terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Nascimento de Jesus é Fake News

O nascimento de Jesus é Fake News! Esse é o conteúdo de um dos outdoors da já tradicional campanha de natal (ou antinatal) dos AA, nos EUA.
E não! AA não são os alcoólicos anônimos ianques. É a associação American Atheists, e fake news é o termo em inglês que designa notícias inventadas que causam uma grande confusão sobre os fatos básicos dos eventos do cotidiano.
Segundo o AA, o outdoor, que já causou revolta e ódio sanguinário nas comunidades cristãs de Tulsa e de Oklahoma City, não é desrespeitoso, pois o nascimento de Jesus é mesmo fake news, que não há na Bíblia sequer a menção de que Jesus tenha nascido no dia 25 de dezembro em um bercinho de sapé e que os reis magos fossem três, e que a própria Igreja Católica já admite isso.

Será? Não serão apenas calúnias e maledicências do AA com vistas a chamar a atenção para a associação e arrebanhar mais uns membros e contribuintes? No fim das contas, uma igreja atrás de donativos como qualquer outra, o AA? Afinal, não é porque é ateu que é, necessariamente, honesto.
E já falei por aqui algumas vezes : uma coisa é se reunir e se congregar em torno de uma crença, ainda que ela seja absurda e improvável, outra coisa, muito pior, é se reunir em torno de uma descrença, feito essas associações de ateus.
Sou ateu. Mas trato com muito mais atenção esses mórmons, ou testemunhas de Jeová, que, vez por outra, me abordam na rua - acho que tenho cara de quem precisa ser "salvo" - do que certamente trataria se abordado por uma associação de ateus. Fosse, tenham certeza, os mandaria tomar no cu! Ao menos, os adeptos das seitas citadas, lá na cabeça deles, acreditam mesmo que estão tentando acrescentar algo à vida dos que abordam, proporcionar alguma espécie de conforto. O proselitismo ateu, por outro lado, busca apenas suprimir, extirpar, sem deixar nada em troca no lugar.
Ateu de verdade, ateu das antigas, não quer fundar associações, não quer congregar nada, não quer se reunir, quer é sossego, quer isolamento. Porque, na verdade, em grande parte dos casos, as pessoas pensam que vão a uma igreja por causa de Deus. Porra nenhuma. Vão porque temos (a maioria de nós, pelo menos) genes para o gregário. Fisicamente fracos e incompententes que somos - se comparados a outros animais -, o gregarismo garantiu a sobrevivência da espécie; o apreciar viver em bando, anulando sua identidade em troca de maiores chances de sobrevivência, foi a chave do sucesso evolutivo do Homo Sapiens.
Na maior parte dos casos, as pessoas vão às igrejas não à procura de Deus, sim à procura de outras pessoas que creiam no mesmo Deus que elas, vão à procura de identidade e identificação, vão porque gostam da companhia dos outros do bando, apreciam a comunidade, a amizade e as tradições que acompanham a religião.
Mas voltando às vacas magras, será mesmo fake news o nascimento de Jesus? Fui pesquisar e encontrei "fatos", acredito, desconhecidos até pela maioria dos católicos. O nome do site é - e não tô de sacanagem - O Consolador!
As informações retrocedem a galhos mais antigos da árvore genealógica de Jesus, aos seus avós maternos, Joaquim e Ana. Diz o Consolador que Joaquim era um judeu de posses (há algum que não seja?) e que, em dado momento, foi proibido de realizar doações ao templo e aos pobres por um sacerdote de nome Reuben, por conta de, Joaquim, nunca ter gerado nenhum rebento - era oco, Joaquim. Ao invés de ficar feliz da vida, afinal, iria economizar uns bons trocados, Joaquim caiu em profunda tristeza e decidiu jejuar por 40 dias e 40 noites em uma montanha deserta, dizendo a si mesmo: "Não voltarei ao lar nem pra comer ou beber, até que o senhor venha visitar-me. As minhas orações me servirão de bebida e comida aqui no deserto".
Durante o jejum de Joaquim, o casal, ele na montanha e ela em casa, recebe a visita de mensageiros de Deus, de anjos. O que visitou Ana lhe disse : "Ana, Ana, o senhor ouviu as tuas preces. Eis que conceberás e darás a luz a um filho. E o fruto do teu ventre será conhecido em todo mundo". Os dois que visitaram Joaquim : "Joaquim, o senhor ouviu tuas preces, desce daqui e vai a Ana, tua mulher, porque ela conceberá em seu ventre".
Ou seja, parece que os anjos eram meio que a internet de Deus naquela época, o whatsapp do Senhor. Deus já tinha wi-fi instalado por todo o cosmos, mas só ele tinha a senha. Joaquim desceu da montanha, deu uma metida na Ana e, logo, nasceu Maria, mãe de Jesus.
Aos três anos de idade, Maria foi levada a um templo judaico e lá deveria permanecer até os seus 12 anos, idade em que os pais deveriam buscá-la, antes de suas primeiras regras menstruais. Acontece que Maria, ao chegar a essa idade, já se encontrava orfã. Para passar a batata quente às mãos de outro, os sacerdotes reuniram os viúvos da região e, através da orientação de um anjo, José foi eleito para recebê-la como esposa. Agora, o anjo virou agenciador de menores.
Ou seja, José já era um velho quando tomou Maria por esposa, não dava no couro e, portanto, Maria permaneceu mesmo virgem. José, no entanto, em certa feita, precisou se ausentar do lar para ir trabalhar e, foi aí, que entrou em cena o anjo Gabriel, que há muito estava de olho na bucetinha virgem de Maria, só esperando o corno baixar a guarda. O anjo Gabriel, agora assumindo o papel de alcoviteiro, mandou o 171 mais famoso da história ocidental e anunciou a Maria a sua concepção através da intervenção do Espírito Santo.
Ao voltar, o corno José encontrou a esposa já no sexto mês de gestação e, injustamente, pôs em xeque a lealdade e o cabacinho da esposa. O que fazer? Simples. Manda vir outro anjo! Outro mensageiro de Deus fez uma visita a José e esclareceu a situação. Conformado o corno, a gestação de Maria correu e se concluiu de forma tranquila. E ponto.
Fake news? Onde? Tudo tão bem explicado e provado. Realmente má-fé da American Atheists. Blasfêmia da mais torpe e baixa. Falta de Deus no coração. A história não tem furo nenhum, nenhuma inconsistência, nenhuma passagem duvidosa. Tudo dentro do palusível, da mais perfeita razoabilidade. Eu boto fé.
Pãããããããta que o pariu!!!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (27)

Genival Lacerda é paraíba masculino, cabra macho, sim, senhor. E, também, corno. Que o velho chifre não poupa ninguém, tampouco faz distinção de macheza, sotaques, regionalidades ou ritmo musical.
Genival Lacerda é, ou foi, corno, como nos relata no antológico forró "Radinho de Pilha". O paraíba vai pra cidade do Rio de Janeiro, trabalha duro como servente de pedreiro, faz serão, deixa de fumar, economiza, compra e manda um radinho de pilha (o que hoje seria o equivalente a um iphone) pro seu bem, que ficou em sua terra natal à espera de seu regresso. Esperando, sim, porém, não morta. E o que o corno descobre quando torna à sua terra? Que o rádio que ele deu pra ela, ela doou pra alguém. Ela deu o rádio e nem lhe disse nada, ela deu o rádio.
Genival Lacerda, o famoso Seo Vavá, é corno, mas não é manso, é dos brabos, é dos que saem dando chifradas em todo mundo. Ele alerta, prepara o terreno pro acerto de contas com a infiel : eu sou honesto, sou trabalhador, mas não gosto de deboche com a minha cara, não vou enfeitar boneca pros outro brincar, ninguém vai pintar o sete com esse pau de arara.
E não é corno de ameaçar, mas de cumprir com o que promete, é corno da mão pesada, de descer o sarrafo, é corno Lei Maria da Penha : eu não tolero tanto desaforo, tem mulher que só aprende quando o couro desce, pra gente ficar em paz, eu vou lhe dar uma sova, pois o rádio que eu comprei todo mundo já conhece.
Genival Lacerda está certo. Quando ele deu o radinho de pilha pra ela, só cabia pilha pequena, palito. Agora cabe pilha média e corre na cidade que tem cara enfiando até pilha grande.
Dá-lhe, Senador!

Radinho de Pilha
(Genival Lacerda)
Fui pra cidade do Rio de Janeiro
Trabalhei o ano inteiro e fiz até serão
A vida do Paraíba não foi brincadeira
De servente, de pedreiro pra ganhar o pão

Fiz economia, deixei de fumar
Comprei um rádio de pilha e mandei pro meu bem
Fiquei muito revoltado quando regressei
O rádio que eu dei pra ela, ela doou pra alguém

Mas ela deu o rádio
Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu o rádio
Ela deu, sim, foi pra fazer pirraça, mas ela deu de graça
O rádio que eu comprei e lhe presenteei

Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu o rádio
Ela deu, foi pra fazer pirraça
Ela deu de graça
O rádio que eu comprei

Eu sou honesto, sou trabalhador
Mas não gosto de deboche com a minha cara
Não vou enfeitar boneca "pros outros brincar"
Ninguém vai pintar o sete com esse pau-de-arara

Eu não tolero tanto desaforo
Tem mulher que só aprende quando o coro desce
Pra gente ficar empate, eu vou lhe dar uma sova
Pois o rádio que eu comprei todo mundo já conhece

Ela deu o rádio
Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu o rádio
Ela deu, sim, foi pra fazer pirraça, mas ela deu de graça
O rádio que eu comprei e lhe presenteei

Ela deu o rádio e nem me disse nada, ela deu o rádio
Ela deu, sim, foi pra fazer pirraça
Ela deu de graça
O rádio que eu comprei e lhe presenteei
Para ouvir Radinho de Pilha, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Samba do Padreco Doido

Reginaldo Manzotti. Eis a bola da vez da cristandade alegre e festiva. Eis o novo queridinho da ala católica da chamada renovação carismática. Manzotti, padre e, também, lógico, cantor é o novo hit do lucrativo segmento fonográfico dos cantores de Cristo - e os direitos autorais vão pra quem, é o Espiríto Santo quem os recolhe? Padre Manzotti já vendeu CD pra caralho! Deve ter ganhado sei lá quantas Hóstias de Ouro e Hóstias de Platina.
Mais um boçal fantasiado de padre. Mais um idiota ordenado e ungido por Deus. Deus os adora, os idiotas. Ou não os faria em tão grandes quantidades.
Padre Manzotti não fala nada com nada, não rima lé com cré, chama Jesus de Genésio, uma insanidade só. Seus pronunciamentos são o samba do crioulo doido, ops, do padreco doido. Manzotti é a personificação da Torre de Babel. Por isso, faz tanto sucesso, causa tanto furor. O padre tem mais de 6 milhões de seguidores, só no feicibúqui. Os idiotas se reconhecem e se congregam. E, verdade seja dita sobre eles, são unidos, têm fortíssimo espírito corporativista.
E o padre Manzotti não vem para conciliar, para pregar a paz entre os homens de bem, vem para deflagar conflitos. Não carrega em suas mãos o evangelho do Filho, o do, ainda que falso e hipócrita, perdão, o da tolerência; empunha, sim, a espada flamejante do Pai, o sanguinário, genocida e hecatômbico do Velho Testamento. Não vem em procissão nem em novena, vem em fanática Cruzada. O alvo do ódio de Manzotti : os ateus.
Manzotti mira seu crucifixo giratório contra os ateus e sai atirando. Manzotti quer ver o Demônio - tomaria um café com rosquinhas com ele -, mas não quer ver um ateu. Sorte que a mira do padre, assim como a doutrina que segue, é míope e vesga, e, suas balas, de festim. Seus "argumentos", risíveis, patéticos, de dar dó
Vamos a alguma pérolas do Padre Manzotti, colhidas pelo excelente site Paulopes. É de matar o Padre Vieira de inveja.
"O ateísmo é o culpado pela degeneração da política brasileira e pela perda de prestígio da Igreja Católica."
Bom, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes : o ateísmo culpado pela degeneração da política brasileira. Bom, sei de uma fortíssima bancada evangélica - cristãos iguais ao padre -, sei de inúmeros deputados que, quando frente às câmeras de TV, declaram seu voto, em fundamentais questões da nação, em nome de Deus e sei da bancada ruralista, aqueles sujeitos com chapéus de cowboy, com seus conceitos medievais de tradição, família e propriedade e seus cintos com fivelões gigantes com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, o que me leva a crer que a bancada ruralista também seja uma espécie de bancada católica. Mas uma bancada ateia, ou ateísta? Nunca ouvi falar.
Fui pesquisar. Colher dados, não crenças. Uma pesquisa feita entre a última leva de parlamentares, entre a cambada que foi eleita no pleito de 2015, quando da posse de seus cargos, revelou o seguinte resultado : dos 421 deputados, de um total de 513,  que responderam ao questionário proposto, 300 (71,2%) se declararam católicos. Outros 68 (16%) afirmaram ser evangélicos, oito (1,9%) disseram ser adeptos do espiritismo e apenas um deputado (0,23%) afirmou ser judeu. Outros 14 (3,3%) afirmaram ser cristãos, mas não especificaram se seguem alguma religião. Dois (0,47%) disseram seguir todas as religiões, enquanto 19 (4,51%) alegaram não pertencer a religião alguma. Dos 513 deputados, 101 não responderam sobre o tema.
Cadê os ateus aos quais se refere Padre Manzotti? Cadê a poderosa e possuída pelo demônio bancada ateísta? Aliás, a maioria da corja é católica, a mesma religião professada por Manzotti. Se a degenaração da política, como quer o padre Manzotti, está ligada à religiosidade, ou, no caso, à falta dela, ela não foi perpetrada pelos ateus; antes pelo contrário, a putaria é comandada por uma malta de homens tementes a Deus, homens com Deus no coração.
E sorte do padre que a política brasileira não seja orquestrada por ateus. Fosse, não haveria, logo de cara, já no enunciado do primeiro artigo da Constituição Federal, os seguintes dizeres : “Todo o poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também por meio do povo e de seus representantes eleitos, nos termos desta Constituição”. Não se veriam mais crucifixos expostos em repartições públicas. Não teria sido aprovado o ensino religioso confessional nas escolas públicas. E, principalmente, o padre Manzotti teria que pagar pesados impostos sobre a arrecadação de sua igreja, onerosos tributos sobre a lã tosquiada de suas ovelhas.
Os ateus responsáveis pela perda de prestígio da Igreja Católica? Padre Manzotti tá muito doido. Deve tá bebendo o sangue de Cristo com prazo de validade vencido. Tá misturando o vinho da missa com catuaba selvagem. Será que o desprestígio da Igreja Católica não teria mais relação, entre outros, com o fato da Igreja acobertar padres que manifestam carnalmente o seu cristão amor espiritual pelas criancinhas, padres abusadores e estupradores de meninos? Não são ateus que passam a vara na molecada dentro da sacristia, ou do confessionário. Não teria, a perda de prestígio da Igreja Católica, mais relação, só a citar outro e último exemplo, com a eleição de um Papa outrora integrante da Juventude Hitlerista, os efebos do Adolfinho?
Outra pérola do padre : "as faculdades são fábricas de ateus."
De ateus? Dados o sucateamento - planejado - da educação brasileira, o assistencialismo barato das cotas e dos créditos educativos (dinheiro que deveria ser empregado na criação de novas faculdades públicas e não ser apenas mais um modo do dinheiro público chegar às mãos dos empresários privados da educação) e à facilitação quase que promíscua do acesso do despreparado às hostes universitárias, as universidades estão a se tornar verdadeiras fábricas de idiotas, uma produtiva e fordista linha de montagem de imbecis graduados. Mas de ateus?
Algumas universidades públicas, a USP, a exemplo, transgredindo a laicidade do Estado prevista na Constituição, cede espaços em suas dependências para reuniões de grupos de estudos bíblicos. Li uma reportagem, creio que datada de 2012, com dados de que, naquele ano, 78%  dos alunos doutorandos em Biologia Evolutiva, na abertura de suas teses, agradeciam o sucesso de suas empreitas a Deus e, depois, aos pais. O cara se doutora em Biologia Evolutiva e agradece a Deus? Um dos dois livros sagrados, o sujeito não compreendeu direito, ou a Bíblia, ou A Evolução das Espécies, de Charles Darwin. Ou, muito provavelmente, os dois.
Eu passei mais tempo - muito mais tempo - dentro de universidades que a média do cidadão comum. Passei por duas faculdades antes de, finalmente, para alívio de meus pais (e de Deus?), me graduar na terceira. Foram quase 12 anos de vida acadêmica, durante os quais conheci, além de mim, se muito, mais uns três ou quatro ateus. Cadê a tal fábrica de ateus? Antes fossem.
Seguindo com o seu samba do padreco doido, assumindo ares de paranoia, ele diz que é por isso que existem tantos botecos em torno das PUCs, a formar, talvez, na cabeça do padre, uma espécie de cerco à católica universidade, a montar tocaia para desvirtuar os pios e crentes alunos. Botequins demolindo religiões, vocações e igrejas? Mais fácil o inverso, igrejas expulsando botecos, as igrejas de todos os bêbados. Como se deu com o injustiçado Araújo, dono do Bar do Araújo. Ora porra, existem botecos em cada esquina desse país. No bairro em que moro, a exemplo, há um boteco bem ao lado de um asilo, ops, de uma casa de repouso para idosos, que velho, agora, não é mais velho, é uma pessoa com um superávit de anos. O que pretendem os ateus donos de tal boteco, levar os velhinhos para o mau caminho, fazer com que dilapidem suas pensões e aposentadorias com pinga? Há outro perto de um pet shop. Embebedar, e fazer com que se amotinem contra seus donos, poodles, pinchers, pugs, shitzu e outros cachorrinhos de viados?
Trocaram a hóstia do padre Manzotti por comprimidos de ecstasy, ou de LSD. Só pode ser. Pãããããta que o pariu!
Só a título de curiosidade, o padre Manzotti deveria fazer um levantamento de quais são as percentagens de universitários e de frequentadores de boteco entre os seus mais de 6 milhões de seguidores. O resultado iria surpreender o padre. 

sábado, 25 de novembro de 2017

Dilma Rousseff Declara : Sou uma Workalcoholic (Ou, Eu Bebo, Sim, e Vou Vivendo)

Decifrada, enfim, embora sempre tenha estado evidente, a origem do Dilmês, um subdialeto de nossa tão maltratada língua criado pela ex-presidanta (agora só anta) Dilma Rousseff.
Decifrada, enfim, a fonte de toda a inspiração para o léxico do Dilmês, sua etimologia hermética, sua estrutura intrincada de frases, regências e concordâncias desconexas e ininteligíveis, seu discurso entrecortado por longas pausas - como se houvesse um atraso entre o envio da informção do cérebro e o recebimento do estímulo pelo genioglosso, estiloglosso, palatoglosso e hioglosso, os músculos da língua, um delay entre pensamento e fala -, seu palavrório trôpego e bêbado.
Aliás, decifrada a origem do Dilmês, não. Revelada. Que há certos códigos de linguagem que não tem Champollion que dê conta. Que há certas criptografias que só mesmo o criador para quebrar os seus segredos.
É a própria Dilma Roussef que, enfim, revela à nação que ajudou a saquear e a levar para o buraco da recessão como criou seu próprio idioma.
Aos que estavam sentindo falta das pérolas verbais da ex-presidanta (agora só anta), àqueles que já estavam destreinados da gramática e se esquecendo da correta pronúncia do Dilmês, Dilma Rousseff volta à cena para matar as saudades e os presentear com uma videoaula inédita do Dilmês, uma aula de conversação nível avançado. Uma aula magna de Dilmês. E, por tabela, revelar a origem do subdialeto.
Em entrevista a um repórter de Portugal - sim, porque, no Brasil, ladrão de dinheiro público não vai pra cadeia, vai passear na Europa (por que não vai passear na Venezuela, a desgraçada?) -, Dilma mostra que aperfeiçoou ainda mais o seu Dilmês, que até o globalizou, incorporando-lhe termos estrangeiros.
A ex-presidanta (agora só anta) começou a entrevista inventando histórias que nunca aconteceram, puros delírios de grandeza de comunista que foi desmascarada e enxotada do poder. Disse que, quando estava afastada, mas ainda era presidanta, embora não exercesse mais oficialmente a função para qual foi eleita (e quando ela a exerceu?), era obrigada a cumprir expediente no Palácio "do" Alvorada (e não "da"), um local sempre ornado por muitas flores. E que, logo após o seu afastamento, para debochar ainda mais dela, para chutar cachorro morto, as flores do Palácio "do" Alvorada, foram retiradas, confiscadas. E por quem? Pelos golpistas, claro!
Pããããããta que o pariu! Fiquei imaginando Temer e a alta cúpula do PMDB se esgueirando pelas dependências do Palácio "do" Alvorada, protegidos pela calada da noite, todos vestido de ninja, a arrancar, roubar e confiscar as flores, deixando a vida da ex-presidanta (agora só anta) menos colorida e perfumada.
Dando sequência ao seu delírio, Dilma Rousseff disse ao já atônito repórter português que não ficou, porém, muito tempo sem as suas flores. Sensíveis e solidárias às suas tragédia e humilhação, multidões de mulheres acorreram ao Palácio "do" Alvorada levando vasos, buquês e ramalhetes de flores em substituição às que lhe foram usurpadas, junto com o seu poder, pelos golpistas. Só faltou cantar Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, do Vandré, outro ícone dos comunas.
Nessa altura da entrevista, o repórter, basta olhar para o semblante do sujeito, já havia desistido de entender qualquer coisa. Só não tirou o microfone da boca de Dilma Rousseff por educação, por ética profissional. Antes o tivesse feito. Ou não. Ou não haveria o encerramento com chave de ouro. Ou Dilma Rousseff não teria nos servido a sua pièce de résistance.
Para coroar seu discurso, seu grandiloquente pronunciamento em Dilmês, Dilma disse que "era dita (e não tida) como uma mulher que tinha uma mania, era obsessiva-complusiva por trabalho, tinha, era uma workalcoholic!" Sou uma workalcoholic! - jactando-se ao repórter.
Pããããããta que o pariu!!!! Alguém deve ter "soprado" para ela a palavra workaholic - do inglês, viciado em trabalho - e ela traduziu para o Dilmês, virou workalcoholic. Trabalho bêbado! Traduzida do Dilmês para o português, assim fica a declaração de Dilma Rousseff : - Sou uma trabalhadora bebum!!!
Revelando, de quebra, como eu disse no começo da postagem, a origem do abjeto e indecifrável dialeto : Dilma trabalhava bêbada! O tempo todo! Workalcoholic que se declara! Aliás, trabalhadora? Tá bom. Dilma tem-se mesmo em alta e irreal conta, megalomania típica de comunistas com aspirações a ditadores
Pudera. Quem sai aos seus, não degenera. Fiel discípula de seu mentor e antecessor Lula, o sapo barbudo, o seboso de Caetés, o Nove-dedos, Dilma deu continuidade não apenas à ideologia e ao modo de governo de seu preceptor - formação de quadrilhas, saques e rapinas do erário público -, mas também mimetizou-lhe em seus hábitos pessoais. E entrou na cachaça! 
Aí, o repórter não aguentou. Encerrou a entrevista e ainda ironizou : "muito bem falado, Dilma." É a vingança do português. É o português fazendo piada com o brasileiro. Aliás, o brasileiro mesmo se fez essa piada de mau-gosto, Lula, Dilma e toda a corja do PT.
Devo, muito a contragosto, nesse caso, assumir a minha concordância com Dilma Rousseff. Se eu pudesse ser também um workalcoholic, trabalharia muito mais feliz, sofreria muito menos no carregar de meu fardo, no cumprir de minha faina, as horas de trabalho passariam céleres. Mas, infelizmente, trabalhar bebum parece ser, como tantos outros, foro privilegiado concedido apenas aos políticos desse país.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Aprendiz de Jardineiro

Uma vez iniciado em seus códigos, a identificação e o apego a ela, à palavra escrita, foram imediatos e irreversíveis. Desenvolvi, ou, o mais provável, dado o instântaneo da empatia, aflorou em mim um enorme apreço, desvelo e devoção à palavra escrita, aos seus caracteres mágicos.
Desenhista frustrado que sou - incapaz desde sempre de transformar uma ideia em uma ilustração, de dar corpo pictórico a um desencarnado pensamento -, a palavra escrita, muito possivelmente, se achegou a mim como um substituto possível ao desenho, uma forma mais capenga de dar forma à ideia, um prêmio de consolação.
Sempre gostei, desde o momento em que aprendi a juntar minhas primeiras letras e sílabas, de ver uma ideia minha tomar forma , um pensamento meu fixado no papel, embalsamado e conservado na forma da palavra escrita, feito borboleta rara e colorida espetada por um alfinete em uma prancha de isopor e a decorar a sala de estar de um mórbido colecionador.
Sou um mórbido colecionador e empalador de minhas próprias palavras. Como às borboletas, mantenho-as espetadas em pontas de tungstênio de Bic Azul. Gosto, amiúde, de relê-las, de apreciá-las, lambê-las, minha própria cria.
Uma vez tendo trilhado, feito um romeiro, o suave caminho da cartilha Caminho Suave, a palavra escrita se tornou em fotografia de minha voz e pensamento tímidos, introvertidos. E tenho álbuns e mais álbuns de fotografias guardados em pastas de plástico, dentro de gavetas com esferas de naftalina por guardiãs. Cada escrito, cada texto, uma velha fotografia. A minha velhice maior nem se vê em minhas faces, se vê na minha escrita, na minha caligrafia - hoje menor, menos inteligível, de inclinação cansada, como quem não vê a hora de chegar o fim da página, da linha.
Cada ideia fixada em palavra escrita, uma cápsula do tempo com minha voz mantida em animação suspensa, uma reserva criogênica de meus pensamentos. Reler um escrito é como pôr para tocar na vitrola um LP com minha própria voz, quiçá um 78 rotações no gramofone.
Uma vez ordenado e consagrado em aprendiz de jardineiro da última flor do Lácio, não me recordo de nenhuma época, fase, momento ou circunstância de minha vida em que eu não estivesse a portar um lápis, uma caneta, um caderninho, um livro, um gibi, uma palavra cruzada.
No primário, eu era muito bom nos ditados e sempre tirava "A" em composição, o que hoje chamam de redação, e, os mais viados, de produção textual.
Olhando minha vida em retrospectiva, que é a diversão predileta de todo velho, me lembro de que sempre escrevi, constantemente. Gostava de caçar e capturar insetos nos terrenos baldios, depois, eu os desenhava em um caderno e escrevia suas características; tinha outro caderno no qual eu escrevia o nome de todo filme a que assistia e fazia minhas considerações sobre, minhas críticas pueris; em outro, fazia o mesmo com cada livro que lia como tarefa escolar; mantive, durante muito tempo, diários, meus muros das lamentações (alguns sobreviveram e os guardo até hoje). Escrevi cartas. Durante uns tantos anos, dada a ocupação profissional de meu pai, que nos levou a morar em várias cidades, escrevi centenas de cartas a amigos distantes (guardo ainda muitas das respostas que recebi). Fui redator e editor do jornal universitário O Pasquímico, cuja publicação sobreviveu a um único número e que foi pior e mais violentamente recebido pela comunidade acadêmica da Quimica -USP - Ribeirão Preto do que a revista Charlie Hebdo pelo estado islâmico.
Então, em 1989, e eis o motivo dessa postagem e de todo esse prolegômeno e lenga-lenga, eu pari um escrito que foi, por falta (ou desconhecimento) de melhor palavra, meu primeiro poema, poesia, ou coisa que os valham. Tenho para com eles, os meus poemas, o mesmo método que tinha para com os besouros que capturava, os filmes a que assistia etc. Escrevo-os em cadernos que sempre carrego comigo, depois os passo a limpo em uma folha ou de sulfite, ou de caderno, numero-os, dato-os e os empacoto. Embora, tenha relaxado, nos últimos tempos, no trabalho de passá-los a limpo. Eles chegaram a uma quantidade que eu jamais suporia quando do primeiro. Os já passados a limpo, o último com data de 24/05/2014, somam 689 poemas; tenho, portanto, ainda uns três anos de poemas dormindo em meus cadernos, esperando ganhar sua forma definitiva. Não sei se cheguei a mil. O dia em que fizer o meu milésimo poema, aposento-me. Igual ao Pelé.
Perguntaram-me, então, recentemente, acredito que aqui mesmo no Marreta, se eu lembrava do meu primeiro poema. Pergunta que trazia clara a enrustida vontade da pessoa ver o tal. Por pura preguiça de fuçar o meu baú, desconversei : disse que sim, que me lembrava dele, mas que não era nada que valesse a pena ser lido, menos ainda publicado.
Hoje, talvez por falta de assunto, resolvi publicá-lo aqui, a minha primeira obra, a Carta de Caminha de minha carreira literária - pãããããããta que o pariu.
Antes de expô-lo à apreciação e, possivelmente, ao escárnio dos leitores do Marreta, tenho que dar, para uma melhor compreensão, alguns esclarecimentos prévios do poema ao qual intitulei : V.
O V, nesse caso, assume várias conotações, conformações e configurações geométricas e espaciais. O poema surgiu por conta de um senhor de um pé na bunda que levei de uma namorada, de uma ingrata (ingratidão, teu nome é mulher) de nome Vanessa. Na época, eu tinha acabado de ler a fantástica minissérie em quadrinhos V de Vingança, de Alan Moore (sim, o filme V de Vingança é baseado na minissérie e, obviamente, mil vezes inferior a ela) e também, intelectual que me julgava, andava às voltas com os poetas concretos. Dessa mixórdia total, mais o pé na bunda e mais o sempre inspirador chifre, nasceu V.
O poema conta com 5 estrofes de cinco versos cada uma - V é cinco em algarismos romanos -, dispostas no papel a formar um outro V, quando lidas diagonalmente para baixo da primeira até a terceira e subindo, depois, pela quarta e quinta. Vários "Vês" dentro de "Vês". Fractais de "Vês".
Um puta dum poema cheio de presunção e de afetação. Uma viadagem só.
Tirei uma foto dele, pois não consegui reproduzir a disposição das estrofes aqui no texto, foto que não está das melhores, mas acredito que, com algum esforço, esteja no limiar do legível.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Pequeno Conto Noturno (68)

Cláudia acorda. Um breve apagar de quanto? Dez, quinze minutos? Dois dias? Sabe que seria inútil forçar os olhos em captura do despertador sobre o criado-mudo de Rubens - ele nunca dá corda no mecanismo.
Dormira com a cabeça deitada na parte interna da coxa esquerda de Rubens, depois de se desencaixar e escorrer sobre ele. Abre os olhos e vê parte da coxa de Rubens, o joelho com uma cicatriz tão velha quanto grande e o pé esquerdo. Cláudia gosta da feiura do pé de Rubens. Dedos magros, descarnados e tortos, feito uma árvore de cerrado.
Espreguiça-se. Sabe que Rubens a olha. Escuta o barulho das pedras de gelo semifundidas batendo contra o vidro quando ele dá um gole na caneca de rum. Troca o rosto de lado na coxa de Rubens. Dá de cara com o pau dele. Em repouso. Ainda com a mescla dos cheiros, dos visgos e dos alívios cansados dos dois. As únicas coisas que têm um a oferecer ao outro.
Abocanha o pau em forte sucção. Quer limpá-lo. Recuperar um pouco da parte perdida ali de si. Roubar um pouco da de Rubens. Cláudia parece um daqueles cascudos, peixes com boca ventral dotada de uma poderosa ventosa, muito usados em aquário como limpadores de vidro e de pedras, nem tanto por sua ornamentalidade.
O pau ganha corpo dentro da boca de Cláudia, incha, bombeia, retesa-se.
Ela para e olha para ele. Observa atentamente o rosto de Rubens, como mulher que procura no rosto de seu homem por algum sinal de mentira. Vira o rosto dele ligeiramente. Para um lado, depois para o outro. Repete a operação algumas vezes. Presta especial atenção às orelhas dele, se não estão vermelhas, quentes, afogueadas.
- É isso o que eu mais preciso hoje - diz, finalmente, Cláudia - : um pau honesto.
Recoloca-o na boca, atola-o até a garganta. Treme, se encharca, toda aquela rigidez provocada por ela faz sua excitação subir uns tantos graus. Tira a boca do pau e olha pra Rubens.
- Um pau honesto - diz, de novo.
Sobe rastejando sobre Rubens e o monta sem aviso. Bruscamente. De uma sentada só. Cavalga-o. Dobra-se para frente. Debruça-se sobre ele, tapa a visão dele com os cabelos e põe o peito em sua boca. Rubens chupa. Mama com gosto. Um, enquanto amassa o outro com a mão; o outro, enquanto amassa o primeiro.
- O que foi - diz Cláudia -, não tá com fome hoje?
Rubens conhece os sinais de Cláudia.
- Sim - responde -, muita fome.
E suga forte, muito forte, o peito dela, morde o mamilo; torce, belisca feito um alicate o do peito fora de sua boca. Sente a buceta dela virar uma tenaz em torno de seu pau, uma prensa hidráulica.
Não seria certo dizer que Cláudia tem grande tolerância à dor. Ela possui é uma grande afinidade a ela.
Rubens suga e morde com força crescente. Sente o gosto peculiar que tanto lhe agrada. Toma dele. Guarda-o na boca, puxa o rosto de Cláudia para perto e o divide com ela - a língua dele, vetor portador de rubra peçonha. Ela sente o gosto do sangue na boca de Rubens. O seu sangue. Sangue ordenhado de seu peito. Crava as unhas no quadril de Rubens e o puxa para si - como se quisesse fagocitá-lo -, se arremete contra ele - como se quisesse esmagá-lo feito um rolo compressor -, quer empalar-se no pau dele. Cãibras se propagam pela musculatura da buceta, ondas sísmicas se irradiando do epicentro do pau de Rubens. Cláudia goza.
Deita-se sobre ele. Sem desmontá-lo. Mantém um leve remelexo com os quadris, como um carro em marcha lenta, pronto a arrancar de novo, a qualquer momento.
- Gosta de machucar sua menina, né?
- Gosto.
- Não vai gozar, não, seu puto? Não vai dar sua porra pra mim?
- Sabe que eu demoro. Gosto de. Ainda mais sendo a segunda. Mas você sabe o jeito, não sabe?
- Tá querendo comer meu cu, é?
- Quero acabar com ele, rasgar suas pregas.
Rubens sente a buceta dela voltar a se contrair, a se estreitar em seu pau, derramando nova carga de secreção morna sobre ele.
- Rasgar? - Cláudia pergunta a confirmar o que acabara de ouvir e morde forte a boca de Rubens, a vez dele sentir o gosto do próprio sangue.
- Sem dó. Sem perguntar se eu posso, ou se você quer.
Claúdia aperta-o ainda mais dentro dela. Corpo em pré-gozo.
- Também vai arrancar sangue do meu cuzinho?
- E bosta. Muita bosta.
Cláudia treme. Uma convulsão de 220 V. Ergue-se , apoia as mãos nos joelhos dele, joga o corpo para trás. Espasmo puro. Goza.
Sai de cima dele. Passa a mão na buceta, enfia dois dedos, recolhe toda a sopa, todo o melaço que lá está e passa no cu. Volta a pôr o pau de Rubens inteiro na boca e o mantém lá dentro. Rubens sente a boca de Cláudia se encher de saliva. Uma banheira sendo cheia de baba, muco e catarro. Um banho de imersão preparado especialmente para o seu pau. Ela tira a boca e o pau de Rubens parece um filhote de bicho recém-parido, cheio de grudes e de entranhas. Fica satisfeita com o resultado.
Cláudia dá as costas a Rubens e sobe sobre ele de novo. Encaixa a arruela do cu na cabeça do pau dele e desce de uma só vez. Grita. Seu cu parece querer decepar o pau de Rubens. Começa a subir e a descer vigorosa e violentamente, muitas vezes dobrando o pau de Rubens, que se lembra de fotos de fraturas penianas que vira em certa vez. Sobe e desce. A ferir-se mais e mais, talvez um autoflagelo. Uma dor maior traz o oblívio de uma menor. A dor como anestesia à própria dor. A dor fazendo-nos procurar mais dor. A dor tornada em Vicodin. A bunda de Cláudia torna-se em um frenético bate-estacas movido a dor.
Rubens surra a bunda dela com golpes espalmados, crava os dedos o mais que consegue, quer fazê-los perfurar a carne dela, abre as nádegas dela para ver melhor o arrombamento, puxa forte uma nádega pra cada lado, fala que quer separar uma da outra, rasgar o corpo dela à linha da coluna vertebral. Cláudia sente quando um novo, porém, familiar elemento - farto, grosso, gosmento - é jorrado e se junta a toda lama primordial dentro de seus intestinos. Rubens gozara.
Cláudia se desacopla do pau de Rubens, toma-o entre as mãos e olha para ele, verificar se Rubens cumprira com a promessa feita. Sim. Cumprira. Sangue e merda. Muito sangue e muita merda.
Cláudia vai para o chuveiro. Rubens limpa mais ou menos o pau numa das pontas do lençol - já o poria mesmo para lavar no dia seguinte -, torna a encher a caneca com o rum colocado ao criado-mudo e vai esperar por Cláudia no sofá da sala - por pura preguiça de abrir a geladeira, tomará o rum puro; whisky sem gelo, pensa Rubens, é dito caubói, e rum sem gelo? Bucaneiro, corsário. Rum corsário. Decide Rubens.
Cláudia não gosta de rum. Saída do banho, passa pela cozinha, pega um litrão de cerveja na geladeira, derrama metade numa caneca tomada ao armário - Rubens não tem copos em casa, só canecas - e leva o litro pra sala. Só de calcinhas, senta-se ao lado de Rubens, no sofá. Ergue sua caneca em direção a Rubens, a convite de um brinde. As canecas se tocam no clichê tim-tim.
- À nossa - diz Cláudia
- Ao cu me ofertado - devolve Rubens.
Riem. Emborcam.
- E que história é essa de "pau honesto"? Você chegou aqui esmurrando a porta, entrou meio que transtornada e me perguntando, seu pau é honesto, Rubens, seu pau é honesto, seu pau é honesto? Bom, pensei, meu pau nunca matou, roubou, nunca fugiu à luta, nunca cometeu perjúrio nem fingiu ereção, então, respondi que sim. Me come com ele, você exigiu. E eu comi. Mas que porra é essa?
- O Heron, aquele filho da puta - responde Cláudia.
- Que merda é Heron?
- Meu marido.
- Ah!
- Sabe o que o desgraçado me aprontou, sabe? A humilhação... Por isso, você mereceu o cu que comeu hoje, e o Heron mereceu o chifre, mereceu que eu tivesse te dado o cu que nunca dei pra ele. Ele cagou, Rubens.
- Um brinde à cagada do Heron, então!
Rubens enche as canecas dos dois com o resto do litrão.
- E que cagada foi essa que seu marido fez? Te trocou por duas de 25?
- Por duas de 19, seu puto.
Riem. Entornam a cerveja gelada.
- Foi pior. Muito pior. Descobri que ele tá tomando viagra pra poder me comer!
Rubens engasga, tenta segurar o riso pra não cuspir a cerveja pra longe - nenhuma risada vale desperdiçar um trago de cerveja -, mas a cerveja lhe escapa pelo nariz. Rubens se rende e gargalha.
- Tá rindo, né, filho da puta?
- E de onde tirou isso, que ele tá tomando viagra?
- Já tava desconfiada há algum tempo. Ele andava brochando regularmente e do dia pra noite o pau voltou a ficar duro feito ferro. Fui ler alguma coisa sobre e achei que o cara que toma viagra fica com as orelhas vermelhas, quentes, porque a desgraça aumenta a circulação, e as do Heron chegavam a brilhar no escuro.
- Agora entendi porque ficou olhando pra mim, virou meu rosto, olhou as minhas orelhas e deu o veredicto de que meu pau era honesto.
- Foi isso, sim. Hoje eu queria dar pra um pau que subisse por minha causa e não por causa de algum remédio. Será que as mulheres vão ter que começar a pedir exame antidoping, caralho?
- Doping ou não, vocês subiram ao pódio?
- Três vezes cada um, ontem.
- Então, qual o problema?
- Questão de autoestima, meu caro.
- Sei, sei, de empoderamento feminino, né?
- Vai se foder. Ai, comecei a vasculhar tudo em casa e achei os tais dos azuizinhos no fundo da gaveta de cuecas e de meias dele, dentro de um vidrinho.
- Grande erro - diz Rubens.
- Grande mesmo. E imperdoável. Ele me paga. Não perde por esperar.
- Grande erro seu, Cláudia.
- Tá de sacanagem, né? Tá querendo me foder, é?
- Já fodi. Não se mexe na gaveta de cuecas e meias de um homem. Sob nenhuma razão ou pretexto. O cara, quando casa, abre mão de tudo na vida, fica sem o seu espaço, a sua privacidade, o seu quarto, a sua cama, a sua geladeira, o controle remoto da TV, vê seu guarda-roupas ser invadido pelas roupas da mulher, vê o seu banheiro e sua escova de dentes tomados e soterrados por toda a sorte de potes e frascos de cremes, xampus, protetores, base, maquiagens etc, vê-se reduzido a mais um móvel da casa, um objeto de decoração, um animalzinho doméstico em sua própria casa. E qual seu último território? Seu último bunker? Sua última fortaleza inexpugnável? A gaveta de cuecas e meias, minha cara.
- Não tá falando sério, tá?
- Claro que tô. Independente do que ele escondia lá, você arrancou dele o último resquício de dignidade. E, além disso, como sabe que viagra, tem um monte de outros comprimidos azuis por aí.
- Eu o pus contra a parede e ele confessou.
- E depois?
- Saí e vim dar pra você.
- Tava esperando por uma desculpa há tempos, hein?
- Vá tomar no seu cu. E pega mais cerveja.
Rubens volta da cozinha com mais um litrão.
- Esse cara te ama, Cláudia.
- Vai se foder, Rubens. E enche a caneca aqui.
- Te ama, sim.
- Precisa de doping pra meter comigo e me ama?
- Te ama tanto que se arrisca ao doping, à humilhação de ser descoberto. E ao infarto. Deve ter lido também que o viagra pode infartar o coração do sujeito, não é? Ele tá se arriscando a um ataque cardíaco pra te comer. Desconheço maior testemunho de amor.
- O caralho, Rubens. Perdeu o tesão em mim e tá comendo outra. Ele não tá se arriscando é a ser capado, isso sim, o filho da puta, quando eu descobrir quem é a biscate.
- Se ele tivesse perdido o tesão em você e estivesse comendo outra, não precisaria do viagra. Era só pensar na outra quando estivesse na cama com você e pronto. Ele tá tomando o viagra justamente para não ter que procurar outra e testar e reafirmar sua virilidade, não quer procurar novos estímulos. Esse cara quer te comer pro resto da vida dele. Pode acreditar.
- Não acredito em amor de pau mole, Rubens.
- Coração é coração, Cláudia. Piroca é piroca.
Riem. Rubens abastece as canecas.
- Sabe que eu sempre gostei de ler, sabe do prazer que a leitura sempre me deu e dá até hoje, né? - pergunta Rubens.
- Sei. Tem mais livros que qualquer outra coisa nessa casa. Mais que móveis, que vasos, quadros, panelas, garfos e facas, roupas.
- No entanto, não consigo mais me entregar ao prazer da leitura sem o auxílio dos meus óculos. Continuo com tesão pelos livros, mas não consigo mais usufruir deles sem um aditivo para os meus olhos de musculatura cansada, presbiópicos. Tenho menos prazer com a leitura por que um impedimento orgânico me obriga a me valer de artificialismos para levá-la a cabo? Gosto menos dela? Tentei substitui-la por novos veículos, TVs de duzentas polegadas, telas panorâmicas 3D de cinemas? Claro que não. O Heron só tem um impedimento orgânico pro pau ficar duro, mas continua morrendo de vontade de te comer.
- Não é tão simples assim, Rubens.
- É triste. É decadente. Mas, sim, é simples assim.
- Tá querendo me fazer sentir culpada, é? Tá dizendo que eu devo perdoá-lo, dar uma segunda chance a ele?
- Perdoá-lo? Segunda chance? Não deu nem uma primeira dele se explicar.
Claúdia entorna o resto da cerveja. Rubens vai encher de novo e ela o detém com um gesto. Recolhe as roupas do chão, se veste, desamarrota o que é possível. Pensa em como esconderá o peito ferido a dentadas.
- Me chama um táxi, Rubens.
- Não prefere dormir aqui? São mais de duas da matina.
- Me chama um táxi, Rubens. Vou embora. Conversar com Heron, quem sabe me desculpar com ele.
- Bom, se ele tomou um viagra hoje, por volta, digamos, das 22 horas, você ainda o pegará de pau duro até umas seis, sete da manhã. Não precisa tanta pressa.
- Me chama um táxi, porra!
Rubens vai até a janela, abre-a, bota a cara pra fora e começa a gritar : - Táxi! Táxi! Táxi!
- Cadê o telefone?, que eu mesma chamo.
- Telefone?
- Ah! Tomar no cu, hein? Nem mesmo telefone fixo você tem mais?
- Têm uns três anos que não.
- Puta que pariu! Até a casa do Vinícius, aquela que era muito engraçada, que não tinha teto, não tinha nada, tinha mais coisas que a sua.
- É meu sonho de consumo, aquela casa.
- Pena que eu não seja, né?
Um contrair, um ricto no canto esquerdo da boca, que pode significar qualquer coisa, de ironia à simples aceitação das coisas como elas são, de como elas foram sendo colocadas, é a única resposta de Rubens.
- Vou chamar a merda de um uber, então - e Cláudia pega seu celular.
Nem dez minutos, um carro zarpa da frente do prédio de Rubens com Cláudia em seu banco traseiro. Que vai pensando : engraçado como essa coisa da idade traz mesmo mais maturidade às pessoas, até a Rubens. Ele, vai se lembrando ela, sempre foi alheio aos problemas e às reclamações da vida dos outros, uma indiferença só, nunca se envolveu com nada que não estivesse contido entre as paredes de seu apartamento. Hoje, cinco, seis anos depois, ele a surpreendeu sendo atencioso, interessando-se pelo problema conjugal dela, ouvindo-a sem pressa, deu até conselhos, foi até conciliador. Hoje, ele nem parecia o Rubens que ela conhecera.
- Puta que o pariu!!!! - grita Cláudia, fazendo com que o motorista a olhe intrigado pelo retrovisor.
A ficha, finalmente, tinha caído.
- Filho da puta - pensa Cláudia. E ri. Ele a enrolou de acordo.
Não parecia o Rubens, simplesmente, porque não era. O canalha não mudara coisa nenhuma. Toda aquela atenção, toda aquela lenga-lenga para me convencer a voltar pro Heron foi só um jeito mais fácil que ele encontrou pra me dispensar, pra me pôr na rua depois de ter me comido - conclui Cláudia. Sem despedidas, sem promessas de futuros encontros, sem escândalos, sem possíveis dramalhões. Rubens se aperfeiçou em dispensar suas mulheres, admite Cláudia.
Pensa em mandar o motorista dar meia-volta. Dizer poucas e boas a Rubens, armar um pampeiro no apartamento dele, só para constrangê-lo junto à vizinhança, mas deixa o uber seguir o curso original traçado pelo GPS. No fim, vê que está satisfeita demais para brigar.
Rubens, pela sua janela, observa o uber virar a esquina. Não pensou que Cláudia fosse cair tão fácil em seu ardil para pô-la à rua. A vida de casada destruiu os instintos dela. Aguarda mais alguns minutos à janela, só para garantir, veste uma roupa e sai para comprar mais cerveja, tomar sozinho até o sono chegar.
Depois de comer um cu - pensa Rubens com seus botões enquanto desce as escadas do prédio -, um pouco de solidão é tudo de que um homem precisa.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Décimo-Primeiro Mandamento

Abram alas para o décimo-primeiro mandamento! Espremam os outros dez e arrumem um espaço para a primeira emenda na Constituição de Deus, desde Moisés.
E já não era sem tempo. Fazem-se urgentes novas leis, artigos, parágrafos e alíneas a atualizar o Decálogo, a Carta Magna de Deus; enfim, novas diretrizes a nortearem e a fortalecerem a fé e o espírito cristão contemporâneos.
Novos tempos. Novos costumes e morais. Hoje em dia, não há Cristo que aguente seguir à risca os dez inflexíves ditames do Todo-Poderoso, as dez cláusulas pétreas (literalmente) do regimento divino.
Além do quê, o Decálogo é muito Velho Testamento. Só tem deveres, proibições e castigos - é não isso, não aquilo, não aquiloutro, é mandar pragas, é mandar pai imolar filho -, nada de direitos e prazeres. É punição atrás de punição.
Que tal novas leis mais ao estilo Novo Testamento, mais a la Cristo, leis mais em acordo com a atual declaração dos direitos humanos? E que melhor novo mandamento que um que contemple o perdão, o carro-chefe da palavra de Cristo? Que melhor novo mandamento que um que pregue e incentive o difícil exercício do perdão?
Na falta de Cristo, que prometeu voltar, mas ainda não, um pastor de uma igreja batista da cidade de Edgewater (Flórida, EUA) saiu na frente e fez as vezes do filho dileto de Deus. Cunhou se próprio mandamento. Que merece, sem dúvida, honroso lugar ao lado dos outros dez.
"Forgiveness is swallowing when you want to spit"
Que, vertido para o bom português, fica : "Perdão é engolir quando vocêr quer cuspir".
Sensacional! Genial, esse pastor! Desconheço melhor alegoria para o perdão : engolir em resignação, por amor cristão, quando a vontade é cuspir em impropérios e blasfêmias.
Três opções me ocorrem para a redação final do texto do décimo-primeiro mandamento : a) Engolirás; b) Não cuspirás; ou c) Ajoelhou, tem que engolir.
Mas, como não podia deixar de ser, os patrulheiros ideológicos da internet, o esquadrão da morte da diversidade de opiniões, os ditadores da moral seletiva, chiaram e acabaram com a alegria do pastor.
Uma tal Catherine306098 postou a foto acima num troço chamado instagram e o templo caiu para o pastor. A inocente e bem-intencionada tentativa do pastor promover a paz entre os homens de bem foi tomada como uma mensagem de conotação sexual.
Frente às revolta e indignação de seus paroquianos, não restou outra alternativa ao pastor que não a retratação. Num comunicado à emissora WKMG, ressaltou que : "a ideia original era completamente inocente e com o objetivo de incentivar o perdão. Desculpamo-nos se alguém se sentiu ofendido".
O pecado está, mesmo, nos olhos de quem vê. O presbítero pregando o perdão e os crentes dos cus quentes só pensando em putaria e devassidão.
Pois é. Cada tempo tem o Moisés que bem merece. E, claro, também os seus fariseus.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Coisa de Branco (Ou : Esclarecendo a Poesia)

Só faço versos brancos!
 

Calma, calma,
Justiceiros sociais sedentos por seus 15 minutos de fama nas redes sociais.
Calma, calma,
Vítimas de plantão ávidas por indenizações.
Calma, calma,
Credores da dívida histórica obcecados por alheio e suado dinheiro.

Calma, calma
Apedrejadores e algozes de William Waack, 
Se babando de fúria e de falta de talento,
Rondando feito abutres covardes e hienas oportunistas
A carcaça do grande jornalista.
 

Versos brancos
São tão-somente
Versos sem rima.
Ficou claro, agora?
Preto no branco?

Aos Bêbados e aos Pecadores (Ou : a minha solidariedade a Zé Mayer, William Waack e Kevin Spacey)

O politicamente correto - a ditadura do pensamento, a patrulha ideológica da canalha da esquerda, os justiceiros sociais, sempre prontos e ávidos a tacar um processo em quem pense diferente deles e lavar suas honras ofendidas com uma graninha, com o vil metal, a tirar dinheiro de quem trabalha honestamente - tem atingido e ultrapassado as raias do absurdo e do surreal - que o digam Zé Mayer, William Waack e Kevin Spacey, esses injustiçados pelos justiceiros sociais, pelos desocupados que ficam o dia inteiro com um cabo de internet conectado aos respectivos cus.
Agora, no País de Gales - mais que um reduto tradicional de manguaceiros, um verdadeiro destino turístico mundial da bebedeira -, o politicamente correto faz novas vítimas, o bebuns, os pés de cana.
Na cidade de Cardiff, um convênio entre a polícia local e as lojas de bebida da rede SPAR está a causar estranheza na população etílica nativa, a produzir uma imagem, no mínimo, inusitada, surreal. O sujeito entra numa loja de bebidas e tem que passar pelo teste do bafômetro se quiser comprar goró, se quiser se embrigar. Se já estiver bêbado, nada feito. A venda da bebida lhe é negada. Bebum aqui não, meu amigo. E o sujeito é enxotado do estabelecimento. Ou seja, para o politicamente correto, até para beber, pra entornar o caneco, pra encher a cara, pra enfiar o pé na jaca, o sujeito tem que provar que está sóbrio.
A empresa justifica o procedimento, na voz de um de seus gerentes ao tabloide The Sun : "a fim de impedir que bêbados continuem bebendo, não podemos nos furtar à nossa responsabilidade social."
Responsabilidade social é o caralho! Responsabilidade social de uma loja de bebidas é bem servir ao seu público, é continuar a abastecer o bebum. Além do quê, um bêbado satisfeito causa muito menos problemas que um sóbrio amargurado. Impedir bêbados de continuarem a beber? O cara entra na loja, faz o teste do bafômetro e vem o veredicto : o senhor está bêbado, ponha-se daqui pra fora!
Calma, leitores do Marreta, que a moda ainda não pegou por aqui, mas, certamente, não tardará em. Mas pããããta que o pariu!!! Um bêbado não poder comprar bebidas? E quem as comprará? Um asceta? Um abstêmio? O pessoal do A.A? O Jotabê? 
Extrapolemos essa decisão abusiva, preconceituosa e discriminatória para outros setores.
O cara entra na farmácia e pede um antibiótico. O farmacêutico, olha-o, examina-o, e diz : volte quando estiver são, não vendemos remédios para doentes.
O cara entra num restaurante e pede um prato feito, aquele com arroz, feijão, torresmo e um zóião por cima. O garçon o olha e diz : volte quando já tiver comido, não servimos pessoas com fome nesse estabelecimento.
O cara estaciona no posto de combustíveis e pede ao frentista que encha o tanque do carro. O frentista olha para o cara e diz : volte quando o tanque estiver cheio, não abastecemos carros com tanque na reserva aqui.
O cara vai a uma igreja, entra no confessionário e diz : padre, me perdoe porque pequei. O padre olha o cara através da treliça e diz : meu filho, volte aqui quando estiver puro de ações e com a alma e a consciência em paz, não atendemos a pecadores.
O cara vai até à zona e pede uma menina pra subir pro quarto, a cafetina olha pra ele e diz : mostra o pau. Se o cara estiver de pau duro, fudeu, ou melhor, não fudeu, não fuderá. A cafetina o olha e diz : não atendemos a pervertidos aqui, volte quando o tesão tiver acabado.
Pãããããããta que o pariu!!!
Que merda!!!!
Tudo o que a humanidade levou milênios para erigir, às custas de muita guerra, sangue, conquistas, genocídios e, sobretudo, muita putaria e libidinagem, o viado do politicamente correto fará ruir em poucas décadas. Não é a barbárie que levará a humanidade à extinção. É o politicamente correto. É o fraco. O invejoso. O incapaz inconformado com o talento do outro. É a viadagem.
Uma salva de 21 tiros de canhão em honra aos bêbados, aos enfermos do corpo e da alma, aos famintos, aos tarados e, claro, a Zé Mayer, William Waack e Kevin Spacey. 

Aos pecadores, de forma geral.