segunda-feira, 22 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
LÁPIDES
E na lápide da humanidade:
"Até aqui estava dando tudo tão certo..."
E na minha lápide
- Ao lado da lápide da humanidade,
que ao lado (excluído) dela sempre fiz questão de me pôr -:
"Nem aqui vocês me dão paz".
E as briófitas e as pteridófitas tomam de volta os seus assentos,
Vicejam felizes e alheias a essa nossa desavença.
"Até aqui estava dando tudo tão certo..."
E na minha lápide
- Ao lado da lápide da humanidade,
que ao lado (excluído) dela sempre fiz questão de me pôr -:
"Nem aqui vocês me dão paz".
E as briófitas e as pteridófitas tomam de volta os seus assentos,
Vicejam felizes e alheias a essa nossa desavença.
sexta-feira, 19 de março de 2010
FINESSE - Luiz Felipe Pondé
Publicado na Folha de São Paulo, 15/03/2010 (os trechos destacados em vermelho são de grifo meu, o Azarão)
O filósofo francês Blaise Pascal (século 17) dividia a inteligência em dois tipos de "espíritos". "Espírito", aqui, significa "atividade intelectual" e não alma penada ou um princípio pessoal e imaterial como no kardecismo. Os dois tipos são: o espírito geométrico e o espírito de "finesse".
O primeiro teria como vocação lidar com um grande número de questões ao mesmo tempo, arranjando-as de modo linear e encadeado, a fim de gerar deduções lógicas generalistas e de grande alcance. O segundo teria uma vocação para o detalhe e a sutileza, lidando melhor com um pequeno número de variáveis a cada vez, e fugindo das generalidades apressadas.
O geométrico ama a pressa e os resultados eficazes, o de "finesse" cultua a paciência e o cuidado, mas pode ser de eficácia duvidosa.
Normalmente eu tendo para o espírito de "finesse". O problema é que numa sociedade gigantesca como a nossa, com problemas de dimensões estatísticas, o espírito geométrico tende a devorar a alma. E, por definição, a alma vive mal na geometria. Seu habitat natural é a "finesse" porque a geometria tende ao grosseiro quando envolve seres humanos.
Em nossa complexa sociedade, algumas questões são tratadas de forma grosseira porque nós temos pressa em resolvê-las ou porque queremos fazer mentiras passarem por verdades. E aí, nós caímos num frenesi geométrico.
Leitores perguntam qual é minha posição quanto ao tema das cotas nas universidades. Outros, perguntam-me: "Você é a favor ou contra os direitos gays?".
O frenesi geométrico tende a dar respostas afeitas ao gosto de políticas públicas e movimentos sociais. Respostas geométricas são assim: "sou a favor" ou "sou contra" cotas ou direitos gays. E pronto.
Confesso: tenho alergia a esse negócio de "movimentos sociais" e suspeito muito do caráter de quem vive sempre metido neles. Não existe algo chamado "multidão do bem", toda multidão é do mal.
Recentemente ouvi um comercial no rádio que falava "todos juntos com uma só vontade e um só objetivo" (algo assim). Sinto um frio na espinha quando vejo "vontades unidas", pouco importa para quê.
Perdoe-me se isso parece uma falha de caráter, ou, quem sabe, se não sofri o suficiente na vida até hoje para confiar em multidões do bem, ou se conheço muitas mulheres bonitas e que gostam de tomar vinho antes do sexo. Na vida de um homem, o que decide sua realização é sempre sucesso profissional e sucesso com as mulheres, quem disser o contrário mente. Minha suspeita básica é de que desde os irmãos Caim e Abel (Caim matou Abel por inveja do amor de Deus pelo irmão), detestamos a felicidade no outro.
Mas e as cotas e os direitos gays? Tentemos uma resposta sem pressa.
Sou contra cotas raciais. Não acredito nessa coisa de dívidas históricas. Acho que isso serve para intelectuais fazerem carreiras ideologicamente orientadas (porque as universidades vivem sob repressão ideológica) e para pessoas politicamente articuladas garantirem seu futuro burocrático.
Sim, reinos africanos participavam do mercado de escravos e praticavam escravidão entre eles. Dizer que a escravidão dos africanos no Brasil foi uma mera questão de "europeus contra negros" é mentira. E mais: essa prática de cotas raciais (racismo "do bem") é tão racista quanto qualquer outra.
Dizer que reinos africanos e africanos libertos da escravidão no Brasil participaram do comércio de escravos não é "preconceito contra negros". Aqueles que afirmam isso o fazem por má fé.
Sou a favor de cotas em universidades públicas para estudantes de escolas públicas que se destacam em sua vida estudantil porque eu acredito em recompensar o mérito.
E os direitos gays? Não acho que gays devam ter direitos especiais. Leis que criminalizam gestos e palavras "contra os gays" para mim são mero fascismo.
Cirurgia para troca de sexo pago pelo Estado é um abuso para o contribuinte. Acho uma bobagem essa coisa de "homoafetividade".
É um abuso quando professores de educação sexual dão bananas para meninos colocarem camisinha com a boca, como se ser gay fosse "normalzinho". Deve-se respeitar o mal-estar das pessoas diante disso, e querer "formar" mentes nesse nível não é função da escola.
Entretanto, sendo gays pessoas comuns, acho que, sim, eles devem ter o mesmo direito que os outros: o direito de casar, criar filhos e ser (in)feliz no amor e na vida como todo mundo.
O filósofo francês Blaise Pascal (século 17) dividia a inteligência em dois tipos de "espíritos". "Espírito", aqui, significa "atividade intelectual" e não alma penada ou um princípio pessoal e imaterial como no kardecismo. Os dois tipos são: o espírito geométrico e o espírito de "finesse".
O primeiro teria como vocação lidar com um grande número de questões ao mesmo tempo, arranjando-as de modo linear e encadeado, a fim de gerar deduções lógicas generalistas e de grande alcance. O segundo teria uma vocação para o detalhe e a sutileza, lidando melhor com um pequeno número de variáveis a cada vez, e fugindo das generalidades apressadas.
O geométrico ama a pressa e os resultados eficazes, o de "finesse" cultua a paciência e o cuidado, mas pode ser de eficácia duvidosa.
Normalmente eu tendo para o espírito de "finesse". O problema é que numa sociedade gigantesca como a nossa, com problemas de dimensões estatísticas, o espírito geométrico tende a devorar a alma. E, por definição, a alma vive mal na geometria. Seu habitat natural é a "finesse" porque a geometria tende ao grosseiro quando envolve seres humanos.
Em nossa complexa sociedade, algumas questões são tratadas de forma grosseira porque nós temos pressa em resolvê-las ou porque queremos fazer mentiras passarem por verdades. E aí, nós caímos num frenesi geométrico.
Leitores perguntam qual é minha posição quanto ao tema das cotas nas universidades. Outros, perguntam-me: "Você é a favor ou contra os direitos gays?".
O frenesi geométrico tende a dar respostas afeitas ao gosto de políticas públicas e movimentos sociais. Respostas geométricas são assim: "sou a favor" ou "sou contra" cotas ou direitos gays. E pronto.
Confesso: tenho alergia a esse negócio de "movimentos sociais" e suspeito muito do caráter de quem vive sempre metido neles. Não existe algo chamado "multidão do bem", toda multidão é do mal.
Recentemente ouvi um comercial no rádio que falava "todos juntos com uma só vontade e um só objetivo" (algo assim). Sinto um frio na espinha quando vejo "vontades unidas", pouco importa para quê.
Perdoe-me se isso parece uma falha de caráter, ou, quem sabe, se não sofri o suficiente na vida até hoje para confiar em multidões do bem, ou se conheço muitas mulheres bonitas e que gostam de tomar vinho antes do sexo. Na vida de um homem, o que decide sua realização é sempre sucesso profissional e sucesso com as mulheres, quem disser o contrário mente. Minha suspeita básica é de que desde os irmãos Caim e Abel (Caim matou Abel por inveja do amor de Deus pelo irmão), detestamos a felicidade no outro.
Mas e as cotas e os direitos gays? Tentemos uma resposta sem pressa.
Sou contra cotas raciais. Não acredito nessa coisa de dívidas históricas. Acho que isso serve para intelectuais fazerem carreiras ideologicamente orientadas (porque as universidades vivem sob repressão ideológica) e para pessoas politicamente articuladas garantirem seu futuro burocrático.
Sim, reinos africanos participavam do mercado de escravos e praticavam escravidão entre eles. Dizer que a escravidão dos africanos no Brasil foi uma mera questão de "europeus contra negros" é mentira. E mais: essa prática de cotas raciais (racismo "do bem") é tão racista quanto qualquer outra.
Dizer que reinos africanos e africanos libertos da escravidão no Brasil participaram do comércio de escravos não é "preconceito contra negros". Aqueles que afirmam isso o fazem por má fé.
Sou a favor de cotas em universidades públicas para estudantes de escolas públicas que se destacam em sua vida estudantil porque eu acredito em recompensar o mérito.
E os direitos gays? Não acho que gays devam ter direitos especiais. Leis que criminalizam gestos e palavras "contra os gays" para mim são mero fascismo.
Cirurgia para troca de sexo pago pelo Estado é um abuso para o contribuinte. Acho uma bobagem essa coisa de "homoafetividade".
É um abuso quando professores de educação sexual dão bananas para meninos colocarem camisinha com a boca, como se ser gay fosse "normalzinho". Deve-se respeitar o mal-estar das pessoas diante disso, e querer "formar" mentes nesse nível não é função da escola.
Entretanto, sendo gays pessoas comuns, acho que, sim, eles devem ter o mesmo direito que os outros: o direito de casar, criar filhos e ser (in)feliz no amor e na vida como todo mundo.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Sem Negociações
Em entrevista a Gabriela Dobner, do iG São Paulo, Paulo Renato Souza, secretário de educação paulista, disse sobre a greve dos professores: "Não há o que negociar".
Discordo dele. Existe muito a ser negociado. O que Paulo Renato quis dizer nas entrelinhas foi : o governo NÃO PRECISA negociar nada.
E não precisa, mesmo. É poderoso o suficiente para que não.
A Constituição assegura o direito de greve, mas não dá garantias de que ela irá funcionar ou de que terão de existir negociações. Espertíssimos esses rapazes que escrevem as leis no Brasil.
A greve é uma arma? Sim. Porém a serivço de quem, do trabalhador ou do governo?
Do trabalhador, bradarão os grevistas em uníssono.
Ora, professores, não sejamos burros, pelo menos não além do que eu já os considero, e pensemos, em que situação alguém (um Estado-Nação) concede a outrem (o trabalhador) o direito legal de lhe botar uma arma ao próprio peito?
Resposta simples: quando esse alguém se sabe totalmente invulnerável à ação daquela arma.
Mais: convencido da eficiência de tal "arma", o trabalhador deixa de pensar em outras formas de lutar, formas essas, talvez, com poder de coerção sobre o Estado.
O Estado só concedeu o direito à greve depois de muito bem se blindar contra ela e se equipar de um sem-número de recursos para desbaratá-la quando bem entender. E aí vem o trabalhador, bate no peito com orgulho, e acredita mesmo que tal direito constitucional foi conquista dele. E é a partir daí que o grevista trabalha a favor do Estado.
O Estado, como todo bom tocador de gado, sabe que nunca se deve encurralar totalmente o bicho, sempre deve restar ao animal o vislumbre de uma possibilidade de fuga (ainda que ínfima), de uma melhora (ainda que ilusória), deve sempre se dar ao bicho um alento, um respiradouro, uma válvula que alivie a pressão quando ela estiver próxima de seu ponto crítico, senão o bicho estoura verdadeiramente para cima do dono. E isso é tudo o que o dono não quer.
O direito constitucional à greve é essa ilusão dada ao trabalhador de que ele pode efetivamente, e pelas próprias mãos, dar rumos mais dignos à sua profissão. Não pode. O direito à greve é o engodo dado ao bicho de que ele é dono e senhor de seu destino. Não é. A greve é aquela valvulazinha que, de tempos em tempos, alivia a pressão.
Quando detectam que a coisa está realmente para explodir, governos e sindicatos confabulam, armam o circo da greve e põem tudo de volta em seus devidos lugares. Indubitavelmente, a greve tem importante função social, dá esperança (vã como todas) ao trabalhador, mantém tudo nos eixos.
Greve não é indício de desordem, antes pelo contrário, da reinstalação da ordem.
Mas, devo confessar, estou um tanto decepcionado com um aspecto dessa greve. Até agora, não vi professor apanhando em manifestações, não vi a polícia "chegando junto" nas passeatas, não vi ninguém ser pisoteado pelos cavalos, ninguém sair de olhos inchados de uma nuvem de gás lacrimogênio, ninguém a correr com balas de borracha a lhe pipocar o lombo.
Mas ainda resta uma esperança, parece que sexta-feira (19/03) haverá nova manifestação na avenida Paulista. Quem sabe dessa vez.
Rapaz...como eu gosto de ver grevista levar bordoada.
Discordo dele. Existe muito a ser negociado. O que Paulo Renato quis dizer nas entrelinhas foi : o governo NÃO PRECISA negociar nada.
E não precisa, mesmo. É poderoso o suficiente para que não.
A Constituição assegura o direito de greve, mas não dá garantias de que ela irá funcionar ou de que terão de existir negociações. Espertíssimos esses rapazes que escrevem as leis no Brasil.
A greve é uma arma? Sim. Porém a serivço de quem, do trabalhador ou do governo?
Do trabalhador, bradarão os grevistas em uníssono.
Ora, professores, não sejamos burros, pelo menos não além do que eu já os considero, e pensemos, em que situação alguém (um Estado-Nação) concede a outrem (o trabalhador) o direito legal de lhe botar uma arma ao próprio peito?
Resposta simples: quando esse alguém se sabe totalmente invulnerável à ação daquela arma.
Mais: convencido da eficiência de tal "arma", o trabalhador deixa de pensar em outras formas de lutar, formas essas, talvez, com poder de coerção sobre o Estado.
O Estado só concedeu o direito à greve depois de muito bem se blindar contra ela e se equipar de um sem-número de recursos para desbaratá-la quando bem entender. E aí vem o trabalhador, bate no peito com orgulho, e acredita mesmo que tal direito constitucional foi conquista dele. E é a partir daí que o grevista trabalha a favor do Estado.
O Estado, como todo bom tocador de gado, sabe que nunca se deve encurralar totalmente o bicho, sempre deve restar ao animal o vislumbre de uma possibilidade de fuga (ainda que ínfima), de uma melhora (ainda que ilusória), deve sempre se dar ao bicho um alento, um respiradouro, uma válvula que alivie a pressão quando ela estiver próxima de seu ponto crítico, senão o bicho estoura verdadeiramente para cima do dono. E isso é tudo o que o dono não quer.
O direito constitucional à greve é essa ilusão dada ao trabalhador de que ele pode efetivamente, e pelas próprias mãos, dar rumos mais dignos à sua profissão. Não pode. O direito à greve é o engodo dado ao bicho de que ele é dono e senhor de seu destino. Não é. A greve é aquela valvulazinha que, de tempos em tempos, alivia a pressão.
Quando detectam que a coisa está realmente para explodir, governos e sindicatos confabulam, armam o circo da greve e põem tudo de volta em seus devidos lugares. Indubitavelmente, a greve tem importante função social, dá esperança (vã como todas) ao trabalhador, mantém tudo nos eixos.
Greve não é indício de desordem, antes pelo contrário, da reinstalação da ordem.
Mas, devo confessar, estou um tanto decepcionado com um aspecto dessa greve. Até agora, não vi professor apanhando em manifestações, não vi a polícia "chegando junto" nas passeatas, não vi ninguém ser pisoteado pelos cavalos, ninguém sair de olhos inchados de uma nuvem de gás lacrimogênio, ninguém a correr com balas de borracha a lhe pipocar o lombo.
Mas ainda resta uma esperança, parece que sexta-feira (19/03) haverá nova manifestação na avenida Paulista. Quem sabe dessa vez.
Rapaz...como eu gosto de ver grevista levar bordoada.
terça-feira, 16 de março de 2010
A Burrice Continua, Companheiro
Li no jornal "Zero Hora" que a APeoesp decidiu manter a greve dos professores de SP iniciada na segunda-feira, 08/03/10.
Façamos algumas considerações.
Se quiser lograr êxito, uma greve deve atender a requisitos básicos:
Tem que causar prejuízo ao empregador, a dos professores dá lucro, esses dias não pagos gerarão milhões de caixa para a campanha do Serra à Presidência;
Tem que ser relacionada a setores de urgência tais como saúde, segurança, coleta de lixo, transporte, tem que fazer falta imediata, a dos professores é prontamente festejada pelos alunos, teoricamente quem deveria se ressentir de nossos serviços;
Tem que ser rápida, para evitar desgastes e atritos entre os praticantes da profissão, nenhum grupo humano é capaz de permanecer por muito tempo em acordo e harmonia, sua rapidez também é necessária vista a supressão do salário dos dias parados, a dos professores, dados os dois motivos iniciais, é greve longa, cansativa, de muito fôlego;
Tem que ter apoio da população, ainda mais sendo uma greve pública, a dos professores não tem apoio nenhum da população, aos olhos da qual professor já ganha muito bem pelo que faz;
Por fim, mas ainda sem elencar todos os motivos pelos quais uma greve de professores nunca sairá vitoriosa, uma greve precisa de uma retaguarda forte, que dê respaldo ao grevista quando esse começar a sofrer as sanções e penalizações, ou seja, é elemento fundamental numa greve, um sindicato forte, honesto no mínimo, o dos professores é um sindicato canalha, vendido, seus dirigentes sempre barganham a bunda do professor por um carguinho público.
Então é óbvio mais um malogro dessa greve.
A greve continua, a burrice continua.
A Apeoesp noticia 80% de adesão, o governo estadual, 1%. Não acredito em nenhum dos dois.
Na mesma reportagem do "Zero Hora", havia informes da quantidade de professores na manifestação feita na sexta, 12/03/10, na avenida Paulista. A polícia diz que foram 5 mil, a Apeoesp, 15 mil, mas a Apeoesp, para efeito de números, conta até o sorveteiro, o vendedor de água, de cachorro-quente, o de CD pirata...
Passeata gay reúne mais de um milhão. Até o reino da bicharada é mais unido que professor.
Consideremos uns 10 mil participantes. São mais de 200 mil professores no Estado, isso nas minhas contas são 5% do total. Claro que devemos considerar as dificuldades de deslocamento dos professores das outras cidades para a capital, mas ainda é um número inexpressivo mesmo que levemos em conta apenas os professores sediados na capital.
Dizer de uma adesão de 1%, como diz o governo, é uma tentativa de dizer que o problema não existe, empurrar pra baixo do tapete, porém dizer de uma adesão de 80%, como diz a Apeoesp, é chamar todo mundo de idiota, de burro.
A burrice continua, companheiro.
Façamos algumas considerações.
Se quiser lograr êxito, uma greve deve atender a requisitos básicos:
Tem que causar prejuízo ao empregador, a dos professores dá lucro, esses dias não pagos gerarão milhões de caixa para a campanha do Serra à Presidência;
Tem que ser relacionada a setores de urgência tais como saúde, segurança, coleta de lixo, transporte, tem que fazer falta imediata, a dos professores é prontamente festejada pelos alunos, teoricamente quem deveria se ressentir de nossos serviços;
Tem que ser rápida, para evitar desgastes e atritos entre os praticantes da profissão, nenhum grupo humano é capaz de permanecer por muito tempo em acordo e harmonia, sua rapidez também é necessária vista a supressão do salário dos dias parados, a dos professores, dados os dois motivos iniciais, é greve longa, cansativa, de muito fôlego;
Tem que ter apoio da população, ainda mais sendo uma greve pública, a dos professores não tem apoio nenhum da população, aos olhos da qual professor já ganha muito bem pelo que faz;
Por fim, mas ainda sem elencar todos os motivos pelos quais uma greve de professores nunca sairá vitoriosa, uma greve precisa de uma retaguarda forte, que dê respaldo ao grevista quando esse começar a sofrer as sanções e penalizações, ou seja, é elemento fundamental numa greve, um sindicato forte, honesto no mínimo, o dos professores é um sindicato canalha, vendido, seus dirigentes sempre barganham a bunda do professor por um carguinho público.
Então é óbvio mais um malogro dessa greve.
A greve continua, a burrice continua.
A Apeoesp noticia 80% de adesão, o governo estadual, 1%. Não acredito em nenhum dos dois.
Na mesma reportagem do "Zero Hora", havia informes da quantidade de professores na manifestação feita na sexta, 12/03/10, na avenida Paulista. A polícia diz que foram 5 mil, a Apeoesp, 15 mil, mas a Apeoesp, para efeito de números, conta até o sorveteiro, o vendedor de água, de cachorro-quente, o de CD pirata...
Passeata gay reúne mais de um milhão. Até o reino da bicharada é mais unido que professor.
Consideremos uns 10 mil participantes. São mais de 200 mil professores no Estado, isso nas minhas contas são 5% do total. Claro que devemos considerar as dificuldades de deslocamento dos professores das outras cidades para a capital, mas ainda é um número inexpressivo mesmo que levemos em conta apenas os professores sediados na capital.
Dizer de uma adesão de 1%, como diz o governo, é uma tentativa de dizer que o problema não existe, empurrar pra baixo do tapete, porém dizer de uma adesão de 80%, como diz a Apeoesp, é chamar todo mundo de idiota, de burro.
A burrice continua, companheiro.
Pneumotórax
(Manuel Bandeira)
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.
..................................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Um Tango Argentino Me Vai Bem Melhor Que Um Blues
ADIOS, MUCHACHOS
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más...
Acuden a mi mente
Recuerdos de otros tiempos,
De los bellos momentos
Que antaño disfrute,
Cerquita de mi madre,
Santa viejita,
Y de mi noviecita
Que tanto idolatre.
Se acuerdan que era hermosa,
Mas linda que una diosa
Y que, ebrio yo de amor,
Le di mi corazón?
Mas el señor, celoso
De sus encantos,
Hundiendome en el llanto,
Me la llevo.
Es dios el juez supremo.
No hay quien se le resista.
Ya estoy acostumbrado
Su ley a respetar,
Pues mi vida deshizo
Con sus mandatos
Al robarme a mi madre
Y a mi novia también.
Dos lagrimas sinceras
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición.
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más...
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más...
Acuden a mi mente
Recuerdos de otros tiempos,
De los bellos momentos
Que antaño disfrute,
Cerquita de mi madre,
Santa viejita,
Y de mi noviecita
Que tanto idolatre.
Se acuerdan que era hermosa,
Mas linda que una diosa
Y que, ebrio yo de amor,
Le di mi corazón?
Mas el señor, celoso
De sus encantos,
Hundiendome en el llanto,
Me la llevo.
Es dios el juez supremo.
No hay quien se le resista.
Ya estoy acostumbrado
Su ley a respetar,
Pues mi vida deshizo
Con sus mandatos
Al robarme a mi madre
Y a mi novia también.
Dos lagrimas sinceras
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición.
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más...
sexta-feira, 12 de março de 2010
Geraldão Fanaticão
Taí, mais um que foi mexer com religião e se fudeu.Eu não sabia, mas não é que o Glauco era o Papa do Santo Daime? O Sumo Pontífice da ayahuasca?
O "pai" do Geraldão era até dono de igreja, a Comunidade Céu de Maria, tudo na base do cipó sagrado.
E o cara que atirou nele era um dos fiéis, provavelmente com o cerébro cozido pelo alucinógeno (e pela religião, claro).
Carlos Eduardo Sandfeld Nunes, 24 anos, o assassino, queria sequestrar o cartunista para que esse o acompanhasse até a casa de sua mãe e dissesse a ela que o rapaz era Jesus Cristo...muito louco.
Mexe com doido, mexe.
O Geraldão morreu. Mas, depois de saber disso, já nem lamento tanto.
Morreu o Geraldão
Cartunista Glauco morre baleado em Osasco-SP
O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, morreu na madrugada de hoje após ser baleado durante uma suposta tentativa de assalto na Estrada Alpina, no bairro Jardim Santa Fé, em Osasco, na Grande São Paulo, segundo informações preliminares da Polícia Militar (PM). De acordo com o Hospital Albert Sabin, o cartunista deu entrada no pronto-socorro por volta da 0h30 e morreu cerca de meia hora depois. O filho dele, Raoni, de 25 anos, também foi atingido pelos disparos e morreu a caminho do hospital.
O crime aconteceu por volta de meia-noite. O caso foi registrado no 10º Distrito Policial de Osasco e os corpos do cartunista e do filho já foram encaminhados para o Instituo Médico Legal (IML) da cidade. Ninguém foi preso.
O crime aconteceu por volta de meia-noite. O caso foi registrado no 10º Distrito Policial de Osasco e os corpos do cartunista e do filho já foram encaminhados para o Instituo Médico Legal (IML) da cidade. Ninguém foi preso.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Pequeno Conto Noturno (11)
- Você disse mesmo o que eu ouvi? - Olga a Rubens.
- Sim.
-Então diz de novo.
- Pra quê? Vai significar a mesma coisa.
- Não vai, não. Eu não estava esperando, ficou igual a quando a gente põe um pedaço de chocolate na boca para ir derretendo bem devagar e, sem querer, acaba meio que engasgando e engolindo tudo de uma vez, não dá pra sentir o gosto direito. Fala de novo para meus ouvidos mastigarem cada sílaba, lentamente.
- Não sei se vou repetir, primeiro porque já disse e você bem o ouviu, e ademais perde um pouco o sentido quando não estou de pau duro e com você pulando em cima.
- Ainda assim quero que repita - e Olga sai de cima de Rubens, desacoplando o resto do pau murcho de dentro de si.
- E por quê?
- Porque sei que te causa um certo desconforto.
- Não seja por isso - diz Rubens -, pode me queimar com a ponta do seu cigarro aceso ou apertar minhas bolas.
- Não me interessa o teu desconforto físico, sara logo. Vai dizer ou não?
- Vai lá, pega a vodka no congelador - protela Rubens.
Rubens sempre pede às mulheres que busquem a bebida, gosta de vê-las por trás. Olga tem peitos pequenos, de mamilos azeitonados, e um belo e enorme rabo, com um rego fundo e confortável a desenhar acentuadamente o contorno das nádegas; cobertos de penugem descolorida por água oxigenada, o rego e as nádegas.
- Toma - diz Olga de volta -, pus um pouco de água tônica e limão, que dessa merda eu não tomo pura. Vai repetir ou não?
- Vou, mas e se eu te disser que isso não me causará nenhum desconforto ou aflição?
- Não vou acreditar, sei que te causará.
- E se não causasse?
- Aí não me interessaria ouvir de novo - Olga toma a mão de Rubens e a põe entre suas pernas, bem direcionando o dedo médio dele.
- Gosta de me ver sofrendo, é isso? - pergunta Rubens.
- Não, mas saber que sofrerá para me dizer dá mais credibilidade à tua fala e, é verdade, um tantinho de prazer pra mim.
- Certo - pondera Rubens -, mas proponho, então, uma troca de desconfortos.
- Lá vem...
- Interessada ou não?
- Tá, eu topo, pode dizer - e Olga sente o dedo de Rubens afundar-se.
- Repito o que eu disse e você retribui com algo que também te aflija, quase te penalize.
- E o que seria? - pergunta Olga, voz oscilando entre a apreensão e a excitação.
Rubens lhe cochicha ao ouvido o objeto da barganha, exatamente o que Olga sabia que iria ouvir, e tira o dedo melado de dentro dela.
- Vou repetir: eu te amo, Olga.
- Outra vez - pede Olga - e mais devagar.
- Eu te amo.
- Engraçado... - diz Olga, com certo desapontamento na voz.
- O que foi, agora?
- Sei lá, acho que não consegui aproveitar o teu sofrimento o quanto tinha imaginado.
- Pois te garanto que eu vou aproveitar muito bem o seu.
- É?
- É. Pode ir virando de bruços e arrebitando bem esse cuzinho.
- Sim.
-Então diz de novo.
- Pra quê? Vai significar a mesma coisa.
- Não vai, não. Eu não estava esperando, ficou igual a quando a gente põe um pedaço de chocolate na boca para ir derretendo bem devagar e, sem querer, acaba meio que engasgando e engolindo tudo de uma vez, não dá pra sentir o gosto direito. Fala de novo para meus ouvidos mastigarem cada sílaba, lentamente.
- Não sei se vou repetir, primeiro porque já disse e você bem o ouviu, e ademais perde um pouco o sentido quando não estou de pau duro e com você pulando em cima.
- Ainda assim quero que repita - e Olga sai de cima de Rubens, desacoplando o resto do pau murcho de dentro de si.
- E por quê?
- Porque sei que te causa um certo desconforto.
- Não seja por isso - diz Rubens -, pode me queimar com a ponta do seu cigarro aceso ou apertar minhas bolas.
- Não me interessa o teu desconforto físico, sara logo. Vai dizer ou não?
- Vai lá, pega a vodka no congelador - protela Rubens.
Rubens sempre pede às mulheres que busquem a bebida, gosta de vê-las por trás. Olga tem peitos pequenos, de mamilos azeitonados, e um belo e enorme rabo, com um rego fundo e confortável a desenhar acentuadamente o contorno das nádegas; cobertos de penugem descolorida por água oxigenada, o rego e as nádegas.
- Toma - diz Olga de volta -, pus um pouco de água tônica e limão, que dessa merda eu não tomo pura. Vai repetir ou não?
- Vou, mas e se eu te disser que isso não me causará nenhum desconforto ou aflição?
- Não vou acreditar, sei que te causará.
- E se não causasse?
- Aí não me interessaria ouvir de novo - Olga toma a mão de Rubens e a põe entre suas pernas, bem direcionando o dedo médio dele.
- Gosta de me ver sofrendo, é isso? - pergunta Rubens.
- Não, mas saber que sofrerá para me dizer dá mais credibilidade à tua fala e, é verdade, um tantinho de prazer pra mim.
- Certo - pondera Rubens -, mas proponho, então, uma troca de desconfortos.
- Lá vem...
- Interessada ou não?
- Tá, eu topo, pode dizer - e Olga sente o dedo de Rubens afundar-se.
- Repito o que eu disse e você retribui com algo que também te aflija, quase te penalize.
- E o que seria? - pergunta Olga, voz oscilando entre a apreensão e a excitação.
Rubens lhe cochicha ao ouvido o objeto da barganha, exatamente o que Olga sabia que iria ouvir, e tira o dedo melado de dentro dela.
- Vou repetir: eu te amo, Olga.
- Outra vez - pede Olga - e mais devagar.
- Eu te amo.
- Engraçado... - diz Olga, com certo desapontamento na voz.
- O que foi, agora?
- Sei lá, acho que não consegui aproveitar o teu sofrimento o quanto tinha imaginado.
- Pois te garanto que eu vou aproveitar muito bem o seu.
- É?
- É. Pode ir virando de bruços e arrebitando bem esse cuzinho.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Nós Quem, Cara-Pálida?
Conta-se uma história na qual Zorro e seu companheiro pele-vermelha, o Tonto, viram-se emboscados por centenas de índios, das mais variadas tribos do velho Oeste Americano. Após analisar todas as possíveis rotas de fuga e não achar nenhuma, Zorro teria dito a Tonto: "É, Tonto, dessa vez nós vamos nos fuder". Ao que Tonto teria respondido : "Nós quem, cara-pálida?"
Pois bem! A Educação do estado de SP está em greve, de novo. E de novo para o mesmo: nada conseguir ou, no máximo, conseguir o que já foi previamente acordado entre sindicato e governo do estado na calada da noite.
Porém a pergunta é: quem da chamada Educação está em greve? Ou melhor, a quem da Educação está sendo vantajoso estar em greve nesse momento?
Essa greve, iniciada na sexta-feira (05/03), mais uma vez não foi planejada e tampouco deflagrada pelos professores, elas nunca são. É um erro, no entanto, eximí-los de culpa. Os professores têm a mais pesada das culpas, que não é a de quem arquiteta e, sim, de quem segue burramente o rebanho. O professor têm culpa pela sua burrice, de não ser capaz de exercer o espírito crítico que tanto cobra de seus alunos.
O professor é sempre manipulado, serve sempre de bucha de canhão nesses movimentos reivindicatórios. Via de regra, é usado pela APEOESP, o sindicato dos professores do estado de São Paulo, que, é bem verdade, também está a dar as caras pelas escolas nesses dias, à cata de novos adeptos para a greve e novos associados para os seus quadros (principalmente isso).
Algo, porém, mostrou-se diferente nessa greve desde o seu início, algo estava a cheirar pior que o costume, por costume já não tão cheiroso.
Sempre houve, por parte das direções de escola, uma pressão muito grande em todas as greves anteriores no sentido de inibir a adesão do professor, ameaças veladas sempre foram feitas aos montes.
Nessa greve, o inverso tem se revelado. Há uma coação explícita dos diretores para que os professores entrem em greve e isso estava a me encafifar desde a sexta-feira.
Hoje, fato ou boato, a explicação surgiu na forma de um comentário trazido de outra escola : teria havido, antes do dia 05/03, uma assembleia a reunir apenas diretores de escola e nela se teria decidido pela deflagração da greve, decisão dos diretores, portanto.
Mas para eles não figurarem nos meios de comunicação como os responsáveis pelos transtornos que toda greve causa, resolveram, os diretores, posar de politizados e amigos do professor, dando o "maior apoio" para a professorada entrar em greve. Quando aparece algum pai para saber das coisas, lhe é dito que a greve foi decisão da maioria dos professores e o diretor tira o rabo dele da seringa, hoje mesmo presenciei uma cena dessas.
E o professor embarca feito um idiota nessa, acredita mesmo que é ele a conduzir a greve e pior, que está a mudar algo.
Um parênteses : não é só pela sua burrice ou ingenuidade que o professor abraça a greve, por detrás de cada decisão de adesão há um motivo pessoal alheio à Educação. A exemplos, o professor entra em greve para ir passear no shopping, ir à academia, ao clube, ao cabelereiro, cuidar de seus afazeres pessoais e até, os que trabalham na rede particular, usar esse tempo vago para umas horas extras e ganhar mais do que se estivessem trabalhando no Estado naquele momento. O professor é burro, sim, mas não é merecedor de pena ou compaixão.
Eu não entrei em greve. Nem vou entrar. Greve é coisa séria, é uma pequena guerra, e eu é que não entro numa guerra ao lado de um exército tão estropiado como a classe professoral, perto dela o Exército de Branca Leone é um primor de organização e disciplina. Mereço, no mínimo, compor as fileiras dos 300 de Leônidas (sem a parte da pederastia, é claro), por menos que isso, eu nem desembainho minha espada.
Perguntaram-me, hoje, se eu não tenho ideais; eu tenho, mas os meus, não os do coletivo. O chamado idealista é o cara que se pauta por ideais ditados por outrem como se por ele próprio fossem, o ideal coletivo é a maneira do burro se sentir parte de um todo pensante. Tô fora dessa suruba.
Bom, primeiro foram os sindicatos a usar os professores para suas politicagens, agora são os diretores. Quem virá depois? A turma da secretaria, o pessoal da limpeza, o cara da cantina, o rapaz do xerox? Não sei. Mas garanto uma coisa: o professor servirá muito bem a todos eles com a sua burrice.
Por isso, quando alguém ou algum conhecido me pergunta se "estamos" em greve, eu logo peço que ele me esclareça : nós quem, cara-pálida?
Pois bem! A Educação do estado de SP está em greve, de novo. E de novo para o mesmo: nada conseguir ou, no máximo, conseguir o que já foi previamente acordado entre sindicato e governo do estado na calada da noite.
Porém a pergunta é: quem da chamada Educação está em greve? Ou melhor, a quem da Educação está sendo vantajoso estar em greve nesse momento?
Essa greve, iniciada na sexta-feira (05/03), mais uma vez não foi planejada e tampouco deflagrada pelos professores, elas nunca são. É um erro, no entanto, eximí-los de culpa. Os professores têm a mais pesada das culpas, que não é a de quem arquiteta e, sim, de quem segue burramente o rebanho. O professor têm culpa pela sua burrice, de não ser capaz de exercer o espírito crítico que tanto cobra de seus alunos.
O professor é sempre manipulado, serve sempre de bucha de canhão nesses movimentos reivindicatórios. Via de regra, é usado pela APEOESP, o sindicato dos professores do estado de São Paulo, que, é bem verdade, também está a dar as caras pelas escolas nesses dias, à cata de novos adeptos para a greve e novos associados para os seus quadros (principalmente isso).
Algo, porém, mostrou-se diferente nessa greve desde o seu início, algo estava a cheirar pior que o costume, por costume já não tão cheiroso.
Sempre houve, por parte das direções de escola, uma pressão muito grande em todas as greves anteriores no sentido de inibir a adesão do professor, ameaças veladas sempre foram feitas aos montes.
Nessa greve, o inverso tem se revelado. Há uma coação explícita dos diretores para que os professores entrem em greve e isso estava a me encafifar desde a sexta-feira.
Hoje, fato ou boato, a explicação surgiu na forma de um comentário trazido de outra escola : teria havido, antes do dia 05/03, uma assembleia a reunir apenas diretores de escola e nela se teria decidido pela deflagração da greve, decisão dos diretores, portanto.
Mas para eles não figurarem nos meios de comunicação como os responsáveis pelos transtornos que toda greve causa, resolveram, os diretores, posar de politizados e amigos do professor, dando o "maior apoio" para a professorada entrar em greve. Quando aparece algum pai para saber das coisas, lhe é dito que a greve foi decisão da maioria dos professores e o diretor tira o rabo dele da seringa, hoje mesmo presenciei uma cena dessas.
E o professor embarca feito um idiota nessa, acredita mesmo que é ele a conduzir a greve e pior, que está a mudar algo.
Um parênteses : não é só pela sua burrice ou ingenuidade que o professor abraça a greve, por detrás de cada decisão de adesão há um motivo pessoal alheio à Educação. A exemplos, o professor entra em greve para ir passear no shopping, ir à academia, ao clube, ao cabelereiro, cuidar de seus afazeres pessoais e até, os que trabalham na rede particular, usar esse tempo vago para umas horas extras e ganhar mais do que se estivessem trabalhando no Estado naquele momento. O professor é burro, sim, mas não é merecedor de pena ou compaixão.
Eu não entrei em greve. Nem vou entrar. Greve é coisa séria, é uma pequena guerra, e eu é que não entro numa guerra ao lado de um exército tão estropiado como a classe professoral, perto dela o Exército de Branca Leone é um primor de organização e disciplina. Mereço, no mínimo, compor as fileiras dos 300 de Leônidas (sem a parte da pederastia, é claro), por menos que isso, eu nem desembainho minha espada.
Perguntaram-me, hoje, se eu não tenho ideais; eu tenho, mas os meus, não os do coletivo. O chamado idealista é o cara que se pauta por ideais ditados por outrem como se por ele próprio fossem, o ideal coletivo é a maneira do burro se sentir parte de um todo pensante. Tô fora dessa suruba.
Bom, primeiro foram os sindicatos a usar os professores para suas politicagens, agora são os diretores. Quem virá depois? A turma da secretaria, o pessoal da limpeza, o cara da cantina, o rapaz do xerox? Não sei. Mas garanto uma coisa: o professor servirá muito bem a todos eles com a sua burrice.
Por isso, quando alguém ou algum conhecido me pergunta se "estamos" em greve, eu logo peço que ele me esclareça : nós quem, cara-pálida?
domingo, 7 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Uma Boa Ação
Dia desses, vi uma velhinha colocando dois vasos com cactos em seu carrinho de compras do supermercado, encantada com as florzinhas a brotarem dos caules.
Não eram flores naturais àqueles cactos, tinham sido ali inseridas pela enganosa mão humana, eram daquelas florzinhas secas e coloridas artificialmente, as há em roxo, amarelo, vermelho, azul, até verde.
Pensei : vou fazer uma boa ação, denunciarei a falsificação à velhinha, não a deixarei ser iludida.
Pensei melhor e fiz a boa ação : não disse nada à velhinha, deixei-a ir com seus cactos floridos, com a sua ilusão.
Não eram flores naturais àqueles cactos, tinham sido ali inseridas pela enganosa mão humana, eram daquelas florzinhas secas e coloridas artificialmente, as há em roxo, amarelo, vermelho, azul, até verde.
Pensei : vou fazer uma boa ação, denunciarei a falsificação à velhinha, não a deixarei ser iludida.
Pensei melhor e fiz a boa ação : não disse nada à velhinha, deixei-a ir com seus cactos floridos, com a sua ilusão.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Iguais Diferenças
Brindemos à descoberta de nossas diferenças,
Brinde maior à nossa amizade,
Inexorável a elas.
Mas não muito te animes
Nem saias em festejo, meu amigo:
No básico, és desgraçadamente igual a mim.
Brinde maior à nossa amizade,
Inexorável a elas.
Mas não muito te animes
Nem saias em festejo, meu amigo:
No básico, és desgraçadamente igual a mim.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Plantas Carnívoras
Arremesso
(na madrugada calada, para que você leia logo pela manhã)
Um buquê de palavras em seu alpendre,
Quiçá na soleira de sua porta,
Se boa se mostrar minha pontaria
Ou o rum autorizar minha precisão.
Não de palavras-margaridinhas-do-campo,
Viçosas, orvalhadas, em botão.
Sim um buquê de palavras feito aquelas orquídeas exóticas,
De odores fétidos,
Sabendo a excremento, a esterco, a coito anal.
Você as tomará nos braços, cingidas aos seios,
Torcerá o nariz ao seu futum
(Que lhe lembrará sovaco mal-lavado)
E irá me maldizer um pouco.
Mas não as porá à sua calçada,
Ao lado de seu lixo reciclável.
Depositará minhas palavras,
Para que elas não ressequem e despetalem,
No empoeirado jarro de vidro em sua estante
Ou no empoçado da pia da cozinha,
Junto à sua louça suja.
E ali as deixará.
A exalar antigos bailes,
A recender velhas possibilidades.
(na madrugada calada, para que você leia logo pela manhã)
Um buquê de palavras em seu alpendre,
Quiçá na soleira de sua porta,
Se boa se mostrar minha pontaria
Ou o rum autorizar minha precisão.
Não de palavras-margaridinhas-do-campo,
Viçosas, orvalhadas, em botão.
Sim um buquê de palavras feito aquelas orquídeas exóticas,
De odores fétidos,
Sabendo a excremento, a esterco, a coito anal.
Você as tomará nos braços, cingidas aos seios,
Torcerá o nariz ao seu futum
(Que lhe lembrará sovaco mal-lavado)
E irá me maldizer um pouco.
Mas não as porá à sua calçada,
Ao lado de seu lixo reciclável.
Depositará minhas palavras,
Para que elas não ressequem e despetalem,
No empoeirado jarro de vidro em sua estante
Ou no empoçado da pia da cozinha,
Junto à sua louça suja.
E ali as deixará.
A exalar antigos bailes,
A recender velhas possibilidades.
Os Moluscos Do Brasil
Por Diogo Mainardi, Revista Veja, novembro de 2009
"Claude Lévi-Strauss descobriu o Brasil. O Brasil é assim mesmo: é descoberto e redescoberto continuamente, desde 1500. Se os portugueses, em 1500, descobriram o Brasil seguindo a corrente marinha, Claude Lévi-Strauss, quatro séculos mais tarde, em 1939, descobriu-o seguindo a linha telegráfica do marechal Rondon, em Mato Grosso. Ali, depois de se afastar da “escória de Cuiabá”, ele encontrou uma série de aldeias de índios em estado bruto, intocados pelos costumes do homem branco. Em particular, os nambiquaras.
"Claude Lévi-Strauss descobriu o Brasil. O Brasil é assim mesmo: é descoberto e redescoberto continuamente, desde 1500. Se os portugueses, em 1500, descobriram o Brasil seguindo a corrente marinha, Claude Lévi-Strauss, quatro séculos mais tarde, em 1939, descobriu-o seguindo a linha telegráfica do marechal Rondon, em Mato Grosso. Ali, depois de se afastar da “escória de Cuiabá”, ele encontrou uma série de aldeias de índios em estado bruto, intocados pelos costumes do homem branco. Em particular, os nambiquaras.
Num de seus ensaios antropológicos, Claude Lévi-Strauss observou a indigência cultural dos nambiquaras e comparou-os a “uma raça gigante de formigas”. Eles se caracterizavam por ter orelhas grandes, por embriagar-se com “chicha”, por tocar uma música de uma nota só, por entreter-se cuspindo no rosto uns dos outros e por ignorar o estojo peniano devido à sua apatia sexual. Antes de Claude Lévi-Strauss, o geógrafo Edgar Roquette-Pinto já comparara os nambiquaras a “homens da Idade da Pedra”, acrescentando que a “pneumatose intestinal fá-los companheiros desagradáveis”. E o presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, que passara por lá em 1914, acompanhado pelo marechal Rondon, dissera que os nambiquaras eram “ingênuos e ignorantes como animais domésticos”.
O contato com os nambiquaras deprimiu Claude Lévi-Strauss. Ele passou a se perguntar: “O que viemos fazer aqui? Com que esperança? Com que finalidade?”. Ele só conseguiu encontrar a resposta alguns anos depois, quando estabeleceu as bases do estruturalismo: “O maior interesse oferecido pelos nambiquaras é que nos defrontamos com uma das formas de organização social e política mais simples que se possam imaginar”. E prosseguiu: “A diferente estrutura do aparelho digestivo de homens, bois e moluscos não indica diferentes funções de seus sistemas digestivos. A função é sempre a mesma, podendo ser mais bem estudada e compreendida em suas formas mais simples, como a de um molusco”.
No Brasil, Claude Lévi-Strauss descobriu o homem reduzido à sua condição de molusco. Perseguido pelo nazismo na II Guerra Mundial, por ser judeu, ele tentou refugiar-se no país, mas Getúlio Vargas, o molusco que naquele tempo presidia o Brasil, simplesmente lhe fechou as portas. Claude Lévi-Strauss morreu na última semana. Setenta anos depois de seu contato com os nambiquaras, seguindo a linha telegráfica do marechal Rondon, nós ainda nos caracterizamos por tocar música de uma nota só, por cuspir no rosto uns dos outros e por sofrer de pneumatose intestinal. Nós ainda temos uma das formas de organização social e política mais simples que se possam imaginar. E nós ainda procuramos responder às mesmas perguntas: o que viemos fazer aqui? Com que esperança? Com que finalidade?"
segunda-feira, 1 de março de 2010
Mais Uma Da Peidagogia
Algumas escolas particulares de São Paulo adicionaram uma nova disciplina ao seu currículo, e devo já deixar aqui minha observação de que se fossem capazes de cumprir corretamente as tradicionais, até que poderiam instituir novas disciplinas, mas não é o caso.
Continuando, essa nova disciplina, mais um aborto elucubratório de algum peidagogo, atende pelo nome de "tutoria". E isso é de praxe dentro da peidagogia, o uso de um nome todo pomposo e solene para maquiar mais uma aberração, mais um descalabro.
Tal disciplina, a tutoria, propõe-se a "ensinar" organização ao aluno, "ensinar" a ele o horário em que deve fazer as tarefas, até "ensiná-lo" a arrumar a mochila para o dia seguinte.
Ora, vão todos à merda! Onde estão os vagabundos que atendem pelo nome de "pais", hoje em dia? Será que é muito difícil se "organizar"? Será que é necessário um "profissional" de nível superior para dizer que as tarefas devem ser feitas numa sequência que obedeça à ordem das datas em que cada uma será cobrada? Será preciso um "profissional" da educação para dizer que a mochila deverá conter o material para as aulas do dia?
Daqui a pouco, haverá mais novas disciplinas do genêro, "ensinando", por exemplo, que se deve escovar os dentes depois das refeições, uma "tutoria bucal", já que os pais também não devem ter tempo de ensinar isso aos filhos, outra disciplina que lhes "ensine" que após o banho (que lhes ensine antes que tenham que tomar banho) é necessário bem enxugar-se, e até outra que lhes "ensine" ser conveniente e de bom tom limpar os respectivos cus após uma bela cagada.
Exagero? Não. Pelo menos não de minha parte.
Li essa matéria na Folha de São Paulo de hoje (01/03/2010).
Há depoimentos de mães que estão adorando tal disciplina, já chegam com a matéria estudada em casa, diz uma delas. Mãe é o caralho, isso não é mãe nem na puta que a pariu, isso é uma grande duma descompromissada que está mais interessada em saracotear pelos shoppings e academias que na educação do filho. E esse tipo de mãe está cada vez mais em voga, mães que abrem as pernas, deixam o "bichinho" escorregar para a luz e o mundo que tome conta daí em diante, a sociedade que cuide de seu rebento.
Uma última observação, mais até um alerta: sou professor e já detesto que digam de mim que sou um "educador", se começarem a me chamar de "tutor", prometo, vou apelar feio.
A seguir, a reportagem:
Continuando, essa nova disciplina, mais um aborto elucubratório de algum peidagogo, atende pelo nome de "tutoria". E isso é de praxe dentro da peidagogia, o uso de um nome todo pomposo e solene para maquiar mais uma aberração, mais um descalabro.
Tal disciplina, a tutoria, propõe-se a "ensinar" organização ao aluno, "ensinar" a ele o horário em que deve fazer as tarefas, até "ensiná-lo" a arrumar a mochila para o dia seguinte.
Ora, vão todos à merda! Onde estão os vagabundos que atendem pelo nome de "pais", hoje em dia? Será que é muito difícil se "organizar"? Será que é necessário um "profissional" de nível superior para dizer que as tarefas devem ser feitas numa sequência que obedeça à ordem das datas em que cada uma será cobrada? Será preciso um "profissional" da educação para dizer que a mochila deverá conter o material para as aulas do dia?
Daqui a pouco, haverá mais novas disciplinas do genêro, "ensinando", por exemplo, que se deve escovar os dentes depois das refeições, uma "tutoria bucal", já que os pais também não devem ter tempo de ensinar isso aos filhos, outra disciplina que lhes "ensine" que após o banho (que lhes ensine antes que tenham que tomar banho) é necessário bem enxugar-se, e até outra que lhes "ensine" ser conveniente e de bom tom limpar os respectivos cus após uma bela cagada.
Exagero? Não. Pelo menos não de minha parte.
Li essa matéria na Folha de São Paulo de hoje (01/03/2010).
Há depoimentos de mães que estão adorando tal disciplina, já chegam com a matéria estudada em casa, diz uma delas. Mãe é o caralho, isso não é mãe nem na puta que a pariu, isso é uma grande duma descompromissada que está mais interessada em saracotear pelos shoppings e academias que na educação do filho. E esse tipo de mãe está cada vez mais em voga, mães que abrem as pernas, deixam o "bichinho" escorregar para a luz e o mundo que tome conta daí em diante, a sociedade que cuide de seu rebento.
Uma última observação, mais até um alerta: sou professor e já detesto que digam de mim que sou um "educador", se começarem a me chamar de "tutor", prometo, vou apelar feio.
A seguir, a reportagem:
"Ensinar alunos a organizar o tempo de estudo, a agenda e até a mochila agora faz parte do currículo"
TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Estabelecer os horários em que a criança fará a lição ou ensiná-la a organizar a agenda e a mochila são atribuições dos pais, certo? Nem sempre. Escolas particulares de São Paulo estão criando uma disciplina para ensinar essas tarefas e aumentar o compromisso de crianças e jovens com o estudo.
Em aulas que acontecem uma ou duas vezes por semana, tutores entram na sala para mostrar aos alunos como se organizar e estabelecer horários rígidos para os estudos em casa.
A mudança é estimulada por uma nova concepção de ensino. Antes, ele era mais focado na transmissão de informação e na "decoreba". Hoje, é mais centrado na interdisciplinaridade. "Os alunos precisam saber estabelecer relações [entre os conteúdos]", diz Elaine Marquezini, coordenadora do fundamental 1 do colégio Santo Américo (zona oeste), que criou no ano passado a disciplina "aulas de estudo semanal".
Ana Paula Braga Kienast, 39, mãe de Felipe, 10, aprovou a iniciativa. "A gente não precisa ficar cobrando, porque ele já vem com a matéria estudada."
Como esse novo tipo de aprendizado - exigido em vestibulares e provas como o Enem- é mais complexo, as escolas têm de fazer com que os alunos se dediquem mais.
Por isso, a disciplina, chamada na maioria dos colégios de tutoria, tem adquirido um papel tão importante quanto as aulas de português ou matemática. A ideia é que os pupilos "aprendam a aprender", na definição de Iberê Lopes, um dos tutores da Suíço-Brasileira.
Em geral funciona assim: quando entram no 6º ano (antiga 5ª série) e passam a ter mais professores, matérias e tarefas, os alunos são ensinados a se organizar -anotando a lição de casa na agenda, por exemplo. Conforme vão avançando de série e ganhando maturidade, aprendem as maneiras de estudar (com resumos, esquemas ou fichamentos).
Em alguns colégios, como o Stockler, o aluno tem até uma planilha que define qual disciplina deve ser estudada no dia e por quanto tempo. No Albert Sabin, o tutor é também uma espécie de terapeuta: conversa individualmente com todos os alunos sobre as suas vidas pessoais, tudo para saber a origem de eventuais dificuldades.
Já no I.L. Peretz, os tutores realizam com o aluno autoavaliações. "Vemos com eles quantas vezes o estudo é interrompido pela ida à geladeira", exemplifica Evelina Holender, assessora pedagógica da escola.
Nilson José Machado, chefe do departamento de metodologia do ensino da Faculdade de Educação da USP, considera positiva a introdução da tutoria nas escolas. "Na universidade, a tutoria é um trabalho de orientação. Um aluno da educação básica precisa de mais orientação ainda. Na conversa com os professores se estimula, se cria o interesse [pelo estudo]."
Mas ele não concorda com a transformação desse tipo de orientação em uma disciplina. "Há alunos que precisam estudar duas horas, outros, seis. É importante que a escola respeite essa diversidade."
O pedagogo Ulisses de Araújo, professor da USP-Leste, concorda. "Na educação tudo o que se tenta homogeneizar é um equívoco. Esse conceito [de tutoria] vem do modelo de empresas, quer deixar o aluno organizado, treinado. Para a criança que já tem autonomia, isso pode ser catastrófico."
As escolas dizem que, apesar de a aula ser comum a todos os alunos, aqueles com dificuldades recebem atenção individualizada. No Stockler, por exemplo, a tabela de estudos é definida com cada um dos jovens e seu uso não é obrigatório. "Ela me ajudou bastante. Aprendi a me organizar, e as notas melhoraram", conta Rogério Pereira, 16, aluno do 2º ano do ensino médio.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Free Willy
Uma correção é necessária antes de qualquer coisa : a Orca não é uma baleia, é um golfinho, e muito menos uma baleia assassina, só há um animal na natureza a quem se pode chamar de assassino, o homem. Os outros animais, ditos irracionais pelo primeiro (dito racional por ele próprio), só matam para o sustento e defesa.
Pois bem, uma Orca matou sua querida treinadora no Sea World, Orlando, Flórida, tadinha da treinadora, vítima que confiava e tanto carinho dispensava ao bichinho. Tadinha é o cacete.
A Orca em questão foi capturada em 1983, portanto já amargava 27 anos de cativeiro, qualquer um nessa situação mataria seu carcereiro na primeira oportunidade, ainda que fosse quem lhe trouxesse a comida.
Além disso, alguém acha mesmo que um animal portentoso e magnânimo de 5,5 toneladas se sente mesmo feliz e recompensado em dar umas cambalhotas para a diversão de um bando de humanos?
Alguém pensa mesmo que ser Orca de show aquático é o que todo cetáceo tem por objetivo de vida? Mamãe-orca pergunta ao filhinho-orca, o que você quer ser quando crescer?, e ele responde, ser palhaço no Sea World e, se deus me ajudar, aparecer num filme do Jacques Costeau. Alguém acha mesmo que é isso? O caralho que é!
Prefiro nem imaginar os flagelos e maus-tratos impostos a esse animal em seu condicionamento, o tanto de porrada que ele tomou até aprender a dar sua primeira cabriola.
Pra piorar, olha só o nome que deram ao coitado, Tilikum.
Puta que o pariu! O cara é uma Orca macho, muito macho, que macho suporta um nome de viado desses? Tilikum é tão bicha que parece nome de poodle.
Na minha opinião, esse Orca aguentou tempo demais, foi muito paciente. Eu acho ótimo quando acontece algo do gênero.
Parece que agora foi aberto um inquérito investigativo, Tilikum será acusado de quê? Ingratidão? E se condenado, será sacrificado?
Não duvido.
Enquanto isso, Tilikum, mostre que você não é igual àquele seu primo afrescalhado, o Flipper. Não se acanhe, mate quantos outros puder.
Pois bem, uma Orca matou sua querida treinadora no Sea World, Orlando, Flórida, tadinha da treinadora, vítima que confiava e tanto carinho dispensava ao bichinho. Tadinha é o cacete.
A Orca em questão foi capturada em 1983, portanto já amargava 27 anos de cativeiro, qualquer um nessa situação mataria seu carcereiro na primeira oportunidade, ainda que fosse quem lhe trouxesse a comida.
Além disso, alguém acha mesmo que um animal portentoso e magnânimo de 5,5 toneladas se sente mesmo feliz e recompensado em dar umas cambalhotas para a diversão de um bando de humanos?
Alguém pensa mesmo que ser Orca de show aquático é o que todo cetáceo tem por objetivo de vida? Mamãe-orca pergunta ao filhinho-orca, o que você quer ser quando crescer?, e ele responde, ser palhaço no Sea World e, se deus me ajudar, aparecer num filme do Jacques Costeau. Alguém acha mesmo que é isso? O caralho que é!
Prefiro nem imaginar os flagelos e maus-tratos impostos a esse animal em seu condicionamento, o tanto de porrada que ele tomou até aprender a dar sua primeira cabriola.
Pra piorar, olha só o nome que deram ao coitado, Tilikum.
Puta que o pariu! O cara é uma Orca macho, muito macho, que macho suporta um nome de viado desses? Tilikum é tão bicha que parece nome de poodle.
Na minha opinião, esse Orca aguentou tempo demais, foi muito paciente. Eu acho ótimo quando acontece algo do gênero.
Parece que agora foi aberto um inquérito investigativo, Tilikum será acusado de quê? Ingratidão? E se condenado, será sacrificado?
Não duvido.
Enquanto isso, Tilikum, mostre que você não é igual àquele seu primo afrescalhado, o Flipper. Não se acanhe, mate quantos outros puder.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Uma Pequena Visão Do Vácuo
Acordar e fazer sempre o mesmo: nada;
Pôr-se a prumo e caminhar pelo mesmo: nada;
Fingir-se vivo e trabalhar pelo mesmo: nada;
Colocar-se a dormir na esperança do mesmo: nada;
Ter um sono tão inútil quanto a vigilia,
Uma vida à luz tão inerte quanto em ventre.
Nada. Nada.
E cruzar, pelas ruas,
Pessoas de tão maiores infelicidades...
E tão mais alegres que eu.
Pôr-se a prumo e caminhar pelo mesmo: nada;
Fingir-se vivo e trabalhar pelo mesmo: nada;
Colocar-se a dormir na esperança do mesmo: nada;
Ter um sono tão inútil quanto a vigilia,
Uma vida à luz tão inerte quanto em ventre.
Nada. Nada.
E cruzar, pelas ruas,
Pessoas de tão maiores infelicidades...
E tão mais alegres que eu.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Esse Merece o Nobel Que Ganhou
"Deus da Bíblia é má pessoa", diz José SaramagoPublicidade
da France Presse, em Lisboa
O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, voltou a criticar a Bíblia nesta quarta-feira, reavivando a polêmica levantada por seus comentários por ocasião do lançamento de seu novo livro, "Caim".
O romancista português, conhecido por suas posições de esquerda e seu gosto pela provocação, disse no domingo que a Bíblia é um "manual de maus costumes". Seu mais recente livro conta, com bastante ironia, a história de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel.
Suas declarações irritaram membros da Igreja Católica, que o acusou de ter ofendido os católicos e de fazer uma "operação publicitária".
"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável", declarou Saramago, de 86 anos, nesta quarta-feira.
"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica", ressaltou.
"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências, também sabemos que sim, ódios antigos", disse Saramago, durante uma entrevista coletiva perto de Lisboa.
"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho".
E voltou suas baterias contra a Igreja.
"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese", estimou.
Mas, continuou, "o direito de refletir sobre isso de todos nós", e denunciou "a intolerância das religiões organizadas".
"Às vezes dizem que sou valente. Talvez seja valente porque hoje não há Inquisição. Se houvesse, talvez não teria escrito este livro. Me apóio na liberdade de expressão para poder escrever", ponderou o escritor, que diz estar preparando um novo livro para o ano que vem sobre um tema completamente diferente.
"Espero que não seja tão polêmico. No ando atrás das polêmicas. Tenho convicções e as expresso", concluiu o autor de "Ensaio sobre a Cegueira".
da France Presse, em Lisboa
O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, voltou a criticar a Bíblia nesta quarta-feira, reavivando a polêmica levantada por seus comentários por ocasião do lançamento de seu novo livro, "Caim".
O romancista português, conhecido por suas posições de esquerda e seu gosto pela provocação, disse no domingo que a Bíblia é um "manual de maus costumes". Seu mais recente livro conta, com bastante ironia, a história de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel.
Suas declarações irritaram membros da Igreja Católica, que o acusou de ter ofendido os católicos e de fazer uma "operação publicitária".
"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável", declarou Saramago, de 86 anos, nesta quarta-feira.
"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica", ressaltou.
"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências, também sabemos que sim, ódios antigos", disse Saramago, durante uma entrevista coletiva perto de Lisboa.
"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho".
E voltou suas baterias contra a Igreja.
"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese", estimou.
Mas, continuou, "o direito de refletir sobre isso de todos nós", e denunciou "a intolerância das religiões organizadas".
"Às vezes dizem que sou valente. Talvez seja valente porque hoje não há Inquisição. Se houvesse, talvez não teria escrito este livro. Me apóio na liberdade de expressão para poder escrever", ponderou o escritor, que diz estar preparando um novo livro para o ano que vem sobre um tema completamente diferente.
"Espero que não seja tão polêmico. No ando atrás das polêmicas. Tenho convicções e as expresso", concluiu o autor de "Ensaio sobre a Cegueira".
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Novas Inteligências? Merda Nenhuma !
Hoje em dia, a grossa massa de jovens com idade próxima aos 17 anos sai semianalfabeta das escolas públicas, ao fim do chamado Ensino Médio, o antigo e mais eficaz Colegial.
Entretanto, mesmo iletrados, esses jovens demonstram notável habilidade com computadores, telefones celulares e tecnológicos outros. Alguns teóricos, sem muito o que fazer e nenhuma noção da realidade, chegam a dizer de um novo tipo de inteligência, uma inteligência tecnológica ou coisa que a valha.
Balela, mais uma vez. Conversa pra boi dormir, para dar emprego a peidagogos.
Não há nenhuma nova ou superior inteligência surgindo nesses jovens, antes pelo contrário. Seus raciocínios e capacidades cognitivas são os mesmos que os dos homens pré-históricos, por isso são tão hábeis com suas maquininhas infernais, para cujo manuseio é o bastante uma inteligência básica e primal, quase que somente de instintos, uma inteligência muito mais de atos reflexos que de ponderações.
Explico: a destreza que eles exibem com esses eletrônicos vem do simples fato de que tais artefatos não lhes exigem nenhuma capacidade de leitura da linguagem escrita, a interface entre eles se dá meramente por desenhos, os ícones. Esses jovens não têm novas modalidades de inteligência ou cognição, eles têm as de mesmo tipo do Neanderthal e seus desenhos rupestres, que eram representações do cotidiano esboçadas nas paredes de suas cavernas.
Explico mais: praticamente tudo pode ser feito pelo computador, via internet, sem a necessidade do sujeito pôr o pé à rua, comprar comida, roupas, medicamentos, pagar contas sem precisar ir ao banco, até namorar e trepar. O computador reconduzirá o ser humano à época das cavernas, uma caverna tecnológica, mas uma caverna.
Continuo: a linguagem escrita já vem sendo truncada, mutilada, estuprada pelo usuário-padrão da internet, logo voltaremos a abrir a boca e só emitiremos sons guturais e simiescos, ah, ah! uh, uh! ah, ah! uh, uh!
Tornaremos às cavernas, sim. E as paredes dessa nova caverna (entenda-se aqui como limites, cercas) são as telas dos computadores conectados a outros computadores e a outros...
Ora, o que se espera encontrar nas paredes de cavernas habitadas por humanos? Uma escrita bem regrada e elaborada? Claro que não! Apenas desenhos toscos e mal-acabados, como as pinturas rupestres, como os ícones do Windows. E a habilidade em ler tais desenhos não é uma nova inteligência, é um retrocesso da atual.
Acho que eu, que desenho pessimamente, preciso me matricular urgente numa escola de desenho, para bem me fazer entender futuramente.
Preciso?
Porra nenhuma que preciso!!!
Entretanto, mesmo iletrados, esses jovens demonstram notável habilidade com computadores, telefones celulares e tecnológicos outros. Alguns teóricos, sem muito o que fazer e nenhuma noção da realidade, chegam a dizer de um novo tipo de inteligência, uma inteligência tecnológica ou coisa que a valha.
Balela, mais uma vez. Conversa pra boi dormir, para dar emprego a peidagogos.
Não há nenhuma nova ou superior inteligência surgindo nesses jovens, antes pelo contrário. Seus raciocínios e capacidades cognitivas são os mesmos que os dos homens pré-históricos, por isso são tão hábeis com suas maquininhas infernais, para cujo manuseio é o bastante uma inteligência básica e primal, quase que somente de instintos, uma inteligência muito mais de atos reflexos que de ponderações.
Explico: a destreza que eles exibem com esses eletrônicos vem do simples fato de que tais artefatos não lhes exigem nenhuma capacidade de leitura da linguagem escrita, a interface entre eles se dá meramente por desenhos, os ícones. Esses jovens não têm novas modalidades de inteligência ou cognição, eles têm as de mesmo tipo do Neanderthal e seus desenhos rupestres, que eram representações do cotidiano esboçadas nas paredes de suas cavernas.
Explico mais: praticamente tudo pode ser feito pelo computador, via internet, sem a necessidade do sujeito pôr o pé à rua, comprar comida, roupas, medicamentos, pagar contas sem precisar ir ao banco, até namorar e trepar. O computador reconduzirá o ser humano à época das cavernas, uma caverna tecnológica, mas uma caverna.
Continuo: a linguagem escrita já vem sendo truncada, mutilada, estuprada pelo usuário-padrão da internet, logo voltaremos a abrir a boca e só emitiremos sons guturais e simiescos, ah, ah! uh, uh! ah, ah! uh, uh!
Tornaremos às cavernas, sim. E as paredes dessa nova caverna (entenda-se aqui como limites, cercas) são as telas dos computadores conectados a outros computadores e a outros...
Ora, o que se espera encontrar nas paredes de cavernas habitadas por humanos? Uma escrita bem regrada e elaborada? Claro que não! Apenas desenhos toscos e mal-acabados, como as pinturas rupestres, como os ícones do Windows. E a habilidade em ler tais desenhos não é uma nova inteligência, é um retrocesso da atual.
Acho que eu, que desenho pessimamente, preciso me matricular urgente numa escola de desenho, para bem me fazer entender futuramente.
Preciso?
Porra nenhuma que preciso!!!
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Navalha Na Jugular
A minha não mais procura por você
Será, pra você, apenas pequeno,
Porém passageiro incômodo.
(Nada que uma aspirina não possa resolver);
O meu não mais implorar pela sua volta
Será, pra você, apenas tiro que passa zunindo pelo seu ouvido
(Irá até assustar, mas também não lhe causará mal algum);
As notícias de que já não sinto tanto sua falta
Serão, pra você, um pequeno corte na ponta do dedo
(Incomoda um pouco, mas cicatriza de um dia para o outro);
A minha recusa em falar com você
Será, pra você, azia numa manhã de segunda-feira
(Você tentará ignorar);
A minha não resposta ao seu recado
Será, pra você, alfinetes em seu travesseiro
(chá de erva-cidreira, maracujá, meditação, Valium, Rivotril...);
Mas a minha felicidade longe de você
Será a navalha na sua jugular.
Será, pra você, apenas pequeno,
Porém passageiro incômodo.
(Nada que uma aspirina não possa resolver);
O meu não mais implorar pela sua volta
Será, pra você, apenas tiro que passa zunindo pelo seu ouvido
(Irá até assustar, mas também não lhe causará mal algum);
As notícias de que já não sinto tanto sua falta
Serão, pra você, um pequeno corte na ponta do dedo
(Incomoda um pouco, mas cicatriza de um dia para o outro);
A minha recusa em falar com você
Será, pra você, azia numa manhã de segunda-feira
(Você tentará ignorar);
A minha não resposta ao seu recado
Será, pra você, alfinetes em seu travesseiro
(chá de erva-cidreira, maracujá, meditação, Valium, Rivotril...);
Mas a minha felicidade longe de você
Será a navalha na sua jugular.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Cachacinha Benta
Mais uma vez, a religião a serviço dos vícios.
As imagens dos santos são vestidas de roxo no início da quaresma, não faço a menor ideia do simbolismo por trás disso e tampouco me interessa.
Acontece que no distrito histórico de Morro Vermelho, em Caeté, a 60 km de Belo Horizonte, a imagem de Nosso Senhor dos Passos é purificada num ritual antes de ser coberta de roxo.
É um ritual que data de 200 anos e é realizado a portas fechadas por uma seleta confraria de oito homens, o restante da população, mulheres e crianças, aguardam o fim do ritual do lado de fora da igreja.
O cristo de Caeté é lavado da cabeça aos pés com pinga, isso mesmo, a tradicional cachaça brasileira. A cachaça vai escorrendo e banhando a imagem, e é recolhida numa gamela colocada aos pés da estátua, são utilizados de três a quatro litros no processo, que dura cerca de uma hora.
Findo o ritual, cada um dos homens bebe uma generosa talagada da cachaça benta e o restante é disponibilizado para a população, que a recolhe em pequenos frascos para uso terapêutico, para passar nas juntas, curar reumatismo, lombalgia, passar em feridas, curar dor de cabeça e até broxidão. Dizem que funciona, só que é preciso ter "muita fé".
E ao coitado do Cristo não é oferecido nenhum golinho.
Folclore? Cultura regional? Tradição?
Pura ignorância, mesmo.
As imagens dos santos são vestidas de roxo no início da quaresma, não faço a menor ideia do simbolismo por trás disso e tampouco me interessa.
Acontece que no distrito histórico de Morro Vermelho, em Caeté, a 60 km de Belo Horizonte, a imagem de Nosso Senhor dos Passos é purificada num ritual antes de ser coberta de roxo.
É um ritual que data de 200 anos e é realizado a portas fechadas por uma seleta confraria de oito homens, o restante da população, mulheres e crianças, aguardam o fim do ritual do lado de fora da igreja.
O cristo de Caeté é lavado da cabeça aos pés com pinga, isso mesmo, a tradicional cachaça brasileira. A cachaça vai escorrendo e banhando a imagem, e é recolhida numa gamela colocada aos pés da estátua, são utilizados de três a quatro litros no processo, que dura cerca de uma hora.
Findo o ritual, cada um dos homens bebe uma generosa talagada da cachaça benta e o restante é disponibilizado para a população, que a recolhe em pequenos frascos para uso terapêutico, para passar nas juntas, curar reumatismo, lombalgia, passar em feridas, curar dor de cabeça e até broxidão. Dizem que funciona, só que é preciso ter "muita fé".
E ao coitado do Cristo não é oferecido nenhum golinho.
Folclore? Cultura regional? Tradição?
Pura ignorância, mesmo.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Saudades de Christopher Reeve
Vi o mais recente filme sobre o Superman, "O Retorno". O Azul não era bem um azul,
Era um azul-musgo, se musgos azuis houvesse,
O Vermelho, mais marrom, sangue começado a coagular,
E o amarelo, brônzeo, o das fotos envelhecidas.
São apenas tons diferentes, me disseram, nada de mais.
Ai é que está!!!
O Superman não tem tons, nuances.
O Superman não tem dúvidas ou titubeações,
O Superman é primário, raso, contumaz.
E primárias devem ser as cores por ele envergadas
E os sentimentos que demonstra.
Não gostei do filme!!!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
A Mesma Máscara Negra
Não gosto de Carnaval, nunca gostei e nem nutro a ilusão de que os antigos fossem bons, puros, ingênuos ou mais decentes, nada disso, não tenho saudades do que não vivi. Mas sei das músicas dos carnavais antigos - ah, sim, as músicas -, essas eram belíssimas.
Dentre uma miríade delas, e que ainda me comove por vezes, está a clássica "Máscara Negra", de Zé Keti (lembrei-me agora, e também, de "Vila Esperança", do Adoniran, mas essa fica pra outro dia).
Há aspectos tocantes e de singular brandura na letra da canção.
A surpresa nada surpresa do Pierrot frente ao reencontro com Colombina, seu espanto comedido, mais feito de gentileza que de sobressalto, ante aquela coincidência presumida. Entendam por coincidência presumida que o casal nada fez em planejar tal encontro, mas sabiam da inevitabilidade de estarem ali, naquele momento, naquelas exatas circunstâncias.
Belo também é o saber tácito e mútuo, e sem dramalhões posteriores às cinzas, acerca da brevidade - e mesmo da especificidade - de sua relação. Eles sabem que ela muito bem existe ali e só ali pode muito bem existir. Não ousam, não têm intenção, urgência ou mesmo vontade em ampliá-la para os outros dias do ano, são inteligentíssimos emocionalmente em aceitá-la como um doce hiato, um respiradouro, uma bolha iridescente de tempo. Por isso é uma relação sem desgaste, por isso já atravessa alguns séculos, e a música de Zé Keti pelo menos dois, por isso voltarão sempre a se encontrar, mesmo que em outros carnavais, mesmo que sejam outros por sob a fantasia.
E há, óbvio, o aspecto da Máscara Negra, as Luas de Veneza, o furtivo, Casanova a escalar janelas, o salão escuro, o anonimato, o ninguém por detrás da máscara, a não-necessidade de despir e vivissecçar o outro, bem como a não-necessidade de que os outros saibam deles. Dessa elegante discrição, tenho saudades, sim.
Os foliões contemporâneos querem notoriedade, holofotes, querem ser celebridades, os salões escuros recendendo a lança-perfume e as máscaras de mesmos matizes foram esmagados pelos sambódromos com luzes de mercúrio, pelas capas de revistas, orkuts, facebooks e twitters da vida.
Mas podem ainda ser vistos, Pierrot e Colombina. Sei disso porque os vejo de vez em quando, há de se olhar, no entanto, com zeloso reparo e dolência. Já consegui divisá-los fugazmente nas madrugadas umbrosas, nas esquinas de breu, nas escadarias enfumaçadas e fedendo a cigarro de bares enfumaçados fedendo a cigarro e até, em algumas ocasiões, os flagrei em sua dança de serpentinas dentro de mim.
Pierrot e Colombina ainda sobrevivem por ai. Aos frangalhos, mas sobrevivem. Na música do Zé Keti e em meus fevereiros existenciais.
Há aspectos tocantes e de singular brandura na letra da canção.
A surpresa nada surpresa do Pierrot frente ao reencontro com Colombina, seu espanto comedido, mais feito de gentileza que de sobressalto, ante aquela coincidência presumida. Entendam por coincidência presumida que o casal nada fez em planejar tal encontro, mas sabiam da inevitabilidade de estarem ali, naquele momento, naquelas exatas circunstâncias.
Belo também é o saber tácito e mútuo, e sem dramalhões posteriores às cinzas, acerca da brevidade - e mesmo da especificidade - de sua relação. Eles sabem que ela muito bem existe ali e só ali pode muito bem existir. Não ousam, não têm intenção, urgência ou mesmo vontade em ampliá-la para os outros dias do ano, são inteligentíssimos emocionalmente em aceitá-la como um doce hiato, um respiradouro, uma bolha iridescente de tempo. Por isso é uma relação sem desgaste, por isso já atravessa alguns séculos, e a música de Zé Keti pelo menos dois, por isso voltarão sempre a se encontrar, mesmo que em outros carnavais, mesmo que sejam outros por sob a fantasia.
E há, óbvio, o aspecto da Máscara Negra, as Luas de Veneza, o furtivo, Casanova a escalar janelas, o salão escuro, o anonimato, o ninguém por detrás da máscara, a não-necessidade de despir e vivissecçar o outro, bem como a não-necessidade de que os outros saibam deles. Dessa elegante discrição, tenho saudades, sim.
Os foliões contemporâneos querem notoriedade, holofotes, querem ser celebridades, os salões escuros recendendo a lança-perfume e as máscaras de mesmos matizes foram esmagados pelos sambódromos com luzes de mercúrio, pelas capas de revistas, orkuts, facebooks e twitters da vida.
Mas podem ainda ser vistos, Pierrot e Colombina. Sei disso porque os vejo de vez em quando, há de se olhar, no entanto, com zeloso reparo e dolência. Já consegui divisá-los fugazmente nas madrugadas umbrosas, nas esquinas de breu, nas escadarias enfumaçadas e fedendo a cigarro de bares enfumaçados fedendo a cigarro e até, em algumas ocasiões, os flagrei em sua dança de serpentinas dentro de mim.
Pierrot e Colombina ainda sobrevivem por ai. Aos frangalhos, mas sobrevivem. Na música do Zé Keti e em meus fevereiros existenciais.
Abaixo, a letra:
Máscara Negra
Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Os Carnavais do Bandeira
Dois poemas do livro "Carnaval", de Manuel Bandeira, de 1919.
Poema de Uma Quarta-Feira de Cinzas
Entre a turba grosseira e fútil
Um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feita de sonho e desgraça...
O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,
Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e desgraça...
---------------------------------------------------------------------
Epílogo
Eu quis um dia, como Schumann, compor
Um carnaval todo subjetivo:
Um carnaval em que o só motivo
Fosse o meu próprio ser interior...
Quando o acabei - a diferença que havia!
O de Schumann é um poema cheio de amor,
E de frescura, e de mocidade...
O meu tinha a morta mortacor
Da senilidade e da amargura...
– O meu carnaval sem nenhuma alegria!
Poema de Uma Quarta-Feira de Cinzas
Entre a turba grosseira e fútil

Um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feita de sonho e desgraça...
O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,
Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e desgraça...
---------------------------------------------------------------------
Epílogo
Eu quis um dia, como Schumann, compor
Um carnaval todo subjetivo:
Um carnaval em que o só motivo
Fosse o meu próprio ser interior...
Quando o acabei - a diferença que havia!
O de Schumann é um poema cheio de amor,
E de frescura, e de mocidade...
O meu tinha a morta mortacor
Da senilidade e da amargura...
– O meu carnaval sem nenhuma alegria!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
No Reino Das Bundas Moles
Em todos os elementos da natureza, seja bicho, planta, fungo, bactéria e mesmo matéria inanimada, existe uma nítida e lógica correlação entre forma e função.
Nenhum orgão seu tem o desenho que tem à toa, a forma atual deles é produto de milhões e milhões de anos de seleção, de um burilar constante, incansável e preciso que o conduziu à forma que lhe conferisse a maior eficiência possível em sua função.
Essa correlação forma-função não é verificada apenas no macroscópico, ela se estende também ao nível celular, uma hemácia sua (glóbulo vermelho) tem em sua forma de um disco bicôncavo a eficiência ótima para ela fazer o que faz, transporte dos gases respiratórios, e não existe - nem existirá - um engenheiro projetista que seja capaz de melhorá-la, o mesmo sendo verdade para os demais tipos celulares. Essa correspondência se alonga ainda ao nível molecular, as proteínas, por exemplo, apresentam conformação tridimensional que lhes confere sua utilidade, seja ela um anticorpo, uma enzima ou um hormônio, se tomarmos uma proteína e desfizermos essa sua configuração, ela perde a função, desnatura-se.
O ser humano com sua imensa arrogância, não maior apenas que sua burrice, julga-se um elemento à parte da natureza, e pior: acima dela, não submetido às suas leis.
Ledo engano. Pode até parecer, mas a natureza dá o seu jeitinho.
A vinculação forma-função é inexorável, e se manifesta no homem e suas profissões, algumas são evidentes como é o caso dos atletas, modelos, atrizes e biscates em geral, mas outras são mais sutis, horrendamente sutis.
Sou professor e, hoje em dia, escola é um local onde pouco se trabalha, quanto mais se ascende na hierarquia, mais indolente é o sujeito. Os que ainda trabalham são os funcionários da limpeza, da secretaria e alguns professores, daí pra frente há o bloco carnavalesco dos "encostados", a saber: coordenadores, vice-diretores, diretores, supervisores e etc, essa turma é denominada em seu conjunto como Equipe Gestora.
Deveria ser Equipe Digestora, vista a quantidade de comida que engolem, mesmo em horário de serviço, e é dessa turma um dos casos mais horrendos de forma-função.
Óbvio que comendo feito uma nuvem de gafanhotos e ficando sentados em seus gabinetes sem nada fazer, a obesidade passa a ser regra, mas não é só isso, a grande adaptação dessa subespécie humana é a bunda.
Todas elas tem uma enorme bunda, gigante, de proporções paquidérmicas, gritantemente desproporcional ao restante do corpo, ainda que esse também seja imenso.
É a característica física ideal para a função, bunda grande, permite que elas fiquem sentadas por horas e horas a fio, sem cansar ou doer o bundão. Eu, por exemplo, com meu pouco estofamento, não estou apto a ocupar uma função de gestor, quinze minutos numa cadeira e minha bunda já dói.
Há casos mais extremos, até mórbidos do ponto de vista clínico, em que o Estado deveria acrescer ao salário desses gestores um auxílio-limpador-de-bunda, a exemplo dos lutadores de sumô que possuem serviçais com a função única de lhes limpar o cu que seus próprios braços não alcançam ou, no mínimo, financiar aos digníssimos a compra de um daqueles aparelhos de limpeza que esguicham água em alta pressão, o famoso WAP.
É o reino dos bundões moles.
Pãããããta que o pariu!!!!!!!!!!!
Nenhum orgão seu tem o desenho que tem à toa, a forma atual deles é produto de milhões e milhões de anos de seleção, de um burilar constante, incansável e preciso que o conduziu à forma que lhe conferisse a maior eficiência possível em sua função.
Essa correlação forma-função não é verificada apenas no macroscópico, ela se estende também ao nível celular, uma hemácia sua (glóbulo vermelho) tem em sua forma de um disco bicôncavo a eficiência ótima para ela fazer o que faz, transporte dos gases respiratórios, e não existe - nem existirá - um engenheiro projetista que seja capaz de melhorá-la, o mesmo sendo verdade para os demais tipos celulares. Essa correspondência se alonga ainda ao nível molecular, as proteínas, por exemplo, apresentam conformação tridimensional que lhes confere sua utilidade, seja ela um anticorpo, uma enzima ou um hormônio, se tomarmos uma proteína e desfizermos essa sua configuração, ela perde a função, desnatura-se.
O ser humano com sua imensa arrogância, não maior apenas que sua burrice, julga-se um elemento à parte da natureza, e pior: acima dela, não submetido às suas leis.
Ledo engano. Pode até parecer, mas a natureza dá o seu jeitinho.
A vinculação forma-função é inexorável, e se manifesta no homem e suas profissões, algumas são evidentes como é o caso dos atletas, modelos, atrizes e biscates em geral, mas outras são mais sutis, horrendamente sutis.
Sou professor e, hoje em dia, escola é um local onde pouco se trabalha, quanto mais se ascende na hierarquia, mais indolente é o sujeito. Os que ainda trabalham são os funcionários da limpeza, da secretaria e alguns professores, daí pra frente há o bloco carnavalesco dos "encostados", a saber: coordenadores, vice-diretores, diretores, supervisores e etc, essa turma é denominada em seu conjunto como Equipe Gestora.
Deveria ser Equipe Digestora, vista a quantidade de comida que engolem, mesmo em horário de serviço, e é dessa turma um dos casos mais horrendos de forma-função.
Óbvio que comendo feito uma nuvem de gafanhotos e ficando sentados em seus gabinetes sem nada fazer, a obesidade passa a ser regra, mas não é só isso, a grande adaptação dessa subespécie humana é a bunda.
Todas elas tem uma enorme bunda, gigante, de proporções paquidérmicas, gritantemente desproporcional ao restante do corpo, ainda que esse também seja imenso.
É a característica física ideal para a função, bunda grande, permite que elas fiquem sentadas por horas e horas a fio, sem cansar ou doer o bundão. Eu, por exemplo, com meu pouco estofamento, não estou apto a ocupar uma função de gestor, quinze minutos numa cadeira e minha bunda já dói.
Há casos mais extremos, até mórbidos do ponto de vista clínico, em que o Estado deveria acrescer ao salário desses gestores um auxílio-limpador-de-bunda, a exemplo dos lutadores de sumô que possuem serviçais com a função única de lhes limpar o cu que seus próprios braços não alcançam ou, no mínimo, financiar aos digníssimos a compra de um daqueles aparelhos de limpeza que esguicham água em alta pressão, o famoso WAP.
É o reino dos bundões moles.
Pãããããta que o pariu!!!!!!!!!!!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Martínis e Resinas Fósseis
Os lábios envolvem macia, com vagar e umidamente a borda delgada da taça cônica prolongada em haste fina de seu martíni, seu sexto martíni, e Nívea Névoa sente o cheiro de perfume do gim e o salgado da azeitona imersa.
O sexto martíni é perigoso, leva-a a pensar sobre a desolação de sua vida, a ambicionar um amor. Lembra-se, num átimo, já ter tal amor desde muito, amor dos grandes, dos intermináveis, dos que não cedem espaço ou brecha a outro ou outros.
Nívea Névoa tem, sim, um amor; ele só não está disponível por ora, por enquanto, por quando.Todavia, desvinculado desse amor indissociável, o sexo lhe é possível e prazeroso, plenamente possível. E ela terá sexo, hoje, em pouco.
Tão-logo o casal que a observa do outro lado do bar, e já ensaia movimentos em sua direção, a abordar e lhe oferecer solicitamente um novo martíni, o sétimo, que irá abrasar e lubrificar suas entranhas, o seu corpo.
E porá em um bloco fóssil de âmbar - a isolar e salvaguardá- la -, a sua alma.
O sexto martíni é perigoso, leva-a a pensar sobre a desolação de sua vida, a ambicionar um amor. Lembra-se, num átimo, já ter tal amor desde muito, amor dos grandes, dos intermináveis, dos que não cedem espaço ou brecha a outro ou outros.
Nívea Névoa tem, sim, um amor; ele só não está disponível por ora, por enquanto, por quando.Todavia, desvinculado desse amor indissociável, o sexo lhe é possível e prazeroso, plenamente possível. E ela terá sexo, hoje, em pouco.
Tão-logo o casal que a observa do outro lado do bar, e já ensaia movimentos em sua direção, a abordar e lhe oferecer solicitamente um novo martíni, o sétimo, que irá abrasar e lubrificar suas entranhas, o seu corpo.
E porá em um bloco fóssil de âmbar - a isolar e salvaguardá- la -, a sua alma.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Prefiro o Bandeira, mas...
Gosto, porém, não me arranca faíscas a poesia de Carlos Drummond de Andrade, prefiro imensamente o Manuel Bandeira, no entanto talvez pela vontade que me deu de beber com um amigo, aí vai o convite de Drummond, quem sabe feito ao Bandeira.
CONVITE TRISTE
Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.
Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira,
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.
Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber, apenas.
Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.
Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros seqüestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Cubos Imperfeitos
Essa faca em tua mão
- cujo fio faz tua salada, teu bife,
Põe manteiga no teu pão
E que agora quadricula o queijo
Que contraporá o amargo da tua cerveja -,
Já pensaste em pô-la ao peito?
Senti-la atravessando teus poucos centímetros de carne,
Tocando-te o osso abaixo e,
Com um pouco mais de força,
Rompê-lo, também,
Beijando-te o coração?
Ato simples, rápido, irreversível.
Muito mais fácil e indolor que continuares
A te arrastar por ai, pelas ruas,
Pelas pessoas, pelos teus empregos.
A morte é fácil e simples demais,
A vida é que é foda!
Desconfiamos do fácil,
A morte - dadas as suas vantagens -
Nos parece um conto do vigário:
Nosso medo da morte
É o medo de passarmos por otários.
É isso!
Só pode ser isso!
É o nosso medo do ridículo
Que mantém a lâmina afastada do nosso peito.
Bebe, então, a tua cerveja
E dê graças ao teu provolone em cubos imperfeitos.
- cujo fio faz tua salada, teu bife,
Põe manteiga no teu pão
E que agora quadricula o queijo
Que contraporá o amargo da tua cerveja -,
Já pensaste em pô-la ao peito?
Senti-la atravessando teus poucos centímetros de carne,
Tocando-te o osso abaixo e,
Com um pouco mais de força,
Rompê-lo, também,
Beijando-te o coração?
Ato simples, rápido, irreversível.
Muito mais fácil e indolor que continuares
A te arrastar por ai, pelas ruas,
Pelas pessoas, pelos teus empregos.
A morte é fácil e simples demais,
A vida é que é foda!
Desconfiamos do fácil,
A morte - dadas as suas vantagens -
Nos parece um conto do vigário:
Nosso medo da morte
É o medo de passarmos por otários.
É isso!
Só pode ser isso!
É o nosso medo do ridículo
Que mantém a lâmina afastada do nosso peito.
Bebe, então, a tua cerveja
E dê graças ao teu provolone em cubos imperfeitos.
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