Manténs agora tua secreta base,
De localização e acesso criptografados de mim?
De que janela orbital,
Inatingível por meu binóculo indiscreto,
Agora te exibes túrgida e distraída
Para algum cosmonauta pervertido?
Em qual dos teus velhos carnavais,
Dos teus salões sem atmosfera e gravidade
Bailas e flutuas alheia a mim?
Com qual dos teus eclipses,
Das tuas máscaras negras,Passas por mim
Disfarçada,
Foragida,
Magoada?
Com que Arlequim te iludes
Te divertes e te embriagas
A pensar que não pensas mais em mim?
Com que lança-perfume fantasias,
Com que fantasia te entorpeces
Quando finges que não é minha a tua luz
E que não controlas meus humores,
As minhas marés?
Velhos carnavais, meu caro, velhos carnavais, que sempre nos assombram nestes tempos de fantasias esfarrapadas.
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