sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Cerveja-Feira (26)

A seção Cerveja-Feira está fadada à extinção. Meu repertório para homenageados ou esgotou-se, ou nomes que muito me agradariam ter por aqui, como Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Belchior, Bóris Yeltsin (o Jânio Quadros russo) etc, não os consigo achar em fotos com um copo ou com um belo dum canecão de cerveja nas mãos.
Por aqui, passaram escritores, músicos, gostosas, personagem de desenho animado, um país, uma antiga civilização, presidentes da República e até um Papa. Sem muito o quê, e para não falhar como falhei na cerveja-feira da semana passada, resolvi dar destaque a uma linha de cervejas relativamente recente no mercado brasileiro : as boas e quase baratas. As chamadas "puro malte", um meio-termo entre as cervejas "comerciais" e as artesanais.
As boas e quase baratas caem bem ao paladar e não chegam a provocar princípio de infarto e AVC no Margá, o escorpião que habita o meu bolso. Das boas e quase baratas que experimentei, estão no meu pódio a Proibida rótulo preto (medalha de bronze), a Brahma Extra Lager (prata) e a Serramalte (ouro). E hoje, no exato momento em que rascunho esta postagem, uma boa e quase barata nunca dantes entornada ameaça roubar o terceiro lugar, quiçá o segundo, das Olimpíadas cervejeiras do Azarão : a Salzburg.
Às sextas-feiras - tornou-se praxe nesta pandemia e neste saudável e bem-vindo isolamento social -, vou pela manhã à feira livre do bairro para comprar pastéis (carne e queijo para o filhotão, palmito para a esposa e o insuperável bacalhau da japonesa para mim) e, na volta, passo por uma loja de conveniência de um posto de combustíveis para pegar umas três latinhas de Lokal ou de Serrana. Hoje, dei de cara com a tal Salzburg em promoção, R$ 2,89 a latinha de 350 ml. Pensei : por que comprá-la, por que não comprá-la, por que comprá-la, por que não comprá-la? Comprei-a-a.
Quando verti o conteúdo da primeira lata no meu poderoso Canecão, um arrependimento precoce começou a se armar. Por alguma razão que minha razão desconhece, associo uma cerveja de mais qualidade a uma cor mais escura, mais brônzea. A Salzburg é de um amarelo claríssimo. No entanto, o primeiro gole já fez valer o investimento : ela tem um amargor bem mais pronunciado que uma Bohemia, uma Império, uma Petra ou uma Cacildis. Um amargor muito bom, que persiste na língua.
Gosto - espelho de Obsidiana, talvez - de gostos mais amargos. Adoro um jilozinho, por exemplo. Pãããããããããta que o pariu se adoro!!! É bem verdade que poderia ter uma melhor carbonatação, que sua espuma durasse mais um pouco mais, mas nada que deprecie a sua refrescância. E a embalagem também é bem caprichada, um ouro velho a servir de tela para um elmo e uns brasões medievais. Aprecio a simbologia dos brasões ou escudos de armas. Um dia, a me sobrar tempo e disposição, ou a ter direito a uma reencarnação, tenho a intenção de me aprofundar na arte da Heráldica. A latinha vai para a minha pequena coleção.
Arrependi-me de ter pego só três.
Prosit!

7 comentários:

  1. A Marreta do Azarão14 de agosto de 2020 às 20:24

    Rapaz, nenhum dos quatro filhos entorna? Onde foi que você errou na educação dessa molecada?
    Café não atinge seu cérebro, álcool não atinge seu cérebro, só leite com toddy mesmo?
    O que gosto na heráldica nem é tanto a curiosidade por uma possível ascendência nobre, mas sim os desenhos em si, os seus siginificados. Quanto a nínguém ter sido um zé-ninguém em vidas passadas, eu tenho uma teoria, acho que o Céu é uma pequena oligarquia onde só os nobres e os grandes vultos da História têm o direito e a permissão para reencarnar; a pobraiada vai é pro inferno, mesmo.

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  2. Na verdade, o segundo filho até bebe uma cerveja, mas só em festa mesmo. Quando ele tinha uns quinze anos chegou carregado em casa e não sei mais o que aconteceu. Eu fiquei na minha e não falei nada, mas não sei o que minha mulher disse. Então, realmente ninguém bebe(ia). Ultimamente o terceiro resolveu beber vinho, creio que ele e minha nora fizeram algum curso, essas viadagens. Mas leite com toddy não dá barato, só prazer (que acaba depois de beber meio litro de uma vez). Agora, você tem razão quanto ao café e ao álcool. Meu cérebro já deve ter uma área muito lesada, imune à cafeína e ao álcool.
    Quanto à heráldica eu acho bacana também, mas fico muito constrangido quando vejo alguém com o “brasão de família” comprado em alguma feira agropecuária. Complexo de inferioridade enrustido é foda. Eu já falo logo que vim de uma família de gente pobre, sem nenhuma nobreza. Pensa bem, “Botelho” era o nome de uma planta aquática mencionada pelo Pero Vaz de Caminha. Algum nobre teria o nome de Botelho? Só se fosse Botelho pinto.
    E não é reencarnação, é regressão (dá no mesmo). Qualquer dia vou inventar ter feito uma merda dessas e dizer que descobri ter sido um senador romano. Ou então, para chocar, direi que uma de minhas vidas passadas fui uma prostituta egípcia que morreu com gonorreia ou um judeu queimado pela Inquisição. E se o ouvinte for evangélico direi que fui Caim. Quero ver a reação!

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  3. A Marreta do Azarão15 de agosto de 2020 às 08:45

    A cerveja que você fabrica tem um nome, um rótulo? Caso sim, envie para mim que será uma honra estampá-la aqui no cerveja-feira. Claro que eu quero o material sobre cerveja de que falou, com certeza trará fôlego novo à seção.
    Claro que há toda essa relação de poder, toda essa podridão por detrás dos brasões, mas como eu disse o que aprecio é tão-somente a parte gráfica, pictórica, os elmos, as espadas, os dragões, os grifos, os ramos de vegetação etc.
    Outra coisa que também é o cúmulo da breguice é o cara bordar um monograma no seu robe; aliás, só o robe já é o cu da cobra.
    Gostei da Uniesquina.

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  4. Eu diria que há um quarto objetivo na vida de um homem, além dos outros notórios três: fabricar sua própria cerveja. Infelizmente, esse ainda não cumpri, pois essa arte é meio melindrosa. E nem precisaria ser uma IPA toda elaborada para que eu ficasse realizado nesse ponto...

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  5. A Marreta do Azarão15 de agosto de 2020 às 14:20

    Eu também sempre aproveito essas ofertas do produto próximo ao vencimento e também nunca passei por tomá-las.
    E vou entrar em contato por esse seu e-mail, sim.
    Salud!

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  6. Litrão de Stella por R$ 3,50 seria um sonho.
    No caso não era a validade, as que comprei vencem em Fev/21. Aqui no mercado do bairro costuma ter essas ofertas em cervejas toda semana. No momento, Colorado (Appia e de Laranja que não lembro o nome) de 600ml está saindo por 6,90 e 5,90, respectivamente. E só vence ano que vem. Suspeito que pelo fato do bairro ser perto de dois atacadista (Atacadão da Via Norte e Tonin), os dois mercados menores daqui seguram os clientes através dos preços das cervejas (comigo dá certo). [Eu nem sei o que é "inverno" mais].

    E voltando no comentário, sim, a cor da cidade é arrepiante. Sem chuva, então. Com usineiro de sobra, então.

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  7. Faz o favor: anota à parte e deleta. Obrigado!

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