terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O (Nada) Admirável Mundo Novo

Em o Admirável Mundo Novo, seu autor, Aldous Huxley, retrata uma sociedade altamente tecnológica. E completamente imbecilizada. Em 1984, George Orwell, mostra um Estado britânico absolutista e totalitário que impõe seu domínio pelo terror e repressão. O mundo de Huxley é igualmente absolutista e totalitário, mas nele as pessoas não se apercebem disso, o controle é exercido pelo entretenimento e o prazer. Muito mais sábios, os ditadores de Huxley.
Por mais difícil que seja se libertar de um Estado opressor, sempre existirão pessoas tentando, querendo. E quem quer se livrar de um Estado onde a ordem é diversão e prazer? No mundo de Huxley, as atividades individuais (ficar um tempo sozinho, lendo, falando com seus botões) não são incentivadas, e seus "praticantes" são vistos com desconfiança. 
Há um departamento do governo especializado em criar atividades coletivas de recreação, tudo deve ser feito em bando. Tudo é festa no mundo de Huxley, tudo é oba-oba. Huxley inventou (ou anteviu, como todo bom profeta) o "ficar", tão em moda entre os adolescentes de hoje, e também entre uns adultos anacrônicos e idiotas. Alguém que saísse por duas ou três vezes consecutivas com a mesma pessoa, já era visto com maus olhos.
Há castas no mundo de Huxley (como em todos os mundos), e cada  uma delas é condicionada a pensar que cumpre sua função, ensinada a valorizar seu cotidiano (por pior que ele seja), a não querer nada que não tenha, é adestrada para pensar que é tão importante e imprescindível ser um delta (uma espécie de um favelado analfabeto) quanto um alfa (a casta dominante).
E se tudo falhasse - se alguém, em algum momento dessa agitação toda, dessa proposital falta de tempo imposta às pessoas, ainda arrumasse um tempinho para respirar sozinho, pensar um pouco, e fosse tomado por dúvidas e inquietações -, havia o SOMA. 
O soma era a droga perfeita, o sujeito tomava e todas suas inquietações e angústias se esvaíam. Os governantes bem sabem que é da superação das dificuldades que vem o crescimento do sujeito, é aguentar e digerir a porrada que vai fazer dele um homem. Drogue-o e tire dele a dor. E o amadurecimento. E, em alguns casos, a genialidade. Veja trecho abaixo:
“O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice, não tem esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se acaso alguma coisa andar mal, há o soma”. 
Segundo definição do presidente lá deles, o soma tem "todas as vantagens do Cristianismo e do álcool; nenhum dos seus inconvenientes".  Uma droga que não traz a ressaca nem a culpa cristã. Alguém consegue imaginar maior primor? 
Esse rápido e incompletíssimo (quase leviano) apanhado que fiz do livro, escrito em 1932, lembra a alguém de algum outro "mundo"? De alguma outra época?
Hoje, todas as frustações são proibidas. A tristeza é vista como chatice e mau-humor; o senso crítico, como rabugice. Ficar triste e puto da vida não são doenças, ainda mais num mundo como o atual. Antes pelo contrário, são sinais de plena saúde mental. O adolescente fica triste, a mãe não quer nem conversa, dá-lhe psicólogo, psiquiatra e tarja preta. Aí, a mãe também se frusta por não dar conta do filho; tarja preta pra ela também.
Todo crescimento é acompanhado de mudanças, e mudanças nos deixam inquietos e apreensivos, é normal. É normal que soframos com essas inquietações e aprendamos a contorná-las. É o que antigamente costumávamos chamar de amadurecimento. 
Hoje, o corpo continua a crescer e a mente é poupada das angústias que isso traz; é "poupada" também do aprendizado. Resultado : gerações cada vez mais frouxas, incapazes de digerir qualquer porrada ou contratempo (o que, na minha época, chamávamos de o grandão e bobão). Ideais para qualquer governante deitar e rolar.
Tudo isso porque li, agora, que uma nova droga está prestes a ser lançada no mercado, no mercado legal, o mercado médico e farmacêutico : o hormônio oxitocina. Conhecida como o "hormônio do amor", a oxitocina é um neurotransmissor que dá sensação de prazer a certas áreas cerebrais. Ela está relacionada ao prazer feminino e também é liberada em grandes quantidades na hora do parto e da amamentação.
Segundo estudo da Universidade de Concordia University, no Canadá, a inalação, via spray, desse hormônio pode ajudar uma pessoa tímida a se sentir mais extrovertida. Ele torna as pessoas mais abertas, sociáveis e melhora a autopercepção quando se está na companhia de outras pessoas, altera a forma como os sinais sociais no entorno externo são processados, codificados e interpretados. 
Ou seja, dá uma dopada no sujeito e faz com que ele veja o mundo e a si mesmo de outra forma, fica mais confiante, mais certo de suas qualidades (muitas vezes, inexistentes); o cara é um zé mané, a oxitocina faz ele pensar que é o Brad Pitt e "cura" sua timidez e outras "fobias sociais". E o que é melhor (olha o soma aí), até agora não foram constatados efeitos colaterais nos grupos submetidos ao estudo.
Os resultados estão sendo comemorados como um avanço da medicina psiquiátrica.
Sim, um avanço. Mais um avanço rumo à extinção da têmpera humana que nos trouxe das cavernas até aqui. Mais um avanço rumo ao fim da macheza e da paudurescência. Um avanço rumo à extinção.
Fonte : Zero Hora

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Johnnie Walker X João Andante

O imperialismo britânico continua!
A holding (sei lá que porra é isso) inglesa Diageo, detentora da marca do uísque Johnnie Wlaker no Brasil, abriu processo administrativo no INPI contra a cachaça mineira João Andante (na minha opinião, João Andarilho ficaria melhor).
A marca Johnnie Walker está avaliada em US$ 3,5 bilhões. A cachaça João Andante tinha uma produção mensal de meras duzentas garrafas, elevada para mil com a publicidade gerada pelo processo inglês.
A holding inglesa alega que, apesar de existirem algumas diferenças entre as figuras nos rótulos, João Andante é a tradução literal de Johhnie Walker e evidencia a intenção de criar uma "versão local" da marca. Os mineiros se defendem dizendo que o Walker do uísque nada tem a ver com andar ou caminhar, é o sobrenome do lorde. E a mineirada tá certa. 
O personagem Fantasma - o espírito que anda, aquele do anel de caveira, símbolo do imperialismo britânico na Índia - é um nobre inglês que ficou preso numa ilha após um ataque de piratas que provocou o naufrágio de seu barco, e ali estabeleceu sua base de combate ao crime marítimo, sua bat-caverna. E claro, fez-se soberano sobre uma tribo local de pigmeus. Mr. Walker era o nome que ele assumia quando tinha que ir ao continente.
O uísque traz aquela figura planetariamente conhecida, um empertigado e pedante lorde inglês, de chapéu coco, bengala, fraque, botas equestres, e aquele andar com as costas curvadas para frente e a bunda empinada; de onde adveio o termo lordose aplicado à similar patologia de desvio de coluna.
O João Andante parece o Dom Quixote. É a figura de um velho matuto, chapéu de palha, costas meio encurvadas, capinzinho no canto da boca, botas gastas e a clássica trouxinha carregada ao ombro na ponta de um cajado. Além disso, eles andam em diferentes direções. Enquanto o inglês está indo, o mineirim, mais esperto, já está voltando.
É muita filha-da-putice dos ingleses. Se bem que isso de "traduzir" marcas pode ser muito perigoso, e me lembra uma história contada por Juca Chaves, na década de 1970, quando de sua estada em Portugal para uma temporada de apresentações. Conta-nos, o menestrel, que os portugueses tinham a mania de a tudo traduzir, inclusive os patrocinadores da fórmula 1. Goodyear era ano bom; Firestone, fogo na pedra; e Pall Mall, o caralho maldito.
E é isso.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pastor Faz Abaixo-Assinado Contra O Gordo

Um pastorzinho de merda, desses que andam por aí, um tal Renê de Araújo Terra Nova, do Ministério Internacional da Renovação, criou um abaixo-assinado na internet em que exige a retratação de Jô Soares, Moraes Moreira e Tom Zé por uma piada feita com a bíblia. A "heresia" teria acontecido no programa do gordo de 17 de novembro de 2011.
Um dos entrevistados - provavelmente Moraes Moreira - revelou que os integrantes do grupo Os Novos Baianos faziam cigarros de maconha com páginas da bíblia, enrolavam o fininho nas folhas santas. Diante do quê, Jô Soares teria comentado que a bíblia realmente tem mil e uma utilidades.
Foi o que bastou para revoltar o pastorzinho de merda, e aproveito para pedir desculpas pela redundância, todo pastorzinho é um merda.
E qual o problema? Eu mesmo, em 1992 ou 1993, hospedado certa vez num desses hoteizinhos baratos, fui acometido por uma daquelas caganeiras das boas durante a madrugada, e descobri-me num banheiro sem papel higiênico. Não havia o que fazer. Hotel barato não tem telefone no quarto para ligar para a recepção. E ainda que tivesse, eu deixaria um rastro de bosta pelo caminho entre o banheiro e o telefone.
Foram-me providenciais algumas sacras páginas daquelas bíblias de Gideão, aquelas de capa azul, que todo pardieiro tem em seu criado-mudo. E que eu havia levado comigo para dar uma lidinha durante o cagote, sem palavras cruzadas que eu estava. Nem lembro qual foi o santo apóstolo que me valeu. Ora, a biblia não socorre os aflitos? Poucas pessoas são mais aflitas que um sujeito todo embosteado.
O pastor embasa seu pedido de retratação alegando que "A Bíblia é o Livro Sagrado da Nação Brasileira", e que assinar o abaixo-assinado é "um ato que deve ser compartilhado por todos os que temem a Deus e zelam pela Sua Palavra". Livro Sagrado de quem, pastor cara-pálida? Meu é que não. 
Ofensa seria se alguém que considera a bíblia como sagrada, fumasse maconha em suas páginas, ou limpasse o cu como eu fiz. Para quem não a considera, ela é só mais um livro. Escrito e impresso por homens. Impresso aos milhões por dia, saídos de uma gráfica como qualquer outro produto consumido pelas pessoas, em nada diferente de copos descartáveis para café, por exemplo.
Quer dizer que não pode fazer piada com a bíblia? Que ofende? Então vejamos :
 - A igreja católica, na Idade Média, vendia indulgências, qualquer crime ou pecado era passível de perdão, desde que adequadamente pago aos cofres do clero. E cada delito tinha um preço, havia uma tabela de indulgências. Crimes de furto, roubo ou incêndio, a exemplos, custavam 133 libras e 7 soldos ao sujeito; se deflorasse uma virgem, um sacerdote ficava 2 libras e 8 soldos mais pobre, e a lista de canalhices se estendia, e era longa.
- A igreja católica, ainda, foi pródiga na venda das relíquias sagradas. Os idiotas dos fiéis compravam os pregos com os quais Cristo foi crucificado, o ovo da pomba do espírito santo, o pó que constituiu Adão, lascas da Arca de Noé, e até o prepúcio do menino Jesus. Não sei como nenhum padre da época pensou em vender o hímen de Maria, leiloar o cabacinho da virgem.
- Hoje, as evangélicas superam as católicas em muito com sua criatividade. Pastores andam por entre seus fiéis com aquelas máquinas de débito de cartões eletrônicos; alguns permitem que o fiel programe seu dízimo em débito automático; há os drives-thru da oração, guaritas que ficam ao lado dos templos e pelas quais os fiéis sem tempo para entrar na igreja passam com seus carros e recebem uma benção expressa do pastor; há as poderosas meias consagradas do Pastor Valdomiro Santiago (só R$ 153,00 o par); e o meu preferido, o spray Mata-Capeta, criação insuperável do pastor Silas Malafaia, o sujeito dá uma borrifadinha com o spray e tudo quanto é capeta sai do corpo dele (R$ 100,00 a lata, que garante ter conteúdo para expulsar o capeta de até vinte pessoas).
Duvidam? Fucem pela internet e confirmem.
Isso é fazer piada com a bíblia e o sagrado. Esses caras são os verdadeiros humoristas. Perto deles, Jô Soares é café pequeno. Eles fazem mais do que simplesmente humor com a bíblia. Eles escarnecem da cara do estúpido que frequenta suas igrejas. Fazem muito pior.
Esse pastorzinho, um ilustre merda desconhecido, está querendo se promover (e à sua igreja) às custas de pessoas verdadeiramente talentosas. Tom Zé, um gênio.

Renas Do Papai Noel (VI)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Jesus Cristo, O Filho Do Boto

A lenda do boto amazônico é uma das mais conhecidas de nosso  rico e (injustamente) desprezado folclore. Resumindo, conta-se que o boto, em noites de lua cheia e quando está a acontecer festas nas comunidades ribeirinhas, emerge das águas na forma de um belo homem, muito bem trajado com seu impecável terno branco e sempre usando um chapéu, que lhe cobriria o orifício que os botos têm na cabeça, única parte dele que não sofre total transmutação.
O safado, muito bom de papo e dança, acaba por seduzir a mais bela donzela da aldeia, leva-a para as águas rasas de um banco de areia, passa-lhe a vara e a abandona grávida. Na Amazônia, a paternidade de filho de pai desconhecido é atribuída ao boto. Está cheio de filho de boto por lá, e as criancinhas carregam essa pecha pelo resto da vida, fulano é filho do boto.
Do jeito que as coisas andam chatas no mundo de hoje, devem até existir ONGs de defesa aos filhos do boto, contra preconceito, discriminação e bullying. Os filhos do boto sofrem uma zombaria das mais injustas. Afinal de contas, um deles é idolatrado e tem seu nascimento festejado em todo o mundo ocidental : Jesus Cristo.
Jesus Cristo também é filho do boto.
Reza o mito que Maria fora entregue com 12 anos de idade a José, um viúvo e  já um ancião para os padrões da época. José não só vivera A.C. como também A.V. (antes do viagra), portanto é bem plausível que Maria nunca tenha sido tocada por ele como mulher. Outros, mais românticos, dizem que, dada a diferença de idade, José tinha por ela um amor filial, que a teria tomado em sua guarda como quem adota um filho.
Mas o tempo passou. Maria, já com 16 anos, idade em que a vontade é maior que qualquer caráter, ouviu um sussuro à sua janela, José estava fora, um trabalho em outra cidade. Era uma voz que lhe elogiava a beleza e doçura. Voz que se revelou um anjo, quando perguntado de sua identidade. Um anjo que trazia um segredo do Senhor para Maria, e para sabê-lo, bastaria ela abrir-lhe a porta. Maria abriu e o anjo entrou com tudo. Nessa noite, Jesus foi concebido.
José retorna à casa e encontra Maria embuchada, que se saiu belamente bem com a história do Anjo da Anunciação. Anjo lazarento que não deixou uma única penugem de sua asa para Maria corroborar seu relato. Muita confiança na boa-fé do corno José.
O Anjo da Anunciação é o Boto de Deus! É o Carlos Alberto Riccelli do Senhor!
Muitas vezes,  já imaginei a surpresa e o dilema de José.  Acreditar, ou não, nesse 171 da Maria sobre o Anjo da Anunciação? Tornar-se, ou não, o santo padroeiro dos cornos? Mas nunca tinha imaginado, admito, a reação de Maria ao saber da indesejada e ilícita gravidez.
Uma Igreja, pasmem, imaginou por mim e afixou cartazes em seus quadros de aviso que estão dando o que falar. Os cartazes pregados na Igreja de São Mateus, na Nova Zelândia, mostram uma Maria segurando um teste de gravidez com um resultado rosa-positivo, uma Maria assustada, perplexa.
A igreja justifica dizendo que a ideia é “evitar o sentimento e a banalidade” e “provocar uma faísca de pensamento e conversa”. "O Natal é real. É sobre uma gravidez real, um mãe de verdade e uma criança. É sobre ansiedade, coragem e esperança verdadeiras", disse o vigário Glynn Cardy, da igreja de Auckland. Ele explica que a gravidez inesperada de Maria teria sido chocante. Afinal, ela era pobre, solteira e jovem. “Ela, certamente, não foi a primeira mulher nessa situação e nem a última”, contextualiza o vigário.
Mas é isso mesmo! Nada é real. Tudo é mito. Tudo é lenda. E todo sincretismo deve ser tolerado e bem-vindo.
Festejemos o Natal e a avelã nossa de cada dia. Festejemos o Papai Noel da Coca-Cola. E Jesus Cristo, o Filho do Boto.
Abaixo, o boto :

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rascunhos De Um Ateu

Há um blog, o Rascunhos De Um Pagão, cujas páginas visito regularmente e nas quais aprendi fatos curiosos e interessantes da cultura pagã. Simpatizo muito com seu autor, Beto Quintas, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente. Passa-me a impressão de ser um daqueles caras cheios de histórias, com quem eu seria capaz de passar horas bebendo e conversando.
Em um de seus mais recentes posts, porém, cometeu um pequeno deslize, inadvertido com certeza. Ele toma três experiências pessoais de, digamos, quase-morte como ponto de partida e segue daí com suas considerações e pareceres sobre um possível além-vida.
Num dado momento, ele diz que "os ateus tem uma vantagem prática, eles simplesmente aceitam o fato, sem especular com o além". Não é verdade. Nada mais equivocado. Especulamos, sim. Não nos preocupamos, o que é muito diferente.
É um erro achar que o ateu não acredita em nada, que nega a tudo. Acreditamos, possivelmente, na maioria das coisas que a maioria acredita. Só não acreditamos em deus. Apenas rejeitamos o conceito do deus feito em figura, antropomorfizado, ou zooantropomorfizado (egípcios e alguns indianos).
Não negamos - os ateus sérios e pensantes -, de forma alguma, a existência de forças inimaginavelmente superiores a nós e às quais estamos à mercê. Porém são as forças investigadas sobretudo pela Física, nada de sobrenatural. Elas são inúmeras, e seu conjunto é que rege e mantém nosso Universo em funcionamento. Seria burrice negá-las. Somos só ateus, não burros.
Somente rejeitamos a humanização de cada uma dessas forças na figura de um deus (nas culturas politeístas), ou, pior, na figura de um único deus  que as congregue (nas monoteístas). Não obstante, toda mitologia, unicamente como um exercício da imaginação humana, também nos interessa.
Em relação à morte e a um pós-vida, não somos muito diferentes. Também especulamos sobre a possibilidade de outros planos de existência, mas sem nenhum misticismo - a Teoria das Cordas, da Física, prevê, se não me engano, onze dimensões.
O que é a vida? O que faz que um ser seja vivo? Estruturalmente falando, não há nenhuma diferença entre um corpo morto agora e vivo há cinco minutos. A diferença é que a energia que o animava se foi, parou de ser gerada, ou coisa que o valha. Se querem chamar a essa energia de alma, espírito, anima etc, pouco me importa.
O fato é que sabemos, de novo pela Santa Física, que a energia não pode ser criada nem destruída, mas, camaleoa errante, pula de sítio para sítio travestida em suas mais diferentes formas. 
Óbvio que essa energia que nos move não se extingue quando desocupa nosso corpo. Agora, se ela mantém algum tipo de consciência do que um dia "foi", se ela vai para níveis mais superiores, ou inferiores, de energia, se ela vai reencarnar futuramente em outro corpo, já é outra história. São outras histórias.
O ateu também acredita na "eternidade" dessa energia. Também cogitamos sobre seus possíveis destinos. Só não nos preocupamos com o céu e o inferno; se há uma continuidade, ou não, da vida, nos é indiferente. E se nos é indiferente, poderiam perguntar alguns, porque especular sobre? Simples : porque é legal cogitar, pensar. E salutar.
Aos que se interessam pelas mitologias de outras culturas, há bons textos no Rascunhos de um Pagão. E aos cada vez mais raros admiradores do belo sexo (que é o feminino, quero deixar bem claro), há também, do mesmo autor, o blog Paganismo e Tattoo, um deleite para os olhos. Pagãos, cristãos ou ateus.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Renas Do Papai Noel (V)

João Pereira Coutinho - Homofobia Não é Crime

Coluna publicada na Folha de São Paulo, 13/12/2011

"É um erro comum: alguém escreve sobre o julgamento de Oscar Wilde em 1895 e o apresenta como o momento infame em que a sociedade vitoriana resolveu reprimir "o amor que não ousa dizer seu nome".
Admito que essa versão faça as delícias das patrulhas, para quem Wilde virou mártir, ou santo. Mas, ironicamente, a perdição de Wilde não começou com a intolerância da sociedade vitoriana.
Começou quando o próprio decidiu limpar o seu nome das acusações "homofóbicas" do marquês de Queensberry, pai do seu amante Lord Alfred "Bosie" Douglas.
Se Wilde tivesse ignorado um mero cartão pessoal do marquês, onde este tratava o escritor por "sodomita", jamais teria ido parar na prisão de Reading Gaol.
Mas Wilde, em gesto inusitado para seu temperamento irônico, não gostou que se dirigissem a ele como homossexual. Partiu para a Justiça, processando o marquês.
Foi no decurso do julgamento que o jogo virou e Wilde, de alegada vítima, passou a réu. Sobretudo quando a defesa do marquês resolveu arrolar como testemunhas alguns rapazes que tinham sido, digamos, íntimos de Wilde.
A Justiça não gostou e condenou o escritor. Não porque ele era homossexual, entenda-se -a "buggery", mais do que um desporto, era até uma forma de iniciação entre "gentlemen" nos colégios de Eton ou na Universidade Oxford. Mas porque agitara as águas de forma demasiado ruidosa numa sociedade que gostava de manter os seus vícios em privado.
Hoje, a condenação de Wilde pode parecer-nos de uma hipocrisia sem limites. Não nego. Mas existe uma outra moral na história: valerá a pena criminalizar a homofobia, como Wilde tentou fazer ignorando os conselhos dos seus amigos próximos, quando se despertam no processo outros abusos inesperados?
Marta Suplicy entende que sim e, em artigo nesta Folha, defende lei para criminalizar o "delito".
Infelizmente, a sra. Suplicy confunde tudo na discussão do seu projeto: homofobia; crime homofóbico e medicalização da homossexualidade. Como diria um contemporâneo de Wilde, Jack, o Estripador, vamos por partes.
Começando pelo fim, ninguém de bom senso defende que a homossexualidade é uma doença mental. Não é preciso consultar a Organização Mundial da Saúde para o efeito. Basta olhar para a história da espécie humana -e, mais ainda, para a diversidade do mundo natural- para concluir que, se a homossexualidade é loucura, então boa parte da criação deveria estar no manicômio.
De igual forma, ninguém de bom senso negará que persistem crimes medonhos contra homossexuais, seja no Brasil ou na Europa, porque os agressores, normalmente homossexuais reprimidos, não gostam de se ver no espelho.
O problema está em saber distinguir o momento em que uma aversão se converte em crime público. Porque a mera aversão não constitui, por si só, um crime.
Por mais que isso ofenda o espírito civilizado de Marta Suplicy, é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso.
Vou mais longe: no vasto mundo da estupidez humana, é perfeitamente legítimo não gostar de brancos; de negros; de asiáticos; de portugueses; de brasileiros; de judeus; de cristãos; de muçulmanos; de ateus; de gordos ou de magros. A diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto entende que o mundo não tem necessariamente de gostar dele.
O que não é legítimo é transformar uma aversão em instrumento de discriminação ou violência. Não porque isso seja um crime homofóbico. Mas porque isso é simplesmente um crime.
E os crimes não têm sexo, nem cor, nem religião. Se Suplicy olhar para a estátua da Justiça, entenderá que os olhos da figura estão vendados por uma boa razão.
Pretender criminalizar a homofobia porque não se gosta de ideias homofóbicas é querer limpar o lixo que há na cabeça dos seres humanos. Essa ambição é compreensível em regimes autoritários, que faziam da lavagem cerebral um método de uniformização. Não deveria ser levado a sério por um Estado democrático.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Legalização Da Pedofilia

Psicólogos e psiquiatras são duas das grandes pragas da humanidade, duas "profissões" a serem extirpadas juntamente com os pedagogos, sociólogos, assistentes sociais e outros. Mas os psicólogos e psiquiatras são os piores, são eles, sob o manto de uma falsa ciência, que formulam as teorias que os outros (pedagogos etc) irão usar, são eles que fornecem a munição travestida de ciência.
O cara só mexe com louco. Logo, daí a pouco, tudo pra ele passa a ser normal, e ele vai criar um absurdo qualquer para provar a normalidade da aberração. Como possui o título de doutor, o mundo faz reverência para as suas sandices.
Reproduzirei abaixo uma matéria publicada no blog Sociedade Planeta Ateu, traduzida do francês état du monde état d'être, que trata de uma conferência de psicólogos e psiquiatras realizada em Baltimore (USA) em agosto desse ano.
Nessa conferência, os chamados profissionais da saúde mental apresentaram a pedofilia como um comportamento "normativo" e legítimo. Segundo eles, os pedófilos teriam um amor sincero pelas crianças, como o amor que heterossexuais e homossexuais adultos têm entre si.
Esse "argumento" é muito parecido com o usado para tirar o homossexualismo do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (MDEDM) em 1973. Pouco mais de três décadas depois, o homossexualismo é exaltado como algo lindo e maravilhoso, até uma conquista social. Daqui a 10, 15 anos (as coisas andam mais rápidas hoje em dia), será a pedofilia a ser legalizada. 
Já têm alguns anos que percebi a iminência disso. Já conversamos muito sobre o assunto, eu e mais um colega de trabalho. Só não imaginamos que as incursões para normalizar a pedofilia seriam tão rápidas.
Você que, hoje em dia, aplaude as conquistas homossexuais, leva seus filhos para verem parada gay etc, não vai poder reclamar quando, daqui a alguns anos, um tarado filho da puta comer o cu do seu filho ou filha. Vai ter que ficar quietinho, sabendo que contribuiu em muito para isso. Abaixo o texto:

"Uma conferência realizada em Baltimore, em 17 de Agosto deste ano, pela APA - American Psychological Association, considerou o comportamento pedófilo como algo politicamente correto. Psiquiatras e profissionais de saúde mental, representando instituições como Harvard e Johns Hopkins, buscaram apresentar a pedofilia com uma exposição simpatizante e favorável.
Argumentos:
Os palestrantes falaram para os 50 participantes presentes sobre temas que variavam desde a noção de que pedófilos são “injustamente estigmatizados e demonizados” pela sociedade até a ideia de que “as crianças não são inerentemente incapazes de dar consentimento” para fazer sexo com um adulto.
Na discussão também houve argumentos de que o desejo de um adulto de ter sexo com crianças é “normativo” e que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (MDEDM) ignora o fato de que os pedófilos “têm sentimentos de amor e romance por crianças” do mesmo jeito que adultos heterossexuais e homossexuais têm sentimentos românticos uns pelos outros.
Ué? Não foram os mesmo argumentos usado para desclassificar o homossexualismo das MDEDM em 1973? É, irmãos... como o grande e imortal irmão ateu, Friedrich Engels, sugeria numa carta (de 22 de Juhnho de 1869) enviada ao camarada, igualmente ateu, grande e imortal, Karl Marx, parece que há mesmo alguma associação entre "uranianismo" (homossexualismo) e pederastia. Não estranhe se daqui a pouco a pedofilia virar algo legalizado e estimulado como é hoje o homossexualismo.
Eles sabem que para possuir o futuro, precisam possuir a mente das crianças. Daí, grupos como B4U-ACT, a Gay, Lesbian and Straight Education Network, a Planned Parenthood e organizações semelhantes, utilizam as instituições acadêmicas, desde as pré-escolas até as faculdades de pós-graduação, para fazer lavagem cerebral e doutrinar. Qualquer semelhança com o Kit Gay daqui do Brasil, não é mera coincidência.
Depois de considerar a pedofilia algo "natural", dizer que "é de nascença", que "está no gene", a pessoa não tem culpa porque é uma "predestinação" e blá, blá, blá, lutarão por impedir as pesquisas científicas que apontam tal comportamento como doença. Tal qual fizeram com o homossexualismo que como consequência da desclassificação do MDEDM, o debate sobre o homossexualismo e os muitos danos documentados associados ao comportamento homossexual foi censurado. Em suma, estão querendo dizer a mesma coisa que disseram com relação ao homossexualismo: “pedofilia é uma orientação sexual”.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pondo A Capa De Molho

Às vezes, é de bom tom
- e augúrio -
Pôr a máscara a desinfetar.
Lavar o disfarce,
Pô-lo a secar, quarar e engomá-lo,
Dar-lhe ares de pele ressurrecta.

Nesse interím,
Sentar com uma boa caneca de cerveja na mão
E esperar,
E torcer.
Torcer para suportar o incômodo de minha própria nudez
E a repulsa ao meu rosto totalmente iluminado.

Greve de Cu Pelo PLC 122

A coisa pegou fogo de novo. A bicharada em polvorosa, revoltadíssima, o tobete piscando à velocidade máxima. Os evangélicos inflamados, cheios de suas certezas religiosas. 
A bicharada levantando cartazes pela aprovação do plc 122 (um deles dizia que a cada 36 horas um gay é assassinado. Só gays são assassinados nesse país? Vários não gays são assassinados nesse mesmo período de 36 horas. Não é um problema de preconceito, é de segurança nacional); os evangélicos com adesivos pretos de "Não ao plc 122" grudados na boca à guisa de mordaça. Que é o que o plc 122 (o AI-5 gay), na prática, vai fazer, amordaçar toda uma sociedade predominantemente heterossexual. 
Ninguém tem o direito de agredir ninguém, isso é ponto pacífico. Mas tem o direito de discordar, de divergir. E é isso que a bicharada está tentando proibir. Eles que se dizem pela aceitação da diversidade sexual, estão querendo proibir a do pensamento.
O plc 122, se aprovado, tomara que não, não será um escudo para os viadinhos indefesos, será uma metralhadora nas mãos deles . E bicha como metralhadora na mão, já viu, né? Fica louquíssima. O mesmo já aconteceu com o Estatuto da Criança e do Adolescente : hoje, eles mandam nas escolas e em suas casas. Estatutos especiais são perigosíssimos.
Usando os ânimos exaltados como pretexto, Marta Suplicy pediu um adiamento da votação, e a data foi transferida. Ela pediu o adiamento porque percebeu a fragorosa derrota que o plc 122 sofreria caso fosse votado ontem. Marta bem que tentou enganar os evangélicos com aquela conversa pra boi dormir de permitir pregação anti-gay nos templos e igrejas. Felizmente, eles não se deixaram enganar.
Os gays terão que tomar atitudes mais drásticas e radicais se quiserem fazer passar o plc 122. Sugiro que eles sigam o exemplo dos presos políticos, ativistas ambientais, e outros idiotas, que se utilizam da greve de fome como forma de protesto.
A greve gay, porém, deverá abstê-los do que lhes é mais caro. Sugiro que os gays façam uma greve de cu pela aprovação do plc 122. Tranquem o brioco. Só liberem o bufante depois da votação favorável. E deixem o cu lá, piscando e implorando. Deixem o jilozinho ficar desnutrido, quase morrer de inanição.
Afinal, o que mais os gays querem? Se o cara for competente, ele é absorvido prontamente pelo mercado de trabalho (em algumas profissões, é até lhes dada a preferência ), eles já podem se casar legalmente. O que mais? Se é igualdade jurídica o que eles querem, eles já a têm. Querem pôr na cadeia quem os agride? Ora, isso eu também quero, disso, todos deveriam ter  o direito assegurado.
Vai ver que eles querem um reconhecimento público no Diário Oficial da União, receber um diploma de cidadãos especiais, ganhar uma medalha por sentarem na brachola. Querem ser laureados com a comenda da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul porque são hábeis em escorregar no quiabo.
Basicamente, os gays alegam a necessidade de uma proteção especial da lei por se considerarem um grupo em situação de vulnerabilidade. Vulneráveis?
Que me desculpem os mais sensíveis, mas não consigo ver como vulnerável e fragilzinho um cara que aguenta um tarugo de 20 cm no rabo. E sorrindo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Renas Do Papai Noel (III)

Essa perdeu o trenó para o Pólo Norte, tadinha...

Profissão : Bundão

Somos átomos e moléculas. Extremamente complexos, intrincados, evoluídos, e com mania de grandeza. Mas ainda átomos e moléculas.
A capacidade mais notável dos átomos, ao meu ver, é sua habilidade de se combinarem em moléculas cujas forma e estrutura são a mais justa medida à função que irá desempenhar. Cada molécula tem sua especificidade, que é dela e ninguém tasca.
Um dos exemplos mais bonitos disso são os anticorpos, proteínas que combatem os antígenos, agentes estranhos aos organismos : não há anticorpo capaz de combater dois ou mais tipos de antígenos, nem antígeno que possa ser debelado por dois ou mais tipos de anticorpos.
Vivemos num universo fractal, o que vale para o microcosmo se faz conduta obrigatória também para o macrocosmo. Assim como cada molécula têm sua especificidade, cada organismo é único em sua individualidade, compostos de moléculas que são.
Os seres vivos não podem se furtar em obedecer às leis que regem os átomos - nem mesmo o ser humano, o aglomerado de moléculas mais metido a besta que há -, e inúmeros são os exemplos de forma-função. Peixes que se assemelham a algas para serem vítimas mais difíceis e melhores algozes, outros, os abissais, com seus corpos gelatinosos para sobreviver a profundidades cujas pressões esmigalhariam o mais duro dos ossos, insetos que imitam gravetos, flores com pétalas manchadas de forma a parecerem fêmeas de insetos e atrair os machos para que tentem copular com elas, carregando assim o seu pólen, pássaros de mesma espécie e com os bicos diferentes conforme o alimento disponível etc etc.
Isso não acontece com o ser humano, dizem os desatentos, desinformados e seguros de seu "diferencial superior" em relação à natureza que os rodeiam. Idiotas.
Ainda que em menor grau, o fenômeno forma-função se dá entre humanos. Não são apenas nossas habilidades intelectuais a se ajustarem ao nosso ofício, também nossas características físicas. 
O exemplo mais gritante disso é a variante da espécie humana conhecida como Homo Bundus. Tal adaptação ocorre mais comumente em pessoas ligadas à área burocrática e atinge seu ápice evolutivo se for ainda vinculada ao serviço público.
São aqueles espécimes que passam o dia todo sentados e comendo, exigindo um grande esforço de seus glúteos. Em seu socorro, o organismo começa a reforçar o bundão, começa a acolchoá-lo para que melhor suporte o suplício. São aqueles espécimes de bundas elefantinas, visivelmente desproporcionais ao restante de seu corpo - igualmente não pequeno. E quanto mais alta a função ocupada na hierarquia, maior o tempo sentado sem fazer nada e maior o bundão. É uma espécie de calo, acho que podemos considerar o bundão até como uma modalidade de LER, uma lesão por esforço repetitivo.
Desgraçadamente, sempre observei o fato e, para mim, isso já eram favas contadas. Trabalho no serviço público. Dirigentes, supervisores, diretores, coordenadores e que tais, apresentam esse exato e invariável biótipo. A mim, nunca restaram dúvidas sobre essa adaptação lamarckiana.
Ontem, li uma notícia que só veio a confirmar o que eu já sabia. Aliás, como sempre. De uns tempos para cá, a ciência não consegue deixar de não me surpreender.
Uma recente pesquisa da Universidade de Tel Aviv (Israel) "descobriu" que ficar muitas horas sentado faz a bunda crescer. Segundo eles, a explicação é simples : "o sujeito sentado por longo período aumenta em 50% os depósitos de gordura na região glútea. Em prolongado tempo sem atividade física, as células pré-adiposas tendem mais facilmente a se transformar em células de gordura. Elas migrariam pelo corpo, através dos músculos, e ficariam depositadas nos glúteos."
E não adianta aposentar e achar que vai voltar a ter bundinha. Uma vez instaladas, as células adiposas não mais arredam pé dali. É uma herança laborial. Só para constar, o trabalho  foi publicado na revista "American Journal of Physiology - Cell Physiology".
A inexorável forma-função se impõe, sim, aos seres humanos.
Eu sempre soube !!!
É por essas e por outras que todo cuidado é pouco na hora de escolher o urologista que irá perscrutar nossa indefesa próstata.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Francês Desbatizado

René Lebouvier, um aposentado francês de 71 anos, indignado com as canalhices da Igreja Católica, recorreu à Justiça para ter seu nome retirado dos livros do Vaticano.
Alguns fatos que o levaram à sua decisão foram o pronunciamento da Igreja contra o uso de preservativos em 2009, por ocasião da visita do nazistão Bento XVI à África, e o caso da menina brasileira de 9 anos que, por correr risco de morte, abortou um filho de seu padrasto : a Igreja excomungou a menina, assim como os médicos que realizaram o procedimento. O padrasto, com certeza, foi chamado para compor o corpo clerical de alguma paróquia e deve estar comendo um cu de padre a uma hora dessa.
A luta do francês é antiga. Ele começou o processo em 2001, inicialmente apresentando seu pedido aos padres de sua pequena cidade. Foi informado pelos filhos das putas que isso era impossível, o máximo que conseguiu foi uma observação nos registros de batismo da paróquia, um adendo dizendo "renegou ao batismo" ao lado de seu nome. 
Mas depois do caso da menina de 9 anos do Recife, Lebouvier resolveu entrar na Justiça para a total deleção de seu nome dos registros católicos. E ganhou. O Tribunal de Coutances justificou, com base no “direito ao respeito da vida privada”, sua determinação para a diocese da região que retire em “definitivo dos registros de batismo a menção a René Lebouvier”. Se em 30 dias o nome dele não for encoberto “com tinta preta indelével”, a diocese pagará multa diária de cerca de R$ 34.
Tem um bispo filho da puta lá que irá recorrer da decisão. Afirma que mesmo que seja obrigado a cumprir a ordem judicial, é impossível desfazer o batismo, seria como negar o nascimento do indivíduo. É o caralho. É a mesma coisa que se desfiliar de um clube, partido político ou sindicato.
Um tal teólogo Jesus Hortal afirma que, para a Igreja,  ordenação, matrimônio, crisma e batismo são sacramentos para a vida toda. Além disso, há o entendimento de que, como o batismo é um fato público, ocultá-lo seria o equivalente a destruir documentos históricos”
Claro que esse canalha só podia se sair com essa. Um teólogo chamado Jesus, porra, é óbvio que vai advogar em causa própria.
Fiquei um pouco surpreso com a notícia, achei que fosse plenamente possível desfazer o batismo. Inclusive já postei um modelo de carta de desbatizado que circula pela net aqui no blog.
Penso em, futuramente, seguir o exemplo do francês. Conseguir na Justiça o direito de borrar os seculares livros do Vaticano e ter meu nome coberto de tinta preta. E torcer para a Igreja recorrer e não cumprir a ordem. Trinta e quatro reais diários de multa totalizam mais de mil reais no fim do mês. Seria um excelente acréscimo na renda.
E eu seria, se não o único, um dos raros casos de pessoas que tiram dinheiro dos cofres sagrados, e não que os abarrotam com seus salários e ignorância.
Fonte : O Dia Online
Em tempo : sobre o caso da menina excomungada, leiam o fantástico cordel do poeta Miguezim da Princesa, A excomunhão da vítima.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Renas Do Papai Noel (I)

Odeio Rodeio

Rita Lee não é das minhas cantoras/compositoras prediletas. Nunca foi. Tenho-lhe um grande respeito histórico e certa reverência por sua boa obra antes de se juntar a Roberto de Carvalho, isso lá pelos fins da década de 1970. Destaque para o antológico Fruto Proibido (1975), pelo gravadora Som Livre, que conta com clássicos como Agora Só Falta Você, Esse Tal de Roque Enrow, e a belíssima Ovelha Negra
Vai daí que um dia desses, vasculhando desses sites de compartilhamento, baixei o cd Rita Lee - Duetos, de 2010. Gosto de duetos. Baixei, gravei num CD com mais outros álbuns, deixei na gaveta e pus hoje para escutar. A terceira faixa me surpreendeu. Logo de cara, uma voz que não reconheci a nenhum custo saiu disparando que odeia rodeio e que até sente um certo nojo quando um sertanejo começa a cantar. Puta que o pariu, exclamei.
Corri em busca de descobrir o dono da voz, cheguei a pensar que a música fosse composição da Rita, depois de décadas de marasmo. Não era. O autor é Chico César, aquele que tem um coqueiro nascendo do cocoruto pelado .  Sei dele a tal da Mama África, e mais umas duas ou três gravadas pela Bethânia; recentemente conheci dele a bela O Barco, gravada por Zeca Baleiro. O que chegou dele até os meus ouvidos, via rádios, nunca me apeteceu a procurar por mais. 
Agora, o cara manda essa. Se sai com essa coragem e ousadia. Vomita o que boa parte dos músicos de verdade pensam e não se metem a falar, talvez por medo de represália da indústria fonográfica e da pesada máfia do rodeio, que envolve multinacionais e políticos; alguns, até o próprio Zeca Baleiro, de quem muito gosto e citei aqui, já teve sua canção Lenha gravada por uma dessas excrescências sertanejas. Não sei de que ano é a composição, mas para mim ela é de hoje. Vou procurar pela net coletâneas de Chico César, prestar-lhe mais atenção. É o minímo, por sua valentia.
O disco de Rita ainda traz duetos com os Titãs, Arrigo Barnabé, as delicinhas musicais Pitty e  Fernanda Takai, Banda das Velhas Virgens, Caetano Veloso, e até o Rei Roberto Carlos.

Odeio Rodeio
(Chico César)
 Odeio rodeio
 E sinto um certo nojo 
Quando um sertanejo
Começa a tocar
 Eu sei que é preconceito 
Mas ninguém é perfeito
 Me deixem desabafar [bis]

A calça apertada
 A loura suada 
Aquele poeirão 
A dupla cantando 
E um louco gritando 
Segura peão
[Refrão]

Me tira a calma 
Me fere a alma 
Me corta o coração
 Se é luxo ou é lixo 
Quem sabe é o bicho 
Que sofre o esporão
[Refrão]  

É bom pro mercado
 De disco e de gado
 Laranja e trator 
Mas quem corta a cana
 Não pega na grana 
Não vê nem a cor
Respeito Barretos 
Franca, Rio Preto 
E todo interior 
Mas não sou texano 
A ninguém engano 
Não me engane amor
[Refrão] 

Para ver o vídeo e ouvir a música é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

Padres Não Serão Mais Apalpados Nos Presídios

Padres, pastores e outros religiosos que prestam assistência "espiritual" a detentos não poderão mais ser revistados nas cadeias e penitenciárias.
Primeiro que eu nem sabia de mais essa palhaçada. O cara tá lá preso : matou, estuprou, vendeu droga, invadiu domicílio de gente honesta, e ainda pode receber visita de padre? Para quê? Só se for pra comer a bunda do sacerdote. Deve ter muito padreco voluntário para ouvir a confissão do Ditão Pé-de-Mesa.
O cara dá uma "migué", diz que encontrou Jesus, que se converteu, e recebe a visita do pastor, com aquela bíblia fedendo a sovaco, para lhe abençoar; pastor esse que, muitas vezes, também é um marginal "regenerado". Na hora do aperto, bandido e puta velha viram tudo religiosos. A religião é a aposentadoria do malandro.
Visita íntima, visita religiosa...a que outras visitas o safado tem mais direito? O cara está preso. Não é só sua liberdade de locomoção que deve ser cerceada. Deveriam ser todas suas liberdades. O cara está trancafiado porque feriu gravemente a sociedade e continua tendo direitos de cidadania. Só pode ser brincadeira. 
A prisão deveria anular totalmente o sujeito. Torná-lo um nada. Privá-lo de todos os direitos possíveis e imagináveis. A prisão teria que ser um modelo aperfeiçoado do Inferno. Para o vagabundo não querer nunca mais nem passar por perto. O único direito do preso deveria ser trabalhar pesado de sol a sol. Quebrando pedra e com o pau de guatambu cantando no lombo caso reclamasse.
Agora, o padre e o pastor vão entrar na cadeia sem levar nenhuma apalpada. Telefones celulares e drogas entrarão livremente dentro de bíblias, por sob as batinas e nos bolsos internos dos paletós de brechó dos pastores.
Aquela mãe, senhora já idosa, gente de bem, que teve o azar de ter um filho safado, é obrigada a passar pelo constrangimento de uma revista, e passa, resignada, porque enfim mãe é mãe. Os Cafetões de Cristo, esse outro pilantra,  não?
Tem que revistar padre e pastor, sim. Revistar tudo. Enfiar-lhes o dedo no cu. Que essa raça bem o merece.
E tem mais : a mesma resolução que exime a padraida de ser revistada, também autoriza a flexibilização de regras de vestimenta, alimentação e higiene pessoal (barba e cabelo) para os presos. Se bem entendi, significa que os presos não mais serão obrigados a usar os uniformes que os caracterizam como tais, poderão escolher o modelito com o qual aparecerão no Jornal Nacional do quando de suas rebeliões. Não serão mais obrigados a comer a comida padronizada da cadeia e não mais terão suas barbas e cabelos raspados.
Em breve, não duvidem, receberão visitas de estilistas, nutricionistas e cabelereiros. Que, por estarem prestando um "serviço social", também adentrarão os pavilhões sem serem revistados.
Se não revistam para entrar, deveriam revistar para sair. Para ver se não tem padre levando presidiário embaixo da batina, engatado em seu rabo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

AMENIDADES

Incorporei 5 doses (das boas) de vodka (da não tão boa assim),
Secretei 5 poemas (dos melhores)...
E nada acontece.
Nem exalta nem desmerece.
 
Digeri 6 latas de cerveja (da mais barata)
Expeli 6 páginas (das mais ingratas)
De um conto para sempre inacabado...
E nada acontece.
Nem escalda nem arrefece.
 
É...
Meus vícios já não me servem de nada,
Não me tornaram grande como o pretenso.
Conversemos, pois, amenidades.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Menina Das Duas Tranças

Menina das Duas Tranças
(Vinícius de Moraes/Toquinho)
Menina das duas tranças
Deixe o meu filhinho em paz
Que ele ainda é muito criança
Pras coisas que você faz

Baixa o seu olhar escuro
Cubra esse peitinho em flor
Que ele ainda não está maduro
Prá essa escuridão de amor

Vá se embora, te esconjuro,
Deixe o filho meu
Basta neste negro mundo
O que o pai sofreu

Menina das duas tranças
Deixe o meu paizinho em paz
Que ele não é mais criança
Pras coisas que você faz

Pare de deitar quebranto,
Chega dessa mostração
Que meu pai já sofreu tanto
Só viveu desilusão

Vá se embora, te esconjuro,
Deixe em paz meu pai
Mais que o seu olhar escuro,
É pra onde ele vai.

Síndrome de Asperger

Sou funcionário público. E concluo, depois de anos enfronhado no Sistema, que é o lugar mais próximo do ideal para mim. Sim, Sistema escrito com inicial maiúscula, da mesma forma que a maioria grafa deus. Para o funcionário público, o Sistema é o Onipresente Vigilante e Punidor.
O funcionalismo público é mão e luva para pessoas ou muito talentosas e geniais - alheias ao mundano e acima das relações sociais comezinhas -, pois nele têm tempo de dar tratos à bola paralelamente ao fácil e pouco serviço, ou para pessoas totalmente desprovidas de talento ou adjetivos - rasas a ponto de não se ajustarem aos mais simples rituaizinhos da vida -, pois nele são imbuídas de um cargo, um título, que lhes concede importância ilusória.
Não sei qual é o meu caso. E, sinceramente, procuro não vasculhar muito pela resposta. Basta-me a indagação. Respostas são chatas. Às vezes, demolidoras e decepcionantes.
Há uma terceira possibilidade. E gosto mais dessa. O Serviço Público faz as vezes daqueles antigos sanatórios para tuberculosos, ou dos leprosários. Só que é um remanso para os portadores da Síndrome de Asperger (SA), que recentemente descobri ter.
Basicamente, o Asperger tem horror, verdadeira aversão a qualquer quebra de sua rotina, considera uma mudança como uma invasão de seu mundo. Muitos classificam a SA como uma forma moderada de autismo, de encasulamento, onde não há prejuízo no desenvolvimento intelectual e da linguagem; alguns Aspergers, não raro, tornam-se professores universitários (querem melhor redoma que o ambiente restrito de uma universidade?)
Os portadores de SA, segundo a literatura médica, embora não tenham prejuízo intelectual, apresentam prejuízos de interatividade social, prejuízos na convivência com outras pessoas. Prejuízo? Que prejuízo eu posso sofrer por estar trancado em casa ao invés de pulando e berrando feito um idiota no meio de uma turba num show de sertanejo universitário? Nós, Aspergers, somos normais. Problemas, têm os outros.
O portador de SA, diferente do autismo clássico, não tem dificuldade alguma de se comunicar e interagir com o mundo. Só não gosta. 
Os portadores de SA, ainda continuando a lista de sintomas, desenvolvem padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, cuja denominação, dada pela execrável psicologia, é Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Mais uma vez, cago pra esses merdas do psico-qualquer-coisa. Obsessivo para eles, bando de liberaizinhos de merda, queimadores de rosca. Para mim, padrões repetitivos de comportamento atendem por outros nomes : disciplina e método.
Os portadores da SA não têm prejuízo nenhum, em nada. Se eles não gostam da convivência em bando, qual o prejuízo em evitá-la? Se gostam da rotina, qual o prejuízo em preservá-la? Aliás, não entendo o porquê da rotina ser considerada indesejável. Para que roupas novas quando as antigas ainda estão usáveis, carro novo quando o velho ainda anda, cores novas nas paredes da casa quando a pintura velha ainda está intacta, móveis novos se os cupins ainda  não comeram os antigos? Tanto esforço dispendido na mudança para que se consiga o que já se tem, roupas, carros, móveis e paredes pintadas. E depois, nós, Aspergers, é quem somos os doentes? Preferimos gastar nossas energias em conluio e regozijo com nós mesmos.
Não sei se as pessoas dizem a verdade quando afirmam não gostar da rotina, ou se mentem com a intenção de parecer dinâmicas, jovens, modernas e descoladas; babacas, enfim. Em qualquer dos casos - ainda mais se forem adultas -, só revelam a incapacidade de amadurecimento que têm, a falta de uma personalidade solidamente estabelecida. Só o indeciso (o incapaz de decisão) pode ansiar tanto por mudanças. E depois, nós, Aspergers, é quem somos os doentes?
Eu verifico tudo antes de sair de casa, várias vezes, luzes acesas, ventiladores ligados, torneiras pingando, válvula do gás, porta da geladeira, janelas, ferro de passar roupa fora da tomada, se há água e ração suficientes para as gatinhas, e, muitas e muitas vezes, se tranquei adequadamente as portas. Eu não tenho TOC porra nenhuma, eu simplesmente não gosto de sair de casa. E ponto. Por isso, torno minha saída tão trabalhosa. Saio só para o básico e necessário. Levar o filho à escola e ao médico e ir ao supermercado, que comida e cerveja ao homem não podem faltar.
Qual o mal em gostar de sua caverna e se bastar como fonte da solução (ou não) de seus próprios problemas? Pura inveja dos que não se bastam. Daí, darem-nos a pecha de anormais. Pura aleivosia.
Por isso, achei-me no Serviço Público. Nele, a rotina é regra e é respeitada. Nele, chegamos todos os dias e temos a certeza do que vamos encontrar. Se bom ou ruim, é mero detalhe. O fundamental é a sua confortável constância. Não há surpresas, sobressaltos ou sustos. Eu nunca gostei nem de montanha-russa.
Vejam que escrita mais Asperger:

"Parece que recebo mais felicidade entre quatro paredes do que no meio das pessoas. Para mim, nunca foi difícil ficar sozinho. Sempre foi melhor. Era algo natural. Sou como esses animais que cavam buracos, é meu instinto. Quando estou só, recarrego a bateria, construo. Já fui deprimido, suicida, mas nunca fui um solitário. Ser só siginifica que outra pessoa pode resolver seus problemas. Eu precisava era de mim mesmo."

Quem? Charles Bukowski, o bom, velho e sujo Buk. Só podia ser.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bom De Bola, Ruim Da "Bola"

Nossa cabeça contém a mais sensível de nossas estruturas corporais, e a mais importante. Não é à toa que nosso cérebro se encontra encerrado numa dura caixa óssea, o crânio, e é revestido por três membranas, as meninges.
Qualquer lesão ocasionada por doença ou impacto tem caráter irreversível, suas células, os neurônios, não possuem, a exemplo de outras de nosso corpo, poder de regeneração. Uma vez perdido um neurônio, é para sempre.
Assim sendo, quem, em sã consciência e por vontade própria, sairia por aí batendo com a cabeça a torto e a direito. Resposta simples : os jogadores de futebol.
Uma bola de futebol alcança comumente velocidades entre 20m/s e 30m/s (72km/h e 108 km/h, respectivamente), o que, levando em conta sua massa, produz impactos com forças entre 1300 e 2000 N. Isso se o jogador que receber a bolada estiver parado, se ele correr em direção à bola e cabeceá-la em sentido contrário, sua força se soma à do impacto, e o resultado é ainda maior.
Só para efeitos de comparação, no boxe, um soco médio pode atingir 3000 N se o boxeador que o recebe estiver parado; caso ele jogue o corpo para trás na hora do golpe, diminuindo a resistência, esse valor diminui. Parece-me, portanto, que uma boa cabeceada e um soco de boxe "amortecido" provocam  impactos semelhantes no cérebro do sujeito.
Agora, médicos estadunidenses liderados por Michael Lipton, do Centro Médico Montefiore, do hospital da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, "suspeitam" que cabecear bola com frequência pode causar danos ao cérebro, a degeneração de suas células.
Jogadores amadores foram monitorados e os médicos descobriram que os "cabeceadores frequentes" tinham sinais óbvios de lesões traumáticas leves no cérebro. Cinco regiões do cérebro sofreram danos --áreas da frente do cérebro e na direção da parte de trás do crânio, onde ocorrem processos ligados à atenção, memória, funcionamento executivo e funções da visão.
Os médicos afirmam que uma única cabeceada não tem força suficiente para grandes danos, mas creem que a prática constante do ato possa levar a um efeito cumulativo. Citam o caso de um jogador britânico da década de 1960, Jeff Astle, falecido em 2002, cuja autópsia atestou uma doença degenerativa do cérebro, desencadeada pelas muitas cabeceadas durante sua carreira, como a causa da morte.
Os cientistas buscam, agora, determinar um número seguro de cabeceadas para cada jogador; embora não haja um estudo preciso, eles acreditam que um número em torno de mil cabeceadas/ano dê uma boa margem de segurança ao atleta. 
Fico até imaginando a cena (imaginando mesmo, não assisto a jogos de futebol) : o jogador recebe aquele passe aéreo para enfiar de cabeça para dentro do gol e deixa a bola passar, nem faz menção de pular para alcançá-la. Xingado, responde : já dei a minha cota de cabeceadas da semana.
Hoje, os jogadores de futebol têm a seu favor, dizem os médicos, o fato de que as bolas atuais são bem mais leves que as antigas. Eu não vejo grandes diferenças no resultado final. A massa das bolas de hoje é menor, mas isso faz com que elas atinjam velocidades maiores que as bolas pesadas de outrora. 
A força do impacto é dada pela multiplicação da massa do objeto pela variação de velocidade antes e depois do choque, tudo isso dividido pelo tempo de contato. A massa diminui, a velocidade aumenta em contrapartida. Praticamente, ficam elas por elas.
É óbvio ululante que constantes impactos na cabeça podem afetar o cérebro, acredito que a pesquisa seja feita para mensurar o quão grande pode ser esse dano. 
No caso de jogadores de futebol, no entanto, eu absolvo a bola. Ela não têm a menor culpa na questão. Jogadores de futebol, via de regra, já nasceram com o cérebro degenerado. O problema é que esses exames foram realizados em futebolistas já há algum tempo em atividade; daí, fornecerem a falsa impressão de que aqueles cérebros miseráveis resultaram das boladas. Se o exame tivesse sido realizado antes desses sujeitos começarem a jogar bola, o resultado teria se revelado o mesmo.
A bola em nada lesionou os cérebros dos jogadores de futebol. A coisa é de nascença, eles já saíram assim de fábrica. 
Bom de bola e ruim da bola. Precisa pesquisa para descobrir isso?
Fontes:
Reportagem : BBC Brasil
Dados sobre boxe : Ciências Olímpicas
Equação para cálculo de impacto : Física na Veia