Ele
Não entregou a Ela
Seus beijos
(ora apaixonados, ora cerimonais),
Seu sono ao lado do Dela
(ora plácido, ora tempestuoso),
Sua rotina e suas manias
(intragáveis, no mais das vezes),
Seu pau
(cuja ereção oscilava com os desmandos da maré, o humor dos ventos, a TPM da Lua).
Entregou a Ela
Então
Post mortem :
O seu baú
Urna depositária da alma Dele,
Seus escritos e suas confissões
(que editor nenhum publicaria, que padre algum absolveria)
Em magotes de folhas amareladas
Em cadernos e agendas
De espirais tortas e enferrujadas.
Transplantou para o peito Dela
(ainda arfante e túrgido)
O testamento sem nenhum beneficiário,
Implantou no útero Dela
(ainda quente, fértil e sequioso)
O embrião dos sonhos Dele
De suas aspirações
Frustrações
Enfim
O embrião do adulto
Que Ele sempre quis ser
Mas
Que optou
(E Ele nem se lembra
Quando
Como
E por quê)
Por abortar.
(Edite-os
Misture-os
À vontade
Mais dois ou três? Pois o que tens reúne uma coletânea de poemas escritos entre 1989 e 1997. Quase 30 anos já se vão. Não sei ao certo, mas tenho material para mais uns 10 ou 15 volumes, por baixo.
ResponderExcluirCom certeza, já passei dos mil. Até o 700 e pouco, eu os tenho passados a limpo, em páginas individuais e guardados numa pasta só deles. Os outros estão espalhados pelos cadernos onde vou escrevendo tudo o que me dá na telha. Acaba um caderno, eu o guardo numa caixa e começo outro. Espalhados é modo de dizer, esses cadernos estão numerados e datados, assim como os poemas dentro deles, misturados a outros textos em prosa. Todas as férias, eu prometo pra mim que vou começar a passar os poemas a limpo. Mas nunca cumpro a promessa. Quem sabe o dia em que eu me aposentar... se me aposentar. Mas a grande maioria deles está publicado aqui no blog.
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