segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Perus, Leitões, Chesters e Outros Cadáveres de Fim de Ano. Ou : Música, Rojões, Fogueiras, Espumantes e Outras Celebrações dos Idiotas

O ano não foi bom nem ruim
O próximo não será pior nem melhor.
Não será
Não foi
Não é.
Não há ano
Não há Tempo.
Há uma continuidade não-linear
À qual o ser humano decidiu chamar de Tempo
E a tentativa de dividi-la
Compartimentá-la
Encaixotá-la
Agrilhoá-la
Em segundos, minutos, horas, séculos
E pô-la a correr em retos trilhos de trem,
Para que sinta que ele está ao leme e ao timão dessa continuidade
Que bem a navega
E conhece suas rotas,
Para não querer ver
Que ele é apenas um troço de merda
Cagado do cu de algum deus
(tantos são criados)
E ejetados no esgoto
(isso é verdadeiramente o Tempo)
Olimpo abaixo.
Não há Tempo
E agora é tempo das confraternizações
Das reuniões do bando em volta das fogueiras,
Assar a carne de animais
Que nenhum dos frouxos ali caçou
Carne indigna
Hienas comedoras de carniça fresca.
tempo de dançar em volta do fogo
Celebrar a colheita maldita
A safra estéril
O fruto podre no pé.
tempo de tocar os tambores, batucar os tantãs
E encher a cara
Pelas metas atingidas
Pelo dever cumprido
(e pouco importa se são inúteis) :
Beber pelos fracassos coletivos
Pelas inabilidade e pela incompetência corporativa.
Erguer taças e vivas e hurras
Pelo décimo terceiro
Pela cesta de Natal
Pelos fogos, pela Cidra Cereser do reveillon
Pela certeza do pau do chefe cravado em seus cus.
Eu não confraternizo.
Se asso alguma carne
É a dos peixes cintilantes e transparentes
Pescados de minhas fossas abissais
De minhas depressões,
É a dos pássaros azuis aprisionados 
Nesse alçapão que sou eu.
Se bebo,
Bebo por nada.
E se danço
É em torno de meu próprio umbigo,
Da fogueira mortiça
De minha alma extinta.

domingo, 13 de dezembro de 2015

O Sagrado e o Profano

O profano, é claro, é o crucifixo.

Receita de Mulher (VI)

O sétimo mandamento do Dodecálogo do Azarão.
7 - Faça Silêncio - Na hora da chegada dele, desligue a lavadora, secadora e aspirador e cuida para que as crianças fiquem caladas. Pensa em todo o ruído que ele teve que suportar durante seu pesado dia no escritório.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (21)

O Diabo é pai do rock! O pai biológico do rock. Mas é pai canalha e desnaturado. Abandona suas crias ao deus-dará. O Diabo é o pai do rock. Mas o sobrenome de registro do rock é Seixas. Raul Seixas adotou o pequeno rebento. E pai é quem cria. Raul é o pai de fato do rock.
Raul Seixas foi e ainda é o cara do rock no Brasil. Raul é rocker, é contestador, é mosca na sopa, é irônico, cáustico e sardônico. E macho pra caralho!
Mas nem todos esses atributos foram capazes de proteger o Maluco Beleza do bom e velho chifre. Raul também já levou suas galhas. O chifre é eclético. Não faz distinções nem tem preferências de credo, raça, cor, classe social ou gênero musical. O chifre é uma entidade espiritual, um encosto. Vaga à toa por aí e pode encarnar em qualquer um. E dá o que fazer pra tirar o encosto. Só mesmo indo na Universal do Reino de Deus.
A canção Babilina é o desabafo do cara que é casado com uma puta de zona. "Oh, Babilina, Babilina, sai desse bordel." Pede um Raul injuriado."É dentro de casa que eu te quero meu amor, larga desse emprego, baby, por favor."
Pois é. Raul Seixas já teve seus dias de Odair José.
Toca Raul! Se toca, Raul!
Babilina
(Raul Seixas)
Babilina babilina
saia do bordel
Oh babilina babilina
sai desse bordel

Eu quero exclusividade do teu amor
Cutis cubidu-bilina por favor!
Eu tava seco a muito tempo quando eu lhe conheci, 
Provei do seu chamego e nunca mais me esqueci
A noite cê trabalha diz que é pra me sustentar, 
Passa o dia exausta que nem pode me olhar
É dentro de casa que eu te quero meu amor, 
Larga desse emprego baby por favor

Babilina babilina
saia do bordel
Oh babilina babilina
sai desse bordel
Eu quero exclusividade do teu amor
Cutis cubidu-bilina por favor!

Quando cê chega com a bolsa entupida de tutu
Imagino quanta gente se deu bem no meu baú
Você me garante que não sente nada não
E que só comigo você tem satisfação
É dentro de casa que eu te quero meu amor, 
Larga desse emprego baby por favor

Babilina babilina
sai desse bordel
Oh babilina babilina
larga desse bordel minha filha

Eu quero exclusividade do teu amor
Cutis cubidu-bilina por favor!

She is my girl, and i love her so
I sad Cutis-cubidu-bilina go girl go!

Receita de Mulher (V)

O sexto mandamento do Dodecálogo do Azarão. Que nem só de cuidar do marido vive a mulher. Há também os filhos. Que devem estar prontos e arrumados à chegada do pai. Janta e banho dados. A recebê-lo sorridentes e prestativos.

Telas de Proteção

Tenho uma sacada grande
Ampla e ancha
Um pequeno latifúndio
Onde caberiam e vicejariam
Felizes
Orquídeas
Samambaias e avencas
Crisântemos roxos que descoram
Rosas que falam
Suculentas
Cebolinhas e manjericões
Mas na qual eu prefiro
Cultivar o vazio
O árido do ócio e do pensamento.
Uma sacada abraçada
Com o abraço de tamanduá
De uma tela de polietileno
Que permite a paisagem
Mas não o pé no asfalto
Na noite
Não o necessário sangue a escorrer do nariz.
Tenho duas gatas
Castradas
Telas de polietileno em seus cios.
Muitas vezes
Ficamos
Eu e elas
A olhar através de nossas telas
(nossos confortos e nossas Alcatrazes).
Eu ainda me conforto
Me consolo
Me acomodo
Me convenço
Quase que me venço
Depois de uma meia dúzia de latões.
E as minhas gatas?
Com que tarja preta serenam seu sono?
Com que chá?
Com que resignação?
Com que sonho de mil gatos?

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Para o Planalto, Tiririca! Porque Pior Que Tá Não Fica!

Caso a nossa indigníssima presidanta seja impedida e escorraçada do Planalto, caso o PT desça a rampa do Planalto enxotado feito o cão sarnento que é, a linha sucessória presidencial será acionada; com toda a certeza, a hierarquia política mais podre de todo o planeta.
O sucessor natural e imediato é o vice Michel Temer, mas vá que as investigações derivadas do processo de impeachment comprovem que o dinheiro da roubalheira da Petrobrás engordou o caixa da campanha Dilma Rousseff/Michel Temer. Nesse caso, Dilma e Temer ficariam impedidos.
Na sequência, a faixa presidencial seria abiscoitada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que, por sua vez, está sob investigação da Operação Lava Jato, o que invalidaria seu nome para o mais alto cargo da República.
A batata quente, em seguida, iria para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, por razão idêntica à de Calheiros, também não poderia assumir a Presidência da República.
Em quarto lugar no pódio da sucessão, viria o deputado federal mais votado das últimas eleições, Celso Russomano, condenado por peculato em 28/11/2015, o que também o inviabilizaria para o cargo.
E, finalmente, ultrapassando todos os outros e cruzando a linha de chegada na condição de o maior azarão de todos os tempos, o segundo deputado federal mais votado : ele, senhoras e senhores, ninguém mais ninguém menos que ele, Francisco Everardo Oliveira da Silva, o abestado Tiririca. Que, de todos, é o único honesto, o único contra o qual não pesa nenhum processo ou investigação. E, portanto, apto a ser o próximo Presidente da República.
No Brasil, o palhaço é o mais sério e confiável dos políticos.
E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!
De mulher, pode ser; mas, pelo menos, não de dinheiro público.
É Tiririca no Planalto. Pior que tá não fica!

Receita de Mulher (IV)

Eis o quinto mandamento do Dodecálogo do Azarão.
5 - Faça com que ele se sinta no paraíso. Durante os meses mais frios do ano, você deve preparar a lareira antes da chegada dele. Seu marido sentirá que chegou a um paraíso de descanso e de ordem. Isto levantará não só o ânimo dele, mas o seu também. Depois de tudo, cuidar da comodidade dele lhe brindará com uma enorme satisfação pessoal.

Café de Um Futuro Esquecido

O café ensolarado,
O sonho dos grãos cremados jovens e vivos
Erguem volutas
Promessas
E miragens entre eles.

O clima,
Ameno,
O sol de raios cordiais
Como que passados
Por velho coador de pano.

Há um enigma de lavanda
A ser adivinhado no ar.
Mesmo sem único canteiro
Ou solitário vaso de espigas roxas por perto
Mesmo sem um pedaço da Lua
Nem mesmo perfume francês
Nem mesmo desinfetante de banheiro.

Talvez da memóra
Ou do desejo de se ter uma memória.
Memória criada
De uma outra Atlântida
De um café de um futuro esquecido.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Receita de Mulher (III)

Eu, o Azarão, atendendo a um chamado divino, subi o monte, o Monte de Vênus. Lá no cume, Deus me legou os doze mandamentos e me deu a missão de propagá-los em seu Nome. Os doze preceitos que entrarão para a história como O Dodecálogo do Azarão. O Estatuto do Matrimônimo Duradouro e Feliz. As Leis de Diretrizes e Bases para que vocês, mulheres, consigam um macho para chamarem de seu, para conseguirem a sua rola cativa.
E, em verdade, vos apresento o quarto mandamento do Dodecálogo do Azarão.
4 - Arrume sua casa - Ela deve ter uma aparência impecável. Faça uma última vistoria pelas principais dependências da casa, antes que seu marido chegue. Levante livros de escola, brinquedos etc. E limpe-os com um espanador. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

O Nunca e o Sempre

O Nunca,
Às vezes,
Falha;
O Sempre,
sempre.

Receita de Mulher (II)

Mais um capítulo do manual prático para conseguir um bom marido. Mais  um mandamento para recuperarem a delicadeza perdida. Não precisam agradecer, meninas. O que é que eu não faço por vocês?
3 - Esteja fresca e interessante - O chato dia de trabalho dele necessita melhorar. Você deve fazer todo o possível nesse sentido. Uma de suas obrigações é distrai-lo. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Por Que Que Você Nunca Fica de Castigo, Pai?

Quando vou ao supermercado nos fins de semana, levo meu filho junto. E moleque de 6 anos é moleque de 6 anos. Moleque de 6 anos em supermercado é igual a macaco em loja de louças. Perigosíssimo. Para a loja e para ele mesmo.
Mas também o mercado provoca. Para adultos, o mercado é só um mercado, um local de abastecimento de nossos víveres básicos. Para a criança, aquilo é um caleidoscópio de estímulos. Visuais, sonoros, olfativos, táteis e gustativos. Uma psicodelia. As prateleiras, verdadeiras babéis de logomarcas, que já são gigantescas às vistas de um adulto, tornam-se em vertiginosos Everests para uma criança com pouco mais de um metro de altura. Um Everest estroboscópico de cores.
Moleque fuça em tudo. Exigem um puta trabalho de vigilância dos pais. E de educação, também. A não ser aquelas crianças - e tenho visto cada vez mais desses tristes casos - cujos pais lhes põem um celular ou um tablet nas pequenas mãos. Essas não dão o menor trabalho. Não mexem em nada. Não veem nada. Não escutam nada. Comportam-se como autistas. Seguem os pais feito poodles amestrados; pior, feito pequenos autômatos idiotizados. O frango congelado no carrinho de compras dá mais sinais de vida que essas crianças. E do que seus pais, também. Tablets e smartphones são os tarjas pretas que não precisam de receita médica. Na França e na Bélgica, é crime previsto em lei dar uma merda dessa para crianças menores de 5 anos.
Aliás, é essa a mesma laia de pai e mãe que leva a criança a um psiquiatra para que lhe sejam prescritos "remédios" para déficit de atenção, para hiperatividade e outras invencionices da indústria farmacêutica aliada à máfia dos divãs. "Remédios" para a energia excedente e sobrenadante própria de uma criança saudável; "remédios" para a alegria e para a peraltice, que é a melhor forma de descobrir o mundo ao seu redor; "remédios", enfim, para curar a criança de sua infância. 
Dopar a criança para que não tenham o trabalho, eles, os pais, de bem educá-la, para que não tenham o trabalho de ser pais. Para que possam, um na TV da sala, ver o futebol e o outro, na do quarto, acompanhar a novela. Ou ficar cada um, em seus smartphones e facebooks, a tramar putarias e pequenas infidelidades.
Moleque fuça em tudo. É normal. E o meu fuça em algumas coisas bem interessantes, incomuns. Não é de mexer nas prateleiras, mas, se eu me descuido por poucos segundos, ele realiza pequenos atos de sabotagem. Adora desligar aquelas geladeiras que guardam refrigerantes e cervejas; se bobeio, ele as desliga, quantas puder, num botão colocado ao rés do chão. Se o caixa ao lado do que passamos está sem funcionário, ele se abaixa e aperta o botão de reset do terminal do computador colocado ao chão; já deu reset num monte.
Moleque fuça em tudo. É normal. É saudável. O que não significa que não devam ser coibidos, corrigidos, censurados, repreendidos, educados, enfim. E eu, sim, coíbo, corrijo, censuro e repreendo. Tentando me manter no tênue limite, na corda bamba entre não deixar que ele cause algum dano ou que atrapalhe as demais pessoas e que eu, por excessivas proibições, destrua a sua curiosidade.
Dia desses, porém, ou ele estava mais encapetado que o de costume, ou eu estava com a paciência mais curta, ou ambas as coisas, e eu acabei por lhe aplicar um castigo. Peguei um daqueles grandes carrinhos de compras e o coloquei dentro, "engaiolei-o", enquanto fazia as compras. Foi em um dia em que tive que comprar uma quantidade de itens maior que o normal e lembrar de tudo e correr atrás de moleque ao mesmo tempo é foda. Não faço lista de compras. Memorizo tudo antes de sair de casa. Divido as compras por setores em meu cérebro. Isso de fazer listinha de compras no papel, ou, pior e imperdoável, no celular é para frouxos, para voluntários ao Alzheimer.
Ele ficou o tempo todo lá, engaiolado no carrinho. Inclusive, durante a longa espera na fila do caixa. Todas aquelas tentações passando aos seus olhos e ele sem poder tocá-las.
Na saída do mercado, ele me disse que não gostara de ficar de castigo. Eu respondi que castigo é para não gostar mesmo, que não seria castigo se ele gostasse. Castigo é isso mesmo, disse a ele, é não poder fazer coisas de que a gente gosta.
- E por que que você nunca fica de castigo, pai? -, perguntou-me.
Pergunta de criança nunca é simples.
Por que que você nunca fica de castigo, pai? Pensei um pouco, respirei fundo e, quase que num suspiro, respondi a ele:
- Você é que pensa, meu filho... você é que pensa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Receita de Mulher (I)

Vinicius de Moraes, sem papas na língua, órgão que, juntamente com os dedos, autodeclarou ter lhe sido de inestimável valia, logo no início de seu poema Receita de Mulher, manda na lata : As muito feias que me perdoem/ Mas beleza é fundamental.
Claro que o Poetinha, safado e mulherengo que só ele, numa primeira instância, refere-se à beleza física de fato, a das belas e bem fornidas formas, a das curvas e dos entroncamentos, a das protuberâncias e dos recôncavos femininos. Mas sendo poeta, e incapaz de se livrar de tal sina, nas entrelinhas do poema, ele pode muito bem estar a versar sobre a beleza metafórica do sexo frágil. Diria mesmo a beleza metafísica. A beleza inerente ao simples fato de se ter  nascido mulher. A beleza intrínseca e intransferível das habilidades, dotes e atributos de quem nasce mulher - a delicadeza, a sutileza, a sensibilidade, o esmero para consigo mesma e para com os outros, o gostar de cuidar, de aconchegar, de aninhar.
Em suma, a beleza e os encantos das prendas femininas, a quintessência da fêmea, a ser sempre guardada e preservada e mantida em perene estado de maturação em adega subterrânea, feito vinho raro de safra especial. A mulher nem precisa ser uma Afrodite. Se ela bem exercitar as suas prendas - e, lógico, tiver um bom "saculejo" -, o cara se apaixona da mesma maneira.
Acontece que, de uns tempos para cá, a expressão mulher prendada foi tornada em pejorativa. Virou sinônimo de mulher submissa, de Amélia, passou a ser rejeitada, a ser vista como um câncer pelas mulheres modernas e independentes.
Grande equívoco, meninas, essa confusão entre prendada e subserviente. E com sérias consequências para vocês mesmas, como direi mais a seguir. Um verdadeiro tiro no pé.
Equívoco propositalmente induzido pelas alas mais azedas, encruadas, recalcadas e rançosas do feminismo. As suvacudas que queimam sutiãs. Que apregoam que homens e mulheres são iguais. E tem uma mulherada burra que cai nessa esparrela, nessa conversa para boi dormir, e vai, aos poucos, se despojando de sua feminilidade, de suas prendas, de seus encantos. 
Homens e mulheres não são iguais, meninas! Ainda bem! Adoramos as nossas nada sutis diferenças. Homens e mulheres têm, sim, têm que ter, é indiscutível, direitos constitucionais iguais. E deveres, idem. Mas não são iguais. Isso é 171 de feminista sapatão que quer tornar homens e mulheres em inimigos. Para que lhes sobrem mais bucetinhas.
Toda essa minha lenga-lenga porque trabalho em ambiente predominantemente feminino. Muitas dessas mulheres com que convivo encontram-se na faixa etária compreendida entre o pós-balzaquiano e o pré-sucateamento. Ou seja, estão entre os 37, 38 anos e os 50, 50 e poucos. Ainda apetecíveis. Ainda dando um bom caldo. Muitas dessas são descasadas, ou estão avulsas, como preferem dizer. E a reclamação é geral e unânime entre elas : tá faltando homem na praça. Até que não é tão difícil encontrar um cara para dar uma metidinha casual, garantem elas. Porém, um cara para um compromisso mais sério, um cara que as assuma como companheiras, enfim, um homem para chamarem de seu, é artigo cada vez mais raro e arisco. Os homens, sobretudo na mencionada faixa etária, não querem se comprometer com elas.
Pois tenho duas notícias para vocês, meninas : uma boa e uma ruim.
Primeiro, a ruim. A culpa por grande parte dessa "covardia" masculina, por esse descompromisso do macho,  cabe, única e exclusivamente, a vocês, meninas.
Ouvi, um dia desses, um desses humoristas do stand-up brasileiro dizer que o homem não gosta de mulher, ele gosta é de algo que só a mulher tem, a buceta. Seguiu dizendo que, se o homem tivesse buceta, o cara se casava com o melhor amigo. Sei não. Eu não me casaria com meu amigo Fernandão caso ele tivesse uma buceta. De jeito nenhum. Se ainda ele tivesse também um grande par de peitos, uns bons melões, já dava pra considerar a questão.
Claro que é uma piada de stand-up, em que uma observação do cotidiano é elevada ao nível do absurdo, do surreal, para fazer rir. Mas que, se pensarmos bem, tem lá seu fundo de realidade. Se não estão os homens a adquirir xavascas, por outro lado e de certo modo, as mulheres estão se transformando em meros homens com bucetas. Estão se desfazendo, propositalmente, de caso pensado, de sua feminilidade, de suas preciosas e já mencionadas prendas. Estão a se tornar, em comportamento e atitudes, homens com rachas no lugar do pau e do saco.
São as ditas mulheres modernas e independentes. Que estudaram. Que têm diploma de ensino superior. Que têm bons empregos e neles são bem-sucedidas. As mulheres, hoje, e ainda bem, são financeiramente independentes do homem. E digo que é assim que tem de ser. Cada vez mais. Quero que minha mulher ganhe cada vez melhor que eu (ela já ganha). Até porque,  na eventualidade de um rompimento, quem vai pedir pensão sou eu.
Só que muitas de vocês, meninas, confundem independência financeira com total desobrigação para com os afazeres de suas vidas particulares. Ser independente é uma coisa; ser desobrigada, descompromissada, desleixada etc, é outra. E totalmente diferente.
Muitas de vocês, meninas, consideram humilhante a realização de qualquer serviço doméstico. Ter uma rotina caseira de lavar uma louça, fazer uma faxina, passar uma roupa, entre outras atribulações, é, às suas vistas de homens com xanas, aviltante, degradante. Não foi para isso que vocês estudaram. Não foi para isso que vocês se formaram. E notem que eu digo de realizarem tarefas de manutenção e organização de suas próprias casas, de seus próprios lares, de afofarem o próprio ninho.
E como a casa não se autogere, o que vocês fazem, meninas? Pagam para que outras mulheres executem as tarefas que vocês consideram degradante que uma mulher como vocês realizem - uma faxineira, diarista, doméstica, chamem do que quiserem, dourem a pílula como melhor lhes convier.
Pãããããta que o pariu!!! E, depois, eu é quem sou o machista!!!
Cuidar da própria casa, cuidar dos filhos (e lhes cobrar o devido respeito em troca), cuidar um pouco do marido (e exigir que também por ele seja cuidada), não tem nada de desonroso, de servil. Tem é de privilégio. Essa semana mesmo, no programa Papo de Segunda, exibido pela GNT, foi relatada uma pesquisa feita com homens e mulheres, na qual 73% dos entrevistados, de ambos os sexos, concordaram que uma justa e igualitária divisão das tarefas domésticas evitaria muitas crises em um casamento.
Então, pensem bem, meninas, por que um homem se ligaria afetivamente a mulher não prendada, a uma mulher que escolheu deliberadamente não ser prendada? Por que assumiria um compromisso estável com uma mulher que mimetiza as piores características de muitos homens? Por que se casaria com uma mulher sem qualidades femininas? Com um homem com buceta? Só para curtir uma TPM? De jeito nenhum. Eles correm, Lola, eles correm. Nós gostamos de buceta, sim, e muito lhes agradecemos por elas. Mas também gostamos, e muito, ao contrário do que diz o comediante de stand-up, de mulher.
E  homem é o bicho mais fácil de agradar. Surpreenda-o, nem que seja uma vez por semana, com a cerveja já gelada a lhe esperar no refrigerador, prepare para ele uns petiscos, uns tira-gostos, assista com ele, nem que seja esporadicamente, a um jogo do time dele, dê o cuzinho para ele de vez em quando, uma vez por mês etc etc. E essa é a notícia ruim, meninas, a culpa da escassez masculina é de vocês, é consequência da também cada vez mais rara feminilidade. 
A notícia boa, por fim, é que eu, o Azarão, estou aqui para ajudá-las no resgate das prendas perdidas. Sigam as minhas instruções, meninas! E logo terão capturado uma rola para chamarem só de sua! Na verdade, não são orientações minhas, são conselhos de uma revista feminina (argentina se não me engano) publicada na década de 1950, e que o Azarão, gentilmente e preocupado com a seca em que vocês se encontram, irá publicar e compartilhar com vocês aqui no Marreta. Publicarei os conselhos de forma homeopática, um a cada postagem, com o título Receita de Mulher. São doze dicas infalíveis. Um verdadeiro manual do lar feliz. São dicas curtas, escritas em linguagem de fácil entendimento. E o que é melhor, mulherada : são ilustradas com desenhos. Não tem como não entender.
Nessa primeira Receita de Mulher, excepcionalmente, publicarei duas dicas, feito quando uma editora lança uma coleção de fascículos, o primeiro sempre vem com dois.
1- Jantar Pronto. Planeje com antecedência um delicioso jantar para sua chegada. Esta é uma forma dele saber que você esteve a pensar nele e que se preocupa com suas necessidades. A maioria dos homens estão famintos quando chegam em casa.
2- Esteja Linda. Descanse 5 minutos antes de sua chegada para que ele lhe encontre fresca e reluzente. Retoque sua maquiagem, ponha uma tiara em seu cabelo e fique o melhor possível para ele. Lembre-se que ele teve um dia duro e só lidou com companheiros de trabalho.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Fingidor? Sempre. Mentiroso? Só Se Por Descuido. Só Se Sem Intenção.

O poeta é um fingidor.
Quem sou eu para discordar do Pessoa?
Aliás, quem é qualquer um para discordar do Pessoa?
Aliás (2), quem é a humanidade para discordar do Pessoa?
O poeta é um fingidor.
O que é, porém,
(Enganam-se os pseudointelectuais afeminados frequentadores de saraus)
Muito distinto
E anos-luz longínquo
De ser um mentiroso.
O poeta é um ilusionista;
Antes ainda
Um iluso.
Um charlatão que tem por café da manhã
A poção inócua que vende em sua carroça de cidade em cidade.
O poeta é o prestidigitador
Que crê mesmo que sua cartola
É uma manjedoura de coelhos,
Que acredita no fundo falso.
O poeta é o fundo falso!
O poeta não é um pintor de realidades,
De naturezas mortas,
É um restaurador de quadros vivos.
E nem por isso
Menos canalha.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Antiviral Viking

Estou resfriado,
Na melhor e catarrenta das hipóteses.
Talvez gripado,
Comum
Espanhola (quem me dera)
Suína
Aviária.
Ou dengue
Chikungunya
Zika
Enfim...
Alguma merda
Que me deixará mais prostrado 
Mais mal-humorado
Azedo
Com o saco murcho
Fará erupcionar a herpes
(Sempre no lábio superior e no canto esquerdo)
Mas não me matará :
Travessuras de saci.

Durante o dia
Que ganho para representar papéis
Que tenho que ser isso
Aquilo 
E aquiloutro
Tomo dipirona a cada quatro horas
Dou escudos de Capitão América aos meus anticorpos
Só escudos.
Só paliativos
Só subterfúgios
Só delongas.

Mas de madrugada
Ah, de madrugada!!!
De madrugada
Quando não tenho que encenar nenhum papel
Que não tenho nenhum vínculo empregatício com a vida
Tomo cerveja.
Uma lata a cada vinte ou trinta minutos.
Que não dá escudos
Nem quaisquer novas armas aos meus zagueiros imunológicos
(eles têm as armas deles, fornecidas pela Evolução).

Tomo cerveja.
Que dá a eles
Novos ânimos
Novas almas
Novas têmperas.
Que dá a eles
Cabelos ruivos
Machados de duplo gume com cabos de prata
E barcos velozes entalhados sobre dorsos de dragões.
Os mune de brados
E de brios vikings!
Lhes dá o raio, o trovão
E a marreta de Thor.
Puta que o pariu se dá.

Leão Broxa é Linchado Por Fêmeas

O título dessa postagem, que bem poderia ser manchete de primeira página do Notícias Populares do Zoo, não é puro sensacionalismo, não. É fato verídico. Ou, fato venéreo, como diria Paulinho Gogó. E não deixa mesmo de ser, afinal venéreo tem origem em Vênus, a deusa que comanda as coisas do amor.
Quem acha que a vida do Leão, o rei das selvas (o mais adequado seria dizer das savanas, mas enfim...), é um mar de rosas, está absolutamente certo. Ter todas as fêmeas do bando só para si. Para trepar quando bem lhe aprouver, para ser paparicado por elas, para que elas cacem para seu amo e senhor o pernil de zebra nosso de cada dia... Só não é um eterno mar de rosas.
Toda essa mamata e mordomia duram pouco. O mandato de um leão dura de quatro a cinco anos, no máximo.
Pois é, meu amigo, a Natureza não é repartição pública. Macho alfa não tem estabilidade assegurada. Nem pode concorrer à reeleição. Prevaricou, a Natureza exonera. Taca-lhe um impeachment na hora.
O sultanato de um leão alfa começa, via de regra, por volta de seus cinco anos de idade e se estende até os dez, intervalo que compreende o auge da força e da virilidade do bicho. Antes de concorrerem a donos do pedaço, os leões jovens, sem direitos às fêmeas, fazem troca-troca de montão. Não tem tu, vai tu mesmo. Uma viadagem de fazer inveja aos antílopes e às gazelas. Findo o reinado, ou ele já morre logo em seguida, em virtude dos ferimentos do combate que o depôs, ou, banido do grupo, erra e vaga sozinho pela vastidão africana, diminuindo suas chances de sobrevivência e morrendo poucas semanas ou meses depois, na solidão, no exílio, na vergonha.
Pois é, meu amigo, macho alfa não tem carteira assinada pela Natureza nem direitos trabalhistas. Não tem FGTS, seguro desemprego, muito menos aposentadoria. E nem enriquece depois, ganhando milhões a proferir palestras pelo continente selvagem.
Isso, é claro, na Natureza. Em cativeiro, a vida do leão pode ser, embora tediosa, mais longa e mansa : há notícias de leões que chegaram aos vinte, vinte e cinco, trinta anos. Mas se tem leão por ai pensando que o zoológico é aposentadoria de felino malandro, pode também dar com os burros n'água.
Acontece que a Natureza sempre encontra uma maneira de bater com o pau na mesa e pôr ordem na casa. Mesmo quando é deixada de fora da festa, mesmo quando, feito Baby Consuelo na Disneylândia, é barrada na entrada do zoo. A Mamãe Natureza conta com os instintos que bem programou em suas crias para assegurar o seu sagrado equilíbrio.
O leão Kenya, ilustre morador do Knowsley Safari Park, em Merseyside (Inglaterra), foi vítima dessa cláusula pétrea da Natureza. Kenya, que já era um senhor de 18 anos de idade e tinha como certa a vida mansa que levara até então, foi morto por suas fêmeas. Por estar velho demais.
As fêmeas pegaram Kenya de porrada, em linchamento. Os funcionários do zoo agiram rápido e, indo contra o ditado em que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, conseguiram separar os animais. Mas era tarde para o velho Kenya. As fêmeas foram implácaveis. Infligiram-lhe tal sorte de ferimentos que não restou outra alternativa ao zoo que não fosse a de sacrificar Kenya, que submetê-lo à eutanásia.
O porta-voz do parque disse que o ataque de leoas contra leões que já não podem cuidar delas e da prole não é incomum entre felinos.
Mesmo que, em cativeiro, os dotes protetores e caçadores de Kenya não se fizessem necessários à boa vida do bando, as fêmeas foram intransigentes. Elas passavam todos os dias e viam lá o Kenya, deitadão, roncando, a outrora juba basta e brônzea já grisalha e esparsa, uma barriguinha a se pronunciar, e aquele pinto mole a pender do meio das pernas. Não tiveram dúvidas : lincharam o pobre broxa.
Ingratidão : teu nome é mulher. Não tiveram a menor consideração por todas as boas fodas que Kenya, ao longo de seus anos de pujança, proporcionara a elas. Não levaram em conta a honra que foi servir ao seu macho alfa durante tanto tempo. Não serviu de atenuante a Kenya nem os filhos que ele dera às putas, Kenya lhes concedera a dádiva de poderem exercer a sua sagrada função biológica, a de serem mães.
Nada. Nada disso livrou a cara do leão broxa. A Natureza não perdoa pau mole.
Já pensou se essa moda também pega entre os humanos, caro Jotabê?
Pããããããta que o pariu!!!!!
Eis Kenya, o injustiçado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Espelho de Dorian Gray

Uma da matina
Sentado no vaso sanitário
A ler um livro policial que tomei em empréstimo hoje
Na biblioteca municipal.
Já terminei o "serviço" há algum tempo
E nem foi arriada das melhores
Mas continuo ali
A ler
Mesmo depois do desentupimento
Mesmo sabendo que a merda
Está a me secar no cu.
Gosto de ficar na privada
A ler.
O banheiro é o último refúgio à prova de som do planeta.
É o santuário de monges que fizeram voto de silêncio.
Ninguém respeita o seu silêncio
- A sua necessidade dele -
Quando você tenta assistir a um filme
Ler um livro
Ouvir um CD do Lupicínio Rodrigues.
Mas no banheiro
Ninguém vai lhe interromper
Ninguém profana o necessário silêncio a uma cagada.
Então
Tiro os olhos do livro
E os dirijo para a pia 
Para pegar a lata de cerveja barata ali colocada.
Gosto de cagar
Ler
E tomar cerveja ao mesmo tempo.
Entorno com vontade
(é a última)
Com sede de beduíno
Envergo o pescoço para trás numa boa talagada.
E quando retorno 
Quando recoloco a lata na pia
Dou de cara com o espelho
E nele, um sujeito.
Cabelo mal cortado
No barbeiro mais barato que ele conseguiu encontrar
Testa vincada
Olhos cansados
Vidrados
Dois pugilistas nocauteados em pé
Que ainda insistem em encenar
O seu balé de galinha decapitada.
Óculos para vista cansada na ponta do nariz.
Sulcos
Valetas cavadas pelo tempo
Que descem das abas do nariz
Aos cantos derreados da boca
"Bigode chinês" que ele tentar ocultar
Deixando crescer barba e bigode.
Olho para ele
E não é a cara que está no 3x4 do meu RG
Não é a cara que vejo quando falo de mim na terceira pessoa
Não é a cara de minhas boas memórias.
Ele
O cara do espelho
Também me olha
E me diz :
Foi o que sobrou, meu velho
Foi o que sobramos.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Fafá de Belém Fitness

Se, um dia, por ordens médicas e pelo inerente e notório sadismo da classe esculápica, a bebida me for vetada, tornar-me-ei um abstêmio. As noites, é verdade, terão menos risos e menos estrelas. As madrugadas, e essa será a minha maior dor, serão desperdiçadas apenas com o sono. Mas pararei de beber.
Se, um dia, por prescrição médica e pelo cruel e mórbido senso de humor da máfia de branco, for recomendado que eu frequente uma academia de ginástica, seja para condicionar a musculatura da perna e dar suporte aos periclitantes tendões do joelho, ou para tonificar os dorsais e mitigar a dor na coluna e dar-me postura mais altiva que a de um velho, ou ainda para fortalecer a velha bomba no peito com uns exercícios aeróbicos, morrerei andando de muletas, entrevado e, provavelmente, de infarto do miocárdio e coronárias.
Odeio academias de ginástica. Considero-as um ambiente insalubre e degradante. Um açougue de reses vivas. Claustrofóbicas. Ensurdecedoras. Cheiram a suor e a estábulo. Mas tem a mulherada, Azarão, argumentarão alguns ilusos. Estão a ver filmes pornô demais, meninos.
Há uma academia em frente ao mercado onde comumente me abasteço e vos digo que o contingente feminino, pelo menos nos horários em que passo por lá, se muito, perfaz uns 30% dos frequentadores. Desses 30%, uns 10% são compostos de gostosas, ou seja, por aquelas que nem precisariam estar na academia, a genética bem as favoreceu, as fez verdadeiras e bem adaptadas máquinas de meter; os 90% restantes do mulherio são formados pelas barangas plus size (que gordo, hoje, é politicamente incorreto), ou seja, por aquelas que academia nenhuma no mundo é capaz de dar jeito e boas formas, a genética, que também precisa se divertir, as sacaneou em berço, também metem, afinal, só 10% de gostosas não atendem à demanda. Acredito até que as gostosas sejam funcionárias à paisana das academias. Ficam a correr e a chacoalhar seus peitos nas esteiras, a pedalar e a empinar seu belos rabos nas bicicletas ergométricas e a desfilar por entre os aparelhos de musculação a soldo da academia. Que sejam contratadas como chamariz de baranga. A baranga passa na porta da academia, vê a gostosa na vitrine, conclui que séries de autoflagelo em máquinas de musculação podem também deixá-la igual, entra e se matricula.
Já os outros 70% dos habitantes da academia são formados pelos portadores do cromossomo Y. Desses, uns 20% são ou de magrelos raquíticos ou de gordos balofos, dois outros segmentos sem salvação. Os demais 80% do homaral parecem se dividir equanimamente entre os rinocerontes de sunga e as gazelinhas saltitantes de shorts de lycra, isso visualmente falando, porque na prática, funcionalmente falando, tem muito rinoceronte que, se apertar, saltita.
Mas se, por um lado, o meu temor pela primeira sentença médica de morte - a de deixar a cerveja - tem sólidos fundamentos e altas probabilidades de se concretizar em vetusto futuro, por outro lado, em relação à segunda condenação - a da academia -, acabo de me saber protegido, praticamente com imunidade parlamentar.
Pasmem : sempre fui - descubro agora - um grande atleta aeróbico. Desde minha adolescência.
Um estudo alemão, publicado no New England Journal of Medicine, afirma que olhar diariamente para belos seios femininos aumenta a longevidade e a qualidade de vida dos homens. Sem dizer que torna a vida muito mais agradável, também. Olhar para peitões é profilaxia das melhores para o coração. Muito melhor que ômega 3 e ômega 6. Melhor que margarina Becel.
Segundo o coordenador do estudo, o Dr. Weatherby, a excitação provocada pela paradisíaca visão de belos e bem fornidos peitos faz com que o velho e desiludido coração bombeie com mais vigor, com mais vontade, com um novo propósito na vida, faz com que impulsione mais rápida e caudalosamente o sangue por veias, artérias e capilares ( e pro pau também, claro; aliás, eu quero que o coração se foda, o que quero é meu pau sempre em riste). Olhar para uma vasta peitaria é excelente exercício cardiovascular.
E, segundo Weatherby, nem são necessários exageros : dez minutos diários de observação mamária são equivalentes a uma atividade de trinta minutos de exercícios aeróbicos.
É o Pilates com air bags! É o Fafá de Belém Fitness!!!
Não li o artigo na íntegra, apenas uma reportagem sobre ele, que não deu grandes detalhes. Mas acredito que a posologia recomendada - os dez minutos de deleite - e sua equivalência de trabalho muscular - os trinta minutos de suadouro, distensões e entorses - sejam uma média dentro do universo pesquisado.
Acredito que o tempo de observação e os resultados obtidos variem muito de observador para observador, assim como variem também os ganhos individuais. Creio que alguns consigam maiores benefícios com menores tempos, já outros, mais contemplativos, como eu, necessitem de maior tempo de exposição ao tratamento. Para alguns, inclusive, como é o caso de meu assíduo leitor, o ex-boiola, a terapêutica pode mesmo se mostrar danosa, seria-lhe altamente contra-indicada; ao invés de lhe azeitar o motor ao peito, poderia infartá-lo.
E não é só de observador para observador que a posologia pode variar. A adequada dosagem do fármaco depende muito também da concentração do princípio ativo por ml, ou seja, do tamanho dos peitões. Quanto maiores os peitões, maior a excitação e o bombeamento cardíaco. Cinco minutos de superpeitos podem equivaler ou mesmo suplantar uma hora de peitinhos.
A exemplo, se os 10 minutos recomendados pelo Dr. Weatherby forem nos peitões da moça abaixo, a tcheca Jana Defi, eles equivalerão não a trinta minutos de esteira, bicicleta e outras viadagens, valerão por uma maratona, por uma prova de decatlo.
Portanto, meu amigo, se a sua mulher o flagrar a olhar disfarçada, porém, fixamente, para peitos outros que não os dela, flagrá-lo a desejar os melões da mulher do próximo, conte-lhe sobre o estudo do Dr. Weatherby. Diga-lhe que você faz isso não por safadeza ou mau-caratismo. Explique a ela que o faz pelo bem de sua saúde cardiovascular, para que você viva mais e melhor, para que possa desfrutar de uma vida mais longa ao lado dela, a sua amada, para que a Morte, a única amante capaz de arrancá-lo dos braços dela, se demore o mais possível. Diga-lhe que se você olha para peitões é para que possa amá-la incondicionalmente por muito e muito tempo.
E, meu amigo, se ela acreditar, nunca, mas nunca mesmo, se divorcie dessa mulher.

Em tempo : e peitão é peitão, tanto faz se são peitões naturais ou, digamos assim, peitões genéricos. Por dentro, podem até ter uma bola de capotão de silicone, mas por fora é carne, carne da boa. Só não funciona, nesse caso, o efeito placebo, olhar um peitinho e acreditar que é um peitão.