E hoje,
Ao invés
Do meu chá de melissa,
Usual,
Tomo chávena de Psilocybe,
Deixo na gaveta o pijama
Vou pro capão da mata
Um stonehenge no taquaral
Uma saturnália
Um sarau no bambual.
Eu e todos os Sacis,
O Pererê, o Trique, o Matiaperê, o Mofera.
O fogo da fogueira a sapecar nossos rostos
E a tomarmos fermentado de tari, de cauim,
Assando coquinhos, tanajuras e mandruvás
Pra tira-gostos,
Nos cachimbinhos, fuminho do bom,
Surrupiado da tapera do tio Barnabé :
Uma festa surpresa pra ti.
Chegaram o Caipora e o Curupira,
E não sabiam de ti.
Chegaram a Iara e o Boitatá,
E não sabiam de ti.
Chegaram a Cuca e o Negrinho do Pastoreio,
E nada sabiam de ti.
A mula-sem-cabeça
O Pai do Mato
A Comadre Fulozinha
O Mapinguari
O Corpo-seco
O Quibumgo,
O Tutu Marambá
E nada sabiam de ti
Perguntavam,
Quando perguntados de ti :
Que figura folclórica é esta?
E o sol chegou antes de tu chegares.
Fica para outra vez,
Para outro Dia dos Mortos,
Para outro Dia do Saci.

Se eu li o Saci do grande Monteiro Lobato? E de onde você acha que veio a inspiração para esse poema? Tenho a coleção infantil dele toda, que li na íntegra ainda em criança e devo ter relido umas duas vezes já depois de adulto. Tentei fazer com que meu filho lesse, mas ele nem se dignou a pegar os livros. É uma geração ingrata para com os grandes mestres. E falo do Lobato, é claro.
ResponderExcluirAliás, todo meu interesse por folclore e mitologia nasceu lendo o Saci, o Minotauro e os Doze Trabalhos de Hércules.
Você disse que seu filho nem se dignou a pegar os livros. Talvez a culpa disso seja das escolhas literárias das escolas. Um de meus filhos disse que o livro de que mais gostou (dos que foi obrigado a ler) foi "O menino no espelho", do Fernando Sabino. Talvez o gostar de ler seja um processo longo, estimulado por livros inicialmente finos mas sempre divertidos e atraentes. De nada valem belas ilustrações se o texto é uma merda.
ExcluirQue nem eu! Mesmo que eu jamais defenda uma modernização do texto, entendo que a linguagem muito antiga talvez assuste e espante quem ao menos se aventurar na leitura de seus livros. Tentando fazer uma piadinha, diria que vivemos em um mundo "hieroglificado", que dá valor às imagens. E a escrita voltou à sua origem, com abolição das vogais. Um mundo antigo que se acha moderno, sei lá.
ResponderExcluirÉ um mundo moderno, cronologicamente. Mas voltando, e por opção, ao total primitivismo. Dá uma tristeza muito grande. Nem fico mais puto. Fico triste.
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