Não gosto mais de ver meus garranchos no papel.
Meu código Morse indecifrável,
O engodo de minhas tranças de Rapunzel
(vou quebrar meu telégrafo, passar máquina zero na cabeça e lançar-me, suicidar-me do alto de minha torre de marfim).
Não gosto mais de ver meu texto na tela.
Minha dor digitalizada,
Formatada em Arial
E fossilizada em bits e pixels :
Adormecida,
Já não me parece mais tão bela.
Escrever
(percebo isso agora)
É erguer altar, igreja e tribunal em causa própria.
Poesia
É Narciso polindo e mirando-se
No branco do papel,
Se babando por um origami feito à sua deformidade e semelhança.
Escrever
(desiludo-me agora)
É autoadoração e autoflagelo
É libertinagem e celibato
É cornucópia e jejum
É férias na casa da avó e campo de concentração.
Escrever
(horrorizo-me agora)
É homem de meia-idade
- de cabelos brancos de um amarelo crestado e encardido,
de vistas e de ânimos de bengala,
de barriga mole sempre pronta a dar o bote, à menor distração -
Em rídicula e solitária masturbação.
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Li sua sugestão lá no Blogson, sim, e até ia comentar, mas fiquei com preguiça. Na verdade, quero crer, não é exatamente preguiça, está mais para uma estafa mental. Faço tanto coisa durante o dia que, quando chega a noite e tenho um pequeno tempo, as ideias até aparecerem, mas cadê a coragem de pegar na caneta? Fico sentado vendo qualquer merda na tv e vou dormir. Só do bom e velho Rubens, dos pequenos contos noturnos, tenho ideia para 3 contos, porém, como digo nesse texto, não tenho mais aquele tesão em escrever, não vibro mais vendo a ideia ganhar forma, sei lá.
ResponderExcluirAs sugestões de nomes são boas, embora indevidamente elogiosa, afinal qualquer referência entre o que escrevo e verdadeiras literaturas como as do Sade e do Bandeira é sacanagem com os caras.
Além disso, um novo blog? Mal tô conseguindo fazer respirar o Marreta.
Abraço
Não precisa e talvez nem deva publicar isto, mas volto a insistir na sugestão de um novo blog pelos seguintes motivos:
ResponderExcluir- Você não precisaria criar nada, apenas copiar e colar no novo blog os contos e poemas que já foram divulgados no Marreta. Assim alimentado, o novo blog seria atemporal, pois não estaria atrelado aos temas do cotidiano, seria um blog literalmente literário;
- Provavelmente ficaria livre do carimbo de “blog adulto”, pois o próprio título (qualquer que fosse ele) já indicaria suas características. Ninguém entraria nele “enganado”, pois você poderia (se quisesse) colocar as fotos cabeludas e cheias de cabelos que gosta de utilizar no Marreta para ilustrar algum conto ou poema.
- Daria a seus leitores a oportunidade de (re)ler sua produção mais antiga sem precisar pesquisar no Marreta, já que os contos e poemas iriam sendo divulgados tranquilamente, no ritmo que desejasse.
- Você teria uma obra literária indiscutível, livre dos penduricalhos políticos, ideológicos ou religiosos onde, aliás, você manda super bem.
Estou falando tudo isso pois tenho pensado em fazer a mesma coisa (mas não mais em um blog). O que tem me incomodado é a (má) qualidade da maioria dos posts que tenho relido no Blogson. Tenho achado tudo de uma indigência desgraçada, coisas muito ingênuas, forçadas, humor de grupo escolar.
Mesmo assim, talvez pela minha carência afetiva congênita e pela sensação de que não viverei muito mais, gostaria de deixar alguma coisa mais organizada e que me desse prazer de ler e dizer “pô, até que ficou legal isso aqui!”, para que um dia, algumas pessoas (meus filhos e alguns amigos) pudessem ler e lembrar-se de mim com carinho. Claro, poderiam ler direto no blog, mas teriam que desbastar e roçar o mato. É isso. Não precisa responder, apenas reflita sobre isso.
Azarão, você está precisando levar uma surra de buceta, mas uma surra bem dada, aí você engrena novamente
ResponderExcluirFERNANDÃO
Deveras, meu amigo, deveras...
ResponderExcluirNem preciso refletir, JB, e já te respondo : Nâo! De jeito nenhum!
ResponderExcluirQuer que eu corte meus penduricalhos? Vasectomia até estou pensando em fazer, mas cortar os penduricalhos, jamais.
Pronto! J e Fernandão aliados. Agora, tô fudido.
ResponderExcluirEu usei "penduricalhos" como sinônimo de posts com data de vencimento, específicos de determinado momento no país. Não sou censor de porra nenhuma nem quero ser. A sugestão era para criar um blog exclusivamente "literário" (com todas as imagens que os ilustrassem). Mais um blog, não a extinção do Marreta. No meu caso, por exemplo, os posts "Comentando as..." não seriam considerados em um "Blogson II", pois são específicos e têm data de validade curtíssima. Era isso que eu estava dizendo ou tentando dizer.
ResponderExcluirRapaz, ou você não entendeu, ou está a se fazer de desentendido : eu perguntei se com tudo pago por você! Você paga e eu como!
ResponderExcluirE grande ditado do Luizão, esse eu não conhecia. Nem a milenar cultura chinesa o equipara. Nem Confúcio. Grande Luizão!