domingo, 20 de dezembro de 2020

Zé Gotinha Declara : Não Há Vacina Eficaz Contra o Bolsonaro

Pããããããããta que o pariu!!!! Até o Zé Gotinha - simpática mascote criada em 1986 para incentivar a vacinação contra a poliomielite, e que acabou por se tornar um símbolo de toda e qualquer campanha de vacinação - está vacinado contra o intrépido Bolsonaro.
Durante o evento de lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Peste Chinesa, ocorrido nesta quarta-feira próxima passada (16/12), presentes Zé Gotinha e Bolsonaro, a lúdica mascote recusou o aperto de mão lhe oferecido pelo Mito, mesmo com as mãos protegidas pelas grossas luvas da fantasia, limitando-se a fazer um sinal de positivo, de joinha, para o Mito. Não dispensou também uma outra máscara sobre a máscara. Clara desobediência civil da insurgente mascote, que bem poderia também ser usada em campanhas de incentivo à doação de sêmen, bastando que se apresentasse como o Zé Porrinha. Só um joinha? Ainda se, pelo menos, tivesse feito o gesto da "arminha", vá lá, dava para desculpar.
Bolsonaro, no entanto, persistente e resiliente que só ele, não se deu por vencido. Quem não capitulou frente à facada de Adélio Bispo nem frente ao comunavírus (combateu-o tomando cloroquina com guaraná Jesus, aquele que tem poder), não seria frente a um personagem de trenzinho infantil que iria pedir penico.
Bastou uma distração do Zé Gotinha para que Bolsonaro o agarrasse pelo pulso e forçasse o contato. Um aperto de mão não consensual, como diriam os viadinhos politicamente corretos. Bolsonaro, praticamente, estuprou o Zé Gotinha. Relaxa e goza, teria dito Bolsonaro ao agarrar o pulso do Zé Gotinha, e, ao fim da foto, largando-o, teria perguntado : foi bom pra você? 
Mas o que teria levado à recusa do Zé Gotinha em retribuir a generosa oferta de um aperto de mão do Bolsonaro? Teria havido tão-somente motivações médicas-higiênicas-sanitárias por parte do Zé Gotinha?
Motivações médicas-higiênicas-sanitárias é o caralho!!! O ato de desacato do Zé Gotinha, digno de ser levado aos ferros de uma Corte Marcial, foi claramente premeditado e nasceu de intenções puramente políticas-partidárias. Intenção de expor o Presidente da República a uma situação pública vexatória. De deixá-lo sem graça. De tentar avacalhar com a gestão bolsonarista.
Quando li a notícia no dia em que o ato subversivo ocorreu, logo me veio a suspeita de que havia um comunista-petista por debaixo daquelas vestes, um agente infiltrado do PT ou do MST, pago a soldo de sanduíche de mortadela.
Acertei na essência; de fato era um petista em pele de Zé Gotinha, tentando constranger o Capitão, mas errei feio em relação à hierarquia ocupada por ele dentro da ORCRIM do PT e suas derivações. Não era um mero soldado raso, como eu pensara. Era o próprio general, o próprio capo da máfia vermelha.
Pããããããããta que o pariu!!!! 
Mas se não há vacina contra o Bolsonaro, contra o Lula não há nem soro antiofídico ou antirrábico!!!!
Ah! E a luva de quatro dedos do traje do Zé Gotinha caiu-lhe como uma... luva!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Cerveja-Feira (36)

Inúmeros são os casos e os relatos de pessoas que, negligenciando a própria segurança, lançam-se a enchentes, inundações e outras fúrias dos elementos para resgatar e salvar bens materiais, entes queridos, animais de estimação, sogra, cunhado etc. Legítimos heróis. Colocando o bem do outro acima de suas integridades físicas.
Mas nenhum ato de coragem ou de heroísmo se compara ao realizado por uma australiana no início desta semana, na segunda-feira (14/12). Jamais houve notícia de uma demonstração maior, nem mesmo igual, de despojamento da própria vida em prol do bem comum.
Na Austrália, ondas gigantes, rajadas de vento mais fortes que o habitual e elevação súbita das águas vêm se tornando recorrentes em algumas localidades, causadas por mudanças climáticas e pela erosão costeira provocada por empreendimentos imobiliários.
Como o ocorrido na praia de Byron, Queensland, no começo da semana. Os banhistas foram surpreendidos por fortes rajadas de vento de até 100 km/h, por ondas hidrofóbicas e por uma volumosa maré que tomou as areias e grande parte dos estabelecimentos comerciais. Trajes e pertences dos banhistas foram levados, viraram oferenda pra Iemanjá.
Em meio ao pânico e ao desespero, uma australiana, que já está a ser considerada uma heroína lá na terra do canguru, manteve a calma e a compostura e, ao invés de correr da tempestade, se lançou a ela e ao indócil mar.
Sua missão, a mais nobre. Digna de ser considerada um décimo-terceiro Trabalho de Hércules. Salvar dois barris de cerveja, que a sedenta maré estava a engolir e a levar para as suas negras profundezas.
A australiana mergulhou nas águas turbulentas e traiçoeiras, pegou Poseidon pelos colarinhos e disse : a cerveja é minha e ninguém tasca! Chamou Poseidon na chincha e emergiu vitoriosa das águas, a carregar e a exibir os seus troféus de guerra, os dois barris de cerveja.
Portanto, o cerveja-feira desta semana só poderia ser dela, cujo nome não foi mencionado em nenhuma das reportagens que li para me inteirar de maiores detalhes da épica batalha desta australiana contra o mar em defesa do Santo Graal. Nem o nome e nem uma foto dela de topless.
Pããããããta que o pariu!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Renas do Papai Noel

Elas são uma tradição do Marreta desde 2011, e aportam por aqui já com relativo atraso neste ano, as renas do Papai Noel. Por enquanto, são renas, mas desconfio de que, não demora muito, logo, logo, vai começar a ter cota para viadinhos. Aí, a seção termina. Aproveitemos, pois.
Pesquisei e, segundo o site Brasil Escola, elas são em número de nove : Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen. Em português, essas renas chamam-se: Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.
A minha preferida, claro, é a Empinadora. Toda empinadinha, ou empinadinhas, feito a Ava Adams e a Phoenix Marie.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Esperanças Recalibradas

Ele esperava um beijo de cinema;
Rolou nem abraço.
 
Ele esperava garrafas de vinho;
Amargou um café requentado.
 
Ele esperava afinidade instantânea;
Instalou-se cuidadosa sondagem.
 
Ele esperava despojamento;
Foi comunicado da obrigatoriedade de traje a rigor.
 
Ele esperava gargalhadas orgásticas;
Risos amarelos impotentes decoraram o ambiente.
 
Ele esperava madrugada de garoa e meteoritos;
Ofertado-lhe o sol a pino e urubus passeando a tarde inteira entre os girassóis.
 
Ele gostou;
Mesmo assim.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Abandono

- Ó, Poesia!
Clama
Uiva
E gane o poeta
(Cinquentenário,
Nunca publicado,
Poeta de gaveta,
De pastas de plástico corrugado
De disquetes) :
- Por que me abandonaste? 
 
A Poesia
Paciente e condescendente que só Ela,
E a não querer dever pra pobre
E grata, enfim,
Por um gozo aqui,
Por um deleite ali,
Por um arfar e um arquear acolá
Proporcionados pela língua semivernacular
Do extinto e brocha poeta
(o poeta tivera seus dias, seus momentos),
Por um buquê de miosótis
Por um desajeitado e brega
Jantar de salmão ao molho de maracujá,
Condói-se
E responde:
- E tu, poeta?
Por que antes de mim,
Muito antes de mim,
E não sem meus avisos,
Te abandonaste?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Cerveja-Feira (35)

A viadagem aportou de vez na cerveja, dantes bebida mais varonil, de macho rústico, de pedreiro, de estivador, que combinava com torresmo, testosterona e copo americano Nadir Figueiredo, não com comidinhas de butecos gourmets.
A viadagem se assentou de vez na cerveja : a superestimada Skol lançou a Skol Beats Zodiac. A cerveja que harmoniza e se conecta com o seu signo.
Acabo de chegar do mercado. Ao me dirigir para a seção das cervejas, uma pilha cilíndrica de latas coloridas montada no meio do caminho chamou-me a atenção. Um totem de latinhas. Alías, totem, não, que totem é coisa de tribos e clãs machos das antigas; era mais um carro alegórico, daqueles bem "carnavalescos", se é que me entendem. 
E estava lá : Beats Zodiac, nas cores vermelha, azul, verde e roxa. Cada uma com o desenho estilizado de um signo, touro, escorpião etc. Já ia passar batido por aquela bizarrice e ir ao que me interessava, pegar a cerveja mais barata do dia, quando um rapaz que trabalha na seção de bebidas há tempos, um sommelier que dá dicas de vinho etc para quem recorre à sua ajuda, chegou e me disse :"vamos estar conhecendo essa novidade?".
Pããããããta que o pariu!!!! Eu atraio esse tipo de louco prestativo. Sempre atraí. Ele me falou que eram 12 novos sabores em 12 latas diferentes, inéditas e colecionáveis. Cada novo sabor levava diferentes proporções de malte, lúpulo e cevada em sua composição, pensadas especialmente de acordo com as características de cada signo, também diferentes notas de frutados, amadeirados, defumados etc. Informou-me ainda que cada uma das cores correspondia a um dos quatro elementos do Zodíaco, o ar (e me mostrou uma latinha de Aquário, que eu sempre pensei que fosse um signo da água, vai ver que é um aquário vazio), a terra (e me mostrou uma latinha de Touro), a água (uma latinha de Peixes) e o fogo (uma latinha de Leão).
Doze novos sabores? Que porra é essa agora? Cerveja virou Fanta? Fanta Uva, Fanta Laranja, Fanta Limão, Fanta Guaraná? Aliás, tenho certeza : essa cerveja é Fanta!
"De qual elemento é o seu signo?", ele me perguntou. De fogo, respondi; bebo até ficar de fogo. Ele não riu. Não sei se não entendeu, ou se só não achou graça mesmo. Menos graça eu achei do preço da viadice : quase cinco contos por uma latinha de 269 ml. 
Fui para as prateleiras das cervejas de macho e hoje vou bater de Schin; R$ 1,69 a lata de 350 ml.
Esqueci de perguntar pro sommelier se havia também os signos da gazela, da borboleta, da libélula, do boto-cor-de-rosa e do colibri.
Pããããããta que o pariu!!!!!!

Nós, Cobaias de Deus ou Robôs de Pavlov?

Eu sou o cara "certinho", careta e responsável que morre de vontade de ser o mais errado, o mais "zen", o mais largado do mundo.
Queria demais : chegar atrasado de vez em quando ao trabalho e a encontros marcados (chegar atrasado não de propósito, para provar que sou "descolado", por falta de organização, mesmo), deixar as contas vencerem, esquecer as luzes acesas e a TV ligada quando não estou na sala, não limpar o mijo que, eventualmente, respinga na borda da privada ou no chão, não catar os ciscos que vejo no chão, não olhar a data de validade dos produtos no mercado, ainda no mercado, entrar com o carrinho lotado de compras no caixa rápido destinado a 10 ou 20 volumes (e não ficar puto com quem faz isso, querendo ter superporderes nessa hora para trucidar o filho da puta), não vigiar nem cobrar o filho para que ele cumpra com suas tarefas básicas, não aguar e adubar as plantas, ir dormir sem lavar a louça suja na pia e também ser tomar banho, escovar os dentes, verificar portas e janelas e a válvula do gás de cozinha, caminhar bêbado e a esmo pela madrugada.
Tem dias em que me deito para dormir e digo : amanhã, eu vou acordar tarde, não vou varrer a casa, não irei à padaria nem ao mercado nem à quitanda, café?, quem o quiser que o coe, não vou me preocupar com a hora das refeições, não vou querer nem saber se tem comida pronta para o almoço do filho e da esposa, não vou trocar a água nem repor a ração nem limpar a caixa de areia das gatas, não vou pôr o lixo fora. Porém, acabo fazendo tudo isso e muito mais.
Queria muito, ainda que apenas às vezes, mandar tudo às favas. Ter um dia de ócio. Mas não consigo. Segundo uma grande amiga, de quem - mea culpa, mea maxima culpa - estou ausente há tempos, minha "socialização primária" foi muito bem feita. Seja lá o que isso for.
Sou o cara que se diverte demais com as diabruras que o capeta sussura no meu ouvido esquerdo, mas que, por alguma razão, acaba por seguir os conselhos do anjo, no meu ouvido direito. Sou o Mr. Hyde que não foge da prisão das placas de Petri e dos tubos de ensaio do laboratório do Dr. Jekyll, mesmo que não haja carcereiros, mesmo que as grades estejam destrancadas.
Qual não foi a minha surpresa em saber que o ex-estranho (ele que acha) e sorumbático GRF também padece dessa dicotomia entre o que a gente quer da vida versus o que a vida quer e exige da gente?
Cobaias de Deus, ou Robôs de Pavlov?
Pessoas como o GRF e eu acabamos muitas vezes por sobrepor as necessidades dos que nos são próximos aos nossos pequenos prazeres. Acabamos nos rendendo ao poetinha Vinicius : a vida tem sempre razão.
Rendemo-nos, mas não sem angústia, a contragosto. Angústia e contragosto expressos de forma irretocável no poema de GRF que replico abaixo:
 
Admirável Fase Poética, por GRF
 
Entrei numa nova fase poética
uma fase que a escrita me abandona
que a rima fica seca, desértica,

e que minha prosa vira uma zona
numa orgia de ervas e cafeína.
Entrei numa nova fase, menina,
sei nem o que quero pro agora
mas sei que quero sem demora
qualquer coisa que há.

Entrei numa nova fase poética
a frase que não segue a métrica
a régua que foi pro lixo
escrever o que bem desejo
eis agora o meu nicho.

Entrei numa nova fase poética
abdiquei da bela poesia
agora vou escrever tudo torto
desfigurado de sentido figurado
parem, parem, parem!

ESTOU MENTINDO!
 
Eu tento a desordem
eu tento!
Mas os hábitos devoram a selvageria e a possibilidade
de me entreter em novos horizontes.
Eu quero a louça lavada. Lavei.
Eu quero a casa limpa. Limpei.
Eu quero a cama arrumada. Arrumei.
Eu quero ser tudo. Serei.
Eu quero ser nada. Nadei
e sigo aqui boiando pelas ondas
que atravesso sem (quase) afogar.
Eu não consigo me permitir errar, acordar com as remelas nos olhos
e assim ficar. O bafo o dia todo, andando de samba-canção, o ralo entupido,
eu não consigo. Sem alarme? Sempre há dois, três alarmes.
 
Sou o rato.
Sou o experimentador.
Sou a caixa.
Sou a barra.
Sou o som aversivo.
Sou o reforço.
Sou o comportamento.
Valha-me São Pavlov!
Valha-me beato Skinner!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

(IN)COMPETÊNCIAS

Sou inábil e desajeitado.
Escorrego e arrebento o cóccix
Lavando o banheiro ou a cozinha,
Quebro o pé em batentes e pés de mesas,
Esmigalho o polegar
Se um prego tiver de pôr à parede.
Não sei consertar torneiras,
Tomadas nem válvulas de privada.

Mas me deem umas boas doses de rum,
Uma boa banda do velho rock'n'roll,
Uma madrugada de farta Lua,
Uns telhados inclinados para eu galgar
E arrisquem-se em ver do que sou capaz.
Ou se acaso são capazes de mesma primazia.

Topem comigo nas horas silentes
Eu, portando meu capuz, meu brasão e minha caneca.
E vejam se podem me segurar.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Proibida Puro Malte, O Fim de Uma Boa e Barata

Dentre as cervejas puro malte mais comerciais, digamos, assim, mais acessíveis ao  meu bolso,  a Proibida Puro Malte, a do rótulo preto, ocupava, juntamente com a Brahma Extra Lager, o honroso segundo lugar de meu panteão da cevada. Perdiam para a Serramalte, a minha preferida da categoria.
Há tempos a latinha preta da Proibida Puro Malte sumiu das prateleiras dos mercados, ou das do mercado onde eu a comprava, pelo menos. Ontem, ela reapareceu. Em nova roupagem. Branca e dourada. Feito um hábito de monge.
A luz de alerta já acendeu na minha cabeça : embalagem nova, talvez nova formulação. Lembrei-me, no entanto, do notório adágio : o hábito não faz o monge. Fui me fiar nesse ditado popular e me estrepei!
Talvez o hábito, de fato, não faça o monge, mas monges diferentes, de diferentes ordens, vestem hábitos diferentes. Latas de cerveja diferentes vestem, sim, cervejas diferentes. E piores. Bem piores, nesse caso.
Cheguei a pensar em não comprá-la, o branco e dourado da nova roupa da PPM não me agradou nem um pouco, mas levado pelo preço em oferta (R$ 1,89 a lata de 350 ml) e, de novo, por outro ditado popular, o que diz que em time que está ganhando não se mexe (por que mudariam a PPM, se já era tão boa?), comprei três latinhas.
Assim que a verti no meu poderoso canecão, comecei a perceber o tamanho da encrenca. O amarelo forte, tendendo ao brônzeo, da PPM que eu conhecia sumira, dera lugar a um amarelo pálido, anêmico; a espuma, outrora densa e consistente, mostrou-se frágil e aerada, feito espuma de sabão em pó, e se desintegrou em menos de 30 segundos. O pior ainda estava por vir, o gosto. Desapareceram o amargor, o frutado, a forte carbonatação. Aguada pra caralho. Sem gosto de nada. 
Pus meus óculos de velho e fui ler as letras pequenas do rótulo. Do tipo Golden Lager que era, a PPM foi transformada em Pilsen. O antigo teor alcoólico de 5,2% caiu para 4,3%, cerveja para viadinhos. No rótulo, ainda: "cerveja puro malte com alto drinkability". Fui ver que porra era essa. Drinkability é "um conceito subjetivo que vai medir o quanto o líquido é bebível e agradável. Quanto maior o grau de drinkability maior é a satisfação provocada pela degustação da cerveja, o que faz com ela seja passível de ser consumida novamente".
Passível de ser consumida... foi o que eu disse, cerveja de passivinhos, que não podem ter o seus refinados paladares agredidos por sabores mais fortes, ou não comprarão de novo a cerveja. Jamais. Nem moooortas!!!
Nem o R$ 1,89 por latinha compensou a nova Proibida Puro Malte. Por esse preço, prefiro muito mais a Lokal e a Serrana.
Se derem de cara com a lata abaixo, não importa por quanto ela esteja sendo vendida, ignorem-na. Corram dela.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Meia-Noite na Minha Paris

Há certos livros, compositores, filmes, lugares, épocas, mulheres... que não poderíamos morrer sem visitá-los. A questão é que muitas vezes, no mais das vezes, não os sabemos quais. Até passamos por eles, às vezes; damos encontrões com eles por aí; até os cruzamos pela vida, mas a nossa pressa em não faltarmos nem nos atrasarmos para o nosso compromisso diário com a realidade nos impede de dispensarmo-lhes maiores atenções e cuidados.
Quantos livros não li (nem lerei) ou quantos autores não descobri porque tinha de preparar uma aula que, bem sabia, ninguém prestaria mesmo atenção? Quantos Bukowskis ou Fonsecas deixei de conhecer porque tinha que corrigir calhamaços de provas entregues em branco?
Quantas músicas e músicos abdiquei de me fazerem acompanhar em uma cerveja porque precisava repor o arroz e o feijão, o macarrão, as frutas e legumes, o café e o açúcar, o sal e o óleo, o papel-alumínio e o guardanapo na despensa? Quantos Jobins e Russos deixei de conhecer enquanto esperava na fila do açougue?
Por quantos lugares passei a trem-bala, como quem vê artigos em vitrines de lojas, ao invés de a pé conhecê-los sob a chuva, a madrugada, o café e o vinho só porque, ao fim das férias ou do feriado, eu tinha que voltar ao trabalho e juntar uma grana para poder, de novo, passar por novos lugares a trem-bala ao invés de conhecê-los a pé etc. 
Com quantas mulheres deixei de me encantar e de me aborrecer, e de encantá-las e de aborrecê-las, porque, enfim, somos monogâmicos e tal, certo?
Quantas meias-noites eu já perdi por ter que suportar os infindáveis meios-dias?
Mas volta e meia, um desses livros, compositores, filmes, lugares, épocas, mulheres... que não poderíamos morrer sem visitá-los, mas, no mais das vezes, não os sabemos quais, encontram uma brecha em nós, um hiato em nosso tempo, uma baixa em nossa guarda, uma nossa distração das coisas do dia a dia e se nos impõem que lhe demos a devida atenção.
Volta e meia, um desses livros, compositores, filmes, lugares, épocas, mulheres... que não poderíamos morrer sem visitá-los, mas, no mais das vezes, não os sabemos quais, decidem que também eles não podem morrer sem que nós os tenhamos visitado. E, já exauridos de paciência por tanto e em vão nos esperarem, entram sem tocar a campainha, sentam-se às nossas mesas sem serem convidados, tomam de nossa bebida sem que lhes seja oferecida.
E ainda bem que, volta e meia, um desses livros, compositores, filmes, lugares, épocas, mulheres... que não poderíamos morrer sem visitá-los, mas, no mais das vezes, não os sabemos quais, faz isso.
Hoje, por volta das três da manhã, uma forte chuva me tirou do meu sono sempre leve de nuvem. O dia me chamando mais cedo? Pensei que sim. E levantei-me com mal-humorado pé esquerdo. Corri à sacada, ver se a chuva não estava a encharcar a ração e a areia das gatas, ou a tentar afogar algum de meus cactos e suculentas, derrubá-los de suas prateleiras.
Tudo acudido e controlado, sabia que não mais pegaria no sono; e ainda faltavam três ou quatro horas para o meu dia efetivamente começar, acordar esposa e filho, fazer o café de um, preparar o leite e o lanche do outro etc. Preferi considerar as três ou quatro horas como um bônus de madrugada, ao invés de sono perdido. Considerá-las como um episódio de Além da Imaginação, ao invés de cenas do próximo capítulo de nossa diária novela mexicana. 
Sem mais o quê, fiz forte café em minha cafeteira italiana, salpiquei-lhe canela, deitei-lhe generosa dose de rum e me dispus a assistir a um filme. O primeiro que surgisse. Uma roleta-russa. Entrei numa dessas plataformas de streaming, selecionei a opção "ficção" e ele surgiu. A decisão foi dele; em nenhum momento, minha. Ele, o filme, decidiu que eu não poderia morrer sem vê-lo; decidiu que ele não poderia morrer sem que eu o tivesse assistido.
Não tinha sido o dia a me chamar mais cedo se valendo do subterfúgio de uma forte chuva; fora o filme.
Meia-noite em Paris.
O Além da Imaginação de Woody Allen.
O melhor Além da Imaginação.
O melhor Woody Allen.
Morro, agora, com um arrependimento a menos; dentre tantos.
Morro, agora, dando um motivo a menos que justifique a crueldade de algum deus querer me fazer reencarnar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Anedonia (2)

Para o alcoólatra,
Membro da seita dos A.A.,
O "um dia de cada vez"
Diz respeito a ele
Paciente e inquebrantavelmente
Renunciar aos malefícios
Que a bebida lhe traz.
 
De nascer do sol
A nascer do sol;
Mais difícil : de cair da noite
A cair da noite.
 
A mim
O conformado e estóico lema
Bem pode ser
Também aplicado ao álcool
Mas
Mais ainda
À Vida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Anedonia

Preciso
Urgente
Porém, há tempos
Ser remendado
(me remendar).
 
O que não me impede
De continuar por aí...
Mesmo roto 
E esfarrapado.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Hai Cai do Bebum

Chá?
Achas?
Cerveja!

Hai Cai do Bebum (2)

Café?
Estás de ma-fé!
Cerveja!

Hai Cai da Bebum (3)

Suco?
Filho de um eunuco!
Cerveja!

Dalila's Hai Cai

A tesoura
É a insígnia da sanção.
Que o diga Sansão.

Pode Ser Numa Canção, Pode Ser No Coração, Eu Só Quero Ter Você Por Perto (14)

Me Faça um Favor
(Sá, Rodrix & Guarabira)
Quero que você me faça um favor,
Já que a gente não vai mais se encontrar.
Cante uma canção que fale de amor,
Que seja bem fácil de se guardar.

Meu amor,
O que eu sou,
Todo mundo vê,
Me perdi,
Me esqueci,
Dentro do seu mundo,
Procurando a vida com você.

Mesmo que as pessoas lembrem de nós,
Mesmo que eu me lembre dessa canção.
Não vai haver nada pra recordar,
Nada o que valeu, o que houve de bom.

Meu jardim,
Seu quintal,
Sempre a mesma flor,
Hoje não,
Cada um
Dentro do seu mundo,
Navegando contra a solidão.

Quero que você me faça um favor,
Já que a gente não vai mais se encontrar.
Cante uma canção que fale de amor,
Que seja bem fácil de se guardar.

Mesmo que as pessoas lembrem de nós,
Mesmo que eu me lembre dessa canção.
Não vai haver nada pra recordar,
Nada o que valeu, o que houve de bom.

Meu amor,
O que eu sou,
Todo mundo vê,
Me perdi,
Me esqueci,
Dentro do seu mundo,
Procurando a vida com você. 
Para ouvir a música, é só clicar aqui no meu neurastênico MARRETÃO.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Segura na Mão de Deus, Segura na Mão de Deus...

Nunca fui um apreciador de futebol; logo, nunca fui um apreciador de Dom Diego Maradona, o futebolista. Mas sempre fui fã de carteirinha do Maradona, o mito. Do Maradona, o provocador, o gozador, o sacana, o peladeiro das antigas. Do Maradona, o Mão de Deus.
Maradona era o último remanescente do jogador macho das antigas, daqueles que xingavam o juiz na cara, coçavam o saco e cuspiam no gramado. Sujeito que veio dos campinhos de futebol de várzea e não das afrescalhadas escolinhas de futebol e dos anabolizados centros de treinamento.
Uma das histórias mais espirituosas e hilárias já acontecidas no futebol teve a mão de Maradona (e portanto a de Deus) por detrás. 
Vinte e quatro de junho de 1990. A Argentina bateu o Brasil por 1 a 0. Eliminou o Brasil já nas oitavas de final e se classificou para as quartas de final da Copa de 1990. Num lance do jogo, Ricardo Rocha derruba o argentinho Troglio no gramado. O lateral-esquerdo brasileiro Branco, sedento pelo calor que fazia, aproveitou para pedir água aos argentinos que entraram em campo para socorrer Troglio. Foi quando a genialidade de Maradona entrou em ação. Como todo goleador que se preza, Maradona estava ali só de olho, só na "banheira", esperando sua chance. Ao ouvir o pedido de Branco, reza a lenda que Maradona mandou o massagista Miguel di Lorenzo, o Galíndez, trocar as garrafas em que os argentinos estavam bebendo e dar uma diferente a Branco, uma com água "batizada". Com água que canarinho não bebe, mas se beber assovia o Hino Nacional de trás pra frente e de frente pra trás. A água dada a Branco por ordens de Maradona estava "batizada" com um calmante, um tranquilizante ou coisa que o valha. Daí em diante, Branco jogou o resto da partida grogue, grogue, trá-lá-lá de tudo. Foi a partida mais calma que Branco já jogou. Branco só ficou sabendo da pegadinha do Maradona três meses depois, pelo zagueiro argentino daquele jogo, Ruggieri. Depois, outros jogadores confirmaram a história. O próprio Maradona, décadas depois,  confirmou, às gargalhadas, a tramoia em entrevista a um programa argentino de esportes. Sacanagem do Maradona? Não! Burrice do Branco, porra, de pedir água pros argentinos!!! Sensacional, o Maradona! Um filho da puta das antigas.
Muitos creditam a decadência da carreira de Maradona aos seus problemas com drogas e mulheres. Problemas? Como disse Keith Richard, dos Rolling Stones, "eu nunca tive problemas com as drogas, sempre tive problemas foi com a polícia". É o caso de Maradona, porra! Maradona, feito o magnata norte-americano de quem eu me esqueci o nome, gastou grande parte de sua fortuna com drogas e mulheres; o resto, ele desperdiçou.
E hoje, morreu Maradona, o mito. O futebolista há muito já estava. Morreu de parada cardiorrespiratória, aos 60 muito bem vividos anos. Maradona havia passado por uma delicada cirurgia no início desse mês, para drenar um hematoma, um coágulo cerebral. E acho que foi isso que acabou provocando a morte a curto prazo do gênio da pelota. Dadas as proporções dos cérebros dos jogadores de futebol, o médico, ao tentar drenar o coágulo, acabou drenando foi o cérebro todo. Jogar futebol sem cérebro não só é possível como é praticamente um pré-requisito, mas respirar, manter os movimentos involuntários do músculo diafragma, não.
Morreu Maradona, o Mão de Deus.
Morreu Maradona, o mito. Agora, ele vai virar santo. Queira a Igreja Católica canonizá-lo ou não, logo, logo, São Dieguito estará a operar milagres e prodígios. Aliás, santo é o caralho! Que santo é o baixo clero do Céu. Maradona vai chegar no Céu e dizer que joga melhor que Deus.
Diego Armando Maradona
1960 - 2020

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Escala Richter Para Cervejas

Para deixar patente a minha semi-ignorância nas mais variadas áreas, começo esta postagem com uma tripla negativa : não entendo praticamente nada de nenhum dos assuntos dos quais trato aqui no Marreta. Quero dizer com isso que não sou versado ou especialista, nem mesmo um aficionado diletante em qualquer tema ou objeto; muito menos um "entendido", aí é que não mesmo. Inclusive, e principalmente, num dos assuntos que mais toco por aqui, a cerveja. Nada entendo de cerveja. Entendo de tomar cerveja, de entornar. E só.
De resto, nada sei. Nada conheço sobre a seleção de seus ingredientes, das régias proporções entre eles, nada sei do processo de fabrico, sobre os tempos de cozimento, de fermentação, nada dos aspectos visuais, olfativos e gustativos tomados como régua de sua qualidade. Não sei diferenciar uma Pilsen de uma Lager. 
No máximo, percebo as diferentes tonalidades de amarelo de uma cerveja para a outra, mas não sei o que pode ser inferido dessa gradação, percebo se uma é mais ou menos amarga que a outra e, se a diferença for muito grande, percebo se uma é mais ou menos alcoólica que a outra. E não passo disso.
Tanto que quando quero tirar um sarro dos degustadores, debochar de toda aquela pose e aquela terminologia empolada de que se valem, confesso, recorro  a uma "cola". Vou ao excelente site Brejas.com.br. Carbonatação, persistência da espuma, retrogosto, sabor frutado etc, eu tiro tudo de lá, aleatoriamente.
Chegando ao motivo da postagem, o referido site também traz a avaliação de milhares de marcas de cerveja. Nacionais e estrangeiras dos mais variados países. Das mais vagabundas cervejas nacionais às mais cultuadas cervejas belgas e alemãs, verdadeiras lendas que ocupam o Olimpo cervejeiro. 
O Brejas tem um time de avaliadores que julga a cerveja nos quesistos aroma, sabor, aparência, sensação e conjunto. É feita uma média destes quesitos e emitida uma avaliação geral, que varia de 0 (zero) a 5 (cinco).
A cerveja Moema, da qual falei na última cerveja-feira e pela qual paguei R$ 1,35 a lata de 350 ml, alcançou a nota geral de 2,0 na avaliação dos peritos do Breja. Até aí, tudo certo, achei uma nota justa. Um conceito dois em cinco é o mesmo que um quatro numa escala de 0 a 10. Ou seja, a Moema ficou abaixo da média, tirou um quatro na prova, nota vermelha, mas nada que não possa ser recuperado. 
Então, fui procurar por cervejas que tivessem alcançado a nota máxima, ou ficado muito próximas a ela. Entrei na seção de cervejas belgas e nem precisei procurar muito, dei logo de cara com a cerveja Trappistes Rochefort 10. Uma belgian dark strong ale, com 11,3% de teor alcoólico e fabricada por monges da abadia Notre-dame de Saint Remy. Pois a Trappistes etc atingiu uma nota de 4,5 na avaliação geral de duzentos e vinte cervejeiros do site.
Aí, achei estranho. Estranho e de uma mais que injusta desproporção. Quer dizer que, analisando fria e matematicamente as notas atribuídas às duas cervejas, a Trappistes e tal é somente 2,25 vezes melhor que a Moema, uma cerveja safada de milho, que muitos especialistas se recusariam até em classificar como cerveja?
Óbvio que não. A Trappistes, com certeza, é muitas e muitas vezes superior à Moema. Erro dos avaliadores? Não, tenho certeza de que não. Erro de escala, eu afirmo. Do tipo de escala.
Uma vez que os atributos e as qualidades das cervejas analisadas são enormemente díspares e discrepantes, uma escala que abrange um intervalo tão pequeno - de 0 a 5 - é obviamente inadequada e incapaz de bem avaliá-las, e, mais ainda, de fornecer parâmetros confiáveis para os consumidores. Ou se aumenta enormemente o intervalo - zero a cem, zero a mil etc - ou se muda (que é a minha proposta) a base da escala. 
Proponho que a escala de 0 a 5 do Brejas seja mudada de aritmética para logarítmica. E aqui se faz necessária uma breve explicação sobre os dois tipos.
A grosso modo (lembram-se de que eu não sou especialista em nada?), uma escala aritmética é uma reta com origem no zero e dividida em intervalos iguais a partir dele. Os valores atribuídos a cada um dos intervalos são estabelecidos pela soma de um número constante (a razão) a começar do zero e a se repetir pelos valores subsequentes. Uma escala aritmética, a exemplos, pode ter uma razão igual a 1 (0, 1, 2, 3, 4,...), ou a 5 (0, 5, 10, 15, 20...), ou igual a 100 (0, 100, 200, 300...) etc.
Uma escala logarítimica é, basicamente, a mesma coisa; porém, os valores dados a cada intervalo são obtidos a partir do zero não pela soma de uma razão, mas pela multiplicação dela. A escala logarítmica mais usual é a de base 10. Em uma escala logarítmica de base 10, o algarismo 1 representado na reta não tem o valor de 1, mas sim de 10 (dez elevado à primeira potência); o algarismo 2, tem valor de 100 (dez elevado à segunda potência); o 3, de 1000 (dez elevado à terceira potência) e assim por diante.
Um exemplo de escala logarítmica é a Escala Richter, que mede a intensidade dos abalos sísmicos, dos chacoalhões que o planeta dá de vez em quando na esperança de se livrar de suas pulgas; no caso, nós. Assim, a exemplos, um terremoto de magnitude 2,0 não é apenas duas vezes mais forte que um de magnitude um : é dez vezes mais forte (dez elevado a um); nem é apenas duas vezes mais fraco que um de magnitude 4,0 : é cem vezes mais fraco (dez elevado a dois); e é dez mil vezes ( e não apenas três) mais fraco que um de magnitude 6,0 (dez elevado a quatro).
Penso que, dessa forma, se a escala de 0 a 5 do Brejas for tomada como uma escala logarítmica, maior justiça seria feita às cervejas por ela avaliadas.
No caso em questão, a belga Trappistes deixaria de ser apenas 2,25 vezes melhor que a hidromilho Moema; ela passaria a ser dez elevado a 2,25 vezes melhor, ou seja : aproximadamente 180 vezes superior à Moema. Acredito que ficaríamos mais perto da realidade.
Mas será que é possível agregar tantas qualidades a uma cerveja a ponto dela ser tão melhor assim que uma outra? A qualidade intrínseca à Trappistes tem como ser tão maior à da Moema? A qualidade em si, eu não sei, mas o preço, sim. Pãããããããta que o pariu se o preço, sim.

domingo, 22 de novembro de 2020

A Parte Que me Cabe e Que me Pesa Dessa Realidade

Todas as noites
Eu bebo.
 
Bebo para fugir do sono
Para fugir do amor :
Bebo para sonhar 
E para amar.
 
Em algumas noites
Eu bebo e sonho e amo a Fúlvia.
 
Em algumas noites
Eu bebo e sonho e amo
E me caso con a Veridiana.
 
Em algumas noites
Eu bebo e sonho e amo
E me caso
E tenho dois filhos com a Lupicínia.
 
Em todas as noites
Eu bebo e fujo :
De dormir e de sonhar
De casar e de procriar
De dividir cobertor e pasta de dente
De entrelaçar dedos dos pés e contas conjuntas
De me enrodilhar de conchinha e me conformar
Com a realidade 
Que me foi reservada.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Cerveja-Feira (34)

Nem a pandemia da Gripe Chinesa foi capaz de me amedrontar e me demover de minhas eternas prospecção e incursão em mercados e lojas de conveniência nunca dantes visitados em busca do Santo Graal da cerveja boa e barata. Nem o comunavírus conseguiu refrear a minha sede por novas descobertas, por novos conhecimentos e, sobretudo, por cerveja.
Ontem, a minha coragem e o meu arrojo foram recompensados. Ao voltar de minha matutina caminhada, entrei num pequeno armazém de bairro, localizado na vicinal de uma rodovia, Empório Castelo, ou algo assim, para comprar pão para o café do filho e da esposa, e lá estava ela :
Cerveja Moema. R$ 1,35 a lata de 350 ml. Comprei-a às cegas, ou quase às cegas, a olhos presbiópicos com três graus de deficiência, uma vez que, sem meus óculos de leitura, fui incapaz de ler as letras pequenas dispostas horizontalmente na lateral da lata nas quais constam informações sobre o fabricante, o local de procedência, o teor alcoólico etc. Há de se tomar muito cuidado hoje em dia em verificarmos o teor alcoólico da cerveja, pois há uma nova linha de "cervejas leves", elaboradas para paladares mais delicados, comedidos e viadescos, que mal chegam a 3% de álcool. O meu mijo é mais alcoólico que isso!
Comprei quatro latinhas e dei sorte.
A Moema é bem melhor que muitas das marcas comerciais mais conhecidas, Sub Zero, Kaiser, Bavária, Crystal, Schin, Itaipava, Skol, Devassa, Proibida. Dessas populares, para o meu gosto, ela só perdeu para a Brahma.
A fabricante, a Cervejaria Mendes Brewing Company, de Campo Grande (MS), garante que a Moema é "made with excellence", à base de "hops with german origin". Tendo, lógico, sempre em vista o valor de R$ 1,35 a lata, surpreendeu-me o seu bom e ligeiro amargor - imperceptível numa Skol, por exemplo, a vedete maior das cervejas de milho - e a grande persistência de sua espuma, se comparada às outras cerveja citadas.
Uma cerveja honesta, a Moema. Merece, com todas as honras e honrarias, o selo e a comenda ISO-Azarão de boa e barata.
Cerveja Moema : aprecie sem moderação; aliás, aprecie é o caralho, que apreciar cerveja é coisa de degustador, de quem faz biquinho de cu com a boca e dá pequenos golinhos, sentindo o buquê e procurando o retrogosto.
Cerveja Moema : entorne sem moderação. Que cervejeiro das antigas só tem que ter moderação é com o bolso. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Sim. Somos um País de Maricas (2)

Um - com o perdão da má palavra - HOMEM ser elogiado por suas qualidades de ... HOMEM, por seus atributos masculinos, por seu pulso firme e por sua determinação testosterônica agora é crime? 
É crime ser HOMEM e bem se utilizar e se fazer valer todos os potenciais que a Natureza, que o cromossomo Y lhe deu, não só como presente, mas como um encargo, uma obrigação? O legal, o correto é o quê? Pegar o cromossomo Y e enfiar no cu?
Pois parece que sim. Pois parece que estamos a ver o desabrochar de um novo tipo de preconceito e segregação, o preconceito genético, genômico : nasceu XY, nasceu com pinto e gosta de meter esse pinto numa buceta ou num cu ao invés de receber o pinto de outrem no seu, o sujeito já é classificado como "tóxico", como um estuprador em potencial. 
Por que tanta polêmica, celeuma e indignação pelos elogios de Putin à masculinidade de Bolsonaro? Por que alguém ser exaltado por exercer as qualidades que lhe são inatas é tão ofensivo? Por que fazer elogios ao macho por ele ser macho agride e desagrada a tantos? Por que a palavra MACHO desagrada a tantos?
Simples : porque somos um país de maricas. 
E esta postagem é dedicada, com todo respeito e admiração, ao ator Zé Mayer, um dos maiores machos da teledramaturgia brasileira, um dos maiores passadores de rodo de toda a nossa História, "cancelado" por essa corja de maricas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

De Macho das Antigas Para Macho das Antigas, Vladimir Putin Diz : Bolsonaro é o Cara !!!

A corroborar a minha tese de que atualmente Bolsonaro é o homem da esquerda no Brasil, ou, melhor, o macho alfa da esquerda tupiniquim, o sorumbático GRF enviou-me link de um vídeo no qual Vladimir Putin, o mandatário supremo da Rússia, o berço do comunismo moderno, elogia, parabeniza e felicita Jair Bolsonaro por sua força de comando, sua postura firme frente ao cenário da pandemia da Gripe Chinesa e, sobretudo, por "expressar as melhores qualidades masculinas e de determinação".
De macho das antigas para macho das antigas, Vladimir Putin declarou : Bolsonaro é o cara!!!
E o Mito não desfez tampouco menoscabou o elogio por ele ter partido de um comunista. Pelo contrário, postou o vídeo com a declaração de Putin em uma de suas redes sociais - o tuíter, eu acho -, dando-lhe grande destaque.
O que vem a demonstrar que Bolsonaro nada tem contra a Esquerda, contra o Comunismo de raiz; ele tem é muita coisa contra uma corja específica de esquerdistas encostados, safados e oportunistas, comunistas de boutique que, no mais das vezes, distorcem a ideologia para ganhos pessoais, para conseguirem privilégios, mamatas, regalias e outras fidalguices.
Vladimir Putin é comunista das antigas. Do tempo em que ser comunista era coisa para cossaco e para agente da KGB, para homens tenazes, implacáveis e endurecidos pelos rigores do Leste Europeu. Do tempo em que eram necessários brio e colhões roxos para ser comunista. Antes da ideologia vermelha ter sido deturpada e subvertida pelo Ocidente e transformada em abrigo e embaixada de afrescalhados, feministas e outros segmentos da população que se autodeclaram vítimas, perseguidos, excluídos e outras pataquadas mais.
Mas pra cima de Putin, não. Com Putin, não tem frescura nem diplomacia. Não tem questões sociais nem dívidas históricas. Não tem marcha das vadias, da maconha, da rosca frouxa, de Jesus. Com Putin, escreveu, não leu, o pau comeu! Ele manda envenenar com ricina e pronto! Que quem manda naquela porra lá é ele!
Comunismo assim, dá até gosto de ver.
Transcrevo, pois, abaixo, os elogios de Putin que tanto envaideceram Bolsonaro, proferidos ontem durante uma reunião virtual com os chefes de Estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China e ÁFrica do Sul).
 
"Muito obrigado, Sr. Presidente Bolsonaro, não foi fácil para todos nós trabalharmos este ano, mas você também enfrentou pessoalmente esta infecção e passou pelas provações com muita coragem. Desejo a você tudo de melhor, em primeiro lugar, saúde. Todos nós vimos como não foi fácil para o senhor. O senhor expressou as melhores qualidades masculinas e de determinação. O senhor foi buscar a solução de todas as questões, antes de tudo na base dos interesses do povo de seu país, deixando para depois as soluções ligadas aos problemas de sua saúde pessoal. Isso é para todos nós um exemplo de relacionamento corajoso com o cumprimento de seu dever e a execução de suas obrigações na qualidade de chefe de Estado."

Quem preferir assistir ao vídeo, é só clicar no meme abaixo, o Bolsoringa barbarizando também no Kremlin, confeccionado especialmente para esta postagem. Este, você não acha em lugar nenhum.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Bolsoringa (Ou, a Crítica da Esquerda a Bolsonaro Por Ele Ser de... Esquerda)

A rigor histórico, ser de esquerda é querer a cabeça do Rei, querer que, de preferência, nem haja um Rei - e não, como hoje, apenas querer substituir, trocar seis por meia dúzia, a bunda que se assenta e se acomoda ao macio trono. Ser de esquerda é se opor e querer o desmanche do sistema estabelecido - e não, como hoje, apenas querer usurpar e bem se estabelecer no lugar de quem vinha mantendo e perpetuando o sistema estabelecido. É querer acabar com o Baile do Rei - e não, como hoje, ansiar por ingressos em camarote VIP para tomar parte do mesmo; não, como hoje, apenas querer trocar de Rei para passar a se sentar à direita dele.
A rigor histórico, ser de esquerda é querer romper com e demolir os paradigmas viciados do poder político vigente e renovar e modificar as suas relações, é ter um pensamento, portanto e minimamente, anárquico. Ser de esquerda é ser fora do rumo e do prumo, é pensar fora da casinha - e não, como hoje, invejar e ambicionar a casinha do outro, ainda que seja para adquiri-la, a prestações vitalícias, no Minha Casa, Minha Vida.
A rigor histórico, ser de esquerda é ser um eterno "se há governo, sou contra", um sem-teto ideológico, um sem-trono por convicção. É ser, às vistas do establishment e do cidadão comum, um "inconsequente, irresponsável e insano".
Se buscarmos nas histórias em quadrinhos, a nona arte, hoje tristemente rebaixadas a cinema, a sétima arte, que personagem é o mais anárquico, o mais contestador do sistema, o mais avesso às relações de hierarquia e comando, quem é o maior crítico da ordem da Nova Ordem Mundial, quem é que quer, de fato, ver o circo pegar fogo e não apenas ser mais um palhaço ao picadeiro? Que personagem de quadrinhos é, enfim, mais de esquerda que o desvairado Coringa? Nenhum, meus caros. Nenhum.
O Coringa quer a cabeça do Rei. E nem é para exibi-la à parede de sua sala de troféus. Muito menos para colocar à própria cabeça a coroa que antes aninhava-se na do decapitado regente. O Coringa quer a cabeça do Rei, simplesmente, porque o Rei é o Rei. No máximo, quer jogar uma pelada de fim de semana com ela e descartá-la.
O Coringa não confronta a sisudez, a disciplina, o rigor espartano e todo o poderio bélico do Batman para assumir o lugar dele na bat-caverna. O Coringa nem quer matar o Batman, só quer subvertê-lo, só quer despi-lo de sua negra e engessada armadura de morcego para vesti-lo com um modelito mais leve, mais relax; quiçá, ver o morcegão carruncudo em largas bermudas, camisas e colares havaianos.
Em um dos filmes mais recentes do Cavaleiro das Trevas, o Coringa, encarnado pelo suicida Heath Ledger, trama lá um assalto, um sequestro, ou sei lá o quê, como forma de receber um resgate trilionário (em dólar) : só  para ter o prazer de, literalmente, a fósforo e gasolina, queimar toda a sua parte. Karl Marx, vagabundo que foi sustentado pela esposa enquanto escrevia "O Capital", choraria de emoção! 
Conseguem imaginar um esquerdista de hoje tacando fogo em dólares? Conseguem conceber o Lula, o Chaves, o Maduro ou o Fidel a incinerarem "verdinhas", que são o símbolo supremo do grande capital? Quem pode ser mais fiel ao próprio discurso e mais desapegado ao capital que o Coringa? Quem é capaz de contestar mais o sistema e ser mais de esquerda que o Coringa? Ou, ao menos, equipará-lo?
Quem nos dá a resposta, é a própria mídia esquerdista, através de um de seus veículos impressos mais notórios, a revista Isto É. E a resposta é : ele, o Mito, o intrépido Bolsonaro.
Jair Bolsonaro, segundo a capa sensacionalista (e muito bem bolada, eu gostei pra caralho) da Isto É desta semana, é o Coringa, é o nosso homem de esquerda, portanto. Tão de esquerda, mas tão de esquerda, que continua sem partido até hoje. Continua sem querer a nenhuma denominação se filiar, sem querer ser representado ou definido por nenhuma sigla partidária, muito menos representá-la ou defini-la.
Diga-me a quem te coligas e te direi quem és. Pois Bolsoringa não se filia a ninguém. Mais de esquerda, mais à esquerda do sistema, impossível. Mais contrário e refratário ao sistema binário do mercenarismo político da Câmara e do Senado, impossível.
A esquerda tanto fez que acabou por colocar um homem de esquerda no Palácio do Planalto, ainda que esse homem não tenha sido o Lula (que boa piada!) nem a Dilma (que boa piada de português), ainda que esse homem não tenha emergido dentre os seus ungidos : ainda que esse homem tenha sido Jair Bolsonaro.
E o que a esquerda faz agora, que logrou o seu intento? Critica. Malha. Tenta avacalhar e esculhambar com Bolsonaro, o mais fora da casinha de nossos eleitos (no caso, das casinhas da Câmara e do Senado), o mais desalinhado politicamente de nossos políticos, o mais à esquerda e a escanteio do status quo político tupiniquim. Toda crítica da suposta e pretensa esquerda brasileira vira elogio e propaganda positiva ao Bolsoringa. Tiros de festim que saem pela culatra.
A esquerdista Isto É critica Bolsonaro por ele ser, a rigor histórico, de... esquerda. É o Samba do Bolchevique Doido! Valha-me São Bakunin!
E, claro, pãããããããããta que o pariu!!!!
 
Por que tão sérios?