domingo, 3 de novembro de 2019

Vestibular Pra Petista

Parece-me que, com o desmascaramento, a total desmoralização do partido da estrelinha vermelha, a pouca procura por novas afiliações, a perda de antigos membros e a consequente queda da arrecadação, o PT, o comando vermelho do capo Luis Inácio Lula da Silva, começa a se mobilizar no arrebanhamento de novos integrantes para as suas desfalcadas fileiras.
E que melhor lugar para recrutá-los - a esses girinos de sapo barbudo - que nas salas de aula das universidades públicas, notórios guetos marxistas, prolíficos criadouros e manjedouras de comunistazinhos de merda?
Tanto melhor se for em uma das instituições de ensino mais conceituadas (ainda) do país, a USP. A USP vive hoje muito mais da fama de seu nome e de seu sério, decente e distante passado do que de efetivas realizações e inovações acadêmicas. Tornou-se, de décadas para cá, em um fértil celeiro de aspirantes a Che Guevara, em uma academia preparatória de militantes de esquerda.
Há tempos que a USP - e isso pode também ser estendido às universidades federais - forma melhores ativistas de esquerda do que bons médicos, engenheiros, farmacêuticos, químicos, linguistas, professores etc. Profissionais que, depois de formados, sairão a reproduzir, disseminar e a inocular a ideologia vermelha em seus ambientes de trabalho.
Sei do que falo. Na escola em que leciono, tenho contato com alunos da USP, principalmente dos cursos de biologia e de química, que para lá acorrem em busca de cumprirem seus estágios obrigatórios das disciplinas de licenciatura, alunos do quarto ano, do último ano. Parvos, néscios, totalmente ineptos e ignorantes em relação ao conteúdo de seus cursos. Nunca os vejo com um único livro na mão. Não boto a menor fé em "estudante" que não carrega livro. Nunca os vejo comentar ou discutir entre si sobre esse, ou aquele, ou aqueloutro tema relacionado aos seus currículos. Nunca os vi dizer que estão a estudar e a se preocupar com essa, ou com aquela prova. Carregam consigo apenas os seus indefectíveis sorrisos paspalhos e telefones celulares.
Estudantes não só desprovidos de conteúdo específico, como também de respeito e boa conduta. Eu mesmo, há três ou quatro anos, expulsei de uma sala minha de terceiro colegial duas estagiárias da USP, muito bonitinhas e gostosinhas, até. As tais conversavam mais entre si e masturbavam mais seus celulares que os próprios alunos. Foram reclamar de mim à diretora, pelo constrangimento. Interpelado pela diretora, respondi simplesmente : - E?
Por outro lado, pergunte a um desses estudantes sobre as cotas e a inclusão nas universidades públicas, pergunte a um deles sobre o empoderamento feminino, sobre a ideologia de gênero. Revelar-se-ão verdadeiros PhDs.
Que melhor gado para reabastecer os combalidos currais eleitorais do PT que alunos da USP e outras que tais?
Porém, em tempos de crise, todo cuidado é pouco. Vai que nesses antros trotkistas, que nesses úteros bolcheviques, haja agentes infiltrados da direita, haja alunos que estejam lá para verdadeiramente estudar e trabalhar? Vai que haja maçãs boas dentro do balaio das podres? Como separar o trigo (e eliminá-lo) do joio?
Fácil! Fazer um vestibular para petista. Um processo seletivo para piolhos da barba do Lula. Tudo questões de múltipla escolha, é claro.
E não é que o tal vestibular pra petista foi de fato realizado? De forma disfarçada, é claro. Sub-reptícia. Como é do feitio e do modus operandi da canalha esquerdista. Disfarçado sob a forma de uma prova de seleção para um curso de especialização em Saúde Pública.
Com certeza, pensará você, incauto e ingênuo leitor do Marreta, as questões da prova abordaram temas como a dengue, a zika, a falta de saneamento básico, o atual surto de sarampo, o aumento das zoonoses nos grandes centros, o sucateamento de hospitais públicos e postos de saúde etc, certo?
Porra nenhuma! Nenhuma, absolutamente nenhuma das questões enfocava assuntos relativos à saude. Nenhuma! Todas tratavam de recentes acontecimentos políticos do país. E todas as respostas consideradas corretas pelos elaboradores da prova seguiam uma única linha ideológica, a da esquerda.
Em uma das questões, era perguntado o motivo do impeachment da presidanta Dilma. Se o candidato se metesse a besta de  assinalar a alternativa correta, no caso a letra "d" - denúncias de corrupção -, já perderia de cara uns tantos pontos, pois a resposta tida como certa pelos examinadores era a letra "c" - golpe institucional.

Golpe constitucional é o caralho! O impeachment é previsto em Constituição!
Outra questão, sobre o presidiário Lula, considerava correta a alternativa que dizia "aquele que está sendo considerado mundialmente um prisioneiro político". Outra perguntava ainda sobre a emenda constitucional 95 (que instituiu o teto de gastos públicos), como uma das “medidas recentes dos governos após o Golpe de 2016. Outras contemplavam como resposta correta os ex-presidenciáveis de esquerda, (Guilherme Boulos, Ciro Gomes e Fernando Haddad), citavam Marielle Franco, Luiz Carlos Prestes, o ex-ditador venezuelano (tratado como presidente na prova) Hugo Chávez, Leon Trotsky, Vladimir Lenin e outros “heróis” da esquerda.
Ou seja, para o candidato acertar todas as 60 questões do processo seletivo era necessário pensar segundo a ideologia de partidos políticos de esquerda. Uma estratégia canalha para eliminar candidatos com outros vieses ideológicos, para impedir que entrem na USP alunos de outras orientações político-partidárias. Um ardil para perpetuar as faculdades públicas nas mãos sujas dos esquerdistas. Literalmente, um vestibular para petista.
Mas, felizmente, o vestibular para petista não passou despercebido aos olhos sempre atentos e vigilantes da paladina Janaína Paschoal, a musa do impeachment. A deputada (PSL-SP) denunciou a patifaria na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), alegando o uso de critérios ideológicos para aprovar candidatos em prova de seleção online da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e pedindo o seu cancelamento.
Disse Janaína Paschoal : "Estamos falando de um processo seletivo para saúde pública em que nenhuma das perguntas diz respeito à saúde pública. Todas as perguntas trazem como alternativa, aguardada como correta, uma linha ideológica. Eu não estou sequer criticando essa linha ideológica, eu só estou dizendo que numa universidade pública não se pode impor, e pior, cobrar como critério de aprovação nenhuma linha ideológica".
Diante da canalhice exposta, o diretor da Faculdade de Saúde Pública, Oswaldo Tanaka, confirmou o teor das questões, disse que realmente não havia questões sobre saúde pública, pois o curso era aberto a pessoas com outras formações de nível superior. Que porra de desculpa é essa? Quer dizer que o cara é, por exemplo, engenheiro, nunca aplicou uma injeção na vida, nunca fez uma sutura, nunca aferiu uma febre ou pressão arterial, e, de uma hora pra outra, ele pensa : ah, acho que vou lá na USP, me especializar em saúde pública. Pãããããta que o pariu!!!
Oswaldo Tanaka deu pra trás e cancelou o processo seletivo, mesmo depois dos nomes dos aprovados já terem sido divulgados. De acordo com o diretor, a medida foi tomada após avaliação de que o resultado "não saiu bom" : "A interpretação que foi colocada inclusive pela deputada gerou uma inquietude sobre a lisura, e achamos que não vale a pena manter a prova", afirmou.
E quem será responsabilizado e penalizado pela canalhice? Alguém será? Um processo seletivo, ainda que on line, gera altos custos. Quem devolverá o dinheiro aos cofres públicos?
Depois, quando o intrépido Bolsonaro diz que as universidades públicas (e também as escolas públicas de ensinos fundamental e médio, acrescento eu) estão aparelhadas ideologicamente, que é necessária e urgente uma "limpeza ideológica", mané vem dizer que ele é fascistão. Fascistão é o caralho!
Certíssimo, nesse aspecto, o capitão. Tem mais é que varrer essa vermelhada toda pra fora das escolas e universidades. Substitui-la por professores de fato.
Não sei exatamente qual o foi o enunciado da questão sobre o Lula, mas caso fosse pedida a mim a elaboração de uma, ela poderia ser mais ou menos assim :

Assinale a alternativa correta. Luis Inácio da Silva, o Lula, o Sapo Barbudo, o Seboso de Caetés, passará para a História do Brasil como o sujeito que:
a) perdeu o dedo mínimo da mão esquerda para se aposentar precocemente
b) enriqueceu negociando greves com as multinacionais em seus tempos de metalúrgico
c) foi protegido e dedo-duro de Romeu Tuma, para quem entregou colegas de sindicato
d) tornou-se o maior ladrão e quadrilheiro do país
e) todas as anteriores

Alguém precisa colar para responder essa? 

Fonte : A Gazeta do Povo; O Antagonista

sábado, 2 de novembro de 2019

Em Um Universo Alternativo...

Divórcio Ortográfico

Será mesmo
A necessidade
A mãe (solteira) da invenção?

Há não muito tempo,
Não tinha a menor necessidade de ti :
Sequer te supunhas.

Até que
Te inventaste para mim,
Entraste roda
E roliça
Em meu mundo quadrado,
Entraste alfarrábio e biblioteca
Em minha pinacoteca rupestre.

Chegada a data da tua obsolescência programada
(por ti e a mim não comunicada)
Negaste-me a tua atualização,
O teu upgrade.

Eu, 
Outrora bactéria sóbria e anaeróbia,
Como sobreviverei à falta e à abstinência
Do oxigênio a que me apresentaste?
Que me fizeste tomar aos litros
Inalar carreiras dele pelas ventas
E injetá-lo nas veias?
Como voltar a fermentar feliz pelo lodo primordial?

Eu,
Outrora gutural e ágrafo,
Como poderei 
Continuar a escrever para te mentir e agradar?
Como poderei clamar pelo teu nome em meus gozos,
Gritar por ti em meus pesadelos?
Como enviar-te correios elegantes por pombos-correio poliglotas?
Se te foragiste,
Se desertaste,
Oh, letra jocosa,
Em arbitrária reforma ortográfica,
De meu alfabeto?
Se,
Com teu abandono,
Tornaste mancos, disléxicos e brochas
Meus dicionários e minha gramática?

Como voltar a viver
Num mundo puramente de sons,
Agora que os sei
Meros reflexos distorcidos e embaçados da tua palavra?

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Missão Impossível

"Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida"
(Pequeno Perfil de um Cidadão Comum; Belchior)

Tenho cá pra mim
- e é das poucas certezas que ainda mantenho -
Que no dia em que eu for dormir
Com a sensação da missão cumprida,
Não acordarei,
Estarei morto.

Mais além e ainda antes e ainda mais :
Estarei morto no dia 
Em que tiver a sensação
De que tenho uma missão.


(quem não conhece a supracitada canção, não perca tempo, é só clicar aqui, no meu poderoso e insatisfeito MARRETÃO)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Bodas de Ouro

Amores são todos iguais?
Sim.
Sem dúvidas que são.

Um viva, pois, à monogamia?
A aposentadoria da corrida maluca pelas paixões?
A sabedoria definitiva - de pijamas, suspensórios, palavras cruzadas à mão e cachimbo ao canto da boca - das emoções?

As cervejas também o são,
Todas iguais.
Mas não é tanto melhor
Um latão, ou uma garrafa
Recém-abertos
Geladíssimos
Do que aquela cerveja
- ainda que da mesma marca -
Já deitada ao copo há tempos,
Morna
Descarbonatada
E com uma mosca afogada a boiar?

Uma salva de tiros, pois!
Uma salva de 21 tiros!
Contra o peito
De qualquer aposentadoria
(exceto a do funcionário público)
E de todas as bodas de ouro.

Pequeno Conto Noturno (77)

Yrina :
- Você é homem mais de amanheceres ou de anoiteceres?
Rubens:
- De tardares. Definitivamente, de tardares.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

UPA Ressaca

Pãããããta que o pariu!!! Isso sim é que é especialização médica!
O cara estuda por seis anos, gradua-se em clínica geral e na hora de escolher qual residência fazer não titubeia nem vacila : vou fazer residência em ressaca!
Até eu, que não me formei em medicina, durante meus longos anos de faculdade, fiz muito estágio, residência, lato sensu e stricto sensu em ressaca!!!
E, depois, o povo mal-agradecido ainda reclama do SUS.
Fico imaginando como se dá a triagem nessa UPA (Unidade de Pronto Atendimento), como o Protocolo de Manchester é adaptado aos bebuns. 
Se o pé-de-cana chegar em coma alcoólico, tendo convulsões e sufocando com a  própria língua, recebe o selo vermelho de "emergência", e é prontamente medicado; se o bebum chegar carregado por dois amigos, não conseguindo se manter sobre as próprias pernas, mas falando que está bem e dizendo "eu te amo" pros amigos, recebe o selo laranja de "muito urgente", e deve ser encaminhado o mais rápido possível a uma avaliação; se o pudim de pinga chegar andando sozinho, ainda que em zigue-zague, com uma latinha pela metade na mão, logo na entrada tentar fazer amizade com o segurança e vomitar no balcão do cadastro, recebe o selo amarelo de "urgente", e considera-se que ele pode esperar um pouco pelo socorro; se o pau d'água chegar andando, ainda que falando enrolado, com a tira da chinela havaiana arrebentada, mas se dirigir ao balcão de atendimento e dizer que bebeu demais, mostrando total consciência do exagero cometido, recebe o selo verde de "pouco urgente", e nem precisará passar por um médico, poderá ser atendido ambulatoriamente, uma glicose na veia e pronto; por fim, se o pinguço chegar todo arrumadinho, de banho tomado e levado pela mãe, que o buscou no churrasco da turma, recebe o selo azul de "não urgente", e considera-se que o sujeito é uma BICHONA!!!! Que tomou uma Amarula, ou um St. Remy com cereja marrasquino, e que não bateu legal, não harmonizou com a saladinha vegana. É só aplicar um enema de boldo e liberar a gazela.
Preciso me mudar vizinho a essa UPA!
Só sei que ela fica em Belo Horizonte, ou na região metropolitana de BH.
Já se utilizou do atendimento dela, Jotabê? Nos seus bons tempos?

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Campanha Outubro Mamilo Rosa (4)

Câncer em peitinhos é azar, é fatalidade! Em peitões, não tenham dúvidas, meninas afortunadas e bem fornidas, é praga de despeitadas, de muxibentas! É mau-olhado, é olho gordo!
Assim, ao indispensável autoexame das mamadeiras, não custa acrescentar um reforço espiritual, religioso.
Que eu sou ateu, mas o câncer pode não ser!
Vade Retro, câncer nos peitões!!!

Choramingo de um Alquimista Blefador

Se serve de consolo,
Só a tabela periódica
Não sentirá a tua falta;

A lamentarão
E carpirão profundamente
Todos os baralhos,
Coringas,
Bobos da corte
E valetes de paus
(eretos).

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Panos de Prato e Suculentas

O que te inspira?
Perguntaram,
Em certas vezes,
Ao poeta,
Homem calado,
De poucas palavras.

Numa delas,
No verso de um guardanapo ensalivado e engordurado,
Tomando rapidamente emprestado o toco de lápis da orelha do garçon,
Respondeu ao inquiridor inconveninte :
"A abstinência do amor e a promiscuidade do álcool.
Porque alguém feliz,
De pau mole
E sóbrio
Só se presta a pintar panos de prato
Com motivos florais, frutais e natalinos
E a cultivar cactos e suculentas
Em suas sacadas
Com vistas cansadas para o horizonte".

domingo, 20 de outubro de 2019

Quarto Lugar

Não me vejo
Um perdedor
(sou alheio ao pódium; subir ao pináculo do Everest somente para olhar a paisagem, para olhar de onde partiu, fincar uma bandeira e descer? Mal os percebo com minha visão periférica, o pódium e o Everest, outdoors, os dois, de propaganda enganosa),
Mas me sei,
Batizei-me, 
Avesso a tudo 
O que hoje 
É considerado vitorioso.

sábado, 19 de outubro de 2019

Escada Rolante

Vou seguindo.
Em modo de espera,
Em forma de cisto,
Em coma autoinduzido.

Vou seguindo.
Passando pela vida
Como se a bordo de uma escada rolante.

Enquanto isso,
Vou tomando minha vodka-tônica
E revendo todas as temporadas de House M.D.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Campanha Outubro Mamilo Rosa (3)

Pratiquem a sororidade, meninas! É o exame de toque solidário! Porque uma mão lava a outra! É o troca-troca de exame de toque!!!
Aliás, autoexame de mamas é moleza! Quero ver é o cara fazer o autoexame de próstata! Pããããããããta que o pariu!!!!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Feliz Dia do Professor é o Caralho!

O velho professor, que há tempos ultrapassou os limites da exaustão e do desânimo - que foi trespassado por eles, em verdade -, que há tempos desenvolveu a arte de respirar o vácuo e a eterna derrota, trôpego e coxo, arrasta-se para o fim de mais um ano letivo, de mais um ano de nada; se muito, de indignidade.
Em reunião pedagógica, recebe a solicitação de seu superior hierárquico para que proceda em um urgente plano de recuperação : salvar da reprovação o quanto mais puder de almas analfabetas, almas já condenadas, por elas mesmas, a vagarem, depois que saírem da escola, num purgatório, num limbo de subemprego e reprodução de suas misérias, dos mais variados tipos. Podem não acreditar os que estão de fora do chamado "processo educacional", mas muitos optam, sim, pela continuidade de suas misérias, pela comodidade delas. Muito das agressões - sejam físicas ou verbais - sofridas pelo professor hoje em sala de aula vêm disso : do professor, muitas vezes, querer tirar o aluno de sua confortável miséria, e ele reage violentamente.
O velho professor anui. Não exatamente sem força para se opor, mas sem esperanças de que sua contrariedade faça algum efeito, de que seja, de fato, sequer ouvida. Preencherá, pois, a papelada burocrática. Escreverá na ficha quais competências e habilidades, quais saberes e fazeres, quais conteúdos inúteis sua medida emergencial contemplará. Fará a revisão solicitada. Ainda que o termo "revisão", no atual contexto escolar, soe-lhe de uma total inexatidão. Uma vez que pressupõe uma antevisão, uma visão primeira do assunto : revisão.
Não que o velho professor, dentro de suas mínimas chances e de seus exangues recursos e esforços, não tenha trazido à luz e exposto a matéria de sua competência. Isso é que não. Ele o fez. Certamente que o fez. Com galhardia, ele o fez. Mas daí à sala ter lhe dado olhos, ouvidos, atenção e crédito, interpõe-se uma grande distância.
Uma parte da sala, sempre com seus fones de ouvido e a verificar e a responder mensagens em seus celulares em língua pictográfica e gutural; outra parte, a dormir por sobre as carteiras e as mochilas e os imaculados cadernos, chamados à inconsciência por seus organismos para reporem o déficit de sono da noite anterior, passada em olhos de coruja vidrados em jogos virtuais e/ou pornografia e/ou redes sociais - alguns derrubados pela maconha matinal de todos os dias; uma outra parte da sala, finalmente, olha para o professor; para ele, não, através dele, sem prestar-lhe real atenção, sem entender sequer o vocabulário básico do velho professor, quanto mais entender os meandros de seu raciocínio, olham para ele como a uma ruína de uma antiga civilização.
Revisão? Do que nunca foi visto, embora exaustivamente mostrado?
Ainda assim, o velho professor respira fundo e segue. Diz à sala do período de revisão, da importância pedagógica do mesmo, diz que fará, antes, uma avaliação diagnóstica para detectar os pontos de maior deficiência e, posteriormente, solucioná-los. Pede que peguem seus cadernos. Passará algumas questões para nortear a atividade. Informa aos alunos do conteúdo em seus cadernos a ser consultado na resolução das mesmas. Passa as questões, diz que comecem e que estará em sua mesa manca, à disposição para qualquer dúvida que possa surgir no decorrer da realização da atividade.
Cala-se, aliviado. Senta-se. Observa a sala às voltas com a atividade que acabara de propor : uma parte da sala, sempre com seus fones de ouvido e a verificar e a responder mensagens em seus celulares em língua pictográfica e gutural; outra parte, a dormir por sobre as carteiras e as mochilas e os imaculados cadernos, chamados à inconsciência por seus organismos para reporem o déficit de sono da noite anterior, passada em olhos de coruja vidrados em jogos virtuais e/ou pornografia e/ou redes sociais - alguns derrubados pela maconha matinal de todos os dias; a outra parte, finalmente, começa a escrever, mais a vasculhar por fragmentos de textos que pareçam se encaixar à questão pedida (não raro, o velho professor vê alunos "pesquisando" em cadernos e apostilas de outras matérias, procurando respostas de matemática no caderno de geografia, de história no de biologia etc), mais a desenhar, a bem da verdade, como quem copia indecifráveis hieróglifos sob um papel de seda.
O velho professor senta-se e espera pelas dúvidas, que sabe que não virão. Onde não há vontade de pensamento, não há dúvida.
Para distrair-se até o soar do sinal, o velho professor começa a ler um livro emprestado por uma colega, Aforismos para a Sabedoria de Vida, de Arthur Schopenhauer, o alemão ranzinza e pessimista. Procurar no pessimismo de Schopenhauer um anódino para o seu cotidiano. Começa a ler. Uma página, duas, vinte e duas. Pessimista, o Schopenhauer? Sempre superestimados, os tais filósofos, ainda mais se alemães. 
Pessimismo? Frente ao contexto do velho professor, um mar de rosas, isso sim, um mar de rosas a visão Schopenhaueriana.
O tão afamado pessimismo de Schopenhauer?
Sabia de nada, o inocente e ingênuo alemão.

domingo, 13 de outubro de 2019

Pode Ser Numa Canção, Pode Ser no Coração, Eu Só Quero Ter Você Por Perto (4)

No Final da Brincadeira
(Oswaldo Montenegro)
Deixa eu tentar,
Mesmo que não seja o mesmo lugar,
Mesmo que não seja a mesma canção,
Deixa eu fingir que é possivel tentar.
 
Faz isso não
Não me conta que o destino escapuliu,
Que não há como ir buscar o que partiu,
Deixa o tempo andar pra trás.
 
Tenta deixar
Que não seja como sempre será,
Tudo igual ali no mesmo lugar,
Vento morno, ranço e desespero...
 
Deixa estar
Não demora a gente volta a brincar,
Como se o começo fosse voltar,
No final da brincadeira.
Deixa estar
Não demora a gente volta a brincar,
Como se o começo fosse voltar,
No final da brincadeira.
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu melancólico MARRETÃO.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Prêmio Nobel da Picaretagem

Nenhuma instituição humana é séria. Ou, ao menos, nenhuma consegue ser 100% séria, sem, em algum momento, resvalar para a picaretagem, para a politicagem e o favorecimento indevido. Nenhuma consegue se pautar e se manter por critérios lógicos e morais inflexíveis. Todas acabam descambando para a condescendência, para a troca de favores, para a hipócrita política da boa vizinhança e praticando atos questionáveis, condenáveis, imorais, muitas vezes.
Até mesmo a conceituada instituição do nobre Prêmio Nobel.
O prêmio Nobel, concebido para agraciar e reconhecer - e mesmo agradecer - as grandes mentes cujos feitos trouxeram notáveis incrementos à qualidade de vida da humanidade, seja nas artes ou nas ciências, também tem o seu lado picareta, o seu lado "jeitinho brasileiro" : o Nobel da Paz.
O que alguém precisa ter feito para ser indicado e/ou laureado com o Nobel da Paz? Ter escrito uma obra que se perpetuará pela História, um Dom Quixote, um Lusíadas, uma Ilíada, uma Divina Comédia? Ter descoberto um tratamento revolucionário para alguma moléstia causadora de mortes pandêmicas? Ter decifrado novos segredos do Universo?
Que aquilatada mente deve possuir um ganhador do Nobel da Paz? Que contribuições à humanidade e ao planeta para receber tão distinta láurea?
Nenhuma, meus caros. Nenhuma. Pode ser até um semianalfabeto, como logo surgirá a seguir. Para o Nobel da Picaretagem, basta, é óbvio, o sujeito ser um picareta de marca maior, basta o sujeito ser bom de lábia, de marketing pessoal, basta ele ser um inflado e vistoso pastel de vento, ser o famoso 171.
A corroborar o que eu digo, a edição 2019 para o Prêmio Nobel da Paz está caprichada, está pra lá de especial. 
Entre os indicados - e favoritos para levar o prêmio - estão nada mais nada menos que : Greta Thunberg, psicopata mirim sueca nascida em berço de ouro; cacique Raoni, silvícola bon vivant e viajandão; e, a cereja do bolo, Luis Inácio Lula da Silva, o Lula, o Nove-Dedos, o Sapo Barbudo, o Seboso de Caetés, o maior larápio e quadrilheiro do Brasil.
Ou seja, tudo gente que não faz. Tudo gente que nunca trabalhou na vida.Tudo gente sempre encostada em algum tipo de sinecura. Tudo gente sempre mantida e sustentada por algum tipo de provento público.
Falemos sério, meus caros, que tipo de contribuição essas três figurinhas ridículas deram, de fato, à espécie humana, que grandes esforços e realizações eles já praticaram em suas vidas? Nenhum. Efetivamente, nenhum.
O grande vencedor será anunciado amanhã (que já é hoje, visto que já passa da uma da matina), 11 de de outubro.
Abaixo, as grandes mentes realizadoras de nossos tristes tempos atuais, as grandes cornucópias do conhecimento humano. Pããããããããta que o pariu!!!!

Campanha Outubro Mamilo Rosa (2)

A bunda, dizem, é a preferência nacional. Pois, para mim, a bunda pode ir tomar no cu. Peitos, meus amigos, os peitos são o diferencial e a quintessência da mulher, da fêmea de respeito.
Precavei-vos, meninas, precavei-vos. Não deixem tais belezas fenecerem.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Papa Chicão I e o Sínodo Sobre a Amazônia

O Papa Chicão I, argentino milongueiro, em passagem pelo Brasil por conta do Sínodo sobre a Amazônia, pediu respeito para com os povos indígenas.
Disse, a Vossa Santidade, na maior cara de pau que o deus dele lhe deu, que as sociedades modernas não devem tentar impor suas regras e sua cultura aos indefesos silvícolas  - tadinho deles... oh, país de vítimas, de eternos credores históricos!!!
Chiquinho milongueiro advertiu, ainda, que as "ideologias são uma arma perigosa", e também que "a colonização ideológica é muito comum hoje em dia". Finalizou dizendo que os governos e os líderes de nações controlem os seus "impulsos de domesticar os povos originais".
Pããããããta que o pariu!!!!
Para cima de moi, Vossa Santidade? Ora, vai-te à merda! Conversa pra bispo dormir! Vai contar essa lá pras suas ovelhas, lá para as suas freiras, beatas, carolas e demais sopradoras de apito de chamar anjo.
Ainda mais, sendo o Chiquinho da ordem dos Jesuítas!!! Da gestapo da Companhia de Jesus. Tá com Alzheimer histórico, é? Ou só conveniente mesmo? Quem foram, Sua Santidade, os primeiros a desembarcarem aqui para domesticar a indiarada? Para inculcar-lhes na cabeça a hedionda e sempre mal-intencionada fé cristã? Quem veio amansar o índio com aquela história de dar a outra face e facilitar a sua exploração e escravização? Por que será que hoje falamos português e não tupi-guarani? Por que o índio queria melhorar o seu currículo e melhor se colocar no mercado de trabalho globalizado da época?
Os jesuítas foram os primeiros aculturadores da nossa história. 
E, agora, vem o Papa Chicão I com mais essa hipocrisia.
Claro que o Papa Chicão I não tá preocupado porra nenhuma com a aculturação do índio nem com a alma do nosso bom selvagem, até porque, durante muito tempo, a Igreja travou discussões "seríssimas" sobre se o índio tinha alma ou não, mas isso é outra história. 
O Papa está preocupado é com o recente e exponencial aumento de índios que estão se convertendo às igrejas evangélicas. As Igrejas Universais da vida estão entrando com tudo nos mais distantes rincões do país. O Papa tá é preocupado com a perda de ovelhinhas e não com o bem-estar das mesmas.
E índio paga o dízimo em quê? Em pau-brasil? Em papagaios e araras? A padraiada, sempre muito afeita ao artigo, não quer é perder o pau-brasil do índio.
E a indiarada, no quesito pouca vergonha, também não fica muito a dever ao Papa.
Ouvi, hoje pela manhã, na rádio CBN, um líder indígena de sei lá que etnia dizendo que, muitas vezes, o índio tem dificuldade de ter acesso à palavra do Senhor, pois as igrejas ficam muito distantes das aldeias.
Palavra do Senhor, cacique? E onde é que fica o seu pajé? O índio vem sempre com aquela lenga-lenga de que índio quer terra, de que índio quer manter sua tradição, seus hábitos e costumes etc e, agora, vem dizer que quer igreja perto de casa pra rezar pra Cristo? O índio reclama da aculturação e quer uma igreja na esquina de casa pra ir rezar pro deus do homem branco? 
Vá rezar pra Tupã, pra Jaci, pra Guaraci, pra Anhangá, ora porra!
Corpo de Cristo é o caralho, cacique! Tome tento e vergonha na cara! O negócio é, e sempre foi, o bom e velho cachimbão da paz!!!
Eis, reunidos em mais esse carnaval, o Papa Chicão I e lideranças indígenas de calça jeans, mostrando que safadeza e picaretagem são extensivas a todos credos, cores e etnias.

domingo, 6 de outubro de 2019

Mea Culpa

O meu cérebro berra, desmamado,
E você não capta;
Minha língua implora, ajoelhada,
E você não entende : diz, I don't speak você;
Meu coração, aprendiz do seu,
Lhe chantageia,
Ameaça se explodir
E você aciona o seu esquadrão antibombas,
Que corta minha aorta vermelha,
Minha carótida azul,
Desativa o C4 em meu marca-passo;
O meu pau brocha,
Não levanta à antevisão
Nem à visão,
Ou ao suor e ao cheiro,
Dos seus peitos 
E da sua buceta:
Você diz que a culpa é minha.

sábado, 5 de outubro de 2019

Uma Beleza Fantástica

Campanha Outubro Mamilo Rosa

Opa! Quase que ia me esquecendo! Quase que ia passar em brancas nuvens!
Pudera. Não bastasse a decrepitude e a ineficiência cada vez maiores de meus dois cérebros - a massa encefálica e a massa fálica - vêm juntar-se a elas o crescente das atribulações, o acúmulo das aporrinhações diárias feito tanques de contenção de Brumadinho, a sobrecarga de tarefas inúteis, porém, obrigatórias e inescapáveis, e, enfim, a execução sumária por enforcamento e asfixia da última migalha de meu tempo livre.
Pois bastaria esse meu mais que justificado olvidamento para que as suvacudas e muxibentas de plantão viessem deitar impropérios contra minha pessoa. Pior : para que viessem fazer uma de suas marchas em frente ao Marreta, carregando cartazes de misógino, mulherfóbico, bucetofóbico etc e exibindo suas murchas tetas. Um horror!
Lembrei-me a tempo. Até porque é um assunto que dificilmente sai das minhas cabeças : peitões!
É o Outubro Mamilo Rosa, mulherada! Tempo de se tocarem, de se apalparem. Do autoexame das mamadeiras! Do cuidado com as cornucópias!
E sem mais lero-leros, pois se uma imagem vale por mil palavras, dois peitões, por duas mil.
Previnam-se, meninas, previnam-se!!!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Camafeu na Mortalha

Para que a noite?
Se ela for só para se dormir?

Para que o rock'n'roll?
Se não for para nos apaixonarmos,
Se ele não for mais capaz de levantar nossa Atlântida da tumba
Nem mais fazer dançar o coringa de nosso baralho?

Para que a cerveja?
Se ela não é mais querosene para os nossos olhos,
Pilhas alcalinas para nossas lanternas de vaga-lumes
Nem mais bússola para nossos desencontros?
Se ela não nos faz mais mijar poesia,
Ou vomitarmos tolas declarações de amor?

Para que o café?
Se sem açúcar sem afeto,
Se não mais coado para você?

Para que a Lua?
Se só camafeu na mortalha do nosso Céu?

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A Marreta do Bolsonaro

Fala do intrépido Bolsonaro, na tarde de hoje (01/10), em discurso para integrantes da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros da Serra Pelada na portaria do Palácio do Planalto :

“O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério. O Raoni fala pela aldeia dele, fala como cidadão, [mas] não fala por todos os índios, não. É outro que vive tomando champanhe em outros países por aí.”

Truculência e linguagem chula à parte (recursos que eu também uso aqui no Marreta, mas não sou presidente de nação, só falo por mim mesmo), alguém consegue detectar alguma mentira no pronunciamento do presidente?
Alguém acredita mesmo que o viadão do Macron está mesmo preocupado com a "qualidade do ar do planeta"? E o tal do Raoni, então? Picareta silvícola das antigas. Mais do que manjado desde a época em que o Sting o levava a tiracolo mundo afora, para exibi-lo feito um papagaio, uma arara, ou qualquer outro espécime exótico lá para o europeu.
Que é isso o que o Macron, outros líderes europeus e ONGs do caralho querem : manter o índio como um animal de zoológico. E, claro, continuarem a embolsar milhões de fundos de "preservação" da vida selvagem. Não querem integrá-lo à sociedade porra nenhuma. Não querem o índio produtivo, o índio cidadão, dono de seu próprio nariz. Querem manter as reservas indígenas como parques temáticos para gringo ver e os índios, como figuras vivas de um museu.
Abaixo os dois safados, Macron e Raoni.

domingo, 29 de setembro de 2019

Um Filme do Cacildis!!!

As Escalas Termométricas de Nosso Analfabetismo

Comecei minha vida escolar no ano de 1974, sob os auspícios do governo Ernesto Geisel. Tempos de retrato de presidente a encimar os quadros-negros. De carteiras escolares de madeira aparafusadas ao chão. De disciplina, respeito à hierarquia e seriedade. De quando escola era escola.
Ingressei no antigo grupo escolar. Durante os meus 1º e 2º anos do grupo, tive meu aprendizado e meu rendimento escolar abalizados numa escala de notas de 0 a 100. Um 85 já nos era motivo de vergonha e de esconder a prova dos pais. Tenho uma amiga, professora de português, que, embora ela negue veementemente, eu  tenho certeza, é do tempo da nota dada em algarismos romanos.
A partir do 3º ano - já transformado em 3ª série -, porém e desgraçadamente, começou, eu vejo hoje, o desmonte programado do ensino, o desmanche proposital dos valores morais e acadêmicos. Tinha começado a farra peidagógica, a libertinagem dos peidagogos. E o estupro das mentes das gerações vindouras.
Foi-nos comunicado, e aos nossos pais, que, doravante, nosso aprendizado não mais estaria sob o jugo e o látego dos inflexíveis, cruéis e opressores números. Números não mentem, meus caros, não são capazes de hipocrisia, e isso, revelar a verdade nua e crua, numa sociedade com inato pendor para a indolência e para o "coitadismo" feito a nossa, é considerado tirânico e ditatorial.
O peso das notas sairia de nossas cabeças, ficaríamos menos preocupados, mais livres e descontraídos para estudar. Sem os números a nos vigiar, passaríamos a ter mais prazer no estudo, aprenderíamos mais. Os professores não mais nos carimbariam com um número em vermelho na testa. Emitiriam um "conceito" que representaria nosso desempenho. Conceito? Não entendi isso na época; aliás, até hoje não entendo. 
Os conceitos nos seriam dados em letras : A, B, C, D e E. O "A" equivaleria a um rendimento ótimo, o "B", bom, o "C", regular, e o "D" e o "E", insuficientes. Mas e a média? Como fazer a média matemática de letras? Os intrépidos peidagogos foram geniais : muito simples, o A valia 5,0, o B, 4,0, o C, 3,0, o D, 2,0 e o E, 1,0. Ou seja, os peidagogos mantiveram os números, só reduziram a escala de 0 a 100 para 1 a 5. Redução essa, em causa e proveito próprios. Para que eles, os próprios peidagogos, fossem capazes de fazer as contas das médias dos alunos. Alguém já viu peidagogo que saiba somar corretamente quando o resultado ultrapassa o número de dedos das mãos?
Se ao fim do ano, ao encerrar do quarto bimestre, somássemos 12 ou mais pontos, estávamos aprovados. Senão, enfrentaríamos a repescagem de janeiro.
Mas, então, começaram as bizarrices alfanuméricas. E se o aluno tirasse 3,5? A nota era C ou B? Problema que foi, novamente e de forma genial, resolvido pelos peidagogos. Que orgulho eu tenho dessa gente! Não era nem C nem B : era C+. E 2,5? Simples : C-. Mas o C+ também não poderia ser como um B-? O que valia mais, um C+ ou um B-? Será que o C+ era 3,5 e o B-, 3,75?
Fiquei até a sétima série sem nunca saber ao certo a exata nota de minhas avaliações.
Na oitava série, por conta de uma transferência do local de trabalho de meu pai, fomos morar num cafundó do país, onde a escola pública já era quase tão sucateada quanto é hoje no Brasil inteiro. Lá fui eu estudar em colégio de padres. E digam o que quiserem da padraiada, que são queima-roscas, pedófilos etc, até porque tudo é verdade, mas uma virtude eles têm : a disciplina. 
Voltei a ser avaliado pelos bentos e sacrossantos números. De 0 a 10. E com peso na nota. O primeiro bimestre tinha peso 1, o segundo, 2, o terceiro, 3, o quarto, 4. Ao fim do ano, as notas eram somadas e divididas por 10. Média ponderada, meus caros, os padres nos avaliavam com média ponderada. É de infartar qualquer peidagogo, de dar curto-circuito no "tico e teco" deles. Resultado maior ou igual a 6,0, aprovados; menor que 6,0, era rezar na bacia das almas para ser aprovado na recuperação.
Minha irmã, dois anos mais nova que eu, e a estudar num colégio de freiras - na época, em tal localidade, os colégios não eram mistos - era avaliada em "O", ótimo, "B", bom, "R", regular e "I", insuficiente. Qual seria a média final de um B mais um R? Jamais saberemos.
O sistema Sesi, não sei se até hoje, mas até tempos atrás - tive dois sobrinhos que lá estudaram -, também adotava letras. "PS", plenamente satisfatório, "S", satisfatório, e "I", insatisfatório. É a escala peidagógica Mike Jagger para maus alunos, "I can't get no satisfaction". Meu sobrinho vivia cantando essa música.
Enfim, ao longo dessas décadas, foram adotadas as mais diversas escalas termométricas para tentar disfarçar e maquiar a incurável febre nacional do analfabetismo e da ignorância feitos em patrimônio nacional. Mudar a escala para negar a febre. Dar o remédio, nem pensar. Pois o remédio - perguntem a um chinês, a um indiano, a um japonês ou a um alemão se acharem que eu estou errado, ou a exagerar - é o rigor, a disciplina, a dedicação e horas a fio de estudo, horas de bunda pregada na cadeira, até dar calo no cu, e de olhos nos livros, até sangrarem as órbitas. Terapêutica por demais amarga e intragável para a preguiça e o vitimismo tupiniquins.
Mas, algum de vocês poderá perguntar, e você, mestre Azarão, que escala adota para avaliar seus valorosos apedeutas?
Ora porra! Nada mais simples. Sou um educador moderno, conectado ao mundo e às novas tecnologias. Vivemos em era digital, informatizada. Nada mais lógico e natural que eu dê a nota a meus alunos me valendo da linguagem dos computadores. Adoto como escala de notas o sistema binário de numeração : 0 e 1, 0 e 1, 0 e 1. 
Só zero e um. Raríssimos os casos que vão além disso.
Pããããããããta que o pariu!!!!

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

De Bolsonaro para Trump : Amor Y Love You

Love is in the air!
Os saudosos tempos da Era do Rádio voltaram. 
Quando a família se reunia ao redor de um rádio a válvula General Eletrics, com ondas curtas, médias e tropicais, para escutar melodiosas serestas, acompanhar as novelas radiofônicas, informar-se com o Repórter Esso, ouvir os anúncios publicitários de Biotônico Fontoura, Rhum Cresotado, Leite de Magnésia, sabonete Eucalol, máquina de costura Singer e das pílulas de vida do Dr. Ross, e comover-se com o momento romântico da programação, a seção Dedique Uma Canção a Quem Você Ama, na qual todos os Arlindos Orlandos desse nosso Brasil dantes mais varonil ofereciam canções, bouquets de notas musicais, para as suas Mariposas Apaixonadas de Guadalupe.
E quem é que nos traz de volta essa época de pureza, doçura e ingenuidade? Quem é que gira o dial do passado e ressintoniza as ondas em kilociclos dessa época de ouro?
Ele, é claro! O intrépido Jair Bolsonaro. O apaixonado Messias.
Num ato que beira as raias da viadagem, o Capitão oferece a Donald Trump a canção Amor Y Love You!
"Deixa eu dizer que te amo, deixa eu gostar de você..."
Bolsonaro acaba de perder a patente de macho de respeito lhe dada pelo Marreta.
Fora as pregas, é claro
Pãããããããta que o pariu!!!!

Amor Y Love You
(Marisa Monte/Carlinhos Brown) 
Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você.
Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui?

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu gostar de você
Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui?

Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor que está aqui
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you(bis)

(Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas
sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia
delas
Como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante...
Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase...
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações...)

Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you(bis)
 Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu radiofônico MARRETÃO.