domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pedagogia Do Afeto No Cu Dos Outros É Refresco

Gabriel Chalita é  advogado, professor, filósofo de araque, escritor de autoajuda (autoajuda mesmo, para ele) com mais de 30 livros publicados, entre os quais o "Pedagogia do Amor" (seu best seller) e uma imprescindível biografia da cantora Vanusa, e também é o queridinho do movimento carismático da igreja católica, é ligado ao pessoal da Canção Nova, aos padres cantores, amigo íntimo do galã bombadão Pe. Fábio de Melo.
Gabriel Chalita, entre 2002 e 2006, foi o Secretário da Educação de São Paulo, e assumiu a pasta com uma importantíssima missão, que não foi a de melhorar efetivamente a qualidade do ensino público, nunca é, mas a de melhorar a imagem de mau patrão do Estado, agravada sobremaneira pela Secretária que veio a substituir, Rose Neubauer, um dos exemplos mais bem-acabados de antipatia que já ocupou uma secretaria pública - eu gostava dela.
E isso, admito, Chalita fez muito bem feito. Chalita virou o guru da Pedagogia do Afeto, virou o xodó da professorada, principalmente das primárias, as famosas P1, ficou mais célebre que o próprio Ministro da Educação, tornou-se um popstar pedagógico.
Aumento salarial, é verdade, Chalita não lhes deu, mas sempre lhes tratou gentil e cordialmente, como quem trata a avozinha em visita dominical. Para o professor, muitas vezes basta isso, ser um pouco adulado, ser falsamente elogiado, receber um abraço e tapinha nas costas, se emocionar com um belo discurso que enalteça sua importância como educador etc etc.
Chalita, jovenzinho quando assumiu a pasta, trinta e poucos anos, é até hoje um cara de boa aparência, de fala e gestos delicados, com cultura acima da média ( o que a se considerar a média pode não significar grande coisa, mas enfim...), bem vestido e sorridente, falava olhando nos olhos da professorada, supria as carências emocionais delas com belas e vazias palavras. Em resumo : Chalita consegue congregar inúmeras das qualidades que eu mais desprezo no ser humano.
Chalita se tornou o genro que a professorada pediu pra deus, na impossibilidade etária delas próprias darem para ele. Já o vi em ação, a entreter e encantar um anfiteatro lotado pela classe professoral. Chalita falava, declamava poesias, tocava violão, cantava músicas de Pe. Zezinho... Punha a mulherada louca, feito um competente animador de auditório, um Silvio Santos do magistério.
Ao fim de suas apresentações, era cercado pelas professoras (e também por alguns professores da arruela frouxa), assediado veementemente, elas o abraçavam, beijavam, passavam a mão, mostravam as fotos dos netos, queriam um pedaço do Chalita, queriam comê-lo como Caetano a Leonardo di Caprio.
E não estou exagerando, não, as apresentações de Chalita eram um verdadeiro frenesi, talvez esteja até me esquecendo de alguns detalhes, daqueles que nossa memória e o bondoso tempo, em prol de nossa sanidade, fazem por bem olvidar.
Era um verdadeiro festival da progesterona. Que menopausa, que nada. Que reposição hormonal porra nenhuma. O negócio era uma palestra do Chalita. As docentes saíam coradas, afogueadas, ovulando. Uma coisa triste de se ver. Tristemente, eu vi.
Chalita deixou a pasta da Educação em 2006, sem melhorar em nada a qualidade do ensino público, mas, objetivo principal que lhe foi encomendado, melhorou em muito a imagem da Secretaria da Educação perante o professor.
Chalita saiu da Educação para alçar voos políticos maiores, feito um Ícaro moderno atraído pelos holofotes do poder, sóis frios e enganadores de nossos paraísos artificiais. Hoje é deputado federal e a principal aposta do PMDB para o governo de São Paulo nas eleições de 2014; nas últimas semanas, seu nome foi cotado para assumir um dos ministérios do governo Dilma.
Rumo a voos estratosféricos, o sujeito, muitas vezes, vai deixando para trás as pessoas que o auxiliaram em sua decolagem, feito um foguete a desacoplar os estágios de sua estrutura de que não mais precisa. Acontece que, volta e meia, um desses pesos mortos, um desses excessos de bagagem, retornam para, feito almas penadas, puxar o pé de que os abandonou e lhes tentar impedir a ascensão aos céus.
É o caso do analista de sistemas Roberto Leandro Grobman, que acusa Gabriel Chalita de ter sido "patrocinado" pelo grupo COC de Educação durante toda sua gestão. Grobman teria sido o homem designado pessoalmente por Chaim Zaher, presidente do grupo COC até 2010, para se aproximar de Chalita e sondar negócios para o grupo.
Com a venda do sistema COC de educação para o grupo britânico Pearson, em 2010, parece que Grobman foi excluído das mamatas e negociatas de que participava. Como todo canalha traído, resolveu botar a boca no trombone. Diz que decidiu procurar o Ministério Público porque sentiu-se "abandonado" por Chalita e pelo COC.
As denúncias de Grobman deram base à abertura de 11 inquéritos contra Chalita pelo Ministério Público Estadual, em que pesam as seguintes acusações : suspeita de corrupção, enriquecimento ilícito e superfaturamente de contratos públicos.
Só na categoria mimos pessoais, digamos assim, estão : O COC teria pago as despesas do Secretário com a locação de aviões e helicópteros, viagens, presentes, uma reforma no valor de R$ 600 mil feita no apartamento de Chalita localizado no bairro de Higienópolis, e comprado computadores para a emissora de televisão Canção Nova, grupo católico a que Chalita é agregado, olha a padraiada filha da puta, aí.
Mas tem mais : uma empresa ligada ao COC, a Interactive, vendeu R$ 2,5 milhões em software educacional para a Secretaria da Educação durante a gestão Chalita, e Grobman era sócio da Interactive; o COC comprou 34 mil exemplares de um dos livros de Chalita, o já citado "Pedagogia do Amor", para serem distribuídos entre os funcionários do grupo; depois da saída de Chalita do governo, as suas relações com o COC continuaram firmes, ele assinou um contrato para fazer palestras para o grupo, R$ 30 mil reais por palestra.
Grobman, que se tornou uma espécie de assessor informal de Chalita, tendo, inclusive, acompanhado o secretário em viagens a Paris, Madrid e Nova York, revelou ainda que com Chalita a coisa era na base do "golden number" (número dourado), que era o nome dado pelo secretário aos 25% de propina que cobrava em cima de cada contrato fechado com fornecedores da secretaria.
Quem sai aos seus, realmente, não degenera. Como bom filósofo, a ética e a moral são apenas suas ferramentas conceituais de trabalho, Chalita as mantêm restritas às suas salas de aula e ambientes de palestra; como bom cristão, segue à risca o conselho de Cristo, crescei e multiplicai, apenas multiplicai, ou alguém já ouviu, em algum dia, Cristo dizer, crescei e dividi?
Chalita, claro, nega todas as acusações, diz ser vítima da briga de dossiês entre partidos que sempre antecede a um período eleitoral, e que estão, simples e gratuitamente, querendo manchar a imagem de alguém, ele, que sempre trabalhou pelo país e se pautou pela ética. Olha a ética, aí. Se o cara começar a falar muito em ética, podem ter certeza, ele é um filósofo e um cristão. Corram dele, pelos dois motivos.
É por essas e por outras que o ensino público está na merda em que está, e não por culpa única e exclusiva do professor, como querem os órgãos responsáveis. Alguém acha mesmo que Chalita, ou qualquer outro, ao que tudo indica, bancado por uma escola particular, iria arregaçar as mangas em prol da melhoria do ensino público? Claro que não. Patrocinado por escolas particulares, antes pelo contrário, deve ter feito de tudo ao seu alcance para sucatear ainda mais a já depauperada educação pública. Para que os pais, minimamente preocupados com a qualidade da escola de seus filhos e com uns trocados sobrando no orçamento, fujam da escola pública e matriculem seus rebentos na rede particular, os supostos patrocinadores de Chalita.
E o problema maior é que não é só o Chalita. Vasculhem em escalões públicos mais altos, no próprio MEC, e, provavelmente, muitos outros "patrocínios" de redes privadas de educação serão encontrados, provenientes, sobretudo, das faculdades continuamente reprovadas no ENADE e que, ainda assim, "inexplicavelmente", mantêm seus cursos em funcionamento.
Serão as denúncias de Grobman, o sol inclemente que derreterá a cera das asas de paetês e poás do afetuoso Chalita? Não, claro que não. Elas irão, isso sim, incrementar ainda mais o currículo político de Chalita, serão a MBA do pedagogo do amor. Que, no Brasil, denúncias de corrupção só tornam o sujeito mais atrativo aos partidos políticos e, desgraçadamente, também ao voto popular.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(16)

Tem sempre o dia em que a casa cai. Para esses infaustos, Vinícius de Moraes recomenda que se tenha sempre uma bebida por perto, porque você pode estar certo que vai chorar.
E é isso mesmo. É sempre bom se ter reservada aquela garrafa de um bom destilado para os dias em que meteoros russos explodem sobre nossas cabeças. Destilado, sim, porque cerveja se presta apenas a leves dorezinhas de cotovelo, a chifres miúdos.
Para reerguer maiores desabamentos, só mesmo um bom rum de pirata, uma vodka de cossaco, ou um whisky de highlander. Para curar dor de macho, só bebida de macho. Que nenhuma dor é maior que a dor do macho ferido. Ninguém sofre deveras como o macho.
Para um pé na bunda, ainda mais se sucedido, ou, pior, se precedido por uma bela galhada, siga o conselho do Poetinha : tenha sempre uma bebida por perto. E faço aqui um adendo ao sábio conselho : tenha sempre por perto, também, um disco do Vinícius.
Um bom destilado ao som da poesia de Vinícius... Assim dá até gosto ficar triste... A gente vai até ficar torcendo para a tristeza querer entrar.

Regra Três
(Vinícius de Moraes/Toquinho)
Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais


Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar


Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Rede De Prostituição Gay Operava Dentro Do Vaticano

O jornal italiano La Republica publicou um dossiê elaborado por três cardeais - o espanhol Julián Herranz, o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Josef Tomko -, que revelou uma rede de prostituição dentro do Vaticano, cuja clientela contava com ilustres membros do alto escalão do santo país. A rede agenciava encontros homossexuais em saunas, e os garotos de programa eram seminaristas gays. E são esses filhos das putas que se autointitulam os depositários da moral humana, os representantes terrenos do bom deus.
É por essa e por outras que o nazistão Bento XVI não aguentou segurar esse rojão. Abaixo reproduzo reportagem completa, copiada do site Paulopes. Será que Bento XVI também se valia dos serviços dessa agência?
 " Rede de prostituição operava dentro do Vaticano, diz jornal"
Joseph Ratzinger estava disposto a renunciar havia algum tempo por causa de sua idade avançada, mas só tomou a decisão diante de um dossiê de 300 páginas e capa vermelha, em dois volumes, com o levantamento sobre a existência de uma rede de prostituição que funcionava dentro do Vaticano e em suas cercanias, além de casos de corrupção. A informação é do La Repubblica.
O jornal italiano publicou que o dossiê foi elaborado por três cardeais — o espanhol Julián Herranz, o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Josef Tomko — designados por Ratzinger para uma investigação que durou nove meses. Tomko, 88, foi diretor do serviço de contraespionagem do Vaticano durante o pontificado de João Paulo II.
La Repubblica informou que o papa ficou abalado ao saber dos detalhes de uma descoberta de 2010: Angelo Balducci, então presidente do Conselho Nacional Italiano de Obras Públicas, telefonava com frequência para Chinedu Thiomas Eheim, um integrante do coro da Capela da Sacrossanta Basílica de São Pedro e que também atuava como agenciador de encontros homossexuais em uma sauna, entre outros locais fora de Roma, e em um endereço dentro do Vaticano.
O telefone de Balducci tinha sido grampeado pelo Vaticano porque se suspeitava que ele estivesse envolvido em corrupção, o que se confirmou. Mas não se esperava que o graduado funcionário estivesse envolvido em uma rede de prostituição, da qual também faziam parte seminaristas gays, de acordo com o jornal.
Em uma das ligações interceptadas, Eheim disse a Balducci: “Só digo que ele [garoto de programa] tem dois metros de altura, pesa 97 quilos, tem 33 anos e é completamente ativo”.
A sauna seria o local preferido de outros religiosos para encontros com amantes, o que o monsenhor Tommaso Sttenico já tinha admitido em entrevista ao canal La7 e foi suspenso de suas atividades por causa disso. Alguns bispos teriam sofrido "influência externa" (chantagem) de laicos com quem estabelecem laços de "natureza mundana", afirma o dossiê.
Ratzinger tomou conhecimento das conclusões “devastadoras” do dossiê no dia 17 de dezembro, embora o caso Balducci-Eheim tivesse sido noticiado com poucos detalhes em 2010.
Diante do documento, Bento 16 teria dito que o próximo papa, para acabar com essa degenerescência no seio da Igreja, precisaria ser “bastante forte, jovem e santo”.
O conteúdo do dossiê é que teria levado o papa a fazer declarações públicas como a de que “a fragilidade humana está presente também na Igreja”.
O explosivo documento está trancado em cofre em um aposento papal onde poucos têm acesso. A imprensa especula se ele será liberado pelo papa para os cardeais que participarão do conclave da escolha de seu sucessor.
Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse que não confirmaria nem desmentiria a reportagem do La Repubblica. “A comissão [dos três cardeais] fez seu trabalho e entregou seu relatório nas mãos do Santo Padre como deveria ter feito.”

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Estrias Ou Celulite? Eis A Questão

É costumeiro se dizer - e acho até que foi uma mulher, daquelas bem barangas, quem lançou tal boato aos ventos fortes do senso comum - que homem não vê a celulite e as estrias da mulher, que ele sequer sabe diferenciar uma da outra.
E isso, claro, considerando o homem que é homem, o macho das antigas, o macho-jurubeba (como bem diz Xico Sá, um dos últimos bastiões, ele próprio, dessa tão vilipendiada espécie), e não aquelas moçoilas - homens sensíveis, metrossexuais etc - às quais a natureza, distraída e inadvertidamente, deu um pinto.
Afinal, homem que é homem enxerga a celulite e as estrias da bem-amada? Sabe classificá-las como essa ou aquela?
Sim. Sim e sim. Claro que enxergamos, salvo algum problema congênito ou degenerativo de visão, claro que enxergamos. Já dizia uma conhecida minha que feliz é a mulher cujo marido sofre de catarata ou de glaucoma. Sabemos também diferenciá-las perfeitamente, por pura questão de empirismo. Damos diariamente com elas. 
Somos machos, não burros. Não tiramos as sobrancelhas, não fazemos limpeza de pele, não sabemos qual xampu é o adequado ao nosso tipo de cabelo (não sabemos nem qual é o nosso tipo de cabelo), nem o perfume que mais harmoniza com nossa química corporal, em suma : não depilamos o saco. Mas não somos burros, aprendemos com a experiência.
O fato é que preferimos não falar delas, simplesmente. Primeiro porque, no fim das contas, para o homem que é homem, o que interessa mesmo é abrir a caixa de Pandora, é capturar a perseguida, e, quem sabe, em dias de muita sorte e bem-aventurança, conquistar os territórios dos países onde o sol  não bate.
Segundo que, se estria ou se celulite, a coisa não é na nossa bunda. Celulite na bunda dos outros é refresco. Aliás, o macho das antigas nem se lembra de que tem bunda. Por fim, gostamos de fazer a mulher acreditar que não notamos as suas - consideradas por elas - imperfeições.
É uma mentirinha social, digamos assim, daquelas tão necessárias para que as relações humanas se mantenham num mínimo patamar de sanidade. É um tácito acordo caseiro, um agrado de alcova.
Da mesma forma, se valendo de outra mentirinha social, bem mais antiga que a da celulite invisível, a mulher gosta de nos fazer acreditar que ela não dá a menor importância ao tamanho do nosso pau. É a velha história de que não importam as dimensões da benga e sim o prazer que ela proporciona, de que não importa o tamanho da vara de condão e sim a mágica que ela realiza (essa, então, é de lascar, horrível).
Mentira social, também. Mentirinhas de alcova trocadas não doem; pelo contrário, nutrem, reconfortam e tranquilizam. São trocas de carícias que se fazem, homem e mulher.
Ele responde que não, que não está vendo nem sombra de celulite ou de estrias, e ela, na cama, agradecida, lhe diz : "Nossa! Este é o maior pau que eu já vi na vida". E os dois gozam. Intensamente.
Ela certa de que tem um bumbum de pêssego, e ele a julgar que é detentor da verga mais taluda do planeta.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bukowski, O Velho Limpo

Velho Limpo
daqui a
uma semana farei
55.

sobre o que
escreverei
quando ele não
levantar mais
pela manhã?

meus críticos
vão adorar
quando a minha diversão
passar a ser
tartarugas
e estrelas-do-mar.

chegarão inclusive a
dizer
coisas boas sobre
mim

como se eu tivesse
finalmente
alcançado a
razão.
----------------------------------------------------
Um pouco mais do velho bêbado:
"Caio em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ligeira Crônica Solar (2)

Ele, em ida ao trabalho, a via quase todos os dias : camiseta sem mangas, bermuda de lycra ou qualquer outro tecido aderente, tênis para corrida, como quem poderia estar de volta ou a caminho de uma academia de ginástica; porém, era a passear com seus dois cachorros que sempre estava, atividade que lhe conferia igual ganho em saúde e muito maior dignidade.
Via-a sob a quase-luz da manhã ainda conservada em madrugada pelo horário de verão. Olhava-a sempre da calçada oposta à dela, sempre uns tantos passos atrás. Nunca teve intenção de se aproximar, muito menos de encetar conversa ou abordagem, ela era uma imagem animada que lhe agradava, e só. Não era especialmente bonita, era especialmente singular, quase que literalmente única àquela hora da manhã.
Um dia, ela estacou o passo e fez estacar os dos seus cachorros, segurando-os pelas coleiras. Levou a mão àlgum bolso insuspeitado da bermuda e sacou um telefone celular, um hediondo de um celular. Assim que o aparelho foi acoplado ao ouvido, uma luz azulada iluminou a face dela, luz de necrotério.
Então, ela respondeu ao seu interlocutor com voz horrivelmente alta. E riu desbragadamente. Histericamente, como são as risadas forçadas que as pessoas dirigem às máquinas, às outras pessoas por detrás de outras máquinas, risadas que são mais tiques nervosos do que a mansa manifestação do reconhecimento de um fato engraçado, risada saída de um sintetizador de som, risada que a máquina daria se lhe fossem dadas cordas vocais.
Acabou-se a singularidade. Ela se tornou apenas em alguém levando os cachorros para cagar. Acabou-se a dolce luce. Desgraçadamente, raiou a realidade.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI Poderá Perder As Pregas Se Voltar À Alemanha

Ao longo dos séculos de existência da Igreja Católica, muitos meninos já foram violados pelos representantes do bondoso deus, por esses filhos das putas - eles e o deus a quem dizem representar.
Do padre mais raso ao todo-poderoso Papa, não há nível hierárquico da igreja que não tenha se fartado das cobiçadas pregas juvenis.
Noviços, sacristães, coroinhas, filhos de fiéis que, muitas vezes, são confiados aos cuidados de um sacerdote... todos eles, todos tiveram suas pregas feitas em alternativa ao celibato da padraiada, per saecula saeculorum, amem.
Claro que nem todo padre é pedófilo, acredito até que a maioria não seja; claro também que a pedofilia não é perversão restrita à igreja, ela ocorre em todos os setores de qualquer atividade humana. Acontece que, dentro da igreja, vistas grossíssimas são feitas a ela, dentro da igreja, a pedofilia é protegida. Acontece que a maioria dos sacerdotes que não são pedófilos parece não se incomodar em conviver com esses degenerados mentais, parece, inclusive, nem se incomodar em chamá-los de irmãos.
É o velho ditado : ninguém se importa com o cu do outro. Ou dizendo no mais castiço latim (língua em que Bento XVI covardemente leu sua renúncia, para que ninguém a entendesse, para que ninguém a ouvisse diretamente de sua própria boca, mas através de jornalistas e outros meios de comunicação, como não fosse ele a tê-la proferido) : Capsicum frutescens in anus autrem, kisucus est. Pimenta no cu dos outros é refresco.
Mas quando o assunto é o próprio cu, a conversa é bem outra. É o caso do nazista Papa Bento XVI, cujas pregas estão agora sob leve ameaça. Era ele quem, durante o papado de João Paulo II, acobertava as denúncias de pedofilia, e continuou a fazê-lo no decorrer de seu próprio mandato. Se Bento XVI não é, ele próprio, um pedófilo, e há rumores nesse sentido, no mínimo, nutre uma grande simpatia pelos comedores de coroinhas.
Tanto que há um processo contra ele na justiça alemã, aberto em 2010, pelo acobertamento, em 1995, de um padre notoriamente pedófilo, quando Joseph Ratzinger era um dos cardeais mais influentes da igreja. O processo foi arquivado, mas, feito Jesus Cristo, pode ser ressuscitado a qualquer momento. E não sendo mais Papa, Ratzinger, caso volte a residir em seu país natal, a Alemanha, ficará sujeito a sofrer as sanções da implacável justiça germânica.
Caso o processo seja reaberto, são as pregas do Papa que poderão rodar. A permanecer no Vaticano, nada lhe acontecerá, o Vaticano lhe garante imunidade jurídica. Por isso, o filho da puta diz que viverá uma vida de reclusão e meditação dentro das cercanias do feudo da Igreja Católica, inicialmente no bordel da igreja em Castel Gandolfo e, depois, num convento lá, da puta que o pariu.
O Vaticano, apesar de localizado em Roma, é um país independente, um Estado autônomo, condição lhe conferida pelo Tratado de Latrão, um acordo entre Igreja Católica e o ditador fascista Benito Mussolini, assinado em 1929. Não foi à toa que, durante a Segunda Guerra Mundial, a Igreja Católica foi tácita aliada de Mussolini e Hitler; não é por acaso que a Igreja Católica, até hoje, dá proteção e emprego a ex-nazistas e ex-fascistas, elegendo-os, inclusive, Papas.
Dentro do Vaticano, Ratzinger continuará imune à justiça dos homens, e impune. Para evitar novos questionamentos da lei alemã, Ratzinger, aconselhado por assessores jurídicos da igreja, "decidiu" permanecer no Vaticano após deixar de ser Papa, em 28 de fevereiro.
As informações partiram de um funcionário do Vaticano : "A sua permanência no Vaticano é necessária porque, se não fosse assim, ele poderia ficar indefeso”, disse o funcionário. "Ele não teria suas prerrogativas, entre as quais a imunidade jurídica."
Tadinho do Papa, ficaria indefeso... Filho da puta de um nazista, isso sim. Bem mereceria ser preso e enjaulado junto a um ateu pé-de-mesa, que rasgasse suas sacrossantas pregas todos os dias, sem cuspe, a seco, à areia e sangue, e que lhe dissesse : "veja Papa, o verdadeiro sangue de Cristo, tome-o em comunhão". E batesse com o cacete ensanguentado em sua cara de nazistão velho.
Uma curra por cada padre pedófilo que acobertou, um estupro coletivo por cada menino que cada padre pedófilo comeu : seria a justa paga a Ratzinger pelos valorosos serviços prestados à Santa Igreja.
E não uma velhice tranquila e bem assistida, vivendo no bem-bom sob a proteção do Vaticano e, sobretudo, sob a proteção de deus.
Joseph Ratzinger em seus tempos de Juventude Hitlerista, uniformizado e tudo. Detalhe ampliado da águia e da suástica alemã, à direita de sua camisa. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

DSTs

Herpes
Labial e genital
Ou vice-versa
Ou 69
Zóster.

Candidíase, perereca, sapinho
Uma lagoa toda
E a vaca foi pro brejo.

Cancro mole
Cancro duro
Crista de galo
A cantar de corno no galinheiro.

Gonorreia, sífilis
Neurossífilis
Dona Maria, a Louca.

Hepatite
HIV, HPV, HTLV
A hora "H".

Paixão
E  vida
Basicamente, a vida
A vida é a mais perigosa das DSTs

Segundo Platão

Apenas Mais Uma De Amor
(Lulu Santos)
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de convencer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Você É Que Bebeu Pouco

Por mais que a tecnologia avance, quando o assunto é embelezar a mulherada, a boa e velha cevada continua insuperável. Não há cirurgia plástica, botox, lipoaspiração, dieta, personal trainer etc, que façam mais pela baranga do que a cerveja. 
A cerveja é a precursora do photoshop!!!
O cara toma a primeira, a segunda latinha, e a mocreia fica suportável, já dá para conversar, para trocar uma ideia com ela, mesmo que ela não tenha nenhuma; quatro, cinco latinhas, e a mocreia fica simpática, engraçada, e uns 15 quilos mais magra; seis, sete latinhas, e uma sensualidade insuspeitada emerge da mocreia, ela adquire uma "beleza exótica"; dez latinhas e ela já é a mulher mais gostosa do planeta; um fardo de 12 latões e o cara a pede em casamento, já quer apresentar para a mãe.
Preconceito? Chauvinismo? Pode até ser, mas, nesse caso, só se a verdade for chauvinista. Muitos caras já se beneficiaram dos poderes transmutadores da cerveja. E muitas mocreias também, lógico.
Um pub em Glasgow (Escócia) resolveu se valer dessa verdade universal para divulgar um evento VIP, reservado a clientes especiais. Em sua página no Facebook, o pub Walkabout colocou a foto de uma obesa, de uma rolha de poço, que, vista através de um copo de cerveja, vira uma puta duma gostosa.
Logicamente, como não poderia deixar de ser, o anúncio bem-humorado causou polêmica e revolta nas femininstas suvacudas de plantão, nas crias malparidas de Beth Friedman, nas queimadoras de sutiãs que não arrumam um cacete de jeito nenhum, nem um cacete bêbado.
Marsha Scott, do grupo Engender : "Essa promoção alimenta o costumeiro estereótipo masculino Neanderthal a fim de apoiar a exploração e a transformação das mulheres em objetos de consumo".
Estereótipo masculino neanderthal? Que porra é essa, Marsha, ou eu deveria dizer Macha? Os homens de neanderthal já tomavam uns tragos para melhor encararem as mulheres de neanderthal, tão peludas quanto os suvacos das feministas? 
Todos - ou, ao menos, os que nasceram afortunados - somos objetos de consumo. Deixe-se consumir, Marsha. Deixe-se desejar, ser desejada. Como a um eletroeletrônico, como a uma caixa de cerveja. Não há desejo masculino mais sincero e ardente que o por uma caixa de cerveja.
E vai querer me dizer, Macha, que somente os homens veem as mulheres como objeto de consumo? Vai querer me convencer de que as mulheres trepam indistintamente, tanto com o cara bonito e de corpo legal como com o gordo de pinto pequeno atolado no meio das banhas?
Macha, ops, Marsha continua com seu recalque e encruamento e diz que luta contra o sexismo, luta pela igualdade de gêneros. Ora porra, Marsha (aliás, porra deve ser algo que há tempos você não vê), se os gêneros ficarem iguais, deixam de ser gêneros, perdem toda a graça.
Essa idiota quer fazer o quê? Castrar os homens ou botar próteses de silicone no grelo da mulherada? Igualdade de gêneros é o cacete; desigualdade são o cacete e a buça, o lagartão e a pitrica.
O pub escocês, frente à celeuma, decidiu por retirar a foto de seu facebook. Uns frouxos, esses escoceses, não é à toa que usam saias. É o velho ditado highlander : em terras de homens que vestem saias, quem bate o pau na mesa são as mulheres com pelos no suvaco.
Fosse num pub irlandês, a coisa seria diferente, ninguém iria retirar foto porra nenhuma. Fosse em terras de James Joyce e de leprechauns, o pau iria comer. E as feministas se calariam, acompanhariam seus machos em uma bela caneca de cerveja. 
Feministas só existem em plagas onde o pau não come.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Do Brasil, Não. Eu Sou O Pastor Mais Rico Do Mundo, Diz Edir Macedo

"Saiu na Revista Forbes : o bispo Macedo é o pastor mais rico do Brasil. Que mentira! Que infâmia desgraçada! Eu fiquei revoltado! Eu fiquei... eu fiquei irritado! Quase não dormi, quase não dormi! Porque eles disseram que eu sou o mais rico do Brasil. Quando eles estão mentindo : eu sou o mais rico do mundo! (risos da plateia e dos seguranças) Eu sou o mais rico do mundo! Não tem ninguém mais rico do que eu! He-he-he, ah-ah-ah (risadas e mais risadas do bispo Edir Macedo, risadas mefistotélicas) "
O texto acima é a transcrição de parte de um pronunciamento feito pelo chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, durante um culto em uma de suas igrejas em Portugal. Ele se refere à lista publicada pela revista Forbes, que o coloca como o pastor mais rico do Brasil. Segundo a Forbes, Macedo contaria com uma fortuna estimada em R$ 1,9 bilhões, bem superior à soma das fortunas dos segundo e terceiro pastores mais ricos do país, respectivamente, Waldemiro Santiago (R$ 440 milhões) e Silas Malafaia (R$ 300 milhões).
Sobre a publicação, Waldemiro não se manifestou; Malafaia, porém, garante que processará a Forbes por falsidade jornalística, disse que há muito tempo abriu mão de seu salário de pastor e que hoje vive apenas de contribuições e donativos que recebe pelas palestras que ministra por todo o país. "Se acharem que estou rico, deixo de receber doações", disse Malafaia, "Só possuo R$ 4 milhões", garante.
Edir Macedo foi mais honesto, assumiu a riqueza que deus lhe deu. Sabe bem o mato que lenha, o gado que toca. Sabe que as doações dos fiéis não cessarão por causa da revista Forbes, podem muito bem, inclusive, aumentar. Ou alguém acha que algum fiel se orgulharia de pertencer a uma igreja pobre, de que seu líder fosse um apóstolo maltrapilho? De miséria, o povo já está cheio, já tem a sua própria. O povo quer ver seu líder a ostentar poder e riqueza. O bom cristão quer chegar para o outro e dizer que sua igreja e seu chefe são os melhores, os mais poderosos, os mais ricos.
Não duvido nada que os fiéis comecem a disputar entre si para ver que rebanho é capaz de deixar seu pastor mais rico. Não duvido mesmo. Basta que um dos pastores peça. Aliás, não sei como Waldemiro Santiago ainda não se valeu desse subterfúgio para tosquiar mais ainda seu rebanho. Tristemente, ele comunicaria a vergonhosa vice-liderança da Igreja Mundial do Poder de Deus aos seus seguidores e os convocaria a reverter essa situação, a darem dízimos mais polpudos para superar, em nome de deus, os cofres quase vaticanescos de Edir Macedo, o campeão isolado da picaretagem de Jesus. 
Para assistir ao vídeo de Edir Macedo rindo feito um capeta, acesse o site Paulopes, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Queda Do Papa Bento XVI

O Papa caiu. Sim, claro que caiu. Foi enxotado do trono de Pedro pelo mesmo Espírito Santo que, dizem, o colocou lá. Renúncia porra nenhuma. Nenhum ser humano renuncia por vontade própria a um cargo de tamanho poder e influência, muito menos um que tenha trabalhado a vida inteira para lá chegar.
Bento XVI foi derrotado. Derrotado pela crescente secularização da Europa e pela, mais crescente ainda, viadagem que campeia por esse mundo de seu deus; viadagem externa à Igreja - os direitos civis dados aos gays - e, principalmente, pela boiolice interna, pelos casos de pedofilia eclesiástica, já impossíveis de esconder.
A briga de Bento XVI com a viadagem é antiga. Era ele quem cuidava de abafar as denúncias de pedofilia durante todo o papado de João Paulo II. O João de Deus fazia o social da igreja, com sua cara de bom velhinho, de Dona Benta, porém, nos bastidores sempre imundos do Vaticano, era Joseph Alois Ratzinger quem atuava, quem segurava a peteca.
São nos porões que a Igreja Católica se sustenta, e Joseph Alois Ratzinger era o homem nos porões, bem aos moldes de outra organização da qual foi integrante, a Juventude Hitlerista.
Mas a ambição, talvez, fez Joseph Alois Ratzinger querer sair das sombras, banhar-se na dourada luz das moradias e das vestes do Vaticano. No Vaticano, tudo o que reluz é ouro, sim. Do mais puro, 24 quilates. Inclusive ouro dos judeus, que foi a paga do nazismo e do fascismo pela silêncio e pela "neutralidade" da igreja durante a Segunda Guerra Mundial.
Acontece que Ratzinger não é uma celebridade feito seu antecessor, não é homem de brilhos, luzes e holofotes, não tem o menor tato político, não é simpático. Seu lugar sempre foi por trás do trono do Vaticano, ele sempre foi bom em obedecer ordens; foi um fracasso em formulá-las.
E foi burro. Extremamente burro. Desesperado, tendo que estancar urgentemente o sangramento das fileiras católicas, trocou os pés pelas mãos e decidiu por combater abertamente dois inimigos que nunca poderia vencer - o ateísmo e o homossexualismo. 
Bento XVI bem poderia não ter sido vencido - como foi - pelo ateísmo e pelo homossexualismo. Bastaria manter a convivência pacífica que a igreja sempre teve com eles, bastaria continuar a fingir que eles não existem, continuar a empurrá-los para baixo do tapete, como fazia João Paulo II, ou, melhor, como Ratzinger fazia por ele. 
Poderia não ter sido vencido, vencê-los, jamais. Contudo, resolveu matar a fera de duas cabeças da qual, ele, Bento XVI, é hóspede de suas entranhas. Resolveu matar o monstro cujo estômago ele habita.
Fácil de entender. Primeiro, o Vaticano fica encravado na cidade de Roma, Itália, país com um dos maiores índices da Europa de ateus declarados nos últimos censos, só perde para os nórdicos Noruega, Finlândia e Islândia; segundo, toda a hierarquia católica, do baixo ao altíssimo clero, é constituída em grande parte de homossexuais que se escondem sob a batina. Ou seja, Bento XVI era o general que abria fogo contra suas próprias tropas. Bento XVI era o fogo amigo da Igreja Católica Apostólica Romana. Que exército quereria, por muito tempo,  um general desses?
Bento XVI resolveu não mais ignorar o ateísmo e o homossexualismo (declarou-os os grandes inimigos da humanidade, os grandes demônios atuais, chegou a afirmar que um fornece subsídios ao outro), decidiu por não mais empurrá-los para baixo do tapete - ou sua burrice não lhe permitiu ver que era isso o que estava fazendo. Resolveu sacudir o tapete, lançar a sujeira de séculos ao ar. Resultado : puxaram-lhe o tapete, o Espírito Santo lhe puxou o tapete.
O Espírito Santo puxou o tapete de Bento XVI. Aos ouvidos dos cardeais, aos mesmos a quem soprou o nome de Ratzinger a fim de elegê-lo Papa, soprou dessa vez : cortem-lhe a cabeça. Cortaram-na. Que ordem do Espírito Santo, ninguém discute. O último Papa a sofrer o impeachment do Espírito Santo foi Gregório XII, há 600 anos. Bento XVI deve mesmo ter abusado da santa paciência do Espírito. 
E o Espiríto Santo parece só servir a duas coisas : violar virgens e fazer CPI de Papa.
Agora, vem nova eleição papal e os possíveis sucessores começam a ser cogitados. Seria a vez de um Papa não europeu? De um latino, de um negro, de um - que deus se perdoe - brasileiro? Parece que há cinco cardeais brasileiros com chances de concorrer ao trono de Pedro. Se algum brasileiro vir a concorrer, será feito filme nacional a oscar de melhor filme estrangeiro : não ganhará nunca.
Tem campanha política para Papa? Horário político gratuito na TV do Vaticano, cartazes e faixas com os nomes dos cardeais? E santinho? Tem santinho de cardeal candidato a Papa espalhado pelas ruas do Vaticano?
E eleição para Papa só tem um eleitor : o Espírito Santo (será que existe quem realmente acredite nessa balela?). Nem tem graça fazer boca de urna.
Só sei que um dos mais podres poderes do mundo ter sucumbido em dias de Momo, fez-me lembrar, inevitavelmente, a canção "Podres Poderes", do Caetano Veloso : "...enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres, e adolescentes fazem o carnaval..." . E também os ateus, Caetano, esqueceu-se dos ateus.
Eu voto no Pe. Marcelo Rossi para próximo Papa, ou no galã e bombadão Pe. Fábio de Melo, com seu "amigo" Gabriel Chalita para vice-Papa.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Pasta D´Água

Há tempos que estou de face desnuda,
Lavada,
Exposta e arreganhada,
Em carne viva,
Escalavrada.
Sem camada de ozônio,
Sem nem reles reboco de pasta d´água a me nublar.

Que falta me fazem meus rostos de papel machê...
Minhas Venezas de salões secretos
E de pontes escusas.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval? Só Se For O Do Bandeira.

Do livro "Carnaval", de Manuel Bandeira.

EPÍGRAFE
Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente - se eu a reconhecia?
O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que adivinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:
- Tu és a minha esperança e felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, como perdida volúpia, com desesperação e angústia...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Essa Sim É A Verdadeira Pedagogia

Gosto de vasculhar a net a observar propagandas antigas, os reclames, como eram chamados. Tenho cá para mim que uma boa parte da história do bicho humano possa ser contada através de sua publicidade e dos produtos que ele consome (ou consumia) ávida e exageradamente, feito um burro cego, como se cada um deles fosse indispensável à sua vida.
Os fósseis dos neanderthais, cro-magnons etc mostram a evolução biológica do ser humano. As peças publicitárias antigas do Homo Sapiens são fósseis que revelam sua involução cultural e intelectual ao longo dos tempos.
Vejam esse reclame de um gibi,  "O Pato Donald", de julho de 1950. Um primor da boa educação para os petizes da época, uma pérola da verdadeira pedagogia, época em que bullying nem existia, era frescura, coisa de mariquinhas, de moleque frouxo, de filhinho da mamãe. Bons tempos!!!
Na capa, o Lobinho dá uma bela (e merecida) muqueta na fuça do porquinho Prático, o mais chato dos insuportáveis 3 porquinhos.
Detrás da árvore, observando à socapa, Lobão, o orgulhoso pai, o neurastênico Pato Donald e o bonzinho Mickey Mouse riem às pampas das agruras do porquinho.
O mais engraçado, a revista vinha com dois "respeitáveis" selos de aprovação, reparem na capa : "Uma revista infantil aprovada pelas autoridades educacionais e eclesiásticas. Compre para seu filhinho."
Muito bom! Não eram apenas Lobão, Donald e Mickey que aprovavam a tunda infligida por Lobinho ao porquinho Prático. O Ministério da Educação e Cultura e a santa igreja católica também davam seu beneplácito à educação via punição.
Genial! Essa é a autêntica pedagogia, aquela que verdadeiramente educa e prepara o sujeito para o mundo darwiniano em que vivemos, e não para a queimação de rosca, ou, pior, muito pior, para o divã do psiquiatra ou do psicanalista.
E o preço, então? Três cruzeiros velhos. Uma pechincha. Muito mais barato que um frasco de Emulsão de Scott ou de Rhum Creosotado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Era Uma Casa Japonesa, Com Certeza

Um dos atos mais prazerosos ao ser humano, o de comprar, a mim não proporciona excitação de nenhuma espécie, nem ao menos uma semiereção, uma triste meia bomba. Não gosto de comprar. Não tenho paciência para. Comprar pela internet, então, sequer chega a me percorrer as ideias.
Minha esposa, nesse aspecto, é mais normal. Gosta de fazer suas comprinhas e circula fácil e tranquilamente pelos shoppings virtuais, inclusive pelos tais grupos de compras coletivas, os grupons.
Comprou, dia desses, via grupon, um desses combinados de comida japonesa, um kit tanaka, cuja retirada foi agendada pelo restaurante para tal dia e tal hora, ontem, 21h. Os grupons oferecem preços bem mais módicos que os das compras individuais, mas se você esquecer de retirar o produto na data marcada, perde o direito a ele, e à devolução do dinheiro. E foi o que (quase) aconteceu.
O dia de ontem foi dos mais atribulados, desgraçadamente atribulado, eu diria - não gosto de inquietações, de agitos, sou fã da pasmaceira - e já eram quase 23 horas quando veio a lembrança do groupon da comida japonesa. Ela, sem muita esperança, ligou ao restaurante e perguntou da possibilidade de ainda resgatar o produto. Sim, ainda era possível, responderam-lhe, desde que não muito tardasse.
Comida japonesa, sei lá... eu até como, japonesa eu como de qualquer jeito, mas não figura entre minhas preferidas. Ela tem uma bela variedade de cores - é bonita de se ver, um prato bem montado parece a paleta de uma aquarela -, mas não lhe corresponde uma igual gama de paladares - tem lá o arroz, a alguinha, o salmão e, no fim, tudo fica com um gosto só, o do shoyo -, muito menos um largo espectro de odores - tudo fica com o inexpurgável cheiro de peixe, cheiro do qual tornarei a tratar mais tarde, em breve.
Desde que não muito tardasse, dissera o rapaz.
O filho, já a dormir, a esposa, temporariamente impedida de dirigir, e eu, que nem habilitação (e habilidade) possuo. Restara única alternativa : pôr-me à rua em uma de minhas notórias (e abandonadas) caminhadas noturnas. Por sorte, de minha casa, o restaurante pouco distava, uns reles três quilômetros, três quilômetros e pouquinho. Vesti minha roupa surrada, calcei minhas sandálias de Mercúrio e me lancei ao asfalto.
Não sem antes passar no posto de gasolina da esquina para me abastecer, uma lata de cerveja, que é o combustível do reator de lítio fotônico de minha U.S.S. Enterprise. Pus-me em velocidade de dobra espacial e logo me materializava em frente ao restaurante.
Uma fachada de um discreto bom gosto, interior penumbricamente iluminado por aquelas lanternas japonesas de papel de arroz, lâmpadas amarelas dentro, uma cozinha de aparência limpa que se deixava divisar pelo vidro que lhe fazia as vezes de uma quarta parede, duas ou três mesas ocupadas por pessoas conversando em voz baixa e um gerente alinhadamente vestido  e bem educado, que me atendeu e, em poucos minutos, entregou meu pedido.
Mas nada disso - um ambiente de bom gosto e cordial - conseguia, naquela hora, minimizar a porrada que levei à entrada. Um soco nas fuças. Um direto de direita de Mike Tyson, desferido pelo tal cheiro de peixe acima referido.
Já entrei em outros dois ou três restaurantes japoneses, de ambientes bem menos sofisticados, inclusive, mas em nenhum deles, em absolutamente nenhum, o cheiro de peixe era tão intenso, quase nauseante. Não era um cheiro de nada estragado, era de invasor, de posseiro, de cheiro que não deixava espaço para nenhum outro, para nenhuma moleculazinha de oxigênio que fosse.
Não era um restaurante japonês, não podia ser, concluí. Era uma casa de gueixas mal-lavadas. Era uma buceteria.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Verdadeiro Esporte Bretão

Taí, adorei! A selecinha tomou o maior nabo da seleção da Inglaterra, os pais do futebol, os donos da bola. Cadê o melhor futebol do mundo, o tão aclamado futebol canarinho? Levou duas estilingadas inglesas nas fuças. 
Cadê o "gênio" Neymar, que de novo não fez porra nenhuma pela seleção, como sempre não faz? E o outro PhD da pelota, o Ronaldinho Gaúcho, que não conseguiu fazer gol nem de pênalti? Vai lá, toca "deixa a vida me levar", que agora eu quero ver.
Torçam, idiotas, torçam. E agasalhem essa mandioca, vocês merecem, e gostam.
Agora vou ao pub mais próximo, jogar uns dardos, falar mal dos irlandeses e comemorar com uma boa cerveja pale ale.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Torçam, Idiotas

Torçam, idiotas. Urrem feito bestas-feras diante do gol desperdiçado pelos seus times ou do enfiado em vocês pelo adversário, de dor, urrem como se lhes arrancassem os testículos, como se um diagnóstico de câncer lhes fosse mais favorável e de melhor notícia que uma desclassificação ou rebaixamento. Zurrrem feito asnos frente às paredes transistorizadas, ou de plasma, ou de LED, de suas cavernas de sombras. 
Torçam, idiotas. Lotem os estádios com o dinheiro com o qual deveriam abarrotar a geladeira, a despensa e a estante de livros de suas casas, deixem ricos e felizes os donos dos circos e das padarias.
Torçam, idiotas. Informem-se, saibam, interessem-se mais pela vida de seus ídolos de chuteira que pelas de seus filhos e esposas. Briguem e se matem pelos seus clubes, suas religiões fundamentalistas uniformizadas. 
Torçam, idiotas. Idolatrem seus deuses semianalfabetos, elejam seus heróis ocos e sem nenhum caráter e os mostrem aos seus filhos como exemplos de vida e de conduta a serem seguidos, invejados, ambicionados.
Torçam, idiotas. Porque já está tudo comprado nesse esporte de vendidos. Porque está tudo dominado.
Torçam, idiotas. Enganem-se. Continuem a amar seus times traidores, desempenhem para sempre o papel do corno manso e sempre o último a saber, do corno que nem quer saber.

Reportagem do Estado de São Paulo, 05/12/2013
"Jogos no Brasil estão sob suspeita 
Europol descobre rede internacional que manipulou resultados de quase 700 partidas pelo mundo e cujos tentáculos teriam se expandido ao País 
Jogos de diferentes campeonatos regionais e nacionais do Brasil estão sob suspeita de fazer parte do maior escândalo da história recente do esporte, revelado ontem pela Europol. A organização europeia de polícia descobriu uma rede de corrupção internacional no futebol montada pelo crime organizado e que manipulou resultados de quase 700 jogos pelo mundo, incluindo partidas no Brasil, na Copa dos Campeões e nas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
"Nunca vimos uma rede tão grande de criminosos no futebol. Trata-se de uma operação sofisticada e uma evidência clara de como a corrupção invadiu o esporte", declarou Rob Wainwright, diretor da Europol.
Ao Estado, a polícia alemã da cidade de Bochum, que fez parte da operação, confirmou que os tentáculos do crime organizado estariam chegando até o Brasil. A assessoria da polícia, porém, se recusou a dar detalhes. "As investigações ainda estão ocorrendo e, se revelarmos os indícios, podemos prejudicar o processo", argumentou a polícia de Bochum. Os alemães, porém, confirmaram que trabalharam sobre suspeitas no Brasil envolvendo "diferentes campeonatos regionais e nacionais".
Procurada pelo Estado, a Polícia Federal do Brasil informou que "não se pronuncia sobre investigações" e não confirmou se colaborou com as investigações. Como a Europol age na Europa, ela não pode condenar ninguém por crimes no Brasil.
Grande parte do esquema se baseia na compra de jogadores, árbitros e dirigentes para manipular resultados. Apostadores, principalmente na Ásia, colocam seu dinheiro no resultado combinado e levam milhões em lucros. O mecanismo serve para pelo menos duas finalidades: lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas e simplesmente gerar milhões de dólares em lucros, na prática financiando o crime.
O Brasil não seria o único alvo na América do Sul. Um amistoso em 2010 entre as seleções sub-20 de Argentina e Bolívia, apitado por um trio húngaro, também está sob suspeita. O juiz deu acréscimos de 13 minutos sem motivo. Aos dez minutos além do tempo regulamentar, ele ainda apitou um pênalti inexistente a favor dos argentinos para garantir a vitória.
Só na Europa, o crime envolvia lucros de mais de 8 milhões (R$ 21,5 milhões) em apostas, além da distribuição de 2 milhões (R$ 5,4 milhões) em propinas pagas a jogadores, juízes e cartolas. Alguns atletas chegaram a receber 100 mil (R$ 269 mil) para garantir um resultado.
As partidas sob suspeita não se limitam a encontros sem expressão. Pelo menos um jogo válido pela Copa dos Campeões na Inglaterra nos últimos quatro anos está sob suspeita. Dois jogos das Eliminatórias para a Copa da África e um na América Central foram registrados. Dois jogos da Liga Europa e vários clássicos na Europa também foram colocados na mira da polícia. Na Alemanha, a polícia identificou cerca de 70 partidas.
Hoje, apostas nas diferentes modalidades de esporte movimentam US$ 1 trilhão (R$ 1,98 trilhão) por ano e, no caso do futebol, bilhões estariam transitando por casas de apostas de forma ilegal. Agora, as novas revelações apontam que, só na Europa, o esquema envolveria uma rede de 425 pessoas suspeitas; 50 desses suspeitos já foram detidos e podem pegar 39 anos de prisão.
E-mails. A rede de criminosos foi identificada em 15 países europeus e a investigação vem desde 2011. Para chegar à constatação, polícias de diferentes países obtiveram cópias de mais de 13 mil e-mails e documentos que confirmaram o esquema.
Laszlo Angeli, procurador húngaro, explicou como funciona o esquema no seu país. Uma pessoa na Ásia entrava em contato com árbitros que tentavam manipular os resultados.
"Esse é um dia triste para o futebol", afirmou Rob Wainwright, diretor da Europol.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Datena e Rede Bandeirantes Terão Que Se Retratar Frente Aos Ateus

A Justiça Federal em São Paulo condenou a Rede Bandeirantes e o apresentador José Luiz Datena a prestarem esclarecimentos à população sobre a diversidade religiosa e a liberdade de consciência de crença no Brasil. Terão que se retratar por ofensa aos ateus.
Durante a exibição de uma reportagem sobre o fuzilamento de um garoto, no dia 27 de julho de 2010, Datena afirmou que tal ato só podia ser coisa de um ateu : "Um sujeito que é ateu não tem limites e é por isso que a gente vê esses crimes aí". Dirigindo-se ao repórter Márcio Campos, Datena relacionou o crime à "ausência de deus" : "Márcio Campos, é inadmissível. Você que também é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não?".
E fecha com chave de bosta ao creditar todos os males do mundo - fome, guerra, peste etc - aos ateus : "É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas o sujeito que não respeita os limites de Deus não respeita limite nenhum".
Ora, que Datena é um sensacionalista que vive às custas da desgraça alheia, um papa-defunto midiático, todo mundo sabe, mas eu, em minha infinita bondade, muito maior que a de deus, que não existe, considerava que ele fosse um pouco menos burro, um pouco. Ele não é.
Vejam em que tamanha contradição a burrice e a intolerância de Datena o encalacraram, vejam em que sinuca de bico a sua fé ilógica e fundamentalista o colocou.
Datena atribui todas as desgraças humanas à "ausência de deus". Como assim, Datena, ausência de deus? Você não diz que seu deus é onipotente, onisciente e onipresente? Para mim, onipresente significa estar em todos os lugares do universo conhecido, em todos os lugares físicos e em todos os seres vivos, em cada uma de suas células, nos pensamentos, nos atos, na alma, no coração. 
Não é essa a ladainha que os religiosos, que as pessoas que têm o cérebro apenas como contrapeso da cabeça vivem a recitar? Se o seu deus existe, Datena, e é onipresente, ele estaria, em teoria, inclusive em mim, que sou ateu, independente de eu crer ou não. 
Logo, Datena, as guerra, fome e peste por você citadas não são "ausências de deus" (como alguém onipresente pode estar ausente?), elas são, pelo exato oposto, resultados da presença de deus, da presença maciça do conceito de deus, de um deus vingativo, canalha e intolerante.
Deus, caro Datena, supondo-o real e dotado dos poderes que a ele atribuem, está presente, sim, no dedo do cara que puxa o gatilho, na dureza "ateia" do metal da bala que suplanta as resistências da pele e dos ossos da vítima devota. Deus, caro Datena, está presente, sim, no pau duro do estuprador que sangra a carne macia da mulher pega à covardia, mulher que, durante sua violação, não viu sinal de nenhum deus vindo em seu socorro.
Ateus matam? Sim. Mas não por serem ateus. Por serem assassinos, simplesmente. Muito mais já se matou em nome da crença em um deus do que pela descrença nele. Existem muito mais assassinos crentes que descrentes, Datena. 
Acreditar em deus não estabelece limite algum a quem pense em cometer um crime; pelo contrário, só torna esse limite mais flexível, afinal, o criminoso cristão conta com o perdão infinito de seu deus. Matar é muito mais fácil quando se acredita em deus, Datena. Não acreditar em deus, não contar com o perdão do padre para aplacar sua consciência, acredite, coloca limites muito mais rígidos.
(De mais a mais, será que é mesmo necessário um ser superpoderoso para nos dizer, entre outras coisas, que matar é errado? Será que as pessoas não são capazes de perceber isso por conta própria, de não cometerem tal ato por uma simples questão de consciência, e não por medo da vigilância de algum deus? Não, pelo visto não. Os religiosos, se não cometem atos maus, em sua maioria, não é porque são pessoas boas. Se não cometem atos maus, é pelo medo de deus, o Big Brother do universo. O religioso, em sua maioria, não é bom ou honesto por natureza : é medroso, é cagão.)
Caso a decisão judicial não seja cumprida pela emissora, a Band arcará com uma multa diária de R$ 10 mil. A decisão foi das mais acertadas, não o seu alvo, porém. O apresentador José Luiz Datena é quem deveria sentir a facada no bolso, não a emissora. É Datena quem deveria sentir o peso da justiça dos homens.
Uma boa porrada dada pela justiça dos homens é o mais amargo remédio para aqueles que, feito Datena, julgam-se mandatários da justiça divina.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coisas Que Eu Gostaria De Ter Escrito

Quem gosta de escrever, quem vive a catar ideias para dar-lhes forma - seja de poema, crônica, letra de música ou conto -, geralmente tem um rol de coisas que gostaria de ter escrito. 
Escritos paridos ao papel por outros escritores antes dele, e não só por razões cronológicas, como muitos preferem acreditar ("só não escrevi isso antes porque fulano nasceu primeiro"), mas sobretudo por questão de talento maior de quem primeiro os escreveu.
Se fosse me imposta a tarefa impossível de eleger um único escrito para constar de minhas gavetas empoeiradas, eu seria obrigado a ficar com Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, aquele do "apedreja essa mão vil que te afaga e escarra nessa boca que te beija". Esse soneto do poeta da putrefação sintetiza a natureza humana com insuperável precisão. Simples catorze versos que destilam, resumem e concentram a torpe índole do bicho homem.
Não fosse, porém, imposto limite algum, eu elaboraria uma lista com centenas, talvez com milhares de coisas alheias que eu gostaria de ter escrito, coisas que eu, sem nenhum pudor em confessar, gostaria de roubar para mim. 
Grande parte dessa lista seria formada por letras de canções, quase todas as do Chico, do Cartola, do Oswaldo Montenegro, do Adoniran, do Lupicínio, do Paulinho da Viola, do Vinícius de Moraes... O número de compositores seria quase tão extenso quanto o de canções.
Hoje, acordei com uma música grudada à cabeça, música que há muito não ouvia e com a lembrança da qual meu cérebro generosamente me presenteou nessa primeira manhã de fim de férias;  acompanhou-me e me consolou por boa parte da manhã. 
A canção é a belissima Viajante, da compositora Thereza Tinoco, que, com o auxílio luxuoso da interpretação de Ney Matogrosso, sagrou-se numa das mais inspiradas peças da MPB. E em uma das coisas que eu gostaria muito de ter escrito.
Viajante
(Thereza Tinoco)
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, 
Pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez.

Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde
No maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar.
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas que insistimos tanto em nos defender.

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez

Para ouvir Viajante é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.