quarta-feira, 12 de julho de 2017

Lula, Quantos Anos de Xilindró Você Pegou?

Nove, companheiro. Nove!

Finalmente, Lula, O Seboso de Caetés, Se Fudeu !!!

Chegou ao fim a luta peso-pesado Moro x Lula !!! O vencedor : o brasileiro honesto, o trabalhador. O nocauteado : Lula, o PT, as centrais sindicais, os movimentos sociais, os diretórios acadêmicos das universidades de Humanas, os atorezinhos e os cantorezinhos de merda sustentados pela Lei Rouanet, ou seja, os vagabundos e os encostados de nosso Brasil dantes mais varonil.
O Eliot Ness brasileiro ferrou de jeito o Al Capone da caatinga!!!
Nove anos e seis meses de xilindró!!! E achei pouco!!!
O juiz Sergio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença, anunciada nesta quarta-feira, é a decisão derradeira de Moro no processo em que o petista foi acusado pela força-tarefa da Lava-Jato de receber propina da OAS, uma das empreiteiras com contratos bilionários na Petrobras. Lula recebeu R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas pagas pela OAS. A maior parcela, R$ 1,1 milhão, corresponde ao valor estimado do tríplex, cujas obras foram concluídas pela empreiteira. Os procuradores sustentaram ainda que companhia gastou R$ 926 mil para reformar o apartamento e outros R$ 350 mil para instalar móveis planejados na unidade, sempre seguindo projeto aprovado pela família Lula.
É sempre bom lembrar que Lula ainda é réu em mais quatro processos.
É a primeira vez, desde a Constituição de 1988, que um ex-presidente é condenado criminalmente. Se bem que eu considero que essa primeira vez ainda não tenha chegado, pois, para isso, teríamos que considerar que Lula foi um presidente da república. Nunca foi. Sempre foi o que agora ficou claro, evidente e estabelecido : um bandido, um quadrilheiro.
Porém, como a lei brasileira é muito condescendente, muito boazinha para com o bandido, posto que nossa atual Constituição foi por eles pensada, elaborada e escrita, pelos bandidos (acham que o tal do Ulisses Guimarães era o quê? Um velhinho bondoso? Porra nenhuma. Bandido, tanbém), Lula poderá recorrer da decisão e ainda aguardar o recurso em liberdade.
"Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado 'não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você (uma adaptação livre de 'be you never so high the law is above you')'", escreveu Moro ao final da sentença.
Para ele, Moro, pode não ter dado nenhum prazer, ou satisfação pessoal, a condenação de Lula, mas para mim deu. E muito. Estou eufórico e radiante pela prisão do sapo barbudo, do nove-dedos. Não que eu ache que seja isso que vá mudar o país, colocá-lo nos eixos. Não vai. Nada pode fazê-lo. Seria necessário trocar o Zé Povinho que por aqui habita. Mas que estou feliz pra caralho, estou!!! Pããããããta que o pariu se estou!!!
Se Lula chegará de fato a ser enjaulado, infelizmente é outra questão. Mas foi condenado.
Lula foi condenado, seus petistas, esquerdistas e vermelhoides de merda!!! Vosso capo, vosso Ali Babá teve a sua verdadeira face exposta ao Brasil e ao resto do mundo : a de bandido.
Se ele vai ser preso e assim permanecer, eu não sei. Sei que Moro fez a parte dele. Foi probo. Incorruptível. Não cedeu à ameaças e intimidações. Foi homem. Foi macho das antigas.
Parabéns, juiz Sérgio Moro. Vossa decisão, tenho certeza, lavou a alma de grande parcela do povo brasileiro. Lavou a jato.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (26)

Luiz Ayrão é sambista das antigas, portelense da mais alta estirpe. Um dos grandes poetas do samba. E corno - como todo poeta. Poeta de verdade não faz poeminha para a florzinha olorosa nem para as estrelinhas do céu. Poeta de verdade faz verso é para a buceta!
Poeta de verdade escreve com a pena do chifre embebida no tinteiro da desilusão.
Na canção Amor Dividido, Luiz Ayrão é o corno manso e conformado : "E pouco importa /Que por detrás daquela porta /Você divida o nosso amor". Pior que manso e conformado, Ayrão é o corno esperançoso. O corno que crê piamente que toda a sua compreensão para com a amada, que toda sua paciência e sua espera resignada, um dia, trarão a biscate em definitivo para o seu lado : "Pois eu sei que um dia não vai ter mais despedida/ Vamos ficar juntos pra toda vida/ E ninguém mais vai nos separar".
Vai esperando, corno, vai esperando...

Amor Dividido
(Luiz Ayrão)
Deixa amor
Que eu te aperte em meus braços
Que te sinta nos compassos
Da batida do meu coração

Quero amor
Me embriagar de desejos
Me afogar nos seus beijos
Num vendaval de paixão

Esqueça amor
Aquele mundo lá de fora
O importante agora
É nos amarmos com muito ardor
E pouco importa
Que por detrás daquela porta
Você divida o nosso amor

Pois eu sei que um dia não vai ter mais despedida
Vamos ficar juntos pra toda vida
E ninguém mais vai nos separar

Meu amor

em tempo : Como sempre, para ouvir Amor Dividido é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nem Coxinhas Nem Mortadelas : Somos Todos Pamonhas

Férias. Apenas eu, ainda. Minha esposa e filho saem para a lida deles, ela o deixa na escola a caminho do trabalho. Sete. Sete e dez da manhã. Desço com eles até a garagem do prédio, despeço-me, recomendo os habituais cuidados a cada um.
Saio em caminhada. Meu particular e nada místico caminho de Compostela. Perdi 8 kg de fevereiro até agora. Não deixarei que umas férias inúteis e improdutivas - assim como também o é meu trabalho - os traga em retorno.
Na rua, um inverno tropical me recebe com hospitalidade e simpatia, como se eu fosse o visitante em sua casa e não ele um hóspede raro nessa terra de ares do inferno. 12º C, informou-me o televisivo matutino, minutos antes de eu sair. Um ventinho brincalhão - desses de levantar as saias (isso quando as mulheres ainda as usavam) e de eriçar os pelos e de arrepiar a pele ao sussurrar impropriedades aos nossos ouvidos e cafungar em nossas nucas - faz com que a tal e nunca bem explicada sensação térmica chegue, talvez, aos 10º C, não menos. Nem chega a ser frio. Apenas uma delicada forma de calor.
Não  obstante, de tênis, bermuda e camiseta, cruzo com pessoas indo ao trabalho, ou à feira, ou ao mercado, ou à toa feito eu, trajadas como se a um exílio político na Sibéria estivessem a se encaminhar.
Percorro três voltas inteiras em torno de uma avenida situada a seis quarteirões de casa. O circuito completo pela avenida - baseando-me na numeração das casas, prédios e lojas - conta com cerca de três quilômetros. Três voltas; nove quilômetros, portanto. Mais os seis quarteirões para chegar à avenida e os outros seis para voltar para casa e ultrapasso a marca dos dez quilômetros.
(depois, à hora do almoço, mais quatro quilômetros até a escola do filho e mais quatro para voltar; mais à tarde, posto que hoje é quinta-feira, mais um quilômetro e meio até a escola de natação e outro quilômetro e meio de volta, e definitivamente, ao reduto do meu lar. Tudo contabilizado, por baixo, uns vinte quilômetros. Os latões de cerveja, assistindo à sexta temporada do House M.D., descerão leves e sem culpa, absolvidos por álibi irrefutável).
Na avenida, à minha esquerda, a leste no horizonte, um morno e remelento sol de pijamas e pantufas me atinge com seus raios ainda a se espreguiçarem, um afago tépido de amante recém-acordada e com os dentes ainda por escovar.
Passo, então, pela tradicional Panificadora Elite, que, com o tempo, tornou-se também em posto de combustíveis e loja de conveniência, e cujo dono, há tempos, estende e exibe, na fachada do estabelecimento, faixas de oposição ferrenha e sanguinolenta ao governo e à política petista.
Muitas das faixas são autênticas charges - o Lula vestido de presidiário, o Lula com uma tira de papel higiênico sujo cruzada ao peito à guisa de faixa presidencial -, outras são palavras de ordem e de revolta - Fora, Dilma!, Lula na Cadeia, Já!
Nessa panificadora, o Lula não tem vez nem compra fiado. Pudera. Basta atentar para o nome, Elite. Mas o fato é que essa Elite - muito antiga no bairro - já deu e dá muito mais empregos do que o PT foi capaz de, ou quis, ou pretendeu.
Hoje, uma nova faixa. Com o costumeiro tom de bravata, porém, com um fundo de rendição, de toalha jogada ao centro do ringue. O cara se mostra ainda indignado e puto da vida, mas, frente aos recentes eventos e revelações da política nacional, estende suas críticas às demais legendas partidárias e anuncia sua capitulação.
Como não tenho celular nem máquina digital nem porra nenhuma dessas parafernálias idiotizantes, com as quais eu poderia ter fotografado a faixa, registrei-a com minha câmera visual-encefálica-sináptica e a reproduzi no Photo Filtre, respeitando, inclusive, o tipo da fonte, as cores e a disposição das frases.
Sem querer, creio que o dono da panificadora, talvez, tenha achado o novo e tão necessário caminho para a política brasileira. O início pela busca de uma renovada e unificada identidade nacional. Talvez a pamonha seja capaz de reconciliar o que a dicotomia Coxinhas x Mortadelas cisalhou.
Dicotomia que é uma versão bem humorada e eufemística da canalha, mal-intencionada e maniqueísta divisão da sociedade brasileira efetuada pelo calhorda do Sapo Barbudo, do Nove-dedos do PT : Elite branca x Povo. Lula, sempre movido a ganância, desonestidade e torpes motivos, reduziu o Brasil a duas classes sociais, a elite branca e o povo - até a Índia tem mais castas, mais opções. Sendo que, por elite branca, Lula considera e taxa qualquer pessoa - branco ou negro, homem ou mulher, viado ou macho - que não depende das esmolas petistas; qualquer pessoa que trabalha, que estuda para se capacitar, que paga suas contas e impostos, que consegue levar vida minimamente digna sem ter que pedir a benção do tio Lula e receber suas infinitas bolsas assistenciais. Para o Lula e o PT, elite branca é todo e qualquer cidadão que, por méritos próprios, não está preso ao cabresto comunista, que conseguiu romper o cercado do curral eleitoral do PT, com muito mais reses que o da Friboi e o da JBS, juntos. E povo, segundo o PT, é o coitadinho, é vítima da elite branca. O caralho. O "povo" de Lula e do PT é o vagabundo. É o cara que vive às custas do alheio
De onde fica fácil ver que a divertida briga Coxinhas x Mortadelas, lembrando até aquelas caricatas lutas livres antigas (Ted Boy Marino, Fantomas, Aquiles), não tem nada de engraçada. No fim, a rivalidade Coxinhas x Mortadelas, Elite branca x Povo, esconde a verdadeira briga de foice do país : Trabalhador x Vagabundo; o primeiro sendo posto na condição de vilão da história. Gravíssima, essa subversão de valores impetrada pelo PT. Quem sabe a pamonha não venha a começar a construção de uma sociedade em que cada qual receba e tenha direito apenas ao que faz jus, ao que faz por onde? Nem mais nem menos.
Além disso, a pamonha evitaria novas e futuras dissidências gastronômicas em nossa política e em nosso povo. Sim, dissidências gastronômicas, não políticas ou ideológicas. Somos um país primitivo, de primitivos, de motivações e necessidades primitivas. Tudo nos passa pelo estômago, não pelo cérebro. Não temos ideologias, a base de toda cultura civilizada e ordeira. Temos fome, a base de toda a corrupção.
No passado, tivemos a política do café com leite, agora, a da coxinha e a da mortadela. Qual será a próxima? Virado à paulista x Tutu à mineira? Pão de Queijo x Acarajé? Churrasco Fogo de Chão x Buchada de bode?
Com a pamonha, não haveria esse risco. É quitute bem aceito e apreciado em todo o território tupiniquim, pela elite branca e pelo povo.
Portanto, urge, já para 2018, o lançamento de um candidato nem coxinha nem mortadela, pamonha. O Dória, creio, poderia ser uma opção desse novo político.
Se bem que, mal a candidatura pamonha seja lançada, ela já correrá sério risco de ser imediatamente impugnada. Por crime eleitoral de propaganda política antecipada. Por se adiantar e infringir as datas e os prazos legais estipulados pelo TSE para a divulgação dos candidatos, suas propostas e plataformas.
Uma propaganda sutil, ainda que barulhenta; subliminar, ainda que explícita. Feita na maior cara de pau por carros de som nas vias públicas das pequenas, médias e grandes cidades do país : “Olha aí, olha aí freguesia. São as deliciosas pamonhas de Piracicaba . Pamonhas fresquinhas, pamonhas caseiras. É o puro creme do milho verde. Pamonha, pamonha, pamonha."
Essa merda me acorda todos os sábados, às sete da manhã. Aos domingos, as Testemunhas de Jeová.
Pãããããta que o pariu!!!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Barsa-Múndi

Eu gostava muito mais do mundo
Quando ele cabia na Enciclopédia Barsa.
Bem cartografado
E delimitado
De A a Z.

domingo, 2 de julho de 2017

A Velha Parteira

A ideias continuam a me vir,
A me incomodar,
Vibrações de origem indeterminada na parede do prédio
Que me acordam de madrugada
(a bomba da caixa d´água, o ar-condicionado do vizinho, um abalo sísmico?),
Moscas da sopa do Raul,
Daquelas que não adianta nem se dedetizar,
Pois se matamos uma,
Outras vêm em seu lugar.
As ideias continuam a estuporar
A vir a furo,
Furúnculos sebosos,
Cogumelos no esterco,
Miomas,
Embriões bastardos,
Parasitas sanguessugas
Na chocadeira do meu cérebro :
Prenhe de ideias chocas, o meu cérebro.
Mas se a cabeça é o útero das ideias,
A mão é que é a parteira
(as ideias precisam de cesariana, fórceps e de muita benzeção com arruda para saírem ao branco do papel).
E a minha, há tempos, se mostra enfastiada
(de calos cansados e articulações tortas e nodosas)
Em bater na bunda
E fazer chorar ao mundo novas ideias,
Desinteressada em curar novos umbigos.
A velha parteira perdeu o gosto e a fé.
A "madama" só quer se sentar à sua varanda e ao sol,
Pitar seu cigarrinho de palha
E tomar sua pinguinha de alambique.
(ideias - mais ideias -, para quê? As natimortemos.)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Pensamentos Conexos e Imperecíveis, por JB do Blogson Crusoe

"Caí na asneira de ler o programa do PSOL e agora vou ter dificuldade para dormir, de tão apavorado fiquei. É muita “democratização” para o meu gosto! Aliás, já observei que quanto mais os políticos de esquerda falam em “democratização”, “processo democrático” e “Estado democrático de direito”.mais autoritarismo se prega, menos democracia realmente desejam.
Por isso, ocorreu-me a ideia de que nas próximas eleições, antes de prestar atenção (impossível!) ao que seu candidato diz, talvez seja melhor você dar uma lida no programa do partido ao qual ele está filiado. Pensando nisso, lembrei-me de uma palestra muito interessante sobre performances desiguais causadas justamente pela singularidade de cada indivíduo. Para ressaltar o que dizia, o palestrante contou esta historinha:
"Imagine um agricultor que esteja fazendo uma semeadura em sua propriedade. Pela diversidade de tipos de solo e relevo que encontra, pode acontecer que parte das sementes caia ao longo do caminho; os pássaros virão e irão comê-las. Outra parte pode cair em solo pedregoso, onde não há muita terra. As sementes logo germinarão, mas como a terra é pouco profunda, acabarão queimadas por falta de proteção para as raízes. Outras sementes cairão entre espinhos, que sufocarão as plantinhas que ali brotarem. Para sorte do agricultor, muitas sementes cairão em terra boa, obtendo uma produtividade de cem por um, sessenta por um, trinta por um”.
Boa essa imagem, não? Para ser sincero, eu não a ouvi em palestra nenhuma. Na verdade, esta “história” é a “Parábola do Semeador”, que pode ser lida no Evangelho de São Mateus (Mateus 13:1-9). Para disfarçar sua origem bíblica, o que eu fiz apenas foi mudar o tempo dos verbos, para jogar a história em um futuro hipotético.
Todos queremos reduzir as desigualdades sociais, e quando digo “todos”, estou falando de Direita e Esquerda. Mas tenho a sensação de que a única forma que a moçada de Esquerda entende como solução para isso é um nivelamento equivocado de desiguais, de dessemelhantes, pois é um nivelamento por baixo. O problema é que, embora devamos ter oportunidades iniciais iguais, não somos nem teremos resultados e desempenhos iguais, por mais que gente como o Leonardo Boff bufe contra isso. “Aquele que tem ouvidos, ouça"."


Em tempo : ainda bem que revelou a verdadeira origem da "histórinha", ou, do contrário, eu o teria desmascarado. A Parábola do Semeador até eu conheço, já estudei em colégio de padres, tá pensando o quê? O texto tá do caralho, JB. É exatamente isso, a corja da esquerda quer colher os frutos sem ter arado e preparado a terra, sem ter posto a semente, sem ter aguado a mudinha, sem ter combatido as pragas da lavoura etc. Aliás, as verdadeiras pragas da lavoura são eles, a esquerda é uma nuvem de gafanhotos em cima do trabalhador, do honesto contribuinte.

Tá Provado : Foi Lula Quem Passou os Quatro Dedos no Acervo do Palácio do Planalto

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Todas as Propinas Levam a Lula

O juiz Sérgio Moro, o Eliot Ness brasileiro, irá condenar o Al Capone Lula nos próximos dias a até 22 anos de xilindró.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

3x4 da Lua

Lembro de ti a todo momento.
No movimento,
Na artrite do motor,
No selvagem moto-contínuo da vida.
Lembro. Lembro, sim.
Mas não há mais tempo
De imota e preguiçosa madrugada,
Não há mais paradeiro
Onde possa me sentar, ficar descalço, esticar as pernas
E pensar em ti.
Deixo-te, então, 
Aos ninares e aos acalantos dos céus de outonos invernais
E aos cuidares das estrofes desafinadas dos menestréis,
Sempre ineptos em fazer tuas vontades,
Em adoçar teu café na exata medida,
Em levar-te o chocolate com que adoras te lambuzar,
Em colocar no toca-CD a música em que estás a pensar e a cantarolar baixinho.
Como prova de meu fracasso e de meu carinho, porém,
Levo foto 3x4 tua em minha carteira.
Não daquelas em preto e branco,
Tiradas pelo japonês do bairro.
Daquelas em prata, vácuo e solidão,
Em alta resolução,
Tiradas pela Nasa,
Pelo Hubble,
O J.R. Duran
Das Luazinhas maliciosamente ingênuas,
Cuidadosamente descuidadas
E desnudas.

Lula Preso, ou Impedido, Bolsonaro Será o Próximo Presidente da República

Fonte : Datafolha

domingo, 25 de junho de 2017

Barata, Ruim e, Provavelmente, Inexistente

Em minha eterna e indianajônica cruzada em busca da cerveja boa e barata perdida, deparei-me com a nunca antes vista Royal Pilsen Beer, nas prateleiras da rede de atacados Assaí. R$ 1,09 a lata de 350 ml. Barata, sem dúvida. Mais um desafio a ser encarado. Mais um experimento a ser realizado. Tudo dentro do mais espartano método científico. Comprei quatro latas.
Pu-la a gelar. Abri e deitei-a a uma caneca de vidro. Que porra de cor era aquela? Nem bege nem amarela. Seria a tão afamada cor de burro quando foge? A espuma não se sustentou por 30 segundos. Desfez-se feito bolha de sabão soprada por criança em dia de sol quente. Provei-a. Deixei-a repousar na boca, língua, palato, todas as mucosas. Sem gosto. Absolutamente insípida. Não dá pra dizer nem se é boa nem se é ruim. Simplesmente não é.
Só sabia que era cerveja pelo rótulo na lata. Nem mesmo o álcool parecia presente. Fiquei sem adjetivos para escrever sobre. Feito aluno relapso e desonesto, corri ao excelente site BREJAS.COM para dar uma "colada" na análise deles da Royal. O Brejas é um site completíssimo, com cervejas de vários países do mundo e mais de umas trezentas marcas nacionais. É um site caprichadíssimo, informam sobre o fabricante de cada cerveja, o estilo, o teor alcoólico, a temperatura ideal a ser consumida, o copo ideal e avaliam, numa escala de zero a cinco estrelas, o aroma, o sabor, a aparência, a sensação e o conjunto do produto.
Coloquei a Royal no campo de busca e nada. Verifiquei se a grafia estava correta. Estava. Por via das dúvidas, apaguei e escrevi de novo. Nada. Por mais desconhecidas e inexpressivas que tenham sido as cervejas que garimpei ao longo dos anos, elas sempre apareceram no Brejas. O Brejas nunca me deixara na mão. Até agora.
Fui, então, ao Google. E também nada. Diz um nada milenar ditado chinês que se algo não pode ser encontrado na internet, esse algo não existe. Olhei nas informações laterais da lata e descobri que ela é envasada pela companhia Bluebev, em Tatuí/SP, que tem 3,8% de álcool (fraquíssima) e que é importada da cidade de Pedro Juan Caballero, Paraguai.
Fui ao site do fabricante informado na lata : www.bluebev.com.br. Descobri que é a empresa que fabrica os bons sucos de fruta Granvalle. Produzem também uma porrada dessas bebidas energéticas e chás. Mas nada da Royal Pilsen Beer. Nem no site do próprio fabricante, ela aparece. Comecei a ficar preocupado.
Mais ao fim das informações do rótulo, outro endereço eletrônico, em letras miudíssimas, o pesadelo de todo presbiópico : www.cervejaroyal.com.br. Agora não tinha erro, enfim saberia algo sobre a Royal Pilsen Beer. Digitei o endereço e : Servidor não encontrado. Tentei de novo : Servidor não encontrado. O site não existe.
Pãããããta que o pariu!!! Tomei um produto, longinquamente parecido com cerveja, que não existe. A lata está aqui para provar. E a foto que tirei e publico abaixo.
Pus-me em observação atenta para possíveis efeitos colaterais. Até agora não começaram a me cair os cabelos, a unhas ou o pau. Nem há sinais, até então, de envenenamento radiativo. Não estou, ainda, a pôr sangue pela urina, fezes, boca, nariz ou orelhas. Mas só faz quinze dias que consumi as quatro latas.
Tudo ainda pode acontecer. Eis a inexistente quase-cerveja. Se alguém ler esse texto e tiver informações sobre a tal, sobre que antídotos tomar, envie aqui pro Marreta no campo dos comentários.
em tempo : nas lápides dos túmulos, a data do nascimento é marcada por uma estrela e a do falecimento, por uma cruz. Como, ao que tudo indica, eu serei o primeiro a fazer uma avaliação e classificação da Royal Pilsen Beer, não lhe darei nenhuma estrela em nenhum dos quesitos supracitados. Darei é cinco cruzes. Em todos eles. Cinco cruzes para o aroma, sabor, aparência, sensação e conjunto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Quer um Copo, ou Vai Tomar no Gargalo?

A vagina humana é um ambiente - por que não dizê-la mesmo um ecossistema? - possuidor de uma enorme biodiversidade microbiana, um bioma dotado de uma profícua, viçosa e exuberante flora bacteriana, um jardim de delícias e de belezas microscópicas, um Éden de moneras.
O que torna a xavasca - tabus, viadagens e nojinhos à parte - em um vastíssimo e praticamente inexplorado manancial de matéria-prima e de insumos para todos os setores da indústria da fermentação, o de panificação, o de laticínios, o farmacêutico e, agora, o de bebidas alcoólicas.
A ideia de usar certas bactérias vaginais, a Lactobacillus casei em especial, na produção de gêneros alimentícios não é nova e muito menos minha, infelizmente. Já publiquei aqui o caso dos iogurtes feitos a partir da fermentação das bactérias da casa do caralho, trabalho de uma pesquisadora dos EUA, da Universidade de Wisconsin : Lactoxavasccus vivos.
A novidade, agora, vem da Polônia e é empreendida pelo ramo cervejeiro. A cervejaria The Order of Yoni lançou no mercado a cerveja Bottled Instinct, preparada com água, malte, lúpulo, lascas de madeira aromática, levedura e, claro, bactérias lácticas da buceta. É a Cervagi!!! 
São as bactérias lácticas que conferem aquele gosto azedinho peculiar à xavasca. Aliás, exatamente o mesmo azedinho do leite fermentado (Yakult etc) e das coalhadas.
A The Order of Yoni garante aos seus consumidores que levarão para casa uma cerveja com gosto e cheiro de mulher. Pããããããta que o pariu!!!! Isso me lembrou até do nome de uma novela mexicana exibida, é claro, pelo SBT, Café com Aroma de Mulher. Cerveja com aroma de mulher...
A empresa assegura também a higiene observada no preparo da Cervagi : "usamos o que há de mais moderno e avançado na microbiologia, as bactérias do ácido láctico são isoladas da vagina de uma única mulher e os procedimentos de isolamento e preparação evitam que outros tipos de bactérias, vírus e fungos sobrevivam, proporcionando um produto final limpo e saudável", diz o químico cervejeiro responsável.
No caso, a única mulher de quem foram retiradas as bactérias, a doadora da cepa original de lactobacilos, foi a modelo Alexandra Brendlova, a gostosa abaixo.
Conseguem adivinhar, ou mesmo supor, a nacionalidade da gostosa? Tcheca! 
É verdade! E óbvio! É a cerveja feita da xeca da tcheca! Melhor certificado de qualidade, impossível!
A empresa não pretende parar por aí, tem projetos para novas cervejas vaginais : a BDSM Ale, feita com ameixas vermelhas e bactérias vaginais de mulheres ruivas; e a Ale Blond, confeccionada com malte de trigo, açafrão e bactérias da xavasca de uma modelo ou de uma celebridade loura.
Quer um copo, ou vai tomar no gargalo?
No gargalo! No bico! Na beiçada!
E quero a minha sempre com colarinho, se é que vocês me entendem.
Se bem que só provarei dessa preciosidade caso ganhe uma garrafa de presente. Comprar, jamais. Nunca paguei por um buça. Não será agora que começarei. Só vou em degustação grátis.
Mas como saco vazio não para em pé e muito menos o pau, os leitores machos do Marreta estão a perguntar : e o acompanhamento? Que tipo de prato ou de tira-gosto bem harmoniza com a Cervagi, a cerveja com aroma de mulher? Responda-nos, oh, Azarão, grande sommelier de buceta que sois.
Tal acepipe não existe à venda. Apenas na ideia. Na minha ideia. Exponho-a aqui e a deixo de sugestão e inspiração para os fromagers europeus. Um gorgonzola, ou um camembert, ambos feitos com fungos vaginais do gênero Penicillium seriam o acompanhamento perfeito para a Cervagi. O gorgonxana. O camembuça.
Você pode também, a título de pegadinha, dar uma Cervagi para aquele seu amigo viado, aquela bichinha que jura de pés juntos que jamais colocará a boca numa xoxota. Deixá-lo degustar e, ao fim, perguntar : e aí, tomou?
Usando o que há de mais avançado na microbiologia, os criadores da bebida prepararam as bactérias do ácido láctico a partir da vagina de uma única mulher, nesse caso, a modelo tcheca Alexandra Brendlova. Os procedimentos de isolamento e preparação evitam que outras bactérias e vírus sobrevivam, proporcionando um produto final limpo e saudável. 
Esse "ingrediente especial" é combinado com água, malte, lúpulo, chips de madeira e levedura para criar a cerveja.
Fonte: Deles - iG @ http://deles.ig.com.br/mundo-masculino/2016-03-31/marca-desenvolve-cerveja-feita-com-bacterias-vaginais-de-modelo-tcheca.html
Usando o que há de mais avançado na microbiologia, os criadores da bebida prepararam as bactérias do ácido láctico a partir da vagina de uma única mulher, nesse caso, a modelo tcheca Alexandra Brendlova. Os procedimentos de isolamento e preparação evitam que outras bactérias e vírus sobrevivam, proporcionando um produto final limpo e saudável. 
Esse "ingrediente especial" é combinado com água, malte, lúpulo, chips de madeira e levedura para criar a cerveja.
Fonte: Deles - iG @ http://deles.ig.com.br/mundo-masculino/2016-03-31/marca-desenvolve-cerveja-feita-com-bacterias-vaginais-de-modelo-tcheca.html



Deles Mundo Masculino

Marca desenvolve cerveja feita com bactérias vaginais de modelo tcheca

Por Francine Olivieri | - Atualizada às
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Bebida feita com "ingrediente" do órgão genital feminino instiga a população masculina para o consumo

Entre tantas cervejas no mundo, eis que surge uma novidade que divide opiniões: a cerveja feita com bactérias vaginais. É isso mesmo que você acaba de ler!



Cerveja com bactérias vaginais, criada pela The Order of Yoni
Divulgação
Cerveja com bactérias vaginais, criada pela The Order of Yoni


Usando o que há de mais avançado na microbiologia, os criadores da bebida prepararam as bactérias do ácido láctico a partir da vagina de uma única mulher, nesse caso, a modelo tcheca Alexandra Brendlova. Os procedimentos de isolamento e preparação evitam que outras bactérias e vírus sobrevivam, proporcionando um produto final limpo e saudável. 
Esse "ingrediente especial" é combinado com água, malte, lúpulo, chips de madeira e levedura para criar a cerveja.



Ceveja Bottled Instinct, da The Order of Yoni
Divulgação
Ceveja Bottled Instinct, da The Order of Yoni


O produto final não tem gosto e nem cheiro do órgão genital feminino, mas como a própria descrição diz, é "aromatizado com instintos".
"Imagine a mulher de seus sonhos, seu objeto de desejo. Seu charme, sua sensualidade, sua paixão. Experimente o gosto dela, sentir seu cheiro, ouvir a sua voz. Imagine ela massageando-o apaixonadamente e sussurrando em seu ouvido tudo o que quer. Agora libere suas fantasias e imagine que, com uma varinha mágica, você pode fechá-la em uma garrafa de cerveja. A bebida dourada fabricada com sua atração, graça e aromatizado com instintos. Imagine a cerveja que a cada gole é um randez-vous com esta mulher quente de seus sonhos. Ela iá abraçá-lo e beijá-lo suavemente, olhando diretamente em seus olhos. Quanto você daria para essa cerveja?", diz a propaganda do produto.



A modelo tcheca Alexandra Brendlova, que cedeu as bactérias vaginais para a fabricação da cerveja Bottled Instinct
Divulgação
A modelo tcheca Alexandra Brendlova, que cedeu as bactérias vaginais para a fabricação da cerveja Bottled Instinct


E a edição Instintic é apenas o começo. A marca ainda quer desenvolver outros tipos do produto que seguem o mesmo pensamento. Entre eles estão: a  BDSM ale ale azedo feito com ameixas fumadas e bactérias lácticas vaginais de mulheres ruivas ou morenas, e a  ale Blond , feita com malte de trigo, açafrão e ouro comestível, com bactérias do ácido láctico vaginal de uma modelo ou celebridade de cabelo loiro.

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  • Fonte: Deles - iG @ http://deles.ig.com.br/mundo-masculino/2016-03-31/marca-desenvolve-cerveja-feita-com-bacterias-vaginais-de-modelo-tcheca.html

    segunda-feira, 19 de junho de 2017

    Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (43)

    Há quem pense e diga que a lancinante fossa seja deflagrada pela perda de um grande amor, pela rejeição de uma boa buceta que bate seus beiços, voa e vai se aninhar, fazer-se em ninho de outra(s) rola(s).
    Ledo e preconceituoso engano. Pretensão da mulherada. Há dessas fossas, também. Mas são fossas mi-mi-mi, fossas rasas. A verdadeira fossa é muito mais abissal, vinda de uma saudade muito mais profunda.
    A maior saudade não é da xavasca que se foi, sim do tempo em que ela se foi, da época em que o abandono se deu; do tempo, esse sim, perdido e irrecuperável. A fossa das antigas não vem da perda de uma boa buça, sim da progressiva dificuldade em abiscoitar novas delas, para perdê-las depois. A verdadeira fossa vem da saudade de quando perdíamos bucetas em série, pois em série, com nossa juventude, também éramos capazes de arrebanhá-las, vem da nostalgia de um pé na bunda atrás do outro, pois se tomávamos um pé na bunda, antes tínhamos posto nosso pau numa bunda.
    A maior dor não é pelo pé na bunda da pérfida, sim pelo pé na bunda do tempo, o pé na bunda que, de um dia para o outro, sem aviso prévio nem indenização nem FGTS nem seguro-desemprego, levamos da juventude, amante das mais infiéis, que nunca fica conosco até que a morte nos separe. A maior fossa não é lembrar da traidora, sim do tempo em que éramos tão jovens. E não mais somos. Nem o Renato Russo o seria, vivo estivesse hoje. E, sim, é sempre tempo perdido.
    É o tempo que se perdeu e nos atraiçoou, e não um bom dum entrepernas e entrefolhas, que fica para sempre feito farpa enferrujada no calcanhar. Dependendo do dia, do clima e da temperatura, do jeito de pisar, é ele que nos espeta e se faz em estopim de uma nova fossa.
    Aí, meu chapa, se num daqueles dias em que nossos olhos são chumaços de neblina e que os termômetros em nosso peito marcam 0º C (com sensação térmica de 0 K ), juntando-se ao tempo que não volta, algo ainda - um cheiro, um ruído, uma estranha a atravessar a rua, um olhar de floricultura que encontra o nosso, árido e estéril, uma música - nos faz lembrar de uma dona que nos foi desleal, um míssil terra-ar de melancolia nos atinge em cheio. Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
    Foi o que se deu com o sujeito da bela canção Um Tango Pra Teresa, se não com os próprios autores dessa preciosidade, Evaldo Gouveia e Jair Amorim.
    O sujeito está lá, num quarto úmido e solitário de um velho apartamento, já no outono da vida (a luz do cabaret já se apagou em mim, diz ele), quando, de repente, alguém põe um disco de Gardel no apartamento junto ao dele. Danou-se. O velho tango traz-lhe lembranças de Teresa e, mais pungentemente, de sua mocidade.
    Evaldo Gouveia e Jair Amorim são craques incontestes da MPB, mas foram de uma mestria inigualável na letra dessa canção, de uma virtuosidade poucas vezes vistas ou repetidas. São ou não são de arrepiar os versos : Era todo o passado lindo, A mocidade vindo na parede a me dizer para eu sofrer?
    A mocidade vindo na parede me dizendo para eu sofrer... pããããããta que o pariu!!!
    Agora, me calo e vos deixo com a bela letra de Um Tango pra Teresa. Que é hora de lembrar e de chorar.

    Tango Pra Teresa
    (Jair Amorim/Evaldo Gouveia)
    Hoje, alguém pôs a rodar
    Um disco de Gardel
    No apartamento junto ao meu
    Que tristeza me deu

    Era todo o passado lindo
    A mocidade vindo
    Na parede a me dizer
    Para eu sofrer

    Trago a vida agora calma
    Um tango dentro d’alma
    A velha história de um amor
    Que no tempo ficou

    Garçom, põe a cerveja sobre a mesa
    Bandoneon, toque de novo que Teresa
    Esta noite vai ser minha e vai dançar
    Para eu sonhar

    A luz do cabaré
    Já se apagou em mim
    O tango na vitrola
    Também chegou ao fim

    Parece me dizer
    Que a noite envelheceu
    Que é hora de lembrar
    E de chorar.
     Em tempo : para ouvir a canção, com o Ney Matogrosso, minha interpretação preferida dela, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.