sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Talvez Por Ler Demais Filosofia

Talvez por ler demais filosofia
aquela adolescente graciosa
ficou feia, ficou triste, ficou fria,
perdeu o fresco encanto de uma rosa.

Afundou-se-lhe o peito em agonia
na arca das costelas de onde a prosa
deu ordem de despejo à poesia
para viver da fama palavrosa.

A vagina se cobriu de estéreis teias,
secamente fodida por ideias,
rejeitando do Amor as ternas artes

e hoje ao vê-la sombria quando passa,
sem cu nem mamas, eu maldigo a raça
dos Kants, Lockes, Hobbes e Descartes.

                                                              (Fernando Correia Pina)

Thor, o Mundo Sombrio. E Bota Sombrio Nisso, Bem Lá Onde o Sol Não Bate.

Desde a aparição do primeiro super-herói, em 1903, o Pimpinela Escarlate, os nossos destemidos benfeitores sofrem ataques de seus arqui-inimigos, os super vilões, que buscam aniquilá-los a todo custo, sem obter, a não ser em raras exceções, êxito. Até agora.
Ultimamente, porém, um inimigo muito mais furtivo e insidioso tem rondado o universo e as portas dos super-heróis, um inimigo que pode vir a fazer o que nenhum malfeitor, seja ele um simples assaltante armado ou um poderoso tirano intergaláctico, conseguiu até hoje, provocar a extinção dos super-heróis. Pelo menos do super-herói das antigas, do super-herói macho.
Tal inimigo, cada vez mais forte, a caminho de se tornar imbatível, é a viadagem. Que, aparentemente, descobriu um portal entre a dimensão terrena e a dos heróis, através do qual tem feito incursões cada vez mais frequentes ao mundo dos vigilantes fantasiados.
De uns anos para cá, argumentistas viados (argumentista é o responsável pela enredo da história em quadrinho) têm buscado levar os valorosos paladinos para a sua irmandade. Valendo-se da posição que ocupam, tecem argumentos que mudam, que distorcem a origem dos heróis machos, as suas personalidades e suas orientações sexuais, colocam ícones da macheza heroística em maus lençóis, ou seja, em lençóis com outros machos.
O primeiro caso foi o do Estrela Polar, da Marvel, mas até ai é um personagem insignificante, sem nenhuma relevância no panteão dos quadrinhos. Ninguém reclamou, mesmo porque quase ninguém sabe quem é o Estrela Polar, houve até uma boa aceitação da notícia e críticas elogiosas à editora, que demonstrava assim estar conectada aos novos tempos.
Pronto, foi o que bastou. Os aplausos à rosca queimada do Estrela Polar foram o aval de que os argumentistas boiolas precisavam. Começaram a levar os maiorais para a irmandade. Allan Scott, o Lanterna Verde da clássica era de ouro, teve seu nome jogado à lama por um argumentistazinho de merda, em uma das reformulações do Universo DC, foi declarado homossexual.
Heresia das heresias, o Wolverine e o Hércules, em um universo paralelo ao da Marvel, descobrem-se viadões e têm um tórrido romance. E sem contar o caso do Batman, que os argumentistas viadinhos ainda não conseguiram levar para o gueto, mas que estão sempre de olho numa oportunidade. O bom, velho, e macho Bruce Wayne comeu a Mulher Gato, a Hera Venenosa, a Bat Girl e outras gostosas dos quadrinhos, ainda assim tem sua masculinidade constantemente posta em dúvida por argumentos dúbios, mal-intencionados. As pregas do Batman são o troféu de caça mais cobiçado pelos argumentistas bichonas.
Além disso, vários atores que já interpretaram no cinema alguns do maiores personagens dos quadrinhos e da literatura de heróis declararam-se, posteriormente, homossexuais. Billy Zane, que envergou o uniforme quadricentenário do Fantasma, o Espírito Que Anda, confessou que curte mais as lanças dos pigmeus Bandar do que a xavasca da Diana; mais recentemente, Daniel Craig, o atual James Bond, o agente 007, assumiu que preferiria Bond Boys em seus filmes às já mitológicas e gostosíssimas Bond Girls.
Agora - e esse é o motivo desse meu falatório, dessa encheção toda de linguiça -, os atores Chris Hemsworth e Tom Hiddleston, que interpretam, respectivamente, Thor e Loki, declararam publicamente seu amor um pelo outro durante uma conferência de imprensa em Londres para divulgar 'Thor - O Mundo Sombrio', o segundo filme da franquia Thor.
Com a revelação de que quem levanta o martelo do Thor é o Loki, um fã da China - éden das cópias e das falsificações -, usando o photoshop, adulterou o cartaz original do filme e produziu um simulacro, um fake que está dando o que falar mundo afora, uma vez que chegou a ser confundido como se fosse o cartaz oficial da película.
No cartaz original, Thor abraça por trás a mocinha Jane Foster, interpretada pela apetitosa Natalie Portman, aconchegando-a junto a seu forte tórax, como a proteger de algum perigo. O fã chinês removeu a imagem de Natalie Portman e inseriu a de Tom Hiddleston, o Loki, que parece muito satisfeito em ser encoxado por Chris Hemsworth, o Thor; Loki parece mesmo em pleno deleite por estar com a marreta de Thor (não confundir com a do Azarão, por favor) a cutucar-lhe os intestinos.
Blasfêmia! Viadagem! E incesto, uma vez que Thor e Loki são meio-irmãos.
As declarações dos atores e a brincadeira do fã chinês não repercutiram apenas aqui, no planeta Terra, a Midgard.
O escândalo atravessou a ponte do arco-íris (olha a viadagem de novo aí), a Bifrost (bi?), e adentrou os portões dourados de Asgard, lar dos deuses e domínio de Odin, o Deus Supremo do panteão nórdico, governante dos nove mundos e pai dos recém-embichados Thor e Loki.
Pelos bicos dos corvos Hugin e Munin, os papagaios de pirata do deus caolho, chegam-me notícias terríveis sobre o estado de Odin. Odin está triste, deprimido, desiludido da eterna vida.
Entre as inúmeras atribuições do Pai Odin, está o constante e ininterrupto vigiar da Espada do Ragnarok, que é o apocalipse lá dos nórdicos. No dia em que a imensa espada do Ragnarok sair de sua bainha, dar-se-á o início do fim dos nove mundos; a função de Odin é empurrar a espada à sua posição original sempre que ela começar a escorregar da bainha.
Ficando a par, porém, de que nenhum de seus filhos, nem o biológico, Thor, nem o adotivo, Loki, são verdadeiramente espadas, Odin pretende não só não mais deter o avanço da Espada de Ragnarok como também, ele próprio, arrancá-la da bainha e decretar o fim dos tempos.
Decretar, não, que nem sobre tudo os deuses têm controle, oficializar, na verdade. Jogar uma pá de cal em cima, assumir a falência dos deuses, semideuses e heróis.
Há quem diga que esses atores que interpretam ícones da masculinidade no cinema e depois se assumem como gays, na verdade, só não o fizeram antes por medo de algum tipo de preconceito que os impedissem de conseguir determinados tipos de papéis, o de macho, por exemplo. Com o sucesso do filme, com o reconhecimento e aceitação do público, o cara perde o medo de ser rejeitado por Hollywood, afinal, gerou grande bilheteria para a indústria do cinema, e assume tranquilamente a sua boiolagem.
Eu já tenho outra teoria, meio que conspiratória. Acredito que haja um conluio entre os argumentistas viadinhos que já citei e os roteiristas e diretores de filmes. Quando um argumentista de quadrinhos não consegue enviadar um herói, ele se alia ao roteirista e ao diretor do filme e, de caso pensado, é escolhido um ator que eles já sabem ser gay, com a condição dele só revelar isso depois do sucesso do filme. Ou seja, o personagem em si, o argumentista não consegue enviadar, mas atrelando a imagem de um ator gay ao super-herói que ele interpreta, as pessoas já começam a olhar de outro modo, meio desconfiadas, para as roupas colantes e para as belas madeixas louras do Deus do Trovão.
Não sei se Lex Luthor ou Rei do Crime, não sei se Brainiac ou Dr. Destino, não sei se Curinga ou Caveira Vermelha, mas que há um gênio do crime por trás (literalmente por trás) dessa onda de heróis afeminados, isso há.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Uma Igreja do Caralho

O satélite mais enxerido do planeta, ou melhor, em órbita dele, o do Google Earth, revelou o inusitado formato de uma igreja em Illinois, EUA, a Igreja da Ciência Cristã - ciência cristã... de onde vemos que a picaretagem religiosa está longe de ser exclusividade de nossos padres e pastores evangélicos, e que burrice  não tem nacionalidade, há estúpidos em todo o globo, independente de terem nascido em países mais ou menos desenvolvidos.
Vista do alto, pelas lentes onipresentes do Google Earth, a igreja tem o exato formato de um pênis, uma rola, um pinto. Um pinto meio flácido, meio cabisbaixo, meio broxado, é verdade, mas um pinto.
A igreja é uma verdadeira piroca, e daquelas que são tortas para um dos lados. 
Os responsáveis pela construção da igreja se declararam surpresos, jamais poderiam supor a fálica estrutura. O padre explica o porquê da construção de uma estrutura com tal curvatura, e a explicação só piora as coisas, ou melhor, só melhora, só deixa a situação mais divertida e carregada de duplos sentidos.
Segundo o paróco, a igreja foi construída de modo a contornar uma árvore centenária que há no terreno, evitando assim a sua derrubada, é a árvore que aparece ao lado das "bolas" da igreja. Sabem de que espécie é a árvore? É um imponente e grosso carvalho. Carvaaaaaaalho!!! Para não derrubar o carvalho, a igreja ficou parecida com um caralho.
E tem mais : na placa afixada na entrada da igreja, sob o nome Christian Science Church, pode se ler o lema da congregação : rising up. Ou seja, subir, levantar, erguer.
E o surreal continua em sua marcha: o padre prometeu para breve uma cobertura para a igreja, que a protegerá dos olhares indiscretos de satélites-voyeurs, uma espécie de toldo, em forma de folha de parreira, a ocultar as intimidades da igreja.
Por enquanto, o que se tem de fato é que a descoberta do formato da igreja vem causando uma acirrada disputa pelos melhores lugares do templo entre as beatas mais encruadas : todas as beatas têm se digladiado ferozmente para se sentarem bem na frente da igreja, isto é, na cabeça da piroca.
Pããããta que o pariu!!!!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Poema da Desejada Invisibilidade

Estão, o Coisa e a Mulher Invisível, na mesa de um bar. 
Totalmente porrados, hálitos rançosos, 
Copos rançosos de digitais e labiais, luz de 25 W, 
Paredes lacrimejantes de mofo; 
Porrados, deprimidos da vida, 
Melhor: deprimidos de vida. 
Estão numa mesa de bar, o Coisa e a Mulher Invisível.  

O Coisa: “Tá lá, porra, no dicionário Marvel, que eu dou conta de 75 toneladas”. 

Pausa, lenta pausa, para um gole, grande gole, de ambos.

Continua, o Coisa: “Mas, vez em quando, quase sempre ultimamente, 
fica tudo tão pesado que eu arrio, com as 4 patas, 
desmonto, mesmo”.  

Outra pausa, para um bater de cinzas do charuto no cinzeiro; 
Volutas de fumo rodopiam, abraçam e dançam com a face paciente 
Tolerante, resignada, da Mulher Invisível.  

Ainda, o Coisa: “Sabe, às vezes, tenho vontade de sumir”. 
A Mulher Invisível: “Esquece! Bobagem... sumir também não adianta!”. 

(A cena se fecha num superclose, num fantasticzoom 
do cruzar de dois fastientos olhares, basáltico e etéreo-vaporoso. 
A cena se fecha num superclose, num fantasticzoom 
do escapar, do vazar, do erodir de duas distintas lágrimas: 
de obsidiana, uma, capaz de riscar o quartzo, 
de cristal corrediço, a outra, com igual índice de refração do ar.)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

E Eu Que Pensei Que Só Teria a Companhia Dos Vermes Após a Minha Morte...

Segunda-feira, 07:00 h da manhã, pátio de uma escola grande (que um dia já foi uma grande escola) para alunos do ensino médio (que já foi o excelente Colegial, que já foi o lendário Científico, Clássico e Normal, boa época em que, verdadeiramente, separava-se o joio do trigo).
Uma antessala do saber, o pátio, diriam os mais poéticos, suporiam os mais ingênuos, acreditam ainda os idiotas idealistas - existem idealistas de outro tipo? Vou me arriscar na redundância.
Antessala do saber é o cacete!
Um mercado de peixe, um almoço de domingo de família italiana, uma zona de guerra (perdida); e só não digo uma zona de zona, de zonão, porque até no puteiro há quem mande no recinto, até no puteiro há regras válidas, há uma hierarquia a ser obedecida. Não obstante, não deixa de ser um local de tolerância, a escola de hoje.
Antes, atravessar o pátio rumo à sua cátedra e ver os alunos uniformizados e organizados em filas, prontos para mais uma jornada produtiva em sala de aula, alguns mesmo com o caderno na mão a dar uma última revisada para a prova do dia, ou furtivamente a terminar a tarefa que não fez em casa, a demonstrar, de qualquer forma, algum interesse ou preocupação para com sua atividade discente, dava ao professor elementos de estímulo para romper a inércia da cruel segunda-feira.
Hoje em dia, quando atravesso o pátio, evito olhar para os lados, sob pena de, caso me arrisque a, não só não receber o necessário estímulo, mas, ao contrário, uma pesada bola de ferro agrilhoada aos pés, já pesados por si próprios, pelo tanto andar, pela idade, pelo tanto ser pés.
Não há mais filas, não há mais ordem, logo, nosso lábaro, que ostentamos estrelado, fica mutilado do progresso; não sou positivista, substituo a ordem, pois, por disciplina, não há mais disciplina, sem ela não há progresso.
Há turbas pelo pátio, tribos paleolíticas, turbilhões, emaranhados, maçarocas de alunos. Sim, muitos alunos, uma vez que regularmente matriculados e constando do sistema; estudantes de fato, poucos, cada vez mais raros. Aglomerados amorfos de autômatos, zumbis. Ciborgues conectados por fios às suas maquininhas insuportáveis - celulares, iphones etc. Ciborgues, sim. Zumbis cibernéticos, sim.
Porque quem vive conectado a fios, isolado do mundo em que vive, das duas,  uma : ou é um paciente em coma numa UTI, respirando através de aparelhos, ou é um ciborgue, vazio, sem personalidade, sem o menor conhecimento de si, sem vontade própria.
Tirem-lhes a abominável engenhoca e eles reagirão como um drogado sem sua heroína, reagirão como se parte de sua anatomia lhes fosse amputada, ou como se o diabo levasse suas almas. E é o que acontece na realidade. Arranque-lhes o celular e os alije de seus cérebros, dos seus eus.
A grande maioria, que engrossa a cada dia, transferiu seus cérebros para os chips dos celulares, suas personalidades (que mudam conforme trocam o modelo de celular que possuem), suas essências. Não demorará o dia, em que perguntado sobre quem é, o ser humano dirá, sou o motorola modelo x, sou o samsung modelo y, o Nokia modelo z, e assim por diante.
(Oh, Huxley, oh, Orwell, como me parecem desejáveis, hoje, as suas distopias, que tão terríveis me pareceram à epóca em que os li pela primeira vez.)
No mais das vezes, até por questão de sanidade, ignoro-os - os celulares e os seus animaizinhos de estimação, os humanos -, porém, às vezes, o grau de imiscuidade e promiscuidade entre eles é tão gritante que, pego desprevenido, acabo não desviando o olhar a tempo.
Segunda-feira braba e, só para começar o dia, caiu-me à frente a cena, das que eu presencei, mais tristemente emblemática do esvaziamento do ser humano, da sua relação doentia com a tecnologia e da sua total aniquilação como indivíduo, como ser particular.
Vi uma aluna concentrada em pressionar a testa de uma outra com seus polegares, a lhe espremer uma espinha ou um cravo. Nada de mais até aí, meio nojento, mas nada anormal. Mas ao passar mais perto da dupla, vi que o ato não se resumia apenas a isso. Enquanto a amiga tentava lhe extrair o cravo da testa, a outra filmava o ato com um celular, cinegrafava os dedos da amiga apertando sua fronte, aguardando o final feliz, quando o cravo espocasse para fora. E a dona do cravo já anunciava que mais tarde colocaria a operação no seu feicibúqui.
O segundo evento mais importante do dia daquela menina seria aquilo, um cravo espremido pela amiga; o primeiro, lógico, seria a postagem dele no feicibúqui.
Respirei fundo e segui. Duas primeiras aulas do dia, aula dupla numa sala de 2º ano de ensino médio. Fiz o controle de frequência e comecei a chamar os alunos para um visto na tarefa pedida há duas semanas. Duas semanas para que fizessem lá três ou quatro exercícios de sua apostila. Duas pessoas. Duas alunas apenas apresentaram a tarefa, uma simples tarefa à qual nem imputo a obrigação de estar certa, apenas a de fazê-la, pois à correção sempre procedo em seguida. Uma sala de 42 alunos matriculados, duas pessoas cumpriram com uma simples tarefa. Tal ocorrência não é exclusividade dessa sala em questão, tampouco de meu componente curricular, ela é recorrente na maioria das salas e com todos os professores.
Não escolhi ser professor, muito menos fui movido a isso por vocação. Aliás, desconfio muito do sujeito que se diz vocacionado para isso ou para aquilo desde a mais tenra idade. Acredito que sigamos uma inclinação natural e que as contingências, essas sim, é que vão traçando nossas rotas. As contingências nos põem um obstáculo aqui, tira-nos outro acolá, nosso mapa vai sendo desenhado, até que somos postos frente a uma situação, a uma possibilidade, à qual dizemos sim, ou recusamos.
Uma série quase que interminável de contingências me pôs de frente com a possibilidade de ser professor, e eu disse sim. Em parte porque já estava cansado de ver, nas outras profissões que havia exercido, e exerci um punhado delas, a estagnação das pessoas. O sujeito adquiria uma profissão, por exemplo, caixa de banco, e era isso o que ele seria pelo resto de sua vida, caixa de banco, e pior, o mesmo caixa de banco de quando começou, sem nenhum tipo de interesse em algum aperfeiçoamento de sua função, sem buscar nenhum tipo de incremento que o tornasse mais dinâmico e eficaz.
Acreditei que me tornando professor e trabalhando com jovens, com pessoas em formação e, supostamente, ávidas por novas informações e conhecimentos, eu conseguisse manter também a minha vivacidade profissional. Ao ter que atender a vontade do outro pelo novo conhecimento, eu também me manteria em incansável busca dele.
E até que foi assim. Durante um tempo, um curto tempo. De alguma forma, e por razões que nem tento mais desvendar ou enumerar, o desinteresse foi se instalando nos alunos, em menos de uma curta decáda, ele está enraizado, irremovível.
Hoje, não existe ninguém mais desinteressado pelas coisas do mundo que o cerca do que o jovem em idade escolar. Há ainda aquelas raras e honradíssimas exceções. Cada vez mais raras, cada vez mais insuficientes para manter vivos o ânimo e o propósito do professor, que de perguntas, e não só de perguntar, também vivemos.
E eu que pensei ter encontrado a pedra filosofal dos ofícios, a fonte da juventude laborial. E eu que pensei que só teria a companhia dos vermes após a minha morte...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Testemunhas de Jedi

No último censo demográfico realizado na Inglaterra, 175 mil súditos da Rainha, respondendo ao quesito religião, declararam que são...cavaleiros de Jedi.
Sim, 175 mil britânicos se consideram - se sentem - pertencentes à ordem dos cavaleiros espaciais criada por George Lucas em sua série de filmes Star Wars, e cujo nome, Jedi, revelou o próprio Lucas, foi inspirado em "jidaigek", um gênero japonês de cinema e teatro que retrata samurais do período Edo, do Japão Feudal.
Tal número de adeptos, 175 mil, torna os cavaleiros de Jedi a sétima denominação religiosa da Inglaterra. Eles estão presentes em quantidades significativas também na Austrália (65 mil), na República Tcheca (15 mil) e no Canadá (9 mil).
Absurdo? Depende. À luz de uma análise, digamos, mais cartesiana, sim, absurdo puro e genuíno. Porém, dentro da "lógica" da crença no divino e do culto às religiões, não, absolutamente, não; pelo contrário, é da mais perfeita e simétrica coerência.
Deus não existe! Logo, qualquer coisa pode ser alçada à condição de e, objetivo maior, tornar-se em objeto de adoração e de renda.
Qualquer coisa pode ser deusificada, desde fenômenos climáticos - ventos, relâmpagos, a "fúria" dos vulcões etc -, passando por pedras e monolitos sagrados, até animais como o bíblico bezerro de ouro; a história está cheia desses tristes exemplos da irracionalidade, da fraqueza e da imaturidade humana.
Atualmente, o exemplo mais didático que me ocorre é o da Índia, um dos lugares do mundo que faço questão de não conhecer antes de morrer. Lá, elefante é deus, rato é deus, macaco, rato, vaca, irmãos siameses, hermafroditas etc.
Por que não, então, uma religião de culto à Força, os cavaleiros de Jedi?
Para quem nada sabe dos Jedis, um resumo : a doutrina Jedi acredita que todos os seres vivos compartilhem de uma mesma energia cósmica, que os une entre si e também ao Universo, a Força. Os cavaleiros Jedi desenvolvem o domínio da Força e se tornam capazes de canalizá-la para exercer influência sobre pessoas, animais e objetos, com o objetivo de promover e preservar a paz da República Galáctica Interplanetária, da qual sãos guardiões, sempre a portar seus indefectíveis sabres de luz. 
Afirmam que há registros da "Força" em fenômenos físicos e até nas escrituras de livros sagrados como a Bíblia : "Quando Moisés abriu o Mar Vermelho, fez uso da Força", garante um dos cavaleiros Jedi. A igreja Jedi não possui templos físicos, os devotos se reúnem pela internet; pautam-se por um código de conduta, mas não seguem nenhum livro sagrado. E, ao contrário do que possamos pensar, garantem que não rezam para Yoda, o mestre Jedi supremo.
Loucura? De novo, depende. Isso de loucura, ou de sanidade, é muito relativo. Relativemos, pois. Comparemos a história dos Jedis com uma outra, bem mais conhecida nossa, vejamos a história do Cristo :
um salvador concebido por uma mãe virgem, fecundada por obra e graça de um tal Espírito Santo cuja vinda foi anunciada por um Anjo do Senhor, portador de uma espada flamejante. E o Filho, na verdade, não é Filho, é o Pai, é próprio Deus tornado em homem pela essência do Espírito Santo, que também é o próprio Deus, declarado uno e que também é trino, e que no fim, para redimir a humanidade de seus pecados, mandou o Filho para a cruz, ou seja, a ele mesmo, declarou a própria execução. Para que depois o Filho ressuscitasse, ascendesse aos céus e ocupasse o seu lugar à direita do trono do Pai, isto é, sentasse-se ao lado dele próprio.
Entre os animais, o único caso conhecido de partenogênese - o desenvolvimento do embrião sem que haja fecundação - ocorre entre as abelhas, em que os óvulos não fecundados se desenvolvem e originam os machos da espécie, o zangão. Cristo seria, então, uma espécie de zangão cósmico, um deus-zangão redentor de nossos pecados.
Imagine agora que você estivesse ouvindo as duas histórias pela primeira vez, a da Força, que a todos conecta ao Cosmos, e a do deus-zangão, que a todos nos livrou dos pecados. Qual delas lhe pareceria mais fantasiosa, mais absurda?
Acontece que uma delas, a primeira, chegou-nos quando já tínhamos uma certa idade e, principalmente, nos foi narrada como o que verdadeiramente é, uma ficção, uma fantasia; a segunda, a do deus-zangão, nos foi impingida desde o berço, como fosse uma verdade inquestionável, e se repetido à exaustão, o absurdo adquire ares de possível, ou, pelo menos, a estranheza em relação a ele é perdida, se dilui, volatiza.
Se ao invés da Bíblia, as pessoas tivessem sido criadas, educadas, doutrinadas através da trilogia Star Wars, não tenham dúvidas, elas sentiriam a Força da mesma forma com que sentem a presença de Deus; acreditem, elas rezariam para o Mestre Yoda, ou para Luke Skywalker, com o mesmo fervor com que se ajoelham e rezam para Cristo. Darth Vader seria Lúcifer e George Lucas, o Papa, infalível em suas decisões e pronunciamentos.
Se tivessem sido evangelizadas pela trilogia Star Wars, as pessoas, em lugar de crucifixos pendurados ao pescoço, exibiriam miniaturas dos sabres de luz Jedi. Pãããããta que o pariu!!! Isso é o que eu chamo de ficar entre a cruz e a espada.
Se bem que nem tanto assim. Se eu tivesse de optar entre a cruz (do Cristo) e a espada (de Jedi), minha escolha seria fácil. Sob certas condições, lógico.
Se em meu batismo, eu recebesse um autêntico sabre de luz Jedi e pudesse dar uma metida numa gostosa amazona Jedi vestida de Princesa Leia, eu me converteria à Força. Na hora. Imediatamente.
Não pagaria dízimo, mas me converteria. Seria um cavaleiro Jedi não praticante.
Eu torço pela extinção total das religiões, mas o que vem ocorrendo é, ao contrário, uma profusão desmedida delas - os que se dizem cavaleiros Jedis não estão de brincadeira nem de sarcasmo, eles consideram mesmo a sua crença na Força como uma religião. E se algo de bom pode ser tirado disso, dessa profusão descontrolada, é que as incipientes religiões mostram, a quem estiver disposto a ver, o quão inconsistentes e ridículas são, também, todas as antigas e já consagradas religiões.
Duas amazonas Jedi em trajes típicos de Princesa Leia, prestes a entrarem em comunhão espiritual com a Força. Compensa ou não compensa dar uma espadada?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma Elegia À Cláudia Ohana (A Última)

Durante mais de dois anos, sempre no primeiro dia de cada mês, eu fiz aqui no Marreta uma pequena homenagem à Cláudia Ohana, a deusa protetora das matas densas, úmidas e sombrias.
Meu singelo tributo sempre consistiu de uma foto de uma mulher bonita, preferencialmente nua, com cabelos fartos, longos e revoltos - cabeleira à la medusa -, acompanhada de um trecho de uma música consagrada de nossa MPB, em cuja letra se encontra a palavra cabelo ou pelo.
Foram vinte elegias, e mais outras tantas poderiam a essas se seguir, mas...
Cláudia Ohana desistiu de sua divindade, de seus dons Olimpianos, preferiu se tornar mortal.
No início do mês passado, declarou que sim, que agora raspa a buceta.
Aqueles pelos eram o próprio Velocino de Ouro, lã do mitológico carneiro alado Crisólamo, que conferia poderes mágicos de força e velocidade a quem o possuísse, e em cuja busca Jasão e seus Argonautas a tantos perigos mortais se expuseram.
E de uma hora para outra, Cláudia Ohana chega, como quem não quer nada, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e diz que raspa a buceta.
Perdeu o seu Velocino de Ouro, desfez-se dele voluntariamente, guilhotinou-o com um reles e mundano prestobarba, perdeu seus poderes.
Assim posto, não ficarei mais aqui a deitar loas nem a erguer templos para deusas mortas.
Prestar-lhe-ei, então, uma última reverência, mais em caráter de uma nênia que de uma elegia; e nunca mais tornarei a elevar meus pensamentos a ela.
A foto, nessa derradeira vez, é da própria Cláudia Ohana, em seus clássicos tempos; a música, Cabelo, tem letra de Arnaldo Antunes.
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Quem disse que cabelo não sente
Quem disse que cabelo não gosta de pente
Cabelo quando cresce é tempo
Cabelo embaraçado é vento
Cabelo vem lá de dentro
Cabelo é como pensamento
Quem pensa que cabelo é mato
Quem pensa que cabelo é pasto
Cabelo com orgulho é crina
Cilindros de espessura fina
Cabelo quer ficar pra cima
Laquê, fixador, gomalina
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada
Quem quer a força de Sansão
Quem quer a juba de leão
Cabelo pode ser cortado
Cabelo pode ser comprido
Cabelo pode ser trançado
Cabelo pode ser tingido
Aparado ou escovado
Descolorido, descabelado
Cabelo pode ser bonito
Cruzado, seco ou molhado

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O Dia do Saci

Hoje, 31 de outubro, é o Dia do Saci!
E Dia do Saci é feriado lá no bambuzal.
No Dia do Saci, Saci não trabalha, fica de pernas pro ar, quer dizer, de perna pro ar.
No Dia do Saci, o Saci não azucrina as pessoas e os animais, não faz gorar os ovos nos ninhos, não queima o feijão da preta velha, não benze a pipoca para transformá-la em piruá, não trança a crina dos cavalos, não some com objetos, não azeda o leite, não esconde o dedal da costureira, não assombra os viajantes pelas estradas de terra a lhes pedir fumo, não faz zangar a poção em fervura no caldeirão da prima Cuca.
No Dia do Saci, o Saci descansa no capoeirão da mata. Todos eles, o Pererê, o Açu, o Trique, o Saruçá, o Matita-pereira.
Eles ficam lá, no capoeirão, sossegados, pitando seus cachimbinhos, falando da vida, gabando-se de suas proezas, de suas vantagens, de suas montarias em redemoinhos, beliscando uns tira-gostos de cogumelos.
E relembrando histórias de amigos falecidos, contando "causos" e mais "causos" sobre Monteiro Lobato.
 Feliz Dia do Saci, Saci.

Magali Quer Uma Pica

O fato a seguir torna o surreal, plausível, trivial.
No Acre, uma professora de uma série primária se utilizou de uma tirinha de jornal como enunciado de uma questão para seus pupilos. Na tirinha original, da Turma da Mônica, Cebolinha e Magali chegavam a um carrinho de pipoca e Cebolinha fazia seu pedido, Eu quelo um saco de pipoca; em seguida, o pipoqueiro voltava-se para Magali e perguntava, E a garotinha? O que sobrar, respondia a esfomeada Magali.
A questão, de múltipla escolha, cobrava que o aluno fosse capaz de identificar a reação manifesta na cara do pipoqueiro e a resposta correta era a letra D, espantado.
Só que por alguma razão, ou pela mais absoluta falta dela, a professora resolveu imprimir sua marca autoral à tirinha e modificou-a, revelando toda a sua pujança peidagógica.
A "obra" acabada ficou assim : E a garotinha?, o prestativo pipoqueiro; Uma pica, responde uma insaciável Magali.
Isso mesmo! Uma pica, um caralho, um pau, um cacete, uma rola!
Ao receberem as provas dos filhos, alguns pais procuraram a direção da escola em busca de esclarecimentos. Que não foram dados a contento. O que os pais receberam foi uma série de desculpas esfarrapadas. 
Primeiro, a professora resolveu passar a batata quente para outras mãos, jogar a culpa em outrem, revelando toda a ética e o coleguismo típicos do meio professoral, disse que a culpa era da coordenação, que avaliara e aprovara o teste antes de sua aplicação. Ela pôs a pica na boca faminta da Magali, mas a culpa foi da coordenação, que deixou o absurdo passar incólume, o que também não deixa de ser verdade, mas enfim...
Acuada, a professora acabou se complicando ainda mais com suas "explicações" para o ocorrido, afirmou que a maldade está na cabeça do adulto e não da criança e que isso não era um palavrão. Não, não é, não
Durante a avaliação, alguns alunos avisaram a professora sobre a presença de uma "imoralidade na prova", mas ela negou que pica fosse um termo maldoso. 
Percebendo a impossibilidade da coordenação pagar o pato em seu lugar, a professora tentou novo subterfúgio e jogou a culpa para cima da secretária da escola, que teria digitado erroneamente a prova. A corda sempre arrebentando do lado mais fraco : "No rascunho era outra expressão, aí a moça que elabora a prova puxou a tirinha da internet e não percebeu que ela estava com a expressão errada", disse a zelosa mestra, mais uma vez incapaz da honradez de assumir seu próprio erro, mais uma vez dando um belo exemplo do que é educação para seus alunos.
A coordenadora da escola se mostrou tão competente de suas funções quanto a professora das dela, admitiu que chegou a revisar a versão da prova já com a expressão alterada, antes dela ser aplicada. Porém, disse ter pensado que o uso da palavra, como se tratava de uma questão de interpretação, fora intencional.
Sim, que foi intencional, foi, mas com que intenção, exatamente?
Ou seja, a pica passou por várias e várias mãos antes de chegar às dos alunos. E ninguém percebeu, ou até sim, mas não achou nada de errado com sua presença. 
Bom, para mim está bem claro que a tal da pica ou é coisa das mais banais, das mais comuns e corriqueiras para a equipe peidagógica da escola, ou o contrário, que a professorada tenha já se esquecido do que é uma pica, esquecido-se, pela falta do uso e da prática, das verdadeiras utilidade e destinação de um caralho.
Acredito, no entanto, e tudo daqui em diante são suposições, que tenho a explicação mais racional possível para o imbróglio. Tenho quase certeza de que o incidente foi provocado pelo bom e velho ato falho, um erro involuntário na fala, na memória, ou mesmo numa ação física, com origem no inconsciente e desencadeado por um desejo reprimido, por uma necessidade não satisfeita, não atendida.
Por minha observação de quase duas décadas da categoria docente, noto que a maior carência dessa classe, que já foi tão valorosa, não chega a ser os baixos salários que recebe - e que realmente são miseráveis, humilhantes -, nem as péssimas condições de trabalho a que é submetida - e que são de fato degradantes -, tampouco o absoluto desrespeito com que é tratada pelos alunos e população em geral, nada disso. A maior carência que noto, a que mais ressente e entristece a categoria, é a da pica.
Já disse o sábio Paulo Salim Maluf, e isso há algumas décadas, que professora não ganha mal, professora é mal casada. De lá para cá, a coisa piorou. E muito. Às mal casadas de Paulo Maluf, juntou-se o enorme contigente atual das descasadas. 
A situação é crítica entre as nossas queridas professorinhas, periclitante, de matar cachorro a grito. A falta da pica é lugar-comum no meio docente. A pica é a necessidade mais premente da classe. E com o mercado de machos em baixa, conseguir uma pica se tornou uma ideia fixa entre a categoria, quase que uma obsessão. Um homem para chamar de seu é preocupação que ocupa as 24 horas do dia da professora descasada.
E o ato falho, implácavel e infalível, rompeu a amarras do consciente e expressou-se pela boca gulosa da Magali. Só faltou a inclusão de duas outras alternativas à questão : letra E, envergonhado; letra F, excitado.
Talvez - eu ainda à cata de uma explicação razoável -, a professora tenha desejado homenagear o povo indígena, ainda tão presente no estado do Acre, e feito alusão à clássica piada do índio, na qual uma mulher muito da gostosa pergunta para um índio, que a comia com os olhos, se ele quer pipoca. E o nosso bom (e nada bobo) silvícola, responde : índio não quer pipoca, índio quer "pô" pica.
Falando um pouco mais a sério, o mais provável é que a tirinha tenha sido copiada da internet já dessa forma, adulterada, e usada na prova sem maiores cuidados e averiguações, tão necessários a qualquer material que recolhamos da internet. Descuido que pode ser resultante da sobrecarga de trabalho com que o professor é obrigado a lidar e a conviver em seu dia a dia, se quiser ganhar um salário minimamente digno. Não estou afirmando que tenha sido isso, nem que essa tenha sido a única razão, mas que a sobrecarga é um forte fator a ser considerado quando a qualidade do trabalho de um professor é afetada, isso é.
De qualquer forma, em um exercício canalha de minha imaginação, posso visualizar a coordenadora revisando a prova e dando de cara com a Magali a dizer que quer uma pica. Com um suspiro profundo, intimamente, ela pergunta retoricamente aos seus botões : e quem é que não quer, minha filha, e quem é que não quer?
Bom, eu é que não!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Carta do Apóstolo Valdemiro Aos Idiotas

O canal 32, ex-MTV, de propriedade do grupo Editora Abril, está à venda. Pela bagatela de R$ 500 milhões, qualquer um poderá se tornar um feliz dono de um canal de televisão. E há um interessadíssimo comprador em potencial : o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da denominação religiosa Igreja Mundial do Poder de Deus.
A compra do canal poderá expandir o alcance de sua igreja, aumentar a arrecadação e tentar sanar a grave crise financeira pela qual passa a congregação do apóstolo, parte dela decorrente do desvio de dízimo realizado por alguns de seus próprios pastores. Valdemiro Santiago - tadinho - está a enfrentar seu próprio Judas.
Mas, regra básica do capitalismo, para fazer dinheiro, é necessário dinheiro. E onde consegui-lo? Trabalhando? Claro que não. Nem tentem, garanto que não funciona. Valdemiro Santiago, porém, é muito mais esperto e inteligente que esse que vos fala, nem se dará ao trabalho de tentar trabalhar.
A solução é tosquiar, ainda mais, suas prestativas e providentes ovelhinhas. Da lã, nada lhes sobra, máquina zero já lhes foi passada até o último dos fios; o que resta a Valdemiro é arrancar-lhes o couro, ou conseguir novas ovelhas, felpudas e lanosas, lã fresca e idiota para os cofres da igreja.
E que melhor isca para novos fiéis que não um bom milagre? Que melhor chamariz do que, a troco de um reles dízimo, ter o Todo-Poderoso a seu inteiro dispor, a lhe dar consultoria e a resolver seus problemas?
Sim, o crente, antes de tudo, é um canalha preguiçoso. Via dízimo, ele terceiriza a deus todos os seus problemas e todas as providências e decisões às quais deveria proceder para melhorar a própria vida. Um dobrar de joelhos e umas moedinhas em troca de um milagre de prosperidade. Convenhamos, não é um mau negócio.
Mas milagres são eventos raros, inexistentes na verdade, não dão em árvores por aí. E se não os há, fácil : fabriquemo-nos. A Igreja Católica, mestre maior dos picaretas, faz isso há quase dois milênios. E Valdemiro Santiago, aparentemente, também resolveu fabricar os seus.
O colunista Daniel de Castro, do portal UOL, noticiou que uma carta está a ser veiculada dentro das filiais da Igreja Mundial. Na carta, o bispo de cada igreja, supostamente por ordem do próprio Valdemiro Santiago, convoca os fiéis, que possam viajar para outras cidades, a darem seu testemunho de fé, fazerem-se passar por enfermos curados pela Mundial, ex-drogados, aleijados etc.
A intenção é colocada de forma bem explícita no texto da carta : a Mundial precisa da ajuda dos fiéis para conseguir que mais pessoas contribuam, para a aquisição do canal 32. Aqueles que aderirem à cruzada, terão ajuda de custo em suas viagens. E, lógico, as gratidões eternas de deus e, o mais importante, do apóstolo Valdemiro Santiago
Aos que não puderem ajudar, a Igreja Mundial pede sigilo e discrição, pede que destruam a carta e que não comentem com ninguém.
Questionada pelo portal UOL, a Igreja Mundial, representada pela pessoa do bispo Jorge Pinheiro, disse que "a informação [sobre a carta] não procede", mas não esclareceu a origem das várias cópias encontradas em uma sala do templo da Mundial da Avenida João Dias, na zona sul de São Paulo.
Se for verdade, devo admitir que é mais uma bela maneira do endividado Valdemiro Santiago explorar o filão de ouro quase esgotado de seus cordeiros; se não for, alguém acaba de lhe proporcionar uma boa ideia.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Genéricos

Não me interessam
O teu sabor - gentil ou amargo -,
O teu riso - desbragado ou calculado -,
O teu cheiro - aconchegante ou putrefato -,
A tua forma - voluptuosa ou decadente - :
Só a tua alma - o teu princípio ativo -,
Que nela me viciei.

Danem-se as profundezas dos olhos e do coração,
Serve-me e sirvo-me mesmo do teu genérico mais barato,
Que ao vício
Não importa o excipiente,
Somente a substância.

Assim como copulo contigo,
Posso tomar bules de café frio
E emborcar jarras homéricas de cerveja quente.

domingo, 27 de outubro de 2013

Dia do Funcionário Público (Ou : o Dia Nacional de Pôr o Saco de Molho)

É amanhã, 28/10! Parabéns, FPs!
Um merecido descanso para nossos valorosos e esfolados sacos! O povaréu não concursado pensa que é fácil, mas se esquece de que o Capitão Gancho morreu assim! E o tanto que gastamos com hipoglós? Ninguém vê, né?

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Certeza do Errado

Emigre de mim toda a esperança
Que, de sempre vã,
Só me serviu para fazer papel de bobo.
Instale-se em mim
Apenas a certeza do errado
Que, de sempre certo,
Nunca se tornou punhal em minhas costas.

Que em mim nem resquício sobre
De qualquer ilusão ou sonho nobre
Que, de sempre traiçoeiros,
Só noites em claro me trouxeram.
Que faça parte de minhas carnes
A realidade do fracasso
Que, de sempre constante,
Nunca se tornou lágrima inesperada em meus olhos.

Tirem do meu caminho
As aspirações, as ambições e os desejos
Pois deles não preciso.
Me deixem apenas com a fé inabalável
Dos que não acreditam em nada.

Lua Adversa

Cecília Meireles. Porque um pouco de leveza, às vezes, é necessário.

Lua Adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
                                                                    Cecília Meireles

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Rússia Põe o Greenpeace em Seu Devido Lugar : na Cadeia

Brasileiro é foda! Acostumado às licenciosidades morais e, sobretudo, legais das tristes terras descobertas por Cabral, habituado à uma Constituição frouxa, que é quase um colo materno para o vagabundo e um implacável algoz para com o honesto, pensa que em todo o resto do mundo é assim que a banda também toca.
Aqui no Brasil se pode ir para as ruas fazer baderna, promover arruaças, quebrar prédios particulares e públicos, confrontar a polícia, tacar fogo em ônibus, compor blackblocs de mascarados (um nome chique para quadrilha) etc, que nada acontece ao marginal. Ou melhor, até acontece. O transgressor, o vagabundo, o pilantra, o traste, pode ser transformado em ídolo das redes sociais, pode virar uma celebridade instantânea do facebook, do twitter, ou de outra qualquer dessas merdas.
Assim, o brasileiro se esquece de que existem países verdadeiramente civilizados, países em que a Justiça, de forma inacreditável para nós, põe no cu daqueles que transgridem suas leis, suas severas leis, destinadas à proteção do honesto.
Assim, o brasileiro se esquece de que existem países onde ser cidadão não é fazer o que se quer, o que lhe der na telha, não é bagunçar o coreto em nome de direitos que se pensa ter; ser cidadão é obedecer, como todo o resto da população, a um único código de leis, é se submeter a um único conjunto de (muito mais) deveres coletivos e (muito menos) direitos individuais. Ser cidadão é ser igual, ou, pelos menos, ser tratado igualmente. O cidadão, em uma verdadeira democracia, não é um ente individual, é parte de uma coletividade.
Assim, o brasileiro se esquece de que existem países nos quais a Constituição é direcionada à defesa e ao bem-estar da maioria trabalhadora e honesta, não a dar privilégios para minorias escrotas, vagabundas, encostadas e oportunistas.
Assim, mimado que sempre foi pela permissiva e omissa mamãe-pátria, o brasileiro sai da casa dele e vai fazer bagunça na casa dos outros, também seguro de que nada vá lhe acontecer, crente de que sua transgressão vá ser tomada apenas como uma traquinagem, um delito sem importância, uma "arte" de moleque, confiante de que considerarão a sua peraltice muito engraçada, o bonitinho da mamãe e da vovó.
E é aí que ele se fode!
Foi o que aconteceu a um grupo de ativistas do Greenpeace, preso na tentativa de vandalizar uma plataforma de petróleo russa; entre eles, uma brasileira, a bióloga gaúcha Ana Paula Maciel. Parênteses 1 : ativista é o nome que hoje se dá ao baderneiro; Greenpeace é uma máfia mundial de fachada ecológica e ambientalista.
No dia 18 de setembro deste ano, 28 ativistas da Greenpeace, um operador de câmera e um fotógrafo foram detidos pela Guarda Costeira russa, que abordou o barco da organização. Pouco antes, dois ativistas subiram em uma plataforma petrolífera do consórcio russo Gazprom, com o objetivo de denunciar os danos ao Ártico, resultantes da extração de petróleo.
Parênteses 2 : são contra a exploração do petróleo, e esse barco com o qual chegaram à plataforma de petróleo, era movido a quê? Será que o navio do Greenpeace é movido a energia solar, eólica? Será que os ativistas do Greenpeace singram os mares em defesa das foquinhas e das baleiinhas a bordo de modernas caravelas? Será que cada um desses 30 ativistas não têm lá os seus carrinhos, ou até os seus carrões? Andarão a pé pelo mundo, os paladinos da natureza? Ou atravessarão os continentes, a levar a grande consciência ambiental à humanidade, esfolando e assando seus ecológicos cus em selins de bicicletas? Duvido! Truco! Corto meu saco se. As duas bolas.
Voltando : foram grampeados e estão no xilindró russo desde então, na Corte de Murmansk, onde permanecerão até o dia 24 de novembro, data de seus julgamentos. O navio do Greenpeace também foi apreendido.
Certíssima, a Justiça Russa.
A brasileira Ana Paula Maciel e os outros ativistas responderiam, inicialmente, por crime de pirataria, cuja pena alcança os 15 anos de reclusão, mas ontem, 23/10, a Justiça russa amenizou as acusações aos ativistas, mudando a classificação do delito de pirataria para vandalismo, cujas penas são mais brandas, atingindo um máximo de 7 anos.
Está certíssima, a Justiça russa. Feriu a lei, cadeia no sujeito. Sem dó nem piedade, que nenhum desses atributos o transgressor demonstra ao cometer seu delito. 
E aí o que faz o desordeiro quando pego com a boca na botija? Qual o último recurso do safado? Dar uma de vítima, de coitadinho, partir para a chantagem emocional. Dar uma de coitadinho, aliás, é uma das especialidades do brasileiro : fotos de Ana Paula Maciel, atrás das grades, vestindo o uniforme cinza da prisão e segurando cartazes pedindo por liberdade, já circulam pela net.
Posar de coitadinha, lógico, não comoveu os russos, mas comoveu o governo brasileiro, que resolveu, via Ministério das Relações Exteriores, fazer o que o governo brasileiro faz melhor, defender infratores, intervir em favor da moça. Todo um corpo diplomático posto à disposição de uma desordeira. 
Até onde eu sei, o Ministério das Relações Exteriores promove os interesses do Estado junto a outros governos e organizações internacionais, e atua em assuntos relativos à soberania nacional. Em qual desses dois essa moça se encaixa? 
Até o embaixador do Brasil na Rússia, Fernando Barreto, chegou a assinar uma carta de garantia pedindo que a brasileira respondesse ao processo em liberdade. No documento, o Brasil se responsabilizava pelo bom comportamento da ativista durante as investigações e pelo comparecimento dela aos tribunais sempre que solicitado. O pedido foi negado. A brasileira continua no xadrez. Com russo, não tem conversa, não têm panos quentes.
Por que uma arruaceira recebe toda a atenção de diplomatas e é tratada como se fosse um assunto de interesse nacional? Não tem outra resposta, é o que eu digo sempre aqui : o brasileiro tem enorme predileção pela bandidagem.
Tanto que os ativistas procedem de 19 países - Brasil, Rússia, EUA, Argentina, Reino Unido, Canadá, Itália, Ucrânia, Nova Zelândia, Holanda, Dinamarca, Austrália, República Tcheca, Polônia, Turquia, Dinamarca, Finlândia, Suécia e França - e, segundo o Greenpeace, só o Brasil enviou à Rússia esse tipo de documento, só o Brasil tentou intervir pelo filhinho mimado e malcriado.
Acho que os outros países estão até gratos à Rússia, por livrá-los de alguns desocupados.
E não venham com essa de que o ato do Greenpeace foi um protesto pacífico, invasão nunca é algo pacífico. Esse tipo de coisa pode ser considerado um ato legal, uma conquista social etc, aqui no Brasil e em alguns outros países do mundo, mas na Rússia é crime grave. 
Na Rússia, protestar é crime, se certo ou não, a questão é lá com eles, e eles não estão convidando ninguém a ir morar lá. O ato foi cometido em território russo, portanto, não importam as nacionalidades dos ativistas e o que as leis de seus respectivos países dizem a respeito do que fizeram,  na Rússia, eles são criminosos, e ponto. E criminoso lá não tem refresco, vai pra cadeia, mesmo.
Como o barco do Greenpeace tem banderia holandesa, a Holanda, forçosamente, terá de tomar parte do processo, realizará uma audiência do Tribunal Internacional do Direito do Mar para decidir sobre a apreensão do barco do Greenpeace e a detenção dos tripulantes.
A respeito dessa audiência, o governo russo já mandou seu recado ao holandês : não participará, boicotará-lo e, claro, não reconhecerá nem acatará a nenhuma de suas resoluções.
Russo é fodão, é macho de respeito, com o que é deles, ninguém se mete, são lobos das estepes, são cossacos de coração de iceberg e sangue de vodka. E, repito, estão certíssimos : prisão com trabalhos forçados para o pessoal do Greenpeace.
Ouvi a fala de um advogado brasileiro do Greenpeace. Aquela mesma lenga-lenga de sempre, aquele mesmo discurso vazio, canalha e tendencioso sobre os tais direitos humanos. Só que essa putaria também não cola lá na Rússia.
Na Rússia, só os humanos que se portam decentemente para com os outros humanos é que têm "direitos humanos", ou seja, só os que obedecem à lei é que também usufruem da proteção dela. Feriu a lei, perdeu os "direitos humanos", perdeu, inclusive e muito justamente, o direito de ser humano. 
Disse o advogado que, se condenada e recolhida à prisão, Ana Paula Maciel ficaria submetida às rigorosas temperaturas do inverno russo, de 30ºC negativos para baixo, o que é desumano. Ô, dó.
A brasileira e os outros ativistas deveriam ser jogados na gelada Sibéria só com as roupas de baixo, só para vermos até quando sustentariam seus ideais ecológicos. Deveriam ser jogados seminus na tundra , só para vermos quanto tempo eles levariam para se lançar sobre uma rena, matá-la a pauladas e dentadas, refestelarem-se em sua carne crua, sangrenta, e fazerem um belo casaco com a pele dela para se aquecerem.
Seria um reality show interessante, ver ruir tamanhos amor à natureza e pureza de princípios. Eu assistiria.
Torço pela condenação deles, de todos os trinta.
No cartaz, a moça ainda tenta ser irônica, tenta fazer gracinha : I love Russia but let me go home - Eu amo a Rússia, mas deixem-me voltar para casa;
No rosto : um sorrisinho sardônico, petulante, bem próprio de quem se acha superior, acima da lei, típico de quem sempre contou com a impunidade.
Go home... tá parecendo o retardado do ET. ET fone home...
Mas com os conterrâneos de Putin a coisa será diferente. Gulag nela, russos!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Darwin Também é Filho de Deus, diz Marina Silva

Perguntada se é criacionista, no Programa Roda Viva da última segunda-feira, 21/10, Marina Silva disse que não.
“Eu não sou criacionista. Isso foi um criacionismo que criaram para mim. Acredito que Deus criou todas as coisas, inclusive as contribuições trazidas por Darwin.”
Como diria Jack, o estripador, vamos por partes.
Marina Silva acredita em deus, é fanática religiosa de umas das congregações mais xiitas dentre os evangélicos, a Assembleia de Deus. Acredita em Deus, mas não é criacionista. Contradição? Nem tanto.
O criacionista não é simplesmente aquele que acredita em um deus criador da vida e do Universo, isso qualquer idiota religioso faz, está lá no Gênesis e pronto, ninguém discute.
O criacionista não só acredita num deus que tenha criado tudo, ele quer explicar, de modo que ele considera científico, a maneira pela qual esse deus teria procedido à Criação, o criacionismo é uma pretensa "teoria" científica a fazer oposição ao evolucionismo, e a se oferecer como uma alternativa a ele. Besteira, lógico. Já o religioso fanático, feito Marina Silva, não quer explicar nada, deus criou tudo e fim de papo, não se pensa nem se fala mais sobre isso.
O criacionista tenta dar ares de ciência a um conjunto de mitos dos mais sem pé nem cabeça; alguns reinterpretam certas passagens bíblicas "à luz da ciência", a exemplos : dizem que os tais seis dias da criação corresponderiam a seis eras geológicas, que o grande dilúvio foi o fim do último período de glaciação etc etc, besteiras e mais besteiras.
O criacionista é o cara em cima do muro, é o tucano de deus. É o cara que não tem coragem de ser ateu e nem intelecto suficiente para se tornar um homem da verdadeira ciência. É o hipócrita - e vocês já devem ter conhecido alguns - que diz que a verdade não está na ciência nem na religião, mas na combinação das duas. Que no dia em que ciência e religião fizerem as pazes, a verdade surgirá. Corram desses idiotas.
Assim posto, Marina Silva não é mesmo criacionista, ela aceita deus como fato consumado, ela só é uma crente. No fim das contas, o fanático religioso é mais honesto que o criacionista, o primeiro assume sem medo nem culpa a sua burrice - sou burro e ninguém tem nada a ver com isso -, o segundo tenta travestir a sua ignorância de erudição.
E quanto a Darwin?
Se bem entendi o que Marina disse - se há o que bem entender de uma fala louca dessas -, deus teria criado o menino Charles Darwin, concedido-lhe o seu enorme intelecto e todas as condições para desenvolvê-lo, inspirado-o a cursar ciências naturais e autorizado-o a escrever uma teoria que prova que deus é uma farsa.
Ou seja, deus criou Darwin e lhe ordenou : "vai, Charles, mostre ao mundo que eu não existo".
Coerente pra caramba, né?
Marina Silva ainda disse que sua fé não tem nenhuma relação com sua maneira de fazer política, que esse tipo de pergunta não tem nenhuma relevância. Tem sim, claro que tem. 
Os conceitos de ética e moral de Marina Silva, o seu discernimento entre o certo e o errado, são os da Bíblia, e supondo que ela governe na intenção de fazer o que é correto e moral, são as diretrizes desse pernicioso livro que irão, direta ou indiretamente, em maior ou menor grau, influenciá-la.
E não é só isso. Marina Silva, como política experiente que é, como raposa velha, sabe muito bem que uma grande parcela da população acredita que um governante que crê em deus é um governante melhor, mais justo, que olhará mais pelos pobres. Claro que ela sabe disso. No caso de Marina Silva, falar de religião é falar de política, sim; em ambas as coisas, ela é desastrosa e lamentável.
Sério que eu não entendo essa coisa das pessoas praticamente nascerem acreditando num deus criador, não há a menor evidência disso, não em sã consciência, pelo menos.
Fazendo um esforço muito grande, um exaustivo exercício de imaginação, munindo-me de muita boa vontade e, principalmente, de uma garrafa de absinto, eu posso até conceber que um deus, perfeito em sua obra, tenha criado, a exemplos, a Angelina Jolie, a Monica Bellucci, a Scarlett Johansson.
Mas que deus, infalível e irretocável em sua criação, teria criado Marina Silva?
Ao tentar me fazer crer que um deus criou tudo, inclusive ela, Marina Silva vai acabar por conseguir que eu passe a acreditar no capeta!