Yrina, olhos mortiços, de crisântemos roxos deixados sobre a lousa fria de granito no último Finados e descorados pelo Sol; voz pastosa, marinada e condimentada pelo gim :
- Você sabia, né, Rubens? Sabia que nós éramos lindos e invejáveis juntos, não sabia?
Sabia.
O duro é que Rubens sabia.
Sempre soube, olhos de controle remoto com pilhas fracas, que assistem apenas ao inevitável; voz com faringite e preguiça, que não ousa alçar voo, nem que seja um voo de galinha, contra a força de gravidade da Vida.

"nem que seja um voo de galinha, contra a força de gravidade da Vida"
ResponderExcluirRapaz, definiu a existência de alguns bilhões de seres humanos.
Abraços
Infelizmente, também a minha.
ExcluirUma vez li, em algum lugar, que o melhor escravo é o cara que julga ser livre.
ResponderExcluirPor outro lado, sabermo-nos escravos e não conseguirmos nos libertar, o que é pior?
Que remédio mais amargo e cruel, a pílula azul ou a vermelha?
Abraço.
"Que remédio mais amargo e cruel, a pílula azul ou a vermelha?"
ExcluirBate as duas com leite no liquidificador e toma com açúcar. E bola pra frente.
Com leite? Que fossa, meu chapa, que fossa....
ExcluirOuvi sobre isso inda ontem aqui na escola. Vou tentar ler mais sobre é ver se consigo adaptá-lo a la Marreta. Mas como é um tema dos mais interessantes e urgentes, não se furta a publicá-lo também no Blogson. Creio que você tenha uma visão bem legal sobre isso também.Ou sua esposa, que já foi da área. Nunca pensou em publicar um texto dela? Na triste - passageira- situação em que ela se encontra, de repente, pode até lhe servir de uma distração.
ResponderExcluirRapaz, ela é muito tímida, muito reservada, mas tem uma memória de elefante reconhecida por todos. Uma vez ela escreveu um texto maravilhoso para sua irmã que comemorava 60 anos, se não me engano, onde revolvia lembranças saborosas da infância. Infelizmente, não sei que fim levou. Ela escreve muito bem (creio que é uma característica que os filhos herdaram), mas parece não se interessar nisso. Uma vez uma amiga paulista comprou um cadero de capa dura, encapou com tecido e deu a ela de presente, para que registrasse suas lembranças, casos, pensamentos, etc. Há uns quinze anos no mínimo que esse caderno espera ser utilizado.
ResponderExcluirGostei demais dessas artes que fez com as fotos, me lembra até um dos primeiros álbuns do Pink Floyd.
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