Um leitor, em um comentário anônimo, sugeriu que eu promovesse um crowdfunding aqui no Marreta com o objetivo de mandar - com passagem só de ida - a comunistada safada desse Brasil dantes mais varonil para a Venezuela, ou para Cuba, para que os vermelhinhos de boutique vivessem por lá como moradores comuns, não como turistas ou como os governantes destes paisinhos de merda, os ditadores que nossos democratas vermelhos tanto idolatram.
Bom, primeiro tive que pesquisar o que era crowdfunding, e encontrei : "crowdfunding, ou financiamento coletivo, consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse de um grupo através da agregação de múltiplas fontes de doações, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa". Ou seja, é o que, no meu tempo, a gente chamava de "vaquinha". Então, me saindo com um trocadilho ao estilo Jotabê, não é crowdfunding, é COWdfunding.
À anônima sugestão, respondi que jamais levantaria fundos para comunistas, nem que fosse para vê-los bem longe, para mandá-los para as putas que os pariram, pois assim que pusessem a mão no dinheiro destinado à viagem, gastariam tudo em cachaça e pão com mortadela, nem chegariam a sair da rodoviária. Ainda por cima, montariam um assentamento em protesto no terminal do Tiête.
De mais a mais, nunca participei de vaquinhas, nunca comprei rifas, nunca colaborei numa Ação entre Amigos, nunca nem joguei bingo em quermesse de igreja.
Quero dizer, quase nunca. Uma única exceção feita. Uma honrosa exceção. Exceção que a sugestão do leitor me fez relembrar e reviver.
Era o ano de 1983, eu, então, com meus 16 para 17 anos, morando na cidade de São José dos Campos. Tempos de seca, aqueles. Sempre fui feio, esquisito e tímido - hoje, só não sou mais tímido. Com tais atributos, ainda mais naquela época, em que as meninas se davam ao respeito, conseguir mulher era, para mim, possibilidade mais remota que ganhar sozinho na mega-sena, sem jogar.
Eu não estava sozinho, porém. Havia mais cinco esquisitos na pequena escola em que eu estudava, dois da minha sala e outros três de outras turmas, inclusos dois japoneses. E foi justamente um desses japoneses, o Leonardo, que, em certo dia, nos chegou portando um raio de esperança. Um tio dele, um militar aposentado, gente boa pra caramba, com quem Leonardo tinha bastante liberdade para falar de assuntos de sexo - de falta de sexo, no caso -, condoeu-se do jejum do sobrinho e falou que, talvez, pudesse ajudar. Pediu uns dias para conversar com uma "conhecida" dele, uma vizinha de seu quarteirão, a Vanda.
Vanda, então uma recatada dona de casa e honesta viúva de seus 40, 45 anos, ainda muito da apetecivel, prestara, em outrora não tão distante, bons e beneméritos serviços à humanidade. Fora dama da noite em conceituado, seleto e luxuoso bordel da capital paulista. Era contado que Vanda ia amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir, era um poço de bondade. Quando estava já no pôr-do-sol de sua carreira, com seus vinte e tantos ou trinta e poucos anos, o Destino bafejou-lhe com grande ventura. Vanda caiu nas graças de um coronel reformado levado ao bordel por amigos (o tio do Leonardo estava entre eles) como parte da comemoração do aniversário de seus 70 anos. Dá-lhe Odair José e o coronel tirou Vanda daquele lugar, que, asseguram os que foram da convivência do casal, viveu oito anos de impoluta fidelidade ao lado do militar reformado, até que a morte os separou, aos 78 anos do coronel. Beneficiária da polpuda aposentadoria do coronel, Vanda instalara-se confortavelmente num bom e tranquilo bairro da cidade.
Amigo que fora do casal e que continuava a sê-lo de Vanda, o tio do Leonardo contou a ela o drama do sobrinho donzelo e dos amigos, idem. Talvez apiedada, Vanda se dispôs a praticar mais este ato de filantropia. Não precisava mais do dinheiro, mas, possivelmente, para manter a dignidade de seu nobre ofício, cobraria de nós uma pequena contribuição, um valor simbólico. Vanda cobrou um valor bem abaixo da tabela, um preço de atacado, digamos assim, um preço de custo, praticamente.
Não me lembro o quanto e, mesmo que me lembrasse, de pouca referência seria para os valores atuais, uma vez que a moeda corrente do país foi trocada em três oportunidades desde aquela época. Mesmo assim, nenhum de nós, que vivíamos numa pindaíba desgraçada, tinha, individualmente, o dinheiro para pagar o valor estipulado por Vanda. Foi quando o outro japonês, o Alcides (vê lá se isso é nome de japa) teve a ideia salvadora. Dividir o cachê de Vanda por seis, cada um fazer crescer o bolo com a sua sexta parte e sortear o felizardo que iria perder o cabaço. Na vez seguinte, todos os seis contribuíam de novo e o que já havia sido agraciado ficava fora do sorteio. Assim, a cada mês, quinze dias, ou quando todos conseguíamos juntar nossa parte, pagávamos a Vanda e um novo sortudo era contemplado. Um consórcio de buceta!
Vanda estabeleceu suas regras. Não limitaria nossas visitas por tempo, por hora, como é de praxe. Mas sim por duas bimbadas. Duas gozadinhas e fim de jogo. Experiente e tarimbada que era, Vanda deve ter calculado que, no nosso caso, um bando de adolescentes cabações, duas gozadas levaria muito menos tempo do que uma hora.
Contudo, se nada conhecíamos da prática sexual, muito sabíamos da teoria. Para driblar o subterfúgio de Vanda e fazer render mais tempo o suado dinheirinho, o felizardo da vez, antes de se encontrar com Vanda, tocava uma punheta em casa, para retardar o tempo da segunda e da terceira. Ô, saudade! Quanto vigor, quanta confiança! Chegava a ser arrogância de nossa parte! Exibicionismo! Hoje, se toco uma bronha na segunda-feira, só vou me arriscar com a patroa lá pela quinta, sexta-feira, e isto numa semana boa.
Desnecessário dizer, mas faço questão de, que eu, o Azarão, esta abominável criatura que vos fala, fui o último a ser contemplado no consórcio de buceta.
Porém, o Destino, como fizera com Vanda ao apresentá-la ao coronel, bafejou-me com grande ventura. Sempre tendo atendido os outros em dias da semana e por volta das 16 horas, Vanda mandou me comunicar que eu estivesse em sua casa num sábado pela manhã, por volta das 10 h, se eu pudesse. Se eu pudesse? Pãããããta que o pariu se eu podia!
Tanta era a ansiedade, agora aliada à curiosidade sobre a mudança do dia e hora, que até me esqueci de tocar a apaziguadora punheta pré-primeira foda. Em casa, disse que iria fazer um trabalho da escola na casa do Leonardo e que por lá mesmo almoçaria.
Finalmente, Vanda me recebeu e disse que iria me recompensar pela minha espera, por eu ter sido o último, por ter pacientemente aguardado (e que outra opção eu tinha?) enquanto escutava os outros contando suas experiências.
Não houve a restrição das duas vezes - ainda bem que eu não tocara a bronha em casa. Acabei - e uma lágrima pungente de saudade pela pujança perdida escorre sempre que me recordo - gozando quatro vezes naquela manhã/tarde. E na última, Vanda me brindou com o cuzinho; região a que os outros não tiveram acesso. O meu primeiro cu!
Tenho certeza que vem daí a minha predileção pelo jilozinho, pelo enrugado, pelo girassol!
Pãããããta que o pariu se tenho!!!