terça-feira, 5 de julho de 2016

E Se o Tigre For Broxa?

Depois de mil anos sob o mais tirânico dos jugos, no qual todas as liberdades individuais, sobretudo a do pensamento, foram suprimidas em nome de Deus, em nome da santa Igreja Católica, depois de 10 séculos de Idade Média durante os quais ou o sujeito fingia que era burro ou virava churrasquinho, espetinho de herege a ser vendido na quermesse da Santa Sé (não sem antes passar estripamentos, evisceramentos e suplícios de ordem sexual que iam desde a amputação de seios a empalamento), o ser humano precisou renascer. Precisou promover a própria Renascença, precisou se re-parir, fazer uma autocesariana, arrancar-se a fórceps de si mesmo. 
Precisou, principalmente, reaprender a pensar, retomar o raciocínio lógico, que não é como andar de bicicleta, não; parou de pensar, de pôr à faina a massa cinzenta e ela emperra, empaca. Não pense que a cabeça aguenta se você parar,  já disse Raul.
Houve muito mais instinto que razão pura nessa retomada do pensamento, que o instinto é a forma primeira de aprendizado sobre o mundo. O Renasciscento, por mais belo e produtivo que tenha sido, e ele o foi, foi um período muito mais de observação, comparação, identificação e, mormente, de imitação que de criação, que de surgimento de novas ideias e conceitos. Que é só assim, desgraçadamente, que o ser humano, a não ser que você tenha nascido um gênio, aprende : observando, comparando e imitando à exaustão o seu derredor. É a infinita repetição que promove o aprendizado. É o Kumon da vida. 
Não à toa, o Renascimento foi o resgate dos valores clássicos gregos e romanos : primeiro, observar e imitar algo no qual se reconheça e, uma vez hábil nisso, uma vez adquirida certa proficiência, tentar alçar voo próprio. 
É dessa forma que a criança ou qualquer outro filhote aprende. É por isso que os primeiros sons inteligíveis que saem da boca de uma criança assemelham-se ao que chamamos de palavras e não ao urro de um leão, ou ao trinado de um rouxinol. É por isso que a criança cambaleia e claudica sobre suas fracas pernas buscando a postura bípede e não fica a agitar os braços tentando levantar voo. A criança observa o mundo, compara-se com ele, identifica-se com os pais - e não com o gato, com o cachorro, com o periquito da casa, ou com os peixinhos do aquário - e passa, então, a copiá-los.
Basicamente, isso foi o Renascimento, um período de copiar os pais, aprender com eles, para emancipar-se depois. Para a nossa sorte, a Renascença contou com exímios observados e inigualáveis imitadores, copistas geniais como nunca dantes vistos, que nos legaram inestimável patrimônio artístico, mas não foi um período de criação por excelência, foi um período de domínio da técnica, de reaprender a manejar o pensamento e suas ferramentas, de readquirir o traquejo para o próximo estágio, o Iluminismo, a Idade da Razão, na qual o pensamento, já emancipado de seus pais greco-romanos, começou a gerar novos conceitos e ideais; se melhores ou não, se mais ou menos brilhantes que os de seus antecessores, já é uma outra questão.
Do Renascimento vem uma das formas de pensamento - instintiva - ainda muito comum hoje em dia, ainda pensamos sob o seus ditames em grande parte das situações que vivemos, uma vez que a maioria de nós nunca foi apresentada ao pensamento sistematizado de um Descartes, por exemplo : a Doutrina das Assinaturas, do médico e alquimista alemão Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1541), o Paracelso, para os íntimos e os iniciados.
A grosso modo, a Doutrina das Assinaturas, ou ainda As Assinaturas do Criador, verifica e constata semelhanças estruturais entre seres humanos e as outras espécies e infere a elas a mesma funcionalidade. A mais grosso modo ainda, quase a chulo modo, o que Paracelso postulava era : se é parecido, serve para a mesma coisa.
Para Paracelso, as similaridades de certos alimentos com estruturas do corpo humano eram assinaturas de Deus para que nós as reconhecêssemos e tirássemos proveito delas. Dizia que Deus formulava a cura de uma doença indicando um sinal comparativo em sua fonte. A exemplos : uma orquídea cuja flor se assemelha a testículos humanos pode ser usada no tratamento de doenças venéreas; a cenoura, se cortada em rodelas, exibe uma assinatura de Deus que lembra muito a íris humana, logo, é boa para doenças da visão, e a prova é que ninguém nunca viu um coelho usando óculos. Instinto. Picaretagem. Pura picaretagem.
Quer dizer que Deus põe a cura em vegetais e os faz semelhantes aos nossos órgãos para que deles nos valhamos? Porra. Não era mais fácil não criar a doença? E o Velho Safado ainda fica brincando de esconde-esconde com o desgraçado do doente. Se o cara tá cegueta, como ele vai notar a semelhança entre suas íris e o raiado de uma rodela de cenoura?  
A seguirmos Paracelso, será que o consumo regular de uns melões bem grandes e suculentos livra a mulher do temível câncer de mama, e, de quebra, ainda os torna maiores, mais rijos e doces? Será que incluir a pimenta dedo-de-moça na dieta diária livra o macho de respeito do famigerado dedo do urologista, do exame de toque?
Picaretagem. Pura picaretagem. Charlatanismo dos brabos. Puro instinto, tal forma de pensar. Nada de sistemático, só observar, comparar e inferir um monte de bobagens. Nenhuma lógica nesse tipo de ideia. Por isso mesmo um perigo muito grande nela reside. Ela é aceita e assimilada de forma instantânea - uma vez que instintiva -, não tem a necessidade de fornecer maiores provas para que seja abraçada pelo senso comum : abre o caminho para todo o tipo de charlatanismo. O mais célebre desses charlatanismos, que até ganhou ares de ciência, é a Homeopatia, com seu dogma máximo, Similia similibus curantur, semelhante cura semelhante. Paracelso puro. Má-fé pura.
É desse tipo de ideia que partem, também, as mais diversas atrocidades contra animais, especialmente os considerados selvagens, viris e fodelões. Sempre preocupado com sua paudurescência, o bicho homem busca nos ensinamentos de Paracelso a cura para os seus males. No Brasil, por exemplo, o boto amazônico, que quando assume a forma humana para emprenhar desavisadas ribeirinhas, atende pelo nome de Carlos Alberto Riccelli, tem o seu pênis, o seu cacete, usado em sopas, garrafadas, ou, ainda, desidratado, feito em pó e adicionado às refeições. Na China, é o tigre quem paga o pato da paumolescência humana. Sua benga também é consumida na forma de ensopados e seus testículos viram pó que é adicionado à comida, uma espécie de Sustagen pra broxa, ou bebido em infusões.
Mas eis a pergunta que não quer calar : ainda que Paracelso esteja certo, ainda que formas semelhantes tenham funcionalidades semelhantes e possam transmitir suas propriedades curativas, e se o tigre for broxa, meu amigo, e se o tigre for broxa? E se o felino abatido e sacrificado for mais afeito a um outro tigre-de-grande-bengala ao invés de uma xaninha listrada? Aí, quem fica duro é o cu? E se o tigre for broxa, meu amigo?
Isso tudo, por uma dessas associações, admito, a la Paracelso, me fez lembrar do grande e inigualável filósofo iluminista Genival Lacerda, que sabe tudo da Doutrina das Assinaturas, que põe Paracelso no chinelo, como bem demonstra na sua música Transplante de Coração, cuja letra narra o infortúnio dum cabra macho que recebe o coração de um "doador desmunhecado". Genival Lacerda é o Paracelso brasileiro.
Transplante de Coração
(Genival Lacerda)
Corre seu doutor
Pode operar
Que o coração vai pifar


Acuda seu doutor
Arranje um doador
Que ele tem a sua mãe pra sustentar


Mas tudo correu bem
Foi tudo normal
Na mesa de operação
O doutor falou pra ele
Moço você é felizardo
Está curado, pois não houve rejeição

O cabra ficou bom
Mais ficou desconfiado
Recebeu o coração
De um doador desmunhecado

Foi o maior sucesso
Ele ficou curado
Pois a sua salvação
Mais o novo coração era muito delicado
O doutor contou pra ele
Com muita manha pra não haver zanga
Pois aquele coração precisava da atenção
Pra não soltar a franga


Para ouvir, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

domingo, 3 de julho de 2016

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (24)

Morreu o Zé Rico, sobrou o Milionário; morreu o João Mineiro, ficou o Marciano. Que, agora, se juntam e lançam o CD Lendas, com o repertório clássico das duas duplas. É material de qualidade pra corno nenhum botar defeito. É CD pra corno ouvir dando um lustro no chifre! Das 15 músicas, destaco aqui Solidão, do José Rico. É o corno que descrente, todo mundo fala pra ele que a mulher tá dando pra outro e ele não acredita. É o corno ateu!
Solidão
(José Rico e Cristovam Rei)
Alguém me falou que você me enganou
Eu não posso acreditar
Eu preciso saber se foi mesmo você
Que mandou me avisar

Eu preciso partir sei que não vou resistir
Essa solidão do amor para o meu coração (2x)

"Amor, eu gostaria saber se foi mesmo você
que mandou me avisar,
porque se for verdade..."

sábado, 2 de julho de 2016

Agora Era Fatal Que o Faz de Conta Terminasse Assim

Eu faço de conta
Que hoje tem rock
Que tem café
Que tem cafuné.

Eu faço de conta
Que hoje é o Dia do Curinga
Que tem revolução.
Faço de conta
Que hoje tem Raul
Que hoje tem Grillo
O rei da brincadeira
O rei da confusão.

Faço de conta
Que hoje
Ainda é madrugada no meu coração.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Schin No Grau

Sabendo-me um intrépido desbravador de marcas desconhecidas - e por que não dizer, clandestinas? - de cerveja, um destemido explorador de combinações - muitas das vezes quase letais - de malte e cevada nunca dantes testadas em seres humanos, um arqueólogo do lúpulo perdido, um verdadeiro Indiana Jones do gargalo, uma amiga me presenteou com uma raridade que encontrou nas prateleiras da rede Carrefour : No Grau, da Schincariol.
Chamou-lhe a atenção o fato de que a cerveja No Grau estava em uma superoferta - R$ 0,99 a lata de 350 ml -, uma verdadeira pechincha, e, ainda assim, as prateleiras estavam repletas do produto, abarrotadas de cima a baixo. A No Grau estava quase de graça e ninguém comprava. Isso deve ser uma merda, pensou minha "amiga", vou levar uma pro Azarão.
Ela veio até a mim, logo ao início do expediente, e, numa embalagem muito discreta, me entregou a lata. Junto com ela, um desafio : duvido que você tome essa, será um trabalho de Hércules. Encarei, é lógico, a provocação, o chamamento para a briga. Como diz o filósofo Zeca Pagodinho, a cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem, mas o homem que foge de seus inimigos é um covarde.
Levei a No Grau para casa, pu-la a gelar e, em seguida, submeti-a ao crivo e ao rigor das análises do Instituto Azarão de Pesquisas Etílicas. O laudo, relato a seguir.
Embora o principal seja a qualidade do conteúdo, a apresentação do continente também tem certa relevância, a aparência da embalagem também conta pontos. Acredito que um visual bem cuidado predisponha favoravelmente o paladar do consumidor, exerça uma espécie de efeito placebo em suas papilas gustativas, faça o bebedor pressupor que o mesmo esmero dedicado à embalagem tenha sido igualmente dispensado ao líquido em seu interior. A No Grau não conta com essa vantagem inicial, não pode se fiar nesse expediente para agradar o pé de cana : suas cores são apagadas, pastéis, sua logomarca, em caracteres que pouco ou nada se realçam do fundo, letras sem nenhum volume ou perspectiva, nada que salte aos olhos, nada que sugira algum tipo de vibração.
Abri o lacre e deitei a cerveja em meu poderoso canecão de vidro para melhor observar seus atributos visuais, olfativos e gustativos. A No Grau, inicialmente, formou uma boa camada de espuma, de boa densidade, que, no entanto, não perdurou, logo se desfez, conferindo um aspecto de cerveja choca. A cor nada apresentou do brônzeo-dourado do malte, sim de palha pálida e anêmica do milho. Nada também do odor levemente amargo do lúpulo, só milho mesmo.
Finalmente, entornei. O aspecto de cerveja choca foi confirmado pelo gosto. Aguada. Sabor avinagrado, sutilmente metálico, dulçor inicial de sacarose e final salgado. Pra piorar, é do tipo Lager, igual a heineken, budweiser e outras merdas, modalidade de cerveja que costuma me dar uma puta dor de cabeça, o que, se por um lado, é um inconveniente, um estorvo, por outro, ainda é melhor que a famosa ardência no cu provocada por certas marcas - explico depois.
Veredicto : a No Grau foi aprovada pelo Azarão. Merece a Comenda da Boa e Barata.
No dia seguinte, comuniquei o cumprimento do hercúleo trabalho à minha amiga. O primeiro já foi, disse-lhe, pode mandar os outros onze. Que outros onze?, ela perguntou. As outras 11 latas do fardo, porra! Noventa e nove centavos a lata e vai me dizer que você só comprou uma? Vai ser miserável assim nos quintos!

Saudade de Estimação

Ponho minha Saudade
- Engaiolada,
Tosada,
De banho tomado -
Na vitrine do pet shop.
Ao lado 
De gatos
Cães
Calopsitas
Periquitos australianos
E tartarugas licenciadas pelo Ibama.

E aos que se dispuserem a adotá-la
- a minha Saudade -,
Numa tabuleta presa com arame na gaiola,
As instruções para os seus cuidados,
As suas credenciais,
O seu pedigree :
Vermifugada
E castrada,
E só mija e caga
Nos locais permitidos
E preestabelecidos.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Viadagem Invade Publicidade de Cerveja

A viadagem invade um dos últimos territórios do macho de respeito, do macho das antigas : a propaganda da sagrada cerveja. Ao invés dos selvagens e valorosos corcéis e mustangs, agora são os viadinhos que campeiam livres pelas pradarias de Marlboro. É o brokeback mountain da cerveja. E o pior : a perobagem vem da Alemanha, terra de nórdicos entornadores de canecões de litro.
A marca de cerveja alemã Bergedorfer Bier, cuja conta publicitária só pode estar a cargo de algum viadinho saltitante, ou de algum marido submisso de feminista dos suvacos e pernas cabeludos, peitos murchos e grelo de 15 cm, resolve inovar na apresentação de seu produto, tentar revolucionar o tradicional marketing da cerveja.
Trocou as clássicas, indispensáveis e obrigatórias gostosas peitudas de biquíni por homens peludões e barrigudos, a acarinhar, orgulhosos, a la Demi Moore, suas protuberantes panças de cerveja, como estivessem a gestar um amado filho, e o slogan da campanha : feita com amor. Uma viadagem só.
Os idealizadores argumentam que o objetivo da campanha é apresentar um perfil mais real do consumidor padrão de cerveja, fazendo, assim, com que os beberrões se identifiquem mais com o produto, se reconheçam nele.
O caralho! As putas que os pariram! Um perfil mais real? O cara que bebe não quer saber da realidade. Antes, e óbvio, pelo contrário : o cara bebe para ter um descanso da realidade. O cara bebe pra se sentir o Brad Pitt, o George Clooney, e não para que coloquem um espelho plano à sua frente.
Bebedor de cerveja das antigas gosta de duas coisas nessa vida : primeira, beber cerveja; segunda, olhar para as gostosas de biquíni da propaganda de cerveja.
Colocar machos peludos e barrigudos em propaganda de cerveja, repito, só pode ser coisa de quem é chegado em uma barba a lhe roçar a nuca, em morder a fronha, em beijar pra trás, em levar bolada no queixo, cabeçada no céu da boca e umbigada na testa.
O que nos deixa, como disse no início, com dois prováveis suspeitos. Primeiro, o publicitário é um viadinho-gazela, que é aquele tipo bem afeminado, delicado, de fala mole e fina, que anda com passinho de quem não quer peidar, e que é muito chegado em um outro tipo de viado, o urso, o viadão geralmente mais velho que o gazela, gordo, peludo, com jeito de macho, um ogro; o viadinho-gazela adora um papai urso, talvez um substituto para uma ausente figura paterna. Segundo, o publicitário é um marido domesticado e castrado de uma feminista xiita, aquela que, quando o cara se aproxima dela de pau duro, vai logo dizendo, "afasta de mim esse instrumento chauvinista de dominação masculina", e, em seguida, taca o dedo no cu do sujeito.
Homem que é homem, ainda que publicitário, jamais cometeria uma heresia dessas. Rogo e faço os mais sinceros votos de que a Bergedorfer Bier quebre depois dessa campanha, caia na mais irrecuperável bancarrota. 
Aproveito o ensejo e saio, aqui, em defesa da cerveja, desmonto, aqui, mais esse mito, mais esse senso comum : cerveja não dá barriga. Eu bebo cerveja, regularmente, e não tenho esse barrigão escroto da foto acima. Não tenho também, é claro, nenhuma barriga tanquinho, que isso, de ficar em academia malhando e desenhando o abdômen, também é coisa de viado. Tenho 1,82m e oscilo na faixa dos 72 aos 74 kg, e olha que tenho quase 50 anos. Tenho uma incipiente barriga, é verdade, mas coisa mínima, da idade mesmo, nada que se dobre sobre ela própria, nada que se derrame sobre o cinto da calça, nada que impeça a ampla e total visão do meu pinto.
Não é a cerveja que engorda, é o acompanhamento. Ninguém, muito menos machos de respeito, toma cerveja acompanhada de uma saladinha de alface, ou de um tira-gosto de brócolis, ou de uns acepipes de abobrinha. Macho que é macho come é torresmo, provolone, amendoim, picanha. Cerveja não engorda!
Para finalizar, por mais inovadora e revolucionária que a publicidade busque ser - e ela deve buscar -, por mais que os gênios do marketing tentem derrubar velhos clichês, desmontar antigos paradigmas - e eles devem tentar -, não há como mudar o veículo de divulgação de certos produtos.
Certos produtos só podem ser anunciados por gostosas! A exemplos, cerveja : gostosas; carros esporte : gostosas; lingerie : gostosas; creme dental : gostosas; planos de saúde : gostosas; materiais de construção : gostosas; macarrão instantâneo : gostosas; mistura pronta para bolos : gostosas; repelentes para mosquitos da dengue : gostosas; escolas de idiomas : gostosas; imobiliárias : gostosas; postos de combustível : gostosas; floricultura : gostosas; restaurantes self-service : gostosas; ração para cães e gatos : gostosas; pizzarias : gostosas; detergente e sabão em pó : gostosas; bancos e seguradoras : gostosas; adubos e insumos agrícolas : gostosas; mútuo funerário : gostosas; etc etc etc.
Esse tá até segurando os peitinhos, deve estar lactando, o filho da puta!!!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Homem Pequeno

Sou um homem pequeno.
Minha casa é pequena,
Meu mobiliário,
Meus eletrodomésticos,
Minha despensa,
Meus mantimentos,
Minha biblioteca.

Sou um homem pequeno.
Minhas aspirações são pequenas,
Meus quereres e precisares
Minhas conquistas
(sempre fui péssimo no Banco Imobiliário e no War),
Minhas mentiras,
Meu círculo de amizades.

Sou um homem pequeno.
Gosto de ser pequeno.
Dá menos trabalho,
Menos manutenção,
Menos assistência técnica,
Menos fingimento,
E é bem mais econômico.

Sou um homem pequeno.
Só preciso de uma sacada
- pequena -
Que tenha vista para o infinito desolado,
Só preciso que meus olhos
- pequenos e presbiópicos -
Deem vista para a amplidão.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Metflix

Segundo a Mensa International, a maior e mais antiga sociedade que congrega pessoas de alto QI do mundo inteiro, apenas 2% dos Homo Sapiens chegam perto de fazer jus ao lineano batismo. Somente dois em cada cem seres humanos podem receber a comenda de superdotado intelectual, o que significa apresentar QI acima de 130.
Não se deve, no entanto, confundir superdotado com gênio. O superdotado é tão somente o sujeito que tem grande chance de ser um expoente em sua área de atuação, seja ela qual for - ciência, música, literatura, pintura, e até política -, um inovador, um líder. Um cara que tem uma facilidade acima da média de bem desempenhar o que demanda e custa muito esforço, dedicação e suor para a maioria.
Desses 2% de superdotados, apenas uma parcela ainda menor, perto de 1% deles, chega ao patamar de gênio, ou seja, o cara cujas realizações tenham contribuído grandemente para a humanidade, tenham mudado o curso da história. Físicos de ponta existem em bom número, outro Einstein, Tesla, Newton, Fermi ou Hawkings, com muita sorte, só no próximo milênio; literatos laureados, as academias estão cheias, outro Camões, Cervantes, Pessoa, Machado de Assis, Saramago, sabe-se lá quando; o mesmo vale para pintores e músicos, Mozarts e Van Goghs não nascem todos os dias.
Portanto, apenas 0,02% dos seres humanos têm alguma probabilidade de tornarem em gênios, o que dependerá, além de suas genéticas privilegiadas, também de inúmeros fatores externos, que podem ser resumidos ao sujeito nascer no lugar certo, na hora certa. Apenas 0,02% da humanidade são brilhantes.
Brilhantes, é claro, para continuarem a alavancar o progresso da espécie, brilhantes para o engrandecimento e aprimoramento do homem. Não menosprezemos, contudo, os outros 99,98%, igualmente criativos e inovadores, porém, para o outro extremo do espectro : para a vileza, a fraude, a safadeza, a libertinagem, a devassidão, ou seja, somos quase todos gênios para a putaria. Não é o gênio quem move o mundo, ele só dá a assistência técnica, é a putaria que move a humanidade. E um exemplo dessa genialidade (anônima) para a putaria chegou hoje ao meu conhecimento via um colega de trabalho.
O Netflix, todo mundo conhece. É um provedor de filmes e séries via streaming, seja lá que porra isso for. 
E o Metflix? Pois é justamente o que o nome, bem sacado pra caralho, sugere : é um provedor de filmes pornô via streaming, e é de graça. Punheta de graça é mais gostoso.
A exemplo do Netflix, o Metflix também é organizado em categorias : coroas, novinhas, boquete, hentai, amador, anal, milf, suruba etc etc.
Ainda não explorei o site com as devidas atenção e profundidade, mas recomendo-o veementemente. O vídeo em destaque de  hoje é : loirinha linda chupando a rola do namorado (linda e gostosa, ela chupa o caralho do cara com muito gosto).
MetFlix!!! Pããããããta que o pariu!!! Genial!!!
Para acessar o Metflix, é só fazer uma chupeta aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sábado, 25 de junho de 2016

Poetas de Calçada

Quando eu sumo,
Sua pena, suas tintas,
Sua poesia
Perdem o sumo.
Sua alma seca,
Sua medula seca,
Sua buceta.
Quando eu te abandono,
Você morre.
Comigo é pior :
Eu sigo.

Nostradumus Conhecia o Lula

Nostradamus escreve por metáforas e simbolismos. Revela ocultando. É linguagem apenas para iniciados. É código hermético pra Champollion nenhum botar defeito. Mas no fragmento abaixo, que recebi de um amigo por e-mail, a escrita do velho vate é praticamente literal, e sua interpretação, inequívoca : Lula conhecia o Lula. Nostradamus é um notório e infalível profeta de desgraças e hecatombes, não poderia ter se furtado à vaticinar o surgimento de Lula e o PT. Vejamos a seguir, em preto, a profecia, em vermelho, sua interpretação.

"... e próximo do terceiro milênio, uma besta barbuda  (Ó o Lula aí) descerá triunfante sobre um condado do hemisfério Sul (só pode ser o Brasil), espalhando a desgraça e a miséria (mensalão, petrolão, a corrupção como forma de governo). Será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos (o famoso mindinho da mão esquerda que o escroto lazarento perdeu de propósito no torno pra se aposentar), trará com ele uma horda (Zé Dirceu, Genoíno, Palocci, Dilma etc) que dominará e exterminará as aves bicudas (com certeza, os tucanos do PSDB) e implantará a barbárie por muitas datas (Lula se reelegeu e elegeu Dilma também por duas vezes) sobre um  povo tolo e leviano (se ainda havia dúvidas, elas acabaram de se dissipar, só pode ser o brasileiro ).

Nosferatu

Esfolo minhas pálpebras
Minhas córneas
Minhas cortinas
Minhas retinas
Minhas rotinas
Com os nós de meus dedos
De raios de sol.

Sou doença autoimune
Sou lúpus
Sou Guillain-Barré
Sou soldado
Que detesta a própria pátria
Sou estaca
Que nasce e se enraíza em meu próprio miocárdio
Sou guirlanda de alho
Que se aprofunda e alastra
 Hera que abraça e que tranca
O meu caixão de Nosferatu.

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(38)

A saudade é : o revés de um parto, é limpar o quarto de um filho que já morreu, é assim como uma fisgada no membro que já perdi. É o Chico. E o Chico é o cara, e ponto.
Pedaço de Mim
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Olavo de Carvalho Defende Bolsonaro. E Eu Concordo.

"Acabo de postar este comentário na página do Reinaldo Azevedo:
Prezado Reinaldo:
(1) Ao chamar o seu colega de "estuprador", sem a menor provocação, a deputada lhe imputou caluniosamente uma conduta criminosa;
(2) Ela não o fez no calor de uma discussão, mas por iniciativa unilateral;
(3) Ela repetiu a acusação calma e friamente, ao responder "É sim" quando o deputado lhe perguntou "Agora sou eu o estuprador?". Isso denota conduta deliberada.
Em resposta, tudo o que o ofendido fez foi uma piada de mau gosto. Interpretar a coisa como apologia do estupro é logicamente inviável. Não creio ser necessário lembrar que ele não disse que a colega MERECIA ser estuprada, o que seria, sim, apologia do crime (aliás cometida pelo sr. Paulo Ghiraldelli impunemente contra a apresentadora Raquel Scheherazade), mas disse que ela NÃO O MERECIA, o que é uma observação sarcástica de ordem estética e nada mais — injusta, no meu entender, já que a srª Maria do Rosário não é tão feia assim.
O ato do sr. Bolsonaro inclui-se claramente nos dois tipos de atenuantes que a lei brasileira adquire para o crime de injúria (a) se a ofensa é emitida EM REVIDE a uma ofensa anterior; (b) se é emitida IMEDIATAMENTE após a ofensa. A conduta da srª Maria do Rosário não tem atenuante nenhum, tem os agravantes de deliberação e da ausência de provocação. Não há o menor senso das proporções em nivelar a conduta dos dois, muito menos em enxergar maior gravidade nas palavras do sr. Bolsonaro que nas da srª Maria do Rosário.
A inversão da escala de julgamento torna-se ainda mais intolerável quando se conhece o contexto da discussão. O sr. Bolsonaro estava apresentando um projeto de lei que pedia punições mais graves para os estupradores e reduzia o prazo de maioridade penal de modo a que a punição pudesse atingir tipos como o Champinha, um dos estupradores e assassinos mais cruéis que este país já conheceu. A srª Maria do Rosário, em contraposição, defendia privilégios legais para os Champinhas da vida. As palavras que ela disse ao sr. Bolsonaro revelam um esforço perverso de INVERTER o sentido dos acontecimentos, fazendo do sr. Bolsonaro um apologista daquilo que ele combatia e ela protegia.
Sob qualquer ângulo que se examine, a investida geral da mídia contra o sr. Bolsonaro está acobertando a conduta criminosa da srª Maria do Rosário e falsificando a realidade do que se passou.
P. S. – "Dar às palavras do deputado Bolsonaro o sentido de que "estupro é matéria de merecimento" é trasmutar um sarcasmo em afirmação literal e expressão formal de um juízo de valor. Se aceitamos esse tipo de manipulação da linguagem e ainda queremos fazer dele a base para uma condenação judicial, então fica difícil criticar o mesmo expediente quando usado pelos petistas."

Velho Ditado

Morcego velho mordido de Lua
Tem medo de pirilampo.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Zeus Joga Bosta em Templos Cristãos

Zeus é o todo-poderoso da mitologia grega, o fodão do panteão helênico. Deus dos deuses, Zeus chifrava sua esposa Hera três vezes por semana, comia todas as deusas do Olimpo e também as mais belas entre as mortais. O que Zeus tem de filho bastardo com humanas, o que, na época, se chamavam de semideuses, não está escrito em gibi nenhum. Houvesse um tribunal superior a ele, Zeus pagaria mais pensão alimentícia que o Romário, o Fábio Jr. e o Chico Anísio, juntos.
Zeus era insaciável com suas fêmeas e implacável para com seus desafetos, aos quais fulminava com um bom dum raio na cabeça. Para as mulheres, sua divina rola; para os homens, seus furiosos raios. Zeus era macho, deus das antigas.
Mas isso foi em priscas eras, quando Zeus tinha legiões de adoradores, quando todo um povo se ajoelhava e erguia suas preces ao Olimpo. Com a invasão sempre sanguinária do cristianismo em território grego, os olimpianos foram perdendo fiéis e, logo, seus sobrenaturais poderes. Sim, crentes ingênuos, seus deuses são suas criaturas, não seus criadores, o poder de um deus é diretamente proporcional ao número de fiéis que lhe prestam tributos, deus não existe sem você.
Um deus é feito um capacitor. Vai armazenando as energias inconscientes que os fiéis lhe enviam através de preces, suplícios, privações, martírios e sacrifícios. Uma vez plenos e carregados, é com essa energia recebida dos crentes que os deuses realizam seus milagres, seus prodígios, dão suas demonstrações de força. É o próprio fiel quem altera o campo das probabilidades e desencadeia o acontecimento de eventos de enorme raridade, conhecidos por milagres.
Com o declínio de uma civilização, sua conquista por outra e a subsequente imposição de uma nova cultura e de costumes e crenças estrangeiros, a energia da fé passa a ser direcionada às novas divindades, verdadeiras usurpadoras do poder. Assim, os deuses antigos vão se esvaziando, dissipando pouco a pouco suas remanescentes energias, que não são repostas. Resultado : morrem.
Morrem como deuses, mas não chegam a morrer como conceito. Ficam em coma, por assim dizer. Sempre que alguém lê, estuda, comenta, assiste a um filme sobre deuses antigos, eles recebem lá um caganésimo de energia, insuficiente para que recuperem a grandiosidade perdida e sua condição de deuses, mas o que basta para mantê-los em estado vegetativo.
Porém, na atual Grécia, a situação de Zeus e seus comparsas começou a mudar há cerca de duas décadas. Os velhos deuses foram tirados do coma. Ainda estão de cama, respirando por aparelhos, alimentando-se por sondas, cagando em fraldas geriátricas etc, mas fora do coma. 
É que, em 1997, foi fundado o Conselho Supremo dos Helenos Étnicos, que congrega grupos de seguidores de divindades da Grécia antiga, que estão a se organizar por todo o país e cujo objetivo é reestabelecer o politeísmo e a tradição helênica. Ou seja, botar Zeus de novo no trono de supremo deus da Grécia.
Zeus, desde então, ainda que um diáfano espectro do que foi, tem aprontado das suas, tem atacado e vandalizado templos cristãos, muitos dos quais construídos sobre templos pagãos da antiguidade. De uns anos para cá, a Grécia tem vivenciado um crescente de casos de hostilidades e agressões de fiéis de religiões de deuses antigos contra templos cristãos ortodoxos.
Mas, como eu já disse, Zeus ainda não está plenamente reestabelecido, longe disso, aliás. O capacitor do velho deus está feito o Complexo da Cantareira, operando no volume morto. Tem ainda que chover muita oração e sacrifício de animais para abarrotar as velhas barragens de seu poder. Zeus, até então, não consegue gerar seus iracundos e apocalípticos raios, com os quais reduziria facilmente a escombros os templos cristãos e faria churrasquinhos das beatas.
Não obstante, Zeus é Zeus, tem sua honra de deus a zelar, não pode decepcionar os seus, ataca os cristãos com aquilo que consegue produzir, com aquilo que tem à mão. Uma Geni às avessas, Zeus tem jogado bosta nos templos cristãos. Tem lambuzado de merda os ícones da Igreja Ortodoxa.
Ontem, na ilha de Creta, a do labirinto de Dédalo, a do Minotauro, seguidores de Zeus atacaram uma igreja cristã ortodoxa, jogando fezes em 13 ícones. Em carvão, eles deixaram um recado: “Essa é uma cortesia de Zeus”.
Quem não tem raio, caça com bosta.
Pãããããta que o pariu!!! Religião é mesmo uma merda!
Zeus. Com cara de quem tá muito enfezado. Literalmente.

domingo, 19 de junho de 2016

Exagerado

Imagine as coisas que eu escreveria 
Se realmente penasse 
As agruras que digo que sinto. 

Imagine os horrores descritos 
Se em verdade sangrasse 
As feridas que em mim maquio. 

Imagine as barbaridades que de minha pena estuporariam 
Caso, de fato, me acercassem 
Todas as desgraças e azares que invento. 

Imagine as temeridades que abortariam de minha esferográfica 
Se a cólica de rins tão alardeada 
Não fosse, enfim, somente unha podre e encravada. 

Imagine as atrocidades que minha caneta cometeria 
Se o que eu sofro não fosse somente o que eu minto 
Se em vez dessa pálida vodka de mercearia 
Eu dispusesse da verde aurora boreal do absinto.

sábado, 18 de junho de 2016

Tá-Tá-Tá...Tá!!!

Morreu Rubén Aguirre, o professor Girafales da Turma do Chaves, o professor Raimundo do México, o comedor da dona Florinda, o único que conseguia encarar aquela baranga cheia de bobs no cabelo e manter o charutão sempre aceso e ereto, um verdadeiro herói. 
Aliás, o Professor Girafales foi um dos últimos autênticos representantes do macho das antigas, do macho de respeito. Girafales fumava um charutão em sala de aula, comia a mãe de um aluno, a do Quico, e ainda era visto como um bastião da correção, da moral e dos bons costumes.
Morreu Girafales. Por que causa, motivo, razão ou circunstância? A causa mortis ainda não foi declarada à imprensa mundial, mas, provavelmente, de complicações de sua diabetes e, lógico e principalmente, por ter 82 anos. Diabetes mata, câncer mata, infarto mata, mas, sobretudo e preponderantemente, a vida mata.
Morreu Girafales. E deixou sete filhos e dezesseis netos. 
Pããããããta que o pariu!!!! Não era à toa que Chaves o chamava de professor Linguiça!!!
 ” Enquanto tiverem os livros nas mãos, serão pessoas honradas, serão gente de bem, em outras palavras, serão como eu.”

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Elemento J, esse Injustiçado

Um elemento químico recém-nascido não é igual a filho de pobre, de eleitor do PT, de beneficiário do bolsa família. O suposto ou alegado pai não pode simplesmente chegar no cartório da IUPAC e registrar o rebento com qualquer nome, como bem lhe aprouver. Não pode chamar de Uéslei, de Maquissuel, de Máicon, de Valdisney, de Uóxinton, de Ketelen, de Géssica, de Keiti etc etc. Não pode "homenagear" a parentada e misturar nome de avô com tio, de tia com bisavó, dando origem a, por exemplos, Marcivânia, Claudienepaula, Vandercleidiane, Roneicláudio etc.
Nada disso. Nome de elemento químico é coisa séria. Aos da genealogia de Mendeleiev, é imperativo um batismo cheio de pompas e circunstâncias, de cerimoniais e protocolos. Há regras bem definidas para que o cientista dê nome a um novo integrante da Tabela Periódica. O nome do novo elemento deve ser inspirado e/ou fazer referência a :

– um personagem ou conceito mitológico : Hélio (o deus-sol grego), Neptúnio (deus dos mares), Plutônio (deus dos mortos e do mundo subterrâneo);
– um mineral ou substância similar : Berílio, Silício, Ferro, Cobre;
– um local ou região geográfica : Polônio, Amerício, Califórnio, Frâncio;
– propriedade do elemento : Rádio, Fósforo, Neón;
– um cientista : Mendelévio, Rutherfórdio, Einstênio.

Se não me falha a falha memória, quando tive meus primeiros contatos com a disciplina de Química, isso lá em 1980 ou 1981, a Tabela Periódica contava com uns 102 ou 103 elementos. A sétima fila, ou sétimo período, prevista por Dmitri Mendeleiev, o Pai da Tabela Periódica Moderna, e corroborada pelo diagrama de Linus Pauling, estava incompleta, à espera de que seus elementos perdidos fossem encontrados. E é como dizem por aí : a fila da Ciência anda. Um a um, os elementos faltantes foram sendo criados, e a fila tanto andou que acabou, que chegou ao seu fim. Não há mais vagas para átomos desempregados no concorrido mercado da Química. Quem entrou, entrou, quem não entrou, não entra mais.
Os quatro elementos que completaram o sétimo período são os de números atômicos 113, 115, 117 e 118, batizados, no início desse mês, de, respectivamente, nihonium (Nh), moscovium (Mc), tennessine (Ts) e oganesson (Og).
Ou seja, foi-se aos quatro ventos a última chance da letra "J", a única letra a não figurar no álbum da família Mendeleiev.
Correm boatos de que "J", ao saber dos nomes dos novos elementos químicos e ver frustrada sua última esperança, tentou fundar os MST, o Movimento dos Sem Tabela, organizar invasões, ocupações e assentamentos em orbitais improdutivos, mas como era a única integrante, o movimento não vingou. 
Dizem ainda que ela tentou recorrer à CUT, a Central Única dos Tabelados, mas como nunca fora afiliada e jamais tinha pago a contribuição sindical, pois sempre sobreviveu de bicos, na economia informal, foi recebida pela entidade com ouvidos moucos.
Tentou ainda, segundo os átomos fofoqueiros e maledicentes de plantão, recorrer ao STQ, o Supremo Tribunal da Química. Tentou se fazer de vítima, dizer-se injustiçada e excluída desde os tempos de Demócrito, o grego, tentou pleitear seu ingresso na Tabela Periódica via sistema de cotas. Recurso indeferido. Que, no mundo subatômico, não há essa balela, essa conversa para boi dormir de dívida histórica para com modelos atômicos ultrapassados e superados, não há falsa condescendência para com as minorias de Dalton, de Thompson ou de Rutherford.
"J" tentou ainda, já em desespero de causa, propor uma reforma ortográfica na Tabela Periódica. A letra "G", por exemplo, aparece pra caralho na Tabela, é praticamente uma latifundiária atômica : Gálio (Ga), Germânio (Ge), Gadolínio (Gd), Mercúrio (Hg), Prata (Ag), entre outros. Por que não reformar a ortografia e passar a grafar Jermânio, símbolo Je? Petição negada. Que a Academia Linus Pauling de Letras não nutre nenhuma simpatia para com neologismos, estrangeirismos, gírias e modernices em geral.
Paciência, "J", paciência. Paciência, "J", ainda não foi dessa vez. Quem sabe em uma outra dimensão atômica, em um outro universo pararelo... quem sabe em um outro Big Bang.

sábado, 11 de junho de 2016

Dipirona, Cerveja e Boquete

Sessenta gotas de dipirona
Para as lamúrias 
E os uivos dos músculos,
Uma dúzia de cervejas
Para recapear
E tirar os rangidos dos tendões que os ligam à alma
- Pontes pênseis entre o corpo e o vivo.
E um beijo desconhecido
E um boquete ao fim da madrugada :
Quem foi o filho da puta que disse
Que é preciso morrer
Para experimentar do paraíso?
E o principal :
Que é preciso ser bom e virtuoso?

terça-feira, 7 de junho de 2016

O Caralho Maldito

Contou-me Jotabê, o eremita do Blogson Crusoe, que um comentário que começara a tecer em minha postagem sobre a recém-descoberta boiolagem do Príncipe Charles acabou por tomar tamanho vulto e volume que ele optou por transformá-lo em uma postagem independente em seu próprio blog.
Em sua postagem, em um dado momento, Jotabê entrega a rapadura e se refere ao Príncipe Charles, o ex-Duque da Cornualha, agora Princesinha Charlotte, a Gazela Rainha, como Carlinhos. Carlinhos, Jotabê?
Surpreendeu-me a intimidade do diminutivo, porém não o nome em si. Em Portugal, e talvez também em outros países lusófonos, à exceção do Brasil, o Príncipe Charles é conhecido como Príncipe Carlos. O português tem tamanho orgulho de sua língua materna - e com toda a razão, pois é belíssima a última Flor do Lácio - que traduz para o idioma de Camões tudo o que lhe cai nas mãos ou às vistas, inclusive, nomes próprios.
O português é tão avesso e refratário a que estrangeirismos invadam feito hordas bárbaras os seus dicionários quanto nós, brasileiros, somos receptivos e permissivos a que eles em nossos léxicos montem seus assentamentos de MST , sobretudo os anglicismos. O brasileiro adora um estrangeirismo, adora cantar com a língua enrolada a mando do patrão Tio Sam; parece mesmo acreditar que empregar  um vocábulo inglês, quando há tantos mais e mais expressivos correlatos em nosso vernáculo, lhe confere uma maior inteligência, um conhecimento superior, coisa de colonizado, mesmo.
O português, não. O português não arreganha o cu para o estrangeirismo lhe meter a rola. Antes pelo contrário, ele é quem entesa a vara e arromba as pregas do invasor estrangeiro, que irá sentir a dor que deveras sente. Em Portugal, só a citar alguns exemplos, o mouse do computador não é mouse, é rato, mesmo; site é sítio; DNA vira ADN; AIDS vira SIDA, e Charles vira Carlos, Carlinhos para os mais chegados. O que me obriga a um autorreparo do meu texto : Charles, uma vez que Carlos, a quem, depois de reveladas as frouxas pregas, chamei de Princesa Charlotte, torna-se agora a Princesa Carlota. Carlota Joaquina. Só falta deixar crescer o buço. Buço, eu disse buçO.
O português é tão xenófobo no que diz respeito a termos alienígenas que acredito que nem o termo xenófobo ele deve aceitar e usar de bom grado, uma vez que de origem grega (xénos, estrangeiro; phóbos, medo ou aversão). A tudo o português verte para o idioma da santa terrinha. Mesmo que isso o torne motivo de piada, de piada de português.
O genial Juca Chaves, o menestrel maldito, nos conta uma passagem muito ilustrativa a esse respeito, sobre essa quase obsessão portuguesa de a tudo traduzir. A história se passa em fins da década de 1970, quando ainda era costumeiro a indústria mundial do tabaco patrocinar corridas de fórmula 1, e marcas como Marlboro, John Player e Pall Mall estampavam os bólidos e os macacões e os capacetes do pilotos.
Juquinha nos conta que, em uma de suas estadas em Lisboa, calhou de ir com uns amigos a uma corrida de F1 e, logo de cara, notou que até as marcas dos patrocinadores tinham sido traduzidas para o português. Goodyear virou Ano Bom;. Firestone, Fogo na Pedra; e Pall Mall, o caralho maldito!
Pããããããããta que o pariu!!!

sábado, 4 de junho de 2016

Muhammad Ali e a Morte Que Flutua Feito uma Borboleta e Ferroa Feito uma Abelha

No fim - e sempre -,
É a Morte quem treina os dois lutadores,
O campeão e o desafiante,
Pois ela própria
É a eterna desafiante
E a inexorável campeã.

No fim,
É a Morte
Quem,
Desde o começo,
Acerta as lutas
Realiza as pesagens
Controla o mercado negro das apostas,
É a Morte 
Quem é o empresário,
A marca de cerveja patrocinadora
E também o bookmaker
E o cambista na fila. 

No fim,
É a Morte
Quem arbitra a luta
Quem soa o gongo ao início 
E ao fim de cada round,
É a Morte
A gostosa de biquíni
Que desfila pelo ringue com a placa indicativa
Do número do próximo assalto,
Do próximo turno no matadouro, 
É a Morte 
Os cutmen em cada corner
Que limpam os lutadores do sangue
Que lhes fazem os curativos
E lhes dão de beber.

No fim,
É a Morte 
Quem desfaz ou não o clinch,
Quem para a luta
E poupa o seu predileto
Ou quem deixa o massacre seguir
Contra o seu preterido.
É a Morte
- e só ela -
Quem decide a hora de jogar a toalha.

No fim,
Caro Cassius,
É a Morte
Quem flutua feito uma borboleta
E ferroa feito uma abelha.
Cassius Marcellus Clay (1942 - 2016)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Príncipe Charles é Uma Bichona, diz Globe Magazine

Bomba no Palácio de Buckingham! De Buckingham, não! De Fuckingham! Bomba no Palácio de Fuckingham, a Boate Bahamas da realeza britânica! Uma bomba que vai causar um rebosteio e uma fudelança maiores que qualquer V2 nazista, que qualquer homem-bomba do Talibã.
Deu no Globe Magazine, tabloide estadunidense : o Príncipe Charles é gay! É baitola real.
Pãããããããta que o pariu!!! Charles não é Charles! É Charlotte! Princesinha Charlotte. Amiga e confidente da Princesinha Sofia, da Ariel e da Pocahontas. Amigas de tomarem juntas o chá das cinco e de trocarem nudes de rola do príncipe encantado.
Charles não é corno. É viadão. Duque da Cornualha porra nenhuma. Gamo Rei, isso sim.
Aquela minissaia escocesa, aquele kilt xadrezinho que volta e meia ele usa nunca me enganou. Nunca me enganou é o caralho. Me enganou, sim. Admito : nunca suspeitei que o Príncipe Charles tivesse a arruela espanada. A Charlotte nunca deu a menor pinta de viado. De corno, todas. Charles é o protótipo do corno.
Primeiro, Charles é rico e famoso, e riqueza e fama, se por um lado são imãs de gostosas, por outro, são magnetos poderosíssimos do bom e velho chifre. Não que o pobre e fudido seja imune ao galho - ninguém o é -, mas o rico e famoso é muito mais vulnerável. Acontece que mulher gosta é de grana, fama e luxo, mas a buceta gosta é de rola bruta, e não de piroquinhas educadas, refinadas, cheias de etiqueta, frequentadoras de vernissages e de saraus; buceta gosta de verga grossa e cheia de nervos, não de piroquinha gourmet. Vai daí que, logo, logo, a mulher se cansa de tanta sofisticação e arruma uma rola grosseira e xucra por fora. O nobre paga pelo silicone nos peitões e o plebeu é quem vai mamar; o nobre paga pela vaginoplastia, pela recauchutagem da xavasca, e o plebeu é quem vai meter fundo na apertadinha; isso sim é o que eu chamo de uma justa distribuição de renda.
Segundo, Charles é feio feito a peste, mal-acabado de fazer dó, um rascunho do mapa do inferno, um excomungo só, não há amor nem libras esterlinas que aguentem por muito tempo. E terceiro, e o principal, Charles é inglês, frio e ríspido, cheio de fleumas e protocolos, austero e travadão, sem o remelexo, o requebro e a malemolência necessários à arte da boa pirocada. Tanto que Lady Di - que o capeta a tenha sentada em sua benga flamejante - botava-lhe galho com um egípcio, descendente Osíris e Tutankamon, tataraneto em 8º grau de Cleopátra, povo quente e metedor.
Charles tinha o disfarce perfeito para o seu tesão na argola, o de corno. Por isso é que Charles sempre se casou com mocreias, sempre com a madrasta má, com a bruxa do conto de fadas ao invés das delicadas e formosas Cinderelas e Belas Adormecidas : Charles é quem sempre foi a princesa da história, o gato borralheiro, o feio adormecido.
Ainda que os penduricalhos no frontispício do príncipe não tenham a nobre origem que supúnhamos, não tenham sido cravados à traição por alguma biscate, não sejam condecorações conquistadas na sempre desleal e sangrenta guerra do amor, não sejam estandarte que macho de respeito carrega com honra e de cabeça erguida, Charles continua chifrudo, pois é gazela, gazelíssima!
Abaixo, a capa do tabloide, que mostra Charles beijando um jovem e musculoso rapagão, chamado de "boy toy" pela publicação.
O tabloide diz, ainda, que Camila Parker-Bowles, mulher de Charles, já teria pedido o divórcio, e que a rainha Elizabeth II já pensa em remover o filho da linha de sucessão do trono, deixando o caminho livre para o neto William.
A Rainha Mãe tá certa. Rei corno, tudo bem; viado, não dá. Alíás, em se tratando do Reino Unido, rei corno não só é aceitável, é tradição, é pré-requisito ao trono. Quem deu origem à tradição, à linhagem sucessória dos chifrudos, foi o próprio Rei Arthur, o unificador do Reino Unido, corno que foi de sua esposa Guinevere com seu primo Sir Lancelot, o Lancelot du Lac, o maior passador de rodo de Camelot, o Zé Mayer da Távola Redonda.
Em meio a todo esse bafafá, circulam rumores de que Charles teria dito : à coroa, eu até renuncio, mas o cetro - roliço, grande e grosso - é meu e ninguém tasca.
E, cá entre nós, que viado corajoso, esse que tá pegando o Charles. Que bichona valente, comer aquela bunda seca da Charlotte.