Lembro do seu aniversário,
Sei que você se lembra do meu.
Mas são os nossos desaniversários,
Festejados sem festa juntos,
As datas que mais comemoro.
São as fotografias não tiradas
Do não soprar de nossas velinhas
Que ocupam
E que se aninham
Nos porta-retratos que não tenho
Sobre a mesa de centro,
Sobre o criado-mudo,
Na estante, ao lado de um Bukowski.
Porém,
Inevitavelmente
Registradas internamente em minhas pálpebras,
Reveladas sempre que fecho os olhos para dormir,
Ou para sonhar
(E ai daquele que pensa que uma coisa é sinônimo da outra, ou mesmo, até, aparentadas e consanguíneas).
São os presentes nunca dados ou recebidos
Que guardo ocultos
Nos fundos falsos das minhas gavetas;
E que as perfumam de café e de cacau albino
E que espantam as traças e as baratas

UAU! Isso ficou espetacular, incrivelmente bom! Se me permitir, vou republicar no Blogson com um título um pouco menor (talvez "fotografias não tiradas" ou "Cacau albino - adorei essa ideia). Se concordar e quiser sugerir um título síntese, fica ainda melhor. Parabéns mesmo!
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