sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu Só Me Fodo, Graças a Deus!

O estadunidense Erik Norrie é um verdadeiro vaso ruim, um legítimo duro de matar.
Aos 10 anos de idade, o pequeno Erik foi submetido ao seu primeiro teste de sobrevivência : um raio caiu numa árvore ao seu lado e o lançou dezenas de metros pelo ar. Saiu ileso.
Três anos depois, quase perdeu a perna, vitimado por uma mordida de cobra, mas duas semanas de tratamento intensivo o deixaram pronto pra outra. 
Foi vítima, ainda, de dois ataques de macacos : um deles no Brasil, quando passava férias na Amazônia e um animal lhe deu um soco na cabeça. O outra em Honduras, quando sua mulher, em uma brincadeira, o trancou em uma jaula com uma fêmea, que prontamente pulou em seu peito e começou um ataque com suas próprias chaves. Os dois ataques foram, igualmente, sem maiores gravidades.
Sabe-se lá o porquê, mas a Natureza parece não simpatizar muito com esse rapaz.
Agora, aos 40 anos, foi atacado por um tubarão, quando praticava pesca com arpão nas Bahamas.
"Eu senti o seu tremendo poder atingir a minha perna", disse Norrie ao Daily News. "Quando eu olhei para trás, eu vi o tubarão rasgando o lado da minha perna. Ele balançava a cabeça e mastigava".
Erik Norrie conseguiu se livrar do tubarão, refugiou-se num banco de areia e improvisou um torniquete com um pedaço do arpão. Paralelo a isso, sua filha contatou médicos via rádio, que conduziram Norrie ao hospital mais próximo. Depois do quadro estabilizado, foi transferido de avião para um hospital em Miami, onde recebeu um enxerto de pele na panturrilha e já passa muito bem.
Erik Norrie não faz de seu incrível dom de sobrevivência um segredo, revela-o para quem quiser saber : "Acredito, do fundo do coração, que o Senhor foi quem me apoiou durante tudo o que aconteceu", afirmou ao "Daily News".
Deus o apoiou? Pãããããta que o pariu!!! Eu é que não quero um deus desse me apoiando. Prefiro estar por minha conta, solto e a girar a esmo nesse Universo imenso. Prefiro me arriscar com colisões de meteoros, asteroides e cometas, com emissões solares de um mol de megatons carregadas de raios-X e raios gama, com vorazes buracos negros, com choque de galáxias, com qualquer coisa, menos com esse deus protetor de Erik Norrie.
Religiosos, não fosse o sério perigo que seu fundamentalismo representa, seriam pessoas engraçadas. O cara toma no cu diversas vezes e ainda agradece a deus. Religiosos dizem que deus não lhes manda nada além do que podem aguentar. Deus olha pro sujeito e diz : aquele ali aguenta 20 cm de rola grossa. E lá vai pica!
Tô fora! Posso viver muito bem sem saber que espécies de castigos eu posso suportar. E posso viver muito bem, melhor ainda, aliás, sem deus.
Religiosos sempre dizem que são salvos de situações difíceis por deus, e que nada acontece sem que deus queira ou permita. Então, quem foi que os colocou em situações de risco antes de "salvá-los"? Deus, pois não?
Se nada acontece se não por vontade de deus, quem foi que mandou o raio na cabeça do pequeno Erik, quem pôs a cobra peçonhenta em seu caminho, e os macacos?
Deus não tá é conseguindo matar esse cara, deus tá é ficando velho, perdendo a prática.
Feito aquela história do menininho que, agachado ao lado de um formigueiro, tentava atingir as formigas com pequenas pedras. Ele jogava uma pedra, errava e dizia : "errei, porra!". Jogava outra pedra, errava de novo e repetia : "errei, porra!". Um padre que passava por perto resolveu intervir, disse-lhe que as formigas também eram criaturas de deus, que deus ficaria muito bravo caso o menininho as matasse, e que também era pecado dizer palavrões, se continuasse, deus o castigaria, o fulminaria com um raio na cabeça. O menininho nem deu atenção ao padre, jogou logo foram mais três ou quatro pedras contra o formigueiro. O céu se abriu, um clarão se fez e um raio desceu impiedoso. Bem na cabeça do padre. Irrompeu o firmamento, então, uma portentosa voz, onipresente, que parecia vir de todas as direções, e deus disse : "Errei, porra!"
É o caso desse rapaz, deus tá é errando a pontaria. 
O cara é o próprio Highlander, um Bruce Willis. Acho que para matar esse cara, só mesmo língua de sogra!

Facinho, Facinho de Acreditar...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Humanas : As Ciências Que Não São Ciências (E Alguém Ainda Achava Que Fossem?)

Sempre que posso, desço a marreta nas tais "ciências" humanas, sociologia, pedagogia, psicologia, filosofia, pedagogia e outros embustes.
Deem uma vasculhada pelo blog e verão que eu digo que as tais "humanas" não são ciências. Estão mais para doutrinas, para seitas, para religiões, baseiam-se muito mais em crenças e ícones do que em dados e evidências concretas.
E faz tempo que eu digo isso. Mas eu sou apenas o Azarão, um mero portador da Marreta. Estava faltando alguém de renome dizer o mesmo. Estava faltando alguém conceituado no meio científico tomar coragem e expor a fraude e a má-fé desses charlatães metidos a acadêmicos, revelar a inconsistência e o vazio de seus discursos falsos eloquentes, cheios de bravatas, empoados e construídos de frases feitas, de clichês que bem poderiam ser o recheio de biscoitos chineses da sorte, de citações que dariam para enfeitar os parachoques dos caminhões do planeta inteiro.
Faltava alguém de alto gabarito para dizer que as ciências humanas não são feitas de hipóteses e teorias, mas sim de dogmas. É falácia servindo de "prova" a outra falácia, são falsas (e desonestíssimas) premissas a embasarem outras falsas premissas, e assim por diante.
Francisco Daudt, médico e psicanalista, em seu novo livro, A Natureza Humana Existe (e como manda na gente), deixa os psicólogos, filósofos, pedagogos e sociológos de cabelos em pé, arrepia-lhes até os cabelos do cu. Daudt apresenta o que os evolucionistas comportamentais defendem : somos herdeiros, primeiro, da genética e, segundo, da experiência. Não nascemos uma tábula rasa - ô expressãozinha nojenta e mal-intencionada! Nojenta, mal-intencionada e um tiro pela culatra dos próprios humanistas, mais uma evidência a revelar a inaptidão deles para o verdadeiro pensamento. Explico:
Ao nos declararem, a todos, tábulas rasas, os humanistas negam a ideia (e a verdade) de que possamos nascer com conhecimentos e capacidades prévios ao nosso contato com o mundo, negam que possamos ser portadores de informações e habilidades inatas, intrauterinas, faculdades com as quais, aliás, todos os outros animais nascem.
Ao nos dizerem tábulas rasas, o humanistas fazem muito pior do que simplesmente nos decretarem idiotas congênitos, eles negam que nasçamos com uma natureza que nos é intrínseca e muito da particular, que é o que nos diferencia, o que nos define como indivíduos únicos.
Ou seja : o humanista, ao declarar as pessoas como produtos exclusivos do meio, reduz todos a uma única massa, o humanista nega o diferencial por excelência, nega o indivíduo, nega o humano.
O humanista nega a natureza humana!!! Há! Há! Há!
Contradição?
Fossem verdadeiros homens da ciência, sim. Seria uma puta duma contradição. Mas sendo "os das humanas", não, não é contradição. É só burrice, mesmo. Típica deles. E sua maior marca registrada. Só superada, talvez, pela enorme prepotência e pelo desmedido orgulho que possuem de suas próprias ignorâncias.
As verdadeiras ciências, as exatas e as biológicas, a cada dia que passa, estão mostrando o logro que são as "humanas". Hei de viver para vê-las totalmente desacreditadas, lançadas à lama, à sarjeta da Academia. Hei de viver para ver todos os "humanistas" perderem seus empregos, pela inutilidade que são os seus "serviços", hei de vê-los ter que estudar de verdade para ganharem o seu pão cotidiano.
Reproduzirei a seguir a reportagem da Folha de São Paulo sobre o livro de Daudt; em letras vermelhas, destaquei alguns trechos.

Em novo livro, Daudt combate as crenças das ciências humanas
(por Fabio Andrighetto)
As ciências exatas e biológicas são diferentes das humanas. A representação da realidade de sociólogos, filósofos, pedagogos e psicanalistas não podem ser colocadas em microscópios ou simuladas por equações. De científico mesmo, as humanidades só carregam o nome. O positivismo procurou aplicar o rigor das ciências em todas as áreas do conhecimento. A tentativa virou galhofa. 
Apesar de a argumentação ter força na visão de mundo defendida pelas ciências humanas, muitas de suas premissas são representações de uma realidade preferível. Ou seja, crenças. É mais agradável acreditar que somos livres do que biologicamente determinados, pois as consequências de pensamentos deste gênero se mostraram errôneas e historicamente desastrosas. As consequências foram desastrosas, o uso que se fez desse pensamento foi errôneo, não o pensamento em si.
O pensamento hegemônico das ciências humanas alega que nascemos "vazios" --tábula rasa-- e somos preenchidos com a cultura. Assim, comportamentos violentos, por exemplo, poderiam ser explicados como resultado do meio em que o sujeito foi criado. 
Em seu novo livro, "A Natureza Humana Existe", Francisco Daudt, psicanalista, médico e colunista da Folha, apresenta o que os psicólogos evolucionistas defendem: somos herdeiros da genética e da experiência. 
"Pense num computador", escreve Daudt. "Quando você o compra, ele já vem como um monte de programas instalados. Somos nós, quando nascemos. Depois você acrescenta outros que te interessam (seria a 'cultura')". 
Para ele, os acadêmicos negam uma parte fundamental para compreender o comportamento humano quando se recusam a acreditar que existe um fator natural, como em todos os outros animais, que também move e molda o indivíduo. 
"As influências biológicas no comportamento humano ficaram malvistas por décadas", conta. "Quando Edward O. Wilson publicou, em 1975, seu livro 'Sociologia: Uma Nova Síntese', os acadêmicos marxistas (quase uma redundância, na época) das humanidades se levantaram numa grita enfurecida, como se estivessem vendo a ressurreição do demônio". 
Defender que carregamos elementos que precedem a experiência não é novidade. René Descartes (1596-1650), pensador que inaugura a filosofia moderna, apresentou, em suas "Meditações Metafísicas", as ideias inatas. Para não pecar pelo anacronismo, é claro, o filósofo francês desconhecia os conceitos de genética que temos hoje. Porém, a psicologia evolucionista trás, em seu DNA, uma parcela cartesiana. "Embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso todo ele se origina justamente da experiência", escreve Immanuel Kant (1724-1804) em "A Critica da Razão Pura", de 1781. "Pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento e experiência seja um composto daquilo que recebemos por impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento (apenas provocada por impressões sensíveis) fornece de si mesma". 
Não dá para apostar que somos 50% genética e 50% criação. Ambas foram parcamente exploradas. Podemos dizer que, até agora, a totalidade de fatores que constituem a identidade é um mistério. Decifrar esse enigma pode estar além da nossa capacidade cognitiva. O cão correndo atrás do próprio rabo. "

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Biritis, A Cerveja do Mussum

Para Mussum, cerveja não era só cervejis, era um fitoterápico, ele chamava a loirinha de suco de cevadis. A garrafa não era só garrafis, continha um santo remédio, chamava-a de ampola, quer dizer, ampolis.
Para Mussum, era melhor melhor ser um bêbado conhecidis que um alcoólatra anonimis.
Portanto, nada mais justa - e até com grande atraso - a homenagem que um de seus filhos, Sandro Gomes, de 34 anos, vai prestar ao pai.
Daqui a duas semanas, ao completar dos 19 anos da morte do Trapalhão, será lançada uma nova marca de cerveja no mercado, a Biritis, criada por seu filho.
Segundo Sandro Gomes, a cerveja será uma maneira de limpar uma imagem "forçada" que a maioria tem do pai : "Na vida real ele não era o Mussum dos Trapalhões. Não bebia o dia inteiro. E não morreu de cirrose, ao contrário do que dizem". Mussum tinha um problema congênito no coração.
A Biritis não será uma cerveja "de massas", será um néctar diferenciado, de cor alaranjada, do tipo Vienna Lager, com baixa fermentação e 4,8% de teor alcoólico. A Biritis será produzida com as cristalinas águas de Serra Negra.
É uma cerveja mais elaborada, mas sem frescuris, garante Sandro Gomes, outro apreciador declarado de uma boa gelada, "ofício" que garante ter aprendido com o pai.
E a Biritis é apenas o começo. Em parceria com mais dois sócios , e com a produção assinada pela cervejaria Ampolis, Sandro pretende lançar outros rótulos. Cacildis e Mangueiris são duas grandes possibilidades.
Inicialmente, a Biritis será vendida em apenas 20 pontos de venda no Rio e em São Paulo. O preço não foi revelado, mas deve ser cara pra cacetis.
Não tenho a menor simpatia por as tais cervejas mais elaboradas, as ditas artesanais, é coisa de quem quer glamourizar o vício, torná-lo uma sofisticação, em suma, pura viadagem.
Mas no caso da Biritis, caso ela chegue aos mercados daqui, desembolsarei uns trocadis a mais para adquirir uma ampolis. Tomarei o néctar, é claris, mas será mais para guardar a garrafa e a tampinha, ambas estampadas com a cara do grande Mussum.
Saúdis!!!
Tampinhas da cerveja Biritis

Atualização : acabei de ver agora (07/08 - 18:10h), no caderno Pequenas e Médias Empresas do Estadão, que a Biritis terá a ampolis de 600 ml com preço sugerido entre R$ 20,00 e R$ 22,00. Cacildis!!! Pããããããta que o pariuzis!!!

Nós, Dependentes Químicos

Vício ou necessidade?
Os dois são regidos por substâncias químicas.

Dizem:
Necessitamos de água, proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas etc.

Todos eles compostos químicos
Sem cujas reposições, vamos à falência
Pelos quais, inclusive, pagamos
Pagamos cada vez mais caro.
Duvido que haja abstinências piores que a da fome e a da sede,
E mais tristes de se ver,
E mais mortais.
Agricultores, pecuaristas, granjeiros, donos de supermercado, de açougues, de padarias, de restaurantes, os departamentos de água e esgoto
São os traficantes de nossas necessidades.
Isso sem dizer do gás oxigênio
Pelo qual - ainda - não pagamos
Mas hão de arrumar jeito
Futuramente, ser mercador de oxigênio será o tráfico mais rentável jamais criado.

Dizem :
Podemos nos viciar em tabaco, álcool, ópio, maconha, heroína, cocaína etc.

Podemos...

Os vícios são guloseimas químicas opcionais;
As necessidades, categóricas.

A necessidade é o vício obrigatório;
O vício, a necessidade facultativa.

A necessidade é a alucinação geral, imperativa, reducional;
O vício, o delírio particular, manuseável, distintivo.

Sempre respeitei muito mais as singularidades.

domingo, 4 de agosto de 2013

O Reencontro Entre Ele-Que-Não-Era-Ele e Ela-Que-Não-Era-Ela

Ia vinte e poucos amarelados anos que ele não a via. Desenhou no rosto à sua frente o que julgou que o tempo houvesse cinzelado no rosto do qual se lembrava, acrescentou-lhe dosadas quantidades de luz e sombras : marcas de alegrias e pesares, de festas e funerais, de êxitos e malogros, de casamentos felizes e duas ou três separações litigiosas, de filhos não programados ou da vontade não realizada de tê-los, algumas rugas em torno dos olhos e da boca, alguns cabelos brancos cobertos por tintura, umas discretas papadas sob os olhos e o pescoço.
Não concluiu que fosse realmente ela. Resolveu arriscar : 
- Andréa?
Andréa fora uma grande amiga dele nos tempos da faculdade, o tipo de amiga por quem ninguém deveria se apaixonar. E ele se apaixonou. Manteve o dolorido segredo por muito tempo, ou pelo que lhe pareceu um enorme tempo na época, mas quando começou a ver nela sinais de reciprocidade - sinais que só ele via -, declarou-se. Não ganhou uma namorada, uma amante, ganhou uma amiga que cada vez mais se distanciou.
- Sim, sou a Andréa - ela respondeu.
Não era. Mas Andréa-que-não-era-Andréa reconheceu no rosto à sua frente, depois de acrescentar-lhe as mesmas dosadas porções de luz e sombras que o seu havia recebido, o rosto de Victor.
Victor fora um amor seu da adolescência, que a preterira, na ocasião, por uma moça de nome Andréa.
- Sim, sou a Andréa - reforçou Andréa-que-não-era-Andréa a Victor-que-não-era-Victor.
Seguiram-se, então, uns trinta ou quarenta minutos de curiosidades trocadas, à guisa de atualização. Um perguntando pela vida do outro.
As respostas dadas por ela, os caminhos tomados, não coincidiam com as respostas que ele pensara em ouvir de Andréa, com os caminhos que ela pudesse ter seguido.
As respostas dadas por ele, os caminhos pelos quais precisou se desviar, não coincidiam com as novidades que ela pensara em ouvir de Victor, com os rumos em que ele pudesse ter se encontrado.
Andréa e Victor não se reconheciam, é verdade. 
Andréa-que-não-era-Andréa e Victor-que-não-era-Victor, porém, reconheceram-se na mesma hora, imediata e intensamente.
Victor-que-não-era-Victor convidou-a para ir ao mesmo cinema em que estivera algumas vezes com Andréa.
- Lembra desse cinema? - Victor-que-não-era-Victor perguntou-lhe.
Andréa-que-não-era-Andréa não se lembrava, mas como era Andréa, respondeu :
- Lembro, claro que me lembro.
Em seguida, Andréa-que-não-era-Andréa levou Victor-que-não-era-Victor à mesma sorveteria onde, por vezes, sentara-se com Victor.
- Lembra dos sabores que sempre pedia? - perguntou Andréa-que-não-era-Andréa.
Victor-que-não-era-Victor  não se lembrava, mas Victor que ela o olhava, lembrou-se.
- Uma bola de ameixa e uma de pistache.
À Andréa-que-não-era-Andréa, não pareceu ser um pedido que Victor teria feito, mas ela era Andréa, então o pedido de Victor-que-não-era-Victor lhe pareceu totalmente plausível; lembrou-se, Andréa-que-não-era-Andréa, de que era justamente isso o que Victor sempre pedia, ameixa e pistache.
Caminharam, após, por horas, madrugada afora, pelas ruas do centro da cidade. E aí, não foram necessárias nem mais perguntas nem mais fadigas à memória para que se lembrassem de algo.
Andréa-que-não-era-Andréa já houvera mesmo caminhado por diversas vezes com Victor pelas ruas de madrugada, como amigos, a esperar por um beijo à despedida, que Victor nunca tivera vontade de lhe dar;
Victor-que-não-era-Victor também já caminhara repetidas vezes com Andréa pelas ruas de madrugada, como amigos, a esperar, à despedida, pela coragem de dar em Andréa um beijo, que ela nunca pediu.
(Talvez, em suas andanças, Andréa-que-não-era-Andréa e Victor  já tenham até se cruzado, em calçadas e sentidos opostos da mesma rua, com Victor-que-não-era-Victor e Andréa.)
Ao fim da caminhada, Andréa-que-não-era-Andréa e Victor-que-não-era-Victor não se despediram. Tiveram mais vontade do que Victor jamais tivera de beijar Andréa-que-não-era-Andréa e muito mais coragem do que Victor-que-não-era-Victor jamais se investira para beijar Andréa : beijaram-se.
Depois de 20 e tantos anos, na casa e na cama de Victor-que-não-era-Victor, conduzidos por Andréa-que-não-era-Andréa, Andréa e Victor finalmente treparam. E adormeceram juntos.
O resto tornou-se insignificante. O resto era só a realidade.
A realidade pura e besta.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Berlusconi é o Al Capone das Bucetas

Tanto fizeram que conseguiram condenar o ex-premiê Silvio Berlusconi ao xilindró, a uma  pena de um ano de prisão.
A condenação, porém, não se deu pelos motivos que alegrariam os falsos moralistas italianos, que levariam as feministas frígidas, encruadas, recalcadas e suvacudas, inimigas juramentadas de Berlusconi, ao gozo 44 bico largo supremo.
Berlusconi não foi condenado por ter passado a vara em Ruby, biscate supostamente menor de idade à época de seu affair com o premiê, mas que já era puta conhecida nas altas rodas europeias, que já tinha mais horas de cama que urubu de voo.
Não foram as festas bunga-bunga, verdadeiras orgias romanas promovidas por Berlusconi, e por cujos suntuosos recintos circulavam as putas mais caras e apetitosas do planeta, que colocaram Il Cavaliere atrás das barras da lei.
Bem que tentaram condená-lo por ser um macho das antigas, um dos últimos bastiões da virilidade nesse nosso estranho mundo atual. Bem que tentaram condená-lo aqueles que nunca foram convidados para as suas bacanais, aqueles que morriam de inveja por não desfrutarem dos mesmos pratos que o premiê, e aquelas que nunca lhe apeteceram o apetite de antigo imperador romano.
Mas a inveja é uma merda, alguém já disse uma vez; o povo quer a cabeça de quem ele não pode ser.  Se não vai de um jeito, vai de outro. Berlusconi foi condenado por fraude fiscal.
E aí, lembrou-me muito o caso do Al Capone.
Al Capone é até hoje o gângster mais emblemático da história dos EUA. Foi o rei do crime nas décadas de 1920 e 1930, liderou as principais atividades criminosas durante o período da Grande Depressão americana e da Lei Seca.
Capone dedicou-se ao contrabando e à venda ilegal de bebidas, dominava clubes noturnos, destilarias e cervejarias. E mais, controlava informantes, pontos de apostas, casas de jogo, bordéis, bancas de apostas em corridas de cavalos, subornava, extorquia, assassinava.
Nunca conseguiram pegá-lo por tais crimes. Foi preso por sonegação de impostos. Capturado pelo agente federal Elliot Ness, que nunca teve nada do heróico caçador de gângsters retratado no cinema. Ness era um burocrata do FBI, não um xerife do velho oeste vestido com sobretudo, não foi com uma metralhadora que ele capturou Al Capone, foi com canetas, carimbos, notas fiscais, planilhas. Al foi pego à covardia, podemos dizer, por um escriturário nada valoroso.
Berlusconi foi acusado de incentivo à prostituição e corrupção de menores : nada conseguiram provar contra ele. Condenaram-lhe por fraude fiscal, sonegação de impostos. Pããããata que o pariu!!!!
Berlusconi é o Al Capone das bucetas!!!
Acontece que Berlusconi já conta com 77 anos, idade que impede sua prisão em uma cadeia convencional, em regime totalmente fechado. Assim, terá que escolher entre realizar serviços comunitários ou permanecer em prisão domiciliar.
Um parênteses : o cara não tem mais idade para ser preso, mas ainda tem vigor suficiente para traçar a putada; realmente... algumas pessoas vivem num mundo muito melhor que o nosso.
O ex-premiê tem até o mês de outubro para decidir de que forma cumprirá sua sentença, mas já se pronunciou : "Não aceitarei prestar serviços comunitários como um criminoso que deve ser reeducado".
Tudo indica, portanto, que Berlusconi ficará preso por um ano em seu domicílio. Ele pode pedir ao tribunal para ser detido em qualquer uma de suas casas, e "prisões" não lhe faltam para escolher. Algumas delas :

Villa Certosa : localizada no nordeste da Sardenha, com uma área de 120 hectares, mais que o dobro do Estado do Vaticano. Possui um lago e um vulcão artificiais, sete piscinas, uma estufa de orquídeas e milhares de palmeiras, cactos e plantas raras;
Villa San Martino : 3.500 m², localizada perto de Milão, tornou-se famosa na Itália pelas festas "bunga-bunga", organizadas pela "Il Cavaliere" com meninas muito jovens e bonitas;
Villa Torno : às margens do Lago de Como, tem 3.000 m² de jardim, uma quadra de tênis e vizinhos famosos, incluindo o ator George Clooney;
O Palácio Graziolli : residência de Berlusconi em Roma. Localizado no centro de Roma, pertence a uma antiga família da nobreza italiana. Ele aluga a maior parte do local e ali foi instalado um estúdio de televisão para gravar suas mensagens. Em seu quarto tem uma cama com dossel, presente do presidente russo, Vladimir Putin, de acordo com as declarações das meninas que frequentavam o local.

Quero me colocar desde já, bisneto de carcamano que sou, à disposição do governo italiano. Caso ainda não tenha sido designado nenhum, ofereço-me para ser o carcereiro de Berlusconi, disponho-me a vigiar severamente e a atender religiosamente o ex-primeiro ministro no que lhe for de necessidade, levar-lhe refeições, jornais, livros e revistas, CDs e DVDs e, lógico, nos dias de visita, as meninas bunga-bunga.
Sabem como é, sempre sobra uma "gorjetinha" pro carcereiro.
Berlusconi é também um polêmico frasista. Abaixo, uma de suas declarações, quando do início do envolvimento de seu nome no escândalo sexual Rubygate.
Dá-lhes vara, Berlusconi !!!
(De acordo com uma pesquisa, quando perguntado se elas teriam feito sexo comigo, 30% das mulheres disseram "SIM", enquanto as outras 70% responderam "mas de novo?")

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vasilhames Vazios

Não encontro mais 
Minha poesia no fundo da garrafa
Nem mais ela se deixa transparecer
Desnuda 
Peituda
Pelo biombo âmbar
Do "casco" de cerveja.

A poesia estava não no interior
Mas no que rodeava a garrafa :
Na pouca idade
Na ingenuidade
Na burrice, até
Na vida que ainda se decidia.
Na briga que já nos era perdida
Mas que achávamos que podíamos ganhar
(A ilusão de que éramos melhores
Do que os que nos antecederam)
No riso bêbado do amigo
Por quem morreríamos à época
E hoje nem sabemos onde está
Nem imaginamos a quais sobriedades 
Ele já teve que se sujeitar.

Olho pelo gargalo de minha garrafa
E não encontro minha poesia.
É a "Jeannie É Um Gênio"
Que resolveu se emancipar
Abandonar minha cozinha, 
Queimar o sutiã
Deixar crescer pelo no suvaco.
É o Saci que fugiu para algum quilombo
Que resolveu redemoinhar em outros capoeirões de ideias
Cabriolar em outras folhas em branco
Em outras esferográficas.

Sem batalhas perdidas
Sem gênio nem Saci
Não há poesia.
Somos só eu e minha garrafa :
Dois vasilhames vazios.

Uma Elegia À Cláudia Ohana (18)

 "...E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar.."

terça-feira, 30 de julho de 2013

Ócio Recreativo

Trinta dias
Sem ter que conviver com nenhum clandestino.
Só comigo,
Com os meus :
Filho, esposa,
Minhas duas gatas,
Livros, discos, gibis.

Trinta dias
Sem ter que interagir
Com quem a nada reage,
Sem ter que dialogar
Com papagaios,
Sem ter que trocar ideias
Com quem não as têm para escambo.
Só com os robôs 
Que me atendem :
nos supermercados
nas padarias
nos bancos
nas bancas de jornais.
Tenho com eles
Mesma relação que com um semáforo.

Trinta dias
De madrugadas
De me sentar à sacada
Abaixo, a rua limpa de gente
À frente, um canecão de cerveja bock
Trinta dias 
Sem trabalhar
Sem nada produzir
Nos mais completos
Isolamento
E inutilidade.
E quem disser que há melhor vida
Decididamente
É um completo idiota.

Mas o coletivo
Não me dá grandes folgas.
Logo vem 
Com seu balido descerebrado
Logo vem 
Com sua fossa negra
Me acuar com seus dejetos
Me sufocar com sua merda.
Sobe-me pelos pés
Calcanhares
Joelhos
Umbigo
Queixo.
Fecho os olhos
Prendo a respiração
Mergulho.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Volta Às Aulas

Porque o Inferno,
Sabendo de nossa fragilidade
E necessitando de nossa força,
Nos dá férias.
Nunca alforria!

sábado, 27 de julho de 2013

Kit Peregrino (Ou : O Abadá de Cristo)

A igreja católica encherá - ainda mais - o cu de dinheiro com essa jornada mundial da juventude (JMJ) e a visita do Papa. Sobremaneira porque não saiu um único ouro dos cofres da igreja para a preparação e a produção desse circo todo.
Tudo foi custeado com dinheiro público - cento e vinte milhões de reais roubados dos contribuintes e gastos em nome desse delírio coletivo, que é deus.
O dinheiro arrecadado pela igreja durante a JMJ será lucro puro, limpinho, limpinho, isento de qualquer desconto, igual a quem faz serviço sem emitir nota, igual a dinheiro de puta.
Com a JMJ e a visita do Papa, o comércio de artigos religiosos está em alta. As ações da Jesus Inc. na bolsa de valores está a bater as do Bill Gates. 
Dizem que Cristo expulsou os vendilhões do templo a pontapés; hoje, faltariam-lhe forças nas pernas para chutar tanto safado e vagabundo, hoje, ele teria que descer à Terra munido de marreta e dinamite, implodir os templos.
Visitasse a cidade de Aparecida do Norte, Cristo invocaria a ira de seu pai, exigiria de deus que ele orquestrasse outra hecatombe nuclear, feito aquelas que ele mandou sobre Sodoma e Gomorra, dessa vez sobre Aparecida.
A igreja tornou-se sua maior vendilhoa. Padre Marcelo Rossi (dono da empresa Terço Bizantino) que o diga, ele e todos os outros padres cantores.
Nunca o profano mercantilismo do sagrado foi tão rentável. Nem no tempo das indulgências, nem no tempo das Cruzadas e das pilhagens do território e do dinheiro alheios.
E se faz passado a época em que a igreja católica vendia apenas terços, medalhinhas, escapulários, lascas da cruz de Cristo, velas votivas, ovo da pomba do espiríto santo, soro antiofídico contra mordida da serpente do Éden, água do rio Jordão etc.
A igreja católica, verdade seja dita, atualizou-se. Se não em seus dogmas e cânones, nas formas de explorar a fé e a ignorância de seu rebanho, de tosquiar suas ovelhinhas.
Para a JMJ, criou a patifaria chamada de o Kit Peregrino.
A inscrição na JMJ, com valores que chegaram a R$ 608,00, inclui alojamento, transporte, seguro e o cobiçadissimo Kit Peregrino : credencial do peregrino, livro litúrgico, livro supresa (deve ser o livro das cartas trocadas entre o Pe. Fábio de Melo e Gabriel Chalita), guia da programação cultural e religiosa, guia do peregrino, crucifixo, squeeze, mochila, boné e camisa de peregrino.
Pããããta que o pariu!!! É o abadá de Cristo !!!
Além dos itens citados, o abadá de Cristo traz vale-refeições do peregrino, que permitiriam ao jovem, de espírito pleno e satisfeito, bem alimentar também o corpo. Só que a organização da JMJ, pelo visto, esqueceu-se de avisar os restaurantes da cidade, de firmar convênio com eles.
O resultado é que o vale-refeição do peregrino - o vale-última ceia - está sendo recusado pela maioria dos estabelecimentos de alimentação do Rio de Janeiro. E a peregrinada toda está passando fome.
Se eu fosse dono de restaurante, também não aceitaria o vale-última ceia. Quem iria fazer o reembolso do vale? A igreja? Poucas organizações são menos confiáveis que a igreja - no momento, não me lembro de nenhuma. 
É bem capaz que a igreja dissesse ao comerciante que ele seria reembolsado pelos vales no dia de São Nunca. E isso na melhor das hipóteses. Afinal, o comerciante receberia seu débito em 1º de novembro, que é o dia de todos os santos. O pior, e o mais provável, é que a organização da JMJ mandasse o comerciante ir receber na bacia das almas.
Para socorrer os peregrinos, a educadora (cada vez aumenta mais a minha ojeriza por essa palavra) Yvonne Bezerra de Mello criou a campanha "Alimente um peregrino", em que convoca os moradores da cidade a abastecerem com sanduíches os famintos do Papa Francisco.
Ora, porra, essa educadora está é a impedir a eficiência dos desígnios de deus, que está claramente submetendo os jovens à fome para medir o tamanho de suas fés, os comerciantes que recusam o vale-última ceia são agentes do Senhor nessa provação à juventude católica, são anjos a Seu serviço.
 E vale-refeição para quê? E sanduíche para quê? Há pelo menos quatro maneiras cristãs do fiéis peregrinos passarem incólumes por essa provação, e saírem com seu espíritos fortalecidos.
1) Eles podem rezar fervorosamente, alimentar-se da fé.
2) Eles podem aproveitar para realizar um jejum coletivo, o cristão é abençoado quando jejua, o jejum lhes ensina o autocontrole, o jejum fortalece a carne, notoriamente fraca, o jejum lhes dá poder espiritual. De que reclamam esses famélicos jovens sem fé? Que grande oportunidade de elevação espiritual!!!
3) Eles estão no Rio de Janeiro, aquele puta marzão pela frente, que se ajoelhem frente ao oceano e peçam pelo milagre dos peixes. Cadê a fé, minha gente?
4) Em último caso, basta levarem seus vales-última ceia até um padre e pedir que ele os consagre, feito à hóstia, e realize o milagre da transubstanciação : os vales recusados pelos restaurantes torna-se-ão no mais legítimo corpo de Cristo, que é o néctar e a ambrosia combinados do católico.
Se nada disso resolver, bem feito. Peregrino tem mais é que se fuder mesmo. Não tem nada que ficar atrás de Papa, religião e o caralho. Enquanto isso, a padraiada toda, financiada pelo dinheiro dos fiéis, estão em seus mosteiros, a esbaldarem-se de lautas refeições.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Que Vick Vaporub, Que Nada!

Em terras de lava, enxofre e queimadas de cana-de-açúcar, onde Hefesto vem tomar tomar um chopp aos fins de semana, de bermuda, chinelão de dedo e barrigão à mostra, aragens mais amenas são raríssimas - as rádios e os serviços de metereologia noticiam 10ºC agora, e vaticinam 7ºC para a alta madrugada.
É o clima ideal para ficar em casa, enrodilhado feito gato, peidando embaixo de um cobertor, tomando uma boa sopa quente e um vinhão.
Mas o clima frio pode trazer alguns inconvenientes, alguns desconfortos à saúde, e as vias aéreas são as primeiras a serem martirizadas. 
Em reação ao frio, o sistema nervoso autônomo parassimpático provoca a dilatação dos vasos sanguíneos internos do nariz, causando o entupimento do mesmo. 
O que fazer para desfazer uma ação provocada pelo parassimpático? Evidente : invocar a ajuda de seu eterno antagonista, o simpático, o sistema nervoso autônomo simpático.
É o que faz a maioria dos remédios descongestionantes, estimula o simpático, levando à contração dos vasos sanguíneos que o parassimpático dilatou, e o nariz desentope.
Mas o uso constante de descongestionantes pode causar hipertensão, além de dependência química e psicológica do fármaco.
Para tamanho e tão antigo dilema, o pesquisador Sina Zarrintan, da Tabriz Medical University, no Irã, aponta uma solução mais natural, mais homeopática, mais autossustentável.
Ele recomenda a boa e velha punheta como forma de desentupir o nariz! Isso mesmo, a fiel bronha de todos os dias, aquela que não lhe deixa na mão.
O raciocínio é simples : o processo de ereção e ejaculação, que envolvem obviamente vasodilatação, são controlados pelo parassimpático, o mesmo que faz entupir o nariz, porém, após a ejaculação, aquele relaxamento, aquela moleza (literalmente), aquele sono todo, todo aquele período refratário, são coordenados pelo simpático, que promove a vasoconstricção, fazendo o sangue abandonar o pênis. E desentupir o nariz.
Uma bela duma gozada desentope o nosso encanamento, os nossos aquedutos e, também, o nosso nariz.
Segundo Sina Zarrintan, este método merece destaque, pois não apresenta qualquer efeito colateral e pode ser usado frequentemente, sem grande esforço, no conforto da sua própria casa, “de acordo com a severidade dos sintomas”.
Uma hora da manhã, hora de dormir, nariz entupido, temperatura a mais cair, acabaram meu Vicky Vaporub, meu Sorine, meu Decongex Plus...
Acho que vou apelar para a automedicação!

Em tempo : para o resumo do estudo de Sina Zarrintan, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(19)

Via de regra, é o abandonado quem se afunda na fossa dos amores decompostos. Mas acontece, às vezes, do Universo fazer justiça e ser o desertor a se estrepar. Acontece da fossa sair pela culatra.
É quando o abandonado arruma um melhor substituto a quem o abandonou, e antes dele.
Quem abandona, julga-se superior ao outro, bom demais para o preterido consorte, pois o desertor elege o outro como fonte de toda sua infelicidade. O desertor tem problemas no trabalho, conta vermelha no banco, insatisfação consigo mesmo etc, mas não pode se livrar de si, de seu trabalho, de suas limitações. Assim, credita todos os entraves de sua vida ao outro, e o outro, ele pode abandonar.
No processo, o desertor vai transformando o outro numa pessoa cheia de defeitos e imperfeições, sem nenhuma qualidade ou atrativos, de difícil convivência, alguém destinado a morrer na solidão.
Em contrapartida, o desertor começa a se julgar alguém prestes a desabrochar todo seu (pretenso) potencial, acha que, livre do outro, tornar-se-á a pessoa mais interessante e desejada do mundo, que pretendentes farão fila à sua porta, que necessitará adquirir uma máquina geradora de senhas.
Aí, de repente, vê que ninguém lhe reconhece essas qualidades todas - a culpa está sempre fora dele -, e ele vai bicando uma coisa que sobra aqui, outra que sobra ali, uns rescaldos de fim de festa, vai se virando com uns remendos emocionais. É o prenúncio da fossa.
Aí, de repente, um belo dia, passa por ele, toda feliz e bem acompanhada, a pessoa em quem ele deu o pé na bunda. A pessoa desinteressante encontrou alguém que lhe reconheceu belas qualidades, que ele, o desertor, dizia que ela não tinha, e o pior, antes que alguém reconhecesse nele, no desertor, as belas qualidades que julgava ter. Aí, a fossa se instala e se aprofunda.
Então, diz-lhe o ex-abandonado, investido da voz e da poesia do Chico Buarque : "Quero ver o que você faz/Ao sentir que sem você eu passo bem demais"; e dá a estocada no coração : "Quero ver como suporta me ver tão feliz".
Não suporta. O desertor não suporta! Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...

Olhos nos Olhos
(Chico Buarque)
Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais.

E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Inri Cristo Vos Diz : Papa Francisco é um Turista Argentino

Inri Cristo é o cara de pau mais genial e engraçado já surgido no lamentável cenário religioso brasileiro. Há trinta anos, ele se autoproclamou a "reencarnação de Jesus". Fundou a Soust (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade) em 1982, inicialmente com sede em Curitiba e, hoje, em Brasília, que ele diz ser a Nova Jerusálem.
Em 1983, foi ao Vaticano para notificar o Papa de seu desligamento da Igreja Católica, à qual ele se refere como a Madona do Apocalipse, e para obter o reconhecimento como a reencarnação de Cristo. 
Malogrado, rogou uma praga pra cima do próprio Vaticano. A mando de seu Pai, proferiu uma sentença de extinção para a Igreja Católica no interior da Basílica de São Pedro : "Seque, árvore enferma, seque! Seque para que a boa árvore que eu plantei viceje e me dê, e aos meus filhos, os frutos que tu me negas".
Imaginem ver Cristo a rogar praga na própria Igreja Católica, a sua maior franquia, a sua maior cafetina, e sob as saias do Papa. Surreal. Imperdível.
Em retaliação ao não reconhecimento, Inri diz que está cagando e andando, ele é que não reconhece nenhum papa, padre etc, uma vez que são herdeiros da Inquisição e de um império erigido durante o tempo em que ele, Inri Cristo, encontrava-se ausente do planeta. 
Coerente com o que disse há dois mil anos, ele o reafirma : "A ninguém chameis Pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, o que está nos céus" (Mateus c.23 v.9), e papa, além de que em espanhol é sinônimo de batata, outrossim quer dizer pai.
Inri Cristo também tem seus apóstolos, também é auxiliado por fiéis seguidores em suas atividades mundanas. Sua tropa de elite, por assim dizer, são as famosas "Inrizetes", três discípulas de nomes Alarissa, Asusana e Alíbera. 
Como uma das formas de espalhar a palavra de Inri Cristo, elas protagonizam videoclips com o que chamam de "paródia mística" do hit pop. Letras de conhecidas canções do mundo pop são substituídas por outras que exaltam a palavra de deus. 
O primeiro sucesso do trio, que é quem compõe as paródias, veio com A Banda, de Chico Buarque de Holanda, e foi feito sem pretensões ao estrelato. Alíbera conta que tudo começou como uma brincadeira para animar o autoproclamado filho de Deus. "Cantávamos para alegrá-lo porque, às vezes, ele fica triste com tudo o que vê nos jornais e na tevê".
O Inri lá, meio deprê, e a mulherada toda cantando e dançando em volta dele. Muito bom!
E Inri é um bom mestre, não proíbe seus discípulos de nada, as inrizetes dirigem, saem à noite e podem até tomar um goró : "Quando está quente, a gente toma uma cervejinha. Só evitamos beber porque o álcool envelhece", diz Alíbera. 
Quando da renúncia do Bento XVI, lancei aqui no blog a minha preferência pela candidatura de Inri Cristo ao trono de Roma; na verdade, ele deveria ser o único candidato. Alguém duvida que ele seria um Papa muito melhor e mais progressista.
Sobre a renúncia de Bento XVI, disse : "Bento XVI renunciou porque não há mais sentido em ser Papa, uma vez que o filho de deus (ele, Inri) está de volta, a andar sobre a Terra". 
Sobre o Papa Francisco I, só tem a dizer : "não tenho nada a ver com a inusitada visita deste badalado turista argentino"
Turista argentino... Genial.
A seguir, reproduzo uma entrevista de Inri Cristo concedida ao UOL Tabloide, em19/07/2013. Vale a pena ler.

UOL - O que acha da visita do papa ao Brasil?
Inri Cristo -  Ele e qualquer outro argentino que vier fazer turismo no Brasil, seja muito bem-vindo. Daí ao erário público bancar as despesas da vinda dele, já é outra coisa. Agora que se fala tanto em precariedade da saúde, segurança, educação... é uma oportuna ocasião de o povo brasileiro refletir se vale a pena gastar a exorbitante soma de R$ 118 milhões para receber um artista argentino. Se o Dalai Lama, nas vezes em que visitou o Brasil, veio patrocinado por instituições budistas, por que o líder argentino tem de ser diferente? Afinal, o Brasil é ou não um estado laico?
UOL - Qual é a sua relação com o Vaticano e a igreja católica?
Inri Cristo - Desde 28 de fevereiro de  1982, quando pratiquei o ato libertário na catedral de Belém do Pará que culminou com a instituição do Reino de Deus sobre a Terra, formalizado pela Soust, não tenho mais qualquer relação com a Madona do Apocalipse. Naquela ocasião rompi os meus derradeiros vínculos com Roma.
UOL - Já pleiteou junto ao Vaticano para ser reconhecido como reencarnação de Cristo? Qual foi a resposta?
Inri Cristo - Em setembro de 1983 estive pessoalmente no Vaticano ratificando o desligamento com aquela que um dia fora minha igreja nascida das palavras ditas a Pedro: "Pedro, tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja". Lá meu Pai determinou que eu proferisse uma sentença de extinção no interior da Basílica de São Pedro: "Seque, árvore enferma, seque! Seque para que a boa árvore que eu plantei viceje e me dê, e aos meus filhos, os frutos que tu me negas".
Não careço ser reconhecido pelos herdeiros da Inquisição, até porque eles estão comprometidos com o império enfermo erigido durante minha ausência na Terra. Eu é que não reconheço nenhum papa, padre, etc  uma vez que sou coerente com o que disse há dois mil anos: "A ninguém chameis Pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, o que está nos céus" (Mateus c.23 v.9), e papa, além de que em espanhol é sinônimo de batata, outrossim quer dizer pai.
UOL - O senhor já foi católico? Qual é a sua formação religiosa antes de se tornar Inri Cristo?
Inri Cristo - Eu sou judeu circuncidado pela Divina Providência... Fui criado por uma família católica a fim de conhecer o espúrio ritual (batismo, catequese, primeira comunhão etc) até para formar o juízo e, investido de conhecimento empírico, responder a contento esta pergunta. Na adolescência tornei-me ateu em relação a esse "deusinho" das religiões até o jejum em 1979, quando meu Pai, Senhor e Deus, Supremo Criador, único Ser incriado, único Eterno, único Ser digno de adoração e veneração, onisciente, onipotente, onipresente, único Senhor do Universo, se revelou e revelou minha identidade, ou seja, que sou o mesmo Cristo de outrora.
UOL - O que achou da mudança de papa após a renúncia de Bento 16?
Inri Cristo - Foi uma mudança interessante, posto que enfim mostrou-se perante o cenário mundial o equívoco, o embuste da infalibilidade papal. O "monarca" desceu do pedestal face ao momento de crise e aos problemas físicos, que são naturais, afinal trata-se de um ser humano; foi levado à reflexão sobre as irregularidades no vulnerável meio onde vive.
UOL - Por que não vai ao Rio para acompanhar a visita papal?
Inri Cristo - Porque não tenho nada a ver com a inusitada visita deste badalado turista argentino, todavia estarei aqui na Nova Jerusalém do Apocalipse (Brasília) acompanhando tudo o que se passa no Brasil e, principalmente, no Rio de Janeiro por esses dias.
UOL - O que achou que vão fazer a via-crúcis na orla de Copacabana com produção feita pela TV Globo?
Inri Cristo - Agora que as vozes da rua estão clamando que a Rede Globo cumpra seu dever de informar, é natural que ela promova essa teatral sessão de sadomasoquismo. Isso já não me atinge, afinal de contas estou acostumado a ver repetirem constantemente as cenas de achincalhe, deboche e violência que os inimigos perpetraram há dois mil anos a mando de Pilatos. E eu vos digo em verdade: esses que se comprazem em participar da via-crúcis são os mesmos que teriam vociferado "Crucifique! Crucifique!". São os mórbidos de plantão.
RG de Inri Cristo, emitido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina, com assinatura, dedão borrado e tudo. Notem que, ao alto do documento, Inri se declara "Não doador de órgãos e tecidos". Com Inri não tem essa de  "Este é meu corpo, tomai e comei, Este é meu sangue, tomai e bebei".
Inri é escolado, é liso, é gato escaldado, tem 2000 anos de praia, não cai mais na mesma esparrela. Me comei é a puta que te pariu!!!