quarta-feira, 8 de abril de 2026

Vestido de Espaço

Na verdade,
Na verdade mais crua e sangrenta,
Sincera e desavergonhada,
Eu morro de inveja
Dos não nascidos,
Dos nunca sequestrados e abduzidos
Pela catástrofe da fecundação.
Dos que nunca foram.
 
Mas não sendo parte
Deste seleto e afortunado grupo,
Miro meus iguais em desgraça,
Os nascidos,
E morro de inveja
Dos que vivem suas vidas,
Se não felizes, 
Ao menos satisfeitos,
Sem angústias,
Contentes,
Convictos de que a vida
É isso mesmo,
É acordar, vestir-se para ir ao trabalho,
Chegar em casa, vestir-se para ir dormir,
Acordar, vestir-se para ir ao trabalho,
Chegar em casa, vestir-se para ir dormir...
(rotina entremeada lá por um churrasquinho, um jogo de futebol, a maratona de uma série)
 
Eu quereria
Nunca ter que dormir
Nunca ter que acordar
Nunca ter que me vestir.
 
Viver peladão.
Vestido de espaço e de imaterialidade. 
 

Um comentário:

  1. A Marreta do Azarão9 de abril de 2026 às 22:08

    Pããããããta que o pariu!!!
    Que visão conformista; na verdade, preguiçosa da vida. Acreditar que o mágico, o fantástico, dará algum sentido à sua existência de bosta. Esperar obter, de graça, em outra vida, a sua vontade pela qual nunca quis brigar de verdade.
    Alan Kardec é o caralho!! Reencarnação não existe. Outros planos, menos ainda.
    E eu tô cagando para o que você crê.

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