sexta-feira, 17 de julho de 2020

Cerveja-feira (24)

O cerveja-feira dessa semana vai para o sempre presente e no mais das vezes esquecido ator coadjuvante de nossas bebedeiras. Para o copiloto de nossos voos ébrios. Ele é o Robin dos nossos porres. O Sancho Pancha de nossas carraspanas. O figado!!!
Não seríamos nada sem o fígado. Não seríamos nem humanos. Seríamos seres eternamente sóbrios, tristes e ranzinzas. Nós só podemos usufruir dos prazeres de uma boa cerveja porque o fígado está lá, recolhendo e jogando nosso lixo fora. Nós ficamos com a parte boa do álcool, o fígado, com os resíduos. Morreríamos facilmente intoxicados se o fígado não transformasse o álcool em compostos menos tóxicos e facilmente elimináveis. O fígado de um homem de peso próximo aos 70 kg é capaz de metabolizar cerca de 20 ml de etanol/hora, o equivalente a uma lata de cerveja de 350 ml. Ou seja, ele vai varrendo o nosso lixo numa velocidade mais baixa do que sujamos, o que permite nos mantermos em agradável estágio de embriaguez. O fígado cuida da gente, mas não impede que fiquemos bêbados. É como se fosse uma mãe que liberasse umas doses para seus filhos. Claro que, de vez em quando, ele nos passa um sermão, um pito, a ressaca. 
Tamanha a sua importância que a sábia Natureza o fez com o mais alto poder de regeneração de todos os nossos órgãos. O fígado é o Wolverine dos órgãos. Que o diga Prometeu. Em uma semana, o fígado pode se reconstituir totalmente de lesão ou remoção cirúrgica de até dois terços de seus tecidos. Coração, rins, pulmões, ossos etc não chegam nem perto disso. O cérebro, então, nem se regenera.
Sem contar que, acebolado e ao ponto, também é um excelente tira-gosto para tomarmos com... cerveja.
Um brinde a ele, o Fígado!

3 comentários:

  1. Meio Dr. Hannibal Lecter esse final! Então, pela publicação, uma única lata de cerveja de 350ml só terá efeito por aproximadamente 1 hora, não é? Se eu tomar 16 latas de 350ml, uma para cada hora em que estou acordado (16/24h), possivelmente nada sentirei. Interessante. É isso que chamo de ciência popular.

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    1. A Marreta do Azarão17 de julho de 2020 às 14:05

      Pois é, quando eu bebo em casa, mais moderadamente, faço a uma velocidade de uma latinha a cada meia hora; quarenta minutos se for um latão. Digamos que eu tome seis latinhas num período de três horas, três horas e meia; ao acabar da sexta, ainda terei cerca de 3 horas de leve embriaguez.

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    2. Se me permite, "valha-me São Pavlov!!!" será meu novo bordão. Cara, que comentário sensacional. Santíssima Trindade do Reflexo Condicionado foi de rachar de rir. Skinner riria também, certamente. E no fim somos isso mesmo: o rato, a barra, a pelota de alimento e o experimentador. Tudo numa coisa só, cheia de comportamentos supersticiosos.

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