quarta-feira, 19 de junho de 2019

Vegana que Eu Gosto.

Tem crescido, de uns dois anos para cá, o número de adeptos ao modismo vegetariano e, agora, à picaretagem vegana no meu ambiente de trabalho. Pelo fim do sofrimento animal, pela sustentabilidade do planeta e outros blá-blá-blás politicamente corretos.
Acham mesmo que, para o animal que serve de sustento a outro, faz alguma diferença que seu pescoço e sua jugular sejam dilacerados pelas presas de um lobo, ou cortados precisa e cirurgicamente por lâminas mecanizadas de um frigorífico com escala industrial de produção? Ele preferiria estar vivo.
E o planeta é sustentável; a espécie humana é que não o é.
Tenho cá para mim que o vegetarianismo/veganismo e outros assemelhados são modalidades modernosas de autoflagelo. Privar a alma dos prazeres sensoriais proporcionados por certos alimentos e o corpo de nutrientes essenciais a ele, e só nestes alimentos contidos, só pode ser autoflagelo. Autopunição.
Nunca se perguntaram por que certos alimentos nos causam tanta gula, nos dão tanto prazer, nos trazem tanta água à boca? Porque justamente nestes alimentos é que estão os nutrientes que são mais caros e necessários e indispensáveis ao bom funcionamento da máquina.
Quem, em sã consciência, saliva de luxúria à visão de uma salada de alface com couve-de-bruxelas salpicada com sementes de quinoa e painço? Só uma mente muito torta, muito pervertida. De repente, pode ser isso também, o vegetarianismo/veganismo serem uma tara, um fetiche. Alface é para elefante, vaca e coelho. Painço, para passarinho.
Mas continuarei apostando na hipótese da autoflagelação. Para espiar a culpa por toda a devastação causada pela espécie humana. Autoflagelando-se, o vegetariano/vegano espiaria, se não os pecados de sua espécie, ao menos o seu pecado de a ela pertencer. O vegetariano/vegano seria um tipo de Jesus ambientalista. Os Greenpeaces de Cristo. Deus me livre.
Culpa pela própria condição biológica? Gosto e tenho orgulho de ser um ser humano? Em raríssimas vezes. Acredito que a natureza oferece milhares e muito melhores possibilidades de formas de vida. Mas o sou. Posso não morrer de amores pela minha condição biológica, mas sentir culpa por ela? De predador e parasita do planeta? De jeito nenhum.
Sem que eu me lembre de nenhuma exceção, todos esses novos apóstolos do vegetarianismo/veganismo que conheço são de viés político esquerdista. Todos votaram no Lula e na Dilma. Coincidência? Porra nenhuma.
O esquerdista é um fanático. E, como tal, um exímio simulador de realidades, especialista em substituir os fatos por suas crenças fracassadas. A realidade do esquerdista não é a que ele vê, vive, sente na pele, é a que está no seu cérebro lavado e enxaguado, é a que está no seu catecismo ideológico.
Logo, nada mais fácil e natural para o esquerdista do que negar sua condição biológica, de se idealizar e de se retratar como um ser independente e acima de seus cromossomos, uma entidade superior e única no planeta capaz de transcender o seu genoma. Um ser puramente ético e moral, não orgânico. Praticamente um ser de luz. Luz esta, no caso do esquerdista, roubada de um poste da companhia de eletricidade (esta exploradora do proletariado), obtida na forma de "gato".
Pois não vem da esquerdalha a abjeta e mal-intencionada (como sempre) ideologia de gêneros? Aquela que diz que ninguém nasce homem nem mulher? Que o sexo é uma construção social?
Construção social é o caralho! Aliás, o caralho, não! O caralho é uma construção biológica! Verdade que uns são bem mais projetados, foram construídos com mais argamassa e concreto armado, melhor acabamento e funcionalidade, verdadeiras mansões; já outros estão mais para um apartamento quarto-e-sala (infelizmente), mas tudo construção biológica.
Nasceu com cromossomos X e Y, nasceu com caralho. É homem. Agora, com quem ou como ele vai usar esse caralho é outra história, e só cabe a ele decidir. Mas é homem.
Nasceu XX, nasceu com buceta. É mulher. Se vai pô-la a brigar com cobra ou com aranha é outra questão, e só cabe à dona da perseguida resolver. Mas é mulher.
Pois para o sujeito que  é capaz de negar o próprio pau entre as pernas, nada mais fácil que dizer - e acreditar - que não prescinde de proteínas, e mesmo de vitaminas, exclusivamente de origem animal. Construímos nossos corpos do que comemos. Somos animais. Semelhante cura semelhante, diz a homeopatia. Semelhante dissolve semelhante, diz a química de soluções. Semelhante constrói semelhante, diz a biologia celular.
De novo, o esquerdista sobrepõe sua crença ao fato óbvio ululante.
Estão lá a batata, a beterraba, a abobrinha. Meu organismo está equipado mecânica e bioquimicamente para mastigá-las, ingeri-las, digeri-las, absorvê-las e convertê-las em energia e em novas células? Sim. Então, é porque ele precisa do que elas contêm. Caso contrário, não estaria equipado para processá-las. Então, eu vou lá e as como. E ponto.
Estão lá a carne de gado, a de frango, a de peixe, os ovos e o leite e seus derivados. Meu organismo está equipado mecânica e bioquimicamente para mastigá-los, ingeri-los, digeri-los, absorvê-los e convertê-los em energia e em novas células? Sim. Então, é porque ele precisa do que eles contêm. Caso contrário, não estaria equipado para processá-los. Então, eu vou lá e os como. E ponto.
Simples e irrefutável assim. 
Se autoflagelo, se fetiche, uma coisa é certa sobre o vegetariano/vegano : é tudo gente com a vida ganha, com o burro na sombra, com tempo ocioso demais e com o prato cheio. Tivessem que se preocupar dia a dia com a sobrevivência, comeriam o que lhes caísse à frente, a lamber os dedos e os beiços. Vegetarianismo e veganismo são luxos de quem pode escolher o que comer. Querem coisa mais pequeno burguesa que isso?
Em homenagem aos vegatarianos/veganos, que neste momento devem estar a roer algum nabo, e aproveitando que amanhã é feriado, abri minhas atividades etílicas já hoje, na quarta-feira, passei no mercado e comprei meia dúzia de minhas sacrossantas latinhas. Para beliscar? Para tira-gosto?
Iscas de fígado acebolado, puxado na pimenta-do-reino, e coberto com grossa camada de mussarela derretida. Que deixei a marinar o dia todo no próprio sangue do boi.

Travessuras de Menina Má (21)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Só Sós Somos

Dia desses, li, ouvi, me mandaram, sei lá, que só somos/existimos através de nossas interações sociais, de nossa promiscuidade com o bando, que só existimos como formigueiro, nunca como lobos solitários. 
Segundo onde li, ouvi, ou segundo quem me mandou, até mesmo nossos talentos e peculiaridades são frutos de nossas relações com outrem.
Para tais pessoas, por exemplo, Van Gogh, as tintas que ele usava, os pincéis que empunhava e a tela em branco que lambuzava são todos equânimes protagonistas do quadro acabado, do produto final. Para tais pessoas, Van Gogh, só foi Van Gogh porque teve acesso às tintas, pincéis etc. Van Gogh nada seria sem eles.
O caralho! Típico discurso de quem sempre foi tela em branco.
O caralho! Típico discurso esquerdista, mal intencionado. Típico discurso covarde e derrotista de quem diz que todos são especiais; que só é outra forma de dizer que ninguém o é. 
Típico discurso de quem deprecia o talento e o mérito individual dos nascidos acima da média e tentam, por terem nascido, eles próprios, totalmente desprovidos de predicados, aplanar a tudo e a todos ao rés do rebanho mugidor e balançador de rabo.
Típico discurso de quem, tendo nascido mediano, medíocre, e não suportando ficar sem companhia, pois não se basta, quer nivelar todos a seu estrato, quer levar todos ao seu triste gueto.
Não sei de onde pariu-se tal joia da veneta. Se de um livro de autoajuda de Paul Rabbit, se de um programa vespertino de fofocas, receitas e casos de família, se de alguma postagem campeã de likes de alguma rede social.
Antigamente, chamávamos a isso de filosofia de para-choque de caminhão. Antes fosse, meus amigos, antes fosse. 
Tenho enorme saudade e respeito pelas frases de para-choques de caminhão; muito mais honestas e precisas. Não vemos mais hoje frases pintadas à caligrafia caprichada, geralmente em tinta amarela, nos para-choques dos caminhões. Que fim levaram estes anônimos frasistas e criadores de aforismas do asfalto?
Vai ver viraram youtubers, famosinhos do feicibúqui, ou, pior, sociólogos, psicólogos e pedagogos.
Achar - querer que todos achem - que só se existe em função da manada? Ou que esta triste e inexpressiva forma de vida é o único tipo válido de existência?
Que autoinsuficiência é esta? Que vácuo interior é esse de que essa pessoa deve padecer? Que oco existencial do caralho! Por fora, nem mais bela viola.
Pois digo que só existimos sós. Se sós. Quando sós.
Em nossas interações, anulamo-nos. Pomo-nos no piloto automático, em animação suspensa. Ponho-me, pelo menos. Ter de estabelecer conexões com o rebanho - no trabalho, nas ruas, no trânsito, nos mercados - é viver em eterna prisão em regime aberto : só poder ser eu mesmo quando me recolho, à noite, ao conforto e à solidão tão aguardados de minha cela. Preferiria, se me fosse possível, prisão de segurança máxima. Castigo maior, soltam-me, no entanto, ave de asa cortada : os fingimentos e salamaleques sociais são a minha tornozeleira eletrônica.
Não finjo. Mostro meu desagrado para com eles. Sou ranzinza, carrancudo, áspero. Os que se dizem felizes, integrados, úteis? Tudo delírio induzido por  antidepressivos, tarjas pretas, terapeutas picaretas, ideologias fracassadas e Jesuses. 
Em grupo, não somos. Simulamos. Brincamos de ser. De ser  professor, bancário, motorista de ônibus, lixeiro, dentista, verdureiro, padeiro, gigolô, camelô, padre.
"E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial, que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social?"
Só sós é que verdadeiramente somos. A morte é uma transação solitária. A vida mais ainda. Quem vive pelo superestimado coletivo não tem vida; foge da vida; prevarica-a.
Só somos nós se e quando despidos dos olhos e dos dedos indicadores do bando. 
Consegues, vestindo a nova roupa do rei, desfilares nu frente à multidão? E, prova definitiva dos nove, frente a ti mesmo? 
Só somos nós no banheiro, de madrugada, bêbados, sentados ao vaso e passando uma cantada barata na nossa cara macilenta no espelho.
Quem tem coragem, hoje em dia, de ficar só? De olhar para o abismo? Para o espelho plano e fidedigno do banheiro? Melhor olhar para o salão de espelhos deformados que são os olhos do bando sobre nós, não é? Desfilar em passarelas monitoradas por photoshops, né? Mais fácil e grata a aprovação do patrão, dos colegas de trabalho, dos familiares, que a nossa própria, certo?
À merda todos vocês. Que precisam do olhar do outro para se enxergarem. À merda todos vocês.
Acreditam mesmo que não sejam exército de um homem só? Então, nunca estarão preparados para a guerra.
Só só é que sou. E não abro mão disso. Ainda que, cada vez mais, menos possa ser só, menos possa ser eu. 
Ainda que encurralado, não privatizo meu eu, não o terceirizo.

sábado, 15 de junho de 2019

STF, Eu Também Vou Querer Meu Estatuto!!! (3)

Colpofobia é crime!

New Kid on The Blog

O inquebrantável Jotabê, o general da banda do Blogson Crusoe, entrou numas de crise existencial e realizou o suicídio assistido de seu blog.
Não sem opositores, devo registrar. Por vezes, tentei dissuadi-lo de seu intento de autodestruição. Mas sou um péssimo vendedor. De qualquer coisa. Não seria eu, portanto, quem lograria sucesso em convencer Jotabê de que vale a pena continuar vivo.
Fosse eu um atendente do CVV (Centro de Valorização da Vida), os números de suicídios disparariam. Se uma pessoa ligasse por engano para o CVV e a ligação caísse no meu ramal, mataria-se depois de uns três minutos de conversa comigo.
O Blogson Crusoe morreu. No seu velório, seus 2,3 leitores.
Uma semana depois, contudo, no dia da missa de sétimo dia do Blogson Crusoe, Jotabê, que valorosamente, há tempos, e sem grandes dificuldades, absteve-se do consumo de bebidas alcoólicas - mas não do Toddynho -, entrou numa crise braba de abstinência virtual e fundou o Lingüiça no Fumeiro, o seu novo blog.
Pãããããããta que o pariu!!!!! Jotabê é o new kid on the blog!
Segundo Jotabê, o nome do novo blog vem de uma "lembrança de um caso contado por meu pai e que eu nunca mais consegui lembrar na íntegra". Uma pena para os velhos 2,3 leitores do novo blog, pois Jotabê é um competente contador de "causos".
Não sou de pôr minha linguiça no fogo (nem no fumeiro) por ninguém, mas garanto-vos que Lingüiça no Fumeiro será um bom blog, desde já merecedor do selo ISO-Marreta de qualidade. Por que tenho tanta certeza? Porque o Blogson era bom.
De mais a mais, a lingüiça do Jotabê é lingüiça das antigas, com trema e tudo. É lingüiça de confiança, é lingüiça JB, não JBS.
A confirmar toda a minha rasgação de seda, Jotabê inaugura o Lingüiça no Fumeiro com um inspirado poema, Ampulheta.
A eterna e unilateral relação do homem com o tempo que dele se esvai, inexoravelmente. A agonia de observar a areia que escorre e cai, sem volta. A areia e outras coisas mais, tão tristes quanto.
Eis o link para o poema :
https://newblogsoncrusoe.blogspot.com/2019/06/ampulheta.html

STF, Eu Também Vou Querer Meu Estatuto!!! (2)

Alectorofobia é crime!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Vamos Comê-la Por um Mês

A revista satírica francesa Charlie Hebdo é mesmo um farol de Alexandria do humor das antigas - o único tipo verdadeiro de humor, o resto é "fazer gracinha" - a iluminar e a rasgar o céu sombrio, rançoso, recalcado, canalha, mal-intencionado e burro do politicamente correto e de outros tipos de fundamentalismos.
Uma casamata do riso desbragado, da gargalhada sem pudores e falsos moralismos. Que o politicamente correto não sabe rir, sempre tão engajado em seus justiçamentos sociais. O politicamente correto não gargalha, faz kkkkkkkkkk, ou rsrsrsrrsrsrs. Pois enfiem seus kkkkkkk nos cus.
Em 2015, a redação da Charlie Hebdo foi alvo de um ataque terrorista de um grupo radical islâmico por publicar charges de Maomé, o Jesus Cristo lá dos caras. Doze funcionários foram mortos e o mundo ocidental todo defendeu a revista, defendeu a liberdade de expressão, chorou pelos seu mortos.
Agora, porém, a Charlie Hebdo se pôs na mira de uma facção ainda mais xiita, ainda mais fanática e acéfala : as feministas. A revista, inadvertidamente, ou não, inflamou a ira das meninas dos suvacos cabeludos, das muxibas, dos pés grandes, dos grelos duros.
Na capa da edição desta semana, a revista deu destaque ao "importantíssimo" evento esportivo a ocorrer no país : a Copa do Mundo de Futebol Feminino.
Um bucetão depilado com uma bola de futebol adentrando o meio de campo e, na chamada, "Coupe du Monde Féminine". On va bouffer pendant un mois!" Copa do Mundo Feminina. Vamos comê-la por um mês!
Pããããta que o pariu!!! A capa juntou duas das coisas de que o homem mais gosta : futebol e buceta!
Foi o que bastou para deflagrar uma revolta nas redes sociais - redutos de feministas desocupadas, que não têm uma pia de louça suja nem cueca do marido para lavar -, para causar a indignação das jogadoras, da imprensa internacional e de todos os "inteligentinhos" de plantão, que, certamente, defenderam a revista no caso do ataque terrorista de 2015.
Vários foram os adjetivos elogiosos à capa : "machista", "revoltante", "desprezível", "desrespeitoso", "ofensivo", "perigoso", "repugnante"...
A mim, ocorre um único : que bucetão!!! Bem verdade que podia ser um pouco mais peludinho, bem verdade que o gramado tá meio judiado, mas que bucetão!
Que falta de humor das feministas. Cadê a tolerância à diversidade de opiniões, à pluralidade de pensamento, tanto defendida - em discurso - pelas feministas e outros tentáculos esquerdistas? Tolerância no cu dos outros é refresco, é isso? Ofender o deus alheio pode, dar uma zoada num campeonato de um esporte ridículo, não? Ora, vão à merda!
Até algumas jornalistas brasileiras, a pedido do site PAGE NOT FOUND, se manifestaram sobre a capa.
"Muito mau gosto. Credo!" - Flávia Oliveira, jornalista.
(Sei lá, vai ver que é mesmo questão de gosto, eu gosto bastante).
 "Que nojentooooooos. Não tem mulher trabalhando nessa redação e os caras que fizeram isso não têm mãe, mulher, irmãs e filhas? Porque só consigo imaginar tamanho desrespeito partindo de quem não convive com mulher nenhuma... são atletas numa competição! Machismo é pouco...", Mariana Godoy, jornalista e apresentadora de TV.
(E mãe, mulher, irmãs, atletas etc, por acaso, não têm bucetão? E por que o bucetão ofende tanto?).
Para mim, esta capa foi um gol de placa da Charlie Hebdo. Entraram com bola e tudo.
"Vamos comê-la por um mês"! Eu, sinceramente, dou o maior apoio à ideia. A não ser que seja a de uma feminista que calça chuteira 44 bico largo.

Je Suis Charlie!

STF, Eu Também Vou Querer Meu Estatuto!!!

Coulrofobia é crime !!!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Quero Chorar

"Quero chorar,
Não tenho lágrimas...",
Já falou e versou algum compositor popular,
De viola queixosa;
Exagerado.

O meu caso é pior:
Quero chorar,
Não tenho palavras,
Não tenho mais versos.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Dia dos Namorados

Daqui a 10 anos?
Daqui a 10 anos.

(filhos criados e malcriados, casamentos perfeitos desfeitos, ideologias abortadas, tecnologias não-biodegradáveis abarrotando os aterros sanitários da alma, ídolos quebrados, relicários vazios)

Agora?
Agora.
Amanhã?
Amanhã.
Semana que vem?
Semana que vem.
No feriadão?
No feriadão.

Daqui a 10 anos?
Daqui a 10 anos.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Reis Afogados

Seremos
De fato
Involuntários naufrágos?
Ou, sim, sirenas bipolares?

Queremos 
De fato
Abandonar nossas ilhas particulares,
De sortilégios, de caprichos,
De maquinações?

Nossas mensagens lançadas ao mar em garrafas vazias de rum
Serão mesmo gritos arrolhados de socorro,
Ou somente capítulos avulsos de nossa parca biografia,
Volumes mal encadernados de nossa pouca biblioteca?

Nossos cantos lançados ao mar em garrafões secos de bebida púrpura
- gravados em papiros, em folhas de bananeira, em curingas de baralho -
Serão mesmo uivos de S.O.S,
Ou brilhantes e esverdeadas pontas de icebergs,
Para afundar navios
E afogar reis?

Nossas garrafas serão mesmo pedidos de habeas corpus,
Ou chamarizes e arapucas
Para engaiolar veleiros
E mumificar reis em sarcófagos de formol?

Ato Institucional Nº 6

A Poesia não é musa do pensamento livre.
É sua capataz, sua feitora,
Sua capitã-do-mato.

A Poesia
Tenta impor
Significados à placidez do Nada 
À serenidade do porra nenhuma.

Quer vestir,
Quer cobrir,
A nudez inocente e alegre do não-significado :

Com letras,
Que são as tornozeleiras eletrônicas,
As marcas em ferro em brasa
A castigar toda a liberdade,
Toda a brancura autossuficiente do papel;

Com palavras,
Que são as tarjas pretas dos censores
A botar cintos de castidade
No nu frontal do obsceno silêncio;

Com métricas, 
Com estilos,
Que são os sutiãs
(a serem queimados)
Das grandes tetas,
Das cornucópias do livre pensar.

Por isso, 
Prefiro a honestidade truculenta
Dos decretos-lei,
Dos Atos Institucionais.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Serguei, o de Vida Eterna

Agora, é verdade.
Serguei, o de vida eterna, abandonou a carcaça que lhe carregou por 85 anos, Sérgio Augusto Bustamante.
Sérgio Bustamante, diz o atestado de óbito, morreu de anemia associada a infecção e a pneumonia.
Serguei morreu de sexo, drogas e rock'n'roll. Que melhor morte, ou, melhor, que melhor vida pode haver?
Serguei pode não ter sido o pai do rock, crédito dado ao diabo, mas foi o seu irmão mais velho, o primogênito a orientar o caçula nas coisas boas da vida.
Serguei era o rockeiro mais velho que o rock'n'roll. Nasceu em 1933, o rock em 1951.
Serguei já era maior de idade quando o bom e velho rock ainda balbuciava e se cagava nas fraldas.
Serguei, sempre subestimado pela crítica, sempre retratado como um maluco beleza, com mais histórias e delírios para contar do que talento para mostrar, era intérprete de primeira, cantava pra caralho, sim. Gravou a melhor versão de Help, dos Beatles (a boy band mais superestimada da história), que eu conheço. Help, na voz dos Beatles, é musiquinha de matinê, de brincadeira dançante, de trilha sonora de novelinha da Globo, contraindicada para diabéticos; na voz de Serguei, é apoteose sinfônica de anjos e querubins, com demoniazinhas tetudas de mamilos flamejantes nos backing vocals.
Aliás, Serguei morreu porra nenhuma. 
Serguei é o Mumm-Rá do rock, o de vida eterna.
Continua vivo, no Inferno, sem dúvidas; a executar os clássicos do rock'n'roll. 
A tocar fogo na guitarra. E na rosca.
Está lá nesse exato momento. A comer a Janis Joplin e a chupar a rola do Jim Morrison.
Serguei se definia como pansexual : transava com homens, mulheres, extraterrestres, árvores e robalos.
Frase de Serguei, ou atribuída a ele : "uma vez no inferno, o negócio é comer o cu do capeta".
O capeta tá andando pelo inferno com a bunda virada pra parede. 
No lugar do capeta, eu também estaria.
Serguei
1933 - 2019

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O Milagre do Semiaberto do Lula

Sobre o regime semiaberto do Sapo Barbudo, no qual será dado ao Nove-Dedos, que nunca foi chegado à labuta, o direito de trabalhar durante o dia e ir pro xilindró apenas para dormir, o Papa Francisco I, o Chiquinho Milongueiro, comentou :
Para o milagre ser completo, só falta a visita do Chiquinho à Papuda fazer com que sacerdotes católicos também queiram pegar no batente.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Embicharam o Pirata!!!

Pãããããããta que o pariu!!! O complô internacional firmado entre os mandatários do mundo para promover o embichamento global parece mesmo desconhecer limites! Embicharam o pirata!!! 
Meu primeiro contato com bebidas alcoólicas se deu pelo rum. O rum : bebida que, no percorrer dessa longa estrada da vida, se mostrou, ao mesmo tempo, o meu espinafre e a minha kryptonita.
Na época do meu batismo de fogo (e bota fogo nisso!), lá na saudosa e obscura década de 1980, só havia um tipo de rum : o rum. E fim de papo.
O rum : a única bebida digna de um pirata, de homens com a pele e os brios curtidos pelo sol e pelo sal.
O rum : a única bebida que traz em seu corpo a rudeza, a aspereza e a brutalidade necessárias à prática do ofício do pirata. E também ao seu sono tranquilo.
O rum : de preferência tomado no crânio recém-descarnado e escalpelado do inimigo.
De lá para cá, sucessivas, sutis e insidiosas alterações e inovações no rum foram feitas para torná-lo mais palatável aos paladares mais sensíveis, mais bichescos, para fazê-lo cair no gosto comum médio das gerações mais jovens, gerações de merdas e de frouxos, de roscas frouxas.
Já há algum tempo, o rum é oferecido nas prateleiras dos mercados em várias versões "comportadinhas" : tem o Carta Ouro (o que mais se aproxima do rum rum), o Carta Branca, o Carta Cristal (ui, ui, ui...) e o Lemon Rum (com extratos "naturais" de limão; será que é para o pirata se embriagar e, ao mesmo tempo, já combater o escorbuto?). 
Viadagem, meus amigos, pura viadagem. 
Mesmo o rum original teve a sua graduação alcoólica reduzida de 42% para 37%.
Apesar disso, o rum, o sangue pirata, nunca se tornou uma modinha, uma tendência nas tais baladas. Apesar disso, o rum nunca caiu no gosto da viadada e da biscataiada que campeiam pela noite. Apesar disso, a imagem do pirata estampada no rótulo da garrafa, independente da versão da bebida nela contida, se manteve firme e respeitável, sendo sempre associada a uma ideia de virilidade rústica, à figura do macho das antigas. Botaram-no, o pirata, até mais sorridente no rótulo. Em vão. O rum manteve sua aura de masculinidade.
Até agora, meus amigos... até agora...
Hoje, ao passar pela seção de bebidas do supermercado, um rótulo azul, festivo e cintilante, chamou-me a atenção. E nele estava o Pirata. Com um sorriso ainda mais amplo, de quem fez limpeza, fluoretação e pôs revestimento de porcelana nos dentes. Camisa passada e engomada com colete de mauricinho. Mangas bufantes. Mais para odalisca que para pirata.
Cheguei perto para ver que outra versão corrompida, que outra tentativa de minar a virilidade do rum estava a ser levada a cabo. Foi pior do que eu pensei. 
Não era uma nova e mais frouxa versão do rum. Antes fosse. Ainda continuaria a ser rum. O pirata ainda aguentaria incólume a mais essa patifaria, a mais essa calúnia contra seu saco roxo.
No pescoço do garrafa, presa uma etiqueta : Vodka Montilla, a nova ousadia do pirata!!!
Pããããta que o pariu!!!! Incapazes de, em três décadas de tentativas, aviadar a imagem do rum, partiram para uma nova estratégia de ataque : embichar o pirata! Associar a imagem do lobo-do-mar a uma bebida de drinques e coquetéis, a uma bebida que facilmente promiscui-se com suquinho de tomate, suquinho de laranja e outras frutinhas.
Com trezentos milhões de hienas do mar! Com seiscentos milhões de sacripantas! Vodka não é bebida de pirata!
Não que eu esteja pondo em xeque a macheza dos russos, dos antigos cossacos. Nada disso. Mas a vodka não é uma bebida de guerra, beligerante, de saques e pilhagens. Não é bebida de beber enquanto se espeta o rim do inimigo com a espada para fazê-lo caminhar pela prancha. A vodka é uma bebida de sobrevivência, não de batalha. Um anticongelante sanguíneo. É a água benta que passarinho não bebe das estepes russas. Tão valorosa quanto ao rum para a função a que se aplica, mas diversa dele. Muito diferente.
Pirata bebendo vodka é o mesmo que russo bebendo saquê. 
E o papagaio do pirata, então? Antes, sujo, carrancudo, penas desgrenhadas, quase que uma coruja verde, praticamente uma ave de rapina; agora, está mais para maritaca, para periquita, para mulata assanhada.
O que virá a seguir? Vodka Montilla sabores? Frutas vermelhas, kiwi, pitaia, anis e mirtilo? Vodka Montilla Ice?
Valham-me São Leitinho e São Piraju! Já fosse, na gloriosa década de 80, o rum Montilla, vodka, as nossas Guerras Secretas não teriam sido Guerras Secretas, teriam sido uma rave de boiolas, uma parada LGBT. Pããããta que o pariu!!!
Tristes tempos, meu caro amigo pirata, tristes tempos...

domingo, 2 de junho de 2019

Mi Obra Maestra

Excetuando-se a minha absoluta falta de talento, para qualquer coisa que seja, eu sou o velho deste filme.

sábado, 25 de maio de 2019

Universos Opostos

Sou satélite a monitorar teus movimentos de rotação,
Teu sinuoso, escorregadio, cruel e despreocupado jogo de quadris.
Sou tuas 12 luas, 
A te olhar de longe,
A velar teu sono,
A vigiar tuas marés,
A te proteger de pesadelos com a minha luz roubada.

Exibo-me para ti enquanto dormes,
Só enquanto não podes me ver
(minha timidez não permite que diferente eu faça).
E quando te espreguiças para o teu dia,
Fresca e perfumada
(banhada que foste toda a madrugada por minhas atenções),
Meus olhos já não podem - prateados, pranteados - te alcançar.
E é , então, para outros que passeias e desfilas
Na tua Via-Láctea particular.

Sou um intrometido de um fósforo
Na tua constelação de supernovas.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Chico Buarque, por Mares Nunca Dantes Navegados

Politicamente, muitos o consideram uma lástima - mesmo eu, muitas vezes.
Separemos, porém e sumária e definitivamente, o artista dos defeitos, das eventuais falhas de caráter e dos vícios do homem que o abriga, que é seu hospedeiro.
Mais que isso : permitamos a ele - ao artista - todos os vícios e defeitos morais que ele julgar a que tem direito, ou a todos a que ele julgar que não são defeitos. Não os permitimos a nós mesmos? Mesmo sem sermos artistas? Mesmo sem termos prós a contrabalançarem nossos contras?
Chico Buarque, o artista, foi premiado - muito justamente premiado - com o Prêmio Camões, a maior láurea literária da Língua Portuguesa.
Chico não foi premiado apenas pelos livros que escreveu; sim pelo conjunto da obra : livros, peças teatrais e letras de música. O Troféu Camões reconhece, anualmente, o "escritor cuja obra contribua para a projeção e o reconhecimento da língua portuguesa".
Ouvi Chico dizer por vezes, quando perguntado sobre o processo de escrita de suas belíssimas letras, que, para ele, a música surge primeiro, só depois a letra para vesti-la, nunca o oposto. Conforme a música vai sendo tocada, vai se desenvolvendo, é ela, a música, e não o Chico, isso segundo ele próprio, que vai pedindo pela palavra que vai completá-la, e ele, mero escriba, vai anotando no papel a palavra atraída pela música. A música pede a palavra. E a palavra vem. Vem-lhe. Morro de inveja.
No futebol, é comum dizerem do craque que a bola gosta dele, que ele não precisa se esforçar para pegar a bola, que ela corre por conta própria, guiada por magneto irresistível, direto aos pés dele.
A palavra gosta do Chico. Tem paixão irrefreável por ele. Se aninha, por conta e vontade próprias, nas mãos e no colo do autor.
Defeitos humanos à parte, como não gostar de um cara a quem as palavras adoram?
Parabéns, velho Chico.
em tempo : Chico Buarque foi o 13º autor brasileiro premiado com o Prêmio Camões. Só falta agora algum misto de comunista espírito de porco com numerólogo relacionar o prêmio com o número 13 da legenda do PT. Ver nisso, presságios de uma reascensão de Lula ao poder. Pãããããããta que o pariu!!!

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Ideologia Saiu Pela Culatra (Ou : Ganhei o Dia... Pããããta que o pariu se ganhei!)

Sempre fui um estranho no ninho. Desde que me entendo por gente, nunca possuí talentos, habilidades ou interesses que me fizessem ser caro a um grupo, a um bando. Nem, e muito menos, eles - os bandos -, atributos e atividades ou assuntos que me despertassem a vontade de a eles pertencer, congregar-me.
Fui assim em criança, em adolescente, em jovem adulto. Não seria agora - eu, um pujante pré-envelhescente - que a situação pudesse ser diferente. Sou um conservador assumido em relação à moral, aos costumes, às tradições e à política. Um conservador que vive num covil de esquerdistas.
Sou professor do ensino médio. De escola pública. Antro e reduto de esquerdistas de boutique, de Ches Guevaras e de Fidéis de diretório acadêmico de faculdade. Furna de comunistas revolucionários, que só se rebelam, só promovem gritaria e balbúrdia, greves e paralisações por terem a garantia de que nenhuma punição significativa lhes recairá sobre o lombo, só por terem a certeza de que não correm nenhum risco real às suas carreiras : são funcionários públicos com estabilidade no emprego garantida por lei. Fossem funcionários de empresas privadas, duvido que se rebelassem tanto assim.
São, esses professores esquerdistas de escola pública, bem como nos diz o gênio Belchior em sua canção "Dandy" : "Mamãe quando eu crescer/Eu quero ser rebelde/Se conseguir licença/Do meu broto e do patrão/Um Gandhi dandy/Um grande milionário socialista/De carrão chego mais rápido à revolução".
São metidos a "justiceiros sociais", esses professores; sempre a favor de todo e qualquer privilégio para os "coitadinhos" desse nosso Brasil dantes mais varonil, de toda e qualquer regalia para os "excluídos", para os "sem oportunidade" desta triste e preguiçosa terra de Pindorama.
Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Detento, Bolsa Ditadura, cotas para vagas na universidade, em concursos públicos, em sorteios de habitações populares etc etc. Gozam, esses professores, ao defenderem tais "conquistas sociais".
E não é que hoje, numa semifria terça-feira, que nada prometia além de ser mais um costumeiro dia de trabalho inútil, fui brindado, logo pela manhã, com uma inesperada e esfuziante alegria?
Abrindo um breve parêntese, digo-vos que adoro o Tempo. O Tempo, por ter todo o tempo do mundo, é o mais paciente dos deuses. E o mais implacável, também. O Tempo não precisa promover genocídios, pragas e hecatombes feito o deus cristão para punir os pecadores. O Tempo só precisa dar-lhes tempo. Tempo para que se contradigam e se autopunam. Tempo para que mordam a própria língua e morram pela própria peçonha. Fecho o parêntese e volto à vaca fria.
Cheguei na escola por volta das dez para a sete da manhã - como sempre chego - e enquanto me organizava para mais um período letivo, pegava os diários das salas do dia, abastecia minha caixinha de giz etc, ouvi, involuntariamente, de canto de orelha, um docente a praguejar em voz alta contra a prova de um concurso municipal para vagas no magistério que ele havia prestado - docente que não direi se é homem ou mulher, nem que disciplina leciona, ou seja, contarei o milagre, mas não direi o nome do santo, só direi que pertence a tal área de "humanas.
Até então, tudo normal. O tal docente é destes de esquerda, "politizado", "engajado" e "militante" das causas sociais, vive mesmo revoltado com tudo e o tempo todo. Não sabe falar em voz baixa. Tudo o que diz, diz gritando. Como se estivesse em perpétuo palanque, em perene estado de comício, a discursar e a panfletar para as massas desvalidas.
Supus que ele estivesse a deitar impropérios contra alguma maracutaia no concurso, contra alguma manobra escusa que estivesse, por exemplo, a favorecer "protegidos" de algum político em detrimento de quem honestamente fez a prova do concurso. Tipo de falcatrua muito corriqueiro em concursos municipais.
Qual o quê, meus amigos... qual o quê? Ele, eterno defensor das minorias oprimidas pelo homem branco heterossexual, estava a maldizer, a cuspir marimbondos de fogo - pasmem, leitores do Marreta -, contra o sistema de cotas adotado pelo tal concurso. Sim, criticando o sistema de cotas, meus caros.
Segundo ele, em concursos públicos, a porcentagem usual de vagas destinadas a negros, pardos, indígenas e deficientes físicos perfaz 20%, ficando 10% para negros, pardos e indígenas e 10% para deficientes físicos.
Pois a Prefeitura organizadora do concurso, desta vez, resolveu ir mais longe na justiça social. Destinou 20% das vagas para deficientes físicos e outros tantos 20% para negros, pardos e indígenas, ou seja, uma reserva "social" de 40% do total de vagas.
Ele, que foi muito bem classificado, e que, ideologias idiotizantes à parte, é profissional dos mais capazes e competentes que já conheci, porém branco(a), ficou de fora. Ganhou, mas não levou. Fossem os usuais 20% de reservas, ele teria ingressado.
Adorei. Ganhei o dia... pãããããta que o pariu seu ganhei! A ideologia da justiça social lhe saiu pela culatra. Ideologia no cu dos outros é refresco. Quando é em nosso próprio ânus que ela adentra ardida, já não nos parece mais tão divertida, já não nos parece mais tão justa, né? O docente esquerdista foi vítima de "fogo amigo".
E reclamava disso aos brados, sem nenhum pudor, de modo que todos o pudessem ouvir. Deveria era ter ficado bem quietinho, até fugir de comentar o assunto, deveria ter engolido calado, ruminado e digerido o gol contra, a bola nas costas que levou da ideologia que tanto apregoa. Bebido sua indignação junto ao matutino café amargo. Deveria ter tentado passar despercebido; não fazer alarde de sua ululante revolta contraditória.
Das duas, uma : ou esse pessoal da esquerda não tem problema nenhum em se assumir como hipócritas, ou nem se dão conta de sua hipocrisia, sua burrice os impede.
Sou homem de gostos módicos, de prazeres simples e frugais, mas vos digo que nada poderia, hoje, ter me proporcionado maior prazer do que ter visto um esquerdista ser discriminado pela ideologia perversa e sub-reptícia que defendeu a vida toda. Nenhum júbilo poderia ter sido superior ao de ver um esquerdista a reclamar do cuspe que disparou para cima e que, agora, lhe pousa na cabeça. A se queixar da mordida da cobra cuja boca ele sempre beijou.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

BUKOWSKI, escrita formal

Quando o espírito se desvanece, aparece a forma.
Quando um artista,
Um poeta,
Ou qualquer coisa assim perde o seu espírito...
Isso afeta tudo o que ele vai fazer.
E quanto mais fracos eles ficarem,
Mais preocupados com a forma eles ficarão.
E tentarão esconder o fato de que eles não estão
Mais escrevendo bem.
Pela escrita formal.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Greve de Buceta Pelo Direito de Continuar Matando Inocentes

A atriz estadunidense Alyssa Milano (atriz? sério? quem já ouviu falar dessa fulana?), há uns três ou quatro dias, convocou a feministada a fazer greve de buceta!
Em tempos de "lacração" ideológica - sobretudo por parte das frentes esquerdistas, das quais o feminismo é um dos tentáculos mais rançosos e pegajosos -, a famosíssima atriz convocou a mulherada a lacrar a xavasca.
Greve de buceta em protesto contra o aumento das restrições e do rigor na lei que regulamenta a prática do aborto indiscriminado no estado da Geórgia. 
A mudança na lei estabelece um novo limite de tempo para a interrupção da gravidez, para o extermínio covarde do feto : a detecção dos primeiros batimentos cardíacos. A partir do momento em que as batidas do coração do desavisado e jurado de morte feto puderem ser ouvidas, o seu aborto se torna ilegal, criminoso. O que ocorre, em média, por volta da sexta semana de gestação. Da sexta semana de VIDA do novo ser.
A tal da atriz se queixa da rigidez deste limite. A infanticida "argumenta" que a maioria das mulheres demora mais de seis semanas para saber que está grávida. Oh, tadinhas... tão distraídas, as biscates.
A lei não tem nada de rígida. É frouxa, é permissiva, isto sim. 
Qualquer lei neste sentido, que permita matar de forma premeditada e indiscriminada um feto que não está colocando a vida da gestante em risco (caso em que poderia ser justificado como legítima defesa) e/ou que não tenha sido concebido sob violência ou coação, por obra de um estupro, é uma lei permissiva. Licenciosa. Canalha.
Estabelecer limites, mais ou menos rígidos, para a matança ainda é permitir a matança.
A tal atriz, rezando a cartilha feminazista feito o autômato que é - que são estes ativistas, sejam lá de que causas forem -, se saiu, óbvio, com a nojenta ladainha de que a mulher deve ter plenos direitos sobre o seu corpo, de que pode dispor dele como bem entender.
Até concordo. Sobre o próprio corpo, sim. E sobre o de mais ninguém. 
Porém, uma criança, um feto, não é o corpo da mulher, é o corpo de um outro ser, temporariamente abrigado no dela. Quer dispor sobre a vida de alguém? Disponha sobre a própria. Se alguma abortista resolver se matar, é só falar comigo, tenho dicas maravilhosas para um suicídio (quase) indolor.
Matar um feto é decidir sobre a vida e a morte de um outro corpo, que não o da mulher.
Greve de buceta para manter o direito de matar inocentes? Deveriam ter feito greve de sexo, deveriam é ter fechado as pernas, quando deram de qualquer jeito, para qualquer um, e engravidaram "sem querer". Tivessem, na dúvida de uma possível gravidez indesejada, fechado as pernas, trancado a periquita. Não teriam engravidado, não seria "necessário" o aborto.
A tal da atriz, ferrenha discípula de Herodes, ainda "argumentou" em seu twitter : "Até que as mulheres possam ter controle total sobre os próprios corpos, não podemos arriscar uma gravidez. Junte-se a mim em não fazer sexo até que recuperemos a autonomia sobre nossos corpos".
Arriscar uma gravidez? Será que a fulaninha nunca ouviu falar de métodos contraceptivos? Será que nunca lhe passou pela cabeça mandar o macho que lhe come encapar a rola?
Eu só fui saber o que era meter sem camisinha quando estava com meus 40 anos. Antes disso, com todas as namoradas e mulheres com quem me relacionei, nunca dispensei a sim incômoda e sim mais ainda necessária capa de látex. Cheguei a ter uma namorada que tomava a pílula e mesmo assim nunca abri mão do preservativo. Pílula mais camisinha. Nem o Espírito Santo consegue emprenhar uma mulher nestas condições.
Na hora do bem-bom, na hora de "virar os zoinho", poucos se precavem ou pensam nas possíveis e prováveis consequências. Querem é meter. Querem é gozar. Depois, simplesmente, querem extirpar - feito furúnculo, feito tumor - a criança e se livrarem das responsabilidades de suas irresponsabilidades? Jogar privada abaixo e dar descarga na consequência de suas inconsequências?
Ora, vão tomar no cu! Aliás, se tivessem tomado no cu, não teriam engravidado. O cu é mais seguro dos métodos contraceptivos.
Fica a dica do Azarão para as abortistas : na dúvida sobre o risco de engravidarem, deem o cu. É uma solução natural. Sem contraindicações. E que pode até ajudar nos problemas de constipação e prisão de ventre, males tão comuns ao universo feminino. O cu, feministada, é o futuro do controle de natalidade.
Adotem minha sugestão. Não abortem esta ideia.
E que merda de limite é este adotado para a realização do assassinato?  Somente a partir da primeira batida do coração é que o feto está vivo? Pois vos digo que a vida - seja lá o que ela for - se instala a partir do momento da fecundação. Quando óvulo e espermatozoide se unem, formando a primeira célula do novo ser, a vida ali já se encontra. Aquela primeira e, inicialmente, única célula, o zigoto, já consome oxigênio, já processa energia, já tem metabolismo, e, em poucas horas, começará a se multiplicar, virará duas, quatro, oito, dezesseis e assim por diante. Se isso não for algo vivo, deem-me agora a nova definição para o que o é.
Repito : aborto, sem que haja risco à vida da gestante, ou sem que a criança seja fruto de uma grande violência contra a mulher, é assassinato. Se esta modalidade de assassinato é, ou não, tipificada como crime, é uma outra história, uma outra questão. E diz muito a respeito dos valores em que se alicerça, ou em que chafurda, esta ou aqueloutra sociedade.
Abaixo, a tal Alysson Milano. Bonita, gostosa e tal. Do tipo que, como dizia meu velho amigo Porpeta, "dá pra comer beijando". Apenas mais uma infanticida. Que se esconde por detrás, que tem por álibi uma ideologia criminosa e perversa.

domingo, 12 de maio de 2019

Te Lembra Disso?

Agora, a sala está completa. A aula pode começar.
Lúcio Mauro
1927 - 2019

Ruim Pra Caralho, Porém em Oferta

Hoje, em minha costumeira ida ao supermercado, lembrei-me de meu velho e há muito não visto amigo Samuel, o famoso Nariz. Em nossos idos tempos de boteco, o Nariz era o enjoado do bando, o gourmet, quando este termo nem havia ainda entrado em voga. Enquanto tomávamos ampolas de Antarctica, Brahma, a que estivesse mais barata, o Nariz só tomava da Original.
Uma vez, dei uma bicada no copo dele para experimentar o tal néctar e não achei nada de mais. Não achei nada, aliás. Não achei gosto, não achei cheiro, não achei nem álcool. Falei pro Nariz que aquela porra não tinha gosto de nada. É mesmo uma cerveja mais leve, justificou-se. Ora, porra, disse eu, se for pra tomar algo mais leve, tomo logo água de torneira, que é de graça.
Anos voaram, décadas galoparam e eu nunca mais pus a tal da Original na boca. Até hoje.
Havia visto que a Original ganhara, de um mês, mês e pouco para cá, uma versão em lata de 350 ml, por um preço que tenho até vergonha de publicar aqui. Hoje, no entanto, ela estava em oferta : R$ 1,99 a lata.
Não chega a ser um preço que eu considere módico, mas está dentro do praticável. Cheguei a pensar em comprar uma meia dúzia de latinhas; imediatamente, uma voz vinda de dentro de mim (ou de dentro de meu bolso, mais provavelmente), disse : compra só uma, só para guardar a latinha. Obedeci à voz, e foi a minha sorte.
Cheguei em casa, guardei as compras, fiquei só de cuecas e fui à sacada, degustar a preferida do Nariz. Talvez o tempo tivesse lhe trazido mais gosto, mais corpo,  e, a mim, um pouco mais de condescendência. 
Abri e tomei direto da latinha. Tomei mais um gole. Deixei-o marinando na boca, algum gosto, eu teria de ser capaz de identificar. De novo, como há 30 anos : nada. Nem gosto de malte nem de lúpulo nem de álcool. Cheirei-a. Talvez o grande diferencial da Original fosse o seu aroma, o seu bouquet, o que justificaria plenamente a preferência do Nariz por ela. Com muita boa vontade, um leve aroma de um chá de camomila, melissa, carqueja, ou sei lá, desses dados para mitigar cólicas de bebês.
Pensei : fui logrado. Botaram outra coisa na lata, ao invés de cerveja . Deitei-a ao copo. Fez uma espuma de sabão em pó. Pouquíssimos gradientes de bege e palha separavam a sua cor da cor da água. Gosto, aroma e aparência de nada com coisa nenhuma.
Bebi-a até o fim. Havia pago por ela. Boa e barata? Porra nenhuma! Ruim pra caralho, porém, em oferta.
Valeu só pela latinha, pela embalagem, que guardarei junto a outras que tenho. O rótulo tem daqueles desenhos clássicos, antigos. Gosto deles. Linhas e cores - paradoxalmente - sóbrias.
Poderão me perguntar uns degustadores : um visual vintage, Azarão? Vintage é a puta que vos pariu!!! Que vintage é biba velha! É o Clóvis Bornay!
Vendo meu exaspero, e querendo prolongá-lo à guisa de diversão (deles), talvez ainda insistam, como vi escrito em alguns sites em que pesquisei sobre a Original em lata : um design retrô, Azarão? Retrô é o cacete. O cara que fala que o visual é retrô só pode tá dando é retrô no quibe!
Em suma : a latinha é legal, a cerveja é uma merda! Só não perde para a Skol. Até a Krill é melhor!
Eis a superestimada Original. Num copo Nadir Figueiredo, este, sim, um clássico que justifica sua fama.