Nem a pandemia da Gripe Chinesa foi capaz de me amedrontar e me demover de minhas eternas prospecção e incursão em mercados e lojas de conveniência nunca dantes visitados em busca do Santo Graal da cerveja boa e barata. Nem o comunavírus conseguiu refrear a minha sede por novas descobertas, por novos conhecimentos e, sobretudo, por cerveja.
Ontem, a minha coragem e o meu arrojo foram recompensados. Ao voltar de minha matutina caminhada, entrei num pequeno armazém de bairro, localizado na vicinal de uma rodovia, Empório Castelo, ou algo assim, para comprar pão para o café do filho e da esposa, e lá estava ela :
Cerveja Moema. R$ 1,35 a lata de 350 ml. Comprei-a às cegas, ou quase às cegas, a olhos presbiópicos com três graus de deficiência, uma vez que, sem meus óculos de leitura, fui incapaz de ler as letras pequenas dispostas horizontalmente na lateral da lata nas quais constam informações sobre o fabricante, o local de procedência, o teor alcoólico etc. Há de se tomar muito cuidado hoje em dia em verificarmos o teor alcoólico da cerveja, pois há uma nova linha de "cervejas leves", elaboradas para paladares mais delicados, comedidos e viadescos, que mal chegam a 3% de álcool. O meu mijo é mais alcoólico que isso!
Comprei quatro latinhas e dei sorte.
A Moema é bem melhor que muitas das marcas comerciais mais conhecidas, Sub Zero, Kaiser, Bavária, Crystal, Schin, Itaipava, Skol, Devassa, Proibida. Dessas populares, para o meu gosto, ela só perdeu para a Brahma.
A fabricante, a Cervejaria Mendes Brewing Company, de Campo Grande (MS), garante que a Moema é "made with excellence", à base de "hops with german origin". Tendo, lógico, sempre em vista o valor de R$ 1,35 a lata, surpreendeu-me o seu bom e ligeiro amargor - imperceptível numa Skol, por exemplo, a vedete maior das cervejas de milho - e a grande persistência de sua espuma, se comparada às outras cerveja citadas.
Uma cerveja honesta, a Moema. Merece, com todas as honras e honrarias, o selo e a comenda ISO-Azarão de boa e barata.
Cerveja Moema : aprecie sem moderação; aliás, aprecie é o caralho, que apreciar cerveja é coisa de degustador, de quem faz biquinho de cu com a boca e dá pequenos golinhos, sentindo o buquê e procurando o retrogosto.
Cerveja Moema : entorne sem moderação. Que cervejeiro das antigas só tem que ter moderação é com o bolso.

Sabemos que a session IPA é feita para conquistar um público menos afeito ao lúpulo, acostumado ao suco de milho transgênico ambeviano. E por que não dizer, uma tentativa de angariar o público feminino, sobretudo as esposas acompanhando os maridos apreciadores.
ResponderExcluirMas enfim, vejo-me no lugar do Azarão em sua peregrinação santa em busca das boas e baratas. O objetivo da jornada é quase o mesmo e motivado com semelhante determinação de ferro: garantir o líquido precioso do final de semana, a única motivação que tive para sair nessa pandemia.
Bovino intensivo que sou, prefiro beber com as pessoas inteligentes. Se é que o Marat me entende.
Sem pretensões, claro. E um bom final de semana aos ébrios e abstêmios do blog.