como os da FIA, da Fipecafi e da Fipe (cujos MBAs estão entre os mais caros do país); dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês; do Tribunal Regional Federal (SP); e da Escola Paulista de Magistratura. No total, são 138 instituições afetadas.

A decisão precisa ser homologada pelo ministro Fernando Haddad (Educação). As entidades afirmam que irão recorrer.

Segundo o conselho de educação, as instituições podem continuar oferecendo os cursos. Os diplomas, porém, não serão mais reconhecidos pelo MEC --chancela que servia de chamariz para os cursos, que chegam a custar cerca de R$ 20 mil (caso do MBA da Fipe).

Passarão a funcionar como cursos livres, semelhantes aos de idioma, em que é emitido um certificado, mas não reconhecido pelo ministério. O órgão que normatiza a educação nacional considerou basicamente a legislação para tomar a medida, não a qualidade dos cursos dessas entidades.

"A Lei de Diretrizes e Bases é clara. Apenas entidades de ensino podem expedir diplomas acadêmicos. Formação profissional é outra coisa", disse Edson Nunes, membro do órgão e professor da Universidade Candido Mendes (RJ).

Recurso

A Funasp (entidade que representa fundações como FIA, Fipe e Fipecafi) diz que o parecer foi aprovado para beneficiar faculdades privadas. Como são entidades educacionais, os diplomas das particulares continuarão sendo reconhecidos pelo MEC, caso a norma seja confirmada pelo ministro.

Assim, reclama a entidade, o reconhecimento do diploma passará a ser um diferencial no mercado de cursos de especializações. Ela diz que recorrerá no próprio conselho, ao ministro e, se necessário, à Justiça.

O parecer foi aprovado inicialmente no ano passado. Ao chegar a Haddad, ele pediu que a questão fosse reexaminada pelo conselho, o que foi feito ontem --foram 11 votos a favor do parecer e uma abstenção.

Calendário

As autorizações para entidades não educacionais concederem diplomas reconhecidos pelo MEC vêm sendo concedidas há mais de 30 anos. O conselho afirma que a ideia inicial era liberar cursos para instituições de "excepcional excelência". Devido ao volume de pedidos, defende o órgão, a característica foi desvirtuada.

O fim do chamado credenciamento especial dependerá do período de autorização que cada entidade recebeu. Algumas, cujas licenças já estão expiradas, não poderão expedir diplomas para novos alunos.

Segundo Nunes, cerca de metade das autorizações vence neste ano; outras vão até 2013, ano em que nenhuma entidade não educacional poderá mais conceder o diploma.


http://www1. folha.uol. com.br/folha/ educacao/ ult305u685785. shtml

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vinícius de Moraes

Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste..

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ISTMO

Busco-me na música
Que (dizes) te faz lembrar de mim.

Vasculho melodia, ritmo,

Rimas, cada tristeza (tão diferentes das minhas) :

Não me encontro.

Engana-te

(Perdoe-me essa ilha, esse istmo, essa falta de estima)
.
Não estou ali.


Investigo-me em cada uma das cartas

Enviadas por ti

Com tua letra – em azul, verde, rosa, púrpura –

Afavelmente redonda como uma carícia.

E embora o carteiro, em sua entrega,

Haja sido certeiro,

Engana-te.

Não foram destinadas a mim.


Não me acho também

Nas dobras do lençol ou nos amarrotados da fronha

Onde habito latente, 500 mg de insônia na veia,

E onde tu sonhas.
Tampouco em alguma reentrância do teu corpo.

Chegou a hora!

(Perdoe-me essa ilha, esse istmo, essa falta de estima)
.
Hora de uma nova fuga,

Uma nova deserção.

Alucinógeno Ayahuasca É Legalizado

É sempre a porra da religião tornando justificáveis todos e quaisquer absurdos e atrocidades, a começar da católica que torna sacro o canibalismo (tomar o sangue e comer o corpo de Cristo).
Então, uma dica a quem possa interessar: basta organizar uma religião em torno da maconha, outra em torno da cocaína, do crack, do ecstasy, da heroína, etc etc.
E aí é só ficar doidão.
Com o aval de deus.
Notícia tirada do portal Yahoo:

Qua, 27 Jan, 09h10

O governo brasileiro oficializou ontem as regras para o uso religioso do ayahuasca, chá também conhecido como santo-daime, entre outras denominações, e utilizado principalmente em cerimônias religiosas no Norte do País. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, veta o comércio e propagandas do composto, que só poderá ser cultivado e transportado para fins religiosos e não lucrativos.

Além disso, a norma coíbe o uso do chá com outras drogas e em eventos turísticos. Também oficializa um cadastramento facultativo das entidades que o utilizam.


O texto recomenda ainda que as entidades façam uma entrevista com aqueles que forem ingerir o chá pela primeira vez e evitem seu uso por pessoas com transtornos mentais e por usuários de outras drogas.


O texto referenda as conclusões de um grupo de trabalho multidisciplinar instituído em 2004 pelo governo para estudar o uso religioso do chá. Não havia impedimento para a aplicação do composto em cerimônias religiosas, mas faltavam orientações para evitar o uso indevido, o que o grupo publicou em 2006.
Em 1985, a bebida chegou a ser proibida no País, mas liberada dois anos depois, quando estudos demonstraram a importância de seu uso religioso. No início dos anos 90 houve nova tentativa de proibir o chá, também refutada. Em 2002, mais uma vez houve denúncias de mau uso do chá, o que gerou os estudos mais recentes. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bolsa-Cadeia

Recebi isso por e-mail e achei que compensava postar aqui.
Tinha era que matar tudo, o bandido, o advogado que defende o canalha, as pastorais da igreja que saem em defesa dos filhos das putas, mas estamos em um país onde as leis são feitas por bandidos, logo...
Eles chamam essa pouca vergonha de auxílio-reclusão:

AUXÍLIO RECLUSÃO
Vocês sabiam que todo presidiário com filhos tem uma bolsa que, a partir de 1/1/2010 é de ate R$ 798,30, por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso, mas mesmo que ele opte por trabalhar na prisão o auxilio não é suspenso.

Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala pra conseguir e manter uma família inteira!!!!!!!!!!!! E muitos aposentados recebem para sustentar toda a família.

Bandido com 5 filhos além de comer e beber nas costas de quem trabalha, comandar o crime de dentro das prisões ainda recebe auxilio de R$ 3.991,50. Qual pai de família com 5 filhos recebe um salário suado igual??? Se for ex trabalhador rural, mesmo que nunca tenha contribuído, recebe salário mínimo. E se o "coitadinho" morrer, vira pensão vitalícia.

Ah, tá duvidando?!?!
Veja a Portaria n.º 350, de 30/12/2009, do INSS
(CONFIRA NO SITE:
http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

Perguntas:
A família do trabalhador, morto pelo bandido, também recebe esse auxílio?
Alguém já viu algum defensor dos direitos humanos pleitear essa bolsa para os filhos das vítimas?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

2012 - Gostei do Cartaz

Faz anos que não vou ao cinema, uns cinco ou seis no mínimo.
Não tenho mais a pachorra de ficar atolado por cerca de duas horas numa poltrona. Nem para a espécie de gente que frequenta cinemas hoje: gente que entra em bandos e vai, num primeiro momento, sentando e levantando várias vezes, testando lugares, até que resolvem se sentar, justamente, na sua frente; num segundo momento, começam a comilança, aquela barulheira toda de plásticos - de bala, de pacotes de salgadinhos, de pipoca -, de mastigação, parecem um bando misto de saúvas e mandruvás; quando as luzes começam a se apagar, indício dos trailers, luzes verde-azuladas das telas de celulares começam a espocar no ambiente, acompanhadas de campainhas e barulhos vibratórios... depois de tudo isso, não há filme, por melhor que seja, que valha a pena (na verdade, tenho pouca paciência para o tipo de gente que frequenta o planeta hoje, mas isso já é outra história).
Até porque só há um cinema na cidade de 600 mil habitantes em que moro. Sim, cinema, propriamente dito, só um. O único, inclusive, a sobreviver no centro da cidade, com a verdadeira telona e mais de 700 lugares.
O resto - e aí ultrapassam as quarenta - são salas de projeção ou melhor, celas de projeção embutidas em shoppings centers, outro ambiente que execro.
Às vezes, passo em frente a esse cinemão do centro quando a caminho de casa, o Cine Bristol, inadequadamente rebatizado de Cauim, hoje passei e vi um cartaz de "2012 - as profecias Maias".
Esse tipo de merda vem da esperança do bicho homem de que todos os seus problemas sejam solucionados magicamente, sem esforço, de preferência por um agente externo, de natureza milagrosa, sobrenatural, heroica, intergaláctica.
O homem faz suas cagadas e não tem a capacidade de repará-las ou não quer se submeter aos sacrifícios necessários para tal.
Por exemplo, o embuste do aquecimento global. O problema é a emissão do gás carbônico?
Ótimo. Fácil resolver.
Parem todas as indústrias, e automóveis, e aviões, voltem para a selva, caçar, pescar, plantar o próprio sustento, tudo sem ferramentas, abandonem seus televisores, computadores, celulares, água encanada, sabonete, papel higiênico, beijem suas mulheres sem o amparo de uma pasta de dentes, andem nus e tudo o mais.
A solução é essa, e é simples, mas não há disposição ao sacrifício. Então, fica mais fácil esperar por um fator exógeno, e, aí, esse fator pode assumir várias formas: deus, santos, anjos, profetas loucos, oráculos, discos voadores, etc e etc... cada um com a crença que mais caiba em seu comodismo.
Conheço superficialmente as profecias Maias, que nada têm de originais. Um cataclismo se abate sobre o planeta e a humanidade terá a chance de reiniciar sua jornada de um novo marco zero, purgada, purificada, a partir de meia dúzia de sobreviventes, os eleitos; aliás esse mito dos "eleitos" é recorrente em todas as religiões.
Sempre as religiões... essa espera pelo salvador ao invés de arregaçar as mangas, é, em grande parte, culpa, mais uma vez, do Cristo, esse barbudo filho de uma puta virgem.
Cristo foi a pior desgraça que aconteceu em toda a História Ocidental, ele prega (sem nenhuma intenção de trocadilho) o conformismo, a mansidão, a cordeirice, o dar a bunda a chute. E não me venham com a velha justificativa de que a culpa não foi do Cristo, mas, sim, do que fizeram dos ensinamentos dele, dos que vieram depois e se assenhoaram deles e os disvirtuaram para seus propósitos.
Merda. Pura Merda.
A culpa é do Cristo, sim.
Se eu me dispuser a passar informações a uma tropa de jumentos, tudo o que esses jumentos fizerem com essas informações, não importa se de um modo distorcido ou não, será, sim, responsabilidade minha.
Por isso, me chamou a atenção o cartaz do filme, que mostra uma imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ruindo nas bases e desmoronando rumo à boca banguela da baía de Guanabara. Sou contra hecatombes de qualquer espécie, mas uma que fizesse ruir não só a estátua do Cristo, mas também todo o seu legado, teria meu apoio e simpatia.
A mensagem do Cristo é de mau-gosto, a estátua do Cristo, sei lá pertencente a que movimento arquitetônico francês, é de maior mau-gosto ainda.
Só sei que nada irá acontecer em 2012 (nem o Cristo ruir, infelizmente), na melhor das hipóteses, o mundo continuará na mesma lama em que está.
Tudo isso para dizer que não vou assistir a 2012 - o filme, mas que gostei do cartaz.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Das Boas Intenções

Tenho um amigo que... esse tenho, depende. Depende de amigo não ser produto perecível, de não ter prazo de validade, não vir com recomendações de manter em ambiente refrigerado após primeiro uso. Se assim, não tenho nenhum. Sou infindamente negligente no trato aos meus amigos. Não telefono, não envio e-mails, mal retorno as ligações que me são feitas, declino de convites com as mais esgarçadas desculpas.
Remeto, vez em quando, imensas cartas, linhas e linhas plenas de minhas digressões e de meus garranchos; aí quem não se manifestam em retorno são eles. E eu entendo. Talvez nem as leiam. Quem, hoje, consegue atentar para mais de 10 ou 15 linhas de palavra escrita? Vamos lá que as leiam. Quem, hoje, sabe empunhar uma caneta por mais de 10 minutos sem que cãibras lhes travem os músculos e ossos? Ainda que improvavelmente as escrevam, quem, além de mim, ainda cria pombos-correio que as entreguem? Só eu. Só eu ainda crio pombos-correio, concessão feita devida à poluição causar interferências em meus sinais de fumaça. Só eu ainda crio pombos-correio. Por isso, eu os desculpo da ausência de seus envelopes sobre a minha mesa, a ocupar minhas gavetas. Por motivos contrários, e, justamente por isso iguais, eles não se ressentem de minha ausência.
Sorte minha, portanto, amigo não portar recomendações técnicas e ter garantia infinita.
Orgulho-me em dizer que nada devo a ninguém, algo incomum hoje em dia. Apenas monetariamente isso corresponde. Devo aos amigos uma lembrança – fazer com que fiquem sabendo de minha lembrança, pois lembrá-los sempre lembro - , um cartão pelo aniversário, pelo Natal, pelo dia em que conheci cada um.
É inevitável, forçoso até, que datas de início de namoro sejam recordadas. E datas de início de amizade? Pois é! Eu me recordo. Eu tenho dessas delicadezas que ninguém percebe, a que ninguém atribui valor. Devo visitas e convites para que me visitem. Devo fortunas aos meus amigos. Mas tenho sorte, meus grandes amigos são generosamente condescendentes com meus calotes.
E é a um desses amigos – sem prazo de validade e credor eterno – que faço referência no início desse relato.
Esse amigo tem outro amigo que, certo sábado, ônibus a caminho do shopping, cedeu bem-intencionadamente seu assento a uma velhinha recém-embarcada no coletivo. Aconteceu de ser sábado de carnaval, e, nessas épocas idas de que digo, era comum, uma espécie de tradição bárbara, alvejar veículos com jatos d’água e ovos, hoje já não se vê dessas práticas.
Pois bem. Nem reles quarteirão andado, um ovo passa pela janela e atinge precisamente a cabeça da velhinha. Sem olhar para a velhinha, esse amigo de meu amigo afunda-se sorrateiramente para a parte traseira do ônibus. Mais um bem-intencionado a garantir vaga no Inferno.
Aliás, se o Inferno está cheio de boas intenções (e ele realmente está) não é para castigo dessa hedionda raça dos bem-intencionados: é para suplício do capeta. É para castigo ao capeta que deus colocou-o a conviver com os bem-intencionados.
Lembrei da história da velhinha quando caminhava por um parque municipal, área arborizada, cachoeiras artificiais e ruas bem pavimentadas por entre a mata, ruas frequentadas matutinamente por aposentados, gordas donas de casa e alguns desocupados como eu.
Lembrei da história da velhinha porque flanando por esse parque me deparei com uma cigarra que se debatia no chão, no asfalto já a ficar quente, sem conseguir alçar seu vôo. Ecologicamente correto que estava naquela manhã, segurei-lhe pelas celofânicas asas e arremessei-lhe ao alto. E não é que o inseto firmou prumo e saiu a voar com o estardalhaço inerente às cigarras?
Já estava até a me vislumbrar recebendo um prêmio dessas ONGs inúteis de preservação da vida selvagem. Prêmio pela minha boa intenção. Pois bem. Nem reles 20 metros voados e a cigarra é colhida, trespassada pela agudeza do bico de um bem-te-vi, que monitorava o seu trajeto (o da cigarra) desde que eu a havia catapultado ao ar. Esse pássaro que ostenta uma máscara negra a lhe ornar os olhos, esse Zorro emplumado, jogou a minha boa intenção a uma cratera de enxofre fervente.
Por isso, quero distância dos bem-intencionados, daqueles que querem ajudar mesmo que ninguém lhes peça, daqueles que “ajudam” mesmo contra a nossa vontade. Grandes filhos-da-puta, os bem-intencionados.
Deste modo, torço para que as forças que regem esse caos todo em que estamos inseridos me proteja dos bem-intencionados.
Pois sei que as cigarras elas não protegem. Nem as velhinhas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ESTATUTO DO C.A. (Covil do Azarão)

Escrevi esse estatuto, que agora transcrevo na íntegra e sem modificações, em 2003, quando eu, ainda solteiro, morei por alguns meses com meu amigão e mentor etílico-buceto-espiritual, o Fernandão.
O Fernandão, boníssima gente, é um cara totalmente desregrado - a começar de seus intestinos -, por isso, achei prudente, a título da boa convivência e camaradagem, redigir um conjunto de normas e etiquetas para o nosso cafofo, um acordo de cavalheiros.
Esse estatuto foi concebido numa madrugada quente regada a vodka Natasha misturada com a falecida Fanta Citrus; escrevi-o sozinho, que meu amigo Fernandão nunca teve grandes intimidades com a caneta.
Ele ficava afixado atrás da porta de entrada do apartamento.
O Estatuto abrange, obviamente, treze artigos ou não seria o Azarão a tê-lo escrito.
Fiquei sabendo que ele já figura entre os grandes códigos ocidentais, fazendo par ao código Draconiano.
Ei-lo:

Artigo 1 - Fica expressamente proibido à biscate dormir no C.A. (covil do Azarão) após a trepada. Senão isso aqui vai acabar virando albergue de puta. Lema do C.A.: biscatis consumest, despachadus est, ou no bom português, biscate traçada, biscate despachada;

Artigo 2 - Chegando um dos moradores com uma biscate, e estando presente o outro, deixar a biscate de fora, entrar e avisar ao outro de que está acompanhado, este deverá ir para o outro aposento de modo a não ver a dita cuja e nem ser visto por ela, podendo retornar ao local de origem assim que a biscate tiver passado. Esse ítem visa evitar constrangimentos. Vai que, por exemplo, a biscate, por ventura (nossa) ou do desventura (do cornão), seja casada; esse procedimento evita constrangimento para ela. Ou vai que a biscate seja um bagulho, dessas que a gente pega depois de uns gorós a mais; esse procedimento evita constrangimento para a gente. E não vale olhar pelo buraco da fechadura na hora da trepada e nem pela janela na hora em que a biscate for embora, que eu te conheço, tá certo?;

Artigo 3 - Não estando o outro morador presente, todos os aposentos do C.A., com exceção do quarto do ausente, poderão ser usados para a prática da pistolada;

Artigo 4 - Estando o outro morador presente, a prática sexual deverá ficar restrita aos respectivos quartos;

Artigo 5 - Será vetado à biscate qualquer tipo de perturbação da ordem ou ao decoro do C.A., a exemplo: sair pelada pelas áreas comuns do prédio, sair a gritar na janela com a peitaria de fora, cantar aos berros os hinos do Corinthians, Flamengo ou congêneres na hora em que estiver gozando. Nem gemer muito alto; isso evitará que a vizinhança, preocupada, chame a Medicar;

Artigo 6 - Caberá à biscate, ou ao seu comedor, colocar no lugar tudo o que for tirado, limpar tudo o que tiver sujado. Questão de justiça: não tem cabimento um comer e o outro lavar a "louça";

Artigo 7 - Fica terminantemente proibido a qualquer um dos moradores oficiais do C.A. ficar contando vantagem ao outro quando esse estiver numa daquelas marés de azar. Ou como sabiamente dizia o Porpeta: "é sacanagem ficar contando dinheiro na frente de pobre";

Artigo 8 - Qualquer peça íntima esquecida no C.A, por descuido da biscate ou a propósito, não será devolvida em hipótese alguma. A peça passará a fazer parte da galeria do C.A., a Xanoteca. Terão lugar de destaque, com direito a spots de luz, as calcinhas tamanho P e os sutiãs GG, traduzindo: buceta apertada e peitaria farta;

Artigo 9 - Nada do que for feito, visto, ouvido, presenciado, deduzido ou pressentido no C.A. deverá ser divulgado para o mundo exterior. O C.A. deverá ser um antro inexpugnável, uma verdadeira "caixa preta" de sigilo. Se for feito muito alarde, a bucetaiada voa para longe;

Artigo 10 - Proibido - proibidíssimo - brochar no C.A, que é para que a casa não fique com má fama. Se sentir que a lua não está boa, não está propícia, deixa a biscate para outro dia. Não vamos sujar água;

Artigo 11 - Camisinhas usadas não deverão ser jogadas no privadão nem no cestinho de lixo; o responsável deverá envolvê-las em papel e, logo em seguida, depositá-las na lixeira defronte ao prédio. Tampouco poderão ser postas para secar no varal ou no box do chuveiro. Nem serem usadas para algum tipo de pândega, a exemplo: colocar dentro do sapato ou bolsos da roupa do amigo. Se, em uma emergência, precisar tomar uma emprestada do amigo, a mesma, quero dizer, uma nova deverá ser reposta o mais rápido possível;

Artigo 12 - O mesmo cuidado de higiene deverá ser observado em relação aos absorventes das biscates. Se bem que se a biscate estiver menstruada, vai trazer ela aqui para quê? Mas de qualquer forma já fica registrado. Nada de abrir o lixo da cozinha e dar de cara com o sachet do guarda-roupa do Drácula;

Artigo 13 - E agora, e finalmente, só falta arrumar a mulherada !!!!
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OBS : Alguém pode estar a se perguntar se o Estatuto funcionou, se foi obedecido.
Para dizer a verdade, ele foi posto à prova poucas vezes, sobretudo pela dificuldade em se cumprir o artigo 13; na época eu era bem mais hábil em escrever estatutos que em conseguir mulher.
Aliás, continuo sendo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Que Tenhas Sorte

Reclamas do teu torcicolo,
Da tua lombalgia quando dormes de maljeito,
Da dor no osso malsoldado da tua mão
Quando chove ou faz frio,
Da goteira de dor em teu coração
E até da dor candente em tu'alma.

Um dia, meu amigo,
Tudo em ti cessará de doer.
E com sorte
- mas só com muita sorte, mesmo -,
Será o dia da tua Morte.