sábado, 16 de maio de 2020

É Melhor Já Ir se Energizando

Você pode ser de esquerda, de direita, de centro e até um "isentão". Você pode aplaudir ou repudiar o governo dele. Você pode ter votado nele, no poste do Lula, o Haddad, e até mesmo na mumm-ra , a de vida eterna, Marina Silva. Mas uma qualidade que nem você nem ninguém pode negar que o intrépido Jair Bolsonaro possua é o seu vigor físico, a sua saúde robusta.
Bolsonaro é um atleta! Em sua juventude, em seus tempos de Academia Militar das Agulhas Negras, Bolsonaro foi competidor de elite de pentatlo militar. Não confundamos, no entanto, não julguemos serem os mesmos, o pentatlo militar e o pentatlo moderno, aquele praticado nas Olimpíadas criadas pelos gregos viadinhos, com provas de hipismo, esgrima, natação etc. Nada disso. O pentatlo militar praticado por Jair Bolsonaro durante seus quatro anos na seleção das Forças Armadas é coisa de macho das antigas. A prova testa os atletas nas seguintes modalidades esportivas : corrida de obstáculos, natação com obstáculos, atletismo cross-country, tiro e lançamento de granadas, que lançar disco, dardo, martelo ou peso é coisa de florzinha.
Tamanha excelência atlética valeu mesmo um peculiar apelido a Bolsonaro. Por conta de sua inigualável forma física - e, creio eu, mais até por seus notórios bons modos, gentileza e cordialidade -, Bolsonaro era conhecido, entre os de sua equipe, por "Cavalão".
Uma coisa, contudo, é esbanjar vitalidade quando se é jovem e se está submetido a uma rígida rotina de exercícios físicos; outra coisa, muito diferente, é continuar a ostentar a mesma potência quando se é um sexagenário e, há muito, se está afastado do rigor militar.
Qual será o segredo de Bolsonaro, hoje com 65 anos, para conservar a resistência e o viço equinos de sua juventude? Que, inclusive, possibilitaram-no superar uma facada e - embora ele negue - o coronavírus.
Qual é o seu espinafre? O seu soro do supersoldado? O seu superamendoim? A sua poção mágica do druida Panoramix? O que mantém e conserva o centauro Jair Bolsonaro, o Coice Man do Planalto, na ponta dos cascos?
Pois tal segredo agora lhes será revelado. E o melhor : ele está ao alcance de todos. Bolsonaro ingere, sim, um suplemento energético que o mantém sempre ativo, alerta e a postos, uma poção energética : o Energy Drink Bolsomito.
À base de taurina e de cafeína, o energético Bolsomito foi lançado no ano de 2018, ano do último pleito presidencial, em plena Corrida do Ouro para o Planalto. E também no mesmo ano do lançamento da cerveja Lula Livre, mostrada na postagem anterior a esta. Suponho eu que como antídoto para ela.
Todavia, o responsável pelo energético Bolsomito, Frederico Peres Michel, diretor-executivo da Open Creative, disse que não houve motivações políticas ou ideológicas no lançamento do produto, apenas mercadológicas. "Percebemos que deveríamos criar um produto inovador, ousado e instigante. Algo que verdadeiramente despertasse o interesse e provocasse sentimentos, emoções. Um novo conceito, um produto viral. Com o objetivo definido, não fizemos nada diferente das técnicas comuns de varejo: disponibilizar ao mercado um produto que muitos desejam. E o objetivo? Vendas!!! É claro”, disse Frederico.
Eu proporia um slogan publicitário alternativo : Para rebater a ressaca de 16 anos da Lula Livre.
Se eu recomendo o Bolsomito? Não, não vou avalizar o energético. Primeiro porque nunca pus na boca essas tais bebidas energéticas, nem imagino o gosto que tenham. E segundo porque fico receoso de recomendar qualquer bebida que não leve álcool em sua composição, é contra meus princípios, vai além dos meus conhecimentos.
De qualquer forma, acredito que se não fizer bem, muito mal também não causará. Não mais mal, pelo menos, que a Lula Livre. Nada foi mais prejudicial para o país que o Lula Livre.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Lula Livre, Esta Cerveja, Com Certeza, é um Roubo

Digam o que digam e o que quiserem os meus detratores - tô cagando na boca deles e ainda cobrando pela porção de bosta -,  mas o Marreta do Azarão sempre teve, sim, um compromisso social, sempre trouxe para si a responsabilidade de alertar os seus leitores contra fraudes, maracutais, 171s e picaretagens em geral. O Marreta sempre foi uma espécie de PROCON ideológico e, sobretudo, cervejeiro.
A seção Boa e Barata foi criada justamente com tal objetivo, salvar da ruína o bolso do leitor chegado numa breja, indicar opções honestas e de preços justos de loiras geladas - todas devidamente provadas e testadas em seus efeitos colaterais - aos incautos cervejeiros, que, ainda mais depois de tomarem umas e outras, são presas fáceis e indefesas das cervejas ditas "de qualidade, artesanais, orgânicas e sustentáveis". E com um preço de fazer corar Bill Gates.
Eu não conhecia a cerveja cujos rótulos e garrafas logo estamparei abaixo. Fiquei sabendo de sua existência agora, por informação de um leitor. Dar-me-á um extremo desgosto, e mesmo nojo e asco, reproduzir sua imagem aqui. Se o faço, é tão-somente à guisa de alerta e pelo respeito que tenho para com meus leitores. 
São imagens fortes, mas necessárias.
Nunca provei nem jamais provarei desta cerveja - recusarei-a mesmo se me derem de graça, para que, depois, não me acusem de receber propina e mensalão. Nem mesmo sei a que preço superfaturado e com licitação fraudulenta ela é comercializada, mas, de antemão (com todos os cinco dedos), uma coisa lhes asseguro : esta cerveja, com certeza, é um ROUBO.
Lançada pela cervejaria carioca Rock n'Bräu, a Lula Livre está disponível nas versões Pilsen e, claro, Red Ale.
Ah, sim! A Lula livre harmoniza perfeitamente com sanduíche de mortadela!

Cerveja-Feira (15)

Não gosto de futebol. Nunca gostei. Nem mesmo de pebolim ou de jogo de botão. Nem mesmo quando, ainda em moleque, meu pai me arrastava - sem saber que eu não gostava - para ver as partidas do Comercial F.C. de Ribeirão Preto - e eu com o pensamento nos filmes do Festival Jerry Lewis, exibidos nas tardes de domingo da rede Globo. Não considero talento digno de apreciação - muito menos de devoção - o sujeito saber controlar uma bola de couro e ar. Nunca vi beleza alguma em um drible ou em um gol. Nunca tive ídolos futebolísticos.
Porém, um dos maiores ídolos futebolísticos da triste nação de Pindorama - verde de diarreia e amarela de ancilostomose - foi dedicado devoto e abnegado sacerdote da religião com que mais eu simpatizo. Teria sido Papa - no mínimo, cardeal -, caso eleição para a Igreja da Santa e Secular Cerveja houvesse. E o Espírito Santo estivesse bêbado.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou, simplesmente, Sócrates; atendendo também por Doutor Sócrates, ou Magrão.
Tendo despontado no Botafogo F.C. de Ribeirão Preto, na década de 1970, sei que cheguei a ver, sem nenhuma emoção ou vibração, das arquibancadas do estádio Santa Cruz, Sócrates jogar pelo tricolor ribeirão-pretano; antes de sua ascensão à picaretagem da tal democracia corintiana e de sua culminância à picaretagem-mor da seleção canarinho, a pátria de chuteiras. Sei que o vi, mas não me lembro de porra nenhuma. Ou, melhor, até me lembro, mas com a lembrança de um fotógrafo de casamento, aniversário, batizado ou formatura, que, simplesmente, registra uma cena; sem ser parte dela, sem nenhum vínculo emocional. 
Mas muito mais do que jogar, do que ser um craque da bola, ou da pelota, como preferem nossos hermanos argentinos, Sócrates bebeu. Muito mais bebeu do que jogou. Muito mais entornou do que fez balançar as redes do gol. Foi o Pelé da cerveja. O Charles Miller da brahma casco escuro. A brilhante carreira cervejeira de Sócrates se estendeu muito além da dos gramados. 
E é por conta desta sua primeira vocação e deste seu congênito talento, o do copo, que Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, é a figura de destaque do cerveja-feira desta semana.
E Sócrates entorna é no gargalo!!! É o Bukowski de chuteiras!!!
"O copo do mundo é nosso, com (Sócrates) brasileiro não há quem possa..."

terça-feira, 12 de maio de 2020

Drive-in de Buceta

Os cinemas drive-in foram muito populares nos EUA durante as décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. Eram frequentados principalmente pela juventude transviada de então (não confundir a com a juventude trans e viada de hoje), que a eles acorria para assistir a um filme, comer batatas fritas, tomar um milk shake e, claro, dar uns amassos. Tudo dentro do conforto e da privacidade de seus carros.
Os drive-ins nada tinham das frescuras das salas de cinema dos shoppings de hoje. Nada de tecnologia 3D, som surround, ar-condicionado e essas merdas todas. Os drive-ins eram, basicamente, um vasto estacionamento com uma grande tela de cinema à frente e ao centro e lanchonetes ao redor, das quais garçonetes loiras e peitudas saíam a servir os clientes. O 3D ficava por conta das roliças formas da lebre que para lá se levava para abater; igualmente aos gemidos em surround. Época de cinema de machos, não de combo de pipoquinhas e de coca-colas em copos personalizados.
Aliás, os drive-ins não eram; ainda são. Remanescentes sobreviveram ao redor do mundo. A maioria nos EUA, também no Canadá, Inglaterra, Portugal e até no Brasil. O Cine Drive-in de Brasília é o último tupiniquim do gênero em funcionamento.
Cine Drive-in de Brasília


Agora, com o avanço do coronavírus, veremos o futuro repetir o passado, veremos o ressurgimento e a reabertura de museus de grandes novidades. Em tempos de lockdown, os drive-ins estão voltando com tudo nos EUA, Europa e Canadá. Para assistir a um bom filme e manter a ilusão - tão necessária à saúde mental da maioria da manada - de uma rotina relativamente "normal", as pessoas estão voltando aos velhos drive-ins. Ah, a ilusão da normalidade... Tão dispensável para mim.
Só nos EUA, de acordo com a United Drive-In Theatre Owners Association, o país tem atualmente 300 espaços para exibição de filmes, onde é possível estacionar o carro e manter uma distância segura de outras pessoas.
Porém, não é necessário nem obrigatório que o sistema drive-in fique restrito às suas origens, se preste, única e exclusivamente, à exibição de filmes, se ponha apenas e tão-somente a serviço da sétima arte. Até porque, em tempos de vírus chinês, o cinema não é o único tipo de entretenimento de cuja proibição as pessoas se ressentem; outros setores de diversão podem e devem ser adaptados ao esquema dos drive-ins.
Pensando nisso, e a atender os pedidos dos saudosos clientes, o dono da casa de strip-tease Minx Gentleman's Clun, em Virgínia Beach, promoveu um grande evento num lava-jato da cidade. As dançarinas ficaram sobre tablados atrás de barreiras ao longo do trajeto dos carros, dançando ao som tocado por um DJ, sem em nenhum momento entrar em contato direto com os motoristas. 
É o drive-in de buceta!!!!  
O evento foi realizado no domigo passado, e um vídeo feito por um cliente e lançado na web já registrou 9,4 mil curtidas, 40 mil compartilhamentos e um número incalculável de punhetas!!! 
Segundo Marquis Boyce, o autor do video, os organizadores observaram todos os procedimentos de segurança recomendados para se evitar um possível contágio. As moças, no entanto, não usaram máscaras, revelou ele, em indisfarçável estado de excitação. Sim, meus caros, até ontem, o fetiche era ver os peitos, a bunda e a xavasca; hoje, a tara inconfessável, o imperdoável tabu, é ver o rosto. Valha-me Nossa Senhora da Burca!!! O rosto é o novo nu frontal!!!
Viva a engenhosidade humana!!! Viva a plasticidade e o poder de adaptação do bicho homem!!! Viva o empreendedorismo em tempos de crise!!! Eles é que nos salvarão da extinção. Ou, que nos conduzirão a ela; inevitável e inexoravelmente.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Mask is The New Black (2)

Segue mais um modelito da coleção outono-inverno do coronavírus.
O melhor é que o modelito deixa quase tudo protegido e inviolável, boca, peitos, buça; menos o famoso tobete, o tão desejado girassol. A lingerie anticoronavírus acaba com todas as desculpas para a mulherada não liberar o jilozinho. Agora, só tem tu; então tem que ir tu mesmo.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Cerveja-Feira (14)

"E saio a te procurar, nas esquinas, em qualquer lugar, e às vezes chego a te encontrar num gole de cerveja..."
Não tem como ele, Leonardo, o mais bebum dos "Amigos", não ocupar um lugar de honra no panteão do cerveja-feira.
"E quando vem a lucidez, estou sozinho outra vez, e, então, eu volto a conversar com minha tristeza".
Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...

Desculpe, mas eu vou chorar
(César Augusto)
As luzes da cidade acesa
Clareando a foto sobre a mesa
E eu comigo aqui trancado
Nesse apartamento

Olhando o brilho dos faróis
Eu me pego a pensar em nós
Voando na velocidade
Do meu pensamento

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu ébrio MARRETÃO.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Jornalistas, Políticos, Professores, Funcionários Públicos e Artistas Recomendando o Isolamento Social é o Mesmo que a Xuxa Fazendo Propaganda do Xampu Monange

Alguém já viu algum comercial de xampu estrelado por uma modelo de cabelos rebeldes e indóceis? Não, claro que não. Todas possuem vastas, bem comportadas e esvoaçantes melenas; loiras, no mais das vezes. Não foi o xampu anunciado, vendido a dez, doze contos na prateleira do mercado, que conferiu aquelas madeixas de fazer inveja em bicho-da-seda à garota-propaganda. Ela já nasceu com aquela cabeleira, com aquela cachoeira de cetim, e, por isso, foi escolhida para ser a isca deste manjado conto do vigário mercadológico, dessa espécie de golpe do bilhete premiado, no qual se investe uma merreca com vistas a grandes lucros e resultados sem nenhum esforço, o que só evidencia a má-fé de ambas as partes envolvidas, do enganador, que de fato leva vantagem, e do enganado, que pensa que vai levar. Use, ou não, a modelo, o xampu que anuncia, em nada seus cabelos mudarão, nem para melhor nem para pior. Esse golpe pode ser e é aplicado a praticamente todos os tipos de produtos.
Outro 171 publicitário muito comum são os comerciais dos complexos vitamínicos de A a Zinco. Quem já viu um magrelo, um barrigudo, ou um mal-acabado protagonizando algum deles? Ninguém, né?  Neles, desfilam pessoas de diversas faixas etárias - há uma versão do produto para cada um delas - sempre saudáveis, sorridentes, bem resolvidas e de bem com a vida. No vídeo, elas se exercitam em academias, caminham ou correm à beira-mar, pedalam alegres e etc a exibir suas formas perfeitas e bem definidas,  os seus corpos vitruvianos. Não foi o complexo vitamínico X ou Y que lhes proporcionaram tais vitalidade e boa forma. Suas proporções helênicas são fruto da prática longa, contínua e disciplinada de bons hábitos alimentares e atividades físicas, e, por isso, foram escolhidos para chamariz deste estelionato publicitário. Tomem, ou não, os atletas, os polivitamínicos que anunciam, em nada suas saúdes e formas físicas serão alteradas.
Agora, em tempos de coronavírus, algum de vocês já viu uma propaganda pró-isolamento social estrelada, a exemplo, por um trabalhador rural, que planta, de sol a sol, o arroz, o feijão, o tomate que continuam a chegar nas quitandas e nos mercados? Ou pelo motorista do caminhão que transporta tudo isso aos estabelecimentos? Ou pelo rapaz que repõe as mercadorias nas prateleiras, ou pela moça operadora de caixa que registra sua compra? Ah! Você nem vai ao mercado, que é para respeitar o isolamento social, que é para fazer a sua parte, né? Você recebe tudo por entregas delivery, não é isso? E um comercial a favor do isolamento social protagonizado pelo motoqueiro que vai entregar tudo na sua porta? Que se expõe para que você possa se proteger e, depois, arrotar-se de cidadão modelo? Alguém já viu algum comercial desses? Alguém já assistiu a alguma live de um carteiro, de um frentista de posto de combustíveis, de um cozinheiro de restaurante, lanchonete ou pizzaria, de um policial, de um mecânico de automotivos, de donos e funcionários de padarias, ou de farmácias, todos sorridentes e felizes, instalados confortavelmente em suas redomas domiciliares, a pregarem o isolamento social?
Não!!! E nem vão ver.
Na catequese para o isolamento social, está sendo utilizado o mesmo ardil publicitário dos comerciais dos xampus e dos polivitamínicos. Da mesma forma que a modelo de dourada cascata de queratina e que os apolíneos atletas, os garotos e garotas-propaganda da quarentena são profissionais cujas ocupações lhes permitem, facilmente, viver em isolamento. Assim como a gostosa que nasceu com cabelo loiro e liso, os profissionais que vendem a quarentena também não tiveram que empreender nenhum esforço ou sacrifício pessoal para se isolarem. Exercem, naturalmente, ocupações perfeitamente possíveis de serem realizadas home office, e, por isso, foram escolhidos como engodo para mais esta propaganda enganosa. Continuem a sair, ou não, às ruas, em nada os seus meios de sobrevivência serão significativamente alterados.
Assim, jornalistas, políticos, professores, funcionários públicos - cujos empregos e salários estão garantidos -, artistas, celebridades (e quanto mais subcelebrirdade, melhor) e outros que tais são recrutados - e se prestam canalhamente a tal - para venderem o novo sonho de consumo da humanidade : o isolamento social; produto que, há tempos, já lhes é realidade possível. É a Xuxa a dizer para as suas fãs que terão cabelos iguais ao dela se usarem o xampu Monange, ou a Gisele Bündchen a dar o mesmo aval ao Pantene.
Fiquem em quarentena e terão uma boa e confortável vida, dizem os tais defensores do lockdown. Só que não. Só que não terão boa vida. Não terão nem o que comer se não forem às ruas, se não derem as caras pro coronavírus bater, o trabalhador rural, o motorista do caminhão, do ônibus, do táxi, o funcionário do supermercado e todos os outros já citados.
A quarentena só funciona para aqueles que sempre puderam viver em quarentena. A quarentena não funciona e não é possível - e nem deve ser ditatorialmente imposta - para aqueles que têm de ir à lida todo santo e profano dia, para aqueles que vendem o almoço pra comprar a janta, para aqueles que, como dizia o Chico, ganham no banco de sangue para mais um dia. Para estes, melhor se arriscarem à possibilidade de contágio pelo coronavírus, e rezarem para a cura e a imunidade, do que enfrentarem a certeza da fome e do despejo de suas residências. Aliás, melhor, não : a sua única opção.
As taxas e porcentagens de isolamento social estipuladas e desejadas pelos governos nunca serão atingidas justamente por isso, porque grande parcela da população, simplesmente, não tem o privilégio de poder se isolar. Aliás, estipular uma taxa de isolamento que se sabe impossível de ser atingida é mais uma das infinitas formas dos governos tirarem os seus cus da reta e culparem, como sempre, a população.
Dizer para um sujeito desse que ele tem que ficar em casa - só porque você pode - é de um esnobismo brutal. Ou, mais fidalguice ainda, fazer vistas grossas e fingir que não vê que é a impossibilidade do isolamento dele, do trabalho que ele continua a realizar, que garante o seu.
Dizer para um sujeito desse que ele estará colocando em risco não só a própria vida, mas também a de tantos outros, caso não cumpra com o isolamento social, é de um elitismo cruel e algoz. Mais que elitismo, é beirar, se não ultrapassar, o absolutismo dos reis franceses : é dizer que se farte de brioches, o sujeito que, no mais das vezes, não consegue fazer nem para o pão.
A pergunta é : até quando nos acovardaremos em nossas casas enquanto o cara que abastece o supermercado, o motorista do ônibus, o frentista, o policial, o entregador de delivery e tantos outros estão se expondo para garantir nosso isolamento, nossa segurança? É justo que algumas categorias de profissionais tenham que dar a cara a bater e outras não? Não acham que ficarmos no bem-bom em casa, enquanto uma enorme gama de pessoas não têm essa opção, e, ainda por cima, criticá-las por não obedecerem o isolamento social é de um segregacionismo canalha e filho da puta?
Nesta semana - anteontem, ontem e hoje - a escola em que leciono realizou a entrega de material impresso do segundo bimestre para alunos do ensino médio. Como professor, não teria nenhuma obrigação de sair de minha casa, ir até lá ajudar e me expôr; tal tarefa cabe tão-somente à direção da escola e aos inspetores e agentes de organização escolar. Sabendo, no entanto, do déficit de pessoal para realizar as entregas e da sobrecarga que se imporia à diretora e à única inspetora, ofereci-me para ajudar. Eu e mais três professores. Todos homens. Não apareceu uma única feminista empoderada para pôr em prática seus discursos hipócritas de liberté, egalité, fraternité; nenhuma empoderada com um cartaz com um desenho do coronavírus e, embaixo, a hastag ele não (#elenão).
Fiz isso por espírito cristão? Porra nenhuma. Até porque, se o meu voluntariado tivesse sido um ato cristão, com tanto cristão que tem lá na escola, teriam aparecido, pelo menos, mais uns cinquenta para ajudar. Ofereci-me pelo questionamento que fiz acima. Direção, coordenação, secretaria, inspetores, faxineiros e professores são trabalhadores de um mesmo estabelecimento; por que apenas alguns serem obrigados a se expor e outros não?
A diretora muito nos agradeceu. A mim, até, mesmo sabendo que sou ateu, disse um "Deus te abençoe". Sei que Ele não vai. Primeiro, porque não existe; segundo, porque se existisse, já ficou bem claro para mim de que lado Ele está nesta guerra : do lado do coronavírus.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Odair José na Casa das Moças

Odair José é o menestrel dos cabarés e dos rendez-vous. O cronista dos bordéis e dos lupanares. O Homero da cotidiana odisseia das boates e dos botequins das bocas do lixo. O Bob Dylan da Praça Tiradentes. O Chico Buarque das meninas da difícil vida fácil. O santo protetor das profissionais do serviço sem nota. Em suma e sem mais prolegômenos : Odair José é o Rei do Zonão.
Dom Quixote dos puteiros, Odair José nunca cedeu às pressões e às críticas dos moinhos da mídia "inteligentinha" - e elas foram muitas, e injustas, e maldosas, até. Sequer cogitou em mudar seu estilo e sua temática. Tampouco elitizou-se com o sucesso e com o passar do tempo. Nunca renegou seu passado e suas origens. Nunca cuspiu no prato em que comeu - e deve ter comido muito. Aliás, deve comer até hoje, vistas as suas recentes e pujantes produções.
Odair José nunca abandonou o público que o consagrou. Continua a falar para os desvalidos, para os zés-ninguém, para os rostos sem nome na multidão. Continua a cantar em verso, prosa e música as mulheres que ninguém canta. Mesmo porque nem é necessário, é só chegar numa delas com uma nota de 20, 50, 100, ou sei lá a quanto anda a tabela da zona hoje em dia e subir pro quarto.
Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio é o seu 37º álbum de músicas inéditas.
E Odair José está mais potente e vigoroso que nunca. O disco não tem baladinha nem musiquinha mela cueca, não. É paudurescência do começo ao fim. Odair José é rock'n'roll e pauleira pura. E também blues, feito a carro-chefe do CD, Na Casa das Moças, uma verdadeira ode às casas de tolerância. 
A Casa das Moças de Odair José tem preços módicos, "Tem uma casa no bairro/Onde mora umas moças/Não é nada tão caro/Cabe bem no meu bolso". O dinheiro não é a única moeda corrente e de troca por lá; lá os favores são reconhecidos e recompensados, não há ingratidão e apenas a ganância pelo vil metal, "Nessa casa das moças/A oferta é o prazer/Mas quem ajuda na louça/Recompensa vai ter/Repeteco de graça/E até beijo na boca".
Pããããããta que o pariu!!!! Tem até repeteco de graça e beijo na boca!!!! Porra, Odair, passa aí pra gente o endereço dessas moças!!!
De onde se vê que Odair José envelheceu, amadureceu e ganhou sabedoria. Não que mais tirar a puta da zona (eu vou tirar você desse lugar...), quer é se mudar para lá. De mala e cuia. Certíssimo, o Odair.
Há também a canção Fetiche : "Tapa na cara, beijo na boca/Tô numa transa louca/Nada é pra sempre/Nem mesmo o futuro/O presente está/Num quarto escuro". Nada é pra sempre, nem mesmo o futuro e o presente está num quarto escuro... achei bom pra caralho. Odair arremata a canção : "É só um fetiche, mostra o seu lado patife"
Ainda, a música mais hardcore, talvez, do disco, a quase que explícita Gang Bang, que, para quem nunca ouviu falar, é uma prática em que uma mulher, de preferência uma loira ianque peituda, é arrombada de todos os jeitos por quatro, cinco ou mais homens, geralmente negões do naipe do Kid Bengala; o que no Brasil, a gente chama de curra, mesmo. Diz a letra de Gang Bang : "Tem uma moça na roda e rola/Um gang bang/Todo o mundo na cola e estão/Querendo sangue/Não é nada demais/Só vale o combinado/Vai com respeito/Pra nada dar erradoUm drink no inferno/Com a turma do mangue/Arranca esse terno/E venha pro gang bang". Pois é. O que é combinado não sai caro.
Engana-se redondamente, contudo, quem pensa que só de putaria se faz este CD do cantor. O ollhar atento de cronista das massas de Odair José também faz dura e justa crítica social à insana conectividade global, à promíscua e cada vez mais indissociável simbiose entre os humanos e suas máquinas, os seus computadores e telefones celular, ao modo de ver e viver a vida sob a óptica de uma tela. 
Na letra de Fora da Tela, queixa-se Odair José à mulher amada (provavelmente quedada o dia todo nas redes sociais e a jogar Candy Crush) : "Venha viver/Fora da tela/Se envolver/Achar prazer/À luz de vela". Venha cá, meu bem, acenda a minha vela. Venha cá, querida, incendeie o meu pavio. Come on baby, light my fire! Odair José é o Jim Morrison dos inferninhos. E finaliza : "Quanto mais eu ouço/Mais eu fico surdo/Muita informação/Pra pouco conteúdo".
Enfim, Hibernar Ouvindo Rádio na Casa das Moças é um disco que merece uma boa e cuidadosa audição. Ou duas, ou três, ou mais.
Em tempos de abjetas sofrências, de asquerosos sertanejos universitários, de libertinos e corruptores funks e de medalhões de nossa música popular a repisar velhas fórmulas e antigos sucessos, Odair José, senhoras e senhores, é que é a grande novidade, o novo garoto do pedaço. Um dos raros botes salva-vidas da MPB. 
Na Casa das Moças
(Odair José)
Tem uma casa no bairro
Onde mora umas moças
Não é nada tão caro
Cabe bem no meu bolso.

Solidão e tristeza
Ficam do lado de fora
E amor com certeza
Pra começar não tem hora.

Nessa casa das moças
A oferta é o prazer
Mas quem ajuda na louça
Recompensa vai ter.

Repeteco de graça
E até beijo na boca
O caçador vira caça
Não dá pra dormir
De touca.

Na casa das moças
Os homens esperam 

Na fila da louça.
Para ouvir a canção, um blues rasgado, é só clicar aqui, no meu putanheiro MARRETÃO.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Fique, Enfim, Em Paz, Tio Maneco

O ator Flávio Migliaccio, 85 anos, o eterno Tio Maneco para os de minha geração, foi encontrado morto hoje em seu sítio na cidade de Rio Bonito (RJ).
Suicidou-se. Deixou carta :
“Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é (…) como tudo aqui. A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje."
E quem é que, no fim das contas, pode desdizê-lo?
Faz lembrar o caso do também ator Walmor Chagas, que, em 2013, aos 82 anos, cometeu suícidio em seu sítio na cidade de  Guaratinguetá (SP); igualmente por não suportar mais o convívio com o tal do ser humano.
Flávio Migliaccio
1934 - 2020

E um Bêbado Trajando Luto...

Hoje, todos os bêbados, boêmios e mulheres de vida fácil estão a vestir luto.
Aldir Blanc
1946 - 2020

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Mask is The New Black

Se for pra pegar algo vindo da China...
Esta eu encaro até com o coronavírus. É só não beijar na boca.

Cerveja-Feira (13)

Ela não é uma celebridade nacional ou internacional, mas é a avó que todo netinho pediu a Deus.
A americana Mildred Bowers, 104 anos, sobreviveu a duas Guerras Mundiais, a dois maridos e à Grande Depressão. Um dos segredos para toda esta longevidade : cerveja.
Mildred conseguiu autorização junto a seus médicos para tomar um belo copázio de cerveja bem gelada em seu café da tarde, pontualmente às 16 horas. A idosa do balacobaco (e devota de Baco, pelo visto) diz que toma a cerveja como fosse um remédio e que manterá a terapêutica até o fim de seus dias.
"Tome uma cerveja, ordens do médico", Mildred prescreve aos demais idosos.
Bolinho de chuva com groselha é o cacete! Essa vovó serve é cerveja com torresmo pra netaida!

Pode Ser Numa Canção, Pode Ser no Coração, Eu só Quero Ter Você Por Perto (7)

NÓS
(Marya Bravo)
Me soltei
Castelo ao Tejo, ar puro de viver
Fui fiel
Ao meu reinado, provando do meu mel
Deu um nó
Com tanta espécie num dava pra escolher
Mas provei
De tudo um pouco aí veio você

Só pra estragar trazendo o sentimento
Veneno que me encharca e você fez transbordar
Só pra estragar trazendo o envolvimento
Acordes tão perfeitos que meu corpo vai...

Me beijou
Com tanta calma não pude resistir
Me tocou
Com tal destreza da sua vocação
Deu um nó
Num tinha jeito não dava pra correr
Me olhou
Com os olhos cheios e aí veio você

Só pra estragar com papo de momento
Menino imaturo sem coragem de tentar
Só pra estragar no último momento
Mas nosso adeus foi forte e seu corpo vai

Lembrar de mim
Te toco sim
Nós
Vão se soltando
Rainha eu sou
Consorte és
Nós

Vou lembrar de ti
Me toca aqui
Nós
Entrelaçando
Mão e voz
Somos nós


Nós

Para escutar a canção é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

terça-feira, 28 de abril de 2020

Bengay, o Alívio Da Dor Penetrante Profunda

Ontem, o Jotabê, o monarca do Blogson Crusoe, enviou-me uma imagem, dizendo que ela poderia me inspirar um bom texto.
Senti-me de volta à década de 1970, aos meus tempos de grupo primário. Tempos em que a "tia", a Dona Espéria, frequentemente pedia  que fizéssemos "composições". Quem tem menos de 40 e poucos anos nem sabe o que é isso, ou conhece por outros nomes : redação, ou, mais atualmente, produção de texto. Eram duas composições por semana. A Dona Espéria nos dava um desenho, ou uma gravura, geralmente mimeografados, e tínhamos que compor um texto inspirados neles. Lembro que antes de qualquer coisa, eu dava uma boa cheirada na folha rescendendo à álcool. E compunha. E o texto vinha.
Agora, mais de quatro décadas depois, o mestre Jotabê me desafia a uma composição. Sem os eflúvios do álcool do papel mimeografado para me inspirar, dei uma talagada numa dose de vodka-tônica e compus. Não saiu lá grande coisa, mas acho que dá pra passar de ano. Raspando.

"Os músculos são nossas caldeiras, nossos cavalos de força, nossas forças motrizes. Zelar pela manutenção, pela adequada nutrição e pelo constante exercício deles é zelar por nossos próprios ânimos e disposição, por nossas próprias coragem e/ou resignação em levantar da cama todos os dias e enfrentar a lida.
Os músculos impulsionam e coordenam todas as nossas atividades. Músculos são sinônimos de ação. E fez-se o Verbo. E o Verbo fez-se em nós na forma de músculos. Os músculos são nossos verbos; todo o resto é perfumaria, são complementos nominais, conectivos, adjuntos adnominais, preposições, conjunções, objetos indiretos e outros penduricalhos.
Temos os músculos ligados ao nosso esqueleto, que nos colocam de pé, permitem-nos andar, manipular objetos, dar uma "banana" e mostrar o dedo do meio a um desafeto, coçar o saco e futucar o nariz, fazer o gesto da "arminha", ou o do "Lula Livre", e, claro, tocar punheta.
Temos os músculos lisos e involuntários do sistema digestório, responsáveis pela ingestão e pela transformação dos alimentos em moléculas utilizáveis por nossas células; eles, literalmente, dão tudo mastigadinho às nossas células.
Temos o diafragma, responsável pelo inflar e desinflar dos pulmões, garantindo-nos, respectivamente, a captura do gás oxigênio e a eliminação do gás carbônico. Temos os músculos da face, que nos permite expressar nossas emoções, dar vazão a toda a minha inata simpatia. Temos os músculos oculares, que permitem que nos encantemos com uma bela paisagem, com um sangrento pôr-do-sol, que possamos ler um bom livro, assistir a um bom filme e, claro, dar aquela rápida e sub-reptícia espiada no decote da peituda à nossa frente na fila do banco, do supermercado, da padaria.
Temos "o" músculo, o coração, infatigável bomba a lutar contra a "indesejada das gentes".
Engenhos maravilhosos, os nossos músculos; porém, não invulneráveis. Portanto, além de lhes fornecer boa nutrição e atividade física, é imprescíndivel também que recebam imediatos reparos em casos de lesões, estiramentos, lacerações e outros ossos do ofício. Vários são os procedimentos de primeiros socorros que podemos prestar aos nossos músculos : botar gelo, compressas com cataplasma, tomar diclofenaco, entre outros.
Tais ações emergenciais, contudo, não são de nenhuma valia para um músculo bem específico, de suma importância e inigualável grandeza, e sempre relegado a segundo plano, sempre ignorado e desprezado, sempre deixado "para trás" : o esfíncter anal. O guardião da porta do cu. O zelador da prega-rainha. Sempre a impedir a fuga de "prisioneiros" em momentos inapropriados e, principalmente, a defender com a própria vida a invasão de elementos estranhos em quaisquer momentos e sempre.
E se o sujeito exigir muito nos exercícios do esfíncter? E se der um mau jeito no cu? E se o olho do cu, em alguns casos, maior que a barriga, por gulodice, entubar mais do que pode aguentar? E se o sujeito tiver passado o carnaval com o ex-boiola e chegar na quarta-feira de cinzas com distensões e entorses nas pregas?
Gelo, cataplasmas e diclofenaco de nada adiantarão neste caso.
Quem é que socorre o músculo do cu, então, nessas horas de apuro?
Até pouco tempo, a resposta seria nada e ninguém. Cada um que sofresse calado a sua dor.
Pois agora isto ficou no passado!
Pensando sobretudo nos atletas de academia e de cross fit, fervorosos e incondicionais adeptos da prática da rosca direta, o afamado laboratório estadunidense Johnson & Johnson desenvolveu a pomada Bengay. Que tem benga e gay até nome, deixando evidente a que público alvo se destina.
Como se não bastasse o nome fantasia (cheio de purpurina e paetês) da pomada, o seu uso está bem especificado na caixa de sua embalagem : deep penetrating pain relief. Alívio da dor penetrante profunda; segundo o tradutor Google. 
Distendeu o esfíncter anal? Dá-lhe Bengay! Tá com cãibra no brioco? Dá-lhe Bengay! Puxou ferro demais com o cu? Dá-lhe Bengay! Lacerou a prega-rainha? Dá-lhe Bengay.
A Bengay, claro, é comercializada em grandes, grossas e roliças embalagens tubulares.
Mas apesar de ser quase milagrosa, a pomada Bengay, assim como todo e qualquer medicamento, pode provocar efeitos colaterais em usuários mais sensíveis.
Vi, em reportagem do portal G1, de 13/09/2012, que as autoridades sanitárias americanas, depois de investigarem denúncias de consumidores, alertaram o público sobre a ocorrência de queimaduras médias e graves após o uso de algumas pomadas para aliviar dores musculares. Entre elas, claro, estava a Bengay.
Não sei exatamente como se deu o desenrolar do caso na justiça americana, mas tenho quase certeza de que a Bengay foi absolvida. De que foi provado, frente a inegáveis fatos, que a Bengay não causou as queimaduras. De que foi demonstrado para o juíz e para o júri popular - de forma inconteste e irrefutável - que a rosca do sujeito já estava queimada muito antes da aplicação da Bengay.
Pããããããããta que o pariu!!!!"

em tempo : não confundir a Bengay com o Bálsamo Bengué, unguento das antigas, pomada de macho-jurubeba, de pedreiro, estivador, lenhador e marinheiro.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Quer Dizer, Então, Que Eu Agora Sou Um Cara Legal, Seus Cuzões?

Sempre fui considerado e  tido como um cara antipático e rabugento. Seja no ambiente familiar, dentro de meu restrito círculo de amizades, ou no local de trabalho, sou visto sempre como o sujeito azedo, ranzinza e mal-humorado. Sou o tipo de cara do qual ninguém se lembra de convidar para uma festa. E, a todos, por isso, secretamente, sempre agradeci. E, basicamente, por um motivo, este quadro de mim pintado : não gosto nem nunca gostei das convenções e dos ritos sociais inerentes a cada ambiente, não aprecio nem nunca apreciei os salamaleques do convívio humano, nem ao menos o convívio humano em si.
Sou visto sempre como o chato e o estraga-prazeres. E o mérito disto, com grande orgulho, é 100% meu. De fato, às vistas do "serumaninho" comum, seguidor da manada, que gosta e que precisa se reconhecer no cheiro do cu à sua frente e que precisa do focinho do outro a também se reconhecer nele, sou mesmo pessoa das mais intragáveis e intratáveis.
Não dou bom dia nem falo até logo ou até amanhã, se Deus quiser. Não compro rifas, não entro em vaquinha nem em bolão. Não dou parabéns nem presto pêsames. Não congratulo nínguém pelo "seu dia", seja o do professor, o da mulher, o das mães, o dos pais, o das crianças, o do índio, o da árvore, o da bandeira.
De fato : sou um ser social - até e tão-somente pela natureza intrínseca e biológica de minha espécie -, mas jamais fui, ou serei, um ser sociável.
E não é que agora, os cuzões que sempre me criticaram por meu comportamento de caramujo, estão a dizer que eu sou um cara legal? E não é que agora, durante esta pandemia, nesta hora em que a porca está a torcer o rabo e a onça a se fartar de beber água, eu passei a ser considerado um modelo de conduta social ?
Pelo menos, é o que está a veicular e a apregoar um comercial de TV da Amil, empresa de convênio médico. Vejam só uns trechos do comercial cujo vídeo colocarei ao fim da postagem.
"Seja gentil com seus vizinhos. Não aperte as mãos deles". Pãããããããta que o pariu!!!! Eu nunca olhei nem cara!
"Seja generoso com seus amigos. Não se reúna com eles". Está pra indo pra mais de dois anos que me reuní com algum deles.
"Ame seus pais. Não deixe eles se aproximarem dos netos". Eu só vou na casa da minha mãe por Real Decreto Materno, quando sou convocado e conduzido coercitivamente, e mesmo assim se for um domingão e tiver ou lasanha ou feijoada ou dobradinha com calabresa e grão-de-bico para o almoço.
"Tenha responsabilidade. Lave suas mãos para tudo". E vocês não lavavam as mãos, não, seus pulhas?
"Seja sociável. Não saia de casa. Continue sendo a pessoa legal que você é".  Valha-me São Roberto Carlos! Este cara sou eu!!!!
Agora eu sou legal, né, seus cuzões? Eu, um antissocial assumido e  juramentado, agora alçado à categoria de cidadão padrão? Eu, eterno militante do isolamento social - do meu isolamento -, agora posto como paradigma de consciência social? Eu, até ontem um pária social, um esquisitão, aquele nunca escolhido pro time de futebol da educação física (e, a todos, por isso, secretamente, sempre agradeci), agora uma bússola, um guia, um líder, um guru e um Messias de uma nova ordem mundial? A isto, prefiro ser derrubado pela Covid-19.
E agora o esquisitão virou o cara legal? É a vingança do ermitão!!! E ela só não é plena (não se preocupem, não citarei o filósofo Seo Madruga), só não me dá inenarrável prazer porque nunca considerei o serumaninho comum algo digno de minha vingança.
Covardes. Cuzões é o que todos vocês são. Cadê a coragem, a hombridade, a famosa, e em falta, vergonha na cara para continuarem a defender e a praticar seus frívolos, fúteis e frenéticos modos de vida, dos quais até ontem tanto se orgulhavam? Cadê o brio para se arriscarem em nome de suas (não tão) antigas certezas e convicções? 
Bastou o rosnar de um virusinho de merda para vocês mudarem de ideia e acharem que o legal agora é ser como eu?  Que o legal agora são lives e não mais shows com milhares de idiotas aglutinados? Que o legal agora é pedir comida em casa (eu ia dizer fazer a própria comida, mas aí também já é pedir demais de vocês) e não mais ser parte do dantesco espetáculo de centenas de bocas mastigando abertas em uníssono nas praças de alimentação dos shoppings
E o sempre tão superestimado contato humano, seus bostas? E a socialização e a integração, seus boçais? Deixaram de gostar de tudo isso? Deixaram-se convencer fácil demais para o meu gosto. São mais fracos e hipócritas do que sempre julguei. A prepotente espécie humana, moldada à imagem e semelhança do Criador, fugindo de um vírus feito baratas tontas? Até quando continuarão entocados? Até, poltrões, terem a garantia de que o inimigo se foi? O inimigo nunca se irá. Estará entre nós para sempre.
Sempre nutri grande indiferença pela espécia humana como um todo; agora, germinou em mim um profundo desprezo. Covardes. Assumimo-nos como uma espécie covarde.
A seguir, o comercial da Amil.

Cerveja-Feira (12)

A relação, ou melhor, a indissociável simbiose desta célebre figura com a cerveja e demais derivados etílicos é tão óbvia, mas tão óbvia, que, de tão óbvia, até então, escapara-me, passara-me despercebida : Raul Santos Seixas.
Raul Seixas, o Raulzito, o Maluco Beleza, a Metamorfose Ambulante, mas, sobretudo, o Movido a Álcool. Abaixo, Raul Seixas num momento de descontração e em companhia de dois de seus maiores prazeres : cerveja e mulher. Sim, porque além de rockeiro e cervejeiro, Raul era macho das antigas, adorava uma briga de aranhas - como eu. Toca Raul!!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Mao Tsé-Tung Me Livre Desta Coceira

Enfim, uma notícia vinda da China cujo tema não diz respeito ao sinovírus Covid-19.
Um paciente de 60 anos, cujo nome foi mantido em sigilo para não expor a intimidade da biba velha, chegou no consultório do clínico geral Lin Jun se queixando de dores abdominais.
Lin Jun deitou-o na maca e, ao realizar o apalpamento do abdômen do chinês, detectou uma massa sólida. Chegou a supor, inicialmente, de se tratar de um caso de grave constipação instestinal, de bosta empedrada. Mas ao notar o formato um tanto peculiar e sui generis do "troço", resolveu fazer um raio-X da barriga do paciente, o qual revelou, para o espanto do médico, a imagem abaixo.
O paciente estava com um frasco de vidro dentro do bucho, e a via de entrada também ficou clara : o cu. O chinês enfiara no toba o que se viu depois ser um frasco vazio de perfume, produzido na Flórida (EUA).
Perguntado pelo médico de como aquilo fora parar ali, a biba da terceira idade falou que uma coceira sem tamanho acometera a sua região anal e que o único instrumento que ele tinha à mão para coçar o brioco era justamente um vidro de perfume vazio. Contou ainda que quanto mais coçava, mais a coceira se internalizava, aprofundava-se. E ele foi também aprofundando a "coçada" e o frasco acabou escapando da sua mão e entrando "sem querer" no cu.
"O vidro inteiro estava no reto do paciente. Eu podia senti-lo tocando o abdômen. Ele comentou que o seu ânus estava coçando", contou Lin Jun
Fico imaginando a cara do médico ao ouvir tal estapafúrdia e esfarrapada explicação. Fico imaginando o clínico tendo que se segurar, tendo que fazer cara de "paisagem" enquanto revisava mentalmente todos os compêndios da medicina em busca de como lidar com a situação. Mais ainda o constrangimento do esculápio em revelar o diagnóstico, em dizer ao paciente que aquilo não tinha sido coceira anal, tinha sido o mais puro, legitímo e crônico tesão na argola.
Numa hora desta, de pouco vale o médico ser versado nos tratados de Hipócrates, Galeno, Paracelso e tantos outros. Numa hora desta, de muito maior serventia teria sido o médico conhecer o anedotário brasileiro da região dos Pampas Gaúchos.

Conta-nos o folclore gaúcho que, num belo dia, o Gauchão maxoxô, de botas, bombachas e boleadeiras, saiu com um sujeito "bem calçado", "malcriado", daqueles que não têm pena nem da mãe, daqueles que fazem égua olhar pra trás. O sujeito, claro, deixou o toba do gaúcho em pandarecos, em petição de miséria. O Gauchão inda esperou uns dias, ver se o estrago consertava-se por si próprio. Não houve jeito. Sem mais o quê, lá foi o Gauchão pro médico, que o examinou, verificou o estado de calamidade pública do cu do Gaúcho, mandou-o se vestir e o chamou à sua mesa para conversar.
- Como foi que isso aconteceu, seo Gauchão? - perguntou o médico
- Bah, tchê. Tenho uma fazenda lá nos Pampas, região de cavalos selvagens, e tem lá  um potro que mais de dez peões dos bons já falharam em domar. Para honrar o bom nome da minha estância, estância de macho, fui eu mesmo domar o potro. Eu fiquei mais de hora em cima do bicho. Ele pulando, corcoveando e eu firme em cima, tchê. Quando eu pensei que ele tinha cansado e tava domado, afrouxei um pouco a rédea e o potro, traiçoeiro, deu um pinote e me jogou pra fora do seu lombo. Eu voei por uns 20 metros, cai sentado em cima de um toco no pasto e o resultado o doutor acabou de ver.
- Então, quer dizer que isso foi toco, seo Gauchão?
- Bah! Mas é claro que foi toco! Estás a insinuar o quê?
- Nada, nada, seo Gauchão - disse o médico.
Em seguida, tirou dois frascos de uma gaveta da mesa, um com um líquido azul e o outro com um líquido amarelo.
- Seguinte, seo Gauchão, eu tenho dois remédios aqui, o azul é pra toco e o amarelo é pra pinto. Se o senhor levar o pra toco e tiver sido toco mesmo, ele o curará rapidamente, mas se tomar o pra toco e tiver sido pinto, o senhor morrerá. Se o senhor levar o pra pinto e tiver sido pinto, ele também terá efeito curativo imediato, e se tomar o pra pinto e tiver sido toco, nada acontecerá, não haverá nenhum efeito colateral.
O Gauchão pensou, repensou e decidiu. Com uma mão, fincou a faca que trazia à cintura na mesa do médico, com a outra, agarrou o frasco com conteúdo amarelo e falou grosso :
- Bah, doutor! Eu vou levar o pra pinto, mas que foi toco foi!!! 

Conhecesse o anedotário regional gaúcho, o médico chinês teria se saído muito melhor da embaraçosa situação. Bastaria ter colocado dois frascos em cima de sua mesa, um pra coceira anal e outro pra tesão na argola e repetido a terapêutica do médico do gaúcho. A resposta do paciente chinês, todos nós já sabemos : - Eu vou levar o "pla" tesão na "algola", mas que foi "coceila", foi.
O frasco media 18 cm de comprimento por 5 cm de bitola.
E o cu do chinês se afeiçoou ao frasco de perfume, pois se pode ver pela imagem acima que foram necessários espéculos para alargar (ainda mais) o cu do chinês e pinças para retirar o frasco à força e sob gritos de protestos do paciente.
A empresa responsável pela fabricação e comercialização do perfume já pensa em colocar a seguinte advertência no rótulo : descartar a embalagem após o uso, não reutilizá-la para outros fins e não deixá-la ao alcance de crianças, animais domésticos e boiolas.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A Senhora da Van

"Porque todo escritor é um ser duplo; um que vive e outro que escreve."
O autêntico e refinado humor inglês.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

É a Micareta do Coronavírus

O ex-boiola é o frequentador mais alegre e festivo do Marreta!
O ex-boiola é mais que uma figura ímpar, é uma singularidade!
Nós, eu e vocês que passam regularmente por aqui, já o conhecemos de outros carnavais. Ou melhor, não o conhecemos, não sabemos de onde é, qual sua idade, sua profissão etc. E nada disso importa, nada disso faz a menor diferença.
O que sabemos é que ele é um boiola convertido, um prosélito das pregas, e que, hoje em dia, leva uma vida de macho de respeito durante 51 semanas do ano, porém, na quinquagésima segunda, na semana do Carnaval, ele retoma os antigos hábitos. Na folia de Momo, ele rasga a fantasia de macho, reasssume a pele que habita e se lança a badalados pontos turísticos em companhia de seus crushs. Antes, o Renatão, que, de macho-espada, começou a virar macho-bainha e acabou virando evangélico para parar de dar a bunda, mas, como também não comia mais ninguém, foi dispensado pelo ex-boiola. Depois um japonês, cujo hashi não foi o suficiente para satisfazer o ex-boiola. E, atualmente, com o Renner, garotão esperto com 22 anos de idade e 22 cm de rola. A esposa do ex-boiola também não fica atrás do maridão; na semana do carnaval, se esbalda e se lambuza com a Sandrão.
É como diz o Chico : E um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz. uma ofegante epidemia, e que se chamava carnaval, o carnaval, o carnaval...
Da mesma forma que o ex-boiola só é boiola no carnaval, também é só nesta época do ano que ele dá o ar de sua graça por aqui no Marreta. No entanto, ontem, ele me brindou com sua presença, em mais um comentário divertidíssimo. Estranhei a presença temporã, mas logo entendi. Agora, é carnaval para o ex-boiola!
É como diz o velho ditado, se a vida lhe dá limões, faça uma limonada. Eu faço uma caipirinha. E o ex-boiola faz um carnaval. A vida (ou, neste caso, a China) nos deu este limão do novo coronavírus. Fazer o que com ele? Entrar em pânico, frenesi, psicose? Nada disso. Sim, como fez o ex-boiola, isolarmo-nos com pessoas de quem gostamos e aproveitar o máximo. Fazer um nosso carnaval particular.
Eis o comentário do ex-boiola:

"Mestre, mestre, Agora é oficial!! Decidimos juntar forças e vamos passar juntos a quarentena: eu, patroa, Sandrão e Renner. Tem tudo para dar certo. Eu cozinho coisas doces. Renner cozinha receitas de sal. Sandrão é pura diversão e já levou a mesa de sinuca para casa. E a patroa, bem, está fazendo máscaras de algodão para vender. Juntos sairemos dessa Mestre. Ex-boiola".

Pããããããta que o pariu!!!! É a Micareta do Coronavírus!!!
O ex-boiola cozinha. O Renner cozinha. Tá sobrando "cozinho" por lá! Isso sem falar da mesa de sinuca da Sandrão, que é só taco e bola pra tudo quanto é lado. Vai faltar é caçapa neste carnaval fora de época do ex-boiola. É camisinha na rola, máscara hospitalar na cara e vamos que vamos!
Sim, sairemos vivos dessa, meu caro, na certa que sairemos.