O meu cérebro berra, desmamado,
E você não capta;
Minha língua implora, ajoelhada,
E você não entende : diz, I don't speak você;
Meu coração, aprendiz do seu,
Lhe chantageia,
Ameaça se explodir
E você aciona o seu esquadrão antibombas,
Que corta minha aorta vermelha,
Minha carótida azul,
Desativa o C4 em meu marca-passo;
O meu pau brocha,
Não levanta à antevisão
Nem à visão,
Ou ao suor e ao cheiro,
Dos seus peitos
E da sua buceta:
Você diz que a culpa é minha.
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O Avesso Bíblico (Mia Couto)
ResponderExcluirNo início,
já havia tudo.
Mas Deus era cego
e, perante tanto tudo,
o que ele viu foi o Nada.
Deus tocou a água
e acreditou ter criado o oceano.
Tocou o chão
e pensou que a terra nascia sob os seus pés.
E quando a si mesmo se tocou
ele se achou o centro do Universo.
E se julgou divino.
Estava criado o Homem.
Caralho, é uma mistura de CS com pancadas que o cara toma na vida--
ExcluirAntes assim fosse, caro Jotabê, antes assim fosse... Antes eu realmente as escolhesse a la mano.
ResponderExcluirAliás, só agora leu o poema de Mia Couto? A memória tá falhando, hein? Você chegou até a comentar quando o publiquei no ano passado, veja lá:
ResponderExcluirhttps://amarretadoazarao.blogspot.com/2018/02/o-deus-cego-de-mia-couto.html