domingo, 11 de abril de 2021

Narcisos Murchos

Há muito morto,
Sempre gostei de,
À madrugada,
Da sacada,
Olhar para a cidade viva :
Voyeur de seus porres e de suas cópulas.

Hoje,
A cidade também morta,
Desvio-me de seus olhares :
Nunca gostei de me mirar no espelho,
Seria como flertar com a minha imagem
Na superfície limosa e estagnada
De um lago margeado por narcisos murchos.

3 comentários:

  1. A Marreta do Azarão14 de abril de 2021 às 06:55

    Inspiração, não. Plágio descarado, mesmo. Afogado? Acho que afogado, não; murcho, mesmo; triste, cansado da própria imagem, que não mais o empolga, não mais o enleva, nem de longe o satisfaz. Que já não gosta mais de nada que faz, que pensa, que acredita, que pratica, que escreve.

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  2. Você não imagina como esse seu comentário me retratou!

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  3. A Marreta do Azarão14 de abril de 2021 às 12:50

    Imagino, sim, Jotabê, Tenho notado o mesmo desalento no que você anda publicando de inéditos. Eu tô com uns quatro ou cinco textos começados e não os finalizo não por não saber como terminá-los, mas por achar que eles nada tem de novo, interessante,original; por achar que não valem a pena.
    Pode ser só o velho black dog e amanhã ou depois estamos melhor. Aliás, a expressão "black dog" aplicada à depressão não é originalmente do Churchil. É do Edgar Allan Poe, descobri isso um dia desse, ao assistir ao filme O Corvo, com o Edward Norton.
    Ah, e amanhã vou tomar a primeira dose da vacina. O estado de SP abriu vacinação para os professores acima dos 47 anos.

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