segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Cordas de Nylon, por JB do Blogson Crusoe

Não faz muito tempo, eu tinha vinte e poucos anos
Em meu violão novo de cordas de aço
Tocava e cantava músicas do Belchior e dos Beatles
Em festinhas ou em casas de amigos.
Meus dedos tinham calos nas pontas e não doíam.
Eu tinha vinte e poucos anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

Hoje, passados muitos anos
Em um velho violão de cordas de nylon
Às vezes toco e canto músicas do Belchior e dos Beatles
Para minha mulher e meus filhos e filhas.
Hoje tenho calos na alma - que doem muito.
Passaram-se os anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

4 comentários:

  1. Rapaz, sabe que eu não sou de ficar puxando o saco nem fazendo média com ninguém; gostei,sim, bastante do poema.
    "Na hora do almoço" é um primor, uma formosura, uma obra-prima; parece que a letra chegou a receber elogios do próprio Carlos Drummond de Andrade.
    Uma dúvida : por que nunca tocou "como nossos pais?"

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    Respostas
    1. Imaginei que você perguntaria isso. Apesar de ter alguns trechos da letra incrivelmente bons, a Elis Regina me fez tomar birra dessa música. Depois, os calouros do Raul Gil jogaram a pá de cal. Hoje acho essa música um pé no saco. Aliás, Hey Jude também.

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    2. Isso porque "como nossos pais" ainda(pelo menos eu acho que não)não caiu nas garras do "The Voice". Aí, nem eu, que gosto bastante da música, aguentaria mais ouvi-la.

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  2. Em tempo. Se não me falha a memória, a gloriosa Sandy gravou como nossos pais. E sobre Hey Jude, Kiko Zambianchi precisou de muita terapia para poder cantá-la novamente, após décadas.
    Leitinho

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