terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bosta Benta

Às dezenas, aos milhares, eles fazem filas em frente das pias de água benta das igrejas católicas ao redor do mundo.
O primeiro vem, molha a ponta dos dedos e se persigna, o segundo também se benze, pega um pouco da água com a mão em concha e bebe, o seguinte ainda recolhe uma porção dela num frasco e leva para casa, compartilhá-la com seus familiares, e a fila segue, mãos e mais mãos, mãos às mancheias revezam-se na pia em busca de alívio, proteção - e até cura - para suas almas cansadas e combalidas.
A pergunta que sempre me fiz foi : onde estavam cada uma daquelas mãos antes de serem imersas nas águas do Senhor? No cu! A resposta é : no cu. Para mim, isso sempre fui muito claro.
Nas raras vezes em que estive numa igreja - ainda em garoto, levado por meus pais nos casamentos de tios e outros aparentados - e vi essa cena, para me distrair, abstrair-me daquele ambiente pesado e cheio de culpa e sofrimento que é uma igreja católica, eu ficava a imaginar de onde aquelas pessoas teriam tirado as mãos antes de pô-las à pia benta.
Eu ficava mentalizando : esse acabou de limpar o cu e não lavou as mãos, esse acabou de mijar e o último pingo da mijada foi a única água que suas mãos viram antes da benta, essa acabou de enfiar o dedo no nariz,  e por aí a coisa ia - eu já era um ateu, um pequeno herege, e nem sabia.
Um pouco mais tarde, já a estudar em colégio de padres e tendo que frequentar missas "pedagógicas", que valiam pontos na nota, vi a procissão das mãos mal lavadas por mais várias e várias vezes. Concluí que a pia da água benta é uma miniatura do rio Ganges, uma maquete do rio mais pestilento do planeta.
Desmedidas proporções à parte, são a mesma coisa, a pia da água benta e o rio Ganges. As pessoas vão, simbolicamente, higienizar-se de toda sua sujeira, deitar à água todos os seus pecados, deixar que a água os lave e os leve.
E não é que pesquisadores do Instituto de Higiene e Imunologia Aplicada da Universidade de Viena pensaram o mesmo que eu? Pensaram o mesmo e saíram a campo para averiguar.
Durante um ano, eles colheram amostras da água benta oferecida aos fiéis pelas principais igrejas da Áustria, e o resultado não poderia ter sido outro, deu o que o pequeno Azarão sempre soube : a água benta é bosta pura.
Os resultados mostraram a presença de coliformes fecais em 86% dos reservatórios de água benta da Áustria, inclusa a bactéria Escherichia coli, responsável pela diarreias inflamatórias na maior parte das intoxicações alimentares.
Pois é, quantas maioneses não foram acusadas injustamente de pôr o cu do sujeito em couve-flor, em pandarecos, quando a água benta era a grande culpada? Quantas inocentes salsichas em inofensivos cachorros quentes? Quantos pratos feitos de restaurantes de rodoviária? Quantos croquetes de lanchonete de chinês? Quantos milhões de faceiras Salmonellas já não pagaram o pato no lugar da água benta?
Mas milhares de pessoas se curam de seus males através da água benta, dirão os mais pios. Estarão enganadas, enganando-se?
Não, acho que não. Pessoas realmente se curam via água benta e embosteada. Placebo? Não, também acho que não, nesse caso, não.
Nesse caso, a merda diluída na água benta age como um remédio homeopático, a água benta e embosteada é uma espécie de florais de Bach.
A cura pela água benta e embosteada segue o lema e primeiro princípio da homeopatia, cunhado por Samuel Hahnemann, que é também sua base terapêutica: Similia similibus curantur. Ou seja : semelhante cura semelhante. 
Tá explicada a cura milagrosa pela água benta.

Em tempo : essa situação me lembrou um piada.
Quatro freiras morreram e foram pro céu. Chegando lá deram de cara com S. Pedro, que lhes pediu para fazerem uma fila indiana, para melhor organizar suas entradas no paraíso.
Chamou a primeira freira:
- O que você fez de errado na Terra?
- Eu peguei com uma mão no pênis de um homem. Eu tenho chance de redenção?
- Vá lavar a sua mão na bacia com água benta.
Chamou a segunda freira:
- O que você fez de errado na Terra?
A freira triste pensou que seu caso era perdido.
- Eu coloquei as duas mãos em um pênis de um homem. Tenho perdão?
- Claro. Vá lavar as duas mãos na bacia com água benta.
S. Pedro olha para trás e vê as outras duas freiras brigando. Então, pergunta:
- O que está acontecendo?
- É que a irmã Anunciata quer entrar na minha frente - disse a irmã Soledade
- Por que você quer entrar na frente dela, irmã Anunciata?
- O senhor acha que eu vou gargarejar a água com que a irmã Soledade vai lavar a bunda?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Queda

Um dia,
Tudo o que nos move, estaca.
Acaba-nos a pilha.
E nem adianta recorrermos
À controversa criogenia,
Colocarmo-nos no congelador 
Das falsas esperanças.

Um dia,
Tudo estaca,
Tudo se torna estaca e grilhão.
Estacas fincadas nos pés,
Nas palmas das mãos,
No coração,
Em nosso fígado de Prometeu.

Um dia,
O alho,
A kryptonita, 
A queda.
Ilustração de Lora Zombie

sábado, 14 de setembro de 2013

Padre Roga Praga Eterna em "Fiéis Caluniadores"

Por toda a eternidade, por muitas e muitas gerações, vocês serão cornos, cairão no vício das drogas, suas mulheres e filhas se tornarão putas e toda a sorte de peste e doenças se abaterá sobre os seus.
Estes são os sinceros votos de prosperidade do padre Ivair Gentil Zancheta, da Paróquia de Santo Antônio, em Presidente Prudente (SP), para os seus dedicados fiéis.
Não exatamente com essas palavras (logo reproduzirei o texto do padre), mas exatamente com essa fúria e com esse ódio, genuinamente cristãos, bem próprios do deus católico.
O Pe. Ivair Gentil Zancheta (o cara ainda se chama Gentil, imaginem se não fosse) vinha sendo questionado e criticado há tempos pelos seus paroquianos, desconfianças quanto a uma malversação dos recursos da igreja.
Em 2009, o pe. Zancheta foi denunciado ao Ministério Público Estadual pelo então tesoureiro da igreja, José Antônio da Silva Garcia, que acusava o homem de deus de desvio do dinheiro do dízimo e das vendas de pães e rifas.
É a CPI do dízimo!!! O pe. Zancheta é o mensaleiro de Cristo!!!
O Espírito Santo parece ter ajudado o padre e o processo foi arquivado, o que não foi suficiente para fazer cessarem as críticas ao pároco. 
Ainda desconfiados, os fiéis continuaram com sua "perseguição" a Zancheta. E o homem santo, firme, aguentando todas as aleivosias levantadas contra seu nome, estóico, servindo-se da paciência que deus lhe deu para perdoar seus detratores, resignado, Pai, eles não sabem o que dizem.
Só que agora a casa (paroquial) caiu para o pe. Zancheta. Quer dizer, cair, ainda não caiu, mas será demolida, parte dela, ao menos.
As obras de ampliação da paróquia, conduzidas pelo padre e já em estágio bem avançado de construção, tiveram seu prosseguimento embargado e sua demolição decretada pela Justiça : a estrutura estava avançando sobre a calçada, invadindo espaço público, portanto.
Milhares e milhares de reais dos fiéis vindo abaixo a golpes de marreta, dinamitados, implodidos, caindo feito as muralhas de Jericó. Ao invés de uma obra ao Senhor, escombros e pó. O padre poderia ter se justificado : do pó nos fizeste, Senhor, o pó lhe retornamos.
Imediatamente, os fiéis e a imprensa local abriram a temporada de malhação ao pe. Zancheta e ao seu desvio de muito mais que 30 dinheiros do povão, pegaram-no para Cristo.
Os novos levantes, a nova safra de heresias contra a sua sagrada figura, fê-lo mostrar que mesmo a paciência do Pai tem limites, que só a Sua ira é eterna e indestrutível.
“Vocês nem imaginem o que significa terem erguido a mão contra um ungido do Senhor.”, alertou o contrariado servo do Senhor.
Ungido pelo Senhor... Esses escroques julgam-se mesmo especiais, os escolhidos. Pregam uma humildade da qual não possuem nesga, que nenhum religioso, seja sacerdote ou ovelha, possui. 
Os religiosos inventam um deus todo-poderoso - que bem pode ser uma forma inculta, preguiçosa e, portanto, cômoda de representar todas as incomensuráveis e ainda indecifradas forças do universo - e declaram-se tementes e subservientes a Ele, como forma de dizer que reconhecem a pequenez humana frente à maravilha maior da criação.
Humildes pra caralho, né? Porra nenhuma. Logo em seguida, declaram-se a criação máxima desse ser todo-poderoso, seus diletos rebentos, seus escolhidos. E entre esses, há os ungidos, como é o caso do padre. Arrogantes pra cacete é o que são, pastores e rebanhos.
Voltando : rumores correm pela cidade de que toda a estrutura de ferro das obras de ampliação virará entulho, sucata.
Pe. Zancheta se defende disso, também. Em uma missa , ele disse que os "caluniadores" estão equivocados, que tudo será reaproveitado, minimizando o prejuízo. E afirmou que, se fosse o caso de entulho, o material seria mandado para o “buraquinho” dos jornalistas.
Há, há, há! Genial. É a ira de deus manifesta. Presidente Prudente bem que corre o risco de ser aniquilada pela ira do todo-poderoso, uma Sodoma ou Gomorra moderna.
Aliás, foi fazendo referência a essas duas cidades bíblicas que o pe. Zancheta lançou na internet, via facebook, uma maldição eterna sobre todos os "fiéis caluniadores", maldição que recairá também sobre os familiares dos caluniadores, por várias gerações.
Sob o título, “Pecados de Sodoma e Gomorra é nada se comparada ao de vocês”, o padre escreveu :
“Vocês nem imaginem o que significa terem erguido a mão contra um ungido do Senhor. Os irmãos que semearam joio nunca mais terão felicidade, paz, prosperidade, a doença será a vossa companheira de vossas famílias, serão olhados como escárnios da humanidade. “ O casamento de vocês nunca mais terá paz, o adultério vos perseguirá, todos os tipos de dependência estarão vos perseguindo (química, álcool, sexualidade desregrada vossas casas, vossos filhos serão o vosso desespero...)".
Vossos filhos serão o vosso desespero...pãããata que o pariu , dessa eu gostei.
Preocupada com uma possível evasão dos fiéis da paróquia de Santo Antônio, a levar com eles seus respectivos dízimos, que isso sim, para a igreja, é maldição muito pior que a do pe. Zancheta, a Diocese de Presidente Prudente transferiu o padre para Três Lagoas (MS), e o bispo local, Dom Benedito Gonçalves, veio com seus panos quentes.
Divulgou nota dizendo que os sacerdotes, às vezes, invocam maldições sobre aqueles que julgam que os perseguem, e que tais maldições geram desordem e sofrimento nas comunidades, causando preocupação e medo em algumas ovelhas do rebanho, principalmente as simples e pequenas.
Mas que não tenham medo, os fiéis, porque, “se estamos revestidos da Palavra Divina e enraizados em Cristo, somos mais que vencedores."
Se o pe. Zancheta meteu a mão no dinheiro de Cristo, eu não sei; que ele dá umas leves derrapadas nas sinuosas estradas da boa e velha Língua Portuguesa, dá; mas que ele sabe rogar uma praga da muito boa, ninguém pode negar.
E rogar maldições e desgraças eternas, convenhamos, é o que legitima pe. Zancheta como um verdadeiro sacerdote do Deus Bíblico. Foi o que ele aprendeu na escola, na cartilha do Antigo Testamento, a Caminho Suave do bom cristão.
Pe. Zancheta : "a doença será a vossa companheira de vossas famílias, 
serão olhados como escárnios da humanidade."

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta-Feira 13

Nenhum gato preto
Cruzou hoje o meu caminho rumo ao trabalho,
Também nenhuma escada se interpôs a ele,
Me obrigando a passar sob a sua sombra funesta,
Nenhum espelho se estilhaçou
À visão de minha cara emburrada.
O céu estava da mesma cor
O ar, com mesmo cheiro e secura.
As mesmas pessoas, 
No ponto de ônibus ao lado do viaduto,
A esperar pelo mesmo ônibus lotado,
Que virá no mesmo horário,
Com o mesmo atraso.
A mesma garça branca
No rio que a avenida tenta sufocar,
Sua brancura atolada no lodo,
Que a macula e a nutre.
As mesmas pessoas a atender na padaria,
As mesmas sentadas ao seu balcão,
Os mesmos cafés,
Os mesmo pães com manteiga,
Que, por preguiça ou falta de tempo,
Preferem comer na rua. 
Os mesmos trabalhadores da limpeza pública,
E seus vassourões, 
E seus fúnebres sacos de lixo pretos,
A recolher a carniça das ruas,
Deixando-as prontas para novamente serem emporcalhadas.
Os mesmos velhos já a se acomodarem com seus jornais
Em seus velhos bancos de praça,
Os mesmos pombos piolhentos 
A ciscar os restos de comida que os mendigos não quiseram,
Ou que ainda não viram,
Uma vez que ainda dormem,
Os mesmos, em seus mesmos cantos,
Com seus mesmos cobertores
E seus mesmos fiéis cachorros aos seus pés.
Os mesmos porteiros, dos mesmos edifícios,
A separar a correspondência, a varrer as calçadas
A dar o mesmo profissional bom-dia aos moradores que entram e saem.
Os mesmos inspetores às entradas das mesmas escolas,
Os mesmos alunos, os mesmos professores, a mesma farsa.
Nenhum desastre,
Nenhuma catástrofe,
Nenhum prenúncio do apocalipse.
Ninguém me lançou um mau-olhado
Nem mesmo um olhar.
Um dia sem nada de mais,
Um dia comum:
Azarado como qualquer outro.

Rola de Sabão

Sentada na calçada de canudo e canequinha
Tchuplec Tchuplim
Eu ví uma garotinha 
Tchuplec Tchuplim
Fazendo uma bolinha
Tchuplec Tchuplim
Rolinha de Sabão
 Tchuplec Tchuplim
Rolinha de sabão...
(Imaginem, o que mais ela não saberá fazer com essa boca?)

Quando o Inferno é Uma Esperança

As pessoas que me dizem que eu vou para o inferno e que elas vão para o céu,
De certa forma, me deixam feliz :
Por não estarmos indo para o mesmo lugar.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Caminho de Letras

Escrevo muito enquanto caminho.
Muito do caminho rumo ao trabalho chato,
Rumo às pessoas chatas,
Rumo ao cheiro da mediocridade,
Já se transformou em letras -
Paralelepípedos a pavimentarem 
As trilhas esburacadas de minhas pautas vazias.

É o caminho quem dita o que eu escrevo,
E são os pés que psicografam.
É o caminho quem põe ereta a minha esferográfica,
Que arranca o cabaço da folha em branco
E lhe imprime ejaculação e gozo azuis.
Muito do meu caminho virou pensamento,
Como muito do meu pensamento se perdeu pelo caminho.

Por isso, ainda caminho :
Para repensá-lo, para reencontrá-lo.
Feito quem refaz cada passo do trajeto
À procura de uma moeda que vazou pelo bolso furado da calça,
De uma chave que se extraviou,
De um documento que se distraiu de nós,
De uma identidade que se desvencilhou.

E quando o reencontro - o pensamento -,
Ele é um chiclete grudado na sola do sapato,
Meio que misturado com merda de cachorro.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Ari Pereira, Subsecretário de Segurança Pública da Bahia : O Charles Bronson do Recôncavo

Os integrantes do MST, os delinquentes que se autointitulam os sem-terra, são grupos armados de invasão. O bando passa, olha, julga que tal propriedade é sua por direito e invade.
Invadem, depredam, destroem e não plantam porra nenhuma, quando muito uma mandioca aqui, uma bananeira acolá, só para disfarçar.
Ao passar por uma propriedade invadida por esses canalhas, só o que vemos plantada é a sua bandeira vermelha, uma bandeira pirata a sinalizar o território tomado em saque, a pilhagem que ali houve, uma bandeira a denunciar a falta de uma lei severa neste país, uma lei que dê aos sem-terra um boa gleba para trabalharem com suas enxadas : na cadeia, trabalho forçado, de sol a sol.
Eles invadem feito uma matilha de hienas carniceiras, com sangue nos olhos e nos dentes, um bando de babuínos ensandencidos. Sempre armados com foices, facões, machados, enxadas e paus, que só sabem manejar mesmo para uso criminoso, eles vão tomando posse e conseguindo o que querem na marra, no grito. Certo?
Nem sempre. Hoje, uma quadrilha de sem-terra, armada com toda a sorte de "ferramentas agrícolas", tentou invadir o prédio da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, em Salvador. E se deu mal. 
Os sem-terra deram de cara com o que anda a faltar nesse país, com um macho das antigas, com um cabra da peste de saco roxo, que trata bandido como bandido merece ser tratado, a tiros, deram de cara com Ari Pereira, o subsecretário da Segurança Pública da Bahia, armado e perigoso.
Os sem-terra, mais de 500 deles, foram lá para cobrar mais agilidade da SSP-BA nas investigações da morte de um dos líderes do movimento e invadiram o local sem nem mesmo tentarem marcar previamente uma entrevista com o Secretário.
São engraçados, estes vagabundos do MST. Todo cidadão comum aguarda pacientemente pelos trâmites legais da morosa Justiça Brasileira, mas não eles, não os sem-terra. Eles se consideram cidadãos diferenciados, querem tratamento especial, de aristocratas, querem foro privilegiado, querem que o Estado e os contribuintes lhes deem de graça o que todo mundo tem que trabalhar para conseguir. Uns parasitas, uns escroques, uns achacadores, os sem-terra.
Policiais tentaram deter os sem-terra assim que eles ultrapassaram as catracas de acesso ao térreo do prédio, mas eles insistiram em subir às salas da secretaria. Para tudo de novo : como assim insistiram em subir? Como assim não acataram as ordens policiais? Eles se acham mesmo acima da lei. E por que a polícia já não tomou uma atitude mais enérgica nesse momento? Por que o pau do guatambu não cantou no lombo da vagabundada?
Mais : se a intenção era apenas conversar com o secretário, dois ou três representantes dos sem-terra não bastariam? Por que levar 500 jagunços? Se a intenção era só conversar, qual o sentido dos facões, foices e que tais? Só conheço um tipo de gente que sai armada de casa : bandido!
Os sem-terra já estavam se dirigindo às escadas, para alcançarem os patamares superiores, quando foram surpreendidos por um disparo de advertência. Era Ari Pereira, o subsecretário de segurança da Bahia, o Charles Bronson do Recôncavo.
Ari Pereira, que estava no primeiro andar do prédio, disparou contra uma porta de vidro, estilhaçando-a. O tiro assustou os valentes do MST e os fez recuar, que cachorro é assim mesmo, basta bater o pé que ele sai correndo.
Um trecho da nota divulgada pela pasta do governo Jacques Wagner : "Eles já ocupavam o térreo e pretendiam subir às escadas para ter acesso aos outros pavimentos quando foram impedidos por um disparo de advertência. A ação fez os manifestantes recuarem e garantiu a integridade dos servidores que já tinham chegado ao trabalho e das instalações do prédio"
Certíssimo, o subsecretário Ari Pereira. Criminoso tem que ser recebido a bala e não com cafezinho pelos poderes públicos, não com regalias. O subsecretário merece, no mínimo, uma medalha. Uma promoção.
Até o fim da tarde de hoje, nenhuma equipe de reportagem havia conseguido fazer contato com o MST da Bahia. Estão correndo até agora!
Acho mesmo que o subsecretário foi até muito manso, mostrou-se dono de um autocontrole fantástico. Se a situação fosse comigo, 500 facões vindo na minha direção e eu com um revólver na mão, eu só lamentaria não portar em meu coldre uma submetralhadora cuspidora de chumbo quente.
Parabéns, subsecretário Ari Pereira!!!
Ari Pereira, de arma em punho, a deter a horda do MST. É o próprio Clint Eastwood!

Vista Cansada

- Vista cansada.
Disse-me o oftalmologista
Em minha última visita ao seu consultório.

E o que em mim não é cansaço? - quase lhe perguntei.

Só peguei a receita
E mandei aviá-la na óptica mais próxima.
Ao menos,
Para as vistas,
Há fácil possibilidade de descanso.
Mas não para o que eu vejo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Trepar Fortalece a Amizade

Quem nunca ouviu, depois de vencer o medo e a timidez e, finalmente, conseguir passar aquela cantada na pessoa desejada, a resposta : eu gosto de você como amigo, ou, eu sou sua amiga, não vamos estragar a amizade, tá? Ou qualquer desculpa semelhante?
Muita vezes, eram meses e meses tomando coragem, pensando, repensando, perdendo o sono, sondando cada gesto e palavra da amiga por que nos apaixonamos, procurando ver neles pistas de  um interesse recíproco, até que decidíamos, ou vai ou racha. E sempre rachava. Nada da "racha", pelo menos, no meu caso.
No começo, nas primeiras vezes, eu ficava sem graça, amuava, e acabava me afastando; com o tempo, mais calejado, com menos vergonha na cara, passei a lançar o desesperado contra-argumento : sim, somos amigos, você prefere dar para um inimigo?
Também nunca adiantou. Nunca encontrei ouvidos sensíveis ao meu raciocínio, tampouco bucetas que se abrissem à minha lógica. 
E as coisas foram seguindo assim, as minhas amigas dando para os seus não-amigos e eu sem comer ninguém. Nunca comi uma amiga, acho que vou morrer sem.
Falando sério, sem nenhum tipo de sacanagem ou ironia, nunca entendi essa coisa de estragar a amizade. Se gostávamos das mesmas coisas, dos mesmos livros, filmes, músicas etc, por que uma trepadinha poria tudo a perder? Pelo contrário, ao meu ver, só reforçaria a amizade, seria mais uma atividade em comum. Sempre pareceu óbvio para mim.
E não é que agora, o que eu sempre soube, a moderna ciência, mais uma vez com décadas de defasagem em relação à minha percepção, vem a confirmar?
A doutoura e pesquisadora Heidi Reeder, do Departamento de Comunicação da Boise State University (EUA), afirma que um sexozinho ocasional entre amigos não é apenas viável : é recomendável, fortalece a amizade.
Heidi Reeder analisou um grupo de 300 pessoas, 20% das quais disseram ter feito sexo com um(a) amigo(a) em algum momento de suas vidas, portanto, 60 pessoas das trezentas. Destas, 76% afirmararm que a amizade melhorou depois da furunfa.
Uma revelação surpreendente? Não, de forma alguma. Faz tempo que não me surpreendo com as "novas" descobertas das ciências, sobretudo das ciências humanas, que, para mim, são como ler jornal velho. E por que seria diferente, por que "novas" descobertas na área do comportamento humano deveriam me surpreender?
Sou humano, um bicho humano. Por que as coisas relacionadas ao comportamento de minha espécie me soariam como novidade? É novidade só para aqueles que não se põem ao exercício do autoconhecimento, que preferem ser analisados por outrem, feito voluntários e preguiçosos ratos de laboratório.
É novidade só para aqueles que não se lançam ao aprimoramento da capacidade humana de pensamento; e, sobretudo, para aqueles que não se consideram bichos, mas seres com uma parcela divina em seu DNA, autorretratos do Criador, seu inexistente criador.
Eu sou humano. Por que uma "revelação" a respeito do que sou, ou de como ajo, deveria me causar espanto? Eu sou o cientista de mim mesmo, meu próprio dissecador, meu próprio mineiro, escafandrista e astronauta. Nenhum cientista das humanas pode saber mais de mim que eu próprio, nenhum, inclusive, tem o direito de.
Portanto, o argumento que eu usava com minhas amigas para tentar conseguir uma trepada não era um mero ardil mal-intencionado, não era só uma cantada canalha. Era ciência pura! E só não era ciência aplicada porque não me deixavam aplicá-la.
Heidi Reeder constatou também que muitos começaram um namoro com o(a) amigo(a) depois da fincada, e 50% deles mantêm  firme o relacionamento, até casório já saiu - é o risco da brincadeira.
Ao lado, Heidi Reeder, toda alegre e sorridente, o que não é comum entre os acadêmicos. Mais que alegre e sorridente, eu até diria. Eu diria que é uma pessoa com cara de muitos amigos, aos quais, se ela põe em prática a teoria que professa, já deve ter dado muita felicidade.
Mais uma vez, a ciência mostrou-se morosa se comparada ao pensamento azarônico, mais uma vez, comeu a poeira de suas ideias. 
Ciências humanas, tá bom... conte-me outra, por favor.

sábado, 7 de setembro de 2013

Japonês Tem Quatro Filhos (Ou Seriam Cinco?)

Sete de Setembro, data oficial da Proclamação da Independência do Brasil, dia em que, em 1822, as amarras verdes e vermelhas lusitanas foram desatadas de nossas mãos, quando fomos dados à luz do mundo livre pelas mãos de D. Pedro I, que, com sua espada-bisturi, seccionou o cordão umbilical que nos ligava ao ventre de Dona Maria, a Louca.
Aí, ontem, sei lá porquê, através de uma destas involuntárias e quase surreais associações de ideias, lembrei-me do Hino da Independência, que cantávamos, à entrada das aulas, durante toda a Semana da Pátria, período em que também usávamos uma fita verde-amarela presa ao uniforme da escola por um alfinete, que teimava em nos espetar o peito imberbe.
Para ser sincero, lembrei-me mais da versão do Hino da Independência que cantávamos, da famosa paródia que nos acompanhou ao longo de nossa infância.
Lembrei-me que o original Já podeis, da Pátria, filhos, tranformava-se em Japonês tem cinco filhos. Seguia-se, então, na sequência da letra da paródia, um rosário de infortúnios que se abatia sobre cada um dos filhos do japonês, cada filho era agraciado com uma desgraça.
Empaquei no japonês tem cinco filhos, o resto da letra não me vinha à cansada memória, só sabia, de uma forma quase que inconsciente, mesmo atávica, que o quinto filho fora o mais atingido pela maldição familiar, a ele coubera a pior herança deste DNA de desditas.
Recorri, então, à internet, a este inconsciente coletivo de nossa cibernética matrix, a este oráculo de Delfos de uma época de templos em ruínas, a esta pitonisa binária nossa de cada dia. Logrei-me.
No mecanismo de pesquisa, escrevi lá : paródia do Hino da Independência. Surgiram várias páginas com o conteúdo pesquisado, mas, em todas elas, o japonês havia sido menos prolífico do que na versão que cantávamos em minha escola. Em todas as que vi, o japonês tivera apenas quatro filhos. Justamente o quinto rebento, o mais desafortunado, de alguma forma, e por alguma razão, foi suprimido da Matrix.
Encontrei várias versões do Hino com quatro filhos, a mais recorrente :
Japonês tem quatro filhos
Todos quatro aleijados
Um é surdo, o outro é mudo
E os outros dois são barrigudos
Um é surdo, o outro é mudo
Um é surdo, o outro é mudo
E os outros dois são barrigudos.
Totalmente sem graça, totalmente sem sentido, nem triscou a minha memória afetiva. Mesmo a paródia, mesmo a ficção, tem que ter algum nexo; aliás, a ficção precisa ter alguma coerência, a realidade, não.
Fui procurando em cada página fornecida pelo Google, e nada, mais uma página, e nada. Fui me indignando, a nova caverna mundial parece ter achado por bem deletar essa minha doce lembrança.
Onde teria ido parar o quinto filho do japonês?
Nada como uma boa indignação, uma justa revolta, uma picada de adrenalina no córtex para reacender nossas memórias. Bem dizia Adoniran : e eu que já fui uma brasa, se assoprar, eu posso acender de novo.
Fui recordando dos cinco filhos do japonês; um a um, os seus destinos trágicos. E o melhor : sem precisar de informações da internet. Minha memória ainda me é de mais valia que todos os bancos de dados do mundo, ainda sou um  homem, e não um deus ex machina.
A letra, fênix de minhas circunvoluções, ressurgiu :
Japonês tem cinco filhos
Todos eles com um defeito
O primeiro é maconheiro
O segundo é vagabundo
O terceiro é punheteiro
O quarto morreu no parto
E o quinto...
Nasceu sem pinto!!!!
Isso é que é paródia! De onde tiraram aquilo dos barrigudos?
O Hino da Independência tocava nos alto-falantes do pátio e nós, em fila indiana, como uma segunda voz ao hino verdadeiro, cantávamos a versão do quinto que nascera sem pinto, e morríamos de rir.
Desrespeito? Não. No Brasil, não. Num país em que a Independência foi feita pelo próprio conquistador, o que pode ser sério? 
Pelo próprio conquistador, D. Pedro I, quando voltava de uma viagem a Santos, onde fora ter e meter com a Marquesa de Santos, sua amante, uma vez que casado com Maria Leopoldina da Áustria.
D. Pedro I subia a Serra do Mar a bordo de um jegue (nada de um valoroso corcel, praticamente um bucéfalo, como o retratado na pintura do genial Pedro Américo) e parou para dar uma cagada atrás de uma moita. 
O imperador ainda estava a se arranjar com o seu desarranjo e teria lhe surgido um mensageiro da Coroa, ordens de seu pai, ordenando que o príncipe regente retornasse à Portugal e se submetesse ao rei e às Cortes.
Revoltado, literalmente enfezado, o playboyzinho português teria saído de trás da moita, com as calças ainda desabotoadas e o cu mal limpo, e gritado : Independência ou Morte!
Desrespeito, em uma data cívica de tamanha relevância, cantar japonês tem 5 filhos? Desrespeito nenhum. Não em um país que já nasceu como uma paródia de nação.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Trocando o Óleo

  - Oh, Dorothy!!!

Circo da Benção

A pilantragem evangélica anda tão grande, a cara de pau dos pastores tão lustradas a óleo de peroba e, lógico,  a burrice dos cristãos tão infinita, que fica até difícil comentar alguma coisa, fica difícil até ironizar e fazer piada, ela já é apresentada de tal forma completa que nenhum adendo é capaz de deixá-la mais engraçada, mais escarnecedora.
Escarnecer é a palavra que me parece mais adequada, os líderes religiosos escarnecem da fé dos que lhes enchem os bolsos de dinheiro, cagam na cabeça do fiéis, e quanto mais cagam, mais fiéis se aglomeram às suas voltas, feito moscas, mesmo.
Que as religiões - todas elas - e seus respectivos cultos são verdadeiros espetáculos circenses, daqueles bem mambembes, todo mundo sabe, só não vê quem é surdo.
Pois, agora, e dá até para dizer que há uma honestidade canalha nisto, a Igreja Evangélica Cristo Vive resolveu escancarar, assumir a patifaria de vez. Talvez cansados dos ambientes sisudos de seus templos, os pastores da Cristo Vive acabam de fundar o Circo da Benção.
Circo, mesmo, de verdade, com lona colorida, picadeiro, arquibancadas de ripas de madeira rachadas, que "mordem" o traseiro e pernas da plateia etc.
E poucas diferenças há dos circos originais. O domador continua no picadeiro, mas não há leões, foram todos devorados pelos cordeiros. O domador, com seu chicote cada vez mais eficiente, continua a reinar no picadeiro, mas os palhaços estão todos nas arquibancadas, sem poder de decisão sobre as próprias gargalhadas, rindo quando lhes é mandado - e chorando, também -, incapazes de entender a piada em que estão inseridos, na qual são o português, o bêbado, a bichinha, o judeu, o gago, o padre, o fanho, o anão, o gaúcho, e outros.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Maradona e Romário, Juntos Contra o Conmebol

Não gosto de futebol! Nem de futebol de botão. Nem futebol de videogame, aliás, também não gosto de videogame.
Mas reconheço que no futebol, assim como em qualquer outra atividade, esportiva ou não, existem figuras emblemáticas, personagens que representam as quintessências de seus ofícios : gigantes mitológicos, verdadeiros titãs.
No futebol, Maradona e Romário são dois desses titãs. E uso o verbo no presente, são, ainda são, e talvez sejam os últimos dos moicanos do verdadeiro futebol.
São os últimos dos craques legítimos, boleiros das antigas, daqueles que cuspiam no gramado e coçavam o saco, que comemoravam seus gois feito machos, não com dancinhas e coreografias afeminadas. (E sim, o plural de gol é gois, gols é apenas um barbarismo consagrado pelo uso).
Nasceram já talhados para a arena verde, são gladiadores naturais, com brios e têmperas inexistentes nessa geração produzida em escolinhas de futebol e nos laboratórios de preparação física dos grandes clubes. Nem precisavam treinar, nasceram sabendo o que fazer.
Não gosto de futebol, mas admito que ele - o verdadeiro - é coisa de macho, de ogro, de viking, uma vez que de origem bretã.
Maradona e Romário são politicamente incorretos, divertidíssimos em suas declarações diretas e sem floreios, não têm papas na língua, consideram-se "os caras", os escolhidos de deus, não poupam ninguém, principalmente os cartolas do futebol; para eles, Pelé foi pouco mais que um gandula, aquele menino que apanha a bola que sai do campo e a devolve para os jogadores.
Maradona e Romário são titãs! Humildade e cuidados verbais para não ferir a "sensibilidade" dos picaretas não fazem parte de seu arsenal de habilidades.
São dois dos últimos gigantes do futebol sacana, moleque, galhofeiro, são dois grandes FDPs, no melhor sentido da palavra. Maradona, uma vez, sei lá em que jogo contra a seleção brasileira, para tirar o jogador Branco de sua marcação, deu-lhe de beber uma garrafa de água mineral com um calmante, Toma, Blanquito, toma, dizia Maradona, e Blanquito tomou! Romário, na porta do banheiro masculino de um bar de sua propriedade, mandou pintar uma caricatura do técnico Zagallo, cagando com as calças arriadas até os pés. Sobre Pelé, proferiu uma de suas máximas : o Pelé calado é um poeta.
E sobretudo : Maradona e Romário adoram uma buceta!!! São machos de respeito!!! E não essas moçoilas de chuteiras de hoje em dia, que tiram a sobrancelha, usam creminhos faciais, pintam cabelo e até - valha-nos São Charles Miller - dão beijinhos na boca de amigos para comemorar uma vitória.
Agora, Maradona e Romário se uniram em uma causa comum, atacar o Conmebol, que eu nem fazia ideia do que fosse, mas parece que é uma espécie de Fifa sul-americana, "mais corrupta que a Fifa e a CBF", diz Romário, "formada por mafiosos", garante Maradona.
Eu quero que a Fifa, CBF etc se fodam, o que vale é esse verdadeiro encontro de titãs, essa aliança entre semideuses da pelota, que só mesmo as incomensuráveis e sacanas forças do universo podem ter alinhado em conjunção.
Aí estão, Dom Diego Maradona e Romário, o Baixinho, o Gênio da Grande Área. Antológico!!!
Eles são a materialização dos piores pesadelos do Pelé, o negão arrepia até os pelos do cu só de pensar em cada um deles separados, imaginem juntos!!!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Femen : Havia Um Punheteiro Por Trás de Tudo

Sempre achei muito estranho o tal grupo feminista ucraniano Femen. Na verdade, sempre o considerei uma grande hipocrisia, no mínimo, um puta dum contrassenso.
Feministas protestando contra a vulgarização do corpo feminino, e nuas, elas próprias os banalizando; feministas protestando contra o chauvinismo dos homens em olhar para a mulher como um simples objeto sexual, e nuas, elas próprias se exibindo como bonecas infláveis sem alma; feministas vilipendiando as mulheres que emprestam seus corpos desnudos às campanhas publicitárias, e nuas, elas próprias tornando-se manequins de vitrines que ganharam vida, umas pinóquios de tetas; feministas execrando as gostosas que povoam as páginas das revistas masculinas, e nuas, elas próprias transformando-se em uma versão 3D das peladas da Playboy (bem menos gostosas, é verdade); feministas gritando por condições de equidade, por um espaço igualitário para expressarem suas opinões e pensamentos, e quando esse espaço lhes é dado, simplesmente ficam nuas, mostrando bem em que parte da anatomia residem suas pretensas inteligências.
Diante de tanta contradição, concluí que, na verdade, o Femen era somente um grupo de vagabas, iguaizinhas àquelas que criticavam, porém, sem os atributos físicos das gostosas, sem dotes que despertassem a atenção e o interesse da mídia em mostrá-las. Revoltadas e recalcadas, encontraram uma maneira de mostrar as muxibas que ninguém estava interessado em ver : exibi-las à força, na marra, em protestos públicos. E ainda posarem de mulheres conscientes de sua própria condição, de seu papel na sociedade contemporânea e blá-blá-blá, blá-blá-blá, blá-blá-blá.
Agora, uma revelação bombástica trouxe à tona toda a verdade sobre o Femen.
Minhas impressões e conclusões mostraram-se totalmente erradas. Não passei nem perto da verdade.
Tenho mania de ficar dando tratos à bola, de ficar elocubrando, quando, muitas vezes, a realidade é muito mais simples.
Nunca teve nada de hipocrisia nem de contrassenso nem de contradição nem de revolta ou de recalque por trás dos atos do Femen.
O que sempre houve por trás das ucranianas foi um homem. Havia um punheteiro por trás de tudo.
É isso mesmo! Um homem era o titereiro das peladas do Femen, um homem era quem estava por trás do teatro das fantoches do Femen, um homem era o ventríloquo que dava voz às bonecas do Femen.
A revelação veio no documentário "Ukraine Is Not a Brothel" ("A Ucrânia não é um bordel"), da cineasta australiana Kitty Green, exibido hoje (04/09) no Festival Internacional de Cinema de Veneza.
A criação, a organização e as ações do Femen foram obras de Viktor Svyatsky, que aparecia oficialmente apenas como um consultor do grupo, mas era o verdadeiro criador do movimento e seu líder até um ano atrás; Alexandra Shevchenko, Sara Winter e outras eram apenas testas de ferro de Viktor Svyatsky.
Em uma das partes mais paradoxais do longa, Svyatsky explica a razão de ter sido responsável pela organização do grupo: "Essas garotas são fracas". 
Até para serem feministas, as mulheres precisam de um homem que as oriente, que as lidere. Um homem para chamar de seu.
Umas das integrantes do Femen, Inna, rebate a provocação de Viktor : "Sim, é um paradoxo quando existe um homem liderando um movimento feminino. Mas o Femen não foi baseado em teorias. As mulheres começaram a se reunir e havia vários homens no nosso círculo. O problema é que ele sentiu que precisava de mais espaço, porque é um homem. E homens precisam ter o poder."  
E as meninas do Femen lhe cederam esse poder, porque são mulheres, e cederam de muito bom grado, tudo consensual.
Mas agora elas garantem que estão no comando de suas próprias tetas, romperam com Viktor e sua tutela :
"Infelizmente não posso dizer que Viktor não seja real, mas o modo de protestar foi uma decisão coletiva. Éramos nós na rua gritando, não vamos esquecer isso. Foi bom tê-lo em nossas vidas para sabermos como os homens podem ser grandes canalhas. Mantemos Viktor em nossas memórias para ficarmos mais fortes", declarou Sasha, outra das Femen, com um claro ressentimento em suas palavras, ressentimento típico da mulher que leva um pé na bunda.
Óbvio que não foi o Femen que expulsou Viktor, que se revoltou contra seu criador. Viktor é que deve ter se cansado das mesmas muxibas de sempre e partido em busca de carnes mais novas e suculentas.
Portanto, dou aqui a minha mão à palmatória, errei feio, nunca houve contradição nem falso discurso nas ações do Femen, e nem feminismo, a coisa agora ficou claríssima. 
Nunca houve, tampouco, a necessidade de ponderações ou de deduções acerca das atividades e das motivações do grupo, o que sempre houve foi o básico : um homem, um punheteiro por trás de tudo. 
Viktor Svyatsky, um macho do mais autênticos, que acabou de conquistar um lugar no Panteão do Azarão, juntava a biscataiada e dizia : vamos lá, mulherada, todo mundo pelado, vamos botar essas tetas pra fora e sair saracoteando por aí!
E era uma festa só! Uma bagunça! Uma putaria! Viktor no meio das tetinhas balouçantes! O Femen nada mais é do que um macho realizando os seus sonhos de sultão.
Um brinde de um bom rum de pirata, da reserva especial do Barba Negra, a Viktor Svyatsky!
E que se foda o Femen, as Amélias da Ucrânia.
As meninas do Femen, na Mostra Internacional de Cinema de Veneza. Ou será que doravante passarão a ser chamadas de as Viktoretes?
(A do meio é a cara da Elba Ramalho! Pããããããta que o pariu!!!)

Outras postagens no blog sobre o Femen : 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Amores Expressos e Solúveis

- Eu te amo!
- Mas acabamos de nos beijar...
- Eu te amo!
- Um beijo que nunca houve intenção...
- Eu te amo!
- Ou pensamento...
- Eu te amo!
- Ou intenção prévia...
- Eu te amo!
- Um beijo que foi mais um susto...
- Eu te amo!
- Um descuido...
- Eu te amo!
- Um tropeção...
- Eu te amo!
- Um esbarrão em alguém desconhecido na multidão...
- Eu te amo!
- Uma topada do dedo do pé no batente
Que não se pode evitar...
- Eu te amo!
- Um espirro que não se pode conter...
- Eu te amo!
- Um ato reflexo...
- Eu te amo!
- Um instinto...
- Eu te amo!
- Uma falta do que fazer...
- Eu te amo!
- Um útero baldio...
- Eu te amo!
- Um óvulo vadio...
- Eu te amo!
- Uma âncora para a ausência momentânea de espaço e tempo...
- Eu te amo!
- Só duas boca mudas, sem palavras, sem linguagem
Mas com línguas a serem alimentadas...
- Eu te amo, porra!
- Um beijo e já afirmas que me amas! Fácil assim?
- Dificil assim! Amo todas a quem beijo.
- És leviano, leve, volúvel, volátil...
- Te enganas, sou por demais amarrado, estável, denso, monolítico.
- Não amas ninguém...
- Amo, todas.
- Proves...
- Não reparaste como sou infeliz?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

E é Verdade, É Sim Senhor, Quem Me Contou Foi Um Pescador (Ou : Jesus Cristo, o Multiplicador de Pênis)

Na Bíblia, todos os relatos - os supostos relatos - têm dimensões grandiosas, assumem proporções...bíblicas.
Uma invencionice só! A Bíblia é o livro de cabeceira do Barão de Münchhausen, o livro de autoajuda do Pinóquio.
Se não invencionices, pelo menos, interpretações equivocadas e desmedidas de fatos e fenômenos naturais, equivocadas e ampliadas pela potente lupa da ignorância, que a tudo teima em ver como mágica, como milagre.
E quando algo nos parece puro delírio, uma mentira das mais deslavadas, dizemos que é uma história de pescador, aludindo-nos ao hábito que o referido esportista tem de aumentar seus feitos e peripécias.
Em suma, a Bíblia é um grande almanaque de histórias de pescador. Querem maior história de pescador que o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, atribuído a Cristo? 
Cristo teria feito multiplicar sete pães e alguns peixinhos e alimentado cinco mil homens com eles, fora mulheres e crianças. É a maior história de pescador de todos os tempos. Imbatível. E se padeiros também se dedicassem ao ofício da mentira, a história lhes serviria igualmente de referência.
Mas segundo Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez no trono ditatorial da Venezuela, não foram exatamente peixes o que Cristo teria multiplicado. De acordo com Maduro, Cristo multiplicou caralhos! Pãããããta que o pariu!!! Cacetes aos montes, rolas aos borbotões, pintos saindo pelo ladrão, pirocas às mancheias.
A Bíblia de Maduro é bem mais legal do que a que eu tinha de ler nos meus tempos de aluno de colégio salesiano.
Na semana passada, em um discurso, ao abordar a necessidade da construção de novas escolas no país, Maduro disse que iria multiplicar as escolas pela Venezuela, da mesma forma que Cristo teria multiplicado os "pênis". Sim, ele falou pênis!
Maduro confundiu "peces" (peixes em espanhol) com "penes" (pênis).
O cara confunde peixe com benga! Eu jamais o acompanharia em uma pescaria.
Por outro lado, assistir a uma missa com ele, tenho certeza, seria divertidíssimo.

domingo, 1 de setembro de 2013

Uma Elegia à Cláudia Ohana (19)

 "E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte..."