segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O Último Vaga-Lume

Em 2009, há exatos 10 anos, lá no início do Marreta do Azarão, eu escrevi um texto no qual me comparava a uma estrela morta, extinta, Eu Fui a Luz das Estrelas.
Escrevi que a imagem que as pessoas viam ou faziam de mim era tão-somente - já àquela época - minha luz residual, luz órfã e desmamada do ventre que a gerou. Que meu coração de plasma de hidrogênio há muito se  vertera em dura pedra; que meu reator atômico há muito se esfriara, gastara todas as suas sete meia-vidas.
No espaço, as distâncias são, literalmente, astronômicas, de fazer suar e botar língua fora até mesmo a Luz, o Ligeirinho do Universo. A exemplo, se a estrela Alfa de Centauro, a mais próxima de nós depois do Sol, a milimétricos quatro anos-luz da Terra, explodisse hoje, morresse nesse exato momento, ainda a veríamos, a velaríamos, no céu noturno por ainda quatro anos. Até que o último fóton de seu último suspiro chegasse até nós. Só depois de quatro anos veríamos sua explosão e seu desaparecimento do firmamento.
Há dez anos, na época da criação do blog, eu já era - cada postagem ao longo desta década foi - a luz de um finado Sol, um fogo-fátuo que se desprende de um cádaver e lhe imita a forma de quando vivo.
No fim da postagem de 2009, deixei, provavelmente para mim mesmo, duas perguntas : Por quantos anos ainda refletirei essa imagem? Quanto ainda tenho de luz residual?
A resposta demorou ainda dez anos para me atingir. E ela é : agora! Não há mais o que ser visto de mim.
Esta postagem é o último lúmen peregrino solitário que sobrou de meu colapso, o último relampejar de meu último vaga-lume mantido em coma induzido.
 "Não existe um último suspiro digno. Da mesma forma, não há um último texto digno e inspirado; se ele o fosse, não haveria o porquê nem a urgente necessidade dele ser o último."

4 comentários:

  1. A Marreta do Azarão15 de agosto de 2019 às 21:30

    Acredite : realmente não tenho mais nada a dizer, ou mais nada de novo, ou inspirado, ou original, para ser adicionado ao que eu já disse. Acredite.

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  2. Taí um bom final para o livro de contos: o Rubens apaixona-se e se casa. Um dia a esposa dá a noticia de que está grávida (sem saber da história da caxumba)... O resto é por sua conta. Mas tenho certeza de que há outras crônicas e poesias que mereceriam outros livros (por isso te mandei o link).

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  3. A Marreta do Azarão17 de agosto de 2019 às 00:34

    Porra, além de infértil quer que o Rubens seja corno? Pãããããta que o pariu!!!!
    Dei uma olhada por cima nos links que me mandou; mais uma ideia a maturar. Embora os publique em menor quantidade que as crônicas, tenho um número muito maior de poemas; muitos ainda a serem passados a limpo, mas acho que desde que comecei a escrevê-lo, em 1989, devo ter atingido a marca dos 1000.

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