O idoso, aquele a quem, antigamente, a gente chamava de velho, não perde apenas o tônus, a força muscular, os dentes e os cabelos. Não lhe debilitam apenas os reflexos, a memória, o pau, os cinco sentidos. Eu havia lido, há algum tempo, que a idade também tolda o discernimento e o julgamento que o idoso faz das pessoas e do mundo. Fica-lhe cada vez mais difícil diferenciar a verdade da mentira, enxergar o limite do plausível, reconhecer bons e maus caracteres, separar a boa vontade alheia do oportunismo de rapina.